{"id":403,"date":"2021-10-15T16:48:22","date_gmt":"2021-10-15T19:48:22","guid":{"rendered":"http:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/?p=403"},"modified":"2021-10-15T16:48:23","modified_gmt":"2021-10-15T19:48:23","slug":"rotina-em-3-decadas-dormir-e-acordar-com-a-internet","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/?p=403","title":{"rendered":"Rotina em 3 d\u00e9cadas: dormir e acordar com a internet"},"content":{"rendered":"\n<p>Acordar, desligar o alarme, olhar o <em>WhatsApp<\/em>, verificar o <em>Twitter<\/em>. Lavar o rosto, sentar \u00e0 mesa. Ligar o notebook, digitar a senha, abrir uma aba no <em>Google<\/em>, assistir a uma aula longa. Levantar-se, cozinhar. Assistir a uma s\u00e9rie no almo\u00e7o. Lavar a lou\u00e7a, sentar \u00e0 mesa. Trabalhar e estudar pelo computador com eventuais pausas para verificar o <em>Instagram<\/em>. Jantar &#8211; quem sabe um pedido do <em>iFood<\/em> \u2013, responder emails. Enfim terminar de assistir o epis\u00f3dio come\u00e7ado mais cedi. Deitar e ler um <em>e-book<\/em>; olhar o <em>Youtube<\/em>, o <em>Facebook<\/em>, o <em>Twitter<\/em> de novo. Ativar o alarme; dormir.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 claro que nem sempre nessa ordem, nem com esse ar melanc\u00f3lico que talvez se tenha pintado. Mas a minha rotina (de uma jovem estudante de jornalismo em tempos pand\u00eamicos e em S\u00e3o Paulo) muitas vezes tem se parecido com isso, mesmo. E \u00e9 claro que os verbos no infinitivo d\u00e3o uma impress\u00e3o meio mec\u00e2nica, mas a leitura antes de dormir costuma ser intensa, o almo\u00e7o gostoso, e o <em>Twitter<\/em> \u00e0s vezes calha de me anunciar o lan\u00e7amento da pr\u00f3xima temporada de minha s\u00e9rie favorita.<\/p>\n\n\n\n<p>Para o bem ou para o mal, \u00e9 poss\u00edvel (\u00e9 prov\u00e1vel) que boa parte das pessoas que agora leem esse texto se identifiquem com ao menos parte de minha rotina. Segundo pesquisa do IBGE, 82,7% dos domic\u00edlios nacionais j\u00e1 acessavam a internet em 2019 \u2013 um aumento de 3,6% em rela\u00e7\u00e3o a 2018. Al\u00e9m disso, dentre eles, 99,5% acessavam a rede por meio de celulares.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 f\u00e1cil imaginar que, nos anos 90, ou mesmo no in\u00edcio dos anos 2000, o acesso era radicalmente diferente. Como \u00e9 ent\u00e3o que fizemos para absorver essas mudan\u00e7as em apenas 30 anos? O que pens\u00e1vamos sobre os dispositivos digitais e m\u00f3veis nessa virada de s\u00e9culo, e o que pensamos hoje? De que forma a internet foi passando a fazer parte do nosso dia a dia (aos poucos e, paradoxalmente, de maneira t\u00e3o r\u00e1pida)?<\/p>\n\n\n\n<p>Para escrever essa pauta, encontrei algumas pessoas que topassem conversar comigo e que relatassem como foi acontecendo essa mudan\u00e7a de rotina ao longo dos anos. Duas delas, achei pelo <em>Facebook<\/em>, conversamos por mensagem e depois por telefone. A outra \u00e9 um professor de minha faculdade, escritor de um livro chamado <em>A Cidadania Digital <\/em>e pesquisador das redes digitais.<\/p>\n\n\n\n<p>Em um primeiro momento (Parte I), quero explorar a vis\u00e3o negativa sobre tecnologia digital que muitos podem ter previamente, antes de ler a mat\u00e9ria. Enfim (Parte II), vamos conversar com os entrevistados e seus cotidianos ao longo de tr\u00eas d\u00e9cadas.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Parte I &#8211; Indissoci\u00e1veis<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>A medicina usa para pronto-atendimento, teleconsultas, at\u00e9 mesmo cirurgias de risco e com necessidade de maior precis\u00e3o. A arquitetura constr\u00f3i projetos inteiros por <em>softwares<\/em> eficazes em selecionar texturas, materiais e medidas, simulando o resultado de futuras constru\u00e7\u00f5es. A engenharia lan\u00e7a m\u00e3o de impressoras 3D que podem construir materiais do zero; unida \u00e0 biologia, ambas t\u00eam criado uma \u00e1rea poderosa e inovadora que manipula DNA para fabricar organismos melhorados de vegetais ou mesmo animais.