{"id":240,"date":"2020-12-21T20:26:27","date_gmt":"2020-12-21T23:26:27","guid":{"rendered":"http:\/\/www.usp.br\/cje\/babel\/?p=240"},"modified":"2020-12-21T20:26:33","modified_gmt":"2020-12-21T23:26:33","slug":"inspiracao-a-historia-da-mulher-que-saiu-do-nordeste-para-enfrentar-o-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/?p=240","title":{"rendered":"Inspira\u00e7\u00e3o: a hist\u00f3ria da mulher que saiu do nordeste para enfrentar o mundo"},"content":{"rendered":"\n<p>Foi no final de outubro que ela nasceu. Em 1966, para ser mais exata. No munic\u00edpio de Remanso, no estado brasileiro da Bahia. A m\u00e3e dela, Eva, tinha mal completado os seus 18 anos anos quando deu \u00e0 luz aquela pequena menina. A vida pacata do interior n\u00e3o impediu que aquela mulher crescesse e aprendesse tanto ao longo da vida. Mas, isso iremos falar logo mais adiante. A mais velha de cinco filhos relata que n\u00e3o lembra bem da sua inf\u00e2ncia sobre o sol quente do nordeste brasileiro. Nivalda \u00e9 o seu nome. Apesar de ter seus pais, quando crian\u00e7a, amava ficar na casa bem humilde dos seus av\u00f3s, Maria Jos\u00e9 e Estev\u00e3o, pessoas que a amavam com o mais puro cora\u00e7\u00e3o e que faziam tudo por ela. O carinho nunca se modificou ao longo dos anos e viveu a maior parte da inf\u00e2ncia ao lado dos velhinhos que tanto a faziam feliz.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A inf\u00e2ncia, com cerca de 10 anos, foi marcada por ir \u00e0 pedreira local para ajudar a quebrar pedra, encher baldes e ganhar um dinheirinho a partir do n\u00famero de baldes cheios feitos ao longo de uma semana de trabalho. Al\u00e9m disso, tamb\u00e9m ajudava na planta\u00e7\u00e3o de cebolas em Remanso, munic\u00edpio \u00e0s margens do famoso Rio S\u00e3o Francisco, segundo ela mesma, para ganhar um \u201ccascalhinho\u201d e n\u00e3o depender tanto do aux\u00edlio familiar. Neste \u00faltimo caso, ela ganhava alguns trocados por dia de trabalho na ro\u00e7a e levava at\u00e9 mesmo uma marmitinha com comida para poder conseguir lidar com o dia inteiro de trabalho bra\u00e7al.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Diz que sempre foi esperta para ganhar o dinheirinho dela e conforme conseguia, ia at\u00e9 lojas de tecido da regi\u00e3o para comprar tecidos e fazer saias, blusas e vestidos para ela mesma, costurando na m\u00e1quina de sua m\u00e3e. Depois, os av\u00f3s foram morar no interior do Piau\u00ed e ela decidiu acompanh\u00e1-los. Relembra carinhosamente que l\u00e1 tinha um p\u00e9 de \u00e1rvore muito grande que fazia uma sombra imensa. Seus primos tamb\u00e9m moravam na regi\u00e3o e faziam companhia no cotidiano. No interior havia ro\u00e7a com melancia, feij\u00e3o e milho, que ela amava pegar junto com os seus primos para poder comer. Tamb\u00e9m tirava leite das cabras que tinham no local, aproveitava para subir nos p\u00e9s de umbuzeiros que d\u00e3o frutas umbu. Era uma fase muito boa.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh5.googleusercontent.com\/UWY3W06BRdq_nI_QJV8IHK-DFdKU4o1SksRQJ5e0acHPkajeYMmneMYkch870hqgS5lI8Hrlw416uryBGkZV7Pva4hrcRmQQnaZGiUNSoVsBuis5-fgBhBDK15D3mbqAb1Lovroj\" alt=\"\" width=\"1140\" height=\"800\"\/><figcaption>Cr\u00e9dito: Pixabay<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Brincava sob a grande \u00e1rvore acompanhada das primas e das lindas bonecas de panos feitas pela querida av\u00f3 para vender, mas que sempre separava alguma para a neta querida que morava com ela. Na brincadeira, sempre fazia uma casinha toda repartida com tijolinhos com direito \u00e0 sala de estar, e colocava alguns peda\u00e7os de pano na janela da resid\u00eancia. E, em meio \u00e0s brincadeiras &#8211; que tamb\u00e9m representavam sonhos &#8211; dizia que gostaria de ter uma casa igual \u00e0quela que a pequena Nivalda idealizava durante a divers\u00e3o infantil.