{"id":420,"date":"2021-10-15T18:05:02","date_gmt":"2021-10-15T21:05:02","guid":{"rendered":"http:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/?p=420"},"modified":"2021-10-15T18:05:03","modified_gmt":"2021-10-15T21:05:03","slug":"o-futebol-explica-o-brasil-da-covid-19","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/?p=420","title":{"rendered":"O futebol explica o Brasil (da Covid-19)"},"content":{"rendered":"\n<p>Aos 19 minutos do primeiro tempo de um jogo na noite de 16 de mar\u00e7o de 2021, v\u00e1lido pela primeira fase da Copa do Brasil, o goleiro Marc\u00e3o, um dos atletas mais experientes do elenco do Club Sportivo Sergipe, fez grande defesa em um chute do volante Auremir, do Cuiab\u00e1, e evitou que a equipe mato-grossense abrisse o placar no acanhado (e vazio) est\u00e1dio Etelvino Mendon\u00e7a, em Itabaiana (SE).<\/p>\n\n\n\n<p>No minuto seguinte, ap\u00f3s a cobran\u00e7a do escanteio que cedeu ao praticar aquela defesa, Marc\u00e3o foi novamente exigido, agora em finaliza\u00e7\u00e3o de Walber. Voltou a corresponder, e assim o fez em pelo menos mais duas ocasi\u00f5es de perigo criadas pelo Cuiab\u00e1 ao longo daquela partida, que terminou empatada em 0 a 0 muito em fun\u00e7\u00e3o da grande atua\u00e7\u00e3o do arqueiro. Mas o resultado, conforme o regulamento do torneio, acabou eliminando o modesto Sergipe, uma vez que o Cuiab\u00e1, clube rec\u00e9m-promovido \u00e0 primeira divis\u00e3o do futebol brasileiro, possu\u00eda a vantagem do empate por jogar fora de casa.<\/p>\n\n\n\n<p>Nada disso, \u00e9 claro, seria suficiente para ganhar manchetes nacionais nas editorias de Esporte \u2013 afinal, tratava-se apenas de mais uma boa atua\u00e7\u00e3o de um jogador experiente de um time pequeno, algo que ocorre com alguma frequ\u00eancia. Ou de um empate sem gols entre duas equipes de menor express\u00e3o no cen\u00e1rio nacional, em uma competi\u00e7\u00e3o longa que acabara de come\u00e7ar.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas Marc\u00e3o, o goleiro, conseguiu chegar aos holofotes de outra forma: com as palavras. Naquela noite, seu principal momento ocorreu ap\u00f3s a partida, quando, como destaque da peleja, se viu entrevistado pela transmiss\u00e3o do canal \u00e0 cabo SporTV. Em um depoimento sisudo, o goleiro de 33 anos se tornou mais um personagem do futebol \u2013 e talvez um dos mais emblem\u00e1ticos at\u00e9 aqui \u2013 a trazer ao debate nacional a suposta dicotomia entre economia e sa\u00fade durante a pandemia de Covid-19; entre o retorno ao trabalho e as orienta\u00e7\u00f5es de isolamento social em meio \u00e0 maior crise sanit\u00e1ria enfrentada pelo mundo em um s\u00e9culo.<\/p>\n\n\n\n<p>Para o goleiro, a paralisa\u00e7\u00e3o do futebol n\u00e3o deveria ocorrer. Ele argumentou, ap\u00f3s ser questionado pelo rep\u00f3rter Guilherme Fraga sobre o assunto, que os times de menor express\u00e3o do futebol brasileiro \u2013 como o Sergipe \u2013 t\u00eam enfrentado dificuldades financeiras por causa da pandemia e que, consequentemente, o problema tamb\u00e9m se espalhava para os grupos de atletas. &#8220;A gente mata um le\u00e3o por dia&#8221;, lamentou.