{"id":539,"date":"2021-06-21T11:34:56","date_gmt":"2021-06-21T14:34:56","guid":{"rendered":"http:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/?p=539"},"modified":"2022-12-13T21:53:56","modified_gmt":"2022-12-14T00:53:56","slug":"7-de-setembro-o-que-leva-uma-pessoa-a-protestar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/?p=539","title":{"rendered":"7 de setembro: o que leva uma pessoa a protestar?"},"content":{"rendered":"\r\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Manifesta\u00e7\u00f5es retratam a volta da for\u00e7a das ruas e a ru\u00edna representativa das institui\u00e7\u00f5es<\/h2>\r\n\r\n\r\n\r\n<div class=\"wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-9d6595d7 wp-block-columns-is-layout-flex\">\r\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\" style=\"flex-basis: 100%;\">\r\n<p>Tr\u00eas quil\u00f4metros eram o que separavam as manifesta\u00e7\u00f5es a favor e contra o governo do presidente Jair Bolsonaro, em Bras\u00edlia, programadas para o Dia da Independ\u00eancia, no dia 7 de setembro. Em m\u00e9dia, uma caminhada de 50 minutos, mas, na corrida do alvoro\u00e7o do momento, o tempo \u00e9 ainda menor. Os apoiadores do chefe do Executivo estariam na Pra\u00e7a dos Tr\u00eas Poderes, enquanto que a oposi\u00e7\u00e3o iria se reunir na Torre de TV.\u00a0<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Em S\u00e3o Paulo, a situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o era diferente. Com a mesma quilometragem de dist\u00e2ncia, a tens\u00e3o pairava entre a Avenida Paulista, reservada para os apoiadores do governo, e o Vale do Anhangaba\u00fa, para os opositores. O movimento, ainda, abrangeu outras capitais por todo o Brasil.\u00a0<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>O feriado deste ano se tornou a mais elevada aposta pol\u00edtica entre os grupos. Desde que assumiu o Pal\u00e1cio do Planalto, o momento representou o \u00e1pice do acirramento de <a href=\"http:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/?p=416\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" data-type=\"URL\" data-id=\"http:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/?p=416\">Bolsonaro e as institui\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas<\/a>. Entre as principais pautas defendidas pelo presidente estavam a oposi\u00e7\u00e3o contra, conforme considerados por ele e seus aliados, abusos de poder dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e a defesa pelo voto impresso. J\u00e1 no campo contra o governo, as principais pautas eram a defesa pelo impeachment do presidente e das institui\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas.\u00a0<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Apesar do clima de incerteza e tens\u00e3o, as pessoas foram \u00e0s ruas. De acordo com a Secretaria da Seguran\u00e7a P\u00fablica, cerca de 140 mil pessoas compareceram nos protestos simult\u00e2neos em S\u00e3o Paulo \u2014 125 mil na Avenida Paulista e 15 mil no Vale do Anhangaba\u00fa. J\u00e1 nas manifesta\u00e7\u00f5es de Bras\u00edlia, o \u00f3rg\u00e3o respondeu \u00e0 reportagem que n\u00e3o faz levantamento de estimativa de p\u00fablico.\u00a0<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Os manifestantes exerciam a liberdade de express\u00e3o assegurada pela Constitui\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica Federativa do Brasil de 1988, no Artigo 5\u00ba, que aborda os direitos fundamentais e deveres individuais. O inciso XVI garante: \u201cTodos podem reunir-se pacificamente, sem armas, em locais abertos aos p\u00fablico, independentemente de autoriza\u00e7\u00e3o, desde que n\u00e3o frustrem outra reuni\u00e3o anteriormente convocada para o mesmo local, sendo apenas exigido pr\u00e9vio aviso \u00e0 autoridade competente\u201d.\u00a0<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Tal inciso, apesar de garantir o protesto, define tr\u00eas limites. Primeiramente, assegura o direito de reuni\u00e3o em locais abertos ao p\u00fablico, desde que os manifestantes n\u00e3o estejam armados. Exige-se a premissa de uma reuni\u00e3o pac\u00edfica. Em segundo lugar, se o ato for realizado em um recinto fechado, \u00e9 necess\u00e1ria uma autoriza\u00e7\u00e3o. Por \u00faltimo, limita-se ao fato de que n\u00e3o \u00e9 permitido realizar qualquer tipo de manifesta\u00e7\u00e3o que frustre uma reuni\u00e3o anteriormente marcada para o mesmo lugar.\u00a0<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>&nbsp;<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Simbologia do protesto<\/strong><\/h3>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Costurado por ondas de manifesta\u00e7\u00f5es p\u00fablicas durante sua hist\u00f3ria, o Brasil mostra-se um palco para a consolida\u00e7\u00e3o da cultura de protesto. Sob patriotismo e reivindica\u00e7\u00f5es, tal protagonismo faz com que a quest\u00e3o ideol\u00f3gica se torne secund\u00e1ria, o poder e capacidade de mobiliza\u00e7\u00e3o transparecem o real valor dela. Causas s\u00e3o apoiadas, n\u00e3o necessariamente partidos ou ideologias.