<\/p>\n\n\n\n<p>Morava longe da escola, mas diz que sempre foi muito inteligente. Estudava no chamado \u201cMobral\u201d, sigla para o Movimento Brasileiro de Alfabetiza\u00e7\u00e3o, \u00f3rg\u00e3o institu\u00eddo por meio de decreto do Governo brasileiro, em mar\u00e7o de 1968, durante a Ditadura Militar. Explica que quem sabia ler tornava-se professor e relembra que ganhava uma cartinha de estudos disponibilizada pelo Governo. Aos poucos conseguiu escrever o pr\u00f3prio nome e chegou at\u00e9 mesmo a come\u00e7ar a ensinar os outros alunos porque j\u00e1 estava sabendo mais que a pr\u00f3pria docente.<\/p>\n\n\n\n<p>Com 14 anos, a av\u00f3 acabou morrendo. Ainda continuou pouco tempo junto com o av\u00f4, naquele momento vi\u00favo que tinha se mudado para o munic\u00edpio piauiense de S\u00e3o Raimundo Nonato ap\u00f3s perder a esposa, mas decidiu voltar para a casa dos pais em Remanso (BA) e foi matriculada em uma escola da regi\u00e3o. Relembra que tinha uma professora chamada Judite e frequentou a escola at\u00e9 a 4\u00ba s\u00e9rie do ensino fundamental 1.<\/p>\n\n\n\n<p>E, ao mesmo tempo, seguia sempre ajudando a m\u00e3e com as tarefas dom\u00e9sticas e para conseguir dinheiro para ajudar no sustento da casa. A m\u00e3e dela ia todo dia cedinho para o mercad\u00e3o que vendia coisas variadas na cidade e comprava c\u00f4co. Chegando em casa, Nivalda ajudava a m\u00e3e a descascar o alimento. Em seguida, Eva ralava as frutas, fazia um tabuleiro muito grande de cocada, cortava os docinhos e colocava em uma bandeja para vender.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Sob o sol escaldante do nordeste, Nivalda ia at\u00e9 o mesmo mercad\u00e3o, que juntava pessoas de diferentes \u00e1reas da regi\u00e3o, e ficava sentada vendendo ali os doces. S\u00f3 retornava para casa quando houvesse vendido todos os alimentos ou quando sobrava apenas um pouco. A ajuda \u00e0 fam\u00edlia tamb\u00e9m se estendia conforme os outros irm\u00e3os iam nascendo e ela precisava cuidar deles, continuar auxiliando na limpeza dom\u00e9stica da casa e vendendo os doces.<\/p>\n\n\n\n<p>Todo o ano tamb\u00e9m aconteciam os \u2018festejos\u2019 da regi\u00e3o para comemorar alguma data especial ou a vida de santos da Igreja Cat\u00f3lica. As datas tamb\u00e9m eram especiais pois Nivalda e os pais iam at\u00e9 essas regi\u00f5es para vender bolo, outros tipos de comidas e bebidas. Poderia fazer sol ou chuva, mas tinha que ir trabalhar para ajudar nas vendas e conseguir dinheiro para dentro de casa.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Aos 17 anos, voltou a viver com o av\u00f4 que morava em S\u00e3o Raimundo Nonato (PI). Come\u00e7ou a namorar um homem, mas abriu m\u00e3o do relacionamento ap\u00f3s constatar a possessividade e ci\u00fames dele. Ao mesmo tempo, uma mulher conhecida soube do interesse de Nivalda para trabalhar e conseguir o seu dinheiro e perguntou se a jovem teria interesse para trabalhar na casa de uma mulher chamada Maria no munic\u00edpio de S\u00e3o Jo\u00e3o do Piau\u00ed. Logo aceitou o cargo e, no dia a dia, a jovem ajudava na limpeza da casa e cuidava da filha dessa mulher. Relembra com carinho que Maria foi como a m\u00e3e dela enquanto estava