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando Fraga o contou dos elogios feitos pela equipe de transmiss\u00e3o do canal do Grupo Globo \u00e0 sua atua\u00e7\u00e3o na partida, Marc\u00e3o n\u00e3o esbo\u00e7ou rea\u00e7\u00e3o de felicidade. Manteve um semblante s\u00e9rio, um rosto fechado, coberto por uma barba longa, que expressava descontentamento com o resultado negativo. &#8220;Eu trocaria todas as minhas defesas por um 1 a 0. Esse dinheiro iria cair muito bem para n\u00f3s aqui&#8221;, prosseguiu o goleiro, referindo-se \u00e0 premia\u00e7\u00e3o de 560 mil reais que a equipe receberia caso avan\u00e7asse de fase na competi\u00e7\u00e3o. O montante seria suficiente para cobrir quase quatro meses da folha salarial do Sergipe \u2013 que, segundo o jornalista Cosme R\u00edmoli, gira em torno de 150 mil reais por m\u00eas.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Tem muito jogador de time pequeno que precisa muito disso aqui. E n\u00e3o s\u00f3 jogador n\u00e3o, tem muita gente envolvida no futebol, que s\u00e3o os funcion\u00e1rios do clube, roupeiros, massagistas, que ganham pouco e precisam disso&#8221;, desabafou Marc\u00e3o, contando que alguns atletas passaram fome em 2020, quando o futebol chegou a ser totalmente paralisado em fun\u00e7\u00e3o da crise sanit\u00e1ria, mesmo antes que esta atingisse seu \u00e1pice. &#8220;Ano passado a gente passou por uma situa\u00e7\u00e3o de quatro meses sem receber sal\u00e1rio. Quem est\u00e1 em time grande ganha 100 mil, 150 mil reais e consegue manter isso tranquilo, mas e n\u00f3s? N\u00f3s que ganhamos aqui pouco mais que um sal\u00e1rio m\u00ednimo sofremos muito, mesmo.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>As declara\u00e7\u00f5es de Marc\u00e3o contra a paralisa\u00e7\u00e3o do futebol ocorreram a despeito da situa\u00e7\u00e3o dif\u00edcil vivida pelo pr\u00f3prio Sergipe naquele momento. No dia anterior ao confronto contra o Cuiab\u00e1, nove atletas e o t\u00e9cnico Paulo Foiani testaram positivo para o coronav\u00edrus e foram barrados do duelo. Um m\u00eas antes, o Sergipe j\u00e1 havia passado por um primeiro surto de Covid-19, quando dez profissionais foram infectados. Naquela noite, o time atuou com apenas seis jogadores no banco de reservas \u2013 tr\u00eas deles eram goleiros.<\/p>\n\n\n\n<p>O dia 16 de mar\u00e7o, uma ter\u00e7a-feira, tamb\u00e9m marcava um novo recorde di\u00e1rio de \u00f3bitos pela doen\u00e7a no Brasil, com o registro de 2.841 mortes, de acordo com dados do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade. Era a acelera\u00e7\u00e3o da segunda onda da pandemia no pa\u00eds, que atingiria um pico de 4.249 v\u00edtimas fatais em um s\u00f3 dia em 8 de abril, menos de um m\u00eas depois.<\/p>\n\n\n\n<p>Em boletim extraordin\u00e1rio publicado naquela ter\u00e7a-feira, a Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz (Fiocruz) indicava que 24 Estados e o Distrito Federal, entre as 27 unidades federativas do pa\u00eds, contavam com taxas de ocupa\u00e7\u00e3o de unidades de terapia intensiva (UTIs) para Covid-19 em patamares iguais ou superiores a 80%, sendo 15 deles com taxas iguais ou superiores a 90%. A situa\u00e7\u00e3o era &#8220;extremamente cr\u00edtica&#8221; ou de &#8220;colapso&#8221;, segundo a funda\u00e7\u00e3o. Sergipe era um dos Estados que passavam por isso, com 89% dos leitos ocupados. Mas Marc\u00e3o queria jogar \u2013 ou, melhor dizendo, entendia que precisava jogar para manter seu sustento.