{"id":549,"date":"2021-06-21T11:50:29","date_gmt":"2021-06-21T14:50:29","guid":{"rendered":"http:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/?p=549"},"modified":"2022-12-13T21:54:17","modified_gmt":"2022-12-14T00:54:17","slug":"avancado-a-seguranca-dos-ex-presidentes-do-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/?p=549","title":{"rendered":"Avan\u00e7ado: a seguran\u00e7a dos ex-presidentes do Brasil"},"content":{"rendered":"\r\n<p class=\"has-text-align-left\"><em>Dos perrengues nos plant\u00f5es \u00e0s imita\u00e7\u00f5es de FHC, os bastidores, a rotina e causos da vida no cora\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica<\/em><\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p><strong>Por Diego Macedo<\/strong><\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>J\u00e1 era madrugada de domingo quando um jato particular fretado partiu do Aeroporto Internacional 4 de Fevereiro, em Luanda, em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 Guarulhos, S\u00e3o Paulo. A bordo, Fernando Henrique Cardoso, seu filho Paulo Henrique Cardoso, um assessor e uma comiss\u00e1ria, al\u00e9m de dois seguran\u00e7as. Visitante frequente do continente africano, o j\u00e1 ent\u00e3o ex-presidente da Rep\u00fablica havia ido \u00e0 capital de Angola para uma confer\u00eancia sobre a integra\u00e7\u00e3o com o Brasil. Ap\u00f3s um cronograma de 5 dias cheio de eventos e formalidades, FHC participou de uma recep\u00e7\u00e3o na embaixada brasileira, onde degustou de iguarias locais baseadas em frutos do mar, seguindo ent\u00e3o para o aeroporto.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Assim que o avi\u00e3o levantou voo e as luzes se apagaram, Fernando Henrique come\u00e7ou a passar mal. Sentados no banco de tr\u00e1s, os dois seguran\u00e7as notaram que havia algo errado quando o ex-presidente foi ao banheiro. \u201cO <em>chefe <\/em>t\u00e1 estranho\u201d, disse um para o outro, indo ent\u00e3o atr\u00e1s dele. FHC come\u00e7ou a ter diarreia e v\u00f4mitos violentos, possivelmente como rea\u00e7\u00e3o \u00e0 alguma comida estragada, passando mais de uma hora soltando l\u00edquido pelo corpo. \u00c1gua, ch\u00e1, caf\u00e9, nada parava em seu organismo. Com o jato j\u00e1 sobre o Oceano Atl\u00e2ntico \u2013 e considerando o fato de que Angola n\u00e3o era refer\u00eancia em medicina \u2013 voltar n\u00e3o era uma op\u00e7\u00e3o e n\u00e3o havia o que fazer. Socorrido pelos seguran\u00e7as e pela aeromo\u00e7a, que usava panos, toalhas e at\u00e9 fronhas e len\u00e7\u00f3is para limpar a sujeira, o ex-presidente entrou em choque durante o voo.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Em determinado momento, Fernando Henrique desfaleceu. Com os olhos revirados para cima, a cabe\u00e7a encostada em um dos seguran\u00e7as, que esbofeteava seu rosto desesperadamente, FHC apagou. N\u00e3o respondia a nenhum est\u00edmulo, nem aos apelos da comiss\u00e1ria, a essa altura toda descabelada e suja tamb\u00e9m. \u201cSer\u00e1 que ele morreu?\u201d, perguntou o outro seguran\u00e7a. Ningu\u00e9m respondeu. Sil\u00eancio. Aos poucos&#8230;o ex-presidente voltou a si. \u201cPuxa, acho que eu dormi um pouco\u201d, disse. Do avi\u00e3o, o assessor ligou para os m\u00e9dicos em S\u00e3o Paulo, que j\u00e1 preparavam soros e todo o atendimento na cabeceira da pista. Ainda assustados, os seguran\u00e7as procuravam dar o m\u00e1ximo de conforto a Fernando Henrique em meio \u00e0s poltronas. Em Cumbica, enquanto descia do avi\u00e3o e meio sem gra\u00e7a pelo inc\u00f4modo durante a viagem, FHC agradeceu a ajuda deles.