<\/p>\n\n\n\n<p>O pesquisador Massimo Di Felice \u00e9 professor do departamento de Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas da Escola de Comunica\u00e7\u00f5es e Artes da USP, e \u00e9 um estudioso das redes digitais. Soci\u00f3logo de forma\u00e7\u00e3o, bate sempre em uma tecla: por que a sociologia e filosofia ocidental s\u00e3o algumas das \u00fanicas disciplinas que permanecem maldizendo as tecnologias digitais? Por que enxergam as redes sociais sempre como uma ferramenta de aliena\u00e7\u00e3o e distra\u00e7\u00e3o, quando a grande maioria das outras disciplinas se aliam a elas?<\/p>\n\n\n\n<p>Dentro do centro de pesquisa internacional Atopos, de que \u00e9 fundador, Di Felice ajudou a formular uma linha de pesquisa chamada <em>tek\u00f3<\/em>. Tentando entender, em um primeiro momento, como estava se dando o processo de digitaliza\u00e7\u00e3o nas comunidades ind\u00edgenas, essa linha vem realizando pesquisas de campo em v\u00e1rias aldeias brasileiras.<\/p>\n\n\n\n<p>Reconhecidos por seu contato mais intenso com florestas e animais, esses povos poderiam (segundo a intui\u00e7\u00e3o ocidental) negar a tecnologia digital como algo artificial ou sup\u00e9rfluo. Mas Massimo relata que em muitos casos n\u00e3o \u00e9 isso o que acontece: \u201cUm dos pontos com o qual nos deparamos \u00e9 que esses povos tinham uma clareza na intera\u00e7\u00e3o com a tecnologia: ela n\u00e3o era alienadora ou invasiva. N\u00e3o era algo que fosse fonte de conflitos, ou amea\u00e7adora, como as ci\u00eancias sociais costumam defender que seria\u201d. E ele ainda lembra: \u201cA primeira manifesta\u00e7\u00e3o nacional ind\u00edgena da hist\u00f3ria do Brasil aconteceu justamente por essas redes\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Em outras palavras, a vis\u00e3o negativa sobre as redes digitais pertence a n\u00f3s, ocidentais: n\u00e3o \u00e9 inerente \u00e0s tecnologias em si. Segundo Di Felice, nosso alarmismo seria um fruto da maneira dualista com que separamos historicamente sujeito de objeto, e principalmente humano de t\u00e9cnica.<\/p>\n\n\n\n<p>Vou tentar explicar melhor. Desde Plat\u00e3o, a maioria dos fil\u00f3sofos ocidentais desenvolveram suas teorias partindo da percep\u00e7\u00e3o de que havia uma \u201cnatureza\u201d externa ao humano e um \u201csujeito\u201d interno, e que este sujeito seria n\u00e3o apenas independente dessa natureza, como teria controle sobre ela atrav\u00e9s de sua <em>t\u00e9cnica<\/em>. Estamos falando de conquistar o mundo com navios, escavar terra com grandes m\u00e1quinas agr\u00edcolas, apontar armas de fogo para os animais que estavam no meio do caminho. E se considerar o rei de todos os terrenos em volta, e exaltar o humanismo como uma ideia nobre e bonita.<\/p>\n\n\n\n<p>Bem, Massimo diz que essa ideia de <em>t\u00e9cnica<\/em> (como instrumentos que eventualmente criamos e sempre controlamos, e que s\u00e3o separados de n\u00f3s) \u00e9 meramente uma narrativa. O te\u00f3rico parte de pesquisadores como Bruno Latour e Martin Heidegger para defender que os humanos sempre estiveram intimamente ligados \u00e0 t\u00e9cnica e que sua rela\u00e7\u00e3o com ela sempre foi imprescind\u00edvel para sua pr\u00f3pria exist\u00eancia. Os humanos n\u00e3o s\u00e3o o centro do mundo e n\u00e3o controlam tudo o que est\u00e1 ao seu redor: somos dependentes de milhares de seres, minerais e tecnologias; ecologias inteiras que s\u00f3 funcionam a partir de trocas.<\/p>\n\n\n\n<p>Abominar a rela\u00e7\u00e3o com as redes digitais, portanto, seria uma forma de dar continuidade a essa longa narrativa de que somos independentes da t\u00e9cnica \u2013 de que <em>precisamos<\/em> ser independentes dela.