{"id":294,"date":"2020-12-30T22:38:34","date_gmt":"2020-12-31T01:38:34","guid":{"rendered":"http:\/\/www.usp.br\/cje\/babel\/?p=294"},"modified":"2020-12-30T22:41:32","modified_gmt":"2020-12-31T01:41:32","slug":"do-crime-ao-acesso-a-cultura-por-que-pirataria-digital-e-comum-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/?p=294","title":{"rendered":"Do crime ao acesso \u00e0 cultura: por que pirataria digital \u00e9 comum no Brasil"},"content":{"rendered":"\n<p>Quando pensamos na figura de um pirata, a primeira imagem que vem \u00e0 mente \u00e9 a de um homem barbudo, que usa um tapa-olho, carrega espadas, tem uma de suas pernas substitu\u00edda por madeira e porta um gancho no lugar da m\u00e3o. Ele tamb\u00e9m deve estar a bordo de uma embarca\u00e7\u00e3o cujo grande diferencial \u00e9 a bandeira estampada pelo desenho de caveira exibida em seu mastro. Todo esse imagin\u00e1rio tem sua origem pertencente a uma pr\u00e1tica comum desde a Antiguidade e que se popularizou por volta dos s\u00e9culos 16 a 18. Os chamados piratas correspondiam a um grupo de indiv\u00edduos independentes que, navegando pelo alto mar, atacavam embarca\u00e7\u00f5es pertencentes aos grandes Estados europeus, tais como Espanha, Portugal e Inglaterra, em busca de riquezas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO conceito mais antigo de pirataria mar\u00edtima foi em parte um constructo desenvolvido e promovido por poderosas empresas privadas, que procuraram a prote\u00e7\u00e3o jur\u00eddica do Estado para legitimar seus pr\u00f3prios interesses materiais e monop\u00f3lios comerciais. Sendo assim, mesmo no auge dos saques em alto mar, o uso do termo dependia inteiramente do ponto de vista. Por exemplo, um importante ponto a ser considerado era a distin\u00e7\u00e3o jur\u00eddica feita pelos brit\u00e2nicos entre os \u201ccors\u00e1rios\u201d, que eram os transportadores ou indiv\u00edduos reconhecidos ou financiados por um ou outro pa\u00eds europeu, e os \u201cpiratas\u201d, que eram ap\u00e1tridas. O conceito de pirataria estava de tal forma embutido na assun\u00e7\u00e3o de um direito ao dom\u00ednio comercial que os navios europeus freq\u00fcentemente consideravam leg\u00edtimo seu pr\u00f3prio car\u00e1ter predat\u00f3rio sobre os mercadores locais. Em outras palavras, a \u00fanica diferen\u00e7a entre \u201cpirata\u201d e \u201ccors\u00e1rio\u201d era que o \u00faltimo possu\u00eda uma carta do governo que lhe dava o direito de saquear\u201d<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Desafios de Palavras: Enfoques Multiculturais sobre as Sociedades da Informa\u00e7\u00e3o.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Durante centenas de anos, eles aterrorizaram as frotas mar\u00edtimas e obrigaram l\u00edderes governamentais a pensarem em diversas maneiras para garantir uma viagem segura de&nbsp; ataques \u00e0s tripula\u00e7\u00f5es. Com o chegar do s\u00e9culo 19, a pirataria no seu sentido mais tradicional foi morrendo. No entanto, o sentido da palavra permanece no vocabul\u00e1rio popular at\u00e9 os dias de hoje.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Atualmente, quando discutimos a pr\u00e1tica de pirataria estamos pensando na distribui\u00e7\u00e3o de mercadorias falsas ou pelas quais o vendedor n\u00e3o pagou para exercer direitos sobre. Segundo o dicion\u00e1rio Michaelis, \u201cpirataria\u201d significa \u201cato ou efeito de piratear\u201d, enquanto o verbo \u201cpiratear\u201d pode se referir a uma s\u00e9rie de a\u00e7\u00f5es, dentre elas:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\"><li>&nbsp;\u201cApossar-se, ilegalmente ou pela for\u00e7a, de bens que pertencem a outrem; furtar, roubar\u201d&nbsp;<\/li><li>\u201cCopiar