{"id":85,"date":"2020-06-21T12:53:32","date_gmt":"2020-06-21T15:53:32","guid":{"rendered":"http:\/\/paineira.usp.br\/cje\/babel\/?p=85"},"modified":"2020-09-30T10:43:47","modified_gmt":"2020-09-30T13:43:47","slug":"relatos-paralimpicos-as-historias-de-quem-brilha-sob-holofotes-difusos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/?p=85","title":{"rendered":"Relatos paral\u00edmpicos: As hist\u00f3rias de quem brilha sob holofotes difusos"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>MAIS DE 300 MEDALHAS CONQUISTADAS, SENDO 124 DE OURO<\/strong>: este foi o desempenho do Brasil no Parapan-Americano de 2019, disputado em Lima, no Peru. A delega\u00e7\u00e3o brasileira levou para casa 100 medalhas a mais que todas as outras na\u00e7\u00f5es e mostrou por que \u00e9 refer\u00eancia no esporte paral\u00edmpico, principalmente nas Am\u00e9ricas. O que ainda \u00e9 dif\u00edcil de entender \u00e9 a pouca aten\u00e7\u00e3o que a categoria recebe da m\u00eddia, dos patrocinadores e do p\u00fablico.<\/p>\n\n\n\n<p>Conversamos com tr\u00eas paratletas que prometem manter a chama do esporte paral\u00edmpico brasileiro viva por muito tempo. Petr\u00facio Ferreira, Lorena Spoladore e Ricardinho tiveram o calend\u00e1rio de competi\u00e7\u00f5es interrompido pela crise do coronav\u00edrus em 2020, mas seus planos foram apenas prolongados. Eles continuam focados nas Paralimp\u00edadas de T\u00f3quio, adiadas para 2021, e, enquanto n\u00e3o colocam a medalha no peito, compartilham suas hist\u00f3rias de sucesso e rotinas durante a pandemia com a gente.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Petr\u00facio Ferreira: como o mais r\u00e1pido da hist\u00f3ria conquistou o mundo?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A provoca\u00e7\u00e3o para a c\u00e2mera faz parte de um ritual tradicional de todo velocista durante a apresenta\u00e7\u00e3o de atletas, segundos antes de come\u00e7ar a prova. Ajoelhado com a m\u00e3o sobre o queixo, Petr\u00facio Ferreira posa de forma s\u00e9ria enquanto tenta aliviar a press\u00e3o da final dos 100 metros rasos no Mundial de Dubai de 2019.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Uma leve passagem da m\u00e3o sobre o rosto transforma a seriedade em sorriso. Um gesto de destrui\u00e7\u00e3o, arrancando \u2018algo\u2019 do bra\u00e7o esquerdo \u00e9 seguido de uma provoca\u00e7\u00e3o para o p\u00fablico: uma apontada para a c\u00e2mera. Finalmente, ele parte para o famoso \u201cmeio cora\u00e7\u00e3o\u201d &#8211; que se tornou conhecido ap\u00f3s a medalha de ouro nos Jogos Paral\u00edmpicos do Rio em 2016.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A confian\u00e7a durante a apresenta\u00e7\u00e3o caminha junto \u00e0 expectativa de que o atleta paral\u00edmpico mais r\u00e1pido do mundo conquiste outra medalha. Mas nem mesmo o favoritismo faz com que a press\u00e3o diminua.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c\u00c0s vezes eu sou um pouco ansioso\u201d, comenta Petr\u00facio Ferreira. \u201cEnt\u00e3o, para me conter com tudo isso, eu acabo interagindo. Brincando com os colegas de sele\u00e7\u00e3o, ouvindo m\u00fasica, conversando com algu\u00e9m da fam\u00edlia. Focado na competi\u00e7\u00e3o, mas tentando esquecer ao m\u00e1ximo o que eu vou fazer, para tentar chegar o mais descontra\u00eddo poss\u00edvel.\u201d&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A competi\u00e7\u00e3o rendeu mais uma medalha para a cole\u00e7\u00e3o de Petr\u00facio, que al\u00e9m de vencer os 100 metros rasos, tamb\u00e9m conquistou novamente o t\u00edtulo de atleta paral\u00edmpico mais r\u00e1pido do mundo, quando quebrou na semifinal o recorde mundial (que j\u00e1 era dele), ao registrar 10 segundos e 42 mil\u00e9simos. A etapa de Dubai ainda renderia outra medalha de ouro nos 400 metros, com o tempo de 47 segundos e 87 mil\u00e9simos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAo chegar no Mundial eu estava determinado a fazer um bom resultado. Acabei conseguindo e atingido um objetivo grande que tinha, que \u00e9 me tornar o paraol\u00edmpico mais r\u00e1pido do mundo\u201d, revelou o velocista.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Mas quem olha os resultados de 2019, que tamb\u00e9m lhe rendeu duas medalhas de ouro e uma de prata nos Jogos Parapan-Americanos de Lima, mal sabe que o atleta imaginou que n\u00e3o iria conseguir competir. No dia 2 de janeiro daquele ano, Petr\u00facio fraturou o maxilar e quebrou dois dentes ap\u00f3s pular e se chocar com uma pedra em um rio, no interior da Para\u00edba.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cFoi um in\u00edcio de temporada bem dif\u00edcil para mim, cheguei a passar tr\u00eas meses sem fazer nada. Fiquei dois meses s\u00f3 com alimento l\u00edquido porque n\u00e3o conseguia mastigar. Teve um momento que eu n\u00e3o acreditava que conseguiria chegar no Campeonato Pan-americano ou no Mundial. Devido ao acidente, eu perdi muita massa muscular. Enquanto todo mundo j\u00e1 estava bem adiantado na caminhada para o Mundial, eu estava atrasado,\u201d revelou.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda assim, o atleta conseguiu voltar a tempo para as competi\u00e7\u00f5es e acabou sendo nomeado pela premia\u00e7\u00e3o do <em>Comit\u00ea Paral\u00edmpico Brasileiro <\/em>(CPB) como um dos melhores do ano. \u201cEle \u00e9 muito competitivo\u201d, afirmou Pedrinho Almeida, treinador de Petr\u00facio. \u201c\u00c9 um cara que gosta do desafio e j\u00e1 \u00e9 uma pessoa muito motivada para competir. Diante de um desafio e de competidores mais fortes ou t\u00e3o fortes quanto ele, mais motivado ele fica para enfrentar esses momentos\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>O jovem atleta de 23 anos, que nasceu em S\u00e3o Jos\u00e9 do Brejo Cruz, no interior da Para\u00edba, olha para o ano de 2019 com certo orgulho de ter enfrentado um dos momentos mais dif\u00edceis de sua vida. Hoje, ele se entrega de corpo e alma para o esporte, que mudou completamente a sua hist\u00f3ria: \u201cEu costumo a falar que de uma hora para outra a minha vida n\u00e3o deu uma virada, ela deu uma tremenda capotada\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cCoisas que eu s\u00f3 via pela televis\u00e3o e tive a oportunidade de ver pessoalmente. Viajar para pa\u00edses que eu nunca imaginei viajar. Pelo esporte consegui dar uma condi\u00e7\u00e3o melhor a minha fam\u00edlia, aos meus pais. D\u00e1 uma dimens\u00e3o da for\u00e7a que o esporte tem para mudar vidas\u201d, afirma Petr\u00facio.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>COM APENAS DOIS ANOS DE IDADE<\/strong>, Petr\u00facio perdeu uma parte do bra\u00e7o esquerdo em um acidente com um moedor de capim. \u201cFoi um pouco assustador para os meus pais, j\u00e1 que eu fui o primeiro filho. Eles ficaram se culpando sobre tudo isso. Eu sei que n\u00e3o foi culpa deles\u201d, afirmou.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cCheguei a sofrer preconceito, em alguns momentos eu tinha vergonha da minha defici\u00eancia. Por ser deficiente, tinha crian\u00e7a que comentava sobre o meu bra\u00e7o na \u00e9poca de col\u00e9gio. Os meus pais sempre me mostraram ao m\u00e1ximo que isso n\u00e3o me fazia diferente de ningu\u00e9m. Sempre ganhei for\u00e7a em tudo isso\u201d, disse.<\/p>\n\n\n\n<p>O primeiro contato com o esporte n\u00e3o aconteceu em uma pista de atletismo, mas com uma bola de futebol nos p\u00e9s. O menino, que nunca gostou de ficar parado em casa e sempre buscava alguma atividade para fazer, alimentou o sonho de virar jogador de futebol, assim como o seu \u00eddolo da inf\u00e2ncia: Ronaldinho Ga\u00facho. O amor pelo jogos de futsal e de campo, deu lugar \u00e0s pistas de forma tardia, quando tinha 16 anos.