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Como se, ao me sentar diante da janela e passar uma hora inteira analisando o c\u00e9u cinzento de S\u00e3o Paulo, eu estivesse sendo menos <em>alienada<\/em> ou <em>me distraindo<\/em> menos do que se passasse essa mesma hora com o rosto iluminado pelas telas. Como se, para encarar o mundo de verdade, precis\u00e1ssemos nos desfazer da tecnologia; mesmo que, claramente, essa seja uma miss\u00e3o imposs\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p>Afinal, o c\u00e9u cinzento \u00e9 fruto das din\u00e2micas tecnol\u00f3gicas da cidade \u2013 e eu subi um elevador para estar diante da minha janela.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Parte II &#8211; Rotinas em tr\u00eas d\u00e9cadas<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Essa longa mat\u00e9ria parte do pressuposto, portanto, de que somos indissoci\u00e1veis das tecnologias e de que n\u00e3o faz sentido neg\u00e1-las. Isso n\u00e3o \u00e9 o mesmo que dizer, \u00e9 claro, que as redes digitais t\u00eam sempre um impacto positivo e n\u00e3o s\u00e3o, nunca, um motivo de receio. A quest\u00e3o aqui \u00e9 retirar a ess\u00eancia das coisas: n\u00e3o defender que os dispositivos m\u00f3veis s\u00e3o inerentemente bons ou ruins, e sim que eles se fazem nas rela\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>As rela\u00e7\u00f5es mudaram rapidamente, no entanto, de trinta anos atr\u00e1s at\u00e9 hoje. No Brasil do final dos anos 80, eram as universidades e raras empresas quem possu\u00edam acesso \u00e0 internet, e mesmo essa tinha um modo de funcionamento bastante diferente. Em que momento ent\u00e3o ela come\u00e7ou a se popularizar e a fazer parte intimamente do cotidiano da popula\u00e7\u00e3o do pa\u00eds?<\/p>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\"><strong>Anos 90<\/strong><\/h5>\n\n\n\n<p>Para Marcos Aurelio Costa, que tem mais de 40 anos e \u00e9 de Florian\u00f3polis, esse momento chegou um pouco mais cedo do que para seus vizinhos. T\u00e9cnico de inform\u00e1tica, o catarinense iniciou um curso na \u00e1rea de programa\u00e7\u00e3o aos 12 anos, por influ\u00eancia de seus pais, e j\u00e1 come\u00e7ou a trabalhar na \u00e1rea quando jovem. Teve o primeiro celular perto dos anos 2000 (\u201co Nokia da lanterninha, que todo mundo tinha\u201d), mas o primeiro computador ganhou em 1994 de um amigo com quem trabalhava. De famoso processador \u201c486\u201d, esse computador demorava mais de uma hora para aquecer, e Marcos \u00e0 \u00e9poca j\u00e1 instalava o Windows 95 para rodar seus programas.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse in\u00edcio, segundo relata o t\u00e9cnico, eram apenas as grandes corpora\u00e7\u00f5es quem tinham acesso \u00e0 internet, j\u00e1 que o pre\u00e7o era muito elevado. \u201cPara usar o computador, o pessoal que era mais nerd acabava comprando revistas que vinham com um CD para instalar programas\u201d. Dois programas citados por ele e que continuam sendo usados at\u00e9 hoje s\u00e3o o Photoshop e o Coreldraw, embora suas interfaces fossem bastante diferentes nos anos 90. &#8220;Voc\u00ea tinha que ir at\u00e9 as bancas de revistas, comprar um CD que gravava um jogo ou uma parte de um programa, e depois instalava em casa. Eu gastei muito dinheiro em revista nessa \u00e9poca\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Marcos conta que as poucas pessoas que compravam esses produtos tinham um certo <em>status<\/em>. \u201cVoc\u00ea era <strong><span class=\"has-inline-color has-black-color\">bem-visto<\/span><\/strong> porque ajudava a vizinhan\u00e7a. Eu digitava r\u00e1pido e as pessoas me achavam o m\u00e1ximo&#8230; era como receber uma curtida no Instagram\u201d, brinca.