ou imitar produ\u00e7\u00e3o intelectual ou produtos em geral, infringindo a lei e desrespeitando a legisla\u00e7\u00e3o autoral\u201d<\/li><li>\u201cDistribuir ou vender produtos pirateados\u201d<\/li><li>\u201cRealizar algo ou operar (emissora de r\u00e1dio ou TV), violando a lei\u201d<\/li><\/ul>\n\n\n\n<p>No caso da pirataria digital, como o pr\u00f3prio nome j\u00e1 indica, a distribui\u00e7\u00e3o de conte\u00fado acontece exclusivamente pelo ambiente online. As formas mais comuns de pirataria na web s\u00e3o: sites, plataformas e aplicativos sem qualquer rela\u00e7\u00e3o com emissoras e produtoras de conte\u00fado audiovisual que disponibilizam filmes, s\u00e9ries, novelas e outros programas televisivos; endere\u00e7os online que permitem o download de conte\u00fados audiovisuais, m\u00fasicas, jogos e livros gratuitamente e tamb\u00e9m o popular compartilhamento de arquivos torrent, que apesar de n\u00e3o ser necessariamente algo fora da lei, torna poss\u00edvel o acesso a produ\u00e7\u00f5es obtidas ilegalmente.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Na casa do bilh\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No ano de 2018, o Brasil ocupou o terceiro lugar no ranking mundial de pa\u00edses que mais acessaram filmes e programas de televis\u00e3o pirateados, contando com mais de 7,18 bilh\u00f5es de visitas a websites piratas, o que representaria aproximadamente 58 visitas por usu\u00e1rio de internet, conforme apontou o relat\u00f3rio da empresa brit\u00e2nica MUSO, que busca combater a pr\u00e1tica atrav\u00e9s da an\u00e1lise de mercado, divulgado pela Alianza (Alian\u00e7a contra a Pirataria da TV por Assinatura), organiza\u00e7\u00e3o composta pelas grandes programadoras, operadoras e provedoras de tecnologia da Am\u00e9rica Latina.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O continente lationo-americano registrou 14,14 bilh\u00f5es de visitas a endere\u00e7os que distribuem pirataria audiovisual. Os estudos ainda constatam que, em 2018, o tr\u00e1fego nesses sites sofreu um aumento de 9% em rela\u00e7\u00e3o aos resultados do ano anterior. Enquanto isso, na primeira metade de 2019, o n\u00famero j\u00e1 totalizava 7,29 bilh\u00f5es de acessos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 ao analisar a pirataria digital em termos gerais (filmes, s\u00e9ries, livros, m\u00fasica, jogos), segundo a pesquisa divulgada pela MUSO no ano de 2017, o Brasil aparece em 4\u00ba lugar no ranking mundial.<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\"><li>1) EUA (27,9 bilh\u00f5es)<\/li><li>2) R\u00fassia (20,6 bilh\u00f5es)<\/li><li>3) \u00cdndia (17 bilh\u00f5es)<\/li><li>4) Brasil (12,7 bilh\u00f5es)<\/li><li>5) Turquia (11,9 bilh\u00f5es)<\/li><\/ul>\n\n\n\n<p>*A China n\u00e3o faz parte de nenhum dos levantamentos&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Durante a pandemia, tamb\u00e9m foi registrado um significativo aumento no acesso a conte\u00fado pirata. Pa\u00edses que estavam no auge do lockdown no m\u00eas de mar\u00e7o como It\u00e1lia e Espanha apresentaram crescimento de 66% e 50%, respectivamente, em compara\u00e7\u00e3o com fevereiro.&nbsp; Os brasileiros, que acabavam de receber as recomenda\u00e7\u00f5es de quarentena, dependendo de seu estado, consumiram cerca de 8% a mais de pirataria no mesmo per\u00edodo de tempo. \u00c9 prov\u00e1vel que desde ent\u00e3o a porcentagem seja muito maior, mas n\u00e3o h\u00e1, por enquanto, nenhuma estimativa sobre.