\u00a0<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Marco Martins, l\u00edder estadual do Movimento Acredito, organizador do Fora Bolsonaro, entende o ato de protestar como a tentativa de se mudar um cen\u00e1rio em que n\u00e3o h\u00e1 concord\u00e2ncia de maneira concreta. \u201cN\u00e3o \u00e9 s\u00f3 ficar em casa torcendo para que algo aconte\u00e7a, mas efetivamente tentar fazer aquilo acontecer\u201d, diz.\u00a0<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Apesar do embate entre partes da sociedade ter se tornado um jogo de manique\u00edsmo nos \u00faltimos tempos, o intuito dos protestos, por si s\u00f3, re\u00fane grupos, at\u00e9 ent\u00e3o inimigos no campo pol\u00edtico.\u00a0<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>\u201cA rua \u00e9 nosso lugar e \u00e9 l\u00e1 que as coisas mudam\u201d, afirma o estudante de Direito Victor Serino, que frequenta protestos desde junho de 2013. \u201cPrefiro pessoas com bandeiras \u2018meio erradas\u2019 na rua do que com \u2018bandeiras certas\u2019 dentro de casa, no Facebook ou no sof\u00e1\u201d, diz.\u00a0<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Para a advogada Rafaela Torres, ir \u00e0 rua protestar significa sair da zona de conforto e expressar, atrav\u00e9s de sua presen\u00e7a nos atos, a defesa de seus ideais. J\u00e1 a jornalista Tha\u00eds Chaves, articuladora do grupo Fora Bolsonaro do Movimento Acredito, reconhece a import\u00e2ncia de ocupa\u00e7\u00e3o de espa\u00e7os em prol de demonstrar opini\u00e3o sobre um assunto. Para ela, al\u00e9m da ocupa\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o virtual pelas <a href=\"http:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/?p=403\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" data-type=\"URL\" data-id=\"http:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/?p=403\">redes sociais<\/a>, \u00e9 essencial que as reivindica\u00e7\u00f5es abarquem tamb\u00e9m o espa\u00e7o f\u00edsico para deixar claro o posicionamento de um grupo.\u00a0<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>&nbsp;<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Mobiliza\u00e7\u00e3o\u00a0<\/strong><\/h3>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Para al\u00e9m do palco oferecido pelas ruas, as redes sociais formaram lideran\u00e7as que antes eram inexpressivas e, agora, passam a articular grupos. As manifesta\u00e7\u00f5es de 2013 contra a presidente Dilma Rousseff, chamadas Jornadas de Junho de 2013,<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>representaram uma revitaliza\u00e7\u00e3o dos protestos no pa\u00eds. A import\u00e2ncia dos atos se deu, principalmente, no modo de organiza\u00e7\u00e3o. Com a amplitude nas redes, as manifesta\u00e7\u00f5es mostram que n\u00e3o h\u00e1 mais apenas uma lideran\u00e7a hier\u00e1rquica e passou a traduzir que atos podem tamb\u00e9m ter car\u00e1ter apartid\u00e1rio.\u00a0<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Daniela Mussi, doutora em Ci\u00eancia Pol\u00edtica pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), avalia que a popula\u00e7\u00e3o entendeu que os protestos referem-se, primordialmente, \u00e0s demandas democr\u00e1ticas, progressistas e do cidad\u00e3o. \u201cMas isso n\u00e3o significa que eles n\u00e3o tenham ideologia\u201d, pondera. Grande parte de tal mudan\u00e7a, conforme avalia, deve-se \u00e0 capacidade de alcance das redes sociais, tornando debates pol\u00edticos n\u00e3o s\u00f3 restritos a partidos, sindicatos ou escolas, mas \u00e0 capacidade geral de ir \u00e0s ruas, de debater e se expressar.\u00a0<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>O estudante de Letras Raul Garcia aponta que a mobiliza\u00e7\u00e3o nas redes, desde grupos de WhatsApp e Instagram, o estimula a participar dos protestos. \u201cMe incentiva muito ver que as pessoas que eu sigo e em que acredito est\u00e3o aderindo\u201d, reconhece.\u00a0<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Segundo Daniela, as filmagens feitas em protesto com o celular na m\u00e3o e compartilhadas nas redes sociais t\u00eam grande poder. \u201cIsso aproxima os protestos, porque as pessoas se sentem parte daquilo. Elas est\u00e3o assistindo a algo que poderiam ter feito. D\u00e1 vontade de ir\u201d. Isso, na vis\u00e3o dela, \u00e9 o contr\u00e1rio do que acontece quando a cobertura dos protestos \u00e9 feita por c\u00e2meras de helic\u00f3pteros, criando uma liga\u00e7\u00e3o passiva e afastada da pol\u00edtica.\u00a0<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Mesmo utilizando-se de ferramentas semelhantes \u00e0s usadas nas manifesta\u00e7\u00f5es de 2013, como o Facebook, o Movimento Brasil Livre (MBL) conta que elas sofreram modifica\u00e7\u00f5es em seu algoritmo, o que diminuiu significativamente o alcance na plataforma. \u201cNosso trabalho hoje conta com uma milit\u00e2ncia muito maior e mais engajada do que em 2015\/2016, por isso os m\u00e9todos foram inovados\u201d, comenta.