{"id":254,"date":"2020-12-21T22:02:04","date_gmt":"2020-12-22T01:02:04","guid":{"rendered":"http:\/\/www.usp.br\/cje\/babel\/?p=254"},"modified":"2020-12-21T22:02:07","modified_gmt":"2020-12-22T01:02:07","slug":"para-algo-a-gente-emigra-ne","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/?p=254","title":{"rendered":"\u201cPara algo a gente emigra, n\u00e9?\u201d"},"content":{"rendered":"\n<p>\u201cA gente fala que se a situa\u00e7\u00e3o melhora na Venezuela a gente retorna ao nosso pa\u00eds. Cada dia a gente tem saudade de nosso pa\u00eds, da nossa gente, de tudo, mas agora n\u00e3o d\u00e1 para voltar, vai ter que passar alguns anos para a gente voltar novamente\u201d \u00e9 o que diz Araguaney, venezuelana de 31 anos entrevistada para um relat\u00f3rio da Ag\u00eancia da ONU para Refugiados, o ACNUR, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 potencialidade desses imigrantes de empreenderem no Brasil.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Esse estudo, que entrevistou diversos venezuelanos em Boa Vista e S\u00e3o Paulo, constatou as diversas dificuldades, perspectivas e potencialidades para que venezuelanos desenvolvam neg\u00f3cios e formas de sustento uma vez no Brasil. Esse texto, no entanto, n\u00e3o \u00e9 especificamente sobre isso. O relat\u00f3rio constatou que 42.9% dos venezuelanos que empreendem atuam no setor de bebidas e alimentos em S\u00e3o Paulo, enquanto 41.7% est\u00e3o em Boa Vista. Muitos possuem escolaridade, e entre 20 a 40 anos de idade. Os dados dizem que 60% dos que est\u00e3o na \u00e1rea de comida produzem comida t\u00edpica, o que chamam de \u201cmercado \u00e9tnico\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.acnur.org\/portugues\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/empreendedorismo_de_refugiados_completa.pdf\">Segundo os dados do A<\/a>CNUR, mais de 5 milh\u00f5es de venezuelanos j\u00e1 sa\u00edram do pa\u00eds. Somente no Brasil, atualmente h\u00e1 264 mil em situa\u00e7\u00e3o de ref\u00fagio e migra\u00e7\u00e3o. De um total de 50 mil pessoas devidamente reconhecidas como refugiadas no pa\u00eds, cerca de 90% (46 mil) vieram&nbsp; da Venezuela.<\/p>\n\n\n\n<p>Mais do que tratar sobre a quest\u00e3o do ref\u00fagio venezuelano no Brasil ou sobre \u201cempreendimentos\u201d, esse texto \u00e9 sobre outra coisa: comida. Para quem \u00e9 imigrante, a rela\u00e7\u00e3o com a comida e uma nova cultura gera rea\u00e7\u00f5es diversas dependendo do ambiente em que se est\u00e1. Me lembro at\u00e9 hoje quando assisti um jogo de t\u00eanis no Gin\u00e1sio do Ibirapuera, e quase pude jurar que senti cheiro dos teque\u00f1os (palitos de queijo empanados e fritos) venezuelanos que comia quando ia a um jogo de baseball com meus pais em Caracas. Essa sensa\u00e7\u00e3o aconteceu j\u00e1 algumas vezes: n\u00e3o estou l\u00e1, mas algum cheiro me leva a uma mem\u00f3ria na Venezuela, a um lugar espec\u00edfico. Por isso, quero entender: como \u00e9 para quem trabalha com isso num pa\u00eds que n\u00e3o \u00e9 o nosso?&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 o caso de Yilmary Perdomo, h\u00e1 cinco anos no Brasil e dona de um quiosque de comida venezuelana em S\u00e3o Caetano. Pela pandemia, ainda n\u00e3o voltou ao quiosque f\u00edsico, mas a experi\u00eancia com o p\u00fablico foi fundamental n\u00e3o s\u00f3 para ter clientes fixos num momento mais complexo, mas tamb\u00e9m para viver de perto essa rela\u00e7\u00e3o entre a imigra\u00e7\u00e3o, o outro e a comida. Yil, como \u00e9 conhecida, \u00e9 formada em Terapia Ocupacional, mas n\u00e3o conseguiu validar o diploma ao chegar ao Brasil e, ent\u00e3o, ela e o marido se dedicaram \u00e0 gastronomia: \u201cIsso sempre esteve conectado a mim de alguma forma. Como Terapeuta Ocupacional sempre falo que a gente tem um olhar de entender como a comida influencia na sa\u00fade das crian\u00e7as, por exemplo, porque eu trabalhava com educa\u00e7\u00e3o especial focada em autismo.