<\/p>\n\n\n\n<p>A conex\u00e3o via internet come\u00e7ou a ser acessada por usu\u00e1rios comuns no final dos anos 90, e ainda assim apenas em momentos espec\u00edficos. <strong><span class=\"has-inline-color has-black-color\">Por ser muito caro, os novos internautas procuravam hor\u00e1rios em que o acesso era mais barato <\/span><\/strong>\u2013 como aos finais de semana ou pela madrugada. Isso \u00e9 o que relata Marcos Aurelio, mas tamb\u00e9m Neli Martelozzo Grego, uma outra entrevistada para esta mat\u00e9ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Neli tem 62 anos e \u00e9 moradora da Zona Leste da cidade de S\u00e3o Paulo. Hoje \u00e9 aposentada, tendo trabalhado muitos anos como secret\u00e1ria na \u00e1rea financeira de empresas privadas. Ela conta que, j\u00e1 nos anos 80, algumas empresas grandes possu\u00edam computadores (imensos), mas reservados ao uso apenas de funcion\u00e1rios da \u00e1rea de TI: \u201cA gente n\u00e3o chegava nem perto. Faz\u00edamos tudo de um jeito manual, mand\u00e1vamos para o Centro de Processamento de Dados, que tinham funcion\u00e1rios especializados em mexer em computadores\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Em fins dos anos 90, comprou seu primeiro computador compacto, que usava em casa junto com a filha. Mas, assim como Marcos Aurelio, ela conta que procurava hor\u00e1rios espec\u00edficos para acessar por conta do pre\u00e7o: \u201cEu comprei o computador para lazer, mas a gente n\u00e3o usava tanto porque era caro. Para acessar a internet, ainda n\u00e3o era banda larga, ent\u00e3o usar por meia hora era como ficar ligando para algu\u00e9m por meia hora pelo telefone\u201d. Da meia-noite at\u00e9 \u00e0s seis da manh\u00e3, Neli conta que existia uma brecha e o pre\u00e7o era mais barato. \u201cPelo menos para a minha casa, <strong><span class=\"has-inline-color has-black-color\">o acesso n\u00e3o era t\u00e3o f\u00e1cil, simples e expandido<\/span><\/strong> como \u00e9 hoje\u201d.<\/p>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\"><strong>Anos 2000<\/strong><\/h5>\n\n\n\n<p>De in\u00edcio, Neli usava o computador e a internet mais no trabalho do que em casa, realizando transfer\u00eancia de arquivos e enviando emails em sua empresa. Quando a<strong> <span class=\"has-inline-color has-black-color\">internet foi entrando dentro de casa<\/span><\/strong>, j\u00e1 era in\u00edcio dos anos 2000.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Nessa virada de s\u00e9culo, Marcos Aurelio conta que chegou a ter problemas s\u00e9rios com o uso do computador. Enquanto a maioria das pessoas passou a ter um problema de v\u00edcio com a chegada das redes sociais, o t\u00e9cnico de inform\u00e1tica o viu bater \u00e0 porta mais cedo: \u201cFiquei meio viciado. De 99 para 2000, passei dois anos sem sair de casa, porque foi quando as pessoas come\u00e7aram a pagar para ter uma conex\u00e3o \u00fanica. E a\u00ed eu mal dormia, ficava sempre ligado para conseguir uma conex\u00e3o boa\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda assim, Marcos n\u00e3o tem uma vis\u00e3o negativa sobre o uso da internet. \u201cQuando voc\u00ea entra em contato pela primeira vez com alguma coisa, leva um tempo para digerir. <strong><span class=\"has-inline-color has-black-color\">A internet traz uma liberdade que as pessoas n\u00e3o conseguem compreender de imediato<\/span><\/strong>, mas aos poucos essa rela\u00e7\u00e3o vai se equilibrando\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto Marcos deixava seu v\u00edcio, Neli e sua filha compravam seu <strong><span class=\"has-inline-color has-black-color\">primeiro celular<\/span><\/strong>, em 2001. Ainda era apenas destinado a liga\u00e7\u00f5es telef\u00f4nicas mas, como uma delas morava em Guarulhos e a outra no Br\u00e1s, o aparelho ajudou a mant\u00ea-las unidas. Neli repete algumas vezes o quanto recebeu apoio da pupila para aprender a mexer com tecnologias digitais: \u201cQuando temos filho adolescente em casa, s\u00f3 passamos aperto se quisermos. Porque, gra\u00e7as a Deus, eles est\u00e3o sempre por dentro das novidades. At\u00e9 hoje, a minha filha me ajuda com alguma coisa que n\u00e3o sei e tenho dificuldade \u2013 mesmo que por v\u00eddeo chamada, j\u00e1 que ela mora na Inglaterra\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre 2002 e 2003, Marcos se lembra de entrar na fase das <strong><em><span class=\"has-inline-color has-black-color\">lan houses<\/span><\/em><\/strong>. Essas casas de computadores e conex\u00e3o via internet permitiam que as pessoas pagassem