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Contra a pirataria&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Segundo aponta o levantamento do F\u00f3rum Nacional Contra a Pirataria e Ilegalidade (FNCP), o Brasil perde, anualmente, R$ 130 bilh\u00f5es devido \u00e0 distribui\u00e7\u00e3o ilegal de conte\u00fado. S\u00f3 durante os meses entre dezembro de 2015 e maio de 2016, o pa\u00eds deixou de arrecadar R$ 721 milh\u00f5es em impostos por causa da pirataria de filmes. Segundo os dados da institui\u00e7\u00e3o, devido aos mais de 13 mil t\u00edtulos pirateados, 58 mil empregos teriam deixado de serem criados e a ind\u00fastria cinematogr\u00e1fica teria sofrido um preju\u00edzo de R$ 2 bilh\u00f5es.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O crime da pirataria se refere principalmente \u00e0 viola\u00e7\u00e3o de direitos autorais, conforme consta no artigo 184 do C\u00f3digo Penal brasileiro.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/Decreto-Lei\/Del2848.htm#art184\">&#8220;Art. 184.<\/a> Violar direitos de autor e os que lhe s\u00e3o conexos:<\/p>\n\n\n\n<p>Pena \u2013 deten\u00e7\u00e3o, de 3 (tr\u00eas) meses a 1 (um) ano, ou multa.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a7 1<sup>o<\/sup> Se a viola\u00e7\u00e3o consistir em reprodu\u00e7\u00e3o total ou parcial, com intuito de lucro direto ou indireto, por qualquer meio ou processo, de obra intelectual, interpreta\u00e7\u00e3o, execu\u00e7\u00e3o ou fonograma, sem autoriza\u00e7\u00e3o expressa do autor, do artista int\u00e9rprete ou executante, do produtor, conforme o caso, ou de quem os represente:<\/p>\n\n\n\n<p>Pena \u2013 reclus\u00e3o, de 2 (dois) a 4 (quatro) anos, e multa.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a7 2<sup>o<\/sup> Na mesma pena do \u00a7 1<sup>o<\/sup> incorre quem, com o intuito de lucro direto ou indireto, distribui, vende, exp\u00f5e \u00e0 venda, aluga, introduz no Pa\u00eds, adquire, oculta, tem em dep\u00f3sito, original ou c\u00f3pia de obra intelectual ou fonograma reproduzido com viola\u00e7\u00e3o do direito de autor, do direito de artista int\u00e9rprete ou executante ou do direito do produtor de fonograma, ou, ainda, aluga original ou c\u00f3pia de obra intelectual ou fonograma, sem a expressa autoriza\u00e7\u00e3o dos titulares dos direitos ou de quem os represente.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a7 3<sup>o<\/sup> Se a viola\u00e7\u00e3o consistir no oferecimento ao p\u00fablico, mediante cabo, fibra \u00f3tica, sat\u00e9lite, ondas ou qualquer outro sistema que permita ao usu\u00e1rio realizar a sele\u00e7\u00e3o da obra ou produ\u00e7\u00e3o para receb\u00ea-la em um tempo e lugar previamente determinados por quem formula a demanda, com intuito de lucro, direto ou indireto, sem autoriza\u00e7\u00e3o expressa, conforme o caso, do autor, do artista int\u00e9rprete ou executante, do produtor de fonograma, ou de quem os represente:<\/p>\n\n\n\n<p>Pena \u2013 reclus\u00e3o, de 2 (dois) a 4 (quatro) anos, e multa.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a7 4<sup>o<\/sup> O disposto nos \u00a7\u00a7 1<sup>o<\/sup>, 2<sup>o<\/sup> e 3<sup>o<\/sup> n\u00e3o se aplica quando se tratar de exce\u00e7\u00e3o ou limita\u00e7\u00e3o ao direito de autor ou os que lhe s\u00e3o conexos, em conformidade com o previsto na Lei n\u00ba 9.610, de 19 de fevereiro de 1998, nem a c\u00f3pia de obra intelectual ou fonograma, em um s\u00f3 exemplar, para uso privado do copista, sem intuito de lucro direto ou indireto.&#8221;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Por que acessamos a pirataria?