{"id":72,"date":"2020-06-21T12:33:51","date_gmt":"2020-06-21T15:33:51","guid":{"rendered":"http:\/\/paineira.usp.br\/cje\/babel\/?p=72"},"modified":"2020-09-30T10:44:03","modified_gmt":"2020-09-30T13:44:03","slug":"entre-a-bola-e-a-insustentavel-leveza-da-sorte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/?p=72","title":{"rendered":"Entre a bola e a insustent\u00e1vel leveza da sorte"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-medium-font-size\">At\u00e9 hoje, entrar e permanecer no futebol feminino \u00e9 uma luta. O retrato de quatro mulheres de gera\u00e7\u00f5es diferentes explica porque a briga continua.<\/p>\n\n\n\n<p>No ano de 1977, o nome mais conhecido do futebol brasileiro encerrou uma carreira de 25 anos e mais de 1.000 gols. Edson Arantes do Nascimento, o aclamado Pel\u00e9, tinha 37 anos quando entrou nos gramados pela \u00faltima vez como jogador profissional, em um amistoso do Santos contra o seu clube atual, o New York Cosmos. No dia 1\u00ba de outubro, Pel\u00e9 jogou a primeira metade do confronto com a camisa verde dos Cosmos \u2013 fez at\u00e9 um gol, de falta, o 1.283\u00ba. Depois vestiu o uniforme branco do Santos na metade final da partida, homenageando o clube que o lan\u00e7ou, quando tinha s\u00f3 15 anos. Ao final da partida, foi carregado pelos companheiros americanos, saudado pelos santistas e concluiu a carreira com uma volta ol\u00edmpica. No Giants Stadium, a multid\u00e3o de 35.548 torcedores bradou, a todos pulm\u00f5es: \u201c<em>Love, love, love!<\/em>\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Naquele mesmo ano, uma menina de sete anos de idade quebrou uma lei federal \u2013 com o aux\u00edlio de uma cabe\u00e7a decapitada da boneca Verinha, da Estrela. O cr\u00e2nio de pl\u00e1stico com olhinhos de gude fazia vez de bola nos campos de terra batida em Esplanada, cidade no interior da Bahia com 37.000 habitantes.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Anos 80<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A moleca Sisleide do Amor Lima, amante do futebol e de burlar conven\u00e7\u00f5es sociais, viria a ser Sissi, a camisa dez da Sele\u00e7\u00e3o Brasileira de Futebol Feminino que brilhou nos campos antes de Marta. Para ela, tudo come\u00e7ou brincando de bobinho com o pai, que era jogador, e o irm\u00e3o, que aspirava ser. S\u00f3 que ela era privada do jogo pra valer, porque futebol n\u00e3o era coisa de menina para eles \u2013 nem para o Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c\u00c0s mulheres n\u00e3o se permitir\u00e1 a pr\u00e1tica de desportos incompat\u00edveis com as condi\u00e7\u00f5es de sua natureza, devendo, para este efeito, o Conselho Nacional de Desportos baixar as necess\u00e1rias instru\u00e7\u00f5es \u00e0s entidades desportivas do pa\u00eds\u201d, dizia o decreto-lei 3.199, assinado pelo presidente Get\u00falio Vargas no Rio de Janeiro, em 14 de abril de 1941, vigente at\u00e9 1983. Durante todo esse tempo, ele proibiu, dentre os esportes considerados masculinos, a pr\u00e1tica do futebol feminino no pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>Diante desta negativa hom\u00e9rica, a menina de g\u00eanio forte n\u00e3o viu op\u00e7\u00e3o sen\u00e3o quebrar as regras e nunca aceitar n\u00e3o como resposta. Naquele mesmo ano, meio a olhares de soslaio e coment\u00e1rios negativos, um pai que sonhava transmitir o gene jogador de futebol deu \u00e0 filha n\u00e3o uma boneca, mas uma bola de capot\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cFoi o momento que ele decidiu me apoiar\u201d, diz Sissi.