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Pouca gente sabe, mas terminado o mandato, o <a href=\"http:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/?p=416\" data-type=\"URL\" data-id=\"http:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/?p=416\">presidente<\/a> no Brasil tem direito a utilizar os servi\u00e7os de quatro servidores, destinados \u00e0 sua seguran\u00e7a pessoal, al\u00e9m de dois ve\u00edculos oficiais com motoristas, com as despesas custeadas pela pr\u00f3pria Presid\u00eancia da Rep\u00fablica. \u00c9 algo garantido por lei, est\u00e1 na <a href=\"http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/l7474.htm#:~:text=Art%201%C2%BA%20O%20Presidente%20da,pr%C3%B3prias%20da%20Presid%C3%AAncia%20da%20Rep%C3%BAblica.\">Constitui\u00e7\u00e3o de 1988<\/a>. E ao contr\u00e1rio do que possa parecer, a rotina desses profissionais \u00e9 at\u00e9 bem movimentada, com muita emo\u00e7\u00e3o e v\u00e1rios casos para contar. Essa \u00e9 a hist\u00f3ria desses seguran\u00e7as, particularmente a desses dois que estiveram no voo de Angola: Roberto Bueno Fontana, o Fontana, sargento da reserva da Pol\u00edcia Militar do Estado de S\u00e3o Paulo; e Augusto Souza de S\u00e1, o S\u00e1, tenente da PM de SP \u2013 e, coincidentemente, meu padrasto.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p><strong>A rua e o chamado \u00e0 a\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>\u201cPega ladr\u00e3o!\u201d, gritou uma mulher no terminal de \u00f4nibus de Santana, zona norte de s\u00e3o Paulo. Era 1989 e aquela regi\u00e3o n\u00e3o era muito segura para senhoras distra\u00eddas com suas bolsas (como at\u00e9 hoje n\u00e3o \u00e9). Tinha apenas sete anos de idade, mas lembro claramente da cena e de como o Augusto \u2013 ou \u201cGuto\u201d como cham\u00e1vamos ele ent\u00e3o, se portou nessa ocasi\u00e3o. Hav\u00edamos ido ao \u201ccentro\u201d (qualquer lugar longe do bairro era \u201ccentro\u201d para os antigos) e paramos para comer alguma coisa antes de voltar para casa. Assim que ouviu o grito da mulher, Guto come\u00e7ou a sondar ao redor e identificou o meliante atravessando as filas dos \u00f4nibus na diagonal, no meio de um monte de gente. Antes que perceb\u00eassemos, ele j\u00e1 tinha corrido em dire\u00e7\u00e3o ao assaltante e, de repente \u2013 Z\u00e1s! \u2013 com uma rasteira, botou-o no ch\u00e3o. Guto pegou a bolsa roubada e devolveu \u00e0 dona. Aos olhos de uma crian\u00e7a, aquilo foi m\u00e1gica. Como se faz isso?<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>\u201cSe voc\u00ea n\u00e3o gostar, se voc\u00ea n\u00e3o sair com vontade de trabalhar, se n\u00e3o estiver no seu sangue, voc\u00ea n\u00e3o enxerga dessa forma e n\u00e3o faz nada\u201d, afirma Fontana. Para ele, esse instinto, o treinamento da pol\u00edcia e todo o trabalho nas ruas foram determinantes para suas carreiras, posteriormente como seguran\u00e7as presidenciais. \u201cIsso \u00e9 o que mais faz o pol\u00edcia jovem. Voc\u00ea s\u00f3 deixa de fazer isso quando fica velho e come\u00e7a a pensar duas vezes, porque sabe que a porrada \u00e9 maior se fizer coisa errada\u201d. E, de fato, S\u00e1 era jovem ent\u00e3o, ainda em seus primeiros anos de PM. Depois de trabalhar um tempo como cont\u00ednuo em um banco, entrou na corpora\u00e7\u00e3o em parte por voca\u00e7\u00e3o, em parte por falta de op\u00e7\u00e3o mesmo, come\u00e7ando pelo cargo mais baixo que h\u00e1 (o de soldado raso) e trabalhando no policiamento de rua.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>J\u00e1 Fontana, nascido e criado na Mooca, queria ser bombeiro quando crian\u00e7a. Ap\u00f3s trabalhar por um tempo numa empresa de tecelagem, j\u00e1 um pouco mais velho se encantou pela pol\u00edcia. Soldado formado, tentou trabalhar na Rocam (Rondas Ostensivas com Apoio de Motocicletas), mas por falta de vaga, acabou indo parar no policiamento do Tr\u00e2nsito, no 1\u00ba batalh\u00e3o (centro de S\u00e3o Paulo). L\u00e1 Fontana se destacou por m\u00e9rito pr\u00f3prio, mas tamb\u00e9m por conta do acaso. Durante uma ronda, sua equipe presenciou um assalto a uma ag\u00eancia do Unibanco na Avenida Alc\u00e2ntara Machado, partindo em persegui\u00e7\u00e3o a um Voyage com 5 elementos dentro e j\u00e1 pedindo ajuda com o \u201ccaneco\u201d (r\u00e1dio). Por conhecer o bairro, Fontana orientou a equipe a bloquear os assaltantes de surpresa em uma rua sem sa\u00edda e a\u00ed come\u00e7ou o tiroteio.