{"id":866,"date":"2023-01-08T20:29:27","date_gmt":"2023-01-08T23:29:27","guid":{"rendered":"http:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/?p=866"},"modified":"2023-01-08T20:30:43","modified_gmt":"2023-01-08T23:30:43","slug":"cremilda-medina-autora-de-mediacoes-ainda-em-busca-do-dialogo-possivel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/?p=866","title":{"rendered":"Cremilda Medina: autora de media\u00e7\u00f5es (ainda) em busca do di\u00e1logo poss\u00edvel"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-weight: 400;\"><strong>por <em>Bruno Milit\u00e3o<\/em><\/strong><\/span><\/p>\n<p><em>Comemorando os 50 anos do ingresso no Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Comunica\u00e7\u00e3o da ECA, a primeira mestra da \u00e1rea no Brasil recorda sua trajet\u00f3ria<\/em><\/p>\n<p>Ao entrar na sala 04 do Departamento de Jornalismo e Editora\u00e7\u00e3o (CJE) da ECA, encontramos uma mesa redonda de madeira com algumas cadeiras, alguns arquivos e tr\u00eas prateleiras de a\u00e7o cheias de livros. Em uma delas, em especial, h\u00e1 diversos livros de uma mesma s\u00e9rie. \u201cDesses a\u00ed voc\u00ea pode se servir\u201d, explica Cremilda Medina, professora ali h\u00e1 mais de 40 anos. Seu nome se encontra em uma placa na porta, indicando que o espa\u00e7o ali \u00e9 dela. Os livros dispon\u00edveis para o banquete comp\u00f5em a s\u00e9rie S\u00e3o Paulo de Perfil, que compreende livros-reportagem organizados pela docente junto a alunos de suas disciplinas de gradua\u00e7\u00e3o entre 1986 e 2004. Ao todo, 26 obras impressas foram publicadas. O \u00faltimo volume produzido n\u00e3o p\u00f4de ser impresso por falta de verba. \u201cEu sa\u00eda de chapeuzinho na m\u00e3o pra conseguir subs\u00eddios para publica\u00e7\u00e3o\u201d, lembra. Apesar do in\u00edcio desse projeto datar de meados dos anos 1980, a rela\u00e7\u00e3o de Cremilda com o CJE tem in\u00edcio muito antes \u2013 e com o jornalismo, mais ainda.<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Cremilda Celeste de Ara\u00fajo Medina, hoje professora em\u00e9rita pelo Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Integra\u00e7\u00e3o da Am\u00e9rica Latina Universidade de S\u00e3o Paulo (Prolam), nasceu em Portugal e aos 11 anos de idade veio com a fam\u00edlia para o Brasil, estabelecendo resid\u00eancia em Porto Alegre. A garota Cremilda era f\u00e3 de um programa da R\u00e1dio Farroupilha no qual um delegado tinha um espa\u00e7o semanal para fazer cr\u00f4nicas sobre menores abandonados. Aos 17 anos, \u201cmuito guria\u201d, pouco antes de escolher o que fazer da vida no vestibular, ela se apresentou a ele na delegacia. \u201cOlha, doutor, sou uma grande f\u00e3 do seu programa e gostaria de lhe pedir um grande favor. Queria fazer um est\u00e1gio contigo para acompanhar essas hist\u00f3rias.\u201d Para o delegado, aquele n\u00e3o era ambiente para a menina. \u201cMas eu insisti at\u00e9 que ele autorizou; e fiquei por l\u00e1 durante um m\u00eas, acompanhando essas hist\u00f3rias.\u201d E foi ali, na delegacia de menores, que nasceu a jornalista. Ainda assim, atendendo a desejos do pai para \u201cn\u00e3o desperdi\u00e7ar intelig\u00eancia\u201d, junto com a faculdade Jornalismo, Cremilda cursou Letras Cl\u00e1ssicas, ambas as gradua\u00e7\u00f5es na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, onde conheceu Sinval Medina, hoje seu marido. S\u00e3o 62 anos de conviv\u00eancia, 58 de casados.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A \u00fanica coisa em que ela pensava em ser era rep\u00f3rter. \u201cNa Revista do Globo, fui rep\u00f3rter, copydesk e redatora \u2013 mas este odiava, n\u00e3o gostava de escrever texto dos outros, eu queria trabalhar com reportagem.\u201d A doc\u00eancia veio logo depois, inicialmente como necessidade: Cremilda e Sinval pretendiam se tornar independentes, formar uma casa, mas o sal\u00e1rio dele (trabalhando em publicidade) e dela \u201cn\u00e3o dava pra casar\u201d. Depois dele ser aprovado para um concurso do Banco do Brasil, a fam\u00edlia se mudou para Camaqu\u00e3, a cerca de 130 quil\u00f4metros da capital ga\u00facha. \u201cTive de recorrer ao magist\u00e9rio, dando aula em dois polos: na Escola Normal em um col\u00e9gio p\u00fablico de Segundo Grau\u201d, lembra a rep\u00f3rter, que ainda mantinha uma coluna na revista que mais tarde seria incorporada \u00e0s organiza\u00e7\u00f5es Globo.