&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u201c<\/strong>Eu sou brasileira. Moro no Brasil. Ent\u00e3o, eu teoricamente n\u00e3o tenho acesso ao que as empresas pensam n\u00e3o ser interessante distribuir no Brasil. E a\u00ed entra a quest\u00e3o de s\u00e9ries que n\u00e3o s\u00e3o exibidas aqui ou de filmes que podem demorar meses para serem lan\u00e7ados. Por exemplo, a primeira vez em que eu vi alguma coisa de conte\u00fado pirateado digitalmente foi quando eu tinha por volta de 13 anos. Nessa \u00e9poca, eu comecei a assistir uma s\u00e9rie na televis\u00e3o e demorava muito tempo para exibirem todos os epis\u00f3dios. Ent\u00e3o, eu fui ficando impaciente e resolvi procurar na internet para ver se tinha outro jeito de assistir essa s\u00e9rie. Foi a\u00ed que eu descobri que poderia ver na hora que quisesse e muito mais epis\u00f3dios. Isso foi bem antes da Netflix ser popular aqui no Brasil. E mesmo com as plataformas de streaming, que s\u00e3o um grande avan\u00e7o, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel encontrar tudo nelas e \u00e0s vezes tamb\u00e9m demora muito para colocarem os epis\u00f3dios e temporadas mais recentes, igual ao que acontece com os canais de televis\u00e3o. \u201d&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><em>Jeanne, 21 anos.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Assim como Jeanne, grande parte dos jovens que fazem parte da gera\u00e7\u00e3o Z, formada por indiv\u00edduos nascidos entre 1995 e 2010, jamais viveram em um mundo sem internet. Logo, tornou-se um processo quase que natural utilizar-se dela como recurso para saciar todas as suas d\u00favidas e necessidades.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Atrav\u00e9s da internet, \u00e9 poss\u00edvel saber que o seu programa televisivo favorito tem v\u00e1rios epis\u00f3dios a mais do que voc\u00ea pensava estarem dispon\u00edveis. Com uma busca r\u00e1pida nas ferramentas de pesquisa, encontra-se in\u00fameros endere\u00e7os online em que voc\u00ea pode assistir o que ainda ir\u00e1 demorar meses ou anos para chegar no Brasil.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA primeira vez em que baixei um conte\u00fado pirata foi h\u00e1 uns dois anos, quando eu terminei de assistir The Walking Dead na Netflix, que s\u00f3 tinha at\u00e9 a sexta temporada, e eu queria ver o resto e a\u00ed comecei a baixar os epis\u00f3dios que restavam.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p><em>Henri, 17 anos<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA primeira s\u00e9rie que eu vi no pirata foi a segunda temporada de American Horror Story. Eu tinha 13 anos e foi atrav\u00e9s de um site que disponibiliza tudo online. Eu s\u00f3 assistia esse conte\u00fado pirateado digitalmente porque ele n\u00e3o estava dispon\u00edvel no Brasil, ent\u00e3o n\u00e3o havia outra maneira de consumi-lo. No caso de jogos, eu geralmente os baixo e utilizo por uns tr\u00eas dias, se ap\u00f3s esse per\u00edodo eu ainda estiver empolgada com o jogo e achar ele divertido, eu compro a vers\u00e3o original\u201d<\/p>\n\n\n\n<p><em>Carol, 21 anos<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>E n\u00e3o \u00e9 como se o jovem brasileiro jamais tivesse entrado em contato com a pirataria antes da internet. Todo mundo que j\u00e1 passou por grandes centros comerciais j\u00e1 encontrou. pelo menos uma vez na vida, aquelas barraquinhas montadas de maneira improvisada nas ruas e cal\u00e7adas que vendiam uma sele\u00e7\u00e3o especial de DVDs por um pre\u00e7o muito barato. A presen\u00e7a dos vendedores ambulantes, tamb\u00e9m conhecido como \u201ccamel\u00f4s\u201d, \u00e9 um destaque nos cen\u00e1rios de com\u00e9rcio popular.