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Foram 29 tiros em sua viatura, sendo que um deles pegou em sua cabe\u00e7a. Fontana ainda conseguiu atirar no Voyage, que fugiu sem ser identificado. Uma equipe da Rota chegou \u00e0 ocorr\u00eancia, apurou o que aconteceu e prestou suporte aos policiais baleados, escoltando-os at\u00e9 o hospital. Fontana passou por uma cirurgia e ficou mais de um ano parado, tendo perdido temporariamente a vis\u00e3o e os movimentos do lado direito do corpo. Quando voltou, n\u00e3o queria saber mais de Tr\u00e2nsito e procurou a Rota. Nesse meio, a pr\u00f3pria Rota lembrou do acontecido e reivindicou o profissional ao policiamento do Tr\u00e2nsito, que o cedeu por meio de permuta (algo bem comum no meio militar). Fontana ficou sete anos na Rota e s\u00f3 saiu para ir para a seguran\u00e7a da Presid\u00eancia da Rep\u00fablica.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>\u201cTrabalhar na rua era dif\u00edcil, mas hoje \u00e9 pior. Antes o calibre maior era uma metralhadora ou uma calibre 12. Hoje \u00e9 fuzil, autom\u00e1tica, semiautom\u00e1tica. Hoje existe fac\u00e7\u00e3o, PCC; antes n\u00e3o. E antigamente tinha algo que pesava muito, mas que hoje eles n\u00e3o t\u00eam: medo da pol\u00edcia\u201d, compara Fontana. Menciono para ele os v\u00e1rios casos do Augusto infiltrado em favelas, por exemplo, e o seguran\u00e7a confirma o risco que sempre existiu, mas ressalta a experi\u00eancia inestim\u00e1vel que a <a href=\"http:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/?p=539\">rua<\/a> traz ao profissional. \u201cNa escola voc\u00ea s\u00f3 aprende a teoria, pratica com o amiguinho como desarmar o bandido. \u00c9 no dia a dia da rua \u2013 e tendo isso no sangue \u2013 que voc\u00ea aprende e faz isso que o S\u00e1 fez. E n\u00e3o \u00e9 por honra, gl\u00f3ria, nada disso, n\u00e3o. \u00c9 por querer <em>parar o errado<\/em>. Essa vis\u00e3o de rua \u00e9 algo que militar de quartel n\u00e3o tem\u201d, explica.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p><strong>A pol\u00edtica e o chamado da Presid\u00eancia<\/strong><\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>1994 foi um ano emblem\u00e1tico para o Brasil e daqueles dif\u00edceis de esquecer. Em quest\u00e3o de meses, os brasileiros choraram a morte de Ayrton Senna, comemoraram a conquista de uma Copa do Mundo de futebol ap\u00f3s 24 anos, e votaram mais uma vez para presidente. <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/fsp\/1995\/1\/02\/caderno_especial\/36.html\">Fernando Henrique Cardoso foi eleito<\/a>, muito em fun\u00e7\u00e3o do controle da infla\u00e7\u00e3o que assolava o pa\u00eds h\u00e1 mais de uma d\u00e9cada e do sucesso do Plano Real, por ele liderado. E sua chegada mudou inclusive o formato da seguran\u00e7a presidencial. Se antes as equipes eram criadas e coordenadas tendo Bras\u00edlia como base, agora era necess\u00e1rio (e at\u00e9 recomend\u00e1vel) que profissionais de outras pra\u00e7as fossem convocados. O presidente da Rep\u00fablica era um ativo da Uni\u00e3o, por assim dizer, e todos os Estados eram respons\u00e1veis por sua seguran\u00e7a. E com FHC tendo sua fam\u00edlia e base eleitoral em S\u00e3o Paulo, era natural que viessem da\u00ed a maioria dos escolhidos.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>O Ex\u00e9rcito mandou uma carta ent\u00e3o ao comando geral da Pol\u00edcia Militar de S\u00e3o Paulo solicitando a indica\u00e7\u00e3o de dez dos seus melhores oficiais, que tivessem bom comportamento e capacidade t\u00e9cnica para a representar a corpora\u00e7\u00e3o em Bras\u00edlia. Dentre esses dez oficiais estavam Fontana e S\u00e1, que receberam os of\u00edcios em seus quart\u00e9is. Convocados para se apresentar formalmente, nem um nem outro tinham um recurso b\u00e1sico para seguran\u00e7as: terno. \u201cEu odiava terno. Isso pra mim era coisa de banqueiro, advogado, n\u00e3o de pol\u00edcia&#8230;al\u00e9m da farda, a gente s\u00f3 usava camiseta, cal\u00e7a jeans, t\u00eanis\u201d, lembra Fontana. Tamb\u00e9m lembro de meu padrasto tendo de ir comprar um terno e a estranheza de v\u00ea-lo pela primeira vez com aquela roupa. Foi no dia da apresenta\u00e7\u00e3o que ambos se conheceram.