naquele munic\u00edpio pois quando come\u00e7ou a ter algumas dores, logo foi indicada a ir ao m\u00e9dico para entender o que estava acontecendo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Descobriu que estava gr\u00e1vida da sua primeira filha. Seguiu na casa de Maria, que forneceu a ela todo o apoio durante a gravidez. Depois dos nove meses, teve contra\u00e7\u00f5es e logo seguiu para o hospital. Os m\u00e9dicos informaram que ela teria um parto normal, enquanto a beb\u00ea quase morria dentro de sua barriga. Ao notarem o erro da decis\u00e3o, fizeram um parto cesariana de emerg\u00eancia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O problema foi que durante o processo de cesariana, a equipe m\u00e9dica do hospital esqueceu uma gaze e uma tesoura dentro da barriga daquela mulher que tinha dado \u00e0 luz. No dia seguinte a beb\u00ea estava bem, mas, ao levantar da cama, Nivalda teve a impress\u00e3o de que os \u00f3rg\u00e3os internos iriam cair no ch\u00e3o ao se deparar com a costura da cesariana aberta e caindo secre\u00e7\u00e3o de dentro da barriga para o ch\u00e3o. Os m\u00e9dicos foram chamados por uma enfermeira do local e logo foi constatado que havia os dois materiais dentro da barriga da paciente.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ela ent\u00e3o foi levada \u00e0 \u00e1rea de isolamento do hospital. Tomava diversos rem\u00e9dios &#8211; um deles vindo da capital do estado &#8211; e inje\u00e7\u00f5es por dia para tentar diminuir a dor que ela sentia. Entre os momentos de interna\u00e7\u00e3o e longe da pequena filha, chamada carinhosamente de Cl\u00e9o, anunciaram na r\u00e1dio do munic\u00edpio que ela havia morrido e pediram para que os seus parentes se deslocassem at\u00e9 a unidade de sa\u00fade para buscar o corpo dela.<\/p>\n\n\n\n<p>De forma impressionante, uma enfermeira do hospital chamada Marlene se aproveitou do estado de sa\u00fade delicado da paciente e disse que Nivalda havia dado a filha rec\u00e9m-nascida para ela. A jovem \u00e0 \u00e9poca explica que, na verdade, pediu para a enfermeira cuidar da filha enquanto a av\u00f3 da menina chegava no munic\u00edpio para cuidar da pequena pois j\u00e1 havia passado do tempo que a crian\u00e7a poderia permanecer dentro do hospital.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Dias depois, sua m\u00e3e chegou no hospital, ela solicitou que a jovem passasse por cirurgia o mais r\u00e1pido poss\u00edvel visto o estado de sa\u00fade delicado e sendo necess\u00e1rio fechar aquela abertura na barriga. Com a segunda cirurgia realizada, Eva perguntou \u00e0 filha se poderia levar a neta dela para casa. Nivalda concordou prontamente, mas informou que a crian\u00e7a estava na casa da enfermeira.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao ir na casa da mulher que estava com a crian\u00e7a provisoriamente &#8211; e que n\u00e3o tinha outros filhos &#8211; Eva se surpreendeu ao ser informada que n\u00e3o levaria a crian\u00e7a embora pois, de acordo com o relato da enfermeira, a m\u00e3e tinha dado a rec\u00e9m-nascida a ela. Visto o embara\u00e7o da situa\u00e7\u00e3o, Eva decidiu ir at\u00e9 a delegacia do local e o delegado determinou que a crian\u00e7a fosse devolvida \u00e0 av\u00f3 pois, mesmo que a m\u00e3e quisesse doar, ela n\u00e3o teria condi\u00e7\u00f5es de tomar essa decis\u00e3o porque estava em estado grave de sa\u00fade no hospital.