{"id":831,"date":"2022-12-22T13:17:57","date_gmt":"2022-12-22T16:17:57","guid":{"rendered":"http:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/?p=831"},"modified":"2022-12-22T13:17:57","modified_gmt":"2022-12-22T16:17:57","slug":"em-busca-de-uma-identidade-a-naturalizacao-e-miscigenacao-de-jogadores-ao-longo-das-copas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/?p=831","title":{"rendered":"Em busca de uma identidade: A naturaliza\u00e7\u00e3o e miscigena\u00e7\u00e3o de jogadores ao longo das Copas"},"content":{"rendered":"<p>Por <em>Anderson Lima e Caio C\u00e9sar Pereira<\/em><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O que faz uma pessoa ser considerada cidad\u00e3 de um pa\u00eds? Seriam os aspectos considerados heredit\u00e1rios, como a quest\u00e3o sangu\u00ednea, conhecidos como <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Jus Sanguinis,<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> e adotadas por pa\u00edses do velho continente, como It\u00e1lia, Espanha e Fran\u00e7a? Ou seria o direito simplesmente pela nascen\u00e7a em determinado territ\u00f3rio, ou <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Jus Solis, <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">mais comum em pa\u00edses que foram col\u00f4nias, como Brasil, EUA, entre outros?<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Tais quest\u00f5es fazem parte de um dilema presente em diversos pa\u00edses ao redor do mundo, e que tem se tornado cada vez mais comum gra\u00e7as ao cada vez mais constante processo de naturaliza\u00e7\u00e3o nos esportes, principalmente, no futebol.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A Copa do Mundo 2022, sediada no Catar, conta com 137 jogadores naturalizados, o que representa 16,46% do total de jogadores em campo na competi\u00e7\u00e3o. A pr\u00f3pria anfitri\u00e3 utilizou da naturaliza\u00e7\u00e3o como tentativa de desenvolver o futebol no pa\u00eds.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Quando comparada \u00e0 taxa vista na Copa de 2018, disputada na R\u00fassia, h\u00e1 um aumento de 5% no n\u00famero de naturalizados. Essa porcentagem \u00e9 a maior j\u00e1 vista em todas as edi\u00e7\u00f5es da Copa do Mundo, ultrapassando os 13,8% contabilizados em 1990, na It\u00e1lia.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Para efeitos de compara\u00e7\u00e3o, o menor n\u00famero registrado de naturaliza\u00e7\u00f5es em uma Copa do Mundo foi em 1978, na Argentina, com 2,3%. Apesar do n\u00famero pequeno, foi nessa Copa, por exemplo, que o goleiro argentino Quiroga, naturalizado peruano, levou seis gols da sele\u00e7\u00e3o anfitri\u00e3, o que fez o jogador receber acusa\u00e7\u00f5es de propina. O resultado levou a Argentina para a final, e, consequentemente, ao seu primeiro t\u00edtulo. Naquele momento, o pa\u00eds enfrentava a repress\u00e3o da ditadura militar de Jorge Rafael Videla.\u00a0<\/span><\/p>\n<h3><b>Os atletas de dois pa\u00edses<\/b><\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Nos prim\u00f3rdios da Copa, na d\u00e9cada de 1930, a It\u00e1lia foi o principal foco da naturaliza\u00e7\u00e3o de jogadores. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cEm termos de Copa do Mundo, a primeira sele\u00e7\u00e3o que fez isso em massa foi Mussolini, com a It\u00e1lia. Ele tinha aquela ideia de voltar aos tempos de gl\u00f3ria do Imp\u00e9rio Romano e o pa\u00eds, campe\u00e3o em 34 e 38, resgatou muita gente, principalmente, da Am\u00e9rica do Sul\u201d<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, comenta o jornalista e pesquisador, Celso Unzelte, em entrevista \u00e0 Revista Babel.