e acessassem a rede individualmente ou em grupos. \u201cEu usava muito para jogar. A gente fazia um programa de chamar os amigos jogadores e fechava a <em>lan house<\/em> para jogar a noite toda\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Nessa mesma \u00e9poca, tamb\u00e9m se come\u00e7ava a acessar o famoso <strong><span class=\"has-inline-color has-black-color\">orkut<\/span><\/strong>, muito popular no Brasil. Criado em 2004 e desativado em 2014, a rede chegou a ultrapassar seus 30 milh\u00f5es de usu\u00e1rios no pa\u00eds, sendo uma das primeiras experi\u00eancias de muitos brasileiros com as redes sociais. Seu desenho permitia que cada usu\u00e1rio criasse um perfil e publicasse depoimentos para os amigos, mandasse mensagens, bem como integrasse comunidades curiosas como \u201cEu amo chocolate\u201d ou \u201cQueria sorvete, mas era feij\u00e3o\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>O orkut se iniciou cedo, em 2004, mas Neli se lembra de usar anteriormente o programa \u201cICQ\u201d (acr\u00f4nimo feito com base na pron\u00fancia de <em>I Seek You<\/em>, em ingl\u00eas) como rede social. N\u00e3o havia ainda \u00e1udio nem imagens: era composto apenas pela troca de mensagens dos usu\u00e1rios conectados, como uma esp\u00e9cie mais antiga de MSN.<\/p>\n\n\n\n<p>Neli ainda estava apenas se introduzindo nos dispositivos digitais, mas j\u00e1 tinha uma imagem bastante positiva sobre eles. \u201cEu sempre achei a oitava maravilha. Pra mim, que sou da \u00e9poca da m\u00e1quina de escrever, aquilo era maravilhoso \u2013 mesmo n\u00e3o tendo o mesmo acesso \u00e0 internet que tenho hoje\u201d. Ela lembra que algumas pessoas, nessa virada de s\u00e9culo, j\u00e1 enxergavam o computador como \u201ca besta do apocalipse\u201d, mas ela nunca teve a mesma vis\u00e3o. \u201cEu acho que, com crit\u00e9rio e coer\u00eancia, tudo nessa vida flui\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Conforme foi passando o tempo, Neli e Marcos constatam que os computadores e celulares tamb\u00e9m foram ficando mais compactos: \u201c<strong><span class=\"has-inline-color has-black-color\">Menores no tamanho e maiores na abrang\u00eancia<\/span><\/strong>\u201d. E as plataformas digitais tamb\u00e9m foram se desenvolvendo\u2026<\/p>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\"><strong>Anos 2010<\/strong><\/h5>\n\n\n\n<p>Na d\u00e9cada seguinte, pode-se dizer que os brasileiros experimentaram um <em>boom<\/em> das redes sociais. Tendo passado o auge do Orkut, em agosto de 2011, segundo o Ibope Nielsen, o<a href=\"http:\/\/g1.globo.com\/tecnologia\/noticia\/2011\/09\/facebook-ultrapassa-orkut-em-usuarios-unicos-no-brasil-diz-ibope.html#:~:text=Orkut%2C%20at%C3%A9%20ent%C3%A3o%20principal%20site,teve%2029%20milh%C3%B5es%20de%20usu%C3%A1rios.&amp;text=Pesquisa%20Ibope%20Nielsen%20Online%20divulgada,maior%20site%20social%20do%20pa%C3%ADs.\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"> Facebook se tornou a maior rede do Brasil<\/a>. Com um <em>design <\/em>mais moderno, a plataforma tamb\u00e9m tinha uma fama diferente, j\u00e1 que se passou a criar um preconceito contra a \u201corkutiza\u00e7\u00e3o\u201d (como se o Orkut tivesse ficado popular demais). Sobre isso, Neli conta inclusive que, de in\u00edcio, s\u00f3 era poss\u00edvel ingressar no Facebook se uma pessoa j\u00e1 inscrita te convidasse.<\/p>\n\n\n\n<p>No geral, Marcos lembra que j\u00e1 fazia algum tempo que os programas de comunica\u00e7\u00e3o iam se tornando mais fortes, com um protocolo chamado <em>Internet Relay Chat <\/em>(IRC). Utilizado na internet, ele permite a troca de mensagens e arquivos, permitindo que as conversas sejam mantidas em grupo ou de forma privada.