<\/p>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\"><strong>A voz d\u00edspar do treinador<\/strong><\/h5>\n\n\n\n<p>Dias antes, em 4 de mar\u00e7o, o ent\u00e3o t\u00e9cnico do Am\u00e9rica-MG, Lisca, havia solicitado \u2013 tamb\u00e9m em entrevista ao SporTV, na transmiss\u00e3o de um dos jogos da equipe \u2013 a paralisa\u00e7\u00e3o da Copa do Brasil. Em um desabafo emocionado e intenso antes da partida do Coelho contra o Athletic, em Juiz de Fora (MG), pelo Campeonato Mineiro, Lisca, carinhosamente apelidado de &#8220;Doido&#8221; pelo meio futebol\u00edstico, contou que estava perdendo amigos, inclusive treinadores de futebol, para a doen\u00e7a. O depoimento ocorreu um dia ap\u00f3s a morte do t\u00e9cnico Ruy Scarpino, campe\u00e3o paulista em 2002 pelo Ituano; em dezembro de 2020, o treinador Marcelo Veiga, ex-Bragantino, tamb\u00e9m fora vitimado pela doen\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Vou fazer um apelo para as autoridades do Brasil e principalmente para a CBF. \u00c9 quase inacredit\u00e1vel que saiu uma tabela da Copa do Brasil hoje com jogos nos dias 10 e 17, com 80 clubes, que n\u00f3s vamos levar delega\u00e7\u00e3o de 30 pessoas para um lado e para outro do pa\u00eds. Nosso pa\u00eds parou, gente. N\u00e3o tem lugar nos hospitais&#8221;, desabafou Lisca \u00e0 beira do gramado. Envergando um colete amarelo do Am\u00e9rica-MG, ele olhava diretamente para a c\u00e2mera e apelava ao comando da Confedera\u00e7\u00e3o Brasileira de Futebol (CBF): &#8220;pelo amor de Deus.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>A fala de Marc\u00e3o, quase duas semanas depois do apelo de Lisca, comprova que o pedido do treinador, no fim das contas, n\u00e3o foi atendido: o futebol continuou. Mais do que isso, o depoimento do atleta do Sergipe soou como uma resposta ao t\u00e9cnico, cujas declara\u00e7\u00f5es repercutiram por dias a fio na m\u00eddia especializada.<\/p>\n\n\n\n<p>O goleiro fez quest\u00e3o, por exemplo, de mencionar os altos sal\u00e1rios praticados nas primeiras divis\u00f5es do Campeonato Brasileiro, comparando-os \u00e0 renda menor de quem atua em divis\u00f5es inferiores. O Am\u00e9rica-MG acabara de garantir sua vaga na S\u00e9rie A de 2021, ap\u00f3s ficar com o vice-campeonato da segunda divis\u00e3o de 2020, temporada na qual tamb\u00e9m alcan\u00e7ou a semifinal da Copa do Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>Em uma esp\u00e9cie de &#8220;leva e traz&#8221; por meio da imprensa, Lisca voltou a ser conclamado a se manifestar sobre o tema cinco dias depois da fala de Marc\u00e3o, em uma entrevista coletiva na sequ\u00eancia da vit\u00f3ria por 1 a 0 do Am\u00e9rica-MG sobre o Cruzeiro, em partida v\u00e1lida pelo Campeonato Mineiro. Mais uma vez, se posicionou de forma contr\u00e1ria \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o do futebol \u2013 agora, com mais alguns argumentos e menos emo\u00e7\u00e3o, com mais propostas e em menor tom de desabafo, o t\u00e9cnico reconheceu ter ouvido diversos especialistas tratando a situa\u00e7\u00e3o do Brasil como uma &#8220;bomba&#8221;, e nisso baseou sua argui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O grande problema n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 a transmiss\u00e3o do v\u00edrus, \u00e9 o colapso dos hospitais. N\u00e3o pode ter uma pessoa com doen\u00e7a cr\u00f4nica, uma apendicite, uma pedra no rim, porque n\u00e3o tem leito&#8221;, contou Lisca.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>No vaiv\u00e9m de trocas de declara\u00e7\u00f5es entre Marc\u00e3o e Lisca, a semelhan\u00e7a que ambos carregam, de serem personagens que participam ativamente do futebol brasileiro, parecia ofuscada pelas diferen\u00e7as \u2013 n\u00e3o apenas sociais e de opini\u00f5es a respeito da pandemia, que escancararam ainda mais a profunda divis\u00e3o da sociedade entre \u201csa\u00fade e economia\u201d, mas tamb\u00e9m entre os times grandes e pequenos, e suas distintas percep\u00e7\u00f5es de um mundo pand\u00eamico.