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">De volta a Porto Alegre, em 1967, a jovem jornalista recebe um convite para ser assistente de catedr\u00e1tico na Faculdade onde havia se formado. \u201cO catedr\u00e1tico escolhia seus assistentes para fazer o Jornal Escola com os alunos, mas ele me deixava s\u00f3 na diagrama\u00e7\u00e3o: n\u00e3o admitia que eu desse muita opini\u00e3o na quest\u00e3o jornal\u00edstica.\u201d L\u00e1 ela fica at\u00e9 o surgimento de um boato de que na USP, em S\u00e3o Paulo, surgiria o primeiro programa de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Ci\u00eancias da Comunica\u00e7\u00e3o do Brasil.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Assim, aproveitando uma viagem a S\u00e3o Paulo para a Primeira Bienal do Livro de S\u00e3o Paulo, em 1970 (quando encontrou o escritor argentino Jorge Lu\u00eds Borges, a fim de negociar os direitos para a publica\u00e7\u00e3o da obra completa dele no Brasil), ela conhece o Departamento de Jornalismo e seu chefe \u00e0 \u00e9poca, o professor Jos\u00e9 Marques de Melo. J\u00e1 naquele momento houve um aceno para que ela fosse ao departamento para ministrar aulas na gradua\u00e7\u00e3o. O fim daquele ano trouxe grandes e r\u00e1pidas mudan\u00e7as, fim do contrato com a Federal, ida \u00e0s terras paulistanas, \u201cSinval veio um pouco depois\u201d. Em 1971, os alunos da ECA entram em contato com a professora Cremilda Medina \u2013 o que entusiasmou aquelas turmas, como se pode ver no boletim do Centro Acad\u00eamico \u00e0 \u00e9poca.<\/span><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-873 size-full\" src=\"http:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/IMG-4405-1-scaled.jpg\" alt=\"\" width=\"2560\" height=\"1660\" srcset=\"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/IMG-4405-1-scaled.jpg 2560w, https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/IMG-4405-1-300x195.jpg 300w, https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/IMG-4405-1-1184x768.jpg 1184w, https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/IMG-4405-1-768x498.jpg 768w, https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/IMG-4405-1-1536x996.jpg 1536w, https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/IMG-4405-1-2048x1328.jpg 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 2560px) 100vw, 2560px\" \/><span style=\"font-size: 8pt;\"><strong>[AT\u00c9 QUE ENFIM!<\/strong><\/span><br \/>\n<span style=\"font-size: 8pt;\"><strong>\u00c9. At\u00e9 que enfim mesmo, apareceu um professor (ou melhor, uma professora) que merece muito aplauso. \u00c9 a Cremilda, de Jornalismo Comparado, do 4\u00ba semestre. Os motivos?<\/strong><\/span><br \/>\n<span style=\"font-size: 8pt;\"><strong>1) Apresentou um programa excelente, baseado em pesquisas e muita discuss\u00e3o sobre aspectos important\u00edssimos do Jornalismo, e <\/strong><\/span><br \/>\n<span style=\"font-size: 8pt;\"><strong>2) O programa foi apresentado no primeiro dia de aula, quando se pediram sugest\u00f5es e modifica\u00e7\u00f5es aos alunos. <\/strong><\/span><br \/>\n<span style=\"font-size: 8pt;\"><strong>Cremilda: estamos a\u00ed!]<br \/>\n(Foto: Bruno Milit\u00e3o).<br \/>\n<span style=\"font-size: 12pt;\"><br \/>\n<\/span><br \/>\n<\/strong><\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Cremilda atribui a boa receptividade dos alunos a algumas quest\u00f5es. Uma delas \u00e9 o fato de que, por meio de sua forma\u00e7\u00e3o pedag\u00f3gica, tinha uma maneira de trabalhar a quest\u00e3o do ensino. \u201cDa licenciatura, recebi o legado de que n\u00e3o se faz um processo de transmiss\u00e3o de conhecimento, mas sim o processo de ensino-aprendizado, constru\u00eddo por educador e educando de forma conjunta. Isso pra mim \u00e9 fundamental, na medida em que vou trabalhar com disciplinas laboratoriais.