\u00a0<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>&nbsp;<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>A &#8216;explos\u00e3o da indigna\u00e7\u00e3o&#8217; nos atos<\/strong><\/h3>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Reconhecidos pelo gesto de arma que formam com as m\u00e3os, a apreens\u00e3o rondava as manifesta\u00e7\u00f5es dos apoiadores do presidente pelo porte de armas por parte da popula\u00e7\u00e3o civil, pauta defendida por Bolsonaro em sua campanha presidencial em 2018. Diante do receio, capitais adotaram esquemas de revistas e refor\u00e7aram o monitoramento nos manifestantes.\u00a0<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>A corda entre o conceito de protesto e a pr\u00e1tica em si se estendia e, diante da posi\u00e7\u00e3o contra o STF e seus ministros, al\u00e9m do incentivo ao armamento, o direito de reuni\u00e3o foi posto em voga.\u00a0<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Para Marvella Orlandino, fisioterapeuta que participou de uma das manifesta\u00e7\u00f5es a favor de Bolsonaro, \u00e9 equivocada a afirma\u00e7\u00e3o de que elas se afastavam da ess\u00eancia dos protestos: \u201cA grande m\u00eddia perde credibilidade com a falta de imparcialidade na hora de transmitir a verdadeira not\u00edcia. Por conta disso, as manifesta\u00e7\u00f5es contr\u00e1rias do que eles defendem sempre s\u00e3o classificadas como anti-democr\u00e1ticas, com a inten\u00e7\u00e3o de desmoraliz\u00e1-las\u201d.\u00a0<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Em seu discurso na Avenida Paulista, o presidente disse que respeita todas as institui\u00e7\u00f5es, como pede o regime democr\u00e1tico, mas acrescentou: \u201cQuando algu\u00e9m do poder Executivo come\u00e7a a falhar, eu falo com ele. Se ele n\u00e3o se enquadra, eu demito. No Legislativo, n\u00e3o \u00e9 diferente\u201d. Para o presidente, \u00e9 uma infelicidade o mesmo n\u00e3o acontecer com o STF. \u201cTemos um ministro no Supremo que ousa continuar fazendo aquilo que n\u00f3s n\u00e3o admitimos. Ou esse ministro se enquadra ou pede para sair\u201d.\u00a0<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>A democracia demanda equil\u00edbrio entre os poderes e tem seu sistema definido como um governo do povo e para o povo. Para isso, o grau de seu regime democr\u00e1tico passa a depender do n\u00edvel de participa\u00e7\u00e3o popular nas decis\u00f5es tomadas, em especial no campo pol\u00edtico e social. No entanto, a falta de representatividade no sistema alimenta a necessidade de protestar. Restringir a democracia apenas ao pilar do voto imerge em uma falsa ideia de que ela s\u00f3 deve e pode ser feita de anos em anos.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Marcos Napolitano, doutor em Hist\u00f3ria Social pela Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), v\u00ea os protestos como \u201cuma explos\u00e3o de indigna\u00e7\u00e3o\u201d. \u201cMuitas vezes, mesmo n\u00e3o acreditando que seu protesto v\u00e1 ter um efeito naquilo que demanda, a pr\u00f3pria indigna\u00e7\u00e3o faz voc\u00ea ir \u00e0 rua protestar, extravasar uma indigna\u00e7\u00e3o\u201d, comenta. \u201cN\u00e3o \u00e9 tanto sobre o que vai conseguir com ele.\u201d\u00a0<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>A estudante de Jornalismo Laura Toyama os classifica como uma das \u201cmelhores formas\u201d de a popula\u00e7\u00e3o de se expressar politicamente. \u201cFaz volume, chama aten\u00e7\u00e3o da m\u00eddia\u201d, pontua. \u201c\u00c9 onde o povo pode dar opini\u00f5es em anos n\u00e3o eleitorais, \u00e9 o momento de eu conseguir me expressar politicamente. Nada se compara a estar na rua, estar com pessoas, que concordam com suas ideias, est\u00e3o se organizando para que isso seja reivindicado\u201d, destaca.\u00a0<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Laura \u00e9 participante presente em manifesta\u00e7\u00f5es e, mesmo se posicionando contra o governo Bolsonaro, participou dos atos a favor do presidente para exercer uma de suas maiores paix\u00f5es: a fotografia. \u201cFui no dia 7 porque queria fotografar e ver se estava cheio, saber perfil [das pessoas], porque sempre acabo participando dos atos da esquerda e sinto que s\u00e3o muito repetitivos\u201d, diz. \u201cSenti que precisava ver o outro lado.\u201d\u00a0<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Os protestos retomam a necessidade de se buscar um outro tipo de manifesta\u00e7\u00e3o, vindos diretamente da popula\u00e7\u00e3o, para al\u00e9m do direito ao voto, concedido de quatro em quatro anos. Contudo, a ideia das manifesta\u00e7\u00f5es, ao mesmo tempo que essencial, n\u00e3o deixa de passar por per\u00edodos de intensa idealiza\u00e7\u00e3o e apresenta limites al\u00e9m dos estabelecidos constitucionalmente.\u00a0<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>A liberdade de express\u00e3o garantida pela Constitui\u00e7\u00e3o n\u00e3o d\u00e1 aval para uma agenda de discurso de \u00f3dio, uma vez que contraria os pressupostos da pr\u00f3pria lei. \u00c9 contrassenso se manifestar para restringir a liberdade de opini\u00e3o do outro e, para isso, na pr\u00e1tica, existe uma fronteira entre o que \u00e9 razo\u00e1vel e o que n\u00e3o \u00e9, em termos de manifesta\u00e7\u00e3o p\u00fablica.