{"id":2206,"date":"2025-11-11T21:12:39","date_gmt":"2025-11-12T00:12:39","guid":{"rendered":"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/?p=2206"},"modified":"2025-11-25T19:35:18","modified_gmt":"2025-11-25T22:35:18","slug":"cpi-dos-pancadoes-funk-ascensao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/?p=2206","title":{"rendered":"Enquanto sofre persegui\u00e7\u00f5es no Brasil, funk ganha cada vez mais destaque no exterior"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-size: 10pt;\">(Imagem: Montagem por Cec\u00edlia O. Freitas com fotografia de Caio Santos)<\/span><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400;\">Levantamento realizado pelo Spotify mostra que o funk \u00e9 o g\u00eanero musical brasileiro mais ouvido em outros paises; por aqui, parlamentares de direita amea\u00e7am restringi-lo nas periferias\u00a0<\/span><\/i><\/p>\n<p><b>Por<\/b> Leonardo Henrique do Carmo<\/p>\n<p>Vers\u00e3o em \u00e1udio:<\/p>\n<p><iframe title=\"Spotify Embed: Audiodescri\u00e7\u00e3o - Enquanto sofre persegui\u00e7\u00f5es no Brasil, funk ganha cada vez mais destaque no exterior\" style=\"border-radius: 12px\" width=\"100%\" height=\"152\" frameborder=\"0\" allowfullscreen allow=\"autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/open.spotify.com\/embed\/episode\/6jYZ1yk9maQyRcoxbGoZx7?si=1223acceb5624a22&#038;utm_source=oembed\"><\/iframe><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Em 2009, al\u00e9m de reconhecer o funk como \u201cmovimento cultural e de car\u00e1ter popular&#8221;, <\/span><a href=\"https:\/\/www.jusbrasil.com.br\/legislacao\/819271\/lei-5543-09\"><span style=\"font-weight: 400;\">a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) revogou uma lei que impossibilitava a realiza\u00e7\u00e3o de bailes<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\"> por exigir uma s\u00e9rie de condi\u00e7\u00f5es de dif\u00edcil cumprimento, como autoriza\u00e7\u00e3o com 30 dias de anteced\u00eancia, comprovante de tratamento ac\u00fastico e c\u00e2meras no local.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Parecia que finalmente est\u00e1vamos caminhando para uma maior aceita\u00e7\u00e3o do funk no pa\u00eds, mas a persegui\u00e7\u00e3o logo deu as caras novamente. No ano seguinte, <\/span><a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/brasil\/noticia\/2010\/12\/funkeiros-sao-presos-no-rio-por-apologia-ao-trafico.html\"><span style=\"font-weight: 400;\">quatro MCs foram presos em uma opera\u00e7\u00e3o da Pol\u00edcia Civil<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\"> acusados de fazer apologia ao tr\u00e1fico de drogas. N\u00e3o foi um caso pontual: o g\u00eanero musical \u00e9 historicamente marcado por poucos avan\u00e7os institucionais e constantes ondas de repress\u00e3o.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O motivo? Discrimina\u00e7\u00e3o, segundo a pesquisadora de funk, <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">label manager <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">e empreendedora Tamiris Coutinho. Ela afirma que o que incomoda a ala conservadora da sociedade n\u00e3o s\u00e3o as m\u00fasicas em si, mas sim quem est\u00e1 por tr\u00e1s dos microfones e frequenta os bailes \u2013 pessoas perif\u00e9ricas, majoritariamente negras. \u201c\u00c9 muito mais sobre quem canta e de qual lugar canta\u201d, diz.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Agora, quem est\u00e1 correndo risco de criminaliza\u00e7\u00e3o s\u00e3o os bailes funks de S\u00e3o Paulo. A amea\u00e7a vem da chamada \u201c<\/span><a href=\"https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/comissao\/comissoes-parlamentares-de-inquerito-cpis\/cpi-dos-pancadoes\/\"><span style=\"font-weight: 400;\">CPI dos Pancad\u00f5es<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">\u201d, instaurada em maio deste ano na C\u00e2mara Municipal de S\u00e3o Paulo (CMSP).\u00a0<\/span><\/p>\n<h2><b>CPI dos <\/b><del><b>Pancad\u00f5es<\/b><\/del><b> Cortes<\/b><\/h2>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Essa Comiss\u00e3o Parlamentar de Inqu\u00e9rito (CPI) foi criada para \u201cinvestigar poss\u00edveis omiss\u00f5es dos \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos municipais na fiscaliza\u00e7\u00e3o de perturba\u00e7\u00e3o do sossego, especialmente no combate a festas clandestinas realizadas no munic\u00edpio de S\u00e3o Paulo\u201d. No documento de requerimento dessa investiga\u00e7\u00e3o, o vereador Rubinho Nunes (UNI\u00c3O BRASIL) diz que visitou diversos desses eventos acompanhado das pol\u00edcias Civil e Militar.