\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Luis Monti \u00e9 um desses jogadores americanos que representaram a It\u00e1lia na Copa em 34 e 38. Ap\u00f3s jogar pela Argentina em 30, o atleta decidiu disputar os pr\u00f3ximos campeonatos pelo pa\u00eds onde seus pais nasceram, o que fez Monti ser a \u00fanica pessoa na hist\u00f3ria a jogar finais de Copa do Mundo por diferentes sele\u00e7\u00f5es. A sele\u00e7\u00e3o italiana de 34 tamb\u00e9m conta com o primeiro jogador brasileiro campe\u00e3o do mundo, Anfilogino Guarisi, conhecido no Brasil como Fil\u00f3, e na It\u00e1lia, como Guarisi.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Naquele momento hist\u00f3rico, as sele\u00e7\u00f5es europeias n\u00e3o foram beneficiadas apenas com a naturaliza\u00e7\u00e3o de jogadores sulamericanos, mas tamb\u00e9m por meio da chegada de atletas nascidos em suas col\u00f4nias africanas. Um exemplo \u00e9 o jogador marroquino Larbi Ben Barek, que jogou pela sele\u00e7\u00e3o francesa em 1938.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Victor Figols, editor e colunista do <\/span><a href=\"https:\/\/ludopedio.org.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-weight: 400;\">Ludop\u00e9dio<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, \u00e9 Doutor em Hist\u00f3ria pela Universidade Federal do Paran\u00e1 (UFPR), e explica \u00e0 Revista Babel que <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cexiste um fluxo migrat\u00f3rio que n\u00e3o est\u00e1 diretamente ligado ao futebol, mas que \u00e9 percept\u00edvel no esporte\u201d<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">. Para ele, a naturaliza\u00e7\u00e3o \u00e9 uma via de m\u00e3o dupla: <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cas tens\u00f5es geopol\u00edticas encontram lugar no futebol, e o futebol revela as tens\u00f5es geopol\u00edticas\u201d<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ap\u00f3s os anos da Segunda Guerra Mundial, ainda existia tend\u00eancia de jogadores atuarem por mais de uma sele\u00e7\u00e3o e atletas brasileiros como Mazzola e Altafani disputaram o torneio de 62 pela It\u00e1lia, depois de ganharem a Copa de 1958 pelo Brasil.<\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_832\" aria-describedby=\"caption-attachment-832\" style=\"width: 436px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-832\" src=\"http:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/unnamed-2-300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"436\" height=\"291\" srcset=\"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/unnamed-2-300x200.jpg 300w, https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/unnamed-2.jpg 620w\" sizes=\"auto, (max-width: 436px) 100vw, 436px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-832\" class=\"wp-caption-text\">Ferenc Puskas, o h\u00fangaro que vestiu a camisa da sele\u00e7\u00e3o espanhola<\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Acompanhando os brasileiros, em 62, tamb\u00e9m houve a participa\u00e7\u00e3o do argentino Di St\u00e9fano e do h\u00fangaro Puskas no time da Espanha. O \u00faltimo foi vice-campe\u00e3o em 54 pela sele\u00e7\u00e3o da Hungria, mas devido \u00e0 Revolu\u00e7\u00e3o H\u00fangara ocorrida em 1956, o atleta optou por n\u00e3o retornar ao seu pa\u00eds de origem, sendo naturalizado espanhol em 1961.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A FIFA decidiu, a partir da Copa de 1966, na Inglaterra, que nenhum jogador que j\u00e1 tivesse atuado por uma sele\u00e7\u00e3o em partidas oficiais poderia entrar em campo por outro pa\u00eds. Essa regra s\u00f3 foi quebrada novamente na d\u00e9cada de 90, devido \u00e0 dissolu\u00e7\u00e3o da Iugosl\u00e1via. Os atletas Robert Jarni e Robert Prosinecki disputaram a Copa de 90 pela sele\u00e7\u00e3o iugoslava e retornaram aos campos do torneio oito anos depois, ao defenderem as cores da Cro\u00e1cia, pa\u00eds declarado independente em 1991.