(Imagem: Montagem Canva/Júlia Moreira)
Entenda os motivos pelos quais aprender o que é economia é tão importante e saiba por onde começar
Por Júlia Galvão
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É provável que, todos os dias, você ouça termos como inflação, juros, PIB, orçamento e dólar. Eles soam complicados, quase como uma linguagem reservada aos adultos ou aos especialistas em matemática. Mas será que precisa ser assim? Na prática, entender economia pode ser muito mais simples do que parece.
A economia está em quase tudo: no preço do lanche, no valor do transporte, na mensalidade do streaming ou no jogo novo que acabou de ser lançado. Basta observar o cotidiano com um pouco mais de cuidado para perceber como ela aparece nas pequenas decisões. E quanto antes começarmos a entender isso, melhor.
Quando o assunto é dinheiro, o tempo é um dos fatores mais importantes: ele pode trabalhar a nosso favor — ou contra nós — dependendo de como é usado. Também é preciso repensar a relação que temos com o dinheiro. Muitas vezes, ele é visto como algo negativo, que “corrompe” ou define quem somos.
“Se eu pudesse mudar alguma coisa na forma como as pessoas falam sobre o dinheiro, mudaria a ideia de que ele define o caráter da pessoa. Muitas pessoas deixam de ter humildade e acham que ele é a coisa mais importante, sendo que existem outras mais relevantes para se preocupar”, diz Anna Carolina Ascacibas, de 14 anos.
Entender o dinheiro, o consumo e as decisões que tomamos diante deles é essencial para formar crianças e adolescentes mais conscientes. Isso deve ser feito por meio da educação financeira, que é muitas vezes associada apenas a números, planilhas e fórmulas, mas vai muito além disso.
O especialista Reinaldo Domingos, presidente da Associação Brasileira de Educação Financeira (Abefin), explica que a educação financeira é uma ciência comportamental e humana. Em outras palavras, ela lida com hábitos, escolhas, renúncias e atitudes, e não apenas com cálculos. Isso significa que trata menos de contas e mais de como pensamos, sentimos e agimos diante do dinheiro.
De onde vem o dinheiro?
Para começar a falar sobre economia, é preciso entender o que é o dinheiro, um conceito que provavelmente vem à sua mente assim que o tema aparece.
Séculos atrás, as compras não eram feitas com moedas ou cartões, mas por meio de trocas diretas, conhecidas como escambo. Talvez você se lembre de alguma aula de história em que o professor ou a professora explicou que, por exemplo, grãos podiam ser trocados por leite. Esse sistema funcionou por um tempo, mas logo se mostrou limitado: como definir quantos litros de leite valem um saco de milho, por exemplo?
Segundo Reinaldo Domingos, o dinheiro surgiu justamente para facilitar e equilibrar essas trocas. Além disso, com a negociação sendo feita por meio do dinheiro, tornou-se mais simples vender a produção de um item e, depois, comprar outros bens ou serviços com o valor obtido.
O especialista destaca que é fundamental entender que o dinheiro é um meio, não um fim. Seu valor está diretamente ligado ao trabalho, outra base essencial da economia. O salário que uma pessoa recebe, por exemplo, representa a troca entre o tempo dedicado e o valor pago por esse tempo.

Domingos explica ainda que todos somos empreendedores ao vendermos a nossa hora de trabalho, mesmo aqueles que não têm uma empresa. O trabalho, portanto, é um conceito central para compreender o funcionamento da economia, pois é por meio dele que o sistema gira e que as trocas continuam acontecendo.
Hoje, há diferentes formas de trabalhar como, por exemplo, CLT (trabalhador com carteira assinada, segundo a Consolidação das Leis do Trabalho), MEI (Microempreendedor Individual) e PJ (Pessoa Jurídica, quando se atua como empresa).
Entendendo o custo de troca
Para além das trocas diretamente relacionadas ao ganho de dinheiro, a consultora financeira Carol Stange explica que a economia também está ligada à ação de dizer “sim” ou “não” para diferentes coisas.
“Toda escolha carrega um sim e um não. É o custo de oportunidade em ação: dizer ‘sim’ para um brinquedo pode significar dizer ‘não’ para um passeio no fim de semana”, explica a especialista.
Stange diz que a economia funciona como uma ciência das escolhas. Ela envolve organizar recursos que são finitos (como dinheiro, tempo, atenção e energia) para atender desejos que, por outro lado, são infinitos.
Na linguagem da economia, essas decisões são chamadas de trade-offs: toda vez que escolhemos uma coisa, deixamos de escolher outra. No caso de um país, isso pode se refletir em decisões como priorizar inflação mais baixa e juros mais altos — termos que ainda serão explicados adiante.