<\/p>\n\n\n\n<p>Na cidade pequena, ela s\u00f3 jogava com meninos, sobre quem tinha vantagens tanto no fator da habilidade quanto no de ser dona da pelota. Foi s\u00f3 quatro anos depois, quando o pai foi transferido para Campo Formoso, tamb\u00e9m no interior da Bahia, que Sissi viu pela primeira vez na vida outra menina jogando futebol. As colegas decidiram montar uma equipe para brincar na escola, com cinco meninas e, aos 14 anos, come\u00e7ou a jogar pelo primeiro clube, a Associa\u00e7\u00e3o Atl\u00e9tica Sisal do Bonfim.<\/p>\n\n\n\n<p>Tudo mudou quando o Flamengo de Feira de Santana foi para Campo Formoso jogar uma preliminar contra o Sisal. Foi amor \u00e0 primeira vista: o dono do time viu o talento da menina e logo perguntou se estaria disposta a morar em Feira de Santana para jogar no Flamengo. A propaganda incluiu desde alojamento para morar at\u00e9 um incentivo para terminar os estudos na escola. Sem mais, nem menos, completamente por acaso, o que era um sonho distante come\u00e7ou a tomar forma.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cVira e mexe, fico perplexa. Tive uma sorte danada\u201d, conta Sissi.<\/p>\n\n\n\n<p>De repente, a adolescente precisou crescer em quest\u00e3o de meses. Convenceu sua fam\u00edlia de que ia sair de casa para morar com estranhos, sob a \u00fanica promessa de que ia terminar o Ensino M\u00e9dio. Se mudou para um alojamento com dez meninas de outras regi\u00f5es, sendo que ela era a mais nova, e treinava todas as tardes depois da escola \u2013 tudo isso no ano seguinte em que o futebol feminino deixou de ser proibido. Depois de tr\u00eas anos no Flamengo, foi para Salvador, jogar no Bahia, onde realizou o sonho de todas as futebolistas: foi convocada pela sele\u00e7\u00e3o brasileira. L\u00e1, usou a camisa dez de 1988 a 1999.<\/p>\n\n\n\n<p>Sissi foi artilheira da Copa do Mundo de 1999 com sete gols, artilheira do Campeonato Sul-Americano com 12, e o primeiro nome do futebol feminino do Brasil a ganhar o mundo. Em 1997, quando jogou pelo S\u00e3o Paulo, a equipe masculina vivia uma crise e em diversos jogos a torcida gritou \u201cHey Muricy, coloca a Sissi!\u201d. Uma carreira brilhante.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas, ao contr\u00e1rio do brilhante Pel\u00e9, com o \u201c<em>Love, love love<\/em>\u201d e o sal\u00e1rio de 2,5 milh\u00f5es de d\u00f3lares por m\u00eas, cada conquista foi acompanhada por um entrave.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cQuando entrei para o profissional, a gente n\u00e3o recebia nem mesada\u201d, conta Sissi. O Flamengo pagava por moradia e alimenta\u00e7\u00e3o, mas as jogadoras n\u00e3o ganhavam sal\u00e1rio. Enquanto isso, a Confedera\u00e7\u00e3o Brasileira de Futebol (CBF) dispunha de uma bolsa-aux\u00edlio, mas \u201cn\u00e3o dava para viver, muita gente tinha que ter um outro emprego e desistiu na metade do caminho\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo na sele\u00e7\u00e3o, a maior jogadora do Brasil na \u00e9poca s\u00f3 teve uma estrutura de clube quando as meninas passaram a treinar na Granja Comary, no Rio de Janeiro, no fim da d\u00e9cada de 1990. A meia-atacante s\u00f3 teve sua primeira carteira assinada quando jogou pelo S\u00e3o Paulo, mais de uma d\u00e9cada ap\u00f3s o in\u00edcio da carreira, quando come\u00e7ou a receber um sal\u00e1rio que cobria as necessidades b\u00e1sicas. Al\u00e9m disso, seu contrato tamb\u00e9m requeria que ela jogasse na equipe de futebol de sal\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A primeira Copa do Mundo Feminina, em 1988, sequer foi reconhecida pela CBF. O time viajou 16.622 quil\u00f4metros at\u00e9 a China sem nenhuma estrutura \u2013 at\u00e9 o uniforme era reciclado, um conjunto antigo da Sele\u00e7\u00e3o Masculina. De qualquer forma, a futebolista queria provar para o mundo e para si mesma de que tinha condi\u00e7\u00f5es de representar o Brasil nos gramados. Tanta era a gana que, ainda com 17 anos, precisava da permiss\u00e3o dos respons\u00e1veis para a jornada, e fez a m\u00e3e forjar a assinatura do pai viajante. \u201cEu n\u00e3o podia perder aquela chance\u201d. O Brasil terminou em terceiro lugar no torneio experimental, e ela fez seu primeiro gol em um mundial contra a Noruega.