\u201d Al\u00e9m disso, n\u00e3o se pode pensar apenas em um ensino tecnicista, mas sim que incentive a cria\u00e7\u00e3o de novos conhecimentos a partir da pesquisa. Est\u00e1 a\u00ed, segundo ela, a origem do primeiro laborat\u00f3rio de gradua\u00e7\u00e3o que foi a Ag\u00eancia Universit\u00e1ria de Not\u00edcias (AUN), vinculada \u00e0 disciplina de Jornalismo Informativo, ministrada por ela e por seu colega, o jornalista Paulo Roberto Leandro, a partir de 1971. <\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">A estrutura \u00e0 \u00e9poca era bem parecida com a dos dias de hoje: os alunos se dividiam entre \u201ceditorias\u201d, ligadas aos institutos da USP, e produziam boletins noticiosos sobre as descobertas cient\u00edficas e pesquisas em desenvolvimento. As unidades ainda n\u00e3o possu\u00edam assessoria de imprensa. Assim, as pautas eram descobertas pelos rep\u00f3rteres-alunos, andando pelo campus em busca de temas. As turmas passavam pelas fun\u00e7\u00f5es de reportagem e de edi\u00e7\u00e3o, revezando-se internamente. \u201cAquela famosa briga de reda\u00e7\u00e3o em que o editor massacra o rep\u00f3rter se repetia entres os alunos tamb\u00e9m. T\u00ednhamos de apartar brigas: os conflitos de poder se repetiam aqui dentro.\u201d Os boletins de not\u00edcias semanais da AUN, mimeografados, eram distribu\u00eddos pelas reda\u00e7\u00f5es na cidade de S\u00e3o Paulo por uma kombi; para os jornais do interior, eram enviados pelos Correios.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A outra disciplina ministrada pela dupla Cremilda e Paulo Roberto era a de Jornalismo Interpretativo, na qual propuseram um aprofundamento da not\u00edcia por meio da reportagem. As quatro linhas para se pensar o processo de reportagem s\u00e3o v\u00e1lidas at\u00e9 hoje, segundo a professora. A primeira delas \u00e9 o encontro de protagonistas sociais, de prefer\u00eancia an\u00f4nimos, que n\u00e3o t\u00eam voz na grande m\u00eddia. Na segunda, deve-se contextualizar coletiva e socialmente essa hist\u00f3ria de vida, o perfil que se escolheu para ser trabalhado. \u00c9 a partir dessa linha que se chega \u00e0 terceira, que \u00e9 o ch\u00e3o hist\u00f3rico e cultural desse coletivo \u2013 que, para a professora, \u00e9 a linha mais carente na reportagem brasileira. Na quarta, devemos buscar especialistas a fim de, n\u00e3o explicar, mas ensaiar compreender aquela situa\u00e7\u00e3o e formar algum tipo de progn\u00f3stico. Uma das formas por meio da qual colocaram isso em pr\u00e1tica foi por um jornal comunit\u00e1rio em Carapicu\u00edba, na regi\u00e3o metropolitana de S\u00e3o Paulo.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ao longo desses primeiros anos, al\u00e9m dos projetos com alunos de gradua\u00e7\u00e3o, Cremilda ingressou no curso de mestrado da p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Comunica\u00e7\u00e3o, que completa 50 anos em 2022, e, em 1975, se tornou a primeira mestre no Brasil nessa \u00e1rea. A disserta\u00e7\u00e3o, que versou sobre a estrutura da mensagem jornal\u00edstica foi, mais tarde, publicada com o t\u00edtulo \u201cNot\u00edcia, um produto \u00e0 venda\u201d. Ainda junto \u00e0s primeiras pesquisas na USP, veio a oportunidade da especializa\u00e7\u00e3o em jornalismo em Quito, no Equador, em 1972, no CIESPAL (Centro Internacional de Estudios Superiores de Comunicaci\u00f3n para Am\u00e9rica Latina). Desses contatos com colegas pesquisadores e jornalistas da Am\u00e9rica Latina (e as pr\u00f3prias teorias latinoamericanas da comunica\u00e7\u00e3o), que se estendeu at\u00e9 fins dos anos 1980, veio a oportunidade de integrar o Prolam.