{"id":424,"date":"2021-12-30T10:51:00","date_gmt":"2021-12-30T13:51:00","guid":{"rendered":"http:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/?p=424"},"modified":"2021-12-30T10:51:01","modified_gmt":"2021-12-30T13:51:01","slug":"influencia-regional-o-impacto-de-influenciadoras-em-mercados-locais-na-pandemia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/?p=424","title":{"rendered":"Influ\u00eancia regional: O impacto de influenciadoras em mercados locais na pandemia"},"content":{"rendered":"\n<p>Desde o surgimento da influ\u00eancia digital com mais rigor na \u00faltima d\u00e9cada, v\u00e1rios foram os grupos e redes sociais que alavancaram nomes \u00e0 fama: seja em \u00fanica plataforma ou compartilhando entre as v\u00e1rias delas os f\u00e3s e publicidades mais direcionadas. Em meio a isso h\u00e1 a influ\u00eancia digital regional, com nomes que alavancam seus mercados locais, geralmente cidades-polo ou capitais fora do eixo Rio-S\u00e3o Paulo, que, em meio \u00e0 pandemia, inovam e impactam positivamente entregas a seus clientes, atingindo espa\u00e7os como a Farofa da Gkay, festa ocorrida no in\u00edcio deste m\u00eas no Cear\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar de a influ\u00eancia regional n\u00e3o ser comumente usada para denominar tal grupo, ela se enquadra em outras classifica\u00e7\u00f5es. \u201cO que eu vejo que o mercado tem feito \u00e9 nomear os influenciadores como influenciadores de nicho ou microinfluenciadores. Uma pesquisadora de uma universidade na Austr\u00e1lia chamada Crystal Abidin, trabalha com a no\u00e7\u00e3o de \u2018minority influencers\u2019. Uma ideia de influenciadores minorit\u00e1rios talvez. \u00c9 legal usar essa defini\u00e7\u00e3o, d\u00e1 pistas para a magnitude desse fen\u00f4meno\u201d, explica \u00e0 <strong><span class=\"has-inline-color has-black-color\">Revista Babel<\/span><\/strong>, Issaaf Karhawi, jornalista, professora universit\u00e1ria e doutora em Ci\u00eancias da Comunica\u00e7\u00e3o pela USP (Universidade de S\u00e3o Paulo).<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com a plataforma norte-americana Insights For Professionals, microinfluenciadores n\u00e3o t\u00eam um grande n\u00famero de seguidores nem status de celebridade, mas podem fazer valer o dinheiro investido por alguma marca por entregar autenticidade, atrair engajamento e possuir capacidade de construir rela\u00e7\u00f5es pessoais com sua audi\u00eancia. Geralmente, est\u00e3o nesse grupo os que disp\u00f5em entre 10 mil e 100 mil seguidores. Todos aqueles da sua categoria acima, de macroinfluenciadores (at\u00e9 1 milh\u00e3o de seguidores), j\u00e1 foram um dia micro.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA ideia de influenciar \u00e9 relativamente nova. O termo influenciador digital surge no mercado em 2014\/2015 justamente porque o termo blogueira e blogueiro n\u00e3o dava mais conta das m\u00faltiplas possibilidades de atua\u00e7\u00e3o. Quando se falava em blogueiro, estava muito limitado aos blogs e de repente eles n\u00e3o tinham mais blogs, s\u00f3 estavam no Instagram ou s\u00f3 eram youtubers. Aquela express\u00e3o n\u00e3o conseguia mais contemplar a atividade\u201d, observa Karhawi, que tamb\u00e9m \u00e9 pesquisadora em comunica\u00e7\u00e3o digital na USP.<\/p>\n\n\n\n<p>No in\u00edcio da pandemia do novo coronav\u00edrus em mar\u00e7o de 2020, houve o reconhecimento de que os influenciadores estavam em esferas sociais distantes da sua audi\u00eancia. \u201cA pandemia impactou o mercado de influ\u00eancia de forma geral. No come\u00e7o da pandemia existia um discurso que era \u2018os influenciadores ostenta\u00e7\u00e3o est\u00e3o com os dias contados. Os influenciadores que n\u00e3o sa\u00edrem de suas bolhas est\u00e3o com os dias contados. \u00c9 o fim da cultura de celebridades de influenciadores digitais\u2019. [&#8230;] No entanto, a medida em que a pandemia foi avan\u00e7ando, as marcas perceberam que os influenciadores eram aliados para conseguir continuar conversando com os consumidores\u201d, declara a pesquisadora.