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Advogado pela Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), Marcos Perez acredita que protestos com apologia a um comportamento criminoso e antidemocr\u00e1tico precisam ser combatidos. Ele destaca, no entanto, que, se a manifesta\u00e7\u00e3o prega algo que a lei pro\u00edbe, como o aborto, ela n\u00e3o est\u00e1 indo contra os fundamentos do Estado, afinal, busca mudar a lei, mas n\u00e3o o Estado democr\u00e1tico. \u201cNa d\u00favida, prevalece o direito de manifesta\u00e7\u00e3o, e n\u00e3o o limite ao direito dela\u201d, completa.\u00a0<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>A jornalista Tha\u00eds reconhece que as pessoas t\u00eam o direito de expressar suas opini\u00f5es, mas com limites. \u201cNo momento que as pessoas promovem discurso de \u00f3dio, pedem o fechamento do Congresso, do STF, o fim dos governadores e de forma muita pr\u00e1tica uma interven\u00e7\u00e3o militar, elas est\u00e3o ferindo a pr\u00f3pria liberdade de express\u00e3o delas, elas est\u00e3o sendo contra justamente o que d\u00e1 liberdade pra elas de expressarem a opini\u00e3o delas\u201d, comenta. Para ela, nesses casos, a ess\u00eancia do protesto \u201c\u00e9 mais esquecida, \u00e9 pervertida\u201d.\u00a0<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>&nbsp;<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Viol\u00eancia\u00a0nos protestos<\/strong><\/h3>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>A agenda de \u00f3dio das manifesta\u00e7\u00f5es pode ultrapassar os discursos e abranger tamb\u00e9m a estrutura f\u00edsica dos atos. Mesmo que a esteira das manifesta\u00e7\u00f5es dos \u00faltimos meses, contra ou a favor do presidente, parte dos protestos preze por a\u00e7\u00f5es pac\u00edficas, h\u00e1 a exist\u00eancia de epis\u00f3dios pontuais de viol\u00eancia.\u00a0<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Em 2013, o grupo Black Blocs se notabilizou nos protestos contra a\u00e7\u00f5es do governo da ex-presidente Dilma Rousseff e apostava na pr\u00e1tica direta de viol\u00eancia simb\u00f3lica. Ao depredar o patrim\u00f4nio p\u00fablico, o objetivo era chamar aten\u00e7\u00e3o da sociedade para a pauta e acelerar a negocia\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. Para o grupo, a discuss\u00e3o era at\u00e9 que ponto o pacifismo na manifesta\u00e7\u00e3o acaba beneficiando o Estado. Em repres\u00e1lia principalmente \u00e0s a\u00e7\u00f5es do grupo, a viol\u00eancia ganhou espa\u00e7o nos novos movimentos pol\u00edticos, tanto na a\u00e7\u00e3o dos manifestantes quanto na dos policiais.\u00a0<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>No evento \u201cNa Linha de Tiro\u201d, em 2018, a fotojornalista Gabriela Bil\u00f3, com diversos trabalhos em cobertura de conflitos urbanos, analisou uma canaliza\u00e7\u00e3o de raiva, adrenalina e descontrole nas manifesta\u00e7\u00f5es. \u201cEnquanto a pol\u00edcia \u00e9 treinada e armada, h\u00e1 manifestantes que n\u00e3o tem nenhum tipo de prote\u00e7\u00e3o, seja uma c\u00e2mera ou m\u00e1scara de g\u00e1s\u201d, afirma. Em sua vis\u00e3o, tais sentimentos de raiva e repress\u00e3o por parte dos manifestantes fazem com que os atos se virem contra a pr\u00f3pria pol\u00edcia, \u201cj\u00e1 que o objeto que impede o protesto \u00e9 ela.\u201d\u00a0<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Com a tens\u00e3o instalada nas manifesta\u00e7\u00f5es de 7 de setembro, a jornalista Tha\u00eds contou que estava com receio de participar dos protestos contra o presidente. \u201cFoi a \u00fanica vez que eu me lembro de hesitar em ir num ato&#8221;. Felizmente, nada aconteceu. Thais conta que j\u00e1 presenciou situa\u00e7\u00f5es de vandalismo e brigas, mas n\u00e3o acredita que a viol\u00eancia deve ser um impeditivo para a ades\u00e3o aos protestos. \u201cIsso representa uma parte dos opositores, e n\u00e3o um contingente de gente muito grande que est\u00e1 nas ruas\u201d, pontua.\u00a0<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>A estudante Laura tamb\u00e9m compartilha que a \u00fanica vez em que sentiu medo de participar de manifesta\u00e7\u00f5es foi no feriado de Dia da Independ\u00eancia pelo receio de ser identificada como jornalista em meio aos aliados de Bolsonaro. \u201cFui meio camuflada, com roupas neutras e tentei n\u00e3o chamar muita aten\u00e7\u00e3o com a c\u00e2mera\u201d, conta. \u201cTive mais medo por estar no meio da oposi\u00e7\u00e3o mesmo\u201d.\u00a0<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Participante ativa de protestos, a estudante faz recomenda\u00e7\u00f5es para lidar com as situa\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia. Segundo ela, \u00e9 bom levar um len\u00e7o para cobrir o rosto, utilizar roupa confort\u00e1vel e n\u00e3o ir com o corpo muito exposto para poder correr e, caso tenha confronto com bombas de lacrimog\u00eaneo, n\u00e3o se machucar. \u201cSabendo dessas coisas eu me sinto preparada pra ir pra rua mesmo sabendo que pode ter repress\u00e3o\u201d, diz.