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Assim que foram escolhidos, os profissionais foram afastados da escala de rotina da PM e passaram a responder para a seguran\u00e7a da Presid\u00eancia da Rep\u00fablica, se deslocando ent\u00e3o para a Bras\u00edlia para o curso de forma\u00e7\u00e3o. A mudan\u00e7a da rua para a nova fun\u00e7\u00e3o n\u00e3o foi de todo simples, j\u00e1 que o trabalho de seguran\u00e7a \u00e9 muito mais mental e estrat\u00e9gico do que possa parecer. Enquanto na rua o foco n\u00e3o \u00e9 constante e o perigo podevir de qualquer lugar, na seguran\u00e7a a aten\u00e7\u00e3o \u00e9 constante e se concentra em algo muito preciso: na autoridade. \u201cN\u00f3s somos ensinados que nada deve <em>chegar <\/em>na autoridade. Se algu\u00e9m quiser agredir, alterar a voz ou mesmo atirar no presidente, com a vis\u00e3o perif\u00e9rica l\u00e1 de tr\u00e1s, voc\u00ea pode se interpor, jogar ele no ch\u00e3o, etc. Quer dizer, a pegada \u00e9 diferente\u201d, descreve. Fontana ainda destaca que, apesar de n\u00e3o haver um hist\u00f3rico de atentados no Brasil contra presidentes, os seguran\u00e7as est\u00e3o armados e precavidos. \u201cAt\u00e9 rep\u00f3rter que chega importunando, enfiando o microfone no rosto, n\u00f3s ficamos atentos. Mas isso a\u00ed \u00e9 o <em>caf\u00e9 pequeno <\/em>para n\u00f3s\u201d, brinca.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>E aqui aparece um processo importante que \u00e9 b\u00e1sico na rotina dos seguran\u00e7as, em qualquer lugar do mundo: o avan\u00e7ado. Trata-se de um reconhecimento pr\u00e9vio da seguran\u00e7a em fun\u00e7\u00e3o da agenda da autoridade, com protocolos espec\u00edficos definido por cada pa\u00eds (geralmente, com um risco de n\u00edvel 5, que \u00e9 o de um poss\u00edvel atentado). Mesmo um ex-presidente tamb\u00e9m conta com esse processo, que demanda conhecimento de tudo ele ir\u00e1 fazer em um dia: o hotel em que ele ir\u00e1 ficar, o espa\u00e7o de exposi\u00e7\u00e3o onde ir\u00e1 falar, qual \u00e9 o assunto, quem vai receb\u00ea-lo, etc. Envolve ainda conhecer e analisar com anteced\u00eancia todo o trajeto da autoridade durante uma atividade: qual caminho o carro ir\u00e1 fazer desde o aeroporto, a chegada, os locais por onde ir\u00e1 andar, a volta e poss\u00edveis alternativas. \u201cN\u00f3s j\u00e1 passamos com o Fernando Henrique nos bastidores de hot\u00e9is e eventos, por dentro de almoxarifados e cozinhas, por exemplo. N\u00f3s avis\u00e1vamos: \u2018\u00f3, presidente, a gente vai passar por um local meio feio, mas \u00e9 o melhor caminho para voc\u00ea evitar o tumulto l\u00e1 fora\u2019. Ele jamais reclamou e at\u00e9 ficava feliz, cumprimentando todo mundo\u201d, conta Fontana. Na maioria das vezes, \u00e9 preciso ter pelo menos duas alternativas de rota na manga, para evitar qualquer imprevisto.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>O trabalho da seguran\u00e7a presidencial no Brasil \u00e9 extensivo aos seus familiares e, no primeiro mandato de Fernando Henrique Cardoso, o trabalho de Fontana e S\u00e1 foi basicamente junto aos filhos e netos do presidente que viviam em S\u00e3o Paulo. J\u00e1 no come\u00e7o do segundo mandato, uma de suas filhas (Beatriz Cardoso) se mudou para o Rio de Janeiro e parte da equipe \u2013 incluindo Fontana e S\u00e1 \u2013 foi deslocada para fazer a seguran\u00e7a do jurista e ex-desembargador <a href=\"https:\/\/cbn.globoradio.globo.com\/comentaristas\/walter-maierovitch\/WALTER-MAIEROVITCH-JUSTICA-E-CIDADANIA.htm\">Walter