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Enfim, a crian\u00e7a foi devolvida \u00e0 av\u00f3 materna ap\u00f3s determina\u00e7\u00e3o do delegado e ficou sob tutela da av\u00f3. Tempo depois, Nivalda recebeu alta do hospital e voltou para a casa da Maria, onde ela trabalhava durante a gravidez, para se recuperar e ficar pr\u00f3ximo ao hospital se precisasse.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s algum per\u00edodo, voltou para a casa dos seus pais para cuidar tamb\u00e9m da filha. Ficou amiga de um jovem do bairro e certo dia foi at\u00e9 a casa dele e conheceu uma mulher chamada Maria do Socorro, que \u00e9 parente da m\u00e3e desse rapaz. Ela contou que trabalhava em S\u00e3o Paulo e que buscava algu\u00e9m para vir para a cidade grande e trabalhar na casa de uma fam\u00edlia de alto poder aquisitivo. Na mesma hora, Nivalda enxergou aquela como uma oportunidade \u00fanica. Disse que o seu sonho era ir para a capital paulista para trabalhar e conseguir enviar dinheiro e ajudar a m\u00e3e dela que cuidava da beb\u00ea. Aproveitou para comentar que nunca teve uma chance de realizar esse sonho.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Uma semana depois, a m\u00e3e do rapaz disse que a Maria do Socorro estava na casa dela e que gostaria de conversar com Nivalda. Maria perguntou se a jovem gostaria de ir para a cidade grande para trabalhar e se levaria a s\u00e9rio a profiss\u00e3o a ser desempenhada. Com os olhos castanhos escuros e muito emocionada durante o relato, Nivalda conta que declarou aquela mulher que era isso era o maior de seus sonhos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Diante da vontade de ambas as partes, Maria do Socorro foi at\u00e9 a casa dos pais de Nivalda para confirmar se os pais dela concordavam com a proposta de trabalho. Maria foi recebida com um almo\u00e7o feito pela m\u00e3e da jovem. Ap\u00f3s isso, Maria comprou as passagens para a capital paulista e, segundo a escolhida, ela n\u00e3o conseguiu mais dormir ap\u00f3s a compra e ficou ansiosa para que o t\u00e3o esperado dia de viajar chegasse.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A cidade grande<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh4.googleusercontent.com\/R_-X49HroS0Tt7P0UuJJDNEDgg7XdxzonKnbYiXi6fBVy_UCNC9PakTfBRQkpG08t44y96kjFg9lL5mulrGfLRazGssoQbcxSSPkRA7EKt1cO-26MQfmQ-0FuDYOtHxkDT2C6mfj\" alt=\"\"\/><figcaption>Cr\u00e9dito: Beatriz Gomes<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Chegando na nova cidade, Nivalda dormiu na casa que Maria trabalhava tamb\u00e9m como empregada dom\u00e9stica e, no dia seguinte, foi conhecer o seu novo posto de trabalho: um apartamento de alto padr\u00e3o de uma mulher chamada Rosa, localizada na Bela Vista, bairro nobre da capital paulista. Com a rotina pesada de limpeza do local, que era um andar inteiro do edif\u00edcio, s\u00f3 conseguia sair nas folgas aos finais de semana.<\/p>\n\n\n\n<p>Contava que ficava os finais de semana com a Maria do Socorro, mulher que havia levado-a para a capital paulista, e frequentava uma igreja em S\u00e3o Miguel Paulista, distrito da zona leste de S\u00e3o Paulo. Depois de algum tempo come\u00e7ou a frequentar o Parque do Ibirapuera e sair com alguma amiga de profiss\u00e3o que conheceu na regi\u00e3o ou no edif\u00edcio em que atuava.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O tempo foi se passando e Nivalda trabalhou por tr\u00eas anos desde sua vinda para S\u00e3o Paulo na casa da Dona Rosa. Entre a limpeza da casa, cuidado com as filhas da patroa, Camila e Ge\u00f3rgia, e fazendo todas as outras obriga\u00e7\u00f5es da casa, ela recebeu um convite para uma nova oportunidade de trabalho. A chance veio de uma empregada que Nivalda conheceu na padaria que frequentava para o trabalho.