\u00a0<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Ela conta que nunca foi em um protesto com forte viol\u00eancia, mas j\u00e1 presenciou dispers\u00e3o e confronto entre pol\u00edcia e um grupo de a\u00e7\u00e3o direta, que estava depredando metr\u00f4 e ag\u00eancias banc\u00e1rias. Diante dos relatos, Laura avalia que sua experi\u00eancia ativa nas ruas deve ter influ\u00eancia de privil\u00e9gio tamb\u00e9m. \u201cEu sou branca, ent\u00e3o nunca saio na rua com medo de sofrer repress\u00e3o, <a href=\"http:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/?p=161\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" data-type=\"URL\" data-id=\"http:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/?p=161\">persegui\u00e7\u00e3o pela pol\u00edcia<\/a>, s\u00e3o coisas que passam n\u00e3o pela minha cabe\u00e7a\u201d, pondera.\u00a0<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Al\u00e9m da evid\u00eancia dos Black Blocs, o ano de 2013 representou uma forte marca para as manifesta\u00e7\u00f5es no pa\u00eds. A onda de protestos iniciou-se nas ruas contra o aumento da tarifa do transporte p\u00fablico na cidade de S\u00e3o Paulo. Marco, l\u00edder do Movimento Acredita, conta que participava dos atos naquele ano, mas parou de marcar presen\u00e7a porque, para ele, estava muito violento.\u00a0<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>\u201cEm 2016, nos [protestos] \u2018Fora Temer\u2019, alguns estavam saindo do controle e tamb\u00e9m parei de ir. Mas n\u00e3o nesses \u00faltimos atos, incluindo as amea\u00e7as que foram feitas no dia 7 [de setembro]\u201d, conta.\u00a0<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Al\u00e9m dos protestos do feriado de setembro, o Brasil vem sendo espa\u00e7o de constantes atos pol\u00edticos. De olho nas elei\u00e7\u00f5es de 2022, personagens nacionais intensificam seus embates ao presidente em prol do impedimento do exerc\u00edcio do chefe do Executivo. Cinco dias ap\u00f3s o pa\u00eds ser palco do 7 de setembro, no dia 12, o MBL liderou atos, que tamb\u00e9m divulgaram pol\u00edticos para a chamada terceira via para o ano que vem.\u00a0<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Para o grupo, a mobiliza\u00e7\u00e3o mostrou uma milit\u00e2ncia cr\u00edtica do governo e grupo de pessoas que se difere das que foram \u00e0s ruas contra os governos petistas. \u201cPudemos notar caracter\u00edsticas como faixa et\u00e1ria, classe social, etc, s\u00e3o pessoas que n\u00e3o est\u00e3o acostumadas a sair na rua para protestar\u201d, avalia. \u201cTendo isso em vista, a manifesta\u00e7\u00e3o de setembro significa o ponto de partida para uma articula\u00e7\u00e3o p\u00fablica suprapartid\u00e1ria, na qual se v\u00ea representantes dos mais diversos posicionamentos pol\u00edticos.\u201d\u00a0<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Como forma de evitar a ascens\u00e3o da viol\u00eancia, o MBL comenta que todo ato organizado conta com uma pr\u00e9via reuni\u00e3o com a Pol\u00edcia Militar e a Secretaria de Seguran\u00e7a.\u00a0<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>&nbsp;<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Direito de ir e vir\u00a0<\/strong><\/h3>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>O protesto tem um inconveniente: atrapalhar. E com o objetivo de chamar a aten\u00e7\u00e3o, sua a\u00e7\u00e3o baseia-se em incomodar as sociedades civis. No entanto, ao fechar ruas e avenidas ou paralisar servi\u00e7os \u00e0 popula\u00e7\u00e3o, como \u00f4nibus e metr\u00f4s, \u00e9 posto em discuss\u00e3o o direito dos demais cidad\u00e3os de ir e vir.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>A dicotomia se instala quando h\u00e1 quem entenda que uma greve nunca pode favorecer uma democracia, porque a liberdade \u00e9, teoricamente, n\u00e3o ser impedido de se deslocar. De acordo com Daniela, tolera-se bloquear a passagem dos indiv\u00edduos com a finalidade de que o bem de todos seja preservado. Com isso, a suposta no\u00e7\u00e3o de que a liberdade \u00e9 focada apenas no indiv\u00edduo cria sociedades desiguais.\u00a0<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>\u201cA ideia de uma sociedade livre \u00e9 poder eventualmente impedir a passagem do indiv\u00edduo, caso aquilo que esteja conquistando e reivindicando com essa solu\u00e7\u00e3o do passe seja algo que beneficie a todos e diminua as desigualdades\u201d, pontua.\u00a0<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Tha\u00eds Chaves analisa que atrapalhar a vida nas cidades \u00e9 uma consequ\u00eancia natural das manifesta\u00e7\u00f5es. Em sua avalia\u00e7\u00e3o, protestos mostram que o inc\u00f4modo sentido por parte da popula\u00e7\u00e3o \u00e9 t\u00e3o grande que precisa ser sentido na vida das pessoas para que se possa fazer algo a respeito. \u201cProtestos f\u00edsicos s\u00e3o formas simb\u00f3licas de representar um inc\u00f4modo que a sociedade tem\u201d, aponta.\u00a0<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Para Marcos Perez, atrapalhar a vida civil pelos atos traduz nada mais que um jogo democr\u00e1tico. \u201cO direito de incomodar n\u00e3o possibilita retirar liberdades fundamentais ou fazer uma prega\u00e7\u00e3o de \u00f3dio. Apesar dessa fronteira n\u00e3o ser clara, ela pode ser rompida e, quando for, deve-se dissolver a manifesta\u00e7\u00e3o.