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cLogo quando veio a quest\u00e3o da covid eu pensava que ia durar dois meses. E s\u00f3 foi aumentando. No in\u00edcio faz\u00edamos trabalhos de casa. Ficamos uns tr\u00eas meses naquele medo. As empresas mandavam os produtos e eu anunciava de casa. N\u00e3o ia at\u00e9 \u00e0s lojas. Fiquei gr\u00e1vida e o trabalho foi redobrado. Foram melhorando os \u00edndices e eu voltei para as lojas tomando muito cuidado\u201d, afirma J\u00e9ssica Ingrede, formada em Pedagogia na UFAC (Universidade Federal do Acre), m\u00e3e de dois filhos e atuante em Rio Branco-AC com 257 mil seguidores.<\/p>\n\n\n\n<p>A proposta da entrega dos produtos em casa tamb\u00e9m foi a solu\u00e7\u00e3o vista por Luiza Leal, formada em Publicidade e natural de Santar\u00e9m, no Par\u00e1, que antes da pandemia estava com 14 clientes ativos e se viu apenas com dois antes de vislumbrar melhora. \u201cEu falava \u2018olha, a gente pode usar meu trabalho com delivery\u2019. Para que n\u00e3o parasse o operacional deles. Eu tentava ajudar eles, eu queria ganhar, mas eles tinham que ganhar tamb\u00e9m. N\u00e3o funcionou para todos, mas alguns est\u00e3o a\u00ed at\u00e9 hoje\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Em poucos meses ela recuperou sua base e quase dobrou o n\u00famero de clientes. \u201cSenti que na minha cidade teve uma valoriza\u00e7\u00e3o para o online. Em outubro de 2020 foi a \u00e9poca que eu mais tinha cliente, fiquei com 25 clientes. Foi quando subi os meus valores e falei para mim que n\u00e3o precisava abra\u00e7ar todo mundo, mas trabalhar com quem me identificava. Comecei a poder me filtrar\u201d, confessa ela, que hoje tem um p\u00fablico de 88 mil seguidores.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/danielelopest\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"828\" height=\"994\" src=\"http:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Daniele-Lopes-Tucurui-PA.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-427\" srcset=\"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Daniele-Lopes-Tucurui-PA.jpeg 828w, https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Daniele-Lopes-Tucurui-PA-250x300.jpeg 250w, https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Daniele-Lopes-Tucurui-PA-768x922.jpeg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 828px) 100vw, 828px\" \/><\/a><figcaption>Influenciadora Daniele Lopes. Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\/@danielelopest <\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>\u2018Nunca pensei em ser influenciadora\u2019<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA influ\u00eancia digital, no meu caso, simplesmente veio para agregar a todas as atividades que eu j\u00e1 tinha antes. [&#8230;] Eu n\u00e3o pensei que as coisas tomariam a propor\u00e7\u00e3o que tomaram, tudo aconteceu aos poucos. Conforme eu postava as pessoas iam aparecendo. N\u00e3o teve um planejamento pr\u00e9vio ou estrat\u00e9gico de nada\u201d, declara Giuliana Ferrari, professora, engenheira formada pela UFV (Universidade Federal de Vi\u00e7osa-MG), moradora de S\u00e3o Mateus, no norte do Esp\u00edrito Santo, e detentora de uma audi\u00eancia de 70 mil pessoas.<\/p>\n\n\n\n<p>Ela alcan\u00e7ou esse p\u00fablico n\u00e3o mostrando sua rotina profissional, que continua, mas compartilhando dicas como receitas de pratos pr\u00e1ticos na cozinha e o dia a dia com a fam\u00edlia: ela, a filha e o marido, que tamb\u00e9m \u00e9 professor.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Todas as influenciadoras regionais desta reportagem compartilham do mesmo ponto. Elas n\u00e3o imaginavam que em meio a suas carreiras, poderiam influenciar digitalmente outras pessoas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cPor um acaso ca\u00ed nesse mundo do digital. Sempre tive as redes sociais. Era a \u00faltima a entrar na rede social. Antes eu tinha Orkut e falava que amava e n\u00e3o ia para o Facebook. Era a atrasadinha das redes. Todo mundo ia para a rede nova e eu esperava acabar a antiga para ir\u201d, admite J\u00e9ssica.