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar de nunca ter sido maltratada no trabalho, a patroa sempre exigia que as refei\u00e7\u00f5es da empregada fossem com ovo, sem qualquer tipo diferente de carne, e segundo ela, com o tempo, suportar a situa\u00e7\u00e3o tornou-se cada vez mais dif\u00edcil. Quando informou da nova oportunidade, Dona Rosa ofereceu aumentar o sal\u00e1rio para que a funcion\u00e1ria n\u00e3o sa\u00edsse do emprego. Ela continuou no lugar por mais cinco meses quando decidiu al\u00e7ar novos voos e aceitar o novo trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda na regi\u00e3o da Bela Vista e com a fun\u00e7\u00e3o de empregada dom\u00e9stica, agora Nivalda trabalhava como em outro apartamento de alto padr\u00e3o. Sua nova patroa se chamava Leila, e morava com a irm\u00e3 dela, Renata, e o filho dela, Ricardo. A resid\u00eancia era um apartamento para todo um andar do pr\u00e9dio e havia uma cozinheira para auxiliar na alimenta\u00e7\u00e3o dos patr\u00f5es, diferentemente do trabalho anterior. A diferen\u00e7a foi vis\u00edvel para Nivalda, ainda mais por n\u00e3o ser impedida de comer alguma coisa por parte da patroa.<\/p>\n\n\n\n<p>Mais tr\u00eas anos de trabalho se passaram e nesse meio tempo combinou de se encontrar com o seu pai, que estava trabalhando na constru\u00e7\u00e3o civil em S\u00e3o Paulo, para entregar algumas latas de leite em p\u00f3 que havia comprado para a filha pequena que estava aos cuidados da sua m\u00e3e no Piau\u00ed. O combinado era se encontrar na famosa Esta\u00e7\u00e3o da Luz, por\u00e9m, no dia o pai de Nivalda n\u00e3o estava bem e perguntou para dois colegas de trabalho se eles n\u00e3o gostariam de ir at\u00e9 a esta\u00e7\u00e3o para encontrar a filha dele e pegar os alimentos, j\u00e1 que, em breve, ele viajaria at\u00e9 o nordeste e conseguiria entregar o leite para a neta.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ambos toparam o convite e seguiram at\u00e9 a Esta\u00e7\u00e3o da Luz. Chegando l\u00e1, Nivalda entregou os leites para a dupla e um deles, Jos\u00e9, logo pediu o telefone dela. Ambos sa\u00edram da Esta\u00e7\u00e3o para comer um lanche em um local pr\u00f3ximo de onde foi marcado o encontro para a entrega do leite. Depois de muita insist\u00eancia, a empregada passou o telefone ao pedreiro e voltou ao trabalho. Ap\u00f3s algumas liga\u00e7\u00f5es e encontros, ambos come\u00e7aram a ficar juntos e namoraram por algum tempo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Jos\u00e9 trabalhava em uma obra e um de seus colegas de trabalho explicou que estava alugando uma casa na zona oeste da cidade de S\u00e3o Paulo. Esse colega acabou oferecendo uma proposta de aluguel. Jos\u00e9 ent\u00e3o questionou se Nivalda se interessaria na proposta para come\u00e7ar a morar juntos. O pedido foi aceito, no entanto, ambos continuavam trabalhando em suas fun\u00e7\u00f5es e s\u00f3 se encontravam na pequena casinha alugada aos finais de semana, quando ambos tinham folga das fun\u00e7\u00f5es de trabalho.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Na primeira vez que foram se encontrar para comprar um guarda-roupa e cama, Jos\u00e9 foi assaltado no meio do caminho e teve todo o seu dinheiro roubado, mas as dificuldades daquele casal n\u00e3o paravam por ali. Em meio disso, a patroa de Nivalda doou alguns m\u00f3veis e utens\u00edlios dom\u00e9sticos para que o casal tivesse ao menos mais algumas coisinhas dentro do pequenino lar. Ganhou colheres, panela, uma estante de madeira usada e um jogo de len\u00e7ol para cama, este \u00faltimo foi presente de uma empregada do primeiro andar do pr\u00e9dio em que trabalhava. E assim, aos poucos, as coisas foram se encaminhando.