{"id":306,"date":"2020-12-30T23:08:19","date_gmt":"2020-12-31T02:08:19","guid":{"rendered":"http:\/\/www.usp.br\/cje\/babel\/?p=306"},"modified":"2020-12-30T23:08:23","modified_gmt":"2020-12-31T02:08:23","slug":"o-deslocamento-humano-em-meio-ao-agravamento-dos-problemas-ambientais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/?p=306","title":{"rendered":"O deslocamento humano em meio ao agravamento dos problemas ambientais"},"content":{"rendered":"\n<p><strong><\/strong>Sem d\u00favidas, o ano de 2020 ficar\u00e1 marcado como um dos mais desanimadores para a preserva\u00e7\u00e3o ambiental no Brasil. Mesmo em meio \u00e0 grave pandemia da covid-19, durante o ano todo, os principais canais de televis\u00e3o do pa\u00eds mostraram a \u201cevolu\u00e7\u00e3o\u201d da degrada\u00e7\u00e3o do meio ambiente, n\u00fameros recordes devastadores e imagens impactantes da destrui\u00e7\u00e3o de diversos biomas no pa\u00eds, sobretudo a Amaz\u00f4nia e o Pantanal.<\/p>\n\n\n\n<p>As estat\u00edsticas comprovam a gravidade da situa\u00e7\u00e3o. Na Amaz\u00f4nia, dados divulgados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) em agosto, levantados a partir de monitoramento por sat\u00e9lite, mostraram que a taxa de desmatamento da regi\u00e3o apresentou alta de 34% em compara\u00e7\u00e3o com o mesmo per\u00edodo de 2019. Dados do Inpe de outubro tamb\u00e9m apresentaram que, at\u00e9 o dia 22 daquele m\u00eas, haviam sido registrados 13574 focos de calor na regi\u00e3o, n\u00famero 73% maior do que o mesmo m\u00eas do ano anterior.<\/p>\n\n\n\n<p>No Pantanal, os n\u00fameros s\u00e3o ainda mais preocupantes. De acordo com estat\u00edsticas oficiais, um total de 14% da \u00e1rea do bioma foi queimada apenas em setembro deste ano, porcentagem que supera as \u00e1reas queimadas em todo o ano de 2019. A \u00e1rea j\u00e1 degradada da regi\u00e3o at\u00e9 setembro deste ano, aproximadamente 33 mil km\u00b2, \u00e9 mais que o dobro daquela atingida no mesmo per\u00edodo de 2019, 12.948 km\u00b2.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Os n\u00fameros, frios, chocam e assustam, mas h\u00e1 ainda muitas outras consequ\u00eancias por tr\u00e1s da escalada da degrada\u00e7\u00e3o do meio ambiente no pa\u00eds. Imagens de resgates de animais da regi\u00e3o, como on\u00e7as pintadas, tamandu\u00e1s-bandeira e porcos selvagens com suas patas queimadas, representam os efeitos diretos de crimes ambientais na fauna da regi\u00e3o, e centenas de volunt\u00e1rios dedicam-se a salvar tais animais.<\/p>\n\n\n\n<p>Outra quest\u00e3o de extrema relev\u00e2ncia \u00e9 a do deslocamento for\u00e7ado de pessoas que se veem obrigadas a sair do local onde vivem pois as condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas tornaram a vida, neste lugar, insustent\u00e1vel: s\u00e3o os chamados <strong>deslocados ambientais<\/strong>. De acordo com <a href=\"https:\/\/apublica.org\/2020\/09\/incendios-ja-tomam-quase-metade-das-terras-indigenas-no-pantanal\/\"><strong>levantamento da Ag\u00eancia P\u00fablica<\/strong><\/a> a partir de dados do Inpe, cerca de 200 focos de inc\u00eandio avan\u00e7aram sobre terras ind\u00edgenas no bioma em agosto, seguidos por mais 164 em setembro.<\/p>\n\n\n\n<p>A Babel conversou com duas mulheres que decidiram dedicar-se ao estudo e \u00e0 luta pela preserva\u00e7\u00e3o ambiental, e abordou quest\u00f5es como a gravidade da situa\u00e7\u00e3o no Pantanal, a repercuss\u00e3o internacional das pol\u00edticas ambientais do atual governo, a migra\u00e7\u00e3o ambiental e a import\u00e2ncia de um jornalismo de qualidade em meio a tais realidades, al\u00e9m de pensar em dicas para quem quer ajudar nessa causa e lutar por ela.