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar de tudo, deu para continuar. Seu maior sonho de carreira n\u00e3o era fazer milh\u00f5es, mas poder sobreviver do futebol. \u201cPensar em desistir, a gente pensa. S\u00f3 que tem uma palavra que me define, que para alguns \u00e9 teimosia, mas para mim \u00e9 persist\u00eancia\u201d, diz Sissi. Sobre os ombros da baiana, a briga foi de uma gera\u00e7\u00e3o inteira. Foi a pr\u00f3pria profus\u00e3o de n\u00e3os durante toda a sua vida que a fez pensar: por que desistir agora? \u201cSe fosse para desistir, tinha desistido quando eu comecei, com sete anos, quando o futebol feminino ainda era proibido por lei\u201d, diz.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cE hoje ainda estou aqui.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Anos 90<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Do cume da montanha onde ficava seu hotel no Rio de Janeiro, Alline Calandrini avistou a equipe brasileira de futebol feminino treinando no Granja Comary. Fazia tr\u00eas anos que ela havia desencanado de perseguir carreira como jogadora de futebol profissional, porque na sua cidade natal, Macap\u00e1, no Amap\u00e1, n\u00e3o tinha nenhum clube ou escolinha para meninas. Jogar com os meninos tamb\u00e9m havia deixado de ser uma op\u00e7\u00e3o, porque a for\u00e7a f\u00edsica havia come\u00e7ado a ficar muito discrepante.<\/p>\n\n\n\n<p>De repente, \u201cPera a\u00ed, pera a\u00ed, tem mulher jogando a\u00ed!\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Alline praticava futebol desde os tr\u00eas anos de idade e sua fam\u00edlia procurou oportunidades para a menina fora do estado at\u00e9 2002, quando ela tinha 14 anos, e nada. \u201cFui desistindo aos poucos por falta de oportunidade. At\u00e9 em S\u00e3o Paulo as jogadoras t\u00eam dificuldade, imagina no norte do pa\u00eds?\u201d, questiona.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cQuando vi aquelas meninas jogando, parecia que tinha descoberto a Am\u00e9rica\u201d, relembra Alline. A fam\u00edlia mal fez o <em>check in<\/em>, de f\u00e9rias enquanto o pai fazia um curso no Rio, e j\u00e1 foi tentar conseguir um teste. Seu pai ficou no bate boca com funcion\u00e1rios, inventando hist\u00f3rias at\u00e9 conseguir o telefone do respons\u00e1vel pelo departamento feminino, e arranjou um encontro com um olheiro no dia seguinte. Apesar de n\u00e3o ser selecionada, j\u00e1 que a equipe sub-20 era um apanhado das melhores jogadoras da faixa et\u00e1ria e a menina n\u00e3o vinha de nenhum clube, recomendaram que a aspirante a futebolista fosse para S\u00e3o Paulo e assinaram tr\u00eas recomenda\u00e7\u00f5es para tr\u00eas times paulistas diferentes. Uma semana depois de fazer todos os contatos, Alline fez as malas e mergulhou no sonho.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Seu primeiro time foi o Juventus, onde jogou em 2006, quando tinha 18 anos. Logo em seguida, a zagueira foi contratada pelo Santos.