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA lembran\u00e7a mais antiga que tenho de consumir algum produto pirata \u00e9 de quando eu tinha cerca de seis anos e a esposa do meu tio comprou um dos filmes da franquia Piratas do Caribe para mim na banca perto do trabalho dela. Antes mesmo de saber utilizar a pirataria da internet, eu j\u00e1 consumia produtos pirateados por causa da compra de filmes pirata\u201d&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><em>&nbsp;Juliana, 21 anos&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Para quem j\u00e1 possu\u00eda o h\u00e1bito de comprar produtos n\u00e3o oficiais, a pirataria digital n\u00e3o \u00e9 algo de outro mundo. A \u00fanica diferen\u00e7a entre essas duas maneiras de consumo, na verdade, \u00e9 que pela internet, grande parte do conte\u00fado \u00e9 obtido gratuitamente.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Cultura para al\u00e9m da elite&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A quest\u00e3o financeira \u00e9 outro fator importante a se considerar em momento nos quais a pirataria \u00e9 discutida. Entre aproximadamente 210 milh\u00f5es de habitantes do Brasil, 134 milh\u00f5es s\u00e3o usu\u00e1rios da internet. Segundo aponta a pesquisa TIC Domic\u00edlios, 99% dos membros da classe A tem acesso \u00e0 internet; j\u00e1 95% da classe B utiliza a web regularmente; os n\u00fameros de usu\u00e1rios na classe C correspondem a 80%; as classes sociais D e E, no entanto, tem menos acesso, sendo apenas 50% dessa popula\u00e7\u00e3o que est\u00e1 online.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Tomando como refer\u00eancia os dados apresentados pelo centro de pol\u00edticas sociais, FGV Social, para uma <a href=\"https:\/\/valor.globo.com\/brasil\/noticia\/2019\/10\/29\/classes-a-e-b-voltam-a-crescer-e-atingem-144-da-populacao.ghtml\">reportagem<\/a> do ve\u00edculo de imprensa Valor Econ\u00f4mico, as classes sociais brasileiras correspondem \u00e0s seguintes rendas domiciliares per capita:&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\"><li>Classes E e D: at\u00e9 R$ 1.892,65<\/li><li>Classe C: R$ 1.892,65 a R$ 8.159,37<\/li><li>Classes A e B: acima R$ 8.159,37&nbsp;<\/li><\/ul>\n\n\n\n<p>Na mesma mat\u00e9ria, a FGV Social apontou que, no ano de 2018, as classes A e B representavam 14,4% da popula\u00e7\u00e3o total do pa\u00eds, o que corresponde a aproximadamente 30 milh\u00f5es de pessoas, enquanto a porcentagem da classe C era de 55,3% (115,3 milh\u00f5es de cidad\u00e3os) e as D e E possu\u00edam 63,2 milh\u00f5es de integrantes (30,3%).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Caso essas estat\u00edsticas n\u00e3o tenha sofrido grandes altera\u00e7\u00f5es no ano seguinte, 2019, pode-se afirmar que, como quase todos os 30 milh\u00f5es de membros classes A e B s\u00e3o frequentadores do ambiente digital, ao menos 104 milh\u00f5es do total de usu\u00e1rios da internet no pa\u00eds est\u00e3o nas classes C, D, E, que possuem, em geral, menor poder aquisitivo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Para acessar todos os conte\u00fados legalmente dispon\u00edveis na internet, uma pessoa teria que pagar a mensalidade de uma s\u00e9rie de servi\u00e7os de streaming: Netflix (R$ 21,90), Prime Video (R$ 9,90), HBO Go (R$ 34,90),Globoplay (R$ 22,90), AppleTV (R$ 9,90), Disney+ (27,90) e Telecine Play (R$ 37,90) s\u00e3o alguns dos mais populares no pa\u00eds.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>No final do m\u00eas, o total pago equivale a R$ 165,30 por m\u00eas, isso sem contar gastos adicionais com plano de internet, TV a cabo, cinema e aluguel de filmes, que variam conforme modalidades e regi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cIsso faz muito a diferen\u00e7a no final do m\u00eas. Se eu crio o h\u00e1bito de ir no cinema uma vez por semana pra ver um filme ou alugar no Google Play sempre que eu tiver vontade, vai sair muito caro depois. Se eu consumo um conte\u00fado diferente por dia, de TV por assinatura, plataformas de streaming, aluguel de filmes ou cinema, \u00e9 