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o, conta que a gastronomia veio de forma coincidente, mas natural: \u201cA gente passa por um processo de perda de identidade um pouco, nessa busca de emprego e de n\u00e3o encontrar, e a\u00ed chegou a oportunidade de pensar o que eu tinha em m\u00e3os, e o que eu tinha era a gastronomia venezuelana. Porque eu gostava, eu conhecia e sabia fazer. E quando fui no primeiro encontro com o p\u00fablico, percebi que os brasileiros n\u00e3o conheciam nossa cultura, nossa gastronomia\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o mesmo relat\u00f3rio do ACNUR, um dos obst\u00e1culos encontrados para os refugiados na hora de empreender foi o desconhecimento do brasileiro sobre a Venezuela, onde \u201cafirmaram que passam muito tempo explicando sobre a comida venezuelana\u201d, descrevendo inclusive um inc\u00f4modo ao serem questionados sobre as dificuldades do pa\u00eds ou sobre os familiares que est\u00e3o l\u00e1. Rosalva, de 35 anos, uma das entrevistadas, disse que ela e o marido chegam a dizer que s\u00e3o argentinos para evitar questionamentos, al\u00e9m de terem a impress\u00e3o que alguns \u201c&#8230;nem sabem onde fica a Venezuela\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O encontro com o outro<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Yilmary viu, na comida, al\u00e9m de uma fonte de renda necess\u00e1ria, uma oportunidade: falar com os demais sobre a nossa gastronomia e, segundo ela, \u201cmudar a imagem que as pessoas t\u00eam da Venezuela\u201d. Ela conta que j\u00e1 conhecia venezuelanos com neg\u00f3cios culin\u00e1rios, mas n\u00e3o de forma ampla em S\u00e3o Paulo, por exemplo: \u201cEra algo restrito e muito focado de venezuelanos para venezuelanos\u201d. Hoje, sua clientela mais fiel \u00e9 formada por brasileiros, e n\u00e3o por outros imigrantes. Atualmente, foca em trazer todo o contexto dos seus pratos: \u201cJ\u00e1 h\u00e1 tr\u00eas anos tenho um foco em mostrar pros clientes por qu\u00ea aquele prato, por qu\u00ea aquele ingrediente, o que tem a ver com nossas ra\u00edzes e nossa cultura\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 o mesmo que acontece com Elibel Lanas, venezuelana e chilena radicada no Uruguai que, primeiro, trabalhou focada com clientes venezuelanos mas, hoje, est\u00e1 aberta a outro tipo de empreendimento. Elibel tamb\u00e9m viu na gastronomia venezuelana uma oportunidade de expandir: \u201cNa \u00e9poca eu estava desempregada e fiz <a href=\"https:\/\/www.ocopinhodeleite.com\/2015\/07\/03\/cachitos\/\">cachitos<\/a> (semelhante ao <em>croissant<\/em>, mas com outro tipo de massa e recheado de queijo ou presunto, muito tradicional da Venezuela), e minha m\u00e3e sugeriu que eu vendesse. Na \u00e9poca havia menos venezuelanos, ent\u00e3o havia muita falta do que era nossa comida, nossa padaria.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>O neg\u00f3cio eventualmente cresceu no n\u00famero de encomendas, e Elibel expandiu para as hallacas, em dezembro. A <a href=\"https:\/\/gshow.globo.com\/receitas-gshow\/receitas\/hallaca.ghtml\">hallaca <\/a>\u00e9 talvez um dos pratos mais singulares da gastronomia venezuelana, o favorito de Yilmary, inclusive: \u201c\u00c9 um dos pratos que mais distingue a nossa gastronomia. Feito com massa de milho, tr\u00eas carnes, quando falava com os brasileiros todos sempre estranhavam\u201d. A hallaca \u00e9 um bolinho de milho recheado, mistura de carnes com v\u00e1rios temperos, levando inclusive azeitona e uva passa &#8211; tudo isso enrolado numa folha de bananeiro. H\u00e1 anos que n\u00e3o como, mas se comesse, sinto que seria como aquele dia do jogo de t\u00eanis: direto para um dezembro em Caracas. \u00c9 o prato mais famoso, tradicional e difundido do Natal venezuelano.