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O casal juntou o pouco que tinha, arrumou um caminh\u00e3ozinho e colocou as coisas para a mudan\u00e7a para a casa longe do famoso bairro nobre de S\u00e3o Paulo. Nivalda ent\u00e3o decidiu pedir demiss\u00e3o da casa onde trabalhava e ficou trabalhando como diarista no local, ganhando por dia de trabalho, por algum tempo. Isso n\u00e3o durou muito tempo porque a patroa n\u00e3o estava satisfeita e achou melhor contratar outra pessoa para dormir na casa e limp\u00e1-la todos os dias.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Durante esse tempo de trabalho como diarista &#8211; Jos\u00e9 tamb\u00e9m foi demitido de seu trabalho -, o casal ficou morando por cinco meses na casa alugada que tinha tr\u00eas c\u00f4modos: uma sala, uma cozinha e um quarto. No ano de 1991, o irm\u00e3o de Nivalda disse que havia um terreno no bairro do lado da casinha alugada sendo vendido por um pre\u00e7o mais acess\u00edvel.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O casal se interessou pelo terreno e conseguiu comprar o pequeno espa\u00e7o. Ficaram mais um tempo na casa alugada enquanto o Jos\u00e9 constru\u00eda a casa com&nbsp; blocos achados pela rua. Com muito esfor\u00e7o conseguiram comprar algumas telhas para cobrir a nova casa, mas n\u00e3o o suficiente, deixando uma parte do espa\u00e7o sem ser coberta.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo assim, e diante do pre\u00e7o do aluguel, decidiram se mudar para a nova casa. Logo no primeiro dia de mudan\u00e7a para o novo bairro com ch\u00e3o de barro tiveram que enfrentar uma forte chuva que danificou o telhado do local e molhou as poucas coisas que havia juntado at\u00e9 ali. Neste momento, j\u00e1 estava gr\u00e1vida do seu segundo filho, Fernando, o primeiro com Jos\u00e9. Relembra emocionada as dificuldades nesse per\u00edodo. N\u00e3o tinham geladeira, a mesa da casa era a caixa do fog\u00e3o que Jos\u00e9 havia comprado, tinham somente uma cama, uma televis\u00e3o e a estante doada pela ex-patroa de Nivalda. Tudo isso em uma casa pequena com um \u00fanico c\u00f4modo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Busca por trabalho<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Aos finais de semana de folga do trabalho, via que as suas colegas empregadas dom\u00e9sticas dos outros andares do edif\u00edcio em que trabalhava vendiam bebidas alco\u00f3licas no Parque do Ibirapuera. Visto as dificuldades daquele momento com o casal desempregado e precisando de dinheiro, Nivalda relembrou desse fato e come\u00e7ou a fazer as batidas e caipirinhas alco\u00f3licas para vender no famoso parque. Ia acompanhada para as vendas com sua irm\u00e3, Dina, que tamb\u00e9m j\u00e1 havia vindo para S\u00e3o Paulo para trabalhar, e da sua cunhada.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Inicialmente levava oito litros de batidas alco\u00f3licas, mas conseguia vend\u00ea-las rapidamente. De oito aumentou para dez litros da bebida, colocada agora em um isopor, que inclu\u00eda batida de maracuj\u00e1 com leite condensado e caipirinha de lim\u00e3o. Com o aumento das vendas, Nivalda come\u00e7ou a ir junto com o marido trabalhar vendendo bebidas no parque. O trabalho j\u00e1 n\u00e3o era f\u00e1cil e complicava ainda mais por sempre tentar n\u00e3o ser pega pelos seguran\u00e7as do local que, como visto tantas vezes, jogavam fora as bebidas de vendedores ambulantes quando as apreendiam. Depois tamb\u00e9m come\u00e7ou a vender cerveja, muitos dos produtos comprados no Walmart, de Osasco, ou no Hipermercado Extra da Avenida Brigadeiro Lu\u00eds Ant\u00f4nio.