muito dif\u00edcil dar conta de pagar tudo isso. Ent\u00e3o com certeza a pirataria ajuda nesse sentido de ter o acesso a determinados conte\u00fados sem precisar ter muito dinheiro\u201d&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><em>Jeanne, 21 anos<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\u201cOs valores altos elitizam o consumo da cultura, e pessoas de baixa renda n\u00e3o t\u00eam capacidade aquisitiva para financiar a cultura. A pirataria ajuda que pessoas mais marginalizadas tenham acesso a artes, por exemplo. Se n\u00e3o fossem as grandes tributa\u00e7\u00f5es desses produtos aqui no Brasil, talvez n\u00e3o seria preciso a pirataria para termos acesso ou mais pessoas conseguiriam bancar o conte\u00fado obtido ilegalmente\u201d<\/p>\n\n\n\n<p><em>Juliana, 21 anos<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\u201cConsumir conte\u00fados originais no Brasil \u00e9 muito dif\u00edcil, principalmente para pessoas que ganham sal\u00e1rios m\u00ednimos, ainda mais com essa tend\u00eancia de servi\u00e7os de streaming em que uma pessoa tem que assinar 4 ou 5 servi\u00e7os diferentes para ter acesso a todos os conte\u00fados dispon\u00edveis. Acredito que nesse cen\u00e1rio de pandemia no qual as pessoas t\u00eam que ficar em casa essa situa\u00e7\u00e3o se agrava ainda mais e muitas pessoas est\u00e3o conseguindo acesso a conte\u00fados de lazer gra\u00e7as a pirataria digital\u201d<\/p>\n\n\n\n<p><em>Carol, 21 anos<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\u201c\u00c9 tudo muito caro. Ent\u00e3o ter um acesso gratuito em algum lugar ajuda muito, porque mais gente pode acessar. Como n\u00e3o tenho nenhum tipo de ganho e minha fam\u00edlia n\u00e3o tem dinheiro para ficar gastando assim, hoje eu n\u00e3o poderia ter todas as plataformas de streaming que exibem as s\u00e9ries e filmes que eu assisto. No m\u00e1ximo a Netflix ou Prime Video, que s\u00e3o as mais acess\u00edveis pra mim e valem \u00e0 pena.\u201d&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><em>Henri, 17 anos&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\u201cOs sites pirata permitiram algo f\u00e1cil e gratuito, uma vez que minha fam\u00edlia n\u00e3o tinha condi\u00e7\u00f5es de pagar planos de assinatura. Eu acho que pirataria permite um acesso maior a conte\u00fados porque grande parte da popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o possui condi\u00e7\u00f5es financeiras para pagar plataformas de streaming, planos de assinatura de tv, entre outros\u201d<\/p>\n\n\n\n<p><em>Marcelo, 21 anos<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como a pirataria pode impactar seu consumidor?&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A pirataria, no entanto, tem impactos que v\u00e3o al\u00e9m dos momentos de lazer. Grande parte do conte\u00fado audiovisual disponibilizado online est\u00e1 em sua l\u00edngua original, contando, na maioria dos casos, apenas com legendas traduzidas, dependendo da popularidade da produ\u00e7\u00e3o. O mesmo acontece com livros estrangeiros n\u00e3o lan\u00e7ados no pa\u00eds, cujos PDFs ainda n\u00e3o possuem tradu\u00e7\u00f5es confi\u00e1veis.<\/p>\n\n\n\n<p>Desse modo, muitas pessoas t\u00eam seu primeiro contato com l\u00ednguas estrangeiras atrav\u00e9s dessas produ\u00e7\u00f5es, pois, caso tivessem acesso a sua distribui\u00e7\u00e3o no Brasil, a prefer\u00eancia seria pela tradu\u00e7\u00e3o e dublagem.