<\/p>\n\n\n\n<p>Ela come\u00e7ou nas redes primeiro para divulgar bolos que vendia, ap\u00f3s ficar desempregada com o t\u00e9rmino do contrato de um est\u00e1gio. Assim como Giuliana, ela passou a mostrar o dia a dia com a fam\u00edlia, al\u00e9m de ensinar suas receitas de bolo, logo quando o Instagram adicionou sua ferramenta de v\u00eddeos di\u00e1rios entre 2016 e 2017. Com seu jeito descontra\u00eddo e engra\u00e7ado ao dar as dicas e contar seus perrengues \u201cda vida real\u201d, em dezembro de 2017 ela j\u00e1 tinha 10 mil seguidores.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEu meio que quebrei o ideal de blogueira que existia. Aqui na minha cidade as blogueiras eram as meninas bem arrumadas que iam para o sal\u00e3o. Apareciam com o cabelo escovado, todas maravilhosas. Era esse o ideal de blogueira que eu tinha. Eu s\u00f3 fazia v\u00eddeo, de manh\u00e3 eu acordava, me mostrava nos stories. Era dia a dia mesmo. Como as pessoas n\u00e3o viam muito isso, pensavam \u2018essa menina \u00e9 doidinha, vou seguir\u2019. E assim foi\u201d, brinca ela.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cNunca pensei em ser influenciadora digital e hoje me considero uma. Existe um perfil cultural muito diferente em cada lugar, inclusive no Par\u00e1. Enquanto em S\u00e3o Paulo as coisas acontecem de outra forma, em outra \u00f3tica, com outra velocidade para quem trabalha como influenciador hoje em dia, aqui os passos s\u00e3o mais lentos\u201d, analisa Luiza, que no Instagram est\u00e1 no perfil @coisasdeluma.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Do Par\u00e1, 2021 fez surgir um fen\u00f4meno brasileiro: Daniele Lopes. Com uma dan\u00e7a chamativa ao som de \u201cN\u00e3o Pode Se Apaixonar\u201d de Xand Avi\u00e3o com participa\u00e7\u00e3o MC Danny e de DJ Ivis, meses antes de den\u00fancia de viol\u00eancia dom\u00e9stica pela sua ex-esposa, pris\u00e3o e soltura para aguardar julgamento da acusa\u00e7\u00e3o em liberdade.<\/p>\n\n\n\n<p>Foram surpreendentes um milh\u00e3o de seguidores conquistados no seu perfil do Instagram e mais de 4.5 milh\u00f5es no TikTok. Com grande alcance ela chegou a fazer publicidades nacionais como para o canal TNT em promo\u00e7\u00e3o do Oscar 2021, por\u00e9m \u00e9 principalmente requisitada por anunciantes da sua cidade Tucuru\u00ed e adjac\u00eancias com destaque para sua influ\u00eancia regional, onde ela ficou muito conhecida e faz \u201cde tudo um pouco\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cNunca pensei que iria ter essa propor\u00e7\u00e3o toda [com meus v\u00eddeos]. Nunca pensei [ser influenciadora] e me considero uma sim. Por fazer as pessoas duetarem a minha dancinha, j\u00e1 comecei influenciando a algo. O mais legal \u00e9 receber o carinho das pessoas, conhecer pessoas maravilhosas\u201d, declara Daniele.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"1024\" src=\"http:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Luiza-Leal-Santarem-PA-1-1024x1024.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-432\" srcset=\"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Luiza-Leal-Santarem-PA-1-1024x1024.jpeg 1024w, https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Luiza-Leal-Santarem-PA-1-300x300.jpeg 300w, https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Luiza-Leal-Santarem-PA-1-150x150.jpeg 150w, https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Luiza-Leal-Santarem-PA-1-768x768.jpeg 768w, https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Luiza-Leal-Santarem-PA-1.jpeg 1080w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption> Influenciadora Luiza Leal. Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\/ @coisasdeluma <\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>Entrega de solu\u00e7\u00f5es<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Luiza Leal come\u00e7ou seu trabalho na internet primeiramente conquistando clientes como social media. Formada em publicidade h\u00e1 4 anos, ela disse que sempre gostou de marketing digital, mesmo que n\u00e3o houvesse disciplinas que explorasse isso na sua faculdade. Na pandemia, ela lan\u00e7ou cursos digitais, o que a ajudou a ocupar a cabe\u00e7a para estudar os lan\u00e7amentos e como se comunicar.