<\/p>\n\n\n\n<p>Um deles, de uma equipe pequena, queria seguir jogando para garantir ao menos um sal\u00e1rio m\u00ednimo, apesar dos riscos; outro, no time grande, preferia interromper a intensa movimenta\u00e7\u00e3o do futebol em um pa\u00eds em colapso sanit\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\"><strong>Tr\u00eas Estados, 16 positivados<\/strong><\/h5>\n\n\n\n<p>&#8220;Eu vi v\u00e1rios infectologistas falando que isso \u00e9 uma bomba. Vi o time da Ponte Preta com 22 casos, o Mar\u00edlia com oito, dez&#8230; Eu avisei h\u00e1 duas semanas que ia ser dif\u00edcil&#8221;, disse Lisca em sua coletiva de 21 de mar\u00e7o, citando dois exemplos de equipes que viveram surtos de Covid-19 em seus elencos em meio \u00e0 disputa da Copa do Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>O caso do Mar\u00edlia foi especialmente emblem\u00e1tico. O time, que atua na S\u00e9rie A3 (ou a terceira divis\u00e3o) do Campeonato Paulista, foi obrigado a viajar de \u00f4nibus por tr\u00eas Estados em um intervalo de 48 horas para disputar seu confronto contra o Crici\u00fama (SC) pela Copa do Brasil, em 18 de mar\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p>O jogo estava inicialmente marcado para Mar\u00edlia, interior de S\u00e3o Paulo, distante 443 quil\u00f4metros da capital paulista, mas n\u00e3o p\u00f4de ocorrer na cidade devido \u00e0s restri\u00e7\u00f5es sanit\u00e1rias impostas pelo governo local. Foi, ent\u00e3o, transferido para Varginha, no Sul de Minas Gerais, a 564 quil\u00f4metros da localidade original. Mas o munic\u00edpio mineiro tamb\u00e9m n\u00e3o permitiu sua realiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A sa\u00edda encontrada pela organiza\u00e7\u00e3o do torneio foi marcar o confronto para Cariacica, no Esp\u00edrito Santo. A cidade capixaba est\u00e1 localizada a 778 quil\u00f4metros de Varginha. Fica, ainda, a 1.378 quil\u00f4metros de Mar\u00edlia.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois dos quase 2 mil quil\u00f4metros percorridos em dois dias, o Mar\u00edlia enfim acabou por empatar em 0 a 0 com o Crici\u00fama \u2013 jogando, de fato, no suntuoso e cariaciquense est\u00e1dio Kl\u00e9ber Andrade, cujas vazias arquibancadas multicoloridas, constru\u00eddas em formato de tobog\u00e3, n\u00e3o foram capazes de chamar tanta aten\u00e7\u00e3o quanto o roteiro da equipe paulista. A igualdade classificou o Crici\u00fama.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m da elimina\u00e7\u00e3o e das extensas milhas de viagem, o Mar\u00edlia ainda acumulou mais um saldo na via-sacra pelos tr\u00eas Estados do Sudeste: 16 casos positivos de Covid-19 entre jogadores e membros da delega\u00e7\u00e3o. O time reclamou publicamente da falta de organiza\u00e7\u00e3o que o fez levar para o Esp\u00edrito Santo uma partida que deveria ter acontecido em seu pr\u00f3prio est\u00e1dio, colocando seu elenco em risco maior de contamina\u00e7\u00e3o pelo coronav\u00edrus. Mas n\u00e3o deixou de entrar em campo \u2013 j\u00e1 que, como Marc\u00e3o, precisava jogar, especialmente porque a S\u00e9rie A3 paulista estava paralisada pelas restri\u00e7\u00f5es sanit\u00e1rias locais e, com isso, o clube ficaria temporariamente sem calend\u00e1rio de competi\u00e7\u00f5es, n\u00e3o fosse a Copa do Brasil.