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Jogando uma partida de futsal em 2013, Petr\u00facio recebeu a proposta que mudou totalmente a sua vida e o futuro do esporte paral\u00edmpico brasileiro: uma proposta para participar de uma etapa de atletismo. Na segunda competi\u00e7\u00e3o, Petr\u00facio provou todo o seu potencial. Sem treinar sequer uma vez, correndo somente o que sabia com sua experi\u00eancia jogando futebol, o atleta venceu a prova e foi convocado para a sele\u00e7\u00e3o de jovens.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi somente no ano seguinte, em 2014, quando tinha 17 anos, que Petr\u00facio se mudou para Jo\u00e3o Pessoa e investiu totalmente no atletismo. Nesta mudan\u00e7a, ele conheceu o seu atual treinador, Pedro de Almeida Pereira, que hoje em dia est\u00e1 salvo na sua lista de contatos como \u2018Pedrinho Doido\u2019.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cQuando ele veio para c\u00e1, era um menino que n\u00e3o conhecia nada do mundo. Muito pobre, muito humilde. N\u00e3o tinha nem um t\u00eanis\u201d, contou o treinador e professor da Universidade Federal da Para\u00edba. \u201cNo dia em que os ele veio com os pais, eu tive uma conversa. Falei tudo o que poderia acontecer com ele, com sua vida, a partir do desenvolvimento do trabalho. At\u00e9 hoje, eu n\u00e3o errei nenhum ponto dos que eu projetei. Isso aconteceu de fato, a mudan\u00e7a de 360 graus na vida dele. O esporte introduziu Petr\u00facio no mundo e hoje \u00e9 esse destaque mundial.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>A mudan\u00e7a estratosf\u00e9rica na vida de Petr\u00facio Ferreira aconteceu dois anos depois, nos Jogos Paral\u00edmpicos do Rio. O velocista deixou a sua marca ao conquistar o ouro nos 100 metros rasos na classe T-47, quando tamb\u00e9m quebrou o recorde mundial, registrando 10 segundos e 57 mil\u00e9simos (naquele momento o recorde j\u00e1 era dele, pois o atleta havia registrado 10,67 nas semifinais).&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O resultado nos 100 metros rasos o colocou no topo do esporte e deu um desejado ouro para o Brasil nos Jogos Paral\u00edmpicos, mas essa n\u00e3o \u00e9 a \u00fanica lembran\u00e7a especial de Petr\u00facio em 2016. O atleta tamb\u00e9m faturou a prata nos 400 metros, uma segunda coloca\u00e7\u00e3o que teve um gosto diferente, j\u00e1 que ele n\u00e3o estava ranqueado entre os melhores da prova.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cFoi especial, mesmo n\u00e3o sendo a prova que era a minha favorita. Eu me aventurei.&nbsp; Com os meus resultados n\u00e3o tinha nem condi\u00e7\u00e3o de estar na final e, mesmo assim, consegui sair dos 400 com a medalha de prata\u201d, relembrou.<\/p>\n\n\n\n<p>Pensando em T\u00f3quio, na pr\u00f3xima edi\u00e7\u00e3o da Paralimp\u00edada, os 400 metros viraram um foco de Petr\u00facio. Mesmo admitindo que n\u00e3o gosta da prova, o atleta passou a trein\u00e1-la desde de 2019 e, diferentemente de como aconteceu no Rio, entrar\u00e1 em T\u00f3quio como um dos favoritos para subir ao topo do p\u00f3dio, pois conquistou o ouro no Parapan de Lima e no Mundial de Dubai de 2019.<\/p>\n\n\n\n<p>O lado extremamente competitivo de Petr\u00facio faz com que ele consiga obter resultados expressivos em pouco tempo. A evolu\u00e7\u00e3o nos 400 metros \u00e9 s\u00f3 mais um exemplo de um atleta que em apenas tr\u00eas anos largou o sonho de jogar futebol para conquistar a medalha de ouro na Paralimp\u00edada de 2016. Mas, para o seu treinador, ele ainda n\u00e3o chegou na sua melhor forma.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cExiste uma diferen\u00e7a incalcul\u00e1vel entre a corrida dele hoje e a corrida que ele fazia em 2014. Todas as qualidades que interferem direta e indiretamente no n\u00edvel de performance, na mec\u00e2nica e no desempenho, todas est\u00e3o em evolu\u00e7\u00e3o. Ele \u00e9 um atleta em constru\u00e7\u00e3o. N\u00e3o est\u00e1 no seu <em>plateau<\/em>, que se diz: \u2018A partir desse ponto ele n\u00e3o vai evoluir\u2019. Vai evoluir bastante. Ele ainda tem 12 anos para fazer hist\u00f3ria no esporte paral\u00edmpico, no m\u00ednimo\u201d, opinou.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>ENTRE UM V\u00cdDEO DOS TRAPALH\u00d5ES<\/strong> no <em>Youtube<\/em>, uma brincadeira com os seus cachorros ou ajudando seu pai nas atividades do s\u00edtio no Rio Grande do Norte, Petr\u00facio Ferreira tenta se manter ativo durante a pandemia do novo coronav\u00edrus e no planejamento para T\u00f3quio.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cQuando eu n\u00e3o estou treinando, estou dormindo. N\u00e3o consigo passar muito tempo parado em um local s\u00f3 e n\u00e3o consigo assistir filmes. Mas nesse momento tive que me adaptar ao m\u00e1ximo\u201d, afirmou o atleta.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Por conta da pandemia, que tamb\u00e9m for\u00e7ou o adiamento dos Jogos Ol\u00edmpicos e Paral\u00edmpicos para 2021, o velocista voltou para o s\u00edtio que comprou para o pai no Rio Grande do Norte e tem feito os seus exerc\u00edcios no local.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A rotina de treinamentos tamb\u00e9m foi alterada. Com foco na sa\u00fade dos atletas e no aumento da imunidade, Pedro de Almeida passou uma sequ\u00eancia de exerc\u00edcios com pouco volume e baixa intensidade, que devem ser feitos de s\u00e1bado a sexta e por no m\u00e1ximo duas horas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp; \u201cInfelizmente, por conta da pandemia a gente teve que mudar a rota, suspender o que vinha sendo feito. Neste momento, a performance est\u00e1 em terceiro plano. Estou preocupado com a sa\u00fade e com o bem-estar dele e dos outros atletas que treino\u201d afirmou Pedrinho, que al\u00e9m de treinar Petr\u00facio tamb\u00e9m comanda outros atletas de alto n\u00edvel, como Jefferson Marinho de Oliveira e C\u00edcero Valdiran Nobre.<\/p>\n\n\n\n<p>Aproveitando o tempo de sobra na pandemia, Petr\u00facio retomou seu curso de Educa\u00e7\u00e3o F\u00edsica na Unisal, que foi necess\u00e1rio trancar por conta das viagens e das competi\u00e7\u00f5es, que dificultavam a rotina de estudante. Agora, ele tem conseguido acompanhar as aulas da universidade.<\/p>\n\n\n\n<p>A vontade de ingressar nos estudos e pensar na vida ap\u00f3s aposentadoria foi despertada pela rela\u00e7\u00e3o de Petr\u00facio com \u2018Pedrinho Doido\u2019. \u201c\u00c9 um cara que eu admiro muito pela sua compet\u00eancia, como ser humano e na forma como ele trabalha os atletas. Me despertou vontade de me tornar um treinador como ele \u00e9 para ajudar a pr\u00f3xima gera\u00e7\u00e3o\u201d, afirmou o atleta.