{"id":79,"date":"2020-06-21T12:41:43","date_gmt":"2020-06-21T15:41:43","guid":{"rendered":"http:\/\/paineira.usp.br\/cje\/babel\/?p=79"},"modified":"2020-09-30T10:43:56","modified_gmt":"2020-09-30T13:43:56","slug":"o-ballet-parece-nao-doer","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/?p=79","title":{"rendered":"O ballet parece n\u00e3o doer"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-medium-font-size\">As hist\u00f3rias por tr\u00e1s das belas sapatilhas acetinadas, dos figurinos delicadamente produzidos, das coreografias cuidadosamente criadas e dos aplausos<\/p>\n\n\n\n<p>Desde quando surgiu na It\u00e1lia durante o per\u00edodo Renascentista, o ballet cl\u00e1ssico tira suspiros de plateias lotadas pelos quatro cantos do mundo. Inicialmente era uma arte feita da nobreza para a nobreza, ou seja, poucas pessoas tinham acesso tanto do lado do p\u00fablico quanto de quem dan\u00e7ava.<\/p>\n\n\n\n<p>Os tempos mudaram, surgiram novos m\u00e9todos de ensino, dentre eles o m\u00e9todo Vaganova \u2013 ou russo \u2013 que foi o respons\u00e1vel por conferir ao ballet movimentos leves e fluidos.<\/p>\n\n\n\n<p>Com a chegada de George Balanchine, idealizador do m\u00e9todo americano, o ballet conheceu outras face da dan\u00e7a: menos r\u00edgida e menos regrada, com linhas mais soltas e menos cl\u00e1ssicas. Desse momento em diante, a dan\u00e7a passou a se renovar constantemente, sendo muito mais do que apenas movimento corporal e desenhos bonitos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u201cA t\u00e9cnica \u00e9 tudo, mas voc\u00ea precisa sentir as coisas\u201d<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A busca pela perfei\u00e7\u00e3o \u00e9 recorrente na dan\u00e7a. As horas de treino, ensaios, exerc\u00edcios na barra e no centro, alongamento, corre\u00e7\u00f5es s\u00e3o ferramentas essenciais para dan\u00e7ar de forma graciosa e leve. Mas, nem tudo \u00e9 t\u00e9cnica, como diz Katiah Rocha, dona da frase que inicia a leitura desse cap\u00edtulo. Ela \u00e9 professora de ballet cl\u00e1ssico h\u00e1 quase 40 anos na Escola de Dan\u00e7a de S\u00e3o Paulo (Edasp) \u2013 filiada ao Theatro Municipal de S\u00e3o Paulo \u2013 e, apesar de exigir muito de suas alunos e alunos, diz que na dan\u00e7a \u00e9 preciso sentir.<\/p>\n\n\n\n<p>Diversas produ\u00e7\u00f5es j\u00e1 foram feitas abordando o ballet por diferentes perspectivas e criando as mais diversas narrativas. \u00c9 seguro dizer que um dos temas mais comuns entre todas as hist\u00f3rias desenvolvidas \u00e9 a persist\u00eancia necess\u00e1ria para dan\u00e7ar profissionalmente em grandes companhias.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma dessas produ\u00e7\u00f5es cinematogr\u00e1ficas que teve grande reconhecimento \u00e9 <em>Cisne Negro<\/em> (2010). A personagem principal Nina \u2013 interpretada por Natalie Portman que venceu o Oscar de Melhor Atriz pelo papel \u2013 \u00e9 uma jovem bailarina que foi escolhida para interpretar o papel principal em <em>O Lago dos Cisnes<\/em>. Nesse ballet de repert\u00f3rio, a mesma bailarina interpreta tanto o Cisne Branco quanto o Cisne Negro.<\/p>\n\n\n\n<p>Nina era a escolha perfeita para interpretar a inoc\u00eancia e leveza de Odette, mas enfrentava dificuldades para passar a sensualidade e confian\u00e7a de Odile, que era a personagem perfeita para sua concorrente Lily. Ao longo da trama, a bailarina desenvolve grande obsess\u00e3o pelo papel e uma rela\u00e7\u00e3o t\u00f3xica com a dan\u00e7a, at\u00e9 que tem um desfecho inesperado.