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\"><strong>Interrup\u00e7\u00f5es<\/strong><\/h5>\n\n\n\n<p>A interrup\u00e7\u00e3o da S\u00e9rie A3 paulista foi anunciada justamente em 16 de mar\u00e7o e durou at\u00e9 27 de abril, per\u00edodo da chamada \u201cfase emergencial\u201d de conten\u00e7\u00e3o da Covid-19 no Estado. A Federa\u00e7\u00e3o Paulista de Futebol (FPF) foi contr\u00e1ria \u00e0 paralisa\u00e7\u00e3o dos jogos de todas as suas divis\u00f5es locais, afirmando que os protocolos constitu\u00edam uma \u201cbolha\u201d de seguran\u00e7a para o setor esportivo e que a aus\u00eancia de p\u00fablico era uma das garantias. \u201cCom a paralisa\u00e7\u00e3o, mais de 3 mil atletas, membros de comiss\u00f5es t\u00e9cnicas e funcion\u00e1rios das agremia\u00e7\u00f5es param de ter esse controle m\u00e9dico\u201d, argumentou a entidade em nota.<\/p>\n\n\n\n<p>Um estudo da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) divulgado ainda em mar\u00e7o mostrou, por\u00e9m, que os testes de RT-PCR conduzidos em jogadores de futebol no Estado ao longo de 2020 tiveram \u00edndice de positividade de 11,7%, t\u00e3o alto quanto o de profissionais da sa\u00fade da linha de frente do combate. A pesquisa avaliou mais de 30 mil testes de 4.269 atletas, al\u00e9m de 2.231 testes de integrantes das delega\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>O levantamento foi realizado entre equipes que disputaram a Ta\u00e7a Paulista, o Paulista Sub-23, o Paulista Sub-20 e tr\u00eas divis\u00f5es profissionais do Campeonato Paulista, al\u00e9m dos campeonatos Paulista e Sub-17 de futebol feminino. Isso significa que a maior parte do estudo englobou times de pequeno porte, j\u00e1 que at\u00e9 mesmo na elite estadual havia equipes que sequer se classificaram para a S\u00e9rie D nacional \u2013 caso do \u00c1gua Santa, por exemplo.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c\u00c9 uma taxa de ataque bem superior \u00e0 observada em outros pa\u00edses\u201d, destacou o coordenador da pesquisa, Bruno Gualano, \u00e0 Ag\u00eancia Fapesp, citando ligas de pa\u00edses como Alemanha e Catar. \u201cComparados aos outros casos de que se tem registro, nossos jogadores se infectaram entre tr\u00eas e 24 vezes mais.\u201d<\/p>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\"><strong>Times pequenos s\u00e3o imensa maioria<\/strong><\/h5>\n\n\n\n<p>Segundo um raio-x elaborado pela CBF em 2019, o Brasil possui 742 equipes profissionais, al\u00e9m de cerca de 22 mil atletas sob contratos profissionais. Apenas 40 times disputam a primeira e segunda divis\u00f5es, as mais abastadas do esporte no pa\u00eds \u2013 20 em cada, incluindo o Am\u00e9rica-MG, ex-equipe de Lisca.<\/p>\n\n\n\n<p>Outros 88 clubes se dividem entre as s\u00e9ries C e D, nas quais as disparidades financeiras ante os times de primeiro escal\u00e3o come\u00e7am a se acentuar. O Sergipe, de Marc\u00e3o, pode ser considerado at\u00e9 mesmo um clube privilegiado: mesmo com uma folha salarial modesta, \u00e9 uma das 68 equipes que t\u00eam vaga na quarta divis\u00e3o brasileiro.<\/p>\n\n\n\n<p>Considerando que 128 times atuam nas quatro divis\u00f5es do futebol nacional, o levantamento da CBF deixa claro que mais de 600 clubes precisam sobreviver praticamente apenas com disputas regionais, que tendem a contar com calend\u00e1rios mais limitados \u2013 \u00e9 o caso, por exemplo, do Mar\u00edlia. De acordo com pesquisa publicada em abril de 2019 pela Funda\u00e7\u00e3o Get\u00falio Vargas (FGV), 90% das equipes brasileiras jogam em m\u00e9dia somente 19 partidas por ano, enquanto apenas 14% delas t\u00eam um calend\u00e1rio completo para o ano todo, disputando uma das quatro principais divis\u00f5es do futebol brasileiro.