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cMeu relacionamento com o Petr\u00facio \u00e9 o melhor poss\u00edvel\u201d, afirma Pedrinho. \u201cEle \u00e9 um dos melhores talentos que eu j\u00e1 tive. Petr\u00facio foi uma das pessoas mais ricas em todos os sentidos com quem eu j\u00e1 trabalhei, entre outras que j\u00e1 passaram por mim e ainda est\u00e3o comigo. \u00c9 o ponto fora da curva, em termos de qualidade, de potencial e, assim vai&#8230;\u201d<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>VISANDO T\u00d3QUIO 2021, <\/strong>Petr\u00facio sabe que os holofotes estar\u00e3o sobre sua cabe\u00e7a, com a esperan\u00e7a de que&nbsp; \u201co mais r\u00e1pido do mundo\u201d seja capaz de trazer uma medalha de ouro para o Brasil. Mas, mesmo com toda a expectativa dos pr\u00f3ximos Jogos Paral\u00edmpicos, o atleta tenta n\u00e3o se colocar sob press\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cHoje eu fa\u00e7o o que eu gosto: estar treinando, competindo, representando o meu pa\u00eds. Tudo isso que eu fa\u00e7o \u00e9 por amor e acaba n\u00e3o se tornando uma press\u00e3o para mim. Sei que chegando na prova vou enfrentar advers\u00e1rios fortes, mas tenho consci\u00eancia que estou pronto para dar o meu melhor. E que meu melhor \u00e9 subir no ponto mais alto do p\u00f3dio\u201d, revelou.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Motivado a encontrar o seu limite e acostumado a quebrar os pr\u00f3prios recordes, o velocista ainda n\u00e3o sabe o que o futuro lhe guarda. Talvez uma medalha paral\u00edmpica nos 100 metros rasos em 2021 ou at\u00e9 o t\u00e3o sonhado ouro na prova dos 400.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Mas, independente do que acontecer, seja conquistando bons resultado nas pistas ou adquirindo sucesso como professor de Educa\u00e7\u00e3o F\u00edsica, Petr\u00facio sabe que a sua ess\u00eancia n\u00e3o vai mudar nunca: \u201cUm cara alegre, sorridente, que gosta de andar sempre espalhando alegria.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Lorena Spoladore: \u201cQuero voltar de T\u00f3quio com tr\u00eas medalhas de ouro\u201d<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Lorena n\u00e3o via a hora<strong> <\/strong>de o <em>Comit\u00ea Ol\u00edmpico Internacional<\/em> (COI) se posicionar, aguardando ansiosamente a decis\u00e3o sobre a situa\u00e7\u00e3o dos Jogos. Sem sair de casa por causa da dissemina\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a \u2013 ainda mais por S\u00e3o Paulo ser desde o in\u00edcio o epicentro da pandemia no Brasil \u2013, ela estava realizando os treinos em seu apartamento de 65 m\u00b2.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Acostumada a treinar at\u00e9 a exaust\u00e3o, o treinamento caseiro angustiava a atleta. \u201cN\u00e3o t\u00e1 dando certo, isso n\u00e3o vai funcionar\u201d, relembra, em uma mistura de risada com desespero, das mensagens que enviava aos treinadores: \u201cNa pista a gente treina horas, aqui eu estou treinando 40 minutos e mal consigo suar, n\u00e3o vai dar certo, n\u00e3o vai dar tempo\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEu quase surtei, foram cerca de 14 dias at\u00e9 a decis\u00e3o, foi uma tortura psicol\u00f3gica horr\u00edvel\u201d, desabafa. \u00c0 medida em que boatos sobre o adiamento iam surgindo e pot\u00eancias do esporte (como o Canad\u00e1 e os Estados Unidos) come\u00e7aram a pressionar publicamente o Comit\u00ea, ela foi ficando mais calma. \u201cQuando a not\u00edcia saiu, eu consegui respirar mais tranquilamente.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Para a pr\u00f3xima edi\u00e7\u00e3o dos Jogos, Lorena tem grandes ambi\u00e7\u00f5es: \u201cQuero voltar de T\u00f3quio com tr\u00eas medalhas de ouro\u201d. A atleta de 24 anos quer repetir a conquista do ouro, sensa\u00e7\u00e3o que vivenciou pela primeira vez h\u00e1 sete anos.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>DAS 16 MEDALHAS DE OURO <\/strong>conquistadas pela delega\u00e7\u00e3o brasileira no Mundial Paral\u00edmpico de Atletismo de 2013, na Fran\u00e7a, uma foi o triunfo de uma paratleta cega de 17 anos: Lorena Salvatini Spoladore.<\/p>\n\n\n\n<p>Convocada naquele ano para representar o pa\u00eds no Mundial adulto, a jovem atleta conquistou o p\u00f3dio no salto em dist\u00e2ncia da categoria T11 com a marca de 4,37 metros. E logo em sua primeira participa\u00e7\u00e3o em competi\u00e7\u00f5es internacionais.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Junto da conquista, veio o sentimento \u2014 quase como uma necessidade \u2014 de honrar o t\u00edtulo, de orgulhar n\u00e3o apenas a sua fam\u00edlia como toda a na\u00e7\u00e3o: \u201cEu n\u00e3o sou mais aquela Lorena Spoladore, filha da Dona Zilda e do Walter. Agora sou uma medalhista de ouro, eu represento o Brasil.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Mas essa inesquec\u00edvel estreia n\u00e3o era imaginada nem mesmo por ela, que conta ter competido \u201csem a m\u00ednima pretens\u00e3o\u201d. \u201cO Mundial de 2013 foi o divisor de \u00e1guas da minha carreira\u201d, relata Lorena, que at\u00e9 ent\u00e3o treinava atletismo porque gostava, sem encarar como profiss\u00e3o. \u201cN\u00e3o tinha no\u00e7\u00e3o nem dimens\u00e3o de quanto o esporte paral\u00edmpico era grandioso. Quando ganhei a medalha, vi a responsabilidade que estava em cima de mim\u201d, relembra.<\/p>\n\n\n\n<p>Desde ent\u00e3o, ela acumula p\u00f3dios e sentiu diversas vezes a sensa\u00e7\u00e3o de \u201cdever cumprido\u201d ao conquistar medalhas, inclusive em diferentes modalidades. Em 2015, foi medalhista de prata no salto em dist\u00e2ncia nos Jogos Parapan-Americanos de Toronto (Canad\u00e1) e no Mundial de Doha (Catar). No ano seguinte, no Rio 2016, sua primeira Paralimp\u00edada, ganhou o bronze no salto em dist\u00e2ncia e a prata no revezamento 4 por 100 metros.<\/p>\n\n\n\n<p>O in\u00edcio de toda essa hist\u00f3ria foi tra\u00e7ado depois daquela primeira participa\u00e7\u00e3o no Mundial, h\u00e1 quase sete anos, em que a jovem Lorena escolheu de fato seguir a carreira do esporte. \u201cEu precisei decidir o que realmente queria fazer da minha vida, se estava disposta a me tornar uma atleta de alto rendimento, porque n\u00e3o \u00e9 brincadeira. E gra\u00e7as a Deus eu decidi que sim, e tem dado certo.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>O PRIMEIRO ESPORTE<\/strong> com que Lorena teve contato foi o bal\u00e9, aos oito anos de idade na capital de Goi\u00e1s. Naquela \u00e9poca, ela j\u00e1 era totalmente cega h\u00e1 cerca de dois anos, devido a um glaucoma cong\u00eanito que foi lhe tirando gradativamente a vis\u00e3o. E fazia quatro anos que a futuro atleta, nascida em Maring\u00e1, vivia com a fam\u00edlia em Goi\u00e2nia, cidade para a qual se mudaram quando a av\u00f3 materna faleceu.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEra quem mantinha a gente no Paran\u00e1, porque minha m\u00e3e era muito apegada com ela\u201d, comenta sobre a av\u00f3. Ap\u00f3s a perda familiar, decidiram se mudar para a capital goiana, onde um tio residia e que conta com centros oftalmol\u00f3gicos de refer\u00eancia, como o Centro Brasileiro de Cirurgia de Olhos e o Instituto do Olhos. Antes, na cidade natal, Lorena tinha que viajar para S\u00e3o Paulo de tr\u00eas em tr\u00eas meses em fun\u00e7\u00e3o de seu tratamento.<\/p>\n\n\n\n<p>Em Goi\u00e2nia, come\u00e7ou como bailarina antes de iniciar no atletismo, e foi conciliando ambas as pr\u00e1ticas durante a adolesc\u00eancia at\u00e9 ser convocada para o Mundial de Paratletismo de 2013. Sobre essa fase de sua vida, Lorena ressalta a import\u00e2ncia de um professor de Educa\u00e7\u00e3o F\u00edsica que foi marcante para a sua carreira: \u201cFoi quem me resgatou em uma \u00e9poca em que n\u00e3o queria mais treinar, e que me fez voltar ao atletismo antes do Mundial\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A pessoa em quest\u00e3o \u00e9 Jo\u00e3o Tur\u00edbio, ent\u00e3o professor volunt\u00e1rio no <em>Centro Brasileiro de Reabilita\u00e7\u00e3o e Apoio ao Deficiente Visual<\/em> (Cebrav), quando conheceu a jovem atleta. \u201cA import\u00e2ncia foi, num primeiro momento, colocar o \u2018Jaba\u2019 na vida dela\u201d, introduz Turibio, atual gerente de Pr\u00e1ticas Paradesportivas e Paral\u00edmpicas da Secretaria Estadual de Esporte, sobre seu papel na trajet\u00f3ria da atleta.