Maierovitch<\/a>, ent\u00e3o secret\u00e1rio nacional Anti-Drogas do governo FHC. Contudo, Maierovitch tinha uma fam\u00edlia bem grande com quatro filhos, sendo dois deles excepcionais e que demandavam cuidados espec\u00edficos. A agenda apertada de tarefas e o afastamento da rotina presidencial em si desanimou os seguran\u00e7as. Fontana aproveitou a amizade com profissionais do Detran e pediu o deslocamento para o \u00f3rg\u00e3o. S\u00e1 fez o mesmo, mas solicitando transfer\u00eancia para a Pol\u00edcia Florestal. Ele j\u00e1 havia casado com minha m\u00e3e e minha irm\u00e3, Laura, n\u00e3o tinha nem um ano de idade.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p><strong>Lula, problemas na equipe e mudan\u00e7as<\/strong><\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Corta para 2003. Vania Trevisan estava correndo na pista de atletismo na Escola de Educa\u00e7\u00e3o F\u00edsica de Pol\u00edcia Militar de S\u00e3o Paulo, no bairro do Pari, quando ouviu uma voz lhe chamando de longe. \u201cVania!\u201d. Era o marido de uma amiga sua, que a reconheceu durante o curso que ali estava sendo ministrado. Vania era sargento da PM e trabalhava na \u00e1rea ensino da corpora\u00e7\u00e3o, com as unidades de escola que ministram os cursos de forma\u00e7\u00e3o de soldado. \u201cP\u00f4, Vania, voc\u00ea n\u00e3o vai fazer o teste? T\u00e1 todo mundo da Presid\u00eancia a\u00ed, a equipe vai ser aumentada\u201d, contou o amigo. Vania j\u00e1 havia sido indicada e feito um teste para a seguran\u00e7a presidencial no passado \u2013 na mesma \u00e9poca que S\u00e1 e Fontana \u2013, mas n\u00e3o foi aprovada (depois descobriu que foi preterida em fun\u00e7\u00e3o de outra oficial por j\u00e1 ter filhos na \u00e9poca). Por\u00e9m, sua ficha ficou guardada na Presid\u00eancia da Rep\u00fablica e, quando a oportunidade pintou novamente, no acaso ali na pista de atletismo, ela n\u00e3o pensou duas vezes.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Com a elei\u00e7\u00e3o de Luis In\u00e1cio Lula da Silva um ano antes, as equipes de seguran\u00e7a de fato tiveram de aumentar da noite para o dia, j\u00e1 que a fam\u00edlia de Lula era muito maior que a de FHC, com quase o dobro de filhos e enteados e, consequentemente, genros, noras e netos, quase todos morando no ABC. Ao mesmo tempo, tamb\u00e9m houve movimenta\u00e7\u00f5es na equipe anterior, que teve de decidir quem iria continuar com o presidente FHC e sua fam\u00edlia e quem iria ser transferido para o trabalho em S\u00e3o Bernardo. Fontana e S\u00e1, que j\u00e1 haviam voltado para a seguran\u00e7a presidencial, habilitaram-se como volunt\u00e1rios para compor a equipe de Fernando Henrique. Na \u00e9poca, foi feita uma lista com poss\u00edveis nomes, que seriam enviados para a escolha da fam\u00edlia do futuro ex-presidente. No entanto, quem de fato escolhia esses nomes era o general militar superior na ocasi\u00e3o e que, enciumado com o sucesso dos militares no trabalho com FHC, retirou o nome dos dois seguran\u00e7as.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Fontana ainda pode voltar a equipe, por um pedido direto da esposa de Fernando Henrique, Ruth Cardoso, que estranhou o fato do seguran\u00e7a n\u00e3o estar na lista. J\u00e1 com Augusto n\u00e3o aconteceu o mesmo: ele foi deslocado para a equipe de Lula e sua fam\u00edlia, indo trabalhar com Vania \u2013 que ele j\u00e1 conhecia anteriormente. \u201cAh, o S\u00e1 era um amig\u00e3o, n\u00e9? O que a gente aprontava n\u00e3o t\u00e1 escrito\u201d, ela relembra com carinho. O fato de haver poucas mulheres em um segmento t\u00e3o masculino nunca foi problema para ela, muito pelo contr\u00e1rio. Vinda de uma fam\u00edlia de PMs \u2013 seu pai, seu tio e sua irm\u00e3 eram da corpora\u00e7\u00e3o \u2013 Vania sempre esteve acostumada com a farda e via o elemento feminino como um diferencial na equipe. Embora as mulheres fa\u00e7am o mesmo trabalho que os homens \u2013 incluindo os treinamentos de tiro e defesa pessoal \u2013 ela acredita que sua atua\u00e7\u00e3o pode ajudar a tornar a seguran\u00e7a menos \u201ctruculenta\u201d, digamos. \u201cA mulher tem essa <em>delicadeza<\/em>, vamos dizer assim, que n\u00e3o deixa o trabalho engessado\u201d, defende.