\u201d Conforme destaca, isso \u00e9 o \u00f4nus que se paga por viver em uma democracia.\u00a0<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>\u201cSe n\u00e3o houvesse democracia, ningu\u00e9m iria se manifestar, mas as pessoas iriam chegar em casa mais cedo. Quer dizer, o objetivo de se viver em sociedade \u00e9 andar de carro? O fato de n\u00e3o ter manifesta\u00e7\u00e3o \u00e9 o que deveria incomodar, pois n\u00e3o se teria um alto grau de conv\u00edvio pol\u00edtico e social\u201d, destaca.\u00a0<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Ap\u00f3s os protestos de 7 de setembro, parte da classe dos caminhoneiros seguiu uma agenda de paralisa\u00e7\u00e3o que congestiona rodovias em todo o pa\u00eds. Para a advogada Rafaela, os caminhoneiros se mobilizaram na mesma linha dos protestos de rua. No entanto, por conta da import\u00e2ncia da classe na log\u00edstica de abastecimento em todos os setores, o operariado conseguiu mostrar o que defendiam. \u201cAt\u00e9 porque eles possuem extrema import\u00e2ncia no funcionamento operacional do nosso Brasil.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Apesar da obje\u00e7\u00e3o, o MBL conta que raramente se depara com esse tipo de reclama\u00e7\u00e3o. Segundo o movimento, &#8220;os atos s\u00e3o organizados em datas estrat\u00e9gicas para n\u00e3o prejudicar a rotina dos trabalhadores\u201d.\u00a0<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>&nbsp;<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Manifesta\u00e7\u00f5es durante a covid-19<\/strong><\/h3>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>A exist\u00eancia do v\u00edrus da covid-19 tem sido outro fator de preocupa\u00e7\u00e3o para os que querem participar de manifesta\u00e7\u00f5es desde a eclos\u00e3o da pandemia, em mar\u00e7o de 2020, incluindo as do dia 7 de setembro, uma vez que a aglomera\u00e7\u00e3o de pessoas pode facilitar a dissemina\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a, j\u00e1 respons\u00e1vel por provocar mais de 600 mil mortes no Brasil.\u00a0<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>\u201cEu tentei me preparar em rela\u00e7\u00e3o a isso, ir de m\u00e1scara e passar essa informa\u00e7\u00e3o para frente tamb\u00e9m. J\u00e1 fiz parte de alguns grupos que distribu\u00edram m\u00e1scaras nos atos, al\u00e9m de panfletos de distanciamento para n\u00e3o ficar l\u00e1 aglomerando depois do ato\u201d, relata a estudante Laura sobre as tentativas de diminuir os riscos de cont\u00e1gio.\u00a0<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Mesmo sabendo da possibilidade de contrair o v\u00edrus, Laura fez quest\u00e3o de ir para a rua por acreditar que n\u00e3o dava para ficar em casa diante de tudo o que estava acontecendo. Marcella, embora tenha protestado do lado oposto \u00e0 Laura, concorda que comparecer aos protestos era essencial: \u201cUma decis\u00e3o errada para o nosso pa\u00eds, pode trazer consequ\u00eancias bem piores que um v\u00edrus\u201d. \u00c9 a tal da \u201cexplos\u00e3o de indigna\u00e7\u00e3o\u201d, mencionada pelo historiador Marcos Napolitano, que estava em jogo.\u00a0<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Na vis\u00e3o da jornalista Tha\u00eds, a grande ades\u00e3o \u00e0s manifesta\u00e7\u00f5es na pandemia \u00e9 um reflexo de como elas eram consideradas mais que necess\u00e1rias. \u201c\u00c0 medida que as pessoas foram se vacinando, voc\u00ea v\u00ea que o p\u00fablico das manifesta\u00e7\u00f5es vai crescendo\u201d, analisou ela, que tem presen\u00e7a constante em tais eventos.\u00a0<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>O MBL afirma que todas as manifesta\u00e7\u00f5es convocadas pelo grupo foram pensadas para acontecer em datas em que 100% da popula\u00e7\u00e3o j\u00e1 estivesse vacinada com a primeira dose contra a covid-19 e 50% com a segunda.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>O avan\u00e7o da vacina\u00e7\u00e3o afeta realmente, al\u00e9m da organiza\u00e7\u00e3o dos protestos, a decis\u00e3o das pessoas de comparecer a eles ou n\u00e3o. \u00c9 o que confirma a personal trainer Andr\u00e9ia Aparecida dos Santos, que escolheu a manifesta\u00e7\u00e3o a favor do atual governo no dia 7 de setembro em S\u00e3o Paulo como a primeira em que iria na vida, aos 42 anos de idade.\u00a0<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>&nbsp;<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Como est\u00e1 a cultura de protesto?<\/h3>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>A quest\u00e3o sanit\u00e1ria da covid \u00e9 apontada por Tha\u00eds Chaves como uma das que ainda necessitam de aprimoramento nos protestos. \u201cPrecisamos fazer com que as pessoas se sintam seguras para ir no ato. Precisamos sempre estar melhorando a quest\u00e3o da higieniza\u00e7\u00e3o e distanciamento para ter um ato seguro\u201d, comenta sobre os desafios que surgiram ap\u00f3s 2020.\u00a0<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Giovana Souza, estudante da Universidade Federal de S\u00e3o Paulo (Unifesp), por sua vez, visualiza outro problema: \u201cAs pessoas esperam que algo ocorra para, ent\u00e3o, se articularem. H\u00e1 um corte e depois que come\u00e7am as assembleias e atos. Seria mais importante articula\u00e7\u00e3o sempre. Quando explodisse, o povo j\u00e1 estaria organizado e o resultado seria mais imediato\u201d.