\u00a0\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">De acordo com regimento atualizado em 2020, se um atleta participar de tr\u00eas jogos por uma sele\u00e7\u00e3o antes dos 21 anos, ele n\u00e3o pode mais defender outra na\u00e7\u00e3o. Amistosos, em qualquer idade, tamb\u00e9m est\u00e3o inseridos na regra.\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><b>A busca por uma melhor estrutura esportiva<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Os motivos para um jogador procurar uma naturaliza\u00e7\u00e3o pode variar de acordo com o momento hist\u00f3rico e o contexto pessoal do atleta, mas Unzelte comenta que uma causa poss\u00edvel \u00e9 o subdesenvolvimento do futebol em pa\u00edses sem estrutura.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Para ilustrar essa quest\u00e3o, ele cita os jogadores Just Fontaine e Eus\u00e9bio. O primeiro foi o maior artilheiro de uma \u00fanica edi\u00e7\u00e3o de Copa do Mundo, marcando 13 gols em 58. Fontaine era marroquino, nascido em Marrakech, mas se tornou um \u00eddolo na Fran\u00e7a, pa\u00eds que colonizou sua terra natal. Eus\u00e9bio, um dos maiores jogadores da hist\u00f3ria de Portugal, era de Mo\u00e7ambique, outro pa\u00eds colonizado.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Para Unzelte, ao visualizar uma maior possibilidade de \u00eaxito em um pa\u00eds metr\u00f3pole, o atleta fica tentado em optar pelo pa\u00eds mais poderoso, muitas vezes, a terra que colonizou a na\u00e7\u00e3o onde nasceu.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cTivemos uma acelera\u00e7\u00e3o tardia no desenvolvimento do futebol em clubes africanos. Hoje, h\u00e1 essa quest\u00e3o envolvendo sele\u00e7\u00f5es nacionais e clubes de futebol. As na\u00e7\u00f5es da \u00c1frica t\u00eam protagonistas em grandes ligas do mundo, uma certa tradi\u00e7\u00e3o. O que n\u00e3o tem s\u00e3o sele\u00e7\u00f5es africanas aproveitando o m\u00e1ximo desse potencial<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">\u201d, explica.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Com a constante migra\u00e7\u00e3o para o continente europeu, ocorre o fortalecimento das ligas europeias, e com a acelera\u00e7\u00e3o vista nos anos 90, at\u00e9 o presidente da FIFA daquela \u00e9poca, Joseph Blatter, se mostrou preocupado com a situa\u00e7\u00e3o. Em dezembro de 2003, por exemplo, Blatter afirmou que os clubes da Europa estavam praticando a\u00e7\u00f5es \u201cpouco saud\u00e1veis, se n\u00e3o mesmo desprez\u00edveis\u201d, ao incentivarem o \u00eaxodo de jogadores africanos.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">No entanto, na Copa de 2022, uma na\u00e7\u00e3o p\u00f4de demonstrar um novo caminho no processo de naturaliza\u00e7\u00e3o de jogadores. Marrocos, a primeira sele\u00e7\u00e3o africana a chegar \u00e0s semifinais do torneio, tem 14 jogadores naturalizados, entre eles Achraf Hakimi (Espanha), Hakim Ziyech (Holanda), Sofiane Boufal (Fran\u00e7a) e Yassine Bounou (Canad\u00e1), sendo o time l\u00edder nesse quesito.\u00a0<\/span><\/p>\n<h3><b>Na contram\u00e3o da hist\u00f3ria: o retorno \u00e0 Marrocos, os Le\u00f5es do Atlas<\/b><\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O territ\u00f3rio marroquino, ao longo de sua hist\u00f3ria, teve influ\u00eancia de Espanha, Portugal e Fran\u00e7a, curiosamente, os advers\u00e1rios enfrentados pela sele\u00e7\u00e3o de Marrocos nas fases finais da Copa de 2022. Al\u00e9m disso, devido a contextos fronteiri\u00e7os, h\u00e1 uma movimenta\u00e7\u00e3o de marroquinos tentando <\/span><a href=\"https:\/\/noticias.uol.com.br\/internacional\/ultimas-noticias\/2021\/05\/21\/entenda-pessoas-nadando-marrocos-espanha.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-weight: 400;\">entrar de forma ilegal na Europa<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\"> pelo Mar Mediterr\u00e2neo.