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Neste meio tempo, Jos\u00e9 arrumou um emprego em uma empresa, mas aos finais de semana sempre ia com a mulher vender as bebidas no parque. At\u00e9 que em uma segunda-feira de novembro de 1991, gr\u00e1vida, ela come\u00e7ou a passar mal. Notou ent\u00e3o que a bolsa tinha estourado e precisava seguir para a maternidade. O jovem casal caminhou por longos minutos at\u00e9 um ponto de \u00f4nibus j\u00e1 que n\u00e3o tinham carro ou condi\u00e7\u00f5es de pagar algum outro transporte para ir at\u00e9 a maternidade.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>No Hospital e Maternidade, localizado na Lapa, nasceu Fernando. Primeiro filho daquele casal. Nivalda teve sangramento horas ap\u00f3s o nascimento do menino, mas conseguiu se recuperar de mais um segundo susto durante o p\u00f3s-parto. Depois de quatro dias de interna\u00e7\u00e3o teve alta com a crian\u00e7a. Saiu da maternidade com a barriga enfaixada junto com o marido e uma vizinha que auxiliou na volta para a casa segurando a crian\u00e7a, j\u00e1 que a m\u00e3e estava um pouco debilitada em raz\u00e3o do sangramento anterior.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Algum tempo ap\u00f3s o parto, enquanto Jos\u00e9 ficava em casa cuidando do filho &#8211; j\u00e1 que tinha sa\u00eddo do trabalho -, Nivalda seguia at\u00e9 o Parque do Ibirapuera para vender as batidas, caipirinhas e cerveja para conseguir ajudar financeiramente nas despesas da casa. Quando o filho tinha crescido um pouco, a mulher come\u00e7ou a ir trabalhar junto com o marido e o filho vendendo bebidas no parque.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando o pequeno Fernando j\u00e1 tinha seis anos, em 1997, a fam\u00edlia decidiu crescer. Foi neste momento que Nivalda soube que estava gr\u00e1vida de uma menina que viria a se chamar Beatriz. Sonhava imensamente com o desejo de ter uma menina para comprar roupas rosas e vesti-la.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s nove meses, o parto de cesariana foi marcado. No domingo trabalhou normalmente para, enfim, na quarta-feira dar \u00e0 luz a pequena que tanto j\u00e1 se dedicava em um hospital da Vila Nova Cachoeirinha, na zona norte da capital. Por volta das 9h30 da manh\u00e3 nasceu a mais nova menina da fam\u00edlia. Jos\u00e9 n\u00e3o saia do hospital enquanto n\u00e3o pudesse ver o rosto dos filhos. Independentemente de quanto tempo isso demorasse. N\u00e3o importava. No dia de ter alta do hospital, uma vizinha decidiu buscar a mulher e a crian\u00e7a na sa\u00edda da maternidade.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Durante v\u00e1rios anos que se passaram, seguiu na luta com o marido para educar os dois filhos e conciliar o \u00e1rduo trabalho vendendo bebidas e levando muito peso at\u00e9 o Parque do Ibirapuera. Na virada de todo o ano a dupla frequentava o R\u00e9veillon na Paulista, para vender bebidas na comemora\u00e7\u00e3o e conseguir apurar um dinheirinho \u201cextra\u201d. Quando mais crescidos, o casal levava ambos os filhos para o trabalho no parque. Muitas vezes, sob a sombra de alguma \u00e1rvore do parque, a dupla de irm\u00e3os brincava e se divertia muito enquanto os pais davam muito duro para cri\u00e1-los.