<\/p>\n\n\n\n<p>Na \u00e9poca, quando a garota estava come\u00e7ando a se destacar na modalidade, o educador indicou \u2018Jaba\u2019, seu aluno na Universidade Estadual de Goi\u00e1s, para ser o primeiro atleta-guia de Lorena, e come\u00e7ou tamb\u00e9m a colaborar com o seu treinamento. A partir de ent\u00e3o, ela passou a participar com regularidade de provas de atletismo em competi\u00e7\u00f5es oficiais e n\u00e3o oficiais. Tudo caminhando bem, at\u00e9 que a lista de convocados para o Mundial de Paratletismo culminou no verdadeiro impacto de Jo\u00e3o Tur\u00edbio na carreira da atleta.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO segundo momento de import\u00e2ncia\u201d, explica o professor de Educa\u00e7\u00e3o f\u00edsica, \u201cfoi minha interven\u00e7\u00e3o quando Lorena foi convocada para o Mundial de Lyon e Jaba, como guia, n\u00e3o foi\u201d. O educador revela que, na ocasi\u00e3o, a atleta ficou muito chateada e o guia, na imaturidade, sugeriu que a jovem de 17 anos n\u00e3o fosse \u00e0 competi\u00e7\u00e3o ou blefasse na prova. \u201cFoi quando intervi em conversa com ela e sua m\u00e3e e defendi que fosse \u00e0 competi\u00e7\u00e3o e desse o seu melhor\u201d, esclareceu.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEla era uma guria que j\u00e1 apresentava maturidade de atleta. Lembro quando me disse que treinava para ser campe\u00e3 mundial, isto ainda crian\u00e7a\u201d, recorda. Lorena, ent\u00e3o, foi \u00e0 Fran\u00e7a e retornou ao Brasil com a medalha de ouro no salto em dist\u00e2ncia, al\u00e9m da decis\u00e3o de seguir no atletismo. E, ao escolher o rumo das pistas, a jovem se separou da dan\u00e7a, antiga companheira: \u201cFoi uma das decis\u00f5es mais dif\u00edceis que tive que tomar, porque eu gostava muito do bal\u00e9, mas meu corpo n\u00e3o ia aguentar as duas coisas. \u00c9 humanamente imposs\u00edvel.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>COM O FUTURO ENCAMINHADO<\/strong>, Lorena, que vivenciou a realidade competitiva, percebeu a necessidade de ter um treinamento profissional para a carreira que escolheu. O fator geogr\u00e1fico na infraestrutura esportiva brasileira \u00e9 uma condicionante de grande peso. Ap\u00f3s consultar os treinadores da Sele\u00e7\u00e3o, ela decidiu se mudar para S\u00e3o Paulo aos rec\u00e9m completados 18 anos, despedindo-se de seus familiares que continuaram em Goi\u00e1s.<\/p>\n\n\n\n<p>Fam\u00edlia, a prop\u00f3sito, \u00e9 um tema que aparece v\u00e1rias vezes em uma conversa com Lorena. \u201cA minha fam\u00edlia \u00e9 a base de tudo, sem eles eu n\u00e3o teria me tornado a atleta que me tornei\u201d, relembra. Ao resolver ir para o Estado paulista, a atleta relembra, rindo, da rea\u00e7\u00e3o da m\u00e3e: \u201cQuando falei \u2018M\u00e3e, vou embora\u2019, ela quase infartou, coitadinha\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A mais de 900 quil\u00f4metros de dist\u00e2ncia, a jovem se instalou primeiramente em S\u00e3o Caetano do Sul, onde treinava no Clube de Atletismo BM&amp;F Bovespa. Na cidade do ABC Paulista, em meados em 2014, Lorena conheceu Renato Ben Hur, seu atual guia, que estava come\u00e7ando na profiss\u00e3o e chegou para ser um atleta-guia reserva. No final daquele ano, a condi\u00e7\u00e3o mudou.<\/p>\n\n\n\n<p>Querendo trocar de guia, Lorena convidou Renato para ser seu novo parceiro. \u201cFalei para ela que nunca tinha guiado e que ela seria a minha primeira atleta. E Lorena disse: \u2018Vamos encarar juntos essa miss\u00e3o\u2019. Ent\u00e3o, a gente iniciou a parceria\u201d, revela Ben Hur. Tal companheirismo j\u00e1 dura mais de 5 anos e acumula competi\u00e7\u00f5es e medalhas.<\/p>\n\n\n\n<p>Na opini\u00e3o do guia, um dos sucessos da parceria \u00e9 a boa rela\u00e7\u00e3o e transpar\u00eancia, mas enfatiza a separa\u00e7\u00e3o entre amizade e profissionalismo. \u201cDentro da pista, eu tenho que cobrar o m\u00e1ximo dela, tenho que fazer o papel de chato. Al\u00e9m do treinador, ainda tem eu\u201d, comenta. Ele acredita que a motiva\u00e7\u00e3o da atleta \u00e9 ser melhor a cada dia: \u201cSe faz um treino bom, no pr\u00f3ximo quer fazer melhor, est\u00e1 sempre buscando evoluir. Lorena \u00e9 guerreira, costumo falar que nem ela sabe a for\u00e7a que tem\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2015, Lorena ganhou uma dobradinha de prata no salto em dist\u00e2ncia, sendo medalhista tanto no Mundial de Doha quanto no Parapan de Toronto. Determinada, como refor\u00e7a Ben Hur, a atleta n\u00e3o sossega at\u00e9 conseguir bater suas metas, e logo que consegue j\u00e1 estabelece novos objetivos. O guia destaca um dos momentos mais marcantes que passaram juntos: os Jogos Paral\u00edmpicos de 2016, realizados no Rio de Janeiro.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA gente j\u00e1 viveu bastante coisa, mas no maior evento esportivo do mundo, no Brasil, a gente estava em casa. Foi a nossa primeira competi\u00e7\u00e3o deste tamanho, ent\u00e3o foi especial nesse sentido\u201d, recorda. Nos Jogos, Renato aponta que a dupla teve muito aprendizado e amadurecimento. Al\u00e9m, claro, das conquistas.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim como em sua estreia no Mundial, Lorena marcou presen\u00e7a no p\u00f3dio logo em sua primeira Paralimp\u00edada. E por duas vezes. Uma foi a conquista do bronze no salto em dist\u00e2ncia da mesma categoria. A outra veio no revezamento 4&#215;100 metros da categoria T-11, junto ao guia Renato Ben Hur, que lhes rendeu a medalha de prata.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Da competi\u00e7\u00e3o, a atleta lembra que sua m\u00e3e \u201cquase morreu\u201d. Mas no bom sentido. Em sua venda, sempre personalizada, Lorena escreveu \u201cM\u00e3e\u201d, e conta que Dona Zil mal conseguiu ver a corrida de t\u00e3o emocionada com a homenagem. A outra recorda\u00e7\u00e3o \u00e9 a sensa\u00e7\u00e3o da medalha no pesco\u00e7o: \u201cO sentimento de ganhar uma medalha paral\u00edmpica \u00e9 de dever cumprido, de recompensa, de que todo o sacrif\u00edcio valeu a pena e que consegui alcan\u00e7ar o meu objetivo principal, que \u00e9 a medalha paral\u00edmpica\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u201cPARA SEGUIR A CARREIRA DE ATLETA, <\/strong>a gente precisa abrir m\u00e3o de muitas coisas na vida\u201d, refor\u00e7a, antes de introduzir o assunto fam\u00edlia mais uma vez: \u201c\u00c0s vezes eu passo seis meses sem ver a minha m\u00e3e. Por causa da rotina de treinos, \u00e9 complicado sair de S\u00e3o Paulo para visitar a fam\u00edlia em Goi\u00e2nia\u201d. Lorena treina de segunda a sexta em dois per\u00edodos, e ainda nas manh\u00e3s de s\u00e1bado, no <em>Centro Paral\u00edmpico Brasileiro <\/em>(CPB) localizado na capital paulista.<\/p>\n\n\n\n<p>Durante as seis horas di\u00e1rias de treinamento, a atleta alterna entre exerc\u00edcios de muscula\u00e7\u00e3o, t\u00e9cnica, fortalecimento com fisioterapeuta e \u201ctiros\u201d nas pistas. Tudo com objetivos definidos: \u201cEstabele\u00e7o com a equipe de treinadores a minha prova alvo, e todo ano a gente analisa as minhas marcas pessoais e o meu desenvolvimento durante o ciclo anual\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A an\u00e1lise equipara os resultados pessoais da atleta com as melhores marcas registradas nas competi\u00e7\u00f5es. A partir dessa compara\u00e7\u00e3o, os treinadores mensuram o percentual de melhora necess\u00e1rio nos \u00edndices da atleta para se tornarem eleg\u00edveis \u00e0s medalhas de ouro e recordes mundiais nas modalidades em que ela treina. As metas miram no topo.