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cOs conte\u00fados ajudaram sim a aprender outras l\u00ednguas. Eu sei bastante coisa gra\u00e7as \u00e0s s\u00e9ries pirateadas que eu assisto em ingl\u00eas\u201d<\/p>\n\n\n\n<p><em>Luna, 22 anos<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEu aprendi bastante em ingl\u00eas, espanhol e japon\u00eas com conte\u00fado pirateado da internet, porque eu vejo muito filme americano e tenho pegado bastante livro pra ler ingl\u00eas na internet. Inclusive, eu pego da internet justamente porque eu n\u00e3o sei se para ler o livro meu vocabul\u00e1rio \u00e9 suficiente. Ent\u00e3o, eu n\u00e3o quero comprar um livro em ingl\u00eas, que talvez eu n\u00e3o consiga entender. E para espanhol e japon\u00eas, eu sou meio enferrujada, mas era a mesma coisa, pegava bastante filme, desenho animado para assistir na internet.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p><em>Catarina, 22 anos<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEu acho muito que as s\u00e9ries e os filmes me ajudaram a estudar ingl\u00eas. Durante alguns desse anos, eu n\u00e3o estava fazendo aula, s\u00f3 aquelas b\u00e1sicas da escola em que a gente estuda o verbo to be v\u00e1rias vezes por ano. Ent\u00e3o no come\u00e7o eu sempre via tudo com legenda em porugu\u00eas, a\u00ed fui transitando para legenda em ingl\u00eas e hoje consigo ver tudo sem legenda s\u00f3 com o \u00e1udio original mesmo.\u201d&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><em>Jeanne, 21 anos&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEu normalmente baixo filmes e s\u00e9ries legendados justamente por causa disso, para me ajudar a estudar ingl\u00eas. Hoje eu acho que tenho um bom entendimento da l\u00edngua inglesa por causa disso inclusive\u201d<\/p>\n\n\n\n<p><em>Henri, 17 anos&nbsp;&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o \u00e9 apenas no estudo de l\u00ednguas estrangeiras que a pirataria pode ser de grande ajuda. No campo acad\u00eamico, em especial ao longo dos anos de faculdade, \u00e9 preciso adquirir diversos textos e livros com pre\u00e7os altos ou que s\u00e3o dif\u00edceis de encontrar dispon\u00edveis em livrarias;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cDesde que entrei na faculdade, tenho consumido muitos livros did\u00e1ticos que custam entre 400 &#8211; 500 reais em livrarias. Antes da pandemia ainda existia a possibilidade de ir na biblioteca da faculdade pegar livros emprestados, com a quarentena eu tive que passar a procurar todos os livros das disciplinas online. Esses conte\u00fados me possibilitaram estudar e me preparar melhor, fazer trabalhos e resumos,\u201d&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><em>Carol, 21 anos<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m do aprendizado acad\u00eamico, outra oportunidade proporcionada pela pirataria para aqueles que n\u00e3o podem pagar o pre\u00e7o do produto oficial ou que n\u00e3o conseguem acess\u00e1-lo aqui no Brasil \u00e9 a chance de aprimorar seu repert\u00f3rio cultural.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEu sou uma pessoa ligada ao ramo do teatro e do audiovisual. Muito do que eu consumo pela pirataria me serve como repert\u00f3rio e me faz uma pessoa, profissionalmente, com mais refer\u00eancias. E esse meu repert\u00f3rio ajuda a construir a pessoa que eu sou.\u201d&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><em>Lucas, 19 anos&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAl\u00e9m de me ajudar a praticar bastante o meu ingl\u00eas, grande parte do meu conhecimento cultural estrangeiro vem desses conte\u00fados que eu costumo baixar, j\u00e1 que uma boa parte dos filmes que eu vejo vieram dos sites piratas.