<\/p>\n\n\n\n<p>Naquela tarde carioca, quando Alline viu o Brasil treinando na Granja Comary, Sissi j\u00e1 estava longe. Em 2001, a camisa 10 da sele\u00e7\u00e3o deixou o pa\u00eds para compor a equipe San Jose CyberRays, nos Estados Unidos, onde hoje ela \u00e9 treinadora do California Storm. Contudo, ela bem poderia ter estado. A semente que sua teimosia plantou no fim do s\u00e9culo, de alguma forma, floresceu no momento em que uma garota amapaense p\u00f4de retomar o sonho tornar-se jogadora. Enquanto a baiana corria por gramados gringos, o efeito borboleta de sua passagem pela Granja soprou Alline, por acaso, em dire\u00e7\u00e3o aos clubes paulistas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cSempre falo que sou muito sortuda\u201d, diz Alline.<\/p>\n\n\n\n<p>Dois anos depois, as Sereias da Vila tornaram-se uma marca extremamente reconhecida, saindo de zebras para campe\u00e3s do Campeonato Paulista de Futebol Feminino de 2007 sobre o Botucatu. Antes disso, o Santos n\u00e3o era o clube em si, mas a prefeitura de Santos \u2013 s\u00f3 oferecia a camisa (da equipe masculina de dez anos antes). As jogadoras usavam bicicletas para chegarem ao treino, muitas vezes precisavam treinar na praia ou em um campo esburacado, e o alojamento era em um gin\u00e1sio abafado.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cNo meu primeiro ano, n\u00e3o ganhei um real\u201d, conta Alline. As melhores jogadoras do time ganhavam R$ 500 por m\u00eas, como a volante Esther, que comp\u00f4s a Sele\u00e7\u00e3o Brasileira de 2003 a 2013, quando foi contratada pelo Chelsea, da Inglaterra. \u00c9rika Cristiano, que jogou pelo Paris Saint-Germain e, atualmente, defende o Corinthians, ganhava R$ 250. O primeiro sal\u00e1rio de Alline foi de 300 reais, em 2007, e passou para R$ 1.200 ap\u00f3s a vit\u00f3ria no Paulist\u00e3o daquele ano. \u201c\u00c9 uma dificuldade financeira em que atletas sempre se prop\u00f5e a ficar. Afinal, a gente est\u00e1 jogando futebol.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>A zagueira tamb\u00e9m teve passagem pelo Centro Ol\u00edmpico e pelo Corinthians, conseguindo a convoca\u00e7\u00e3o para a sele\u00e7\u00e3o sub-20 e, depois, para a principal, com quem levantou o t\u00edtulo da Copa Am\u00e9rica de Futebol Feminino de 2014. Uma les\u00e3o a obrigou a se aposentar em 2018, tornando-se comentarista da modalidade na BANDTV.<\/p>\n\n\n\n<p>Para ela, teria sido praticamente imposs\u00edvel seguir carreira como jogadora sem o apoio dos pais desde o in\u00edcio, com o plant\u00e3o em frente \u00e0 Granja. Sempre com aux\u00edlio financeiro vindo do Amap\u00e1, Alline p\u00f4de se manter nos melhores clubes do pa\u00eds. \u201cS\u00f3 que isso n\u00e3o \u00e9 uma realidade no Brasil\u201d, afirma. Nos primeiros cinco anos de sua carreira, seus pais lhe deram um carro 1.0, pagaram sua faculdade, mandaram cart\u00f5es de cr\u00e9dito, alugaram um apartamento pr\u00f3ximo ao centro de treinamento. Enquanto isso, algumas das meninas estavam na posi\u00e7\u00e3o contr\u00e1ria, em que elas que precisavam sustentar a fam\u00edlia.<\/p>\n\n\n\n<p>A amapaense conta que, no primeiro ano em S\u00e3o Paulo, seu pai chegou a dizer que a situa\u00e7\u00e3o estava \u201cmuito puxada\u201d e que a fam\u00edlia \u201cprecisava repensar\u201d. A m\u00e3e contestou: \u201cNem pensar, voc\u00ea vai at\u00e9 o fim\u201d. Defensora ferrenha do sonho da filha desde sua inf\u00e2ncia,&nbsp; contrariou at\u00e9 a pr\u00f3pria m\u00e3e (\u201cSai do meio dos meninos, vem colocar uma camisa!\u201d), com muito orgulho (\u201cN\u00e3o. Ela vai ficar l\u00e1, com camisa ou sem camisa, at\u00e9 ela ter peitinho\u201d).