<\/p>\n\n\n\n<p>Lorena compete, atualmente, em tr\u00eas provas: salto em dist\u00e2ncia, 100 metros e 200 metros rasos. Apesar de possuir bons resultados e de j\u00e1 ter sido medalhista no revezamento 4&#215;100 metros, ela decidiu parar de treinar para esta modalidade em 2017. \u201cAs minhas provas favoritas s\u00e3o os 100 metros e o salto em dist\u00e2ncia. N\u00e3o adianta treinar e me matar para correr os 400 metros se eu n\u00e3o estou afim, porque o treino n\u00e3o vai ter o mesmo resultado\u201d, comenta.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, tal decis\u00e3o custou a vaga da atleta no Mundial de 2017 de Londres (Inglaterra). Lorena conta que n\u00e3o quis competir no revezamento 4&#215;100 para poder focar e apostar nos 100 metros rasos, mesmo com as ressalvas dos treinadores e sabendo que a primeira modalidade estava mais f\u00e1cil para se qualificar. \u201cComo eu n\u00e3o consegui a evolu\u00e7\u00e3o que eu precisava e n\u00e3o consegui atingir a marca nos 100 metros, n\u00e3o fui pro Mundial. S\u00e3o escolhas\u201d, desabafa.<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00f3 que Lorena, como ressaltam seus companheiros, n\u00e3o \u00e9 a atleta que desiste. Dois anos depois, no Mundial seguinte, ela foi medalhista de bronze em Dubai (Emirados \u00c1rabes Unidos) pela primeira vez em provas individuais de pista, justamente nos 100 metros e nos 200 metros rasos. Al\u00e9m disso, tamb\u00e9m conquistou em 2019 o bronze na prova dos 200 metros nos Jogos Parapan de Lima (Peru) .<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEu sempre admirei nela um poder de crescer nas competi\u00e7\u00f5es\u201d, revela F\u00e1bio, um dos seus atuais tr\u00eas treinadores, que a conheceu primeiramente como atleta advers\u00e1ria. \u201cN\u00f3s come\u00e7amos a trabalhar juntos no in\u00edcio de 2018 e eu pude identificar que o poder que ela tinha de crescer nas competi\u00e7\u00f5es vinha muito do treinamento dela. Ela \u00e9 uma atleta que dificilmente se d\u00e1 por vencida\u201d, comenta o integrante da sele\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Com a performance e as medalhas de 2019, Lorena atingiu o \u00edndice para competir nos Jogos Paral\u00edmpicos de T\u00f3quio, programados para este ano antes do adiamento para 2021 em fun\u00e7\u00e3o da pandemia da Covid-19. \u201cA gente n\u00e3o sabe como vai ser ap\u00f3s a quarentena, mas temos consci\u00eancia de que, devido ao seu treinamento, determina\u00e7\u00e3o e for\u00e7a de vontade, Lorena vai conseguir superar\u201d, defende F\u00e1bio.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>A MUDAN\u00c7A DE DATA DOS JOGOS<\/strong> para o dia 24 de agosto do ano que vem fez Lorena retornar para a casa dos pais, em Goi\u00e2nia. Por enquanto, ela mant\u00e9m uma rotina de exerc\u00edcios para preservar a condi\u00e7\u00e3o f\u00edsica, sabendo que o ciclo de treinamento ter\u00e1 de recome\u00e7ar ap\u00f3s a pandemia. A atleta acredita que, passada a pandemia, se tiver um ano de prepara\u00e7\u00e3o para a competi\u00e7\u00e3o \u00e9 um prazo suficiente: \u201cSe manter condicionamento, cuidar da alimenta\u00e7\u00e3o, pegar firme e se dedicar, d\u00e1 tempo\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Maior competi\u00e7\u00e3o esportiva paral\u00edmpica do mundo, a Paralimp\u00edada possui um grande impacto tanto para o fomento quanto para a valoriza\u00e7\u00e3o do esporte perante a sociedade. Lorena comenta sobre as expectativas para o p\u00fablico nos Jogos no Brasil: \u201cEu n\u00e3o imaginava que o est\u00e1dio estaria t\u00e3o lotado, fiquei surpresa. Estava muito cheio em v\u00e1rios dias e em v\u00e1rias finais, n\u00f3s atletas ficamos enlouquecidos\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Lorena percebe uma evidente mudan\u00e7a na forma com que o esporte paral\u00edmpico vem sendo destacado pela m\u00eddia e tratado no pa\u00eds como o grande legado da Rio 2016. \u201cA diferen\u00e7a de quando eu comecei a competir, em 2010, para hoje, \u00e9 muito grande. E t\u00e1 crescendo cada vez mais. As pessoas t\u00eam outra vis\u00e3o, j\u00e1 entendem que ser atleta paral\u00edmpico hoje em dia \u00e9 uma profiss\u00e3o e eles admiram muito\u201d aponta, orgulhosa.<\/p>\n\n\n\n<p>Para a pr\u00f3xima edi\u00e7\u00e3o dos Jogos, Lorena sonha com o ouro em T\u00f3quio, depois de ter sido medalhista de prata e de bronze no Brasil. \u201cEstou sendo ambiciosa com meu treinador, j\u00e1 falei que quero voltar de T\u00f3quio com tr\u00eas medalhas de ouro\u201d, revela. Ao m\u00e9dio e longo prazo, ela pretende ser a detentora dos recordes mundiais nas provas dos 100 metros, 200 metros e no salto em dist\u00e2ncia. \u201cEst\u00e1 t\u00e3o perto, mas t\u00e3o longe ao mesmo tempo\u201d, completa, com a leve descontra\u00e7\u00e3o de uma atleta que sabe onde quer \u2013 e que tem tudo para \u2013 chegar.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Futebol em 5: A sele\u00e7\u00e3o que reina nos Jogos Paraol\u00edmpicos?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>NENHUM TIME ENTRA <\/strong>nos Jogos Paral\u00edmpicos de T\u00f3quio 2021 t\u00e3o vitorioso quanto a Sele\u00e7\u00e3o Brasileira de Futebol de 5 \u2013 esporte praticado por deficientes visuais. O pentacampeonato mundial conquistado em 2018 e o quarto t\u00edtulo do Parapan-Americano de 2019 aumentam o favoritismo para os pr\u00f3ximos Jogos, mas tamb\u00e9m criam um ambiente de muita press\u00e3o. Com o fortalecimento da Argentina, China e Ir\u00e3 na modalidade, o Brasil ser\u00e1 desafiado na disputa pela quinta medalha de ouro paral\u00edmpica no Jap\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cNenhuma outra sele\u00e7\u00e3o teve o prazer de colocar uma medalha de ouro no peito. E \u00e9 por isso que nossa responsabilidade aumenta a cada ciclo\u201d, afirma C\u00e1ssio, fixo brasileiro.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto tentam controlar a ansiedade que antecede os Jogos Paral\u00edmpicos, adiado para agosto de 2021 ap\u00f3s a pandemia do novo coronav\u00edrus, os jogadores recordam de forma especial a \u00faltima edi\u00e7\u00e3o disputada no Rio de Janeiro, quando subiram ao topo do p\u00f3dio pela quarta vez seguida.<\/p>\n\n\n\n<p>As arquibancadas cheias respeitaram completamente a modalidade, que requer sil\u00eancio da torcida para que os atletas consigam ouvir o som da bola durante os dois tempos de 25 minutos. A cobertura jornal\u00edstica, a recep\u00e7\u00e3o calorosa e a press\u00e3o de exercer o dom\u00ednio em casa formaram um clima que os jogadores n\u00e3o estavam acostumados, mesmo fazendo parte de uma das equipes mais vitoriosas da hist\u00f3ria. \u201cFoi bem mais especial que outras (edi\u00e7\u00f5es)\u201d, revela Ricardinho, capit\u00e3o da sele\u00e7\u00e3o e autor do \u00fanico gol na final contra o Ir\u00e3.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cGanhar Rio 2016 para mim foi uma sensa\u00e7\u00e3o inenarr\u00e1vel\u201d, confessa C\u00e1ssio. \u201cFoi a maior competi\u00e7\u00e3o que participei e acredito que nenhuma ir\u00e1 superar a atmosfera que envolveu o Rio.