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O contexto da ditadura militar, no entanto, fazia suas v\u00edtimas dentro da ECA. O professor <\/span><a href=\"https:\/\/www.agoraeca.com.br\/2021\/07\/16\/professores-cassados-sinval-medina\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-weight: 400;\">Sinval Medina, tamb\u00e9m aluno do mestrado em Comunica\u00e7\u00e3o, havia sido reprovado em seu exame de qualifica\u00e7\u00e3o de mestrado<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\"> e demitido do cargo de professor e vice-coordenador do CJE. Em protesto, Cremilda, juntamente com os professores Paulo Roberto e Walter Sampaio, se demitem. Assim, a trajet\u00f3ria acad\u00eamica da professora na USP \u00e9 pausada at\u00e9 1984, quando retorna, para dar continuidade \u00e0 pesquisa. Ela ingressa no doutorado, defendido em 1986, e (novamente) a convite do professor Jos\u00e9 Marques de Melo, retorna para ministrar suas disciplinas. Entre uma ponta e outra do trabalho acad\u00eamico, torna-se redatora (e posteriormente editora e rep\u00f3rter especial) d\u2019O Estado de S\u00e3o Paulo, onde trabalha at\u00e9 1985.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Agora, com as novas experi\u00eancias e conhecimento adquiridos, nasce um novo projeto com os alunos de gradua\u00e7\u00e3o: o S\u00e3o Paulo de Perfil. Ao longo da disciplina, os alunos produziam reportagens interpretativas, de perfis e hist\u00f3rias de vida, ligadas a um tema comum. O livro inaugural da s\u00e9rie, \u201cVirado \u00e0 paulista\u201d, lan\u00e7ado em 1987, por exemplo, re\u00fane relatos dos constituintes do estado de S\u00e3o Paulo. Nos quase 20 anos da s\u00e9rie, cada edi\u00e7\u00e3o contava com uma tem\u00e1tica diferente. \u201cMinha preocupa\u00e7\u00e3o n\u00e3o era doutrinar um t\u00e9cnico, mas sim estimular um autor. A autoria do jornalista \u00e9 fundamental na media\u00e7\u00e3o social da comunica\u00e7\u00e3o.\u201d A preocupa\u00e7\u00e3o de criar autores interrogantes levou Cremilda \u00e0s \u201cTrilhas do Saber Plural\u201d.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">De onde buscar essas interroga\u00e7\u00f5es? Para a docente, apenas por meio do contato com o mundo. \u201cSe o jornalista se fecha em uma reda\u00e7\u00e3o, em uma empresa, atr\u00e1s do computador, do seu home office, ele n\u00e3o vai ao mundo e conforma seu conhecimento e at\u00e9 suas t\u00e9cnicas a um par\u00e2metro fechado.\u201d Da\u00ed a cria\u00e7\u00e3o da linha de pesquisa \u201cEpistemologia do Di\u00e1logo Social\u201d, ou seja, o conhecimento do conhecimento sobre a pr\u00f3pria comunica\u00e7\u00e3o e sua indissoci\u00e1vel rela\u00e7\u00e3o dial\u00f3gica.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Na busca pela consolida\u00e7\u00e3o do jornalismo como uma ci\u00eancia, sobre o qual deve-se interrogar constantemente, Cremilda buscou articula\u00e7\u00f5es da comunica\u00e7\u00e3o com outras \u00e1reas do conhecimento, at\u00e9 as \u201cci\u00eancias duras\u201d, como medicina, f\u00edsica, matem\u00e1tica, a fim de criar o projeto transdisciplinar Novo Pacto da Ci\u00eancia, em parceria com professores e pesquisadores de diversos institutos da USP a partir de 1990, o primeiro do tipo a ser financiado pelo CNPq. Dessas contribui\u00e7\u00f5es, doze livros foram produzidos \u2013 <\/span><a href=\"https:\/\/www.livrosabertos.sibi.usp.br\/portaldelivrosUSP\/catalog\/book\/858\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-weight: 400;\">tendo o \u00faltimo sido publicado neste ano<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">. Ali, descobriu-se que as incertezas e ang\u00fastias atravessam todos os campos do conhecimento e, a partir de ent\u00e3o, puderam realizar trocas que iriam continuar influenciando as atividades da docente e pesquisadora.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Uma das mais importantantes contribui\u00e7\u00f5es do projeto, segundo ela, vem da f\u00edsica qu\u00e2ntica: a rela\u00e7\u00e3o entre o pesquisador e a quest\u00e3o pesquisada, como \u201co ato de lidar com o microsc\u00f3pio, com a mat\u00e9ria\u201d nas ci\u00eancias biol\u00f3gicas. Diferentemente do que se vem pregando academicamente, a proposta \u00e9 de que o contato n\u00e3o seja de sujeito-pesquisador e objeto de pesquisa, mas sim sujeito-pesquisador e sujeito de pesquisa, j\u00e1 que ambos interferem um no outro. Assim deve ser no jornalismo, tratando as fontes e os personagens n\u00e3o como objetos de pauta, mas como sujeitos com os quais os jornalistas interagem e por esses s\u00e3o impactados.