<\/p>\n\n\n\n<p>Dos seus clientes, uma concession\u00e1ria de carros n\u00e3o parou os trabalhos, bem como uma loja de lingerie. Com lockdown, as pessoas come\u00e7aram empreendimentos individuais para terem uma renda extra. Marcas n\u00e3o ficaram de fora e agora pedem divulga\u00e7\u00e3o para o atacado.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cJ\u00e1 fiz publicidades para algumas marcas nacionais. Aqui \u00e9 aquela coisa engessada ainda. O lojista quer te ver na loja, se n\u00e3o para ele n\u00e3o vale [investir]. Eles t\u00eam relut\u00e2ncia em voc\u00ea tirar o produto da loja para tentar algo diferente. Foco em comercial, no pre\u00e7o. H\u00e1 relut\u00e2ncia em fazer coisa diferente. D\u00e1 resultado? Sim, mas n\u00e3o gera conex\u00e3o, que \u00e9 minha forma de trabalho. \u00c0s vezes eu acabo me sentindo como uma vendedora\u201d, desabafa.<\/p>\n\n\n\n<p>A retirada dos produtos para produzir uma foto ou v\u00eddeos para o feed e at\u00e9 stories encontra certa resist\u00eancia, mas quando fica pronto o resultado, n\u00e3o d\u00e1 para resistir \u00e0s loca\u00e7\u00f5es naturais de Santar\u00e9m e Alter do Ch\u00e3o, distrito tur\u00edstico da cidade. \u201cEstou na miss\u00e3o de educar meu cliente. Depois que eles entendem meu trabalho, eles permitem que eu fa\u00e7a isso de inovar\u201d, ressalta Luiza.<\/p>\n\n\n\n<p>Por ter o trabalho fora das redes sociais, Giuliana Ferrari n\u00e3o faz publi posts. \u201cEu simplesmente indico coisas que se encaixam na minha rotina de forma bastante simples\u201d, confessa. Por\u00e9m, ela n\u00e3o deixa de divulgar marcas e de ser requisitada, mesmo que para permutas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO que posso afirmar com certeza \u00e9 que a frequ\u00eancia de pessoas procurando esse tipo de servi\u00e7o aumentou. Recebo DMs [mensagens diretas no Instagram] diariamente de empresas verificando a possibilidade de postagens de seus produtos\/servi\u00e7os\u201d, explica. A procura vai para os encaixes de seus nichos por lojas que atuam em sua cidade, S\u00e3o Mateus, ou na regi\u00e3o norte do ES: desde lifestyle, maternidade e organiza\u00e7\u00e3o at\u00e9 casa, mesa posta e receitas.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"828\" height=\"927\" src=\"http:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Giuliana-Ferrari-Sao-Mateus-ES.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-433\" srcset=\"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Giuliana-Ferrari-Sao-Mateus-ES.jpeg 828w, https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Giuliana-Ferrari-Sao-Mateus-ES-268x300.jpeg 268w, https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Giuliana-Ferrari-Sao-Mateus-ES-768x860.jpeg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 828px) 100vw, 828px\" \/><figcaption> Influenciadora Giuliana Ferrari. Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\/@giulianaaferrari<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>Precifica\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Precificar todo trabalho no meio digital n\u00e3o \u00e9 tarefa f\u00e1cil. \u201cEu seguia as blogueiras e uma delas falou que trabalhava com isso [de precificar stories e publica\u00e7\u00f5es], e me deu dicas falando sobre engajamento e que daria para trabalhar com isso\u201d, come\u00e7a falando a acreana J\u00e9ssica Ingrede.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando era professora ela chegou a receber R$ 800 mensais. Ap\u00f3s as dicas da colega influenciadora, ela foi abordada por uma loja, mas n\u00e3o sabia quanto cobrar. Fechou quatro visitas e quatro posts no feed por R$ 200. A lojista aceitou. A essa altura, J\u00e9ssica estranhou o valor, mas fechou a parceria. No final, acabou tendo gastos com Uber e fez compras para na pr\u00f3pria loja. Mal viu os R$200. \u201cN\u00e3o vou querer mais n\u00e3o, vou ser professora\u201d, ela disse para si mesma na \u00e9poca.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao consultar a influenciadora que disse que ela poderia trabalhar na internet com o engajamento que ela entregava, esta falou para ela cobrar R$ 700. \u201cEu falei, \u2018maninha ningu\u00e9m vai pagar 700 reais nunca\u2019. Fiquei com medo, n\u00e3o acreditava em mim\u201d, justifica.