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p><em>Juliana , 21 anos<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEu pego muito livro para ler na internet. E mesmo quando n\u00e3o \u00e9 livro, necessariamente, acad\u00eamico, s\u00e3o livros que v\u00e3o me ajudar na minha forma\u00e7\u00e3o, porque ou s\u00e3o de jornalismo liter\u00e1rio, ou de an\u00e1lise. Mesmo que sejam em formato de artigo ou ensaio, eles me ajudam\u201d&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><em>Catarina, 22 anos&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Produtor x consumidor&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Quando se fala na pirataria, h\u00e1 v\u00e1rios agentes envolvidos, o distribuidor do conte\u00fado pirateado, o consumidor, a lei e, \u00e9 claro, o produtor original. Pouco se fala de como a quest\u00e3o afeta os produtores de filmes, s\u00e9ries, jogos, livros e m\u00fasicas que consumimos ilegalmente pela internet.<\/p>\n\n\n\n<p>Conforme j\u00e1 foi apontado nos t\u00f3picos acima, existem diversos motivos que levam pessoas a acessar conte\u00fado pirata e ele pode fazer uma grande diferen\u00e7a na vida desses consumidores. No entanto, a cada visualiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o oficial e a cada download ilegal, os repons\u00e1veis por criar aquele conte\u00fado deixam de receber determinada quantia que deveria ser um direito seu.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Quando questionados sobre isso, os entrevistados divergiram um pouco, enquanto alguns pensam que a pirataria \u00e9 de moral question\u00e1vel, outros admitiram n\u00e3o sentir culpa nenhuma e disseram o que fazem para n\u00e3o impactarem pequenos produtores.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEu me sinto culpado porque entendo que isso seja desrespeitoso com todos aqueles que est\u00e3o envolvidos na produ\u00e7\u00e3o dos conte\u00fados consumidos. Mas, por outro lado, sinto que a gente vive um cen\u00e1rio em que \u00e9 imposs\u00edvel pagar por todos os servi\u00e7os que disponibilizam esse tipo de conte\u00fado e acho que a cultura deveria ser de mais f\u00e1cil acesso\u201d<\/p>\n\n\n\n<p><em>&nbsp;Lucas, 19 anos&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\u201cJ\u00e1 me perguntaram se eu n\u00e3o acho errado piratear ou se eu me sinto culpado. A resposta \u00e9 a mesma: nem um pouco! Tudo que eu baixo online pertence a grandes corpora\u00e7\u00f5es que n\u00e3o precisam de mais dinheiro\u201d<\/p>\n\n\n\n<p><em>Henri, 17 anos&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEu tenho uma regra pessoal de que eu s\u00f3 pirateio o conte\u00fado de produtora muito grande, tipo, na Disney, na Warner, quando \u00e9 filme e quando \u00e9 livro, de editoras bem consolidadas, tipo, Intr\u00ednseca, Rocco, Record, porque, tipo, de verdade, consumo dessa diferen\u00e7a na renda deles, porque eles vendem muito, muito, muito, tipo, sei l\u00e1, velho, a Rocco ganha dinheiros vendendo Harry Potter todo m\u00eas, sabe? Mas quando \u00e9, ou filme de produtor independente, ou editoras bem pequenas, a\u00ed eu gosto de comprar\u201d<\/p>\n\n\n\n<p><em>Catarina, 22 anos<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>*Todos os nomes dos entrevistados para essa mat\u00e9ria foram alterados<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\"><em><strong>Por Nathalia Giannetti <\/strong>\/ nathaliagiannetti@usp.br <\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Quando pensamos na figura de um pirata, a primeira imagem que vem \u00e0 mente \u00e9 a de um homem barbudo, que usa um \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/?p=294\"> <\/a>","protected":false},"author":54,"featured_media":295,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":["post-294","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-revista-babel-dezembro-2020"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v19.10 - 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