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse momento, os IRCs j\u00e1 estavam bem mais populares do que quando nasceram, em 1993, e permitiam que comunidades pr\u00f3ximas come\u00e7assem a trocar fotos e informa\u00e7\u00f5es de maneira mais frequente. \u201cAt\u00e9 ent\u00e3o, quem tinha contato eram mais os <em>nerds<\/em>, mas os programas com c\u00f3digos mais prontos (mais f\u00e1ceis para pessoas comuns) foram sendo criados e se popularizaram\u201d, relata ele. As comunidades foram ficando gigantes: primeiro dentro dos <em>messengers<\/em>, depois em salas de papo virtual, depois nas redes sociais maiores. \u201cO pessoal todo se encontrava ali, porque era poss\u00edvel criar amizades e at\u00e9 namorar\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora o <em>Instagram<\/em> seja bastante famoso hoje, o t\u00e9cnico lembra que o Photolog foi uma primeira op\u00e7\u00e3o para fot\u00f3grafos e pessoas comuns come\u00e7arem a postar e curtir fotos.<\/p>\n\n\n\n<p>Trabalhando em uma loja de computadores com um amigo, Marcos Aurelio se voltou mais para o lado da eletr\u00f4nica do que da programa\u00e7\u00e3o nesse momento. Come\u00e7ou a trabalhar com venda e conserto de produtos, ent\u00e3o viu de perto o avan\u00e7o do uso dos dispositivos eletr\u00f4nicos m\u00f3veis. \u201cO celular estava come\u00e7ando a tomar a posi\u00e7\u00e3o que tem hoje. O Iphone 1 o brasileiro nem conheceu, ele come\u00e7ou a ter contato a partir do terceiro. E eu tive mais acesso por trabalhar com isso na loja\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo ele, o Iphone foi importante para que o computador passasse das casas fixas para a palma da m\u00e3o das pessoas. Por seu design moderno, seu modo <em>touch<\/em> e seu processador melhorado, os usu\u00e1rios come\u00e7aram a procurar mais por esse tipo de modelo de celular. <strong><span class=\"has-inline-color has-black-color\">Uma revolu\u00e7\u00e3o estava em voga: n\u00e3o mais a internet seria acessada apenas das casas brasileiras<\/span><\/strong>. \u201cA partir desse momento, ficou muito mais f\u00e1cil saber pelo que o mundo estava passando, porque as informa\u00e7\u00f5es vinham de todos os lados nas redes sociais\u201d, opina Marcos.<\/p>\n\n\n\n<p>Para al\u00e9m das redes sociais, Neli tamb\u00e9m diz que nessa \u00e9poca j\u00e1 utilizava bastante a internet para fazer compras \u2013 embora com menos frequ\u00eancia do que o faz hoje. Afinal, as plataformas j\u00e1 come\u00e7avam a extrair informa\u00e7\u00f5es dos usu\u00e1rios e armazen\u00e1-las em bancos de dados, para que pudessem oferecer produtos espec\u00edficos a cada nicho social. \u201cTem uma c\u00f3pia sua digital do outro lado da tela. Que n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o perfeita, mas traduz a sua personalidade e suas escolhas. Ent\u00e3o as marcas e as plataformas come\u00e7aram a entender que poderiam se utilizar disso para vender\u201d, analisa Marcos.<\/p>\n\n\n\n<p>Os sites para consulta de informa\u00e7\u00f5es e leitura tamb\u00e9m passaram a ser mais acessados. \u201cSempre gostei muito de ler, ent\u00e3o sempre pesquisei e aprendi muita coisa nova pela internet\u201d, conta Neli. Por n\u00e3o ter TV paga pelo elevado pre\u00e7o, e por ser fascinada por cinema, ela tamb\u00e9m conta que nessa d\u00e9cada j\u00e1 come\u00e7ava a pesquisar sites em que pudesse acessar filmes bons.<\/p>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\"><strong>Hoje<\/strong><\/h5>\n\n\n\n<p>30 anos depois, e acessar a internet j\u00e1 \u00e9 imprescind\u00edvel no modo de vida que fomos organizando no decorrer do tempo. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 esta narradora que vos fala que costuma acordar e conferir as not\u00edcias do dia, afinal. \u201cA \u00faltima coisa que vejo \u00e9 o celular, e a primeira tamb\u00e9m. Como trabalho e conserto placas, eu tenho 2 celulares. Um seria para a profiss\u00e3o e o outro pessoal, mas as coisas se misturaram bastante. A minha vida \u00e9 isso: se faz no meio digital\u201d, relata Marcos.