<\/p>\n\n\n\n<p>Ela foi para outra loja, fez reuni\u00e3o, falou o valor e eles aceitaram. As mesmas quatro visitas e quatro posts no feed. \u201cNem acreditei. Sa\u00ed de l\u00e1 e contei para o meu marido: \u2018Aceitaram 700 reais o m\u00eas. Se eu conseguir mais uma loja dessa eu desisto de ser professora e vou ser blogueira\u2019.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Com um celular mais simples com a c\u00e2mera traseira quebrada, j\u00e1 que na \u00e9poca ela n\u00e3o tinha iPhone, ela entregou o prometido. \u201cA loja super acreditou em mim. Sou grata at\u00e9 hoje, a primeira loja que pagou realmente o que eu pedi. Depois abriu portas a ponto de eu trabalhar s\u00f3 como \u2018blogueira\u2019, nem sabia que daria. Hoje esse trabalho mudou a minha vida, a vida da minha fam\u00edlia. Fez eu conquistar coisas que eu nem imaginava\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEsse trabalho aconteceu de uma forma espont\u00e2nea, mudou minha vida radicalmente\u201d, afirma J\u00e9ssica. Hoje, ela cresceu tanto que teve muito mais portas abertas: foi para o S\u00e3o Jo\u00e3o da Thaynara OG em 2018, no Maranh\u00e3o, no lugar de outra influenciadora de Rio Branco que n\u00e3o pode ir; em 2019 viajou para Bali, na Tail\u00e2ndia, e em 2021 para Dubai, nos Emirados \u00c1rabes Unidos, para trabalhos com a marca Sapatinho de Luxo; e em dezembro de 2021 marcou presen\u00e7a na Farofa da Gkay, evento da tamb\u00e9m influenciadora, atriz e humorista Gessika Kayane, que neste ano ocorreu no Cear\u00e1. Marcado pelo movimento de influenciadores e famosos que trocaram seguidores entre si, ela saiu da Farofa e chegou a ser not\u00edcia em portal no Acre.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"828\" height=\"1015\" src=\"http:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Jessica-Ingrede-na-Farofa-da-Gkay-em-dezembro-de-2021.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-434\" srcset=\"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Jessica-Ingrede-na-Farofa-da-Gkay-em-dezembro-de-2021.jpeg 828w, https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Jessica-Ingrede-na-Farofa-da-Gkay-em-dezembro-de-2021-245x300.jpeg 245w, https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Jessica-Ingrede-na-Farofa-da-Gkay-em-dezembro-de-2021-768x941.jpeg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 828px) 100vw, 828px\" \/><figcaption> Influenciadora J\u00e9ssica Ingrede. Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\/ @jessicaingrede <\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>H\u00e1 pre\u00e7o para o sucesso?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Issaaf Kharawi \u00e9 autora do livro \u201cDe blogueira a influenciadora\u201d e identifica quatro etapas profissionais: vanguarda, legitima\u00e7\u00e3o, institucionaliza\u00e7\u00e3o e profissional. \u201cEssas etapas, apesar delas representarem um momento hist\u00f3rico muito espec\u00edfico, elas s\u00e3o c\u00edclicas em alguma medida\u201d, explica a pesquisadora. A etapa da legitima\u00e7\u00e3o talvez seja a que influenciadoras regionais passam com mais evid\u00eancia, at\u00e9 se estabelecerem perante os clientes e o p\u00fablico.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEu fui uma das primeiras influenciadoras da minha cidade e perdi todo um preconceito com meu trabalho. Eu era a menina \u2018que queria se aparecer\u2019. Perguntavam o porqu\u00ea eu estava fazendo isso. \u2018Ah, ela deve ser rica para ir em loja s\u00f3 para ganhar roupa\u2019, al\u00e9m de coment\u00e1rios desnecess\u00e1rios e machistas. Mas isso melhorou muito\u201d, acredita Luiza Leal.