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora a narrativa de <em>Cisne Negro<\/em> retrate um caso extremo, n\u00e3o \u00e9 incomum que bailarinas desenvolvam rela\u00e7\u00f5es n\u00e3o saud\u00e1veis consigo mesmas e com a dan\u00e7a, seja por press\u00f5es e cobran\u00e7as pessoais ou por parte de terceiros. Enquanto algumas desistem de seguir carreira profissional, outras conseguem se apoiar na paix\u00e3o pela dan\u00e7a e seguir trabalhando com o que amam.<\/p>\n\n\n\n<p>Nath\u00e1lia Massa \u00e9 uma das inspira\u00e7\u00f5es para esse texto. Ela come\u00e7ou a dan\u00e7ar aos oito anos em Cordeir\u00f3polis, sua cidade natal, mas tem uma hist\u00f3ria cheia de reviravoltas. At\u00e9 os 15 anos, dan\u00e7ou em um gin\u00e1sio de sua cidade e participava tamb\u00e9m de apresenta\u00e7\u00f5es de algumas bandas. Nesse momento, sofreu um acidente: foi atropelada e o carro passou em cima de seu p\u00e9.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Foi esse acontecimento que fez com que ela se distanciasse e se fechasse para a dan\u00e7a. Resolveu se profissionalizar em outras \u00e1reas e trabalhar em grandes empresas. Ficou longe do ballet \u2013 e da dan\u00e7a como um todo \u2013 por cerca de sete anos, at\u00e9 que voltou a fazer aulas, aos 21 anos, a convite de uma professora.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cParece que eu acordei e pensei que queria voltar a dan\u00e7ar profissionalmente\u201d. Durante o ano de 2014 inteiro se organizou e se preparou fisica e financeiramente e decidiu pedir as contas da empresa em que trabalhava e se mudar para S\u00e3o Paulo. Desde ent\u00e3o, tem se dedicado inteiramente \u00e0 sua arte.<\/p>\n\n\n\n<p>A partir desse momento Nath\u00e1lia come\u00e7ou a enfrentar maiores desafios na dan\u00e7a. Al\u00e9m da quest\u00e3o da idade, teve que recome\u00e7ar os aprendizados praticamente do zero. E, embora tenha se preparado durante um ano antes de se mudar, as aulas eram em um ritmo diferente daquele que encontrou quando chegou em S\u00e3o Paulo. \u201cEu pensei \u2018gente, eu n\u00e3o sei dan\u00e7ar ballet\u2019. Foi um mundo assustador. S\u00f3 que eu tenho a persist\u00eancia, for\u00e7a de vontade. Eu pensava \u2018\u00e9 isso que eu quero, \u00e9 isso que eu vou fazer e eu vou conseguir\u2019\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Nath\u00e1lia diz que a dan\u00e7a \u00e9 algo muito pessoal. Embora existam professores e diretores que auxiliem no processo de desenvolvimento, a persist\u00eancia e a for\u00e7a de vontade s\u00e3o interiores e s\u00f3 a pr\u00f3pria bailarina pode lidar com isso.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2017, ano de sua formatura no curso t\u00e9cnico, foi especialmente dif\u00edcil. \u201cEu estava muito confusa, eu n\u00e3o sabia o que eu ia fazer. Eu estava desanimada, porque parecia que eu ensaiava tanto e nada ia e parecia que eu estava come\u00e7ando a regredir tecnicamente. Mas isso porque eu n\u00e3o estava bem psicologicamente\u201d. Nesse per\u00edodo, quebrou um dos p\u00e9s fazendo uma sequ\u00eancia de giros e ficou quatro meses fora. Foi um momento de muitas d\u00favidas sobre seguir na dan\u00e7a e cogitou voltar para o interior e escolher outro caminho.<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo assim, participou dos \u00faltimos ensaios para a apresenta\u00e7\u00e3o final da formatura com as sapatilhas de ponta e foi uma das melhores apresenta\u00e7\u00f5es de sua vida. \u201cEu amo tanto a dan\u00e7a, ela \u00e9 t\u00e3o importante para a minha vida. Por que eu vou abandon\u00e1-la? Vou insistir mais um pouco.