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><em><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh6.googleusercontent.com\/YSHJzrv1OTLqG8G1LD8uKjEu0lo3ReGn3kbR8sfIyQMFMNEp2k5wOildFAuv66f-RO-QHnQjfPRwUv0uLUPj80vbXWFSTtsZNAjjvXK7UKBKIhlXM7ddzWiNqlNgUZtjBCf9MjQ\" width=\"308\" height=\"254\"><\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><em>Erika Pires, pesquisadora e co-fundadora da RESAMA \/ Imagem: Acervo pessoal<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Erika \u00e9 advogada p\u00fablica e pesquisadora. Dedica-se h\u00e1 15 anos ao tema das migra\u00e7\u00f5es ambientais. \u00c9 doutora em Direito Internacional pela Universidade de S\u00e3o Paulo e co-fundadora da Rede Sul Americana para Migra\u00e7\u00f5es Ambientais, <a href=\"https:\/\/resama.net\/\"><strong>RESAMA<\/strong><\/a>, uma rede independente de pesquisadores que atuam pela visibilidade, reconhecimento e prote\u00e7\u00e3o das pessoas deslocadas no contexto de mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e desastres. Atualmente, dedica-se ao Observat\u00f3rio Latino-Americano sobre Mobilidade Humana, Mudan\u00e7a Clim\u00e1tica e Desastres (<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/latinamericaonthemove\/\"><strong>MOVE-LAM<\/strong><\/a>), iniciativa que tem como objetivo ampliar a compreens\u00e3o do fen\u00f4meno da migra\u00e7\u00e3o ambiental na Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n\n\n\n<p>A estudiosa fala sobre os motivos pelos quais decidiu dedicar-se a lutar pela quest\u00e3o ambiental e a estudar mais sobre ela. Um epis\u00f3dio, em particular, tocou-lhe pessoalmente. \u201cSempre gostei muito de duas \u00e1reas: a ambiental e a do direito internacional\u201d, diz Erika. \u201cUm dia, quando estava em casa, assisti a uma reportagem sobre o furac\u00e3o Katrina (Estados Unidos, 2005), e vi que poderia fazer essa conex\u00e3o entre mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, ou grandes crises ambientais, e a prote\u00e7\u00e3o de direitos humanos dessas pessoas que s\u00e3o afetadas por essas crises\u201d, diz a doutora.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Seguindo sua luta, Erika tornou-se co-fundadora da RESAMA. A pesquisadora conta sobre como foi a funda\u00e7\u00e3o: quando apresentava-se em um evento internacional em 2010, uma colega do Uruguai chamou-a para conversar sobre a necessidade de dar visibilidade \u00e0 quest\u00e3o das migra\u00e7\u00f5es ambientais. \u201cDecidimos criar essa rede, lembro que est\u00e1vamos em um caf\u00e9 em Montevid\u00e9u\u201d. Ela explica como acontece a introdu\u00e7\u00e3o do tema nas agendas p\u00fablicas da regi\u00e3o: \u201cAcreditamos que \u00e9 preciso ter um olhar integral, o tema \u00e9 transdisciplinar, \u00e9 preciso introduzir a migra\u00e7\u00e3o nas agendas clim\u00e1ticas e o clima nas agendas de migra\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de introduzir o deslocamento nas agendas que se relacionem a essa tem\u00e1tica: ambientais, de desastres, urbana\u201d, diz a pesquisadora, mencionando exemplos do trabalho da RESAMA, como a participa\u00e7\u00e3o na discuss\u00e3o da nova <a href=\"http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/_ato2015-2018\/2017\/lei\/l13445.htm\"><strong>Lei De Migra\u00e7\u00e3o<\/strong><\/a> e do <a href=\"http:\/\/www.pbmc.coppe.ufrj.br\/documentos\/PNA-Volume1.pdf\"><strong>Plano Nacional de Adapta\u00e7\u00e3o \u00e0s Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas no Brasil<\/strong><\/a>, o qual prev\u00ea que a migra\u00e7\u00e3o pode ser considerada uma estrat\u00e9gia de adapta\u00e7\u00e3o \u00e0 mudan\u00e7a clim\u00e1tica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><em><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"307\" height=\"366\" src=\"https:\/\/lh6.googleusercontent.com\/JhJg1-sCilwPg2IP41D2jZ3am8eZSudlydbIMOuCrj32-XVp1h77J3cRLKKTR--ps9_MaljhnkfscYLe47v0xaTzaDbbQZgYT9LcjKchHNxfkI7dalDn6-JjO1g9z52ITpNPe_I\"><\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><em><em>Larissa Corr\u00eaa, estudante e volunt\u00e1ria do Greenpeace \/ Imagem: Acervo pessoal<\/em><\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Larissa Corr\u00eaa \u00e9 graduanda de Rela\u00e7\u00f5es Internacionais na Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica de Minas Gerais e volunt\u00e1ria do Greenpeace e do The Climate Reality Brasil. Em 2019, publicou na revista digital Portal de Direito Internacional Sem Fronteiras o artigo \u201d<a href=\"https:\/\/www.cadernoseletronicosdisf.com.br\/cedisf\/article\/view\/89\"><strong>Queimadas na Amaz\u00f4nia<\/strong><\/a>\u201d, no qual traz uma an\u00e1lise do tema sob o aspecto do direito internacional p\u00fablico ambiental.<strong>&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A estudante tamb\u00e9m comenta suas motiva\u00e7\u00f5es: \u201cO que come\u00e7ou a me motivar a ter interesse pela quest\u00e3o ambiental foi minha rela\u00e7\u00e3o com os animais, pelos quais tenho um carinho e uma empatia muito grande\u201d, diz. \u201cA quest\u00e3o ambiental est\u00e1 muito gritante, est\u00e3o acontecendo muitas coisas no mundo que afetam muitos animais, esp\u00e9cies, pessoas e, quando eu leio sobre isso, vejo o quanto ela \u00e9 gritante. Por isso, decidi fazer alguma coisa, fazer minha parte\u201d, explica.<\/p>\n\n\n\n<p>Larissa fala sobre seu trabalho nas ONGs em que \u00e9 volunt\u00e1ria,&nbsp; Greenpeace e&nbsp; The Climate Reality Brasil. Na primeira, ela auxilia na produ\u00e7\u00e3o de conte\u00fado educativo, sobretudo para as redes sociais; na segunda, dentre suas atividades, est\u00e1 o projeto Escola Pelo Clima, ainda em desenvolvimento, o qual busca propor \u00e0s escolas uma forma de abordar a quest\u00e3o clim\u00e1tica com as crian\u00e7as.<\/p>\n\n\n\n<p>A vontade de aprender ainda mais levou a estudante a escrever seu trabalho publicado sobre as queimadas na Amaz\u00f4nia com sua prima, Rayana Suellen Corr\u00eaa. \u201cQuer\u00edamos escrever sobre um tema atual e necess\u00e1rio, pelo qual t\u00ednhamos interesse e com o qual poder\u00edamos aprender bastante\u201d, diz.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Pantanal: a gravidade da situa\u00e7\u00e3o e suas repercuss\u00f5es internacionais<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Ambas as entrevistadas levantaram suas considera\u00e7\u00f5es sobre a gravidade da situa\u00e7\u00e3o no Pantanal. Larissa, inclusive, relacionou-a com sua pesquisa: \u201cA Amaz\u00f4nia \u00e9 importante por v\u00e1rios pontos, n\u00e3o s\u00f3 por sua fauna, mas tamb\u00e9m pelas chuvas, a hidrologia e outros impactos que ela gera no clima: e o Pantanal tamb\u00e9m tem uma import\u00e2ncia muito forte. Esses grandes biomas afetam muitas \u00e1reas\u201d, comenta. \u201cAs queimadas n\u00e3o t\u00eam um impacto s\u00f3 na fauna e na flora da regi\u00e3o, mas na sociedade em geral, s\u00e3o biomas grandes e importantes\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Larissa destacou, tamb\u00e9m, a repercuss\u00e3o internacional negativa que uma pol\u00edtica ambiental deficit\u00e1ria pode gerar para o pa\u00eds, e as consequ\u00eancias disso. \u201cA repercuss\u00e3o internacional pode ser bem ruim e, agora que Joe Biden foi eleito, ela pode piorar ainda mais se o Brasil n\u00e3o tomar medidas em rela\u00e7\u00e3o a isso\u201d, pontua, ressaltando que <a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/internacional\/2020-11-08\/com-biden-futuro-da-amazonia-vira-ponto-central-na-nova-relacao-entre-eua-e-brasil.html\"><strong>Biden j\u00e1 levantou a discuss\u00e3o da necessidade da preserva\u00e7\u00e3o ambiental no Brasil<\/strong><\/a>.