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Vania trabalhou de 2003 a 2008 na seguran\u00e7a presidencial e durante esse tempo viu de tudo. Um caso particularmente marcante foi o da tentativa de assalto a <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha\/cotidiano\/ult95u83573.shtml\">F\u00e1bio Luiz Lula da Silva<\/a>, o Lulinha. O filho mais velho de Lula tinha uma empresa na Vila Madalena na \u00e9poca. Um carro abordou uma parte da equipe, que havia ido jantar e voltava para pegar o empres\u00e1rio. Houve o revide, mas nenhum dos seguran\u00e7as foi alvejado (Lulinha ainda estava dentro do edif\u00edcio). A curiosidade ficou por conta de um dos motoristas. Como era ainda a \u00e9poca da forma\u00e7\u00e3o da equipe, o motorista nessa ocasi\u00e3o n\u00e3o era um militar, mas sim um civil contratado e que ficou apavorado na hora do tiroteio. Buscando se proteger, ele pulou um muro de uma casa que era baixa do lado da rua, mas alta para o lado de dentro. O rapaz caiu, rolou e, sem saber o que fazer, saiu correndo mancando. \u201cAt\u00e9 hoje a gente t\u00e1 procurando ele\u201d, ri Vania.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Hoje na reserva, a sargento da PM relembra os tempos dif\u00edceis de escassez de profissionais na equipe de seguran\u00e7a de Lula, principalmente quando o presidente e sua filha Lurian vinham a S\u00e3o Paulo. Embora as equipes de Bras\u00edlia e Florian\u00f3polis, respectivamente, os acompanhassem nas viagens, muitas vezes eram as equipes locais quem de fato faziam o trabalho na visita. E a\u00ed o cansa\u00e7o dominava. \u201cIsso sem contar a dupla jornada: como pol\u00edcia \u2013 j\u00e1 que a gente tinha instru\u00e7\u00e3o de tiro, teste f\u00edsico, etc mesmo na folga \u2013 e como m\u00e3e e mulher, em casa\u201d. Do lado do Augusto, o cansa\u00e7o tamb\u00e9m era grande, j\u00e1 que ele tinha de se deslocar todos os dias da zona norte de S\u00e3o Paulo at\u00e9 S\u00e3o Bernardo, um percurso de mais de 30km. Lembro do des\u00e2nimo do meu padrasto nessa \u00e9poca, que s\u00f3 aumentou quando roubaram, de dentro da garagem da nossa casa, a moto que ele usava para trabalhar. Pouco tempo depois, S\u00e1 pediu para sair e, com a ajuda do parceiro Fontana, conseguiu retornar \u00e0 seguran\u00e7a de FHC. Vania tamb\u00e9m deixou a equipe de Lula, voltando para a \u00e1rea de ensino da PM antes de se aposentar.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p><strong>Relacionamento com autoridades, familiares e parceiros<\/strong><\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Seres humanos s\u00e3o seres humanos. A pessoa pode ser presidente da Rep\u00fablica ou um simples soldado da pol\u00edcia, mas ela tem sentimentos, vontades e necessidades pr\u00f3prias. Mais ainda: pessoas se relacionam com pessoas e quando essas vontades e necessidades sobressaem, pode haver fa\u00edscas. Pergunto a Fontana e Vania como era o relacionamento com as autoridades e ambos relatam que, apesar do profissionalismo, o car\u00e1ter humano de ambos os lados transparecia sim. \u201c\u00c0s vezes acontecia de a gente presenciar uma discuss\u00e3o no carro, por exemplo, entre marido e mulher. \u00c9 natural, a pessoa se acostuma e nem lembra que voc\u00ea est\u00e1 ali\u201d, lembra Fontana. Mas esse \u201cesquecimento\u201d nem sempre \u00e9 algo tranquilo para os seguran\u00e7as. \u201c\u00c9, \u00e0s vezes a pessoa ia em um jantar, por exemplo, previsto pra durar 1h e ela se esquecia da gente e ficava l\u00e1 3h, 4h. Enquanto isso, a gente fica l\u00e1 fora esperando e passando fome. P\u00f4 e n\u00f3s, quando a gente vai jantar? Eu costumava dizer: \u201ctem coisas que nem em casa eu aturo e aqui eu n\u00e3o tenho escolha\u2019\u201d.