\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cAcho que Marrocos est\u00e1 na contram\u00e3o da hist\u00f3ria, porque eles s\u00e3o um time de naturalizados nascidos em outros pa\u00edses pelos quais eles poderiam ter feito a op\u00e7\u00e3o [de jogar]. Quem sabe Marrocos n\u00e3o seja um exemplo para outros jogadores e outros pa\u00edses que foram colonizados fazerem a op\u00e7\u00e3o pelo seu pa\u00eds de origem, pelo pa\u00eds de origem de seus pais\u201d,<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> declara Unzelte.<\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_839\" aria-describedby=\"caption-attachment-839\" style=\"width: 564px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-839\" src=\"http:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/Marrocos-1-300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"564\" height=\"376\" srcset=\"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/Marrocos-1-300x200.jpg 300w, https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/Marrocos-1-768x512.jpg 768w, https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/Marrocos-1.jpg 846w\" sizes=\"auto, (max-width: 564px) 100vw, 564px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-839\" class=\"wp-caption-text\">Marrocos, a sele\u00e7\u00e3o mais \u201cnaturalizada\u201d da Copa do Mundo 2022 [Foto: Karim Jaafar\/ AFP]<\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Estamos presenciando um movimento contra-hegem\u00f4nico? Nas palavras de Vin\u00edcius Vieira, professor de Rela\u00e7\u00f5es Internacionais da FAAP e da FGV, o mundo pode estar vendo um indicativo de que geopoliticamente \u00e9 poss\u00edvel pensar em contra-hegemonia: o recrutamento de jogadores que n\u00e3o nasceram no pa\u00eds, mas que possuem a nacionalidade em seu sangue, de acordo com a l\u00f3gica da ancestralidade.\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Outra explica\u00e7\u00e3o poss\u00edvel para o retorno desses jogadores aos Le\u00f5es do Atlas, \u00e9 a falta de oportunidades nas sele\u00e7\u00f5es europeias. Visto como a \u00fanica forma de disputar um torneio como a Copa do Mundo, o retorno \u00e0s ra\u00edzes \u00e9 um jeito de se manter em destaque.<\/span><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400;\">\u201c\u00c9 tirar esse foco da quest\u00e3o pessoal e partir para uma quest\u00e3o de motiva\u00e7\u00e3o. \u00c9 o sentimento de uma possibilidade de sucesso ao atuar pelo seu pa\u00eds\u201d,<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> comenta Unzelte, afirmando que Marrocos abre uma perspectiva diferente para o futuro.\u00a0<\/span><\/p>\n<h3><b>Brasil: o exportador de craques naturalizados<\/b><\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">No caso do Brasil, na\u00e7\u00f5es como It\u00e1lia, Portugal e China s\u00e3o alguns dos locais que mais importam jogadores para defender suas sele\u00e7\u00f5es. Jorginho (It\u00e1lia), Diego Costa (Espanha), Pepe (Portugal) e Elkeson (China) s\u00e3o exemplos de atletas renomados que atuam por outros pa\u00edses nos dias atuais.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cO Brasil segue sendo um dos maiores formadores de atletas de alto n\u00edvel. Isso explica, em parte, o fato de n\u00e3o precisarmos naturalizar jogadores. O futebol brasileiro tamb\u00e9m \u00e9 uma refer\u00eancia na exporta\u00e7\u00e3o. N\u00e3o por acaso, as principais sele\u00e7\u00f5es da Europa j\u00e1 contaram com jogadores brasileiros\u201d<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, detalha Figols.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Para Unzelte, n\u00e3o s\u00f3 o Brasil faz isso, mas toda a Am\u00e9rica Latina. \u201c<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">O trio MSN (Messi-Su\u00e1rez-Neymar), que fez sucesso recentemente no Barcelona, era formado por um brasileiro, um uruguaio e um argentino. N\u00e3o somos menos do que ningu\u00e9m, mas simplesmente n\u00e3o temos o dinheiro<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">\u201d, declara.