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Voltando de f\u00e9rias do interior, participou de alguns cursos de ver\u00e3o e fez uma audi\u00e7\u00e3o para uma companhia de ballet neocl\u00e1ssico, onde dan\u00e7ou por dois anos. Foi l\u00e1 que iniciou o processo de cura do que viveu na companhia anterior. Depois de algum tempo ensaiando e dan\u00e7ando com um grupo sem competi\u00e7\u00e3o e com um diretor que apoiava o processo criativo dos bailarinos, Nath\u00e1lia voltou a ter paix\u00e3o pela dan\u00e7a. Ela diz que \u201ca autocobran\u00e7a \u00e9 importante, mas se voc\u00ea n\u00e3o cuidar, ela te destr\u00f3i.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo diante de todos esses desafios, que envolveram desde les\u00f5es f\u00edsicas at\u00e9 mudan\u00e7a de carreira, Nath\u00e1lia nunca deixou sua paix\u00e3o pela dan\u00e7a de lado. Segundo o bailarino brasileiro Jair Moraes, \u2013 em v\u00eddeo da s\u00e9rie <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=iH15MIQ4-8g&amp;t=958s\"><span class=\"has-inline-color has-vivid-cyan-blue-color\">Figuras da Dan\u00e7a<\/span><\/a>, publicado no canal do YouTube da S\u00e3o Paulo Companhia de Dan\u00e7a \u2013 \u201ca dan\u00e7a n\u00e3o pode ser sofrimento, ela tem que ser vida. Ela \u00e9 os teus sonhos, ela tem que ser alegria, voc\u00ea tem que estar feliz com o que est\u00e1 fazendo\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ballet como gatilho para transtornos&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 comum associar o ballet a corpos magros e longil\u00edneos, com linhas delicadas e harmoniosas. Para o p\u00fablico que n\u00e3o faz parte ativamente do mundo da dan\u00e7a, essas condi\u00e7\u00f5es parecem vir sem esfor\u00e7o, mas s\u00e3o horas de treinos intensos. Por diversas vezes o ballet \u00e9 diretamente relacionado a transtornos de imagem corporal, por ser uma atividade que enfatiza o corpo esteticamente.<\/p>\n\n\n\n<p>Dist\u00farbios alimentares s\u00e3o os primeiros desta lista de transtornos e podem ser motivados por diversos fatores. Al\u00e9m disso, n\u00e3o coincidentemente problemas relacionados \u00e0 anorexia nervosa e bulimia, por exemplo, atingem mais mulheres do que homens.<\/p>\n\n\n\n<p>Companhias e diretores t\u00eam grande responsabilidade nessa quest\u00e3o. Nos anos 1970, por exemplo, George Balanchine era conhecido por cultuar corpos extremamente magros. No livro Dan\u00e7ando em meu t\u00famulo, a bailarina Gelsey Kirkland narra sua dram\u00e1tica hist\u00f3ria no ballet ao conviver com dismorfia corporal.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Garotas que desejam seguir carreira profissional na dan\u00e7a passam horas dentro de salas cobertas de espelhos do ch\u00e3o ao teto, vestidas em roupas justas que marcam o corpo. Somados a predisposi\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica, din\u00e2mica familiar, press\u00f5es sociais e midi\u00e1ticas, dietas e mudan\u00e7as corporais, inevitavelmente, o ballet acaba tornando-se gatilho para o surgimento de transtornos alimentares.<\/p>\n\n\n\n<p>Os primeiros sinais relacionados a uma imagem corporal negativa normalmente surgem durante a puberdade, quando o corpo passa por mudan\u00e7as naturais significativas. No ballet, esse problema tem potencial para tornar-se ainda mais agudo, devido ao ambiente ao qual jovens bailarinas est\u00e3o expostas todos os dias.