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cQuando eu comecei de verdade h\u00e1 seis anos o termo influenciador digital nem existia. Era mais o termo blogueira. Usavam o termo \u2018blogueirinha\u2019 na minha cidade, como uma forma de diminuir o meu trabalho, porque nos bastidores a gente sabe que tem de organizar financeiro, criar conte\u00fado, falar com cliente. \u00c9 um trabalho de ag\u00eancia se voc\u00ea n\u00e3o pode contratar uma pessoa. Eu sentia que meu trabalho tinha que mostrar para as pessoas que eu n\u00e3o era apenas uma blogueirinha. N\u00e3o deixava tanto me diminuir, mas me incomodava sim\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Issaaf explica essa necessidade de mostrar esse lado mais profissional: \u201cA gente vive um imperativo da visibilidade, ou seja, n\u00e3o basta voc\u00ea ser um bom profissional se voc\u00ea \u00e9 um profissional aut\u00f4nomo, voc\u00ea tem que deixar isso evidente, voc\u00ea tem que dizer pras pessoas, voc\u00ea tem que tornar vis\u00edvel esse seu bom desempenho de trabalho. Por isso circula esse discurso de que viramos todas blogueirinhas, porque h\u00e1 essa convoca\u00e7\u00e3o. Ao mesmo tempo, o blogueirinha deixa evidente que existe um espectro de visibilidade. E alguns est\u00e3o em espa\u00e7os mais altos nesse espectro de visibilidade. Enquanto outros est\u00e3o embaixo\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cLevando em conta que \u00e9 poss\u00edvel que todos tenham visibilidade, mas nossa aten\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode estar direcionada para todo mundo, h\u00e1 disputas nesse espectro de visibilidade. [&#8230;] Ent\u00e3o talvez at\u00e9 a chegada de um n\u00famero que as pessoas consideram representativo, as produtoras de conte\u00fado v\u00e3o passar por um momento de recha\u00e7o, de piada, de diminui\u00e7\u00e3o do trabalho e serem apelidadas de blogueirinha\u201d, complementa.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Quando ocorre a primeira parceria comercial, apari\u00e7\u00f5es na m\u00eddia local como fontes ou destaque midi\u00e1tico, h\u00e1 ent\u00e3o a legitima\u00e7\u00e3o, com o reconhecimento frente ao p\u00fablico, ao mercado e a toda \u00e1rea de abrang\u00eancia delas. Em meio a isso, o trabalho do produtor de conte\u00fado acaba sendo uma alternativa para aqueles que engrossam os altos \u00edndices de desemprego e n\u00e3o h\u00e1 trabalhos com carteira assinada, embarcando assim em empreendimentos digitais.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cSer produtor de conte\u00fado tamb\u00e9m \u00e9 uma possibilidade para muita gente, uma vez que n\u00f3s temos um mercado profissional, um mercado de trabalho extremamente precarizado, [&#8230;] a possibilidade de empreender no digital acaba sendo quase uma boia de salva\u00e7\u00e3o para muita gente\u201d, explica Issaaf. Muitas vezes essa virada, que demanda tempo e at\u00e9 mesmo dinheiro, pode acabar nem engrenando de fato. \u201cTalvez voc\u00ea nunca chegue nesse espa\u00e7o aspiracional. Esse trabalho aspiracional, ele exige investimento de tempo, investimento at\u00e9 de dinheiro, de for\u00e7a de trabalho para recompensas incertas, \u00e0s vezes improv\u00e1veis\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Felizmente essa etapa foi superada por aquelas que hoje chegaram em um patamar de trabalho relativamente confort\u00e1vel e com retornos, como por exemplo, J\u00e9ssica Ingrede, que alimenta constantemente seus stories com produ\u00e7\u00e3o de conte\u00fado di\u00e1rios conseguindo manter seu p\u00fablico e clientes de v\u00e1rios ramos como farm\u00e1cias, \u00f3ticas e at\u00e9 material de constru\u00e7\u00e3o. Contudo, isso veio ap\u00f3s ela tamb\u00e9m passar pela fase de ser chamada de blogueirinha.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cQuando eu comecei, havia muitos olhos tortos. [&#8230;] \u2018Ah, quer ser a blogueirinha\u2019. S\u00f3 que eu nem ligava, seguia e fazia minhas coisas. As pessoas usavam esse termo porque muitas vezes elas querem diminuir mesmo. Quando voc\u00ea est\u00e1 embaixo, ningu\u00e9m te apoia tirando amigos e sua fam\u00edlia. Foi o que aconteceu comigo\u201d, lembra.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEu era uma blogueira que mostrava o outro lado, n\u00e3o era de classe alta, modelo nem miss. Geralmente as meninas que trabalhavam com internet [em Rio Branco], elas tinham sido misses na minha cidade, frequentava outros lugares. Eu n\u00e3o era nada disso, era da baixada, andava de moto\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>At\u00e9 mesmo cr\u00edticas ao conte\u00fado que ela criava no come\u00e7o, mais voltado para baixa renda, ela recebeu. \u201cMuita gente soltava piadas entre eles. Eu descobria. N\u00e3o ia inventar uma realidade para mostrar nas redes sociais. [&#8230;] Teve gente que disse que eu s\u00f3 estava passando vergonha na internet. E hoje, n\u00e9?! Estou passando vergonha ainda, com 200 mil seguidores\u201d, responde aos cr\u00edticos.