No cotidiano, o mesmo raciocínio aparece em situações simples: optar por um banho mais quente e demorado pode significar uma conta de luz mais cara e, consequentemente, abrir mão de comprar outra coisa com o valor que seria economizado.
Para compreender isso melhor, é importante entender o papel do orçamento, que está presente tanto na economia de um país quanto dentro de casa. Carol Stange explica que é por meio dele que decidimos para onde vai o dinheiro que temos.
Se você recebe uma mesada, por exemplo, pode ser interessante que seus pais acompanhem seus gastos, não como forma de controle, mas para te ajudar a fazer melhores escolhas.
Determinar um orçamento antes de gastar pode te dar mais liberdade no futuro para realizar sonhos maiores. A consultora cita a regra dos 50-30-20 para ajudar a organizar o dinheiro de maneira equilibrada. Ela consiste em dividir o orçamento em: 50% para necessidades; 30% para desejos; e 20% para metas e reserva.
Na prática, essa organização também pode ser feita com a “teoria dos três porquinhos”, criada por Reinaldo Domingos. A ideia é dividir o dinheiro em três cofrinhos que representam sonhos de curto, médio e longo prazo.
No primeiro, guardam-se pequenas reservas para o dia a dia; no segundo, valores um pouco maiores, para conquistas que exigem mais tempo, como um jogo, e, no terceiro, os sonhos grandes, como uma bicicleta ou uma viagem.
Essa divisão ajuda a entender que todo sonho tem um custo, que pode estar relacionado ao esforço de trabalhar ou ao tempo necessário para conquistá-lo.
Carol Stange lembra também que é preciso olhar para o que chama de “custo invisível” das coisas que adquirimos, ou seja, as horas de trabalho dos pais, a dedicação para alcançar uma meta, e as renúncias que fazemos ao longo do caminho.
A especialista também recomenda esperar 24 horas antes de fazer compras por impulso e registrar tudo o que entra e sai, pois essas atitudes simples podem ajudar a desenvolver uma relação mais consciente e saudável com o nosso dinheiro.
Como entender os conceitos do “economês”?
Como comentamos no início da reportagem, diferentes termos da economia aparecem com frequência no dia a dia, mas quase sempre sem grandes explicações. Isso pode assustar e até gerar receio em quem gostaria de entender mais sobre o assunto.
Para começar, podemos dividir esses conceitos em partes menores. Você provavelmente já presenciou seus pais sendo questionados no caixa do mercado se o pagamento seria feito no débito ou no crédito. No débito, o dinheiro sai diretamente da conta no momento da compra. Já no crédito, o pagamento é feito no futuro.
Por exemplo: imagine que seus pais foram ao shopping e compraram roupas no valor total de R$ 500. Eles decidem pagar R$ 100 no débito e parcelar R$ 400 no crédito em duas vezes de R$ 200. O lojista receberá os R$ 500 na hora. Mas como? Nesse caso, o banco empresta temporariamente os R$ 400 restantes, que serão devolvidos pelos seus pais ao pagar a fatura do cartão de crédito, normalmente no mês seguinte.
Se o pagamento for feito dentro do prazo, seus pais usaram o tempo a favor deles. Mas, se atrasarem, o valor devido virá acrescido de juros. E o que são juros?
Os juros representam o valor do dinheiro em relação ao tempo, ou seja, quanto custa ter um dinheiro agora ou quanto vale esperar para tê-lo depois.
Segundo Reinaldo Domingos, quando usados de forma positiva, os juros são a recompensa por guardar dinheiro. Assim, ao guardar uma quantia no banco, por exemplo, você faz uma espécie de empréstimo à instituição, que o devolve depois com um pequeno acréscimo. Isso faz com que seus sonhos se tornem possíveis mais rapidamente.
Por outro lado, os juros também podem ser negativos, como quando se atrasa o pagamento da fatura do cartão. Nesse caso, o banco cobra um valor extra pelo dinheiro que te emprestou e que você não devolveu dentro do prazo.
Para ajudar a visualizar esse conceito, o Museu da B3 desenvolveu um jogo educativo chamado “Cadeia de Decisões”, explica Prisca Menegasso, coordenadora educativa do museu. A dinâmica usa blocos (como no jogo Jenga) para visualizar os juros: conforme o participante toma decisões de pagar em crédito ou débito, os blocos aumentam ou diminuem, mostrando de forma concreta os impactos das escolhas financeiras. Ir a esses espaços e tentar entender esses conceitos por meio de dinâmicas podem facilitar o aprendizado.