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Esse fen\u00f4meno de exportar jogadores do Brasil, se deve, muitas vezes, por op\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio atleta, visto que a quantidade de jogadores gera uma competi\u00e7\u00e3o sobre quem vai vestir a camisa da sele\u00e7\u00e3o. Parte desse sucesso na produ\u00e7\u00e3o de jogadores, deve-se ao fato do Brasil ser um pa\u00eds multicultural. Ao olharmos para a composi\u00e7\u00e3o da sele\u00e7\u00e3o brasileira campe\u00e3 de 1958, vemos uma grande diversidade, em jogadores como Pel\u00e9, Didi, Garrincha, Zagallo, Bellini, e etc.<\/span><\/p>\n<p><figure id=\"attachment_841\" aria-describedby=\"caption-attachment-841\" style=\"width: 564px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-841 size-full\" src=\"http:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/524fe44f00aeeed513ebbc824f3f127f.jpg\" alt=\"\" width=\"564\" height=\"404\" srcset=\"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/524fe44f00aeeed513ebbc824f3f127f.jpg 564w, https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/524fe44f00aeeed513ebbc824f3f127f-300x215.jpg 300w, https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/524fe44f00aeeed513ebbc824f3f127f-120x85.jpg 120w\" sizes=\"auto, (max-width: 564px) 100vw, 564px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-841\" class=\"wp-caption-text\">Sele\u00e7\u00e3o brasileira de 1958 [Foto: Imortais do Futebol]<\/figcaption><\/figure><span style=\"font-weight: 400;\">Apesar disso, \u00e9 importante ter cuidado ao associar o sucesso desportivo pela miscigena\u00e7\u00e3o a fatores biol\u00f3gicos.<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\"> \u201cO futebol arte que n\u00f3s levamos ao mundo inteiro est\u00e1 associado n\u00e3o \u00e0 condi\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica, por que n\u00e3o h\u00e1 fundamento cient\u00edfico, mas sem d\u00favida \u00e0 combina\u00e7\u00e3o da diversidade&#8221;, <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">refor\u00e7a Vieira. <\/span><\/p>\n<h3><b>O caso da sele\u00e7\u00e3o francesa: O sucesso dos \u201cazuis\u201d para al\u00e9m do branco e vermelho<\/b><\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Em mais uma disputa de final de copa, a sele\u00e7\u00e3o Francesa pode ser considerada um caso de sucesso. Tal cen\u00e1rio, por\u00e9m, n\u00e3o reflete toda a sua hist\u00f3ria. At\u00e9 a conquista de sua primeira Copa do Mundo, em 1998, com Zinedine Zidane (de ascend\u00eancia argelina), e Thierry Henry (de ascend\u00eancia martinicana e guadalupense), a sele\u00e7\u00e3o francesa nunca havia sequer chegado a uma final. Para Unzelte, a miscigena\u00e7\u00e3o se mostrou como algo determinante para seu sucesso.<\/span><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cVoc\u00ea v\u00ea a pr\u00f3pria ascens\u00e3o da Fran\u00e7a, que est\u00e1 \u00e0s portas de um bicampeonato mundial seguido, de um tri campeonato mundial considerando o acumulado com 98. Essa Fran\u00e7a passou a ser algu\u00e9m no cen\u00e1rio futebol\u00edstico que ela n\u00e3o era nos \u00faltimos 25 anos, principalmente por conta da miscigena\u00e7\u00e3o.\u201d<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ele ainda complementa, explicando que se n\u00e3o fosse a presen\u00e7a do elemento principalmente africano na sele\u00e7\u00e3o francesa, talvez a Fran\u00e7a n\u00e3o tivesse tido o sucesso que obteve nos \u00faltimos tempos. Mesmo durante a d\u00e9cada de 80, comandada por Michel Platini (cuja ascend\u00eancia \u00e9 italiana), a sele\u00e7\u00e3o francesa ainda era uma coadjuvante no cen\u00e1rio do futebol mundial.