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"828\" height=\"1015\" src=\"http:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Jessica-Ingrede-Rio-Branco-AC-1.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-438\" srcset=\"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Jessica-Ingrede-Rio-Branco-AC-1.jpeg 828w, https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Jessica-Ingrede-Rio-Branco-AC-1-245x300.jpeg 245w, https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Jessica-Ingrede-Rio-Branco-AC-1-768x941.jpeg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 828px) 100vw, 828px\" \/><figcaption> J\u00e9ssica Ingrede. Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\/ @jessicaingrede  <\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>Desafios: cancelamento e posicionamento<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u201cTenho muito hater. Fico me perguntando como a pessoa perde o tempo dela criando um fake ou s\u00f3 destilando \u00f3dio mesmo. No in\u00edcio eu ficava bem chateada, ficava me perguntando porque a pessoa n\u00e3o gostava de mim. J\u00e1 recebi falando do meu corpo, dos meus filhos\u201d, relata a acreana, que j\u00e1 at\u00e9 chorou devido aos coment\u00e1rios que via, como o de que ela estava gr\u00e1vida apenas para \u201cengajamento na internet\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA pessoa n\u00e3o se olha e n\u00e3o se enxerga que somos todos seres humanos que erram para caramba. Todo dia a gente erra. Imagina se film\u00e1ssemos essa pessoa que tamb\u00e9m fala mal do outro, ela tamb\u00e9m seria cancelada. Acho que esse neg\u00f3cio de cancelamento \u00e9 banal. A gente vive pisando em ovos\u201d, constata J\u00e9ssica, afirmando que acredita que nunca foi cancelada.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cQuanto mais exposi\u00e7\u00e3o, mais vigil\u00e2ncia. Quando mais o sujeito exp\u00f5e a pr\u00f3pria vida, mais suscet\u00edvel a vigil\u00e2ncia ele est\u00e1. Ent\u00e3o, a gente pode pensar tanto em vigil\u00e2ncia algor\u00edtmica, at\u00e9 vigil\u00e2ncia de seguidores, de pessoas de fato. \u00c0s vezes de grupos de \u00f3dio. \u00c9 algo que anda junto, com certeza. E o cancelamento gera uma autovigil\u00e2ncia, aquela preocupa\u00e7\u00e3o ainda mais refor\u00e7ada ao conte\u00fado, aquilo que se diz, ao discurso. Essa \u00e9 uma quest\u00e3o importante a se considerar\u201d, ressalta Issaaf.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e9ssica Ingrede perdeu amigos para a covid-19. \u201cA pandemia mexeu com o psicol\u00f3gico de muita gente. Hoje gra\u00e7as a Deus e a vacina, a situa\u00e7\u00e3o est\u00e1 muito melhor. Desde o in\u00edcio eu acredito na vacina, como eu queria que tivesse chegado antes. Como eu queria que as pessoas tivessem levado mais a s\u00e9rio. Se algumas pessoas tivessem levado com tanta responsabilidade o momento que estamos vivendo, muitas coisas teriam sido evitadas\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cComo influenciadora eu falei no in\u00edcio. Muita gente me segue e me assiste, tenho que dar bom exemplo e fazer o melhor. Imagina o maior influencer do Pa\u00eds n\u00e3o dar exemplo?\u201d, questiona ela, fazendo refer\u00eancia ao atual presidente brasileiro Jair Bolsonaro. \u201cNo in\u00edcio falei que n\u00e3o gostei da postura do presidente. Para qu\u00ea?! Teve gente que me chamou de hip\u00f3crita, j\u00e1 pensa que a gente \u00e9 de partido A ou B. Tem pessoas que n\u00e3o sabem o que \u00e9 opini\u00e3o\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Ela acha importante se posicionar, mesmo que n\u00e3o possa se expressar na maioria das vezes, seja por n\u00e3o ter tanta propriedade nos temas retratados, seja para evitar conflitos. \u201cAcho isso um saco, porque se as pessoas fossem mais democr\u00e1ticas, elas iam escutar o outro\u201d, opina J\u00e9ssica. Luiza Leal, de Santar\u00e9m, tamb\u00e9m costuma se posicionar.