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o \u00e9 para menos: Elibel conta que, primeiro, fez 200 hallacas. Tr\u00eas anos depois, vendeu 4 mil exatamente na mesma \u00e9poca. N\u00e3o \u00e9 de se estranhar que quando em outro pa\u00eds, as pessoas procurem aquela sensa\u00e7\u00e3o \u00fanica de casa, de normalidade, de identidade. O que pessoas como Yilmary e Elibel fazem, ent\u00e3o, \u00e9 quase como procurar uma identidade comum. \u201cJ\u00e1 tive pessoas que choraram na minha frente depois de comer um prato meu\u201d, diz Yilmary sobre a experi\u00eancia de vender a venezuelanos e brasileiros. Hoje, ela diz que faz um trabalho de ensino em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s possibilidades para a gastronomia. \u201cMuita gente falava: nossa, mas leva isso? E essa tal de arepa \u00e9 recheada com abacate e frango? (Se referindo \u00e0 arepa que a gente chama de \u201cReina Pepiada\u201d). Fica bom? E eventualmente as pessoas foram se abrindo.\u201d&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Elibel relata algo parecido: \u201cEu acho que tem a ver muito com os caribenhos especificamente\u201d. A Venezuela recebe muita influ\u00eancia, tamb\u00e9m, da comida caribenha e da quantidade imensa de combina\u00e7\u00f5es de sabores. \u201cPor mais que sejamos latino-americanos, muitas vezes outros n\u00e3o est\u00e3o acostumados a misturar certos ingredientes e sabores. Eu t\u00f4 acostumada a comer chuleta defumada com abacaxi numa boa, por exemplo.\u201d Ent\u00e3o, para ela, a experi\u00eancia de trabalhar com comida tamb\u00e9m tem a ver com isso: \u201cPara algo a gente est\u00e1 aqui tamb\u00e9m, n\u00e9? Para misturar sabores locais com os nossos e cozinhar a aqueles que vivem nos pa\u00edses onde vamos\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>No Chile ou no Brasil, ambas falaram muito sobre essa quebra de mitos em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 comida e principalmente \u00e0 mistura de sabores, que talvez, segundo elas, seja muito \u00f3bvia para n\u00f3s venezuelanos, mas pouco para quem n\u00e3o nos conhece: \u201cEu sentia que \u00e0s vezes os brasileiros eram muito fechados com a forma de comer, com os ingredientes. Experimentam coisas novas, mas sentia que era algo pontual\u201d, conta Yilmary, que hoje tem como uma das suas principais bandeiras fazer um trabalho n\u00e3o s\u00f3 de alimenta\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m cultural: \u201cquero abrir novas portas, promover igualdade e uni\u00e3o, mostrar que podemos sempre construir algo em conjunto, atrav\u00e9s da alimenta\u00e7\u00e3o\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Se Yilmary enfrentou dificuldades com os clientes brasileiros, Elo, como tamb\u00e9m \u00e9 conhecida, diz que no Uruguai a coisa caminha por outro lado: \u201cAqui eles s\u00e3o super abertos e ainda h\u00e1 muita coisa para se explorar, eu vejo um mercado que a qualquer momento vai explodir, ent\u00e3o isso \u00e9 uma grande oportunidade tamb\u00e9m\u201d. No fim, ambas falam sobre algo primordial na rela\u00e7\u00e3o com alimenta\u00e7\u00e3o: chegar em outras pessoas. Para al\u00e9m dos venezuelanos, que podem ser muitos dada a expans\u00e3o que a imigra\u00e7\u00e3o teve, o que parece importar mais para elas \u00e9 dar a conhecer para quem j\u00e1 est\u00e1 l\u00e1. A comida pode ser venezuelana ou n\u00e3o, mas quem cozinha \u00e9: esse \u00e9 o ponto principal nas hist\u00f3rias.