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A maneira com que os jornalistas v\u00eam trabalhando com o mundo, essa de ver objetos dignos ou n\u00e3o de reportagem, e n\u00e3o sujeitos, est\u00e1 cada vez mais empobrecida, na vis\u00e3o de Cremilda. A esse quadro, se junta desafios de se analisar os fen\u00f4menos da sociedade. \u201cEsse \u00e9 o desafio do jornalismo: como n\u00e3o se entregar nem \u00e0 monologia nem \u00e0 dicotomia, perceber que diversos s\u00e3o os fatores que atuam sobre um mesmo fen\u00f4meno, o que nos leva mais a pobres relatos burocr\u00e1ticos da realidade e menos a efetivas narrativas da contemporaneidade.\u201d A essa proposta de enxergar o jornalismo e os jornalistas, como sujeitos-autores mediadores do bin\u00f4mio ci\u00eancia-sociedade, a professora d\u00e1 o nome de Signo da Rela\u00e7\u00e3o. \u00c9 essa forma de se pensar e fazer o jornalismo que Cremilda colocou em pr\u00e1tica ao assumir a Coordenadoria de Comunica\u00e7\u00e3o Social da USP em 1999, cargo que ocupou at\u00e9 2005.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Em 2012, a professora Cremilda se aposenta, mas continua atuando como professora s\u00eanior, orientando alunos e ministrando disciplinas na p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o. Ela j\u00e1 podia se aposentar muito antes desse momento, mas foi \u201cempurrando at\u00e9 a data limite\u201d, dos 70 anos de idade. \u201cN\u00e3o queria receber um bilhete azul no computador sobre aposentadoria compuls\u00f3ria\u2026\u201d Hoje, al\u00e9m da atua\u00e7\u00e3o junto ao Prolam e \u00e0 ECA, ela continua ministrando oficinas-laborat\u00f3rio de narrativa, denominado \u201cMem\u00f3rias L\u00fadicas\u201d, na tentativa de oferecer uma \u201cmi\u00fada alforria aos desgostos\u201d recentes. &#8220;Com tanta trag\u00e9dia, s\u00f3 mesmo com o l\u00fadico para sobrevivermos&#8221;. Depois de tudo isso, o que h\u00e1 mais a descobrir? O que mant\u00e9m a motiva\u00e7\u00e3o apesar dos percal\u00e7os? &#8220;Para mim, \u00e9 a experi\u00eancia em grupo, na qual sou viciada. Sozinha, eu n\u00e3o estaria viva\u201d, finaliza. Nesse momento, aproveito para pedir \u00e0 professora algumas assinaturas nas minhas edi\u00e7\u00f5es de sua obra. Ao terminar, ela diz, como quem conta um segredo: \u201cAgora, n\u00e3o se esque\u00e7a de mim\u201d. Nunca, mestra.<br \/>\n<\/span><\/p>\n<h6 style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-878 size-medium\" src=\"http:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/IMG-4413-1-225x300.jpg\" alt=\"\" width=\"225\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/IMG-4413-1-225x300.jpg 225w, https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/IMG-4413-1-576x768.jpg 576w, https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/IMG-4413-1-768x1024.jpg 768w, https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/IMG-4413-1-1152x1536.jpg 1152w, https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/IMG-4413-1-1536x2048.jpg 1536w, https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/IMG-4413-1-scaled.jpg 1920w\" sizes=\"auto, (max-width: 225px) 100vw, 225px\" \/><br \/>\n(Foto: Bruno Milit\u00e3o).<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Bruno Milit\u00e3o\nComemorando os 50 anos do ingresso no Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Comunica\u00e7\u00e3o da ECA, a primeira mestra da \u00e1rea no Brasil recorda sua trajet\u00f3ria\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/?p=866\"> <\/a>","protected":false},"author":115,"featured_media":872,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[113],"tags":[150,149,151],"class_list":["post-866","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-revista-babel-dezembro-2022","tag-cremilda-medina","tag-jornalismo","tag-perfil"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v19.10 - 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