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEu me posiciono mais nos stories. Quando eu me vacinei eu coloquei as hashtags vacina e fora Bolsonaro. Tem que ser espont\u00e2neo. Desde que senti ter que falar alguma coisa eu falei. Mas enquanto n\u00e3o foi de cora\u00e7\u00e3o eu n\u00e3o fiz. [&#8230;] Por vezes dou uma militada e perco seguidores, lojas me respondiam. Tento dar vozes para os movimentos, antes tinham protestos e eu nem sabia\u201d, justifica ela, falando que hoje ajuda a divulgar quando h\u00e1 atos em sua cidade e sente que isso \u00e9 uma forma de ajudar.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"377\" height=\"476\" src=\"http:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Capturar1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-439\" srcset=\"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Capturar1.jpg 377w, https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Capturar1-238x300.jpg 238w\" sizes=\"auto, (max-width: 377px) 100vw, 377px\" \/><figcaption> Luiza Leal. Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\/ @coisasdeluma  <\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p><strong>Import\u00e2ncia regional<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Potencializando seus mercados locais, as influenciadores regionais desempenham importante papel na consolida\u00e7\u00e3o de novas marcas ou de empresas de suas localidades que querem alcan\u00e7ar novos p\u00fablicos presentes no digital. Mesmo aqueles que possuem impacto nacional, como \u00e9 o caso de Daniele Lopes, seu foco se direciona para trabalhos locais de alcance imediato do p\u00fablico dali presente em seus perfis e que \u00e9 poss\u00edvel checar pelas m\u00e9tricas de redes sociais, como o pr\u00f3prio Instagram.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEu acho que isso [da influ\u00eancia regional] \u00e9 muito interessante da gente observar, porque algo que sempre se discutiu a partir das pesquisas sobre comunica\u00e7\u00e3o digital, foi o aspecto da internet ser global e local em simult\u00e2neo. Os primeiros te\u00f3ricos sobre a internet falavam sobre isso assim, em como a internet era local\u201d, explica Issaaf Karhawi.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAcho que os influenciadores regionais [&#8230;] eles mobilizam muito bem esse atributo essencial da internet que \u00e9 algo local. Que \u00e9 algo que \u00e9 local, que \u00e9 de uma regi\u00e3o ou que \u00e9 de uma cidade, ou que \u00e9 de um estado e algo que [pode ser] maior, que \u00e9 maior. N\u00e3o precisa nem ser global. Esses aspectos ficam muito evidentes e a internet \u00e9 isso\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>E no uso desse atributo que a internet sem barreiras f\u00edsicas possibilita usar da audi\u00eancia conquistada para apoiar causas, estabelecer conex\u00f5es genu\u00ednas entre marcas e potenciais compradores (os seguidores), tamb\u00e9m entra nesse aspecto a import\u00e2ncia de todos aqueles que em algum momento conquistou seu espa\u00e7o no digital, independente de seguidores altos ou n\u00e3o. \u201cA blogueira nacional \u00e9 importante, mas a regional tamb\u00e9m \u00e9 aqui dentro da minha cidade e cidades vizinhas\u201d, conclui Luiza Leal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\"><em><strong>Por Caio Santana \/ caiosantana@usp.br<\/strong><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Desde o surgimento da influ\u00eancia digital com mais rigor na \u00faltima d\u00e9cada, v\u00e1rios foram os grupos e redes sociais que alavancaram nomes \u00e0 \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/?p=424\"> <\/a>","protected":false},"author":91,"featured_media":425,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[7],"tags":[],"class_list":["post-424","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-revista-babel-julho-2021"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v19.10 - 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