Outro termo essencial é a inflação, que costuma aparecer nos jornais acompanhada da sigla IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), medido pelo Instituto Brasileio de Geografia e Estatística (IBGE). Ela é medida por meio de uma cesta de produtos selecionados. Todos os meses, a mudança no preço desses itens é calculada pelo órgão para avaliar se os preços estão maiores ou menores.
Dessa forma, a inflação é, basicamente, a variação dos preços ao longo do tempo e é sentida pela perda do poder de compra, isto é, o quanto você pode comprar com determinada quantidade de dinheiro. Você provavelmente já reparou que o preço do lanche da cantina ficou mais caro, ou já ouviu seus pais comentarem que, “na época deles, dava pra comprar muito mais com o mesmo valor”.
Todo final de ano, um cálculo é feito a partir da variação mensal da inflação para avaliar como os preços mudaram em um ano. Na teoria, é também por meio dessa conta que os salários mínimos são reajustados, garantindo que o poder de compra seja mantido mesmo com o aumento dos preços.
E as dívidas?
Assim como as compras pequenas, compras maiores — como um carro, uma casa ou um apartamento — também podem ser feitas por meio de crédito, como um financiamento, que constroem dívidas mais caras. O planejador financeiro Henrique Soares explica que, apesar de no dia a dia sempre estarem ligadas a um aspecto negativo, as dívidas podem ser boas ou ruins. O financiamento, por exemplo, costuma ter um valor alto, mas costuma ser positivo para famílias de classe baixa e média que desejam sair do aluguel.
“É difícil imaginar um mundo sem dívida nenhuma. O importante é ter inteligência para distinguir aquelas que vale a pena assumir das que devem ser evitadas”, afirma. Segundo ele, o problema não está em dever, mas em como e por que se deve.
As dívidas ruins são aquelas que comprometem o orçamento e têm juros abusivos, como o cheque especial, linha pré-aprovada que funciona como um empréstimo de curto prazo para cobrir despesas quando não há saldo suficiente na conta, e o rotativo do cartão de crédito, valor cobrado automaticamente sobre o valor não pago no vencimento da fatura — considerados os mais altos do mercado. Nesses casos, o valor final a ser pago pode se tornar muito maior do que o preço original e, quando chegam nesse nível, significam que o risco de ter assumido o crédito não valeu a pena.
Assim como nos casos positivos, o tempo também deve ser levado em consideração. Com isso, quanto mais tempo ficamos sem pagar uma dívida, maior ela fica e mais complicadas se tornam as condições de pagamento.
O tigrinho e os cuidados com as apostas
Hoje, é comum ver influenciadores promovendo apostas e jogos online com promessas de dinheiro fácil. Mas é importante lembrar: o dinheiro costuma ser um resultado direto do trabalho, e promessas de ganhos rápidos devem ser observadas com cuidado.
De acordo com o Ministério da Educação (MEC), a educação financeira é uma demanda crescente no Brasil. O órgão aponta que o alto endividamento da população e o vício em apostas são desafios especialmente graves entre os jovens.
“Em um contexto de tanta informação (e desinformação) circulando pelas redes, é cada vez mais importante ser capaz de compreender conceitos básicos de economia e finanças, para construir uma leitura crítica das notícias sobre esses temas”, afirma o MEC à Revista Babel.

Observa-se, assim, que, em um cenário ideal, as apostas não fazem parte da rotina financeira.Henrique Soares alerta que os riscos de perda devem sempre ser considerados e reforça que apostas não fazem parte de uma carteira de investimentos. Em vez disso, é recomendado buscar outras formas de lazer que não envolvam riscos financeiros.
Como os preços são formados?
Outra dúvida que pode ser comum para os mais jovens é sobre quem decide o preço das coisas. Por que aquele jogo que você tanto quer é tão caro, enquanto outros produtos parecem bem mais baratos?
A consultora financeira Carol Stange explica que isso acontece por causa do conceito de oferta e demanda. O preço nasce do encontro entre o quanto as pessoas querem comprar e quanto existe à venda. “Quando muita gente deseja um item e há poucas unidades, o preço tende a subir; quando sobra produto nas prateleiras, o preço costuma ceder”, diz a especialista.
Stange explica que quando a demanda corre na frente da oferta, surgem filas, estoques esgotados e, muitas vezes, reajustes de preço. Depois, com a chegada de novos lotes, a oferta aumenta, a procura se estabiliza e o valor volta a cair.