&nbsp; \u201cChegamos em um ponto em que o mundo precisa se preocupar com a quest\u00e3o ambiental, e o governo est\u00e1 ignorando isso, n\u00e3o est\u00e1 colocando limites\u201d, completa. \u201cO Brasil pode sofrer san\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas. A partir do momento em que a Uni\u00e3o Europeia <a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/internacional\/2020-10-22\/o-acordo-com-o-mercosul-pode-falhar-se-o-brasil-nao-se-comprometer-contra-o-desmatamento-da-amazonia.html\"><strong>questionou-se se fechava ou n\u00e3o um acordo com o Mercosul<\/strong><\/a>, isso j\u00e1 era uma evid\u00eancia, porque o acordo seria bom economicamente para o Brasil\u201d.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Migra\u00e7\u00e3o ambiental: os deslocamentos for\u00e7ados<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Erika ressaltou, tamb\u00e9m, a import\u00e2ncia da discuss\u00e3o sobre o bioma e sobre o problema dos deslocamentos por quest\u00f5es ambientais. Ela lembra a hist\u00f3ria de um senhor que conheceu e que, depois de 80 anos vivendo na regi\u00e3o, teve de sair da sua casa. \u201cIsso s\u00f3 vem se agravando. Aldeias ind\u00edgenas foram evacuadas. \u00c9 preciso ver essa quest\u00e3o, conversar com fontes locais, ter uma vis\u00e3o mais ampla\u201d, diz. \u201cCompreender o vi\u00e9s ambiental \u00e9 fundamental, mas tamb\u00e9m \u00e9 necess\u00e1rio ver outros fatores relacionados\u201d, completa a pesquisadora, que considera o migrante ambiental como aquela pessoa que n\u00e3o teria sa\u00eddo de sua casa se n\u00e3o houvesse aquele epis\u00f3dio de desastre ambiental (no caso, as queimadas).<\/p>\n\n\n\n<p>Um ponto crucial em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 migra\u00e7\u00e3o ambiental \u00e9 o de que n\u00e3o h\u00e1, no direito internacional, um reconhecimento espec\u00edfico para os refugiados clim\u00e1ticos. O principal documento que trata das defini\u00e7\u00f5es, direitos e deveres dos refugiados, a&nbsp; <a href=\"https:\/\/www.acnur.org\/fileadmin\/Documentos\/portugues\/BDL\/Convencao_relativa_ao_Estatuto_dos_Refugiados.pdf\"><strong>Conven\u00e7\u00e3o Relativa ao Estatuto dos Refugiados<\/strong><\/a><strong> <\/strong>(1951) da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (Acnur), conclu\u00edda em Genebra (Su\u00ed\u00e7a), n\u00e3o aborda esse tipo de deslocamento for\u00e7ado.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Erika refor\u00e7a que n\u00e3o existe nenhuma terminologia oficial ou categoria prevista em conven\u00e7\u00e3o internacional. \u201cAs organiza\u00e7\u00f5es internacionais rejeitam o termo com o argumento de que n\u00e3o seria poss\u00edvel uma revis\u00e3o da conven\u00e7\u00e3o relativa, de que essa conven\u00e7\u00e3o se aplica em um contexto bastante diferente e que, se houvesse uma revis\u00e3o, ela poderia fragilizar esse sistema j\u00e1 consolidado\u201d, diz. \u201cDependeria de cada Estado querer ampliar sua defini\u00e7\u00e3o [de refugiado], mas isso n\u00e3o \u00e9 um movimento que se nota\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>E as consequ\u00eancia s\u00e3o s\u00e9rias. Na opini\u00e3o da pesquisadora, \u201ca falta de reconhecimento gera graves viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos\u201d. Ela explica: \u201cA aus\u00eancia de um reconhecimento jur\u00eddico dificulta a produ\u00e7\u00e3o de dados e gera distintas invisibilidades: a legal, a pol\u00edtica, a da dificuldade do acesso a pol\u00edticas p\u00fablicas\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A necessidade do olhar multidimensional<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Quando abordamos a quest\u00e3o ambiental e a dos deslocamentos for\u00e7ados, \u00e9 indispens\u00e1vel compreender a multidimensionalidade do problema. \u201c\u00c9 importante entender que a quest\u00e3o ambiental e clim\u00e1tica deve ser vista de um ponto de vista sist\u00eamico. Isso significa que ela nunca vem isolada: por isso, \u00e9 um tema que precisa ser tratado em m\u00faltiplas agendas\u201d, diz Erika. \u201cH\u00e1 uma dificuldade na vincula\u00e7\u00e3o direta entre a mudan\u00e7a do clima e a mobilidade humana. Boa parte do discurso sobre a complexidade da migra\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica reside nessa dificuldade de estabelecer este v\u00ednculo\u201d. A pesquisadora completa: \u201cA mudan\u00e7a clim\u00e1tica \u00e9 um multiplicador de amea\u00e7as. Ela multiplica vulnerabilidades pr\u00e9-existentes, e o fator ambiental interage com condi\u00e7\u00f5es socioecon\u00f4micas, pol\u00edticas, culturais, institucionais; e \u00e9 uma vari\u00e1vel que precisa ser introduzida nas pol\u00edticas de uma forma geral\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Na opini\u00e3o da especialista, entender esse multidimensionalismo e pensar em uma abordagem de m\u00faltiplas agendas \u00e9 um passo importante. \u201cO impacto da mudan\u00e7a do clima acontece de forma mais forte em lugares que t\u00eam baixa capacidade de resposta, territ\u00f3rios j\u00e1 fragilizados: olhando atrav\u00e9s do aspecto multidimensional, percebemos que estamos lidando com justi\u00e7a territorial, fortalecimento de capacidade de resposta no territ\u00f3rio\u201d, diz. \u201cSe passarmos a olhar a quest\u00e3o clim\u00e1tica com uma lente mais ampla, conseguiremos contribuir no enfrentamento das mudan\u00e7as e suas consequ\u00eancias\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Para completar, Erika menciona a import\u00e2ncia do fator humano. \u201cA dimens\u00e3o humana est\u00e1 subdimensionada nas pesquisas, nos estudos, na participa\u00e7\u00e3o das comunidades nos processos de tomada de decis\u00e3o e de formula\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas\u201d. Ela explica: \u201cN\u00e3o d\u00e1 para formular pol\u00edticas para um grupo sem entender como \u00e9 seu funcionamento, que necessidades ele tem\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O papel do jornalismo<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O jornalismo possui um papel essencial para levantar a necessidade da discuss\u00e3o sobre as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. Erika destacou, em sua entrevista, abordagens e ferramentas essenciais para a produ\u00e7\u00e3o de conte\u00fados de qualidade sobre o tema.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Em primeiro lugar, a pesquisadora destacou a necessidade de aproximar o tema da popula\u00e7\u00e3o como um todo e tornar as pessoas protagonistas de suas pr\u00f3prias hist\u00f3rias. \u201cPrecisamos sentir que o problema \u00e9 real, que h\u00e1 pessoas que j\u00e1 est\u00e3o enfrentando a mudan\u00e7a do clima, pessoas que t\u00eam uma hist\u00f3ria e que n\u00e3o s\u00e3o personagens, e sim protagonistas\u201d, diz. Ela explica: \u201cAs pessoas t\u00eam o conhecimento para contribuir, j\u00e1 que muitas vezes conhecem o territ\u00f3rio melhor do que as pr\u00f3prias autoridades, e \u00e9 necess\u00e1rio ter esse olhar sobre as pessoas que ser\u00e3o benefici\u00e1rias de pol\u00edticas n\u00e3o s\u00f3 como assistidos, mas como participantes, e o jornalismo tem essa finalidade de trazer essa realidade para perto, ser esse aliado\u201d, diz.