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cMuito se fala hoje da Fran\u00e7a,\u00a0 o poder de ter um time multi\u00e9tnico. Tem desde franceses brancos, como Giroud e Griezmann. Descendentes de espanh\u00f3is, como os irm\u00e3os\u00a0 Hernandez, at\u00e9 o Mbapp\u00e9, de ascend\u00eancia camaronesa. Eles est\u00e3o repetindo o que o Brasil fez l\u00e1 no passado\u201d, <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">acrescenta Vieira.<\/span><\/p>\n<p><figure id=\"attachment_845\" aria-describedby=\"caption-attachment-845\" style=\"width: 564px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-845\" src=\"http:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/Franca-1-300x212.jpg\" alt=\"\" width=\"564\" height=\"399\" srcset=\"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/Franca-1-300x212.jpg 300w, https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/Franca-1-1086x768.jpg 1086w, https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/Franca-1-768x543.jpg 768w, https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/Franca-1-120x85.jpg 120w, https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/Franca-1.jpg 1500w\" sizes=\"auto, (max-width: 564px) 100vw, 564px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-845\" class=\"wp-caption-text\">A sele\u00e7\u00e3o francesa campe\u00e3 do mundo em 2018. [Foto: FIFA]<\/figcaption><\/figure><span style=\"font-weight: 400;\">\u00c9 importante destacar, entretanto, as diferen\u00e7as entre o caso marroquino e o franc\u00eas. Enquanto a sele\u00e7\u00e3o de Marrocos naturalizou jogadores, que apesar de possu\u00edrem ancestralidade marroquina, s\u00e3o nascidos em outros pa\u00edses, o caso da sele\u00e7\u00e3o francesa, ou at\u00e9 mesmo a inglesa, \u00e9 justamente o contr\u00e1rio.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Dos 26 jogadores franceses convocados para a Copa do Mundo de 2022, por exemplo, somente 2 s\u00e3o naturalizados. Todos os outros s\u00e3o nascidos em territ\u00f3rio franc\u00eas, sendo frutos de uma segunda ou terceira gera\u00e7\u00e3o de imigrantes.<\/span><\/p>\n<h3><b>O gol n\u00e3o est\u00e1 impedido, mas ser\u00e1 que a jogada \u00e9 legal?<\/b><\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00c0 primeira vista, a forma\u00e7\u00e3o de sele\u00e7\u00f5es multi\u00e9tnicas pode aparentar algo extremamente positivo. A presen\u00e7a de jogadores com origens \u00e9tnicas e culturais diferentes pode parecer refletir uma sociedade tolerante e inclusiva, em uma clara falsa interpreta\u00e7\u00e3o da realidade.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cO maior ponto negativo que as naturaliza\u00e7\u00f5es podem trazer \u00e9 o racismo e a xenofobia. Na Fran\u00e7a, Zidane e Benzema j\u00e1 foram perseguidos por serem de origem argelina. A extrema-direita francesa j\u00e1 atacou a sele\u00e7\u00e3o por \u2018contar com muitos negros\u2019 no elenco\u201c<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, aponta<\/span> <span style=\"font-weight: 400;\">Figols.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Apesar da FIFA ter estabelecido regras e mecanismos para que as federa\u00e7\u00f5es n\u00e3o utilizem da naturaliza\u00e7\u00e3o para forjar suas sele\u00e7\u00f5es, esse processo, muitas vezes, ocorre por raz\u00f5es estritamente financeiras. Durante o ciclo de 4 anos entre a Copa de 2018, na R\u00fassia, e a de 2022, no Qatar, a FIFA faturou aproximadamente US$7,5 bilh\u00f5es (algo em torno de R$ 40,5 bilh\u00f5es), com cada federa\u00e7\u00e3o recebendo pelo menos US$10 milh\u00f5es somente pela participa\u00e7\u00e3o no torneio.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Para\u00a0 Unzelte, os jogadores de pa\u00edses da \u00c1frica ou Am\u00e9rica do Sul, muitas vezes s\u00e3o vistos e tratados como mercadoria, sendo o grande motivador dos pa\u00edses aceitarem jogadores naturalizados.