No Brasil, Carol diz que é possível ver isso de forma mais clara em datas como o Dia das Crianças e o Natal, quando a procura por brinquedos dispara e alguns itens “somem” das prateleiras, reforçando essa relação entre demanda alta, oferta baixa e preços elevados.
Você provavelmente também já ouviu alguém dizer que o dólar subiu ou que o real se desvalorizou. Mas o que o valor de uma moeda em outro país tem a ver com a sua vida aqui?
Sarah Okamura, de 15 anos, diz que essa é uma das partes mais confusas da economia: “Tenho dificuldade de entender o caminho que o aumento do dólar faz até chegar na gente”, diz.
O planejador financeiro Henrique Soares explica que esse impacto pode ser observado em exemplos do dia a dia. “Se um jogo de videogame foi lançado no ano passado por R$ 300 e, neste ano, com o dólar mais alto, custa R$ 400, é o reflexo disso na prática”, explica. Ele lembra que muitos produtos têm parte de seus custos relacionada ao dólar, mesmo que não pareça.

O especialista usa o exemplo do petróleo, que é negociado em dólar e afeta o preço de praticamente tudo, como no transporte e no frete de mercadorias. Mesmo quem não tem carro sente isso em corridas de aplicativo, passagens e produtos que dependem de combustível.
Ou seja, quando o dólar sobe, o custo de importar ou produzir bens também aumenta, e esses valores chegam, pouco a pouco, até o consumidor.
O PIB, sigla para Produto Interno Bruto, é outro termo que aparece com frequência nas notícias. Segundo Reinaldo Domingos, ele funciona como um grande medidor do desenvolvimento de um país.
De forma simples, ele representa tudo o que foi produzido (de alimentos e roupas a serviços e construções) dentro das fronteiras do país em um ano. Há três principais formas de calculá-lo: pela produção, somando o valor de todos os bens e serviços; pela renda, somando salários, lucros e aluguéis; e pela demanda, somando os gastos de famílias, empresas e governo.
Ele destaca, no entanto, que o PIB não inclui atividades informais, como tarefas domésticas não remuneradas ou serviços intermediários. Ainda assim, ele serve para medir o crescimento econômico e a saúde da economia. Em geral, quando o PIB cresce, geralmente há mais empregos, mais consumo e, a longo prazo, melhor qualidade de vida.
O PIB sozinho, no entanto, não reflete a distribuição de renda, a desigualdade ou a qualidade de vida. Por isso, são usados também outros indicadores, como o Índice de Gini, que mede a desigualdade na distribuição de renda da população.
Pensando em construção da sociedade e do futuro
A economia não está ligada apenas às escolhas individuais. Ela também envolve compreender gastos e demandas que pertencem ao coletivo. Uma das formas mais visíveis de perceber isso é por meio dos impostos.
No início de cada ano, quase todos os brasileiros precisam pagar tributos como o IPTU (Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana) e o IPVA (Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores).
Cada um desses impostos está relacionado a um tipo de serviço público, e há muitos outros, cobrados em diferentes esferas (municipal, estadual e federal). Na prática, eles são a principal fonte de recursos para financiar serviços essenciais, como limpeza e manutenção das ruas, saúde pública e segurança.
“Se eu tenho a minha rua limpa, eu precisaria pagar um gari, por exemplo. Mas quem paga é a prefeitura. E de onde vem esse dinheiro? Da arrecadação do imposto predial, o IPTU”, explica Reinaldo Domingos.
A economia, portanto, tem uma relação direta com a responsabilidade social. Todos contribuem com uma parte para que todos possam usufruir dos serviços públicos.
Olhar para a economia também é olhar para o futuro. Um dos conceitos mais importantes nesse sentido é o da previdência — o sistema que garante aposentadorias e benefícios aos trabalhadores. De forma simples, ele funciona como uma grande corrente: os jovens de hoje contribuem para pagar a aposentadoria dos idosos de hoje, esperando que, no futuro, os próximos trabalhadores façam o mesmo.
O desafio é que, atualmente, a população envelheceu e há menos jovens contribuindo, o que desequilibra a conta.
Por isso, especialistas explicam que é interessante começar a planejar a própria previdência o quanto antes, mesmo com valores pequenos. Investimentos de longo prazo aproveitam o efeito dos juros compostos, em que o tempo se torna o maior aliado para acumular recursos e garantir mais tranquilidade no futuro.
Cuidados com o consumismo
É essencial também pensar no consumo, especialmente quando ele é direcionado aos mais jovens. “A publicidade infantil necessariamente vai ter esse objetivo de seduzir as crianças ao consumo e, para fazer isso, vai se valer muitas vezes de elementos próprios desse universo, justamente para explorar as vulnerabilidades das crianças”, diz o advogado João Francisco Coelho, do Instituto Alana.