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m de vencer as quatro paral\u00edmpiadas disputadas, o futebol de 5 brasileiro soma seis Copas Am\u00e9ricas das nove que participou, tornou-se pentacampe\u00e3o mundial em sete participa\u00e7\u00f5es e ainda conquistou a medalha de ouro nas quatro edi\u00e7\u00f5es do Parapan-Americano. Mesmo assim, os atletas nunca tinham presenciado uma atmosfera semelhante \u00e0 do Rio de Janeiro em 2016.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO Brasil tem uma sele\u00e7\u00e3o vitoriosa como essa e n\u00e3o sabe que cego joga futebol\u201d, diz o t\u00e9cnico do Brasil F\u00e1bio Vasconcellos. \u201cAinda tem gente que v\u00ea ceguinho como coitadinho e n\u00e3o como atleta. Est\u00e1 melhorando um pouco, mas deveria melhorar ainda mais.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>O sonho de uma maior visibilidade \u00e9 de um time que busca manter o dom\u00ednio e ter mais uma medalha paral\u00edmpica para guardar na sala de trof\u00e9us. Assim como a dor sentida com a aus\u00eancia de reconhecimento vem de uma equipe que ficou onze anos sem perder um \u00fanico t\u00edtulo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A derrota na final da Copa Am\u00e9rica de 2017 para a Argentina foi duramente sentida por jogadores que esqueceram a sensa\u00e7\u00e3o de sair das competi\u00e7\u00f5es sem a ta\u00e7a. O \u00faltimo rev\u00e9s em finais at\u00e9 ent\u00e3o tinha acontecido em 2006, quando os <em>hermanos<\/em> bateram o Brasil na final da Copa do Mundo disputada em Buenos Aires.<\/p>\n\n\n\n<p>Contando com os maiores jogadores do mundo como C\u00e1ssio, Jefinho, Gledson e Nonato, o Brasil tamb\u00e9m tem em seu capit\u00e3o um dos pilares de uma gera\u00e7\u00e3o vitoriosa. A trajet\u00f3ria de Ricardinho, jogador que com 16 anos j\u00e1 vestia a camisa verde e amarela, caminha paralelamente \u00e0 hist\u00f3ria da sele\u00e7\u00e3o que dominou o esporte de forma invicta de 2006 a 2017.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>ARGENTINA E CHINA<\/strong> n\u00e3o possuem as melhores mem\u00f3rias de Ricardinho, sendo constantes v\u00edtimas de boas atua\u00e7\u00f5es do capit\u00e3o da Sele\u00e7\u00e3o Brasileira. Na final da Copa Am\u00e9rica de 2009, o ala-ofensivo marcou dois gols contra <em>os hermanos<\/em>, sendo um deles uma pintura de cavadinha.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O jogo entraria para a hist\u00f3ria como uma das 26 vit\u00f3rias de uma rivalidade de dom\u00ednio brasileiro. Nos 52 jogos contra a Argentina, o Brasil perdeu apenas cinco vezes e empatou outras 21. A diferen\u00e7a no saldo de gol \u00e9 ainda mais estratosf\u00e9rica: s\u00e3o 55 tentos marcados e 17 sofridos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>F\u00e1bio recorda muito bem um dos duelos de Ricardinho contra a outra rival China. Na semifinal do Mundial de 2014, a sele\u00e7\u00e3o voltou para o intervalo perdendo de 1 a 0. \u201cSe perd\u00eassemos, eu provavelmente estaria fora\u201d, revela o treinador.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s dar a sua prele\u00e7\u00e3o no vesti\u00e1rio, o t\u00e9cnico percebeu algo incomum. O capit\u00e3o, que costuma a sair primeiro e liderar o time de volta para o campo, decidiu esperar, ficar por \u00faltimo e entrar ao lado do treinador: \u201cF\u00e1bio, n\u00e3o se preocupa que a gente vai ganhar\u201d. O ala cumpriu sua promessa. Com um gol de falta e outro com a bola rolando, o camisa 10 liderou a sele\u00e7\u00e3o na virada por 2 a 1, garantindo a classifica\u00e7\u00e3o para mais uma final &#8211; e tamb\u00e9m o emprego do t\u00e9cnico.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, antes mesmo de liderar o Brasil e se tornar conhecido como Ricardinho, Ricardo Steinmetz Alves sonhava em se tornar um jogador de futebol de campo, assim como o seu \u00eddolo, Ronaldinho Ga\u00facho. Mas um problema no olho interviu.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O menino nascido na cidade de Os\u00f3rio, no Rio Grande do Sul, come\u00e7ou a apresentar problemas de vis\u00e3o por conta de um deslocamento de retina. Ap\u00f3s cinco cirurgias mal sucedidas, o jovem ficou cego. \u201cO que me entristeceu foi pensar que eu nunca mais poderia jogar bola\u201d, contou o atleta.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Com dificuldades de acompanhar as aulas, ele se mudou com o pai para a capital Porto Alegre e se inscreveu no Instituto Santa Luzia, escola focada para o aprendizado de deficientes visuais. A mudan\u00e7a permitiria que Ricardo voltasse a sonhar em representar a Sele\u00e7\u00e3o Brasileira, sendo apresentado a diversas modalidades paral\u00edmpicas, como goalball, nata\u00e7\u00e3o, atletismo e o futebol.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEu me deparei com muitos alunos da minha idade que praticavam o futebol de 5. Se eu ficasse no munic\u00edpio do interior onde nasci, talvez n\u00e3o acontecesse, j\u00e1 que por ser um esporte coletivo fica dif\u00edcil praticar. \u00c9 um problema que acontece muito. Os alunos deficientes est\u00e3o espalhados por v\u00e1rios munic\u00edpios e fica dif\u00edcil desenvolver o esporte coletivo\u201d, contou o atleta.<\/p>\n\n\n\n<p>Com a oportunidade de praticar o esporte, Ricardinho se destacou. O alto desempenho fez o ala assinar seu primeiro contrato como profissional aos 15 anos de idade. Era muito comum ele ouvir de seus companheiros que tinha a chance de chegar \u00e0 Sele\u00e7\u00e3o Brasileira com 19 ou 20 anos, e que se tivesse o planejamento correto poderia conquistar seu sonho em quatro ou cinco anos. Mas a ascens\u00e3o do atleta foi mais r\u00e1pida.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Um ano depois, em 2005, Ricardinho foi chamado para defender o Brasil em um amistoso contra a Fran\u00e7a, s\u00f3 que passou a maior parte do tempo no banco. Olhando para tr\u00e1s, o jogador revela que ficou surpreso com o que se desenrolou. \u201cFoi muito r\u00e1pido!\u201d, conta Ricardo sobre os eventos que se sucederam. \u201cEu sonhava em ser jogador profissional e j\u00e1 estava muito realizado. Mas eu n\u00e3o cogitava neg\u00f3cio de melhor do mundo. N\u00e3o tinha dado tempo para eu pensar isso. Era s\u00f3 um adolescente\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A ascens\u00e3o mete\u00f3rica aconteceu na Copa Am\u00e9rica IBSA 2006, uma competi\u00e7\u00e3o que n\u00e3o teve a participa\u00e7\u00e3o da Argentina. Enfrentando a Bol\u00edvia, o Brasil aplicou uma goleada de 13 a 0, que contou com seis gols do jovem ala brasileiro. Mais tarde, durante a Copa do Mundo de 2006 disputada em Buenos Aires, Ricardinho deixou mais uma vez a sua marca. O atleta foi respons\u00e1vel pelos tr\u00eas gols do Brasil na semifinal contra a Espanha. Apesar de perder a final para a Argentina, o menino de 17 anos terminou o ano como o melhor jogador do mundo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m de ser o atual t\u00e9cnico do Brasil, F\u00e1bio Vasconcellos foi goleiro da sele\u00e7\u00e3o entre 2003 e 2012 e esteve presente durante a ascens\u00e3o de Ricardinho. Para ele, o atleta evoluiu muito desde da primeira vez que foi eleito o melhor do esporte.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEle ia todas para cima do advers\u00e1rio quando era mais novo. Quando fazia gols estava tudo muito bom. Mas, \u00e0s vezes, se a bola n\u00e3o entrava ele cansava e chegava desgastado no final do jogo. De todos os jogos que acompanhei dele, eu nunca vi Ricardinho jogando mal. Mas, agora ele sabe a hora de decidir\u201d, conta o treinador.