<\/p>\n\n\n\n<p>Neli n\u00e3o trabalha com placas nem conserta celulares, mas tamb\u00e9m tem rotina semelhante. \u201cAcordo e j\u00e1 olho o WhatsApp. Como eu moro sozinha na minha casa, e deixo o celular no silencioso durante a noite, a primeira coisa que fa\u00e7o ao acordar \u00e9 conferir se n\u00e3o tenho alguma mensagem\u201d. Ela conta que, ainda na pandemia, uma amiga de inf\u00e2ncia faleceu durante a noite e a filha ligou para avisar, sem que ela tivesse not\u00edcia j\u00e1 que estava dormindo. Por essa mem\u00f3ria, fica atenta para saber se alguma urg\u00eancia a chama sempre que acorda pela manh\u00e3.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, com os irm\u00e3os morando em Osasco, Mogi das Cruzes e Belo Horizonte, e a filha na Inglaterra, Neli prefere manter o celular sempre por perto. Tanto porque pode precisar de ajuda, por estar sozinha, mas tamb\u00e9m porque adora uma conversa. \u201cMoro sozinha em uma casa, muito bem, e sou bem resolvida \u2013 e gra\u00e7as \u00e0 internet. Gra\u00e7as a ela eu converso com as pessoas o dia todo. Eu at\u00e9 tenho que deixar o celular de lado \u00e0s vezes, porque sen\u00e3o eu esque\u00e7o do cachorro, n\u00e3o dou \u00e1gua e comida, esque\u00e7o do almo\u00e7o, das plantas. Agrade\u00e7o muito aos c\u00e9us porque tenho muita gente no whatsapp, ent\u00e3o muitos me passam bom dia, perguntam como \u00e9 que eu estou\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>O contato \u00e9 t\u00e3o frequente que, se ela passa 3 ou 4 horas sem visualizar o <em>WhatsApp <\/em>durante o dia, algu\u00e9m j\u00e1 liga e pergunta: \u201cNeli, voc\u00ea est\u00e1 bem? Faz tempo que voc\u00ea n\u00e3o olha suas mensagens\u201d. E ela parece feliz com a rotina: \u201cS\u00f3 tenho a agradecer, porque isso \u00e9 carinho\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m do Facebook \u2013 que foi por onde a encontrei \u2013, Neli, tamb\u00e9m diz que acessa muito os jornais internacionais com tradu\u00e7\u00e3o em portug\u00eas: CBN, BBC, El Pa\u00eds. N\u00e3o gosta muito da imprensa brasileira: \u201cEla n\u00e3o nos d\u00e1 informa\u00e7\u00e3o exata das coisas, sempre divulga s\u00f3 o que \u00e9 de interesse de alguns\u201d.&nbsp; Para ela, s\u00f3 portais internacionais.<\/p>\n\n\n\n<p>Netflix, aplicativos de delivery e sites de compra tamb\u00e9m entram na conta di\u00e1ria. \u201cEu compro bastante online, principalmente na pandemia, que eu fico sozinha e n\u00e3o posso ficar indo no mercado. Ent\u00e3o eu uso e fa\u00e7o pesquisa, porque \u00e0s vezes voc\u00ea encontra o produto e frete baratos\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Pessoalmente, Neli entende que os dispositivos fazem muito bem e facilitam muito a vida. \u201cO fato de eu morar sozinha me coloca em contato com a minha fam\u00edlia, com amigos e vizinhos. Tanto \u00e9 que, onde eu ando em casa, eu levo o celular. N\u00e3o sou neur\u00f3tica, mas sou precavida: pode acontecer de eu me sentir mal e n\u00e3o conseguir chegar ao telefone. Ent\u00e3o eu ando com ele e qualquer coisa eu pe\u00e7o ajuda\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Mas, para ela, vai al\u00e9m de pedir socorro, caso necess\u00e1rio. \u201c<strong><span class=\"has-inline-color has-black-color\">A internet me facilita porque me coloca em contato com o mundo<\/span><\/strong>. A minha condi\u00e7\u00e3o financeira n\u00e3o me d\u00e1 possibilidade de viajar muito, e a internet permite isso. Conhe\u00e7o v\u00e1rias pessoas que nunca vi pessoalmente. Ent\u00e3o pra mim \u00e9 muito bacana por causa disso: eu me sinto em contato com o mundo, n\u00e3o me sinto sozinha, n\u00e3o me sinto isolada. Por conta da dist\u00e2ncia, acaba que a gente precisa da internet\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 Marcos, que ainda n\u00e3o consegue dormir deixando o celular em outro quarto, conta que sua primeira percep\u00e7\u00e3o sobre as tecnologias digitais foi bastante assustadora. \u201cTinha medo que a n\u00edvel mundial a gente fosse perder o nosso controle para ela. Hoje eu vejo que isso \u00e9 quase a mesma coisa que o nosso medo com o carro, h\u00e1 anos atr\u00e1s. Meu pai tinha medo de usar carro, mas passou. A gente vai aprendendo a lidar. A nossa vida toda est\u00e1 l\u00e1 