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cA gente sabe que o futebol \u00e9 cada vez mais neg\u00f3cio, o grande neg\u00f3cio de lazer do S\u00e9culo 21. Ent\u00e3o os jogadores de uma certa maneira s\u00e3o vistos como mat\u00e9ria-prima. Infelizmente, o que acontece em rela\u00e7\u00e3o aos pa\u00edses da \u00c1frica e da Am\u00e9rica do Sul, \u00e9 uma exporta\u00e7\u00e3o de \u2018p\u00e9 de obra&#8221;, <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">aponta.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Apesar disso, Vieira pondera que, apesar de n\u00e3o acabar com o racismo e a xenofobia, uma sele\u00e7\u00e3o multi\u00e9tnica pode, a longo prazo, trazer um efeito mais inclusivo, n\u00e3o somente no \u00e2mbito desportivo, mas na sociedade como um todo.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cPor mais que a Fran\u00e7a ainda tenha muito racismo, tenha muitas posturas xenof\u00f3bicas, n\u00e3o tenho d\u00favidas que hoje \u00e9 muito mais ponto pac\u00edfico na sociedade francesa ter todos esses descendentes de \u00e1rabes e africanos subsaarianos no time e serem vistos como franceses de fato, do que era l\u00e1 em 98\u201d<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, explica.<\/span><\/p>\n<p><figure id=\"attachment_850\" aria-describedby=\"caption-attachment-850\" style=\"width: 564px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-850\" src=\"http:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/210716132338-04-england-euro-penalty-300x169.jpg\" alt=\"\" width=\"564\" height=\"317\" srcset=\"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/210716132338-04-england-euro-penalty-300x169.jpg 300w, https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/210716132338-04-england-euro-penalty-768x432.jpg 768w, https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/210716132338-04-england-euro-penalty.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 564px) 100vw, 564px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-850\" class=\"wp-caption-text\">Jogadores da sele\u00e7\u00e3o inglesa durante a disputa de p\u00eanaltis na final da Euro de 2020 [Foto: Laurence Griffiths\/ Getty Images]<\/figcaption><\/figure><span style=\"font-weight: 400;\">Outro exemplo recente, foi o caso da Inglaterra durante a Eurocopa de 2020, quando, durante a disputa de penaltis contra a sele\u00e7\u00e3o italiana, dois jogadores negros da sele\u00e7\u00e3o brit\u00e2nica perderam suas penalidades.<\/span><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cObviamente que \u00e9 uma sociedade bem racista e xen\u00f3foba, e esse exemplo est\u00e1 a\u00ed para mostrar isso. [Mas] gostemos ou n\u00e3o, por mais que eles sejam bastante xen\u00f3fobos, eles talvez j\u00e1 estejam superando a quest\u00e3o da apar\u00eancia, vide o primeiro-ministro descendente de indianos, Rishi Sunak\u201d, <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">exemplifica Vieira.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Por fim, Vieira ressalta que, mesmo aqui no Brasil, ainda\u00a0 sendo uma sociedade bastante racista, n\u00e3o fosse o Pel\u00e9, em 58, talvez, a situa\u00e7\u00e3o de minorias \u00e9tnicas e raciais no Brasil, seria muito pior, pelo menos do ponto de vista discursivo da inclus\u00e3o e da identidade nacional.\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cIsso \u00e9 uma mensagem positiva que voc\u00ea passa para o mundo ainda que grande parte das pessoas do mundo n\u00e3o tenham ideia do quanto isso tem a ver com dinheiro\u201d, <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">conclui Unzelte.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Por Anderson Lima e Caio C\u00e9sar Pereira O que faz uma pessoa ser considerada cidad\u00e3 de um pa\u00eds? 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