<\/p>\n\n\n\n<p>Nos anos seguintes, com a vit\u00f3ria das Sereias no Paulist\u00e3o em 2007 e, em 2008, com a conquista do Campeonato Sul-Americano de Futebol Feminino pela equipe sub-20, as coisas come\u00e7aram a se encaixar. Foi quando a chave virou para a esperan\u00e7a de \u201cacho que consigo ser uma jogadora\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi com todo esse sacrif\u00edcio que a ex-jogadora chegou aos Estados Unidos para um amistoso no Florida Citrus Bowl, contra a sele\u00e7\u00e3o americana, diante de um p\u00fablico de 20.000 pessoas. \u201c\u00c9 outro mundo. A caminho do est\u00e1dio, v\u00edamos torcedores americanos todos arrumados, com bandeiras, fazendo barulho, \u00e9 s\u00f3 festa. N\u00e3o tive rea\u00e7\u00e3o ao ver o est\u00e1dio lotado. A hora do hino&#8230; Comecei a chorar\u201d, conta Alline.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEm que mundo elas vivem?\u201d<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Anos 2000<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O Clube Atl\u00e9tico Juventus foi um dos primeiros clubes a adentrar o universo dos campeonatos de futebol feminino. O time \u00e9 conhecido por revelar jogadoras por meio das categorias de base, como na escolinha de futebol feminino. Muitas meninas que tiveram passagem pelo Juventus acabam na Sele\u00e7\u00e3o Brasileira, como a lateral-esquerda Tamires, a meia Andressa Alves \u2013 e a atacante Ludmila da Silva.<\/p>\n\n\n\n<p>Ludmila nasceu em Guarulhos e cresceu em um conjunto habitacional no bairro City Jaragu\u00e1, na zona norte de S\u00e3o Paulo. Quando tinha um ano, foi deixada pela m\u00e3e em um orfanato junto \u00e0 irm\u00e3 Sheila, um ano mais velha. Com tr\u00eas anos, passou a morar com a tia Maria e uma casa cheia de primos \u2013 13 pessoas ao todo. A escola em tempo integral virou o principal desafogo e, depois, o atletismo. Com a irm\u00e3, sua melhor amiga, corria os 100 m livres, 100 m com barreiras, revezamento 4 x 100 m.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Apaixonada pela corrida, capoeira e hip-hop, passava longe do futebol \u2013 j\u00e1 Sheila era apaixonada pelo esporte. Aos 15 anos, sem pretens\u00f5es, Ludmila foi levada por um amigo a um teste no Juventus. Apesar da falta de t\u00e9cnica, sua velocidade acima da m\u00e9dia chamou aten\u00e7\u00e3o de Emily Lima, hoje t\u00e9cnica da Sele\u00e7\u00e3o Equatoriana de Futebol Feminino, e a menina passou a compor a equipe feminina do clube.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cN\u00e3o fui eu quem escolheu o futebol, mas o futebol que me escolheu\u201d, diz Ludmila. Com treinos pela manh\u00e3, escola \u00e0 tarde e campeonatos no fim de semana, passou a viver e respirar o esporte. Morava no alojamento do clube, n\u00e3o tinha carteira assinada, recebia uma bolsa de R$ 300 \u2013 dos quais R$ 150 eram direcionados para o transporte p\u00fablico \u2013 e pegava carona nas marmitas que o cozinheiro da equipe masculina montava para os atletas.<\/p>\n\n\n\n<p>Passou por clubes tradicionais como S\u00e3o Jos\u00e9, Portuguesa, Santos e Rio Preto. Voltou ao S\u00e3o Jos\u00e9 de onde rumou para o maior voo da carreira, o Atl\u00e9tico de Madri. Foi a primeira brasileira contratada pelo clube espanhol. No meio desse furac\u00e3o de novidades, a jogadora perdeu sua irm\u00e3 em 2016. \u201cA Sheila amava futebol, ent\u00e3o ela \u00e9 um dos motivos porque eu jogo\u201d, conta Ludmila.<\/p>\n\n\n\n<p>Ela foi convocada para a sele\u00e7\u00e3o sub-20 em 2010, com 16 anos. Em 2017, estreou na sele\u00e7\u00e3o principal.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO n\u00edvel de estrutura que a sele\u00e7\u00e3o oferece \u00e9 muito alto, com hor\u00e1rio, sal\u00e1rio e uniforme tudo certinho\u201d, diz. \u201cMas havia descaso com algumas coisas que parecem simples, como as viagens\u201d. Muitas vezes, as meninas precisavam viajar de \u00f4nibus, e n\u00e3o de avi\u00e3o, o que tornava o descanso muito mais dif\u00edcil e atrapalhava a performance. \u201c\u00c0s vezes a gente tinha que viajar cinco horas e jogar no mesmo dia sem descanso.