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O prato principal<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Yilmary fala da <a href=\"http:\/\/g1.globo.com\/goias\/noticia\/2014\/02\/aprenda-como-preparar-cachapa-considerada-panqueca-venezuelana.html\">cachapa<\/a> (uma panqueca de milho recheada com queijo branco t\u00edpico da Venezuela e manteiga) como uma das suas principais ofertas: \u201cN\u00e3o s\u00f3 me lembra e d\u00e1 a conhecer meu pa\u00eds, mas \u00e9 um prato que as pessoas n\u00e3o conhecem aqui. Por isso defini como meu prato chefe\u201d. Diz que aprendeu a cozinhar ela desde pequena e lembra muito a fam\u00edlia e a Venezuela como um todo. Ela adiciona: \u201c\u00c9 o que eu tenho, n\u00e9? Minha cultura.\u201d Como dito no in\u00edcio, mais do que propor uma reflex\u00e3o sobre a quest\u00e3o migrat\u00f3ria do ponto de vista acad\u00eamico, anal\u00edtico, esse texto fala sobre comida e identidade. Elibel, enquanto falava comigo, lembrou tamb\u00e9m de um outro amigo, que hoje tem um restaurante de arepas (talvez o prato mais famoso da venezuela, uma esp\u00e9cie de bolo\/panqueca de milho recheada que \u00e9 servida em todas as refei\u00e7\u00f5es) fora do pa\u00eds: \u201cEu penso: em que momento que a gente passou de jogar truco na escola para fazer comida em outros pa\u00edses? Como isso aconteceu?\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Para pessoas como Elo, que n\u00e3o pararam na comida venezuelana, a rela\u00e7\u00e3o com a gastronomia n\u00e3o acaba: \u201cA cozinha para mim \u00e9 a estabilidade. \u00c9 muito forte, a partir dali penso n\u00e3o s\u00f3 no que mais posso produzir para os demais, mas tamb\u00e9m \u00e9 minha manuten\u00e7\u00e3o.\u201d Ainda assim, relata uma experi\u00eancia similar \u00e0 de Yilmary nas combina\u00e7\u00f5es: \u201c\u00c9 tamb\u00e9m sobre como voc\u00ea apresenta isso aos outros. Muitas vezes as pessoas me perguntam: &#8211; Nossa mas isso mistura mesmo? &#8211; E eu digo: sim, pode confiar.\u201d&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto convers\u00e1vamos, Elo me leu o card\u00e1pio do seu novo caf\u00e9 prestes a abrir em Montevid\u00e9u. Uma cafeteria positiva, como ela chama, em que traz pratos simples, mas muito bem elaborados e, principalmente, com as combina\u00e7\u00f5es corretas. \u201cE sinto que para o caribenho \u00e9 mais simples trabalhar nisso porque estamos acostumados a uma grande mistura de sabores e texturas. Morei no Chile, na Argentina e agora no Uruguai, e \u00e9 totalmente diferente. Sabendo mais, cada vez mais voc\u00ea mistura os sabores com o que as pessoas gostam localmente. Aqui eles n\u00e3o comem abacate, por exemplo, e no Chile \u00e9 a coisa mais comum, ent\u00e3o criei uma op\u00e7\u00e3o de lanche que \u00e9 \u2018a estrangeira\u2019.\u201d&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>No fim, ao levar a identidade consigo enquanto imigrantes, o ponto final de ambas que \u00e9 chegar nas pessoas, parece mais simples: \u201cSe eu n\u00e3o tivesse tido toda essa variedade de sabores no meu prato enquanto crian\u00e7a, acho que n\u00e3o conseguiria fazer da mesma forma. Mas tendo essa cultura, sinto que sou mais aberta e consigo chegar mais \u00e0s pessoas com os pratos\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\"><strong>Por Daniel Medina<\/strong> \/ danielmedina@usp.br <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\u201cA gente fala que se a situa\u00e7\u00e3o melhora na Venezuela a gente retorna ao nosso pa\u00eds. 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