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Depois de sete anos do nascimento de Beatriz, por volta de 2004, Nivalda recebeu a proposta para trabalhar novamente na casa de uma mulher como empregada dom\u00e9stica, desta vez em um bairro pr\u00f3ximo da casa da fam\u00edlia. Ela ent\u00e3o decidiu voltar a atuar na profiss\u00e3o enquanto Fernando cuidava da irm\u00e3 Beatriz e, com grande frequ\u00eancia, assistiam ao desenho animado de \u201cScooby-Doo\u201d na televis\u00e3o de casa durante o per\u00edodo da tarde p\u00f3s-aula.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A mulher trabalhou um ano nesta casa at\u00e9 que decidiu parar de trabalhar para outras pessoas. Sendo assim, come\u00e7ou a fazer panos de pratos com bico de croch\u00ea para revender no bairro dela &#8211; j\u00e1 que sabia fazer isso e \u00e9 completamente apaixonada por produtos de casa.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh5.googleusercontent.com\/w-1ns1IRzt8Ll8iES0AtJujKj3SXrwqpQaGVYanDRlaU4wwrqVFs884cdeI0dY9n0FHciEMPf8lwZQXJebAOlc8tnQpjSJTExKN0CW0giSz65UdTmBOkrGrnJQuIuH4s-83WSIw7\" alt=\"\"\/><figcaption>Cr\u00e9dito: Beatriz Gomes<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Aos pouquinhos foi aumentando os objetos de venda e come\u00e7ou a trabalhar com a revenda de cosm\u00e9ticos nos cat\u00e1logos Avon e de roupas \u00edntimas Demillus. Sua paix\u00e3o por objetos para a decora\u00e7\u00e3o de casa desde menina permaneceu e ent\u00e3o acrescentou a venda de objetos para a casa como roupas de cama, toalhas, cortinas de cozinha e at\u00e9 mesmo edredom, que eram colocados em uma prateleira dentro da pr\u00f3pria casa. Os clientes sempre entraram na resid\u00eancia para comprar os produtos, h\u00e1bito que acontece at\u00e9 os dias de hoje.<\/p>\n\n\n\n<p>E assim foi batalhando a cada dia mais para formar os filhos. Hoje, Fernando atua como vendedor e faz faculdade de administra\u00e7\u00e3o. Beatriz estuda jornalismo e trabalha como estagi\u00e1ria. Nivalda segue vendendo os seus produtos e Jos\u00e9 segue atuando na \u00e1rdua profiss\u00e3o de pedreiro atuando com \u201cbicos\u201d, ou seja, quando tem propostas de emprego por dia de trabalho.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ela conta que se orgulha muito de sua fam\u00edlia e que hoje \u00e9 imensamente por tudo que conquistou mesmo diante a tantas dificuldades na vida, narradas somente um pouco nesse texto &#8211; acredite, leitor, isso \u00e9 apenas uma pequena parte da vida desta grande mulher. Este texto narra uma humilde inten\u00e7\u00e3o da autora de registrar a vida de uma nordestina, batalhadora e que se orgulha imensamente de sua vida e de tudo que p\u00f4de conquistar mesmo com diversas dificuldades ao longo de sua trajet\u00f3ria.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>E, por fim, sinto que \u00e9 meu dever informar que acabo de contar nessas poucas linhas, um pouco da hist\u00f3ria &#8211; que tanto me orgulho &#8211; da trajet\u00f3ria da minha m\u00e3e (sim, da autora desse texto), que tem as marcas das batalhas da vida em seu corpo e rosto, mas que representam um pouco de toda a sua for\u00e7a e pot\u00eancia de ser quem \u00e9&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\"><strong>Por Beatriz Gomes<\/strong> \/ beatrizfurtunato@usp.br<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Foi no final de outubro que ela nasceu. Em 1966, para ser mais exata. 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