<\/p>\n\n\n\n<p>Com 31 anos, o experiente camisa 10 se destaca pela simplicidade fora das quadras. Luan, atual goleiro da sele\u00e7\u00e3o que tamb\u00e9m atua ao lado de Ricardinho no clube ga\u00facho Agafuc, se tornou extremamente pr\u00f3ximo do camisa 10, dividindo quarto com o atleta na concentra\u00e7\u00e3o brasileira. \u201cDentro de quadra ele \u00e9 o monstro que todos v\u00eaem, mas o que chama mais aten\u00e7\u00e3o nele \u00e9 o \u2018extra quadra\u2019. O ser humano incr\u00edvel que ele \u00e9. Tenho ele como um amigo, que vou levar para a vida\u201d, conta.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEle \u00e9 bastante extrovertido\u201d, descreve o fixo C\u00e1ssio. \u201cAdora estar no meio do grupo e bater papo com os caras novos. \u00c9 um cara que d\u00e1 bastante aten\u00e7\u00e3o para as pessoas que se aproximam dele.\u201d&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A amizade cultivada com Luan e C\u00e1ssio n\u00e3o \u00e9 uma exclusividade, mas um padr\u00e3o de um atleta que separa o momento do jogador e do \u2018Ricardo\u2019 que sobra do lado de fora das quatro linhas. Enquanto cultiva uma conversa sobre os seus cachorros com os companheiros de time ou fala sobre m\u00fasica e sua banda CartAberta, o capit\u00e3o se destaca pela simplicidade no dia-a-dia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cN\u00e3o dou bola para coisa material, quanto menos coisa melhor\u201d, confessa Ricardinho. \u201cCada vez mais reflito sobre isso porque conhe\u00e7o os dois lados da moeda. Conhe\u00e7o o que \u00e9 ser praticamente ningu\u00e9m aos olhos da sociedade e o que \u00e9 ser badalado, porque depois de ganhar a medalha e arrebentar jogando bola, todo mundo vem dar tapinha nas costas.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>COM O REL\u00d3GIO MARCANDO<\/strong> 22 minutos e 19 segundos do segundo tempo, o Brasil tinha uma falta contra a Argentina na final da Copa do Mundo de 2018. Enquanto ouve o som da trave que o ajuda a reconhecer onde est\u00e1 o gol, Ricardinho espera a libera\u00e7\u00e3o para o retorno do jogo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s a bola rolar, o capit\u00e3o da Sele\u00e7\u00e3o Brasileira de Futebol de 5 aguarda pacientemente a chegada de tr\u00eas marcadores argentinos que o rodeiam. Escutando o som da bola, Ricardinho aplica um drible r\u00e1pido e arremata um chute veloz que delicadamente toca na trave antes de atingir o fundo das redes. O lance fez at\u00e9 o narrador argentino esquecer a eterna rivalidade que separa os dois pa\u00edses e se submeter \u00e0 grandeza do jogador: \u201cGola\u00e7o!\u201d&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Com outro belo gol de Nonato, o Brasil conquistou a sua quinta Copa do Mundo de Futebol de 5 \u2014 com um gostinho a mais, j\u00e1 que a vit\u00f3ria veio sobre a rival Argentina. Mas a partida tamb\u00e9m seria mais um exemplo da trajet\u00f3ria vitoriosa do capit\u00e3o da sele\u00e7\u00e3o, que foi eleito o melhor jogador da competi\u00e7\u00e3o e saiu como artilheiro com 10 gols marcados.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ricardinho entrou em campo com uma m\u00e1scara, que tinha como objetivo proteger seu nariz fraturado. A les\u00e3o aconteceu na vit\u00f3ria sobre a China por 1 a 0, na semifinal do Mundial, devido a uma cotovelada que levou do advers\u00e1rio. Ap\u00f3s o jogo, o clima no vesti\u00e1rio n\u00e3o era de um time que havia acabado de chegar na final do Mundial e buscava o pentacampeonato. O clima era de vel\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEu lembro que eu cheguei no vesti\u00e1rio, o m\u00e9dico me examinou de uma forma preliminar e disse: \u2018Tu fraturou! S\u00f3 precisa saber como foi e ir ao hospital fazer o raio-X\u2019\u201d, relembra Ricardinho. \u201cTodo mundo achou que eu n\u00e3o ia jogar. Eu tive um estalo e falei: \u2018Fiquem tranquilos que eu vou estar na final com voc\u00eas, mesmo com o nariz quebrado\u2019\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>O esp\u00edrito competitivo do atleta n\u00e3o permite que ele se ausente de um jogo decisivo. Para se preservar e evitar dores maiores, o jogador ficou tr\u00eas dias de molho at\u00e9 a decis\u00e3o.&nbsp; Chegando a hora, o ala-ofensivo sofreu, j\u00e1 que n\u00e3o conseguia respirar direito, e sabia que um simples esbarr\u00e3o poderia causar sangramento no nariz. Mas o momento de supera\u00e7\u00e3o rendeu gl\u00f3rias \u00e0 sele\u00e7\u00e3o, que contou com jogadores ainda mais motivados para a conquista.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cVale a pena ser \u2018ra\u00e7udo\u2019\u201d, diz Ricardinho. \u201cEu sou o capit\u00e3o da equipe desde 2012 e s\u00e3o nesses atos que precisamos passar firmeza aos outros. Imagina a motiva\u00e7\u00e3o ao ver seu colega com nariz quebrado entrando em uma final contra a Argentina. Os outros precisam pensar: \u2018Eu estou aqui 100%! Vou dar o sangue pelo time, meu colega com nariz quebrado est\u00e1 dando o exemplo.\u2019\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cN\u00e3o \u00e9 a toa que \u00e9 meu capit\u00e3o\u201d, conta F\u00e1bio Vasconcellos. \u201cUm l\u00edder no meio do jogo. Acima de tudo \u00e9 um fen\u00f4meno realmente iluminado. Ainda bem que nasceu no Brasil.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Uma leve pausa e F\u00e1bio fala a frase que permite que algu\u00e9m que nunca acompanhou uma partida de futebol de 5 entenda a real dimens\u00e3o de quem \u00e9 Ricardinho: \u201cO Ricardo \u00e9 o Pel\u00e9. Ele \u00e9 o Pel\u00e9.\u201d\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p><strong>DEPOIS DA COPA DO MUNDO<\/strong>, o Brasil voltou a bater a Argentina em duas finais, contando com o protagonismo de outros atletas. Em 2019, com a Copa Am\u00e9rica sendo disputada em S\u00e3o Paulo, a sele\u00e7\u00e3o aplicou outro 2 a 0, desta vez com Nonato marcando os dois gols do confronto. Na final do Parapan-Americano de Lima, o placar se repetiu, desta vez com gols de Jefinho e C\u00e1ssio.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O fixo da sele\u00e7\u00e3o lembra da import\u00e2ncia do gol marcado no Parapan. \u201cT\u00ednhamos 1 a 0 a favor e faltando cinco minutos eles vinham para cima. O segundo gol deu uma tranquilidade fant\u00e1stica. Pudemos jogar o final do jogo esperando o tempo passar. Tentando quem sabe um terceiro gol, mas nos cuidando, sem aquela necessidade extrema de atacar e correr riscos\u201d, analisou C\u00e1ssio.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O atleta que j\u00e1 foi eleito melhor do mundo em 2016 se destaca atualmente por ser um dos l\u00edderes do grupo. Mas, assim como Ricardo, C\u00e1ssio s\u00f3 veio a sonhar com a Sele\u00e7\u00e3o Brasileira de Futebol de 5 quando era um adolescente.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Nascido na cidade de Ituber\u00e1, na Bahia, ele sempre apresentou problemas de vis\u00e3o, e fez uma cirurgia para remover uma catarata quando tinha apenas dois anos de idade. Mais tarde, ele perdeu 100% do funcionamento do olho esquerdo por conta de um acidente, no qual se chocou com a quina de uma mesa. Quando ficou mais velho, come\u00e7ou a demonstrar maior dificuldade para enxergar, sendo obrigado a se aproximar muito dos objetos para identific\u00e1-los. Um dos sinais para a fam\u00edlia foi a forma como o menino aproximava cada vez mais a cadeira para assistir televis\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar de observar as dificuldades que C\u00e1ssio tinha no dia-a-dia e na sala de aula, a fam\u00edlia n\u00e3o tinha aux\u00edlio necess\u00e1rio na cidade e s\u00f3 conseguiu ir ao m\u00e9dico em Salvador ap\u00f3s cinco anos dos primeiros sinais. Chegando na capital, foi constatado um deslocamento de retina que n\u00e3o podia ser mais tratado e que o deixou totalmente cego aos 14 anos.