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Em todos, afirma ter se deparado com \u201cuso irregular de im\u00f3veis p\u00fablicos, ocupa\u00e7\u00e3o indevida da via p\u00fablica, venda de bebidas alco\u00f3licas em hor\u00e1rios vedados, al\u00e9m de casos de porte ilegal de armas de fogo, tr\u00e1fico de drogas e explora\u00e7\u00e3o sexual\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Tanto pessoas contr\u00e1rias quanto a favor dos bailes funks foram chamadas para discutir o tema. Por\u00e9m, a recep\u00e7\u00e3o a esse segundo grupo pelos parlamentares ligados \u00e0 direita n\u00e3o tem sido positiva.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Um dos epis\u00f3dios de maior tens\u00e3o aconteceu na CMSP, durante a sess\u00e3o do dia 29 de agosto. Na ocasi\u00e3o, Rubinho Nunes se exaltou e amea\u00e7ou dar voz de pris\u00e3o ao youtuber e cientista social Thiago Torres, conhecido como \u201cChavoso da USP&#8221;, ap\u00f3s ele afirmar que o crime organizado estava presente nas periferias, sim, mas tamb\u00e9m na C\u00e2mara.<\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_2208\" aria-describedby=\"caption-attachment-2208\" style=\"width: 713px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-2208\" src=\"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/chat.png\" alt=\"Conversa entre Rubinho e Chavoso da USP\" width=\"713\" height=\"417\" srcset=\"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/chat.png 752w, https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/chat-300x176.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 713px) 100vw, 713px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-2208\" class=\"wp-caption-text\">Montagem: J\u00falia Moreira<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Em resposta, a parlamentar Luana Alves (PSOL) disse que, em vez de tratar da pauta da CPI, Rubinho Nunes queria gerar cortes para postar na internet. A afirma\u00e7\u00e3o \u00e9 baseada no hist\u00f3rico do pol\u00edtico. Em seus perfis, o vereador costuma abordar assuntos que est\u00e3o em alta por meio de v\u00eddeos curtos com t\u00edtulos provocativos.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Um dos mais assistidos \u00e9 justamente o da discuss\u00e3o com o Chavoso da USP. Publicado no mesmo dia da oitiva, o v\u00eddeo acumula mais de 1,4 milh\u00e3o de visualiza\u00e7\u00f5es e tem como <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">thumb<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> a frase \u201cQuase deu pol\u00edcia! Agora quero ver provar\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cA gente tem esse discurso inflamado nas redes sociais porque a galera da direita sabe que isso funciona muito bem, n\u00e9? Inflamar \u00f3dio para gerar um burburinho em determinadas quest\u00f5es e abafar outras\u201d, diz Tamiris Coutinho.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">De acordo com ela, n\u00e3o h\u00e1 uma preocupa\u00e7\u00e3o genu\u00edna em pensar pol\u00edticas p\u00fablicas para solucionar os problemas enfrentados por quem vive nas regi\u00f5es em que acontecem os bailes funks. \u201cMe parece muito mais uma midiatiza\u00e7\u00e3o para ganhar likes do que interesse em sentar com a associa\u00e7\u00e3o de moradores e produtores para ouvi-los\u201d, opina.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Quem tamb\u00e9m compartilha dessa vis\u00e3o s\u00e3o os promotores de bailes funks da zona leste de S\u00e3o Paulo. Em um post colaborativo entre cinco p\u00e1ginas no Instagram, eles questionam a aus\u00eancia de op\u00e7\u00f5es de lazer em suas comunidades e apontam outros problemas ignorados pelo governantes:<\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_2229\" aria-describedby=\"caption-attachment-2229\" style=\"width: 401px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-2229 size-large\" src=\"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/ig-post-post_colaborativo-20251111152331-by-easycomment-401x768.png\" alt=\"\" width=\"401\" height=\"768\" srcset=\"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/ig-post-post_colaborativo-20251111152331-by-easycomment-401x768.png 401w, https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/ig-post-post_colaborativo-20251111152331-by-easycomment-157x300.png 157w, https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/ig-post-post_colaborativo-20251111152331-by-easycomment-768x1471.png 768w, https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/ig-post-post_colaborativo-20251111152331-by-easycomment.png 780w\" sizes=\"auto, (max-width: 401px) 100vw, 401px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-2229\" class=\"wp-caption-text\">Arte reproduzindo o post original<\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cEssa CPI \u00e9 s\u00f3 mais um novo cap\u00edtulo de uma persegui\u00e7\u00e3o que se renova a toda hora. O Estado n\u00e3o pensa em formas de viabilizar uma exist\u00eancia saud\u00e1vel para os bailes. A ideia \u00e9 reprimir, e com uma finalidade pol\u00edtica muito perversa, porque os bailes movimentam a economia local e s\u00e3o importantes para a sociabilidade das periferias\u201d, afirma GG Albuquerque, jornalista, cr\u00edtico musical e doutorando em Est\u00e9ticas e Culturas da Imagem e do Som.