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O ballet n\u00e3o deve levar toda essa responsabilidade por si s\u00f3. Todos os dias, meninas e mulheres s\u00e3o expostas a padr\u00f5es de beleza inalcan\u00e7\u00e1veis e falsos, por parte de revistas, influenciadoras e grandes marcas. No entanto, as companhias de dan\u00e7a, assim como seus diretores t\u00eam papel fundamental para o surgimento e desenvolvimento de transtornos corporais.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o raramente surgem not\u00edcias, principalmente em jornais internacionais, que contam hist\u00f3rias de bailarinas que passaram por momentos delicados causados por dist\u00farbios alimentares. O assunto j\u00e1 foi retratado por grandes ve\u00edculos como BBC, New York Times, The Guardian e The Washington Post, al\u00e9m de ser tema recorrente em revistas especializadas em dan\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Em mar\u00e7o desse ano, a bailarina Kathryn Morgan, atualmente solista no Miami City Ballet, falou \u00e0 revista <a href=\"https:\/\/www.dancespirit.com\/body-image-in-ballet-2645480838.html?rebelltitem=2#rebelltitem2\"><span class=\"has-inline-color has-vivid-cyan-blue-color\">Dance Spirit<\/span><\/a> sobre suas quest\u00f5es relacionadas a dist\u00farbios alimentares, ap\u00f3s ser convidada a falar sobre o tema no \u201cToday Show\u201d e continuar a discuss\u00e3o em um v\u00eddeo em seu <span class=\"has-inline-color has-vivid-cyan-blue-color\"><a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=lD0xB8VNzSk&amp;feature=youtu.be\">canal<\/a> <\/span>do YouTube.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto era solista no New York City Ballet, Morgan ficou doente e come\u00e7ou a ganhar peso. Ela conta que a companhia se eximiu da obriga\u00e7\u00e3o de oferecer apoio psicol\u00f3gico. Durante esse per\u00edodo, a bailarina tomou medidas dr\u00e1sticas para perder peso e entrar \u201cem forma\u201d, mas mesmo assim ficou fora das apresenta\u00e7\u00f5es de P\u00e1ssaro de Fogo, em que dan\u00e7aria uma varia\u00e7\u00e3o solo.<\/p>\n\n\n\n<p>Morgan deixou a companhia, entrou em depress\u00e3o e passou por uma crise de identidade, pois sua vida era o ballet. Algumas semanas depois, encontrou o apoio psicol\u00f3gico necess\u00e1rio e iniciou seu canal no YouTube, onde conta sua hist\u00f3ria e aborda temas de imagem corporal que ajudam outras pessoas que estejam passando pelo mesmo problema.<\/p>\n\n\n\n<p>Dawn Smith-Theodore, uma bailarina profissional, psicoterapeuta e sobrevivente de anorexia nervosa, escreve na <a href=\"https:\/\/www.pointemagazine.com\/eating-disorders-ballet-2602027646.html\"><span class=\"has-inline-color has-vivid-cyan-blue-color\">Pointe Magazine<\/span><\/a> sobre perfeccionismo na dan\u00e7a. Essa \u00e9 uma caracter\u00edstica presente na personalidade de algumas pessoas, mas a dan\u00e7a cultiva isso. No artigo na revista norte-americana ela escreve que as bailarinas \u201ctornam-se supercr\u00edticas delas mesmas e sentem vergonha e culpa, porque n\u00e3o est\u00e3o correspondendo \u00e0s suas pr\u00f3prias expectativas e \u00e0s de outras pessoas. Eventualmente, o amor que sentiam pela dan\u00e7a desaparece.