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Levando em conta que o elenco de um time de futebol possui em m\u00e9dia 30 atletas, isso significaria que cerca de 18 mil jogadores do Brasil n\u00e3o disputam sequer a S\u00e9rie D nacional \u2013 aquela na qual Marc\u00e3o, um exemplo das dificuldades no meio diante da pandemia, atua. Mais do que esportivo, forma-se assim o retrato de mais um grande problema social para um pa\u00eds em crise.<\/p>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\"><strong>Aux\u00edlio distante<\/strong><\/h5>\n\n\n\n<p>Apenas dois dias depois do desabafo do goleiro do Sergipe, em momento em que a segunda onda da pandemia j\u00e1 tomava conta do pa\u00eds, o presidente Jair Bolsonaro assinou duas Medidas Provis\u00f3rias para que o aux\u00edlio emergencial voltasse a ser pago. Ainda assim, em valor menor do que o realizado no ano anterior \u2013 as novas parcelas passaram a variar de 150 reais a 375 reais, ante ao menos 600 reais na ajuda concedida em 2020 \u2013 e sem mirar especificamente em jogadores de futebol e adjacentes.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse sentido, a proposta do t\u00e9cnico Lisca para que o futebol pudesse ser paralisado com a devida aten\u00e7\u00e3o social aos membros do esporte, especialmente de equipes menores, passou a ser o pagamento de um aux\u00edlio emergencial pr\u00f3prio para o segmento.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma medida do g\u00eanero chegou a avan\u00e7ar no Congresso em 2020, com apoio da senadora e ex-atleta de voleibol Leila Barros (PSB-DF), prevendo pagamentos de 600 reais aos profissionais do setor esportivo. Acabou, por\u00e9m, vetada pelo presidente Jair Bolsonaro em outubro daquele ano, em momento em que a epidemia aparentava dar sinais de redu\u00e7\u00e3o e controle no Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>O tema voltou \u00e0 tona no in\u00edcio de 2021, com o recrudescimento da pandemia, por meio da sugest\u00e3o de Lisca \u2013 que, desta vez, propunha um trabalho direto da CBF pelo aux\u00edlio, \u00e0 parte do Congresso Nacional.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A CBF tem o controle de todos os contratos, valores, est\u00e1 tudo l\u00e1. N\u00e3o podemos deixar nenhum profissional desatendido. \u00c9 hora da gente, que est\u00e1 numa melhor condi\u00e7\u00e3o, se sacrificar e poder ajudar todo mundo. Est\u00e1 caindo de maduro para a gente, do futebol, fazer isso&#8221;, comentou o ent\u00e3o treinador do Am\u00e9rica-MG em entrevista coletiva.<\/p>\n\n\n\n<p>Novamente a proposta n\u00e3o foi adiante, colocando os jogadores de times de menor express\u00e3o, como Marc\u00e3o, entre a cruz e a espada: jogar para garantir o sustento ou se resguardar para assegurar a sa\u00fade.<\/p>\n\n\n\n<p>A confedera\u00e7\u00e3o brasileira, de fato, possu\u00eda os meios indicados por Lisca. Tudo est\u00e1 no chamado &#8220;Relat\u00f3rio de Gest\u00e3o 2020&#8221;, disponibilizado pela diretoria da entidade em seu website. S\u00e3o mais de 200 p\u00e1ginas de incont\u00e1veis informa\u00e7\u00f5es, que v\u00e3o desde dados internos da confedera\u00e7\u00e3o at\u00e9 relatos do saldo de transfer\u00eancias de jogadores na temporada. A parcela derradeira do documento, a partir da p\u00e1gina 262, traz uma se\u00e7\u00e3o batizada de &#8220;\u00c1rea Financeira, o maior desafio&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Nela, \u00e9 descrito que, ao final do ano passado, o patrim\u00f4nio da CBF totalizava 1,56 bilh\u00e3o de