\u00a0<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>O tamb\u00e9m estudante Raul concorda que haja falta de organiza\u00e7\u00e3o. \u201cFalta uma entidade que tenha mais for\u00e7a em organizar os atos. \u00c0s vezes a gente ouve que vai ter protesto em um dia e depois isso se arrefece, n\u00e3o acontece ou vai pouca gente\u201d, analisa.\u00a0<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>A perda de for\u00e7a das manifesta\u00e7\u00f5es, na opini\u00e3o de Laura, \u00e9 resultado do espa\u00e7amento entre os atos que t\u00eam sido realizados. Como solu\u00e7\u00e3o, ela sugere que eles aconte\u00e7am com mais frequ\u00eancia e em datas mais pr\u00f3ximas. \u201cSe fossem mais massivos e com uma press\u00e3o constante, acho que surtiriam mais efeito nas institui\u00e7\u00f5es\u201d.\u00a0<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Presentes no Brasil desde antes da Rep\u00fablica, os protestos s\u00e3o um fator intr\u00ednseco da cultura nacional. O pa\u00eds se moldou aos contextos hist\u00f3ricos pelos quais passou, enfrentando uma s\u00e9rie de mudan\u00e7as at\u00e9 chegar aos dias de hoje. \u00c9 imposs\u00edvel prever, com certeza, como os atos acontecer\u00e3o e ser\u00e3o organizados nos pr\u00f3ximos anos. No entanto, tem-se a garantia de que os impactos das mobiliza\u00e7\u00f5es e mudan\u00e7as ser\u00e3o percebidos ao in\u00edcio de um novo processo social, com novas pessoas aparecendo no palco brasileiro.\u00a0<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>At\u00e9 ent\u00e3o, a cultura de protesto nacional hiberna, \u00e0 postos para despertar sob novas reivindica\u00e7\u00f5es e busca por representatividade. \u00c0 luz do Hino Nacional do Brasil, \u201cver\u00e1s que um filho teu n\u00e3o foge \u00e0 luta\u201d.<\/p>\r\n<\/div>\r\n<\/div>\r\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Manifesta\u00e7\u00f5es retratam a volta da for\u00e7a das ruas e a ru\u00edna representativa das institui\u00e7\u00f5es Tr\u00eas quil\u00f4metros eram o que separavam as manifesta\u00e7\u00f5es a \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/?p=539\"> <\/a>","protected":false},"author":103,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[7],"tags":[],"class_list":["post-539","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-revista-babel-julho-2021"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v19.10 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>7 de setembro: o que leva uma pessoa a protestar? - Revista Babel<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/?p=539\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"7 de setembro: o que leva uma pessoa a protestar? - Revista Babel\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Manifesta\u00e7\u00f5es retratam a volta da for\u00e7a das ruas e a ru\u00edna representativa das institui\u00e7\u00f5es Tr\u00eas quil\u00f4metros eram o que separavam as manifesta\u00e7\u00f5es a\" \/>\n<meta property=\"og:url\" content=\"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/?p=539\" \/>\n<meta property=\"og:site_name\" content=\"Revista Babel\" \/>\n<meta property=\"article:published_time\" content=\"2021-06-21T14:34:56+00:00\" \/>\n<meta property=\"article:modified_time\" content=\"2022-12-14T00:53:56+00:00\" \/>\n<meta name=\"author\" content=\"Lucas Rodrigo\" \/>\n<meta name=\"twitter:card\" content=\"summary_large_image\" \/>\n<meta name=\"twitter:label1\" content=\"Written by\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data1\" content=\"Lucas Rodrigo\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:label2\" content=\"Est. reading time\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data2\" content=\"21 minutos\" \/>\n<script type=\"application\/ld+json\" class=\"yoast-schema-graph\">{\"@context\":\"https:\/\/schema.org\",\"@graph\":[{\"@type\":\"WebPage\",\"@id\":\"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/?p=539\",\"url\":\"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/?p=539\",\"name\":\"7 de setembro: o que leva uma pessoa a protestar? - Revista Babel\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/#website\"},\"datePublished\":\"2021-06-21T14:34:56+00:00\",\"dateModified\":\"2022-12-14T00:53:56+00:00\",\"author\":{\"@id\":\"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/#\/schema\/person\/0147839d173899a232dce100176ae31b\"},\"breadcrumb\":{\"@id\":\"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/?p=539#breadcrumb\"},\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"ReadAction\",\"target\":[\"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/?p=539\"]}]},{\"@type\":\"BreadcrumbList\",\"@id\":\"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/?p=539#breadcrumb\",\"itemListElement\":[{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":1,\"name\":\"Home\",\"item\":\"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/\"},{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":2,\"name\":\"7 de setembro: o que leva uma pessoa a protestar?