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Uma das grandes quest\u00f5es dos dist\u00farbios alimentares, \u00e9 que podem ser engatilhados por palavras que parecem inofensivas. Em entrevista ao<span class=\"has-inline-color has-vivid-cyan-blue-color\"> <a href=\"https:\/\/www.washingtonpost.com\/national\/health-science\/a-ballet-of-living-hell-ex-dancer-recounts-her-battle-with-anorexia\/2018\/11\/09\/adad582c-d169-11e8-b2d2-f397227b43f0_story.html\">The Washington Post<\/a><\/span>, a ex-bailarina Anais Garc\u00eda, fez uma audi\u00e7\u00e3o para ingressar na Baltimore School for the Arts (BSA), institui\u00e7\u00e3o reconhecida no ensino de ballet. Ela n\u00e3o foi aprovada sob a justificativa de que os diretores estavam procurando bailarinas com mais t\u00f4nus muscular. Mais tarde, fez a audi\u00e7\u00e3o novamente e foi aceita, mas os professores sempre repetiam que ela precisava ser mais definida. Para ela, essas express\u00f5es foram interpretadas como gorda e, a partir disso, come\u00e7ou a tomar medidas extremas para perder peso, at\u00e9 que precisou ser hospitalizada e passar por um longo processo de reabilita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>No in\u00edcio dos anos 1990, Hamilton e Michelle Warren, professores da Columbia University, estudaram durante tr\u00eas anos comportamentos de risco em bailarinas da School of American Ballet, afiliada ao New York City Ballet. Durante a pesquisa, muitas das estudantes que negaram ter dist\u00farbios alimentares, apresentaram sintomas.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m dessa, muitas outras pesquisas foram realizadas com o objetivo de entender porque tantas bailarinas desenvolvem transtornos alimentares. Mas, mesmo 20 anos depois pouco mudou no ballet e bailarinas continuam expostas aos mesmos riscos.<\/p>\n\n\n\n<p>O per\u00edodo de quarentena causado pelo avan\u00e7o da pandemia de Covid-19 trouxe preocupa\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m relacionadas a h\u00e1bitos alimentares de bailarinas profissionais e jovens estudantes. A revista<span class=\"has-inline-color has-vivid-cyan-blue-color\"> <a href=\"https:\/\/www.dancespirit.com\/disordered-eating-covid-19-2645806256.html\">Dance Spirit<\/a><\/span> escreveu um artigo que tranquiliza bailarinas quanto a poss\u00edveis ganhos de peso. O texto chama a aten\u00e7\u00e3o de como dan\u00e7arinas com tend\u00eancias perfeccionistas podem ficar vulner\u00e1veis nesse momento e alerta que \u00e9 preciso desenvolver uma experi\u00eancia positiva com a comida.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O padr\u00e3o mudou?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Existem muitos profissionais que levam a arte aos alunos de forma leve e respeitosa. Joseph Lopes, professor da<em> Escola de Dan\u00e7a de S\u00e3o Paulo <\/em>(Edasp), acredita que \u201co ballet \u00e9 muito al\u00e9m do que movimento; \u00e9 educa\u00e7\u00e3o, cultura e esporte.\u201d&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Lopes come\u00e7ou a dar aula muito cedo, porque j\u00e1 se sentia realizado como bailarino. Hoje se afasta da tradi\u00e7\u00e3o e da cren\u00e7a que para ensinar \u00e9 preciso machucar, porque entende que, psicologicamente falando, alunos e professores est\u00e3o em lugares diferentes.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao desenvolver uma t\u00e9cnica de consci\u00eancia corporal aplicada \u00e0 dan\u00e7a, Joseph passou a estudar o corpo e entender porque um aluno n\u00e3o consegue realizar determinado momento por exemplo. Ele explica que grande parte dessa dificuldade est\u00e1 ligado \u00e0 parte cognitiva que interfere diretamente na parte motora. Isso o fez entender tamb\u00e9m a dan\u00e7a como algo singular, em que se trabalha o individual para trazer o coletivo.<\/p>\n\n\n\n<p>Trabalhando tamb\u00e9m como professora, Nath\u00e1lia reconhece que exige comprometimento e respeito de suas alunas. \u201cUma coisa que eu aprendi muito e ensino \u00e0s minhas alunas \u00e9 o respeito. N\u00e3o deixo que se pendurem na barra, por exemplo.