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Contudo, em 2019, veio o suprassumo: Ludmila fez parte da lista de convocadas da para a Copa do Mundo na Fran\u00e7a. O evento foi um marco na hist\u00f3ria do futebol feminino, batendo recordes de p\u00fablico, patroc\u00ednio e sendo televisionado pela primeira vez no Brasil. Toda jogadora, e qualquer amante de futebol, considera o mundial de 2019 como um divisor de \u00e1guas, a prova de que o investimento na modalidade rende.<\/p>\n\n\n\n<p>A Fifa divulgou que a partida entre Brasil e Fran\u00e7a, nas oitavas, foi assistida por mais de 58 milh\u00f5es de pessoas (35 milh\u00f5es s\u00f3 no Brasil), um recorde de audi\u00eancia entre torneios femininos promovidos pela entidade. Segundo a Kantar Ibope Media, Globo e Band somaram 34 pontos de audi\u00eancia durante o jogo. Al\u00e9m disso, o primeiro Mundial feminino, em 1991, levava o nome de Copa M&amp;M&#8217;s em fun\u00e7\u00e3o do \u00fanico patrocinador do torneio: a marca de chocolates M&amp;M&#8217;s. Vinte e oito anos depois, a Copa foi patrocinada por marcas globais como Coca-Cola, Visa e Hyundai. As jogadoras tamb\u00e9m se manifestaram mais sobre o pagamento igualit\u00e1rio para homens e mulheres.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cFoi uma experi\u00eancia \u00fanica. Sei que entrar para a sele\u00e7\u00e3o e jogar um mundial \u00e9 um desejo de muitas meninas, ent\u00e3o para mim foi uma honra e um orgulho\u201d, diz Ludmila. \u201cJogar ao lado da Marta, Formiga e Cristiane me deixou realizada\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Naquele mesmo ano, a Confedera\u00e7\u00e3o Sul-Americana de Futebol (Conmebol) tamb\u00e9m tornou obrigat\u00f3rio para todos os participantes da S\u00e9rie A do Brasileiro manter um time de futebol feminino \u2013 adulto e de base \u2013, quase 40 anos desde que a pr\u00e1tica do futebol feminino deixou de ser proibida por lei. No in\u00edcio de 2019, apenas 7 dos 20 clubes tinham equipes femininas estruturadas. Hoje, 16 jogam a s\u00e9rie A do Brasileir\u00e3o feminino.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAgora mais meninas podem viver o sonho delas\u201d, diz Daniela Orlandi, que veste a camisa do Clube Atl\u00e9tico Juventus h\u00e1 quatro anos. Ela joga bola desde os quatro anos de idade, e ficou at\u00e9 os 11 treinando s\u00f3 com meninos \u2013 quando proibiram competi\u00e7\u00f5es mistas e meninas s\u00f3 eram permitidas nos treinos. Em seguida, na mesma \u00e9poca em que ela descobriu o Centro Ol\u00edmpico, na categoria de base sub-15, perdeu o pai, ex-jogador e maior apoiador da filha na carreira futebol\u00edstica. O Centro Ol\u00edmpico foi sua casa at\u00e9 que recebeu o convite para jogar na equipe profissional do Juventus, onde come\u00e7ou a disputar o Brasileiro e o Paulista com carteira assinada, registrada pelo futebol.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Dani, o problema da imposi\u00e7\u00e3o da Conmebol \u00e9 que alguns dos times podem cumpri-la sem afinco ou responsabilidade. \u201cN\u00e3o adianta ter uma equipe feminina se o clube atrasa os sal\u00e1rios, n\u00e3o tem alojamentos bons e serve salsicha todos os dias no almo\u00e7o. Isso prejudica a modalidade\u201d, diz. Ela explica que o futebol feminino j\u00e1 sofre preconceito por conta de t\u00e9cnica e preparo f\u00edsico \u2013 o cl\u00e1ssico \u201cassistir feminino \u00e9 muito chato\u201d \u2013 e quando um time vai mal na partida, quem assiste n\u00e3o sabe a realidade por tr\u00e1s da atleta, concluindo que \u00e9 uma m\u00e1 profissional.