reais. A receita operacional da entidade em 2020, por sua vez, superou a casa dos 661 milh\u00f5es de reais. E h\u00e1, sim, relatos de aportes destinados ao combate \u00e0 pandemia: foram, no total, 168 milh\u00f5es de reais \u2013 n\u00e3o houve envios diretos a jogadores, mas alguns clubes de menor express\u00e3o receberam doa\u00e7\u00f5es, segundo a confedera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m da CBF, respons\u00e1vel pela maior parte dos aportes, o montante tamb\u00e9m contou com recursos provenientes da Fifa, entidade m\u00e1xima do futebol mundial, e da Confedera\u00e7\u00e3o Sul-Americana de Futebol (Conmebol).<\/p>\n\n\n\n<p>Ao longo de 2020, foram 74,6 milh\u00f5es de reais enviados para clubes da S\u00e9rie A em linhas de cr\u00e9dito. Pelo mesmo mecanismo, as equipes da S\u00e9rie B receberam 25,3 milh\u00f5es de reais. J\u00e1 os times das s\u00e9ries C e D receberam, juntos, 15,8 milh\u00f5es de reais, no que a CBF classificou como &#8220;doa\u00e7\u00f5es para clubes que comp\u00f5em a base do futebol brasileiro&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o h\u00e1 men\u00e7\u00e3o, por\u00e9m, aos outros 600 times que n\u00e3o disputaram nenhuma das quatro divis\u00f5es nacionais no per\u00edodo \u2013 o Sergipe de Marc\u00e3o, por exemplo, ainda n\u00e3o fazia parte do grupo de 128 times das s\u00e9ries A a D no ano passado; e foram, segundo o goleiro, quatro meses sem sal\u00e1rios na equipe no per\u00edodo. O Mar\u00edlia, breve inquilino de Cariacica, tamb\u00e9m n\u00e3o figurava na lista.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, membros de equipes deste escal\u00e3o passam fome, como revelou o goleiro. Enquanto isso, a Covid-19 passa perto e o aux\u00edlio passa longe.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 diante desse cen\u00e1rio que eles buscam seguir \u2013 cada qual a seu modo, com sua necessidade e com sua opini\u00e3o. \u00c9 assim que as centenas de \u201cinvis\u00edveis\u201d envolvidos nessa confus\u00e3o, passando pela maior crise sanit\u00e1ria em um s\u00e9culo, tentam fazer o show continuar \u2013 mesmo que isso signifique atuar com nove atletas a menos ou viajar por 2 mil quil\u00f4metros.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\"><strong><span class=\"has-inline-color has-black-color\"><em>Por Gabriel Araujo<\/em><\/span><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Em meio \u00e0 pandemia, membros de times pequenos passam fome, enquanto Covid-19 passa perto e aux\u00edlio passa longe; com falta de solu\u00e7\u00f5es, campeonatos prosseguem\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/?p=420\"> <\/a>","protected":false},"author":90,"featured_media":421,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[7],"tags":[39,38,37,36,34],"class_list":["post-420","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-revista-babel-julho-2021","tag-cbf","tag-copa-do-brasil","tag-covid-19","tag-futebol","tag-jair-bolsonaro"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v19.10 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>O futebol explica o Brasil (da Covid-19) - Revista Babel<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/?p=420\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"O futebol explica o Brasil (da Covid-19) - Revista Babel\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Em meio \u00e0 pandemia, membros de times pequenos passam fome, enquanto Covid-19 passa perto e aux\u00edlio passa longe; 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