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Mas nem tudo \u00e9 sacrif\u00edcio. Vania lembra de um caso positivo e particularmente marcante, envolvendo o falecido Jos\u00e9 Alencar. Embora morando em Bras\u00edlia, o ent\u00e3o vice-presidente passava por um tratamento no Hospital S\u00edrio-Liban\u00eas e precisava ir a S\u00e3o Paulo com frequ\u00eancia, principalmente quando sua temperatura corporal se descontrolava. Em determinada ocasi\u00e3o, a sa\u00fade de Alencar piorou e as equipes se mobilizaram para um voo de emerg\u00eancia. Vania estava de servi\u00e7o nesse dia, foi at\u00e9 o aeroporto recepcion\u00e1-lo e notou de imediato a apar\u00eancia e o estado preocupante do vice-presidente. Ao descer do avi\u00e3o, ele brincou com a equipe: \u201cOlha s\u00f3, j\u00e1 viemos dar trabalho pra voc\u00eas, n\u00e9?\u201d. \u201cQuer dizer, era algu\u00e9m que sempre nos tratou com muito carinho, mesmo doente. Ele enxergava a gente como pessoa mesmo, n\u00e3o como o \u2018escudo humano\u2019 que \u00e9 o seguran\u00e7a\u201d. O vice-presidente <a href=\"http:\/\/g1.globo.com\/politica\/noticia\/2011\/03\/ex-vice-presidente-jose-alencar-morre-aos-79-anos.html\">Jos\u00e9 Alencar morreu em 2011<\/a>, pela fal\u00eancia m\u00faltipla dos \u00f3rg\u00e3os em decorr\u00eancia de um c\u00e2ncer na regi\u00e3o abdominal.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Fontana tamb\u00e9m fala com muito carinho de Fernando Henrique. \u201cO presidente sempre foi muito educado, nunca levantou a voz, nunca questionou nossas orienta\u00e7\u00f5es ou discutiu com a gente. Quando algum assessor reclamava com ele sobre as restri\u00e7\u00f5es da seguran\u00e7a, ele falava \u2018ah, resolve l\u00e1 com eles\u2019\u201d. Ao mencionar o ex-presidente, Fontana lembra muito mais dos pontos positivos e das v\u00e1rias hist\u00f3rias, principalmente aquelas vividas junto com o parceiro, de quem destaca o bom-humor. S\u00e1 e toda a equipe tinham o costume de imitar a voz de FHC, que sempre usou express\u00f5es e um tom de voz peculiar (ali\u00e1s, muito imitado por <a href=\"http:\/\/globotv.globo.com\/rede-globo\/memoria-globo\/v\/casseta-planeta-urgente-voando-henrique-cardoso\/2563953\/\">Hubert no programa de TV \u201cCasseta &amp; Planeta\u201d<\/a>). E esse tom de voz transparecia ainda mais quando o ex-presidente atendia o telefone e falava quase cantando: \u201c<em>Aloooo<\/em>?\u201d. Logo, todo mundo na equipe brincava no telefone uns com outros imitando o <em>chefe<\/em>, dizendo: \u201c<em>Aloooo<\/em>?\u201d. Um belo dia, ao receber uma liga\u00e7\u00e3o de um n\u00famero desconhecido, S\u00e1 achou que era Fontana ou algu\u00e9m do escrit\u00f3rio chamando, e atendeu com um \u201c<em>Aloooo<\/em>?\u201d, quando na verdade era&#8230;o pr\u00f3prio FHC! Sem jeito, S\u00e1 mudou o tom de voz rapidamente e atendeu o ex-presidente. \u201cO Fernando Henrique sabe disso e sempre lidou com bom-humor\u201d, conta Fontana.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Ao ser perguntado sobre o relacionamento com o parceiro, o seguran\u00e7a fica sem palavras pela primeira vez e l\u00e1grimas veem aos seus olhos. \u201cAh&#8230;o cara faz muita falta, n\u00e9? A minha afinidade com o S\u00e1 era total. \u00c0s vezes a gente olhava a escala e quando via que ia dar plant\u00e3o com fulano, pensava: \u2018Putz, esse cara \u00e9 chato&#8230;\u2019. Com o S\u00e1 n\u00e3o, a gente at\u00e9 ficava feliz quando via que era com ele\u201d, lembra. Vania se recorda do parceiro com carinho tamb\u00e9m. \u201cDentro do quartel, dentro do GSI (Gabinete de Seguran\u00e7a Institucional), voc\u00ea trabalha com qualquer pessoa, n\u00e3o tem escolha. Agora, ter amizade fora do \u00e2mbito do trabalho \u00e9 outra coisa e o S\u00e1 era meu amigo, n\u00f3s sa\u00edmos para jantar todos juntos, sempre procurava ajudar quando podia. Al\u00e9m de ser um profissional maravilhoso, claro\u201d, elogia. Meu padrasto faleceu em 2020, depois de mais de 30 anos de servi\u00e7os prestados \u00e0 corpora\u00e7\u00e3o e \u00e0 Presid\u00eancia da Rep\u00fablica. Nem as corridas de longa dist\u00e2ncia (que ele adorava) e toda a atividade f\u00edsica a que ele sempre se dedicou o livrou de um c\u00e2ncer no p\u00e2ncreas, que o levou em poucos meses. A PM de S\u00e3o Paulo organizou uma homenagem formal ao S\u00e1, com a participa\u00e7\u00e3o de Fernando Henrique Cardoso, de quem minha irm\u00e3 recebeu a medalha de honra ao m\u00e9rito.