Segundo o especialista, esse tipo de prática é considerada exploratória e abusiva, justamente porque se apoia em características que tornam as crianças mais suscetíveis à influência de anúncios.

Ele alerta que as propagandas voltadas a esse público podem criar valores consumistas, transmitindo a ideia de que ter determinados produtos ou serviços é essencial para ser feliz ou aceito. O problema se agrava quando pensamos nas crianças em situação de vulnerabilidade social, que podem se sentir excluídas ao não conseguir acessar o que veem nas telas.
“O consumismo infantil pode representar uma violência muito grande para crianças em situação de exclusão social e acaba se projetando para o seio familiar, quando os pais se sentem pressionados a adquirir bens que não podem pagar”, afirma o advogado. O essencial para o especialista é, dessa forma, preservar o direito das famílias de criarem seus filhos sem interferências do setor empresarial.
Como e onde aprender mais?
Hoje, a educação financeira já é reconhecida oficialmente como um tema importante dentro das escolas brasileiras. O Ministério da Educação (MEC) explica que ela faz parte dos temas contemporâneos transversais da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), sendo abordada em disciplinas como Matemática, Ciências Humanas, História e em projetos interdisciplinares.
Segundo o ministério, o tema se conecta a competências gerais que envolvem o uso ético e responsável dos recursos, a tomada de decisões conscientes e a análise crítica de situações do cotidiano.
“Essa abordagem permite que os estudantes compreendam, de forma prática e contextualizada, conceitos como consumo, poupança, crédito, renda e sustentabilidade econômica”, explica o órgão.
Para apoiar essa implementação, o ministério criou o Programa Na Ponta do Lápis, voltado ao ensino fundamental e médio. Ele busca consolidar o ensino de educação financeira, fiscal, previdenciária e securitária, conforme previsto na BNCC.

Imagem de divulgação do Programa Na ponta do Lápis. Imagem: Divulgação/MEC
Como a educação financeira ainda é um tema relativamente recente na sala de aula, há também muitas outras formas de aprender sobre o assunto. O Banco Central (BC), por exemplo, oferece diversas iniciativas gratuitas. Entre elas:
- Aprender Valor: programa de educação financeira voltado a escolas, que ajuda professores a desenvolver atividades integradas ao currículo, ligando o uso do dinheiro a situações do dia a dia.
- Gestão de Finanças Pessoais: curso online gratuito disponível na plataforma Escola Virtual de Governo (EV.G), desenvolvido pelo BC em parceria com a Escola de Administração Fazendária (ESAF). Com 20 horas e certificado, o curso apresenta de forma simples e lúdica o tripé da educação financeira: planejar, poupar e usar o crédito de forma responsável.
- Eu e Meu Dinheiro: série de vídeos educativos no YouTube do Banco Central.
- Série SFN: vídeos que explicam de forma visual o funcionamento do Sistema Financeiro Nacional.
- BC te Explica: vídeos curtos para redes sociais que traduzem conceitos financeiros do dia a dia.
- BC Sincero: série de vídeos informais, com memes e humor, voltada especialmente ao público jovem. Aborda temas como apostas online, superendividamento, uso do Pix e reclamações contra bancos.
A B3 também aposta em iniciativas de educação financeira acessíveis. Segundo Fernando Rodrigues, analista educacional da instituição, a bolsa oferece uma plataforma com mais de 500 conteúdos gratuitos e promove a Olimpíada do Tesouro Direto de Educação Financeira (OLITEF) em parceria com o Tesouro Nacional.
Quem prefere aprender de forma mais lúdica pode visitar o Museu da B3, em São Paulo. De acordo com Prisca Menegasso, o museu busca aproximar o público da economia de maneira leve. “A nossa abordagem realmente vai ser muito influenciada pelo fato de que nós somos um equipamento cultural”, diz.
A especialista também destaca que o museu tenta romper com a ideia de que pensar sobre finanças é só se pensar em aspectos isolados.
Atualmente, também é comum encontrar algumas pessoas que buscam se informar pelas redes sociais e por meio de influenciadores, o que não é necessariamente ruim. Fernando Rodrigues destaca, no entanto, o cuidado necessário para observar se o conteúdo é produzido por quem tem conhecimento e experiência prática na área.
Teste de economia
Quer entender se você realmente aprendeu os conceitos apresentados neste texto? É possível fazer isso por meio de um quiz que está disponível neste link. Com ele, você pode revisar os conteúdos e voltar para o texto se não entender alguma das perguntas.

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