<\/p>\n\n\n\n<p>Talvez um dos maiores desafios para a jogadora futebol feminino \u00e9 encontrar um lugar que ofere\u00e7a estrutura, onde a profiss\u00e3o seja sustent\u00e1vel. A centroavante teve sorte de obter apoio da fam\u00edlia e nunca precisou ter um emprego paralelo para se sustentar. Apesar da estrutura do Centro Ol\u00edmpico e Juventus, com uma rotina r\u00edgida de treinos e acompanhamento, at\u00e9 os 19 anos n\u00e3o recebia um centavo pelo futebol \u2013 \u201ctem muita menina que fica pelo meio do caminho, porque\u201d, explica. Ambas as equipes est\u00e3o cheias de pessoas que acordam cedo, v\u00e3o para a faculdade, direto para o treino e, depois, v\u00e3o trabalhar. Dani perdeu conta de quantas vezes passou pela mesma intera\u00e7\u00e3o:<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 O que voc\u00ea faz da vida?<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Jogo futebol.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 N\u00e3o, mas o que voc\u00ea faz de verdade?<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje, ela j\u00e1 recebe um sal\u00e1rio, mas ainda n\u00e3o considera o suficiente para sair da casa da m\u00e3e. Recentemente, foi convocada para a equipe sub-20 da sele\u00e7\u00e3o, onde se deparou com regalias como nutricionista, fisioterapeuta, alimenta\u00e7\u00e3o adequada e \u00e1rea para descanso \u2013 nos clubes femininos por quais passou, malemal encontrava um t\u00e9cnico, auxiliar, roupeiro e massagista. \u201cNa sele\u00e7\u00e3o, \u00e9 incr\u00edvel sentir que voc\u00ea s\u00f3 precisa literalmente viver daquilo\u201d, conta.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao contr\u00e1rio de Ludmila, Dani pretende ficar no Brasil por enquanto. Seu plano \u00e9 primeiro ser reconhecida em terras tupiniquins para, depois, explorar outras op\u00e7\u00f5es. Contudo, mesmo agora que come\u00e7ou a encontrar estabilidade, ainda se depara com barreiras.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar da marcante Copa e do incentivo da Conmebol, a verba que os clubes recebem da Confedera\u00e7\u00e3o Brasileira de Futebol raramente vai para as equipes femininas. Durante seus tr\u00eas primeiros anos no Juventus, o time era terceirizado e n\u00e3o tinha financiamento \u2013 apenas o s\u00edmbolo do uniforme, fornecido por patrocinadores, vinha da associa\u00e7\u00e3o. S\u00f3 agora que a modalidade conseguiu uma vaga para disputar o Brasileir\u00e3o, coisa que nem a equipe masculina conseguiu, houve interesse em investir.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cSempre tive o sonho de fazer o Juventus crescer, mas sempre me decepciono\u201d, conta Dani. \u201c\u00c9 como um relacionamento em que voc\u00ea faz tudo pela pessoa, mas ela n\u00e3o est\u00e1 nem a\u00ed para voc\u00ea\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Ela e todas as profissionais da modalidade se preocupam muito com o futuro. A dobradinha que seria a Copa de 2019 com as Olimp\u00edadas de 2020 poderia fortalecer o movimento de valoriza\u00e7\u00e3o do futebol feminino, mas agora, em um momento em que tanto \u00e9 incerto, as conquistas das mulheres nos gramados podem ficar estagnadas por um tempo. A pandemia de coronav\u00edrus foi um grande baque, entre outras coisas, para o esporte. Se o futebol masculino vai sofrer, o feminino deve sentir em dobro.