<\/p>\n\n\n\n<p>Erika ressalta que \u00e9 necess\u00e1rio contemplar os distintos atores e narrativas, n\u00e3o s\u00f3 aqueles que est\u00e3o no alto n\u00edvel de tomada de decis\u00e3o, bem como dar aten\u00e7\u00e3o a est\u00f3rias e culturas locais. A especialista tamb\u00e9m aponta o problema do jornalismo como aliado presente apenas em situa\u00e7\u00e3o de urg\u00eancia: \u201cO jornalismo de massa est\u00e1 prestando aten\u00e7\u00e3o ao tema agora de forma mais geral, e existe um movimento de contar hist\u00f3rias, mas vejo muito a sensa\u00e7\u00e3o de emerg\u00eancia\u201d. Ela discorre: \u201cH\u00e1 pessoas que est\u00e3o nessas condi\u00e7\u00f5es que ficam completamente abandonadas quando a emerg\u00eancia passa\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ela conclui afirmando que a migra\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica n\u00e3o \u00e9 passageira e que \u00e9 muito importante que o jornalismo esteja atento ao abandono dessas pessoas, j\u00e1 que a invisibilidade continua ou acontece depois da emerg\u00eancia e talvez de forma pior, pois a imprensa n\u00e3o seria mais uma aliada.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Confira as dicas das entrevistadas para mobilizar-se sobre o tema<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Ambas as estudiosas reconhecem a seriedade da quest\u00e3o ambiental, e d\u00e3o dicas para quem quer ajudar mas n\u00e3o sabe por onde come\u00e7ar.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Larissa, democratizar a informa\u00e7\u00e3o e buscar conhecimento s\u00e3o passos essenciais na mobiliza\u00e7\u00e3o pelo tema. \u201cO impacto dos problemas ambientais afeta a todos. Essa situa\u00e7\u00e3o \u00e9 gritante e mudan\u00e7as s\u00e3o necess\u00e1rias, mas acredito que s\u00f3 haver\u00e3o mudan\u00e7as quando conseguirmos democratizar as informa\u00e7\u00f5es e pararmos de ver a quest\u00e3o ambiental como algo no futuro\u201d, diz. Ela ressalta a import\u00e2ncia de ler sobre o assunto, ver filmes, document\u00e1rios, informar-se sobre a gravidade do problema. Buscar ONGs e aprender com elas tamb\u00e9m \u00e9 uma boa iniciativa.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Erika, outro ponto essencial \u00e9 conhecer sua pr\u00f3pria realidade. \u201cMuitas vezes, temos um fen\u00f4meno acontecendo na porta da nossa casa, mas n\u00e3o temos aquele despertar para ele. Muitas vezes n\u00e3o sabemos o que acontece no nosso pr\u00f3prio estado. Voc\u00ea pode avaliar se sente mais calor, se as chuvas est\u00e3o impactando sua cidade. Temos que conhecer mais esses fen\u00f4menos e desnaturaliz\u00e1-los\u201d. Ela complementa: \u201c\u00c9 necess\u00e1rio conhecer melhor as hist\u00f3rias, apoiar causas e lutas. Existem associa\u00e7\u00f5es de moradores e lideran\u00e7as que est\u00e3o apoiando pessoas nessa situa\u00e7\u00e3o, mas eles precisam de aliados para suas lutas\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\"><em><strong>Por Thais Navarro <\/strong>\/ thaisnavarro@usp.br<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Sem d\u00favidas, o ano de 2020 ficar\u00e1 marcado como um dos mais desanimadores para a preserva\u00e7\u00e3o ambiental no Brasil. 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