hoje\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O t\u00e9cnico me confessa que inveja meu futuro. Quando tiver 80 anos, diz ele, vai conseguir ver minha gera\u00e7\u00e3o vindo de Marte, sem poder interferir tanto. \u201cO medo que eu tinha, eu perdi, porque eu acreditei em pessoas da sua idade que est\u00e3o fazendo a diferen\u00e7a no papel deles, e est\u00e3o implantando coisas uma simbiose entre tecnologia e ser humano. Claro que sempre vai ter um problema de capitalismo e vendas, e charlat\u00f5es. A tecnologia est\u00e1 a\u00ed para isso, mas ela vai ser cada vez melhor\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Em um per\u00edodo de pandemia, Marcos tamb\u00e9m lembra que \u00e9 muito mais f\u00e1cil saber pelo qu\u00ea o mundo todo est\u00e1 passando. Se n\u00e3o fossem as redes sociais, n\u00e3o ter\u00edamos a mesma ideia dessa propor\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 claro que nem tudo s\u00e3o flores. Neli enxerga uma dualidade. Apesar de entender que a internet conecta pessoas distantes, pode tamb\u00e9m afastar pessoas mais pr\u00f3ximas. \u201cSa\u00ed pra almo\u00e7ar com meu irm\u00e3o, cunhada e sobrinha e estavam todos olhando pro celular. E a\u00ed falei: \u2018vamos deixar de lado e conversar?\u2019 Ent\u00e3o tem que ter alguns cuidados em rela\u00e7\u00e3o a isso\u201d. Para ela, ao mesmo tempo que o mundo digital coloca em contato com muita gente, o n\u00facleo familiar pode se tornar mais fragmentado. \u201c\u00c9 muito bom, mas tem que ter crit\u00e9rio e bom senso. Tem que se ligar e n\u00e3o deixar que ela te domine\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Talvez essa pauta n\u00e3o tenha entrado em t\u00f3picos pol\u00eamicos e mais s\u00e9rios sobre o uso da internet. As pol\u00edticas regulat\u00f3rias, o direito dos usu\u00e1rios \u00e0 sua privacidade e as respostas aos ataques de \u00f3dio\u2026 al\u00e9m de outras milhares de quest\u00f5es que tamb\u00e9m poderiam ser abordadas. Talvez n\u00e3o hoje: afinal, na vida rotineira desses dois personagens entrevistados, elas n\u00e3o foram citadas.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando falam sobre o lado ruim das tecnologias digitais, \u00e9 comum que pensem no v\u00edcio e no medo das novidades. Sobre isso, penso que Marcos pode trazer uma bela finaliza\u00e7\u00e3o:<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cUm dia, eu conversei com uma senhora de 80 anos que me deu uma li\u00e7\u00e3o. Eu tinha uma vis\u00e3o muito pessimista sobre a nova gera\u00e7\u00e3o que est\u00e1 crescendo com as tecnologias digitais. Uma vis\u00e3o pessimista parecida com a que meu pai tinha em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 minha gera\u00e7\u00e3o, que nasceu dan\u00e7ando e fazendo <em>funk<\/em>\u00a0 (como se a gente estivesse \u2018perdido\u2019 por causa do teor das letras e da dan\u00e7a). E isso me assustava muito. E a\u00ed essa senhora me disse: \u2018a sua gera\u00e7\u00e3o deu tanto <em>medo<\/em> na minha gera\u00e7\u00e3o, que a gente teve que ir pro psic\u00f3logo. Mas voc\u00eas sempre d\u00e3o jeito. Os respons\u00e1veis s\u00e3o as pessoas da sua idade que veem e fazem o futuro ser diferente\u2019\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\"><span style=\"\"><span class=\"has-inline-color has-black-color\" style=\"\"><i style=\"font-weight: bold;\"> Por L\u00edgia de Castro <\/i><\/span><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Como os brasileiros foram se familiarizando com o uso de dispositivos m\u00f3veis dos anos 90 at\u00e9 hoje.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/?p=403\"> <\/a>","protected":false},"author":87,"featured_media":404,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[7],"tags":[29,30],"class_list":["post-403","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-revista-babel-julho-2021","tag-internet","tag-redes-sociais"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v19.10 - 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