\u201d A bailarina, mesmo diante de duras cr\u00edticas, nunca respondeu aos seus diretores. Ela acredita que hoje, as gera\u00e7\u00f5es mais jovens, encontram muitas desculpas pelo fato de n\u00e3o conseguirem fazer algo durante as aulas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, existe uma diferen\u00e7a entre exig\u00eancia e cobran\u00e7as desnecess\u00e1rias, que beiram o abuso psicol\u00f3gico. A bailarina diz ter muito medo de ser uma pessoa frustrada e descontar isso em suas alunas, por isso, sempre procura ser uma fonte de inspira\u00e7\u00e3o e levar sua arte com amor para mais pessoas \u201cO que eu mais me orgulho \u00e9 como professora como eu consigo tocar, moldar e lapidar as minhas alunas para essa quest\u00e3o da persist\u00eancia, for\u00e7a de vontade, um trabalho verdadeiro.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Katiah Rocha tamb\u00e9m exige muito de suas alunas. A carreira de bailarinas profissionais come\u00e7a cedo, mas tamb\u00e9m termina cedo. \u201cSe voc\u00ea levar a dan\u00e7a para esse lado de sentimento, ela te engole e voc\u00ea perde o foco. \u00c9 preciso ter intelig\u00eancia emocional.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>A dan\u00e7a, principalmente o ballet cl\u00e1ssico, encontra-se em um lugar dif\u00edcil. \u00c9 fun\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m dos profissionais da \u00e1rea manterem a arte viva e presente em gera\u00e7\u00f5es futuras.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Katiah diz ser muito realizada com em seu trabalho e tem prazer em devolver tudo o que aprendeu. \u201cO mundo do corpo da dan\u00e7a fica dentro da sala de aula, \u00e9 solit\u00e1rio E ela n\u00e3o precisa ficar s\u00f3 no corpo e no palco.\u201d Por isso, reconhece a import\u00e2ncia de profissionais que atuem n\u00e3o apenas como bailarinos, mas como cr\u00edticos, produtores de conte\u00fado, educadores.<\/p>\n\n\n\n<p>Joseph se desconstruiu como bailarino para conseguir fazer de suas frustra\u00e7\u00f5es e hist\u00f3rias pontes para seus alunos. Para ele, o movimento se traduz em \u201cv\u00e1rios graus de liberdade.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A bailarina como personagem<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No m\u00eas de maio, a blogueira Bianca Andrade, tamb\u00e9m conhecida como Boca Rosa, causou pol\u00eamica ao postar, em sua conta do Instagram, fotos de um ensaio fotogr\u00e1fico que fez inspirada pela arte das bailarinas. Em algumas fotos ela aparece usando sapatilhas de ponta.<\/p>\n\n\n\n<p>As fotos geraram repercuss\u00e3o no mundo dan\u00e7a, principalmente entre bailarinas e bailarinos profissionais que sa\u00edram em defesa da classe. A brasileira Ingrid Silva, primeira bailarina do Dance Theatre of Harlem em Nova York, escreveu em um post no Instagram como a rotina do ballet exige fisica e mentalmente dos dan\u00e7arinos e chamou o p\u00fablico a repensar como a arte \u00e9 retratada na m\u00eddia e utilizada por marcas, modelos e influenciadoras.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA \u00fanica coisa que quero que seja refletida \u00e9 que parem de usar o ballet como refer\u00eancia para v\u00eddeos, fotos e afins sem ter um profissional que realmente saiba o que est\u00e1 fazendo\u201d N\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 qualquer um que pode acordar hoje e falar \u2018quero ser bailarina e amanh\u00e3 vou colocar uma sapatilha de ponta\u2019. N\u00e3o \u00e9 assim gente.