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p><strong>O futuro e o fim<\/strong><\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Embora esteja na reserva h\u00e1 muitos anos, Fontana at\u00e9 hoje trabalha com o ex-presidente, como supervisor na Funda\u00e7\u00e3o FHC. Ele conta que, com a pandemia e por conta de problemas de sa\u00fade, a atividade de Fernando Henrique diminuiu bastante, tamb\u00e9m, mas que ainda o v\u00ea como uma voz ativa na pol\u00edtica e no partido o qual fundou, o PSDB. \u201cO pessoal t\u00e1 sempre procurando ele, D\u00f3ria, Jereissati, todo mundo. S\u00f3 que tem que entender que \u00e9 um senhor de 90 anos, tem a quest\u00e3o da sa\u00fade, n\u00e3o \u00e9 mais a mesma coisa\u201d.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Aproveito o tema da pol\u00edtica e menciono a exposi\u00e7\u00e3o de alguns <a href=\"https:\/\/veja.abril.com.br\/politica\/assessores-pessoais-de-bolsonaro-fazem-barulho-nas-redes-com-fake-news\/\">seguran\u00e7as e militares que trabalham com Bolsonaro<\/a> hoje, por exemplo, e que arriscam carreiras pol\u00edticas buscando se associar ao presidente. Pergunto a Fontana se esse interesse pol\u00edtico por parte da seguran\u00e7a \u00e9 algo novo e ele discorda. \u201cN\u00e3o, isso sempre existiu, mesmo com o FHC. Teve uma \u00e9poca em que um dos seguran\u00e7as, chamado Fabio Ten\u00f3rio, tentou algo assim, pedia conselhos do Fernando Henrique etc. O problema \u00e9 que ele se filiou justo a um partido menor, do Collor, e s\u00f3 a fam\u00edlia votou nele. Quer dizer, n\u00e3o \u00e9 algo pensado, a pessoa faz s\u00f3 por fazer\u201d, conta. Hoje Ten\u00f3rio \u00e9 pastor na Zona Sul de S\u00e3o Paulo.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Questiono Fontana sobre o futuro e ele desconversa. \u201c\u00c9 que n\u00e3o tem mais nada do que havia antes, minha rotina \u00e9 bem burocr\u00e1tica. Hoje eu ajudo o Fernando Henrique em quest\u00f5es mais b\u00e1sicas, \u00e9 quase como um familiar mesmo. E sem o S\u00e1, tamb\u00e9m n\u00e3o tem mais muita gra\u00e7a mesmo\u201d, lamenta. Da minha parte, bate um misto de saudade do meu padrasto e um pouco de arrependimento mesmo, por n\u00e3o ter se interessado em ouvir dele pr\u00f3prio esses e tantos outros causos legais, de pessoas que passam a vida trabalhando para proteger outras pessoas. Fica a mem\u00f3ria e a esperan\u00e7a de que, de onde estiver, ele possa ver os amigos e familiares que deixou e a hist\u00f3ria que construiu.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>&nbsp;<\/p>\r\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Dos perrengues nos plant\u00f5es \u00e0s imita\u00e7\u00f5es de FHC, os bastidores, a rotina e causos da vida no cora\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica Por Diego Macedo \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/?p=549\"> <\/a>","protected":false},"author":110,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[7],"tags":[51,54,50,53,52],"class_list":["post-549","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-revista-babel-julho-2021","tag-fhc","tag-militares","tag-politica","tag-presidencia","tag-seguranca"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v19.10 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>Avan\u00e7ado: a seguran\u00e7a dos ex-presidentes do Brasil - 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