<\/p>\n\n\n\n<p>No dia 8 de junho, a CBF anunciou que vai disponibilizar aos clubes que disputam a S\u00e9rie A do Campeonato Brasileiro uma linha de cr\u00e9dito total de at\u00e9 100 milh\u00f5es de reais, a juro zero. Para a S\u00e9rie B, o adiantamento vai ser de 15 milh\u00f5es, sobre os valores que tem a receber sobre o contrato de direitos de transmiss\u00e3o com o Grupo Globo. Contudo, caber\u00e1 aos clubes distribuir a grana, porque a CBF n\u00e3o exige contrapartida. No in\u00edcio de abril, especificamente para o futebol feminino, a entidade doou R$ 120.000 para cada um dos 16 times da S\u00e9rie A do futebol feminino nacional e R$ 50.000 para cada um dos 36 times da segunda divis\u00e3o. Mesmo assim, as mulheres j\u00e1 est\u00e3o sendo jogadas para escanteio.<\/p>\n\n\n\n<p>Um levantamento do GloboEsporte.com sobre os 16 times da elite do futebol feminino no Brasil aponta que quatro clubes cortaram ou n\u00e3o pagaram sal\u00e1rios das atletas: Santos, Corinthians, Vit\u00f3ria e Iranduba. J\u00e1 na segunda divis\u00e3o, a maioria dos dirigentes n\u00e3o transfere o pagamento para as jogadoras \u2013 e quem reclama ainda \u00e9 dispensada.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;\u201cEstamos numa corda bamba, sem saber o que vai acontecer. A gente vai pular no buraco pra ver se morre\u201d, diz Dani. Segundo a jogadora, qualquer contrato com patrocinadores feito no in\u00edcio do ano j\u00e1 est\u00e1 fora da jogada. Nesse momento, fica ainda mais escancarado o amadorismo do futebol feminino brasileiro. E a valoriza\u00e7\u00e3o da profiss\u00e3o come\u00e7a onde todas essas meninas tiveram dificuldade: no in\u00edcio da carreira. As categorias de base, primordiais, fortalecem a modalidade \u2013 uma das maiores diferen\u00e7as entre o Brasil e o ut\u00f3pico Estados Unidos. Por enquanto, o principal pilar de sustenta\u00e7\u00e3o das jogadoras brasileiras \u00e9 a sorte: primeiro, nascendo no lugar certo e na fam\u00edlia certa; segundo, estando no lugar certo, na hora certa (com o olheiro, ou olheira, certo).<\/p>\n\n\n\n<p>A jornalista e ex-jogadora Alline, contudo, faz uma ressalva: \u201cA gente s\u00f3 n\u00e3o pode se fazer de v\u00edtima, temos que nos colocar como vitoriosas\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim como a gera\u00e7\u00e3o de Sissi, que cortou cabe\u00e7as de boneca, passou por cima da proibi\u00e7\u00e3o do futebol feminino e carregou um Brasil inteiro at\u00e9 a China para disputar um mundial experimental sem apoio da CBF, \u00e0 gera\u00e7\u00e3o da Dani caber\u00e1 superar os desafios da pandemia \u2013 e a seguinte, com certeza, tamb\u00e9m ter\u00e1 suas pr\u00f3prias conquistas. Mesmo nos Estados Unidos, sempre citado como exemplo a ser seguido na modalidade, as americanas, encabe\u00e7adas por Megan Rapinoe, lutam pelo sal\u00e1rio igualit\u00e1rio entre homens e mulheres, o movimento #equalpay.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA gente sempre tem que ter um espelho. Minha gera\u00e7\u00e3o v\u00ea uma Cristiane, uma Marta, uma Formiga jogar e sente muita gratid\u00e3o por tudo o que elas j\u00e1 fizeram pelo futebol feminino\u201d, afirma Dani. \u201cAcredito que as meninas mais novas tamb\u00e9m v\u00e3o poder olhar para uma Gabi Nunes, uma Vict\u00f3ria Albuquerque [Corinthians] e, espero algum dia, eu para se espelhar. As coisas v\u00e3o melhorando.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>L\u00e1 de tr\u00e1s, e l\u00e1 de cima da Am\u00e9rica, Sissi observa o Brasil, com saudade e carinho.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cNo final, a solu\u00e7\u00e3o para o futebol feminino est\u00e1 com quem tem poder no Brasil. Mas a gente continua brigando, falando, torcendo e sonhando\u201d, diz.<\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>Por Amanda P\u00e9chy<\/strong> <br>amandapechyduarte@gmail.com<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"At\u00e9 hoje, entrar e permanecer no futebol feminino \u00e9 uma luta. 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