\u201d, dizia um trecho do post que vinha acompanhado de uma s\u00e9rie de fotos que retratavam uma rotina exaustiva de exerc\u00edcios, treinos e ensaios.<\/p>\n\n\n\n<p>As postagens levantaram discuss\u00f5es e reflex\u00f5es sobre como a dan\u00e7a \u00e9 retratada e percebida pelo p\u00fablico em geral hoje. Segundo Katiah Rocha, para aqueles que querem seguir carreira profissional na \u00e1rea, \u00e9 preciso enxergar na dan\u00e7a uma disciplina de trabalho. \u201cEu acho muito poss\u00edvel viver de dan\u00e7a. Tudo o que eu tenho, tudo o que eu fiz na minha vida foi atrav\u00e9s da dan\u00e7a. Ela \u00e9 meu sustento, porque eu optei por ela como profiss\u00e3o.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>No in\u00edcio desse ano, Nath\u00e1lia voltou ao interior. Um dos principais motivos que a fez tomar essa decis\u00e3o foi a falta de reconhecimento e incentivo \u00e0 dan\u00e7a. Esse \u00e9 um aspecto que faz com que profissionais da \u00e1rea questionem o que fazem e se vale realmente \u00e0 pena continuar. \u201cDurante os anos de 2018 e 2019, eu fiz quase trinta apresenta\u00e7\u00f5es e muitas delas em grandes e conhecidos teatros. A entrada era de gra\u00e7a e, mesmo assim, n\u00f3s n\u00e3o consegu\u00edamos encher o teatro.\u201d&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Grandes companhias tamb\u00e9m enfrentam problemas para produzir pela falta de patroc\u00ednios, como o Grupo Corpo, de Belo Horizonte, e a Companhia de Dan\u00e7a Deborah Colker, do Rio de Janeiro. Nath\u00e1lia completa dizendo que a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 muito triste e que \u201cse contarmos quantas companhias fecharam ano passado, \u00e9 surreal. E s\u00e3o coletivos com trabalhos muito construtivos. Ningu\u00e9m no Brasil tem o costume de chegar na porta de um teatro e pagar para ver uma apresenta\u00e7\u00e3o de ballet.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Essas condi\u00e7\u00f5es t\u00eam refletido principalmente no ballet cl\u00e1ssico que vem perdendo espa\u00e7o na cultura brasileira. O Theatro Municipal do Rio de Janeiro, mesmo sob dire\u00e7\u00e3o de grandes artistas como Cec\u00edlia Kerche e Ana Boto Fogo, fechou as portas. Na capital paulista, O Bal\u00e9 da Cidade \u2013 filiado ao Theatro Municipal de S\u00e3o Paulo \u2013 antes conhecido como Corpo de Baile Municipal foi inicialmente criado para acompanhar as \u00f3peras do Theatro e apresentar obras de repert\u00f3rio cl\u00e1ssico e hoje \u00e9 totalmente voltado \u00e0 dan\u00e7a contempor\u00e2nea, sob dire\u00e7\u00e3o art\u00edstica de Ismael Ivo. Ainda em S\u00e3o Paulo, uma das \u00fanicas companhias que ainda interpretam cl\u00e1ssicos \u00e9 a S\u00e3o Paulo Companhia de Dan\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>Por Ana Cipriano<\/strong><br>ana_cipriano@usp.br<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"As hist\u00f3rias por tr\u00e1s das belas sapatilhas acetinadas, dos figurinos delicadamente produzidos, das coreografias cuidadosamente criadas e dos aplausos Desde quando surgiu na \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/?p=79\"> <\/a>","protected":false},"author":28,"featured_media":80,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-79","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-revista-babel-junho-2020"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v19.10 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>O ballet parece n\u00e3o doer - 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