<\/p>\n\n\n\n<p>A mudan\u00e7a definitiva para Salvador aconteceu em 2003, quando o menino ingressou no <em>Instituto de Cegos da Bahia<\/em> (ICB) e teve o primeiro contato com o paradesporto. Tr\u00eas anos depois, ele come\u00e7ou a atuar como fixo no time profissional do ICB. O ano de 2008 marcou sua primeira convoca\u00e7\u00e3o para a sele\u00e7\u00e3o, mas \u00e9 2011 que o atleta guarda na mem\u00f3ria com mais carinho.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Titular na conquista do Parapan-Americano de Guadalajara, no M\u00e9xico, C\u00e1ssio se estabeleceu de forma absoluta na zaga e conquistou a confian\u00e7a de seus companheiros de time. O t\u00edtulo veio de novo em um jogo contra a Argentina. O Brasil n\u00e3o conseguiu marcar durante o tempo regulamentar e s\u00f3 foi tirar o zero do placar no segundo tempo da prorroga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEu me sinto muito honrado de participar deste grupo. Como um todo \u00e9 homog\u00eaneo e bem treinado. Isso para mim \u00e9 mais importante do que ter um ou outro atleta de destaque\u201d, confessa C\u00e1ssio. A experi\u00eancia da sele\u00e7\u00e3o \u00e9 extremamente importante, mas o principal segredo para o sucesso \u00e9 a constante renova\u00e7\u00e3o do grupo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ricardinho, que foi eleito melhor jogador do mundo em tr\u00eas oportunidades (2006, 2014 e 2018), ingressou na sele\u00e7\u00e3o em 2005. Jefinho, que ganhou o pr\u00eamio de melhor do mundo em 2010, chegou ao time em 2006. Gledson vestiu a camisa da equipe pela primeira vez em 2007, C\u00e1ssio fez sua estreia em 2008 e Nonato entrou no time em 2011.<\/p>\n\n\n\n<p>A nova gera\u00e7\u00e3o composta por Dumbo, Jardiel e Maicon vem sendo levemente colocada \u00e0 prova junto de uma revolu\u00e7\u00e3o t\u00e1tica desenvolvida pelo treinador F\u00e1bio Vasconcellos. O ex-goleiro aplicou alguns conceitos tradicionais do futsal: \u201cA gente joga muito em bloco. Na minha equipe eu tenho um conceito de defesa e ataque onde todos participam. N\u00e3o tem essa coisa de Ricardinho e Jefinho s\u00f3 atacarem ou s\u00f3 marcarem\u201d, contou.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A revolu\u00e7\u00e3o dentro da quadra n\u00e3o \u00e9 a \u00fanica. Por ter sido jogador, F\u00e1bio entende os problemas estruturais que os jogadores enfrentam e, por isso, luta para fornecer condi\u00e7\u00f5es melhores aos seus atletas. A comiss\u00e3o era composta apenas por tr\u00eas pessoas, com um treinador e dois auxiliares t\u00e9cnico. Desde que entrou na sele\u00e7\u00e3o, o comandante conseguiu adicionar um preparador e um fisiologista na equipe, al\u00e9m de constantemente brigar por aumento na premia\u00e7\u00e3o.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO esporte paral\u00edmpico j\u00e1 evoluiu muito, por incr\u00edvel que pare\u00e7a\u201d, conta Ricardinho. \u201cA gente sempre que est\u00e1 longe do que deveria ser, mas t\u00ednhamos um amadorismo muito grande no esporte paral\u00edmpico quando eu comecei. E agora n\u00f3s temos, por exemplo, uma estrutura melhor e grandes profissionais \u2013 principalmente nas sele\u00e7\u00f5es. Hoje os atletas podem tamb\u00e9m se dar ao luxo de viver do esporte, principalmente os da sele\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>O ANTAGONISMO ENTRE<\/strong> Jap\u00e3o e Brasil n\u00e3o podia ser mais escancarado do que nos Jogos Paral\u00edmpicos de T\u00f3quio em 2021. Sem contar com o resultado similar ao dos brasileiros no futebol de 5, o Jap\u00e3o d\u00e1 uma aula na estrutura que fornece aos deficientes visuais. Quando foram disputar a Copa do Mundo de 2014 no outro lado do planeta, os jogadores da Sele\u00e7\u00e3o Brasileira apareceram em uma mat\u00e9ria no <em>Globoesporte <\/em>sentindo e aproveitando a estrutura de acessibilidade do pa\u00eds asi\u00e1tico.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO Jap\u00e3o \u00e9 o exemplo. \u00c9 disparado o que est\u00e1 \u00e0 frente\u201d, afirma Ricardinho. \u201cNa esta\u00e7\u00e3o de trem, as lixeiras t\u00eam braille. \u00d3bvio que eu n\u00e3o entendi nada porque estava em japon\u00eas, mas as pessoas l\u00e1 sabem onde \u00e9 o lixo seco e o org\u00e2nico. Aqui temos ferros para os carros n\u00e3o subirem na cal\u00e7ada, mas l\u00e1 no Jap\u00e3o os ferros s\u00e3o revestidos de borracha, para quando um deficiente visual bater n\u00e3o se machucar.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Para a sua p\u00f3s-carreira, C\u00e1ssio j\u00e1 come\u00e7ou a desenvolver um projeto no qual pretende lutar pela melhor estrutura dispon\u00edvel para os deficientes visuais. O fixo da sele\u00e7\u00e3o prepara a sua candidatura para a C\u00e2mara de Vereadores de Ituber\u00e1, onde tentar\u00e1 dividir a vida p\u00fablica com a sua de atleta.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto batalham tamb\u00e9m por uma melhora no investimento do esporte paral\u00edmpico, os jogadores e a comiss\u00e3o da sele\u00e7\u00e3o sabem que entrar\u00e3o em 2021 como favoritos e com a torcida j\u00e1 esperando a quinta medalha de ouro. Ainda assim, F\u00e1bio est\u00e1 confort\u00e1vel sabendo que a sele\u00e7\u00e3o est\u00e1 movida pelo lema: \u201cfutebol \u00e9 jogado dentro de campo\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA Sele\u00e7\u00e3o Brasileira, em decorr\u00eancia de tantos t\u00edtulos que tem conquistado, sempre entra nas competi\u00e7\u00f5es sendo bastante pressionada, mas a gente sabe lidar bem com isso\u201d, revela Ricardinho. \u201cMuitas pessoas d\u00e3o a medalha de ouro como certa, mas sabemos que n\u00e3o \u00e9 assim. O lado emocional da equipe vai estar bem tranquilo, porque sempre lidamos bem com isso.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cTrabalhamos muito, nos dedicamos bastante e todos sabem o real papel que precisam desempenhar dentro dos Jogos\u201d, garante C\u00e1ssio. \u00c9 claro que tem a tens\u00e3o, a ansiedade, mas a gente t\u00e1 bem preparado para lidar com isso.\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A pandemia da Covid-19 paralisou as competi\u00e7\u00f5es e fez cada jogador continuar os treinamentos dentro de casa, tendo o acompanhamento da comiss\u00e3o t\u00e9cnica. Mas, enquanto se mant\u00eam isolados e na prepara\u00e7\u00e3o para os Jogos de T\u00f3quio, cada atleta aproveita para revisitar as medalhas que conquistou e garante: \u201cNenhuma outra sele\u00e7\u00e3o teve o prazer de colocar uma medalha de ouro paraol\u00edmpica no peito.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>Por Andr\u00e9 Martins, Bruno Nossig e Henrique Votto<\/strong><br>amgoncalves@usp.br \/ brunonossig@gmail.com \/ henrique.votto@usp.br<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"MAIS DE 300 MEDALHAS CONQUISTADAS, SENDO 124 DE OURO: este foi o desempenho do Brasil no Parapan-Americano de 2019, disputado em Lima, no \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/?p=85\"> <\/a>","protected":false},"author":29,"featured_media":86,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-85","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-revista-babel-junho-2020"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v19.10 - 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