\"}]},{\"@type\":\"WebSite\",\"@id\":\"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/#website\",\"url\":\"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/\",\"name\":\"Revista Babel\",\"description\":\"\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"SearchAction\",\"target\":{\"@type\":\"EntryPoint\",\"urlTemplate\":\"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/?s={search_term_string}\"},\"query-input\":\"required name=search_term_string\"}],\"inLanguage\":\"pt-BR\"},{\"@type\":\"Person\",\"@id\":\"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/#\/schema\/person\/0147839d173899a232dce100176ae31b\",\"name\":\"Lucas Rodrigo\",\"image\":{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"@id\":\"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/#\/schema\/person\/image\/\",\"url\":\"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/82398cfc747a02a98d146e9f03479974f484c2bb9a19434531775bcc08eedae6?s=96&d=mm&r=g\",\"contentUrl\":\"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/82398cfc747a02a98d146e9f03479974f484c2bb9a19434531775bcc08eedae6?s=96&d=mm&r=g\",\"caption\":\"Lucas Rodrigo\"},\"url\":\"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/?author=103\"}]}<\/script>\n<!-- \/ Yoast SEO plugin. -->","yoast_head_json":{"title":"7 de setembro: o que leva uma pessoa a protestar? - Revista Babel","robots":{"index":"index","follow":"follow","max-snippet":"max-snippet:-1","max-image-preview":"max-image-preview:large","max-video-preview":"max-video-preview:-1"},"canonical":"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/?p=539","og_locale":"pt_BR","og_type":"article","og_title":"7 de setembro: o que leva uma pessoa a protestar? - Revista Babel","og_description":"Manifesta\u00e7\u00f5es retratam a volta da for\u00e7a das ruas e a ru\u00edna representativa das institui\u00e7\u00f5es Tr\u00eas quil\u00f4metros eram o que separavam as manifesta\u00e7\u00f5es a","og_url":"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/?p=539","og_site_name":"Revista Babel","article_published_time":"2021-06-21T14:34:56+00:00","article_modified_time":"2022-12-14T00:53:56+00:00","author":"Lucas Rodrigo","twitter_card":"summary_large_image","twitter_misc":{"Written by":"Lucas Rodrigo","Est. reading time":"21 minutos"},"schema":{"@context":"https:\/\/schema.org","@graph":[{"@type":"WebPage","@id":"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/?p=539","url":"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/?p=539","name":"7 de setembro: o que leva uma pessoa a protestar? - Revista Babel","isPartOf":{"@id":"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/#website"},"datePublished":"2021-06-21T14:34:56+00:00","dateModified":"2022-12-14T00:53:56+00:00","author":{"@id":"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/#\/schema\/person\/0147839d173899a232dce100176ae31b"},"breadcrumb":{"@id":"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/?p=539#breadcrumb"},"inLanguage":"pt-BR","potentialAction":[{"@type":"ReadAction","target":["https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/?p=539"]}]},{"@type":"BreadcrumbList","@id":"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/?p=539#breadcrumb","itemListElement":[{"@type":"ListItem","position":1,"name":"Home","item":"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/"},{"@type":"ListItem","position":2,"name":"7 de setembro: o que leva uma pessoa a protestar?"}]},{"@type":"WebSite","@id":"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/#website","url":"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/","name":"Revista Babel","description":"","potentialAction":[{"@type":"SearchAction","target":{"@type":"EntryPoint","urlTemplate":"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/?s={search_term_string}"},"query-input":"required name=search_term_string"}],"inLanguage":"pt-BR"},{"@type":"Person","@id":"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/#\/schema\/person\/0147839d173899a232dce100176ae31b","name":"Lucas Rodrigo","image":{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-BR","@id":"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/#\/schema\/person\/image\/","url":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/82398cfc747a02a98d146e9f03479974f484c2bb9a19434531775bcc08eedae6?s=96&d=mm&r=g","contentUrl":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/82398cfc747a02a98d146e9f03479974f484c2bb9a19434531775bcc08eedae6?s=96&d=mm&r=g","caption":"Lucas Rodrigo"},"url":"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/?author=103"}]}},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/539","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/103"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=539"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/539\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":709,"href":"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/539\/revisions\/709"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=539"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=539"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=539"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}