<\/span><\/p>\n<h2><b>Do Brasil para o mundo<\/b><\/h2>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Apesar das constantes tentativas de criminaliza\u00e7\u00e3o, o funk segue conquistando cada vez mais ouvintes. Atualmente, ele ocupa o posto de segundo g\u00eanero mais escutado do pa\u00eds, perdendo apenas para o sertanejo, segundo dados apresentados pelo Spotify.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O produtor musical e DJ Caio Santos enxerga com bons olhos esse crescimento. \u201cEu tava conversando sobre isso com um amigo at\u00e9. Ele disse que o funk saiu da periferia e eu respondi que, pra n\u00f3s que trabalhamos com funk, isso \u00e9 \u00f3timo porque a expans\u00e3o para fora da periferia gera outras oportunidades\u201d, conta.<\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_2218\" aria-describedby=\"caption-attachment-2218\" style=\"width: 598px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-2218\" src=\"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Captura-de-tela-2025-11-11-220440.png\" alt=\"Caio Santos\" width=\"598\" height=\"379\" srcset=\"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Captura-de-tela-2025-11-11-220440.png 598w, https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Captura-de-tela-2025-11-11-220440-300x190.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 598px) 100vw, 598px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-2218\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Leonardo Henrique do Carmo<\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cEu acho isso muito bom, mano. O funk t\u00e1 chegando nesse n\u00edvel, t\u00e1 chegando l\u00e1 fora. Quando eu imaginei que ia sair do Brasil, t\u00e1 ligado? Porque, se parar pra pensar, a primeira m\u00fasica que eu estourei foi em 2024. Ent\u00e3o, tem um ano e eu j\u00e1 fiz uma turn\u00ea, entendeu?\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O jovem de 24 anos mora em S\u00e3o Paulo, no Jardim Eliane, e come\u00e7ou a tocar aos 10 anos por influ\u00eancia do pai, que tamb\u00e9m trabalha como DJ. A faixa a qual ele se refere \u00e9 a \u201cCypher da Bolha\u201d, lan\u00e7ada em colabora\u00e7\u00e3o com th4ys, Yuri RediCopa, Bia Soull e Hidvn. Ela virou <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">trend<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> no TikTok no ano passado e, at\u00e9 o momento, acumula mais de 3,5 milh\u00f5es de reprodu\u00e7\u00f5es no Spotify.<\/span><\/p>\n<p><iframe title=\"Spotify Embed: CYPHER DA BOLHA\" style=\"border-radius: 12px\" width=\"100%\" height=\"152\" frameborder=\"0\" allowfullscreen allow=\"autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/open.spotify.com\/embed\/track\/34PG3lgs1DzruiNb3vRsWD?si=6e2b3996e5684371&#038;utm_source=oembed\"><\/iframe><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">J\u00e1 a turn\u00ea mencionada pelo artista aconteceu na Europa, mais especificamente em Londres, Paris e Mil\u00e3o. Ele diz que, no exterior, h\u00e1 uma grande abertura para o funk, principalmente se o som tiver uma pegada experimental. \u201cMano, l\u00e1 fora \u00e9 muito livre. Quanto mais estranho, melhor. As pessoas querem escutar o que \u00e9 mais absurdo, abstrato\u201d, revela.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Em breve, Caios Santos ir\u00e1 tocar novamente em Mil\u00e3o. Mas a experi\u00eancia, provavelmente, n\u00e3o ser\u00e1 a mesma. Quando questionado sobre como \u00e9 estar em cima dos palcos, o DJ afirmou que a sensa\u00e7\u00e3o sempre varia. A \u00fanica que o acompanha constantemente \u00e9 a desorienta\u00e7\u00e3o ao fim de cada set: \u201cEu n\u00e3o consigo lembrar o que eu fiz depois, \u00e9 como se eu tivesse em \u00f3rbita\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Na Fervo Fluxo, festa que o convidou para se apresentar em novembro, o artista pretende \u201cmostrar o que a gente gosta aqui e como vivemos atrav\u00e9s da m\u00fasica\u201d. \u201cQuero tocar o funk em todas as suas formas e vertentes poss\u00edveis\u201d, diz.\u00a0<\/span><\/p>\n<h2><b>Do brega funk \u00e0 bruxaria<\/b><\/h2>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O trabalho do DJ em mostrar a pluralidade do g\u00eanero n\u00e3o ser\u00e1 f\u00e1cil. Ao longo dos seus mais de 25 anos de exist\u00eancia, o funk brasileiro foi se espalhando pelo pa\u00eds e assimilando as caracter\u00edsticas das regi\u00f5es por onde passou.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">GG Albuquerque, que pesquisa culturas periferizadas e afrodiasp\u00f3ricas na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), afirma que o ponto de partida \u00e9 o som que surge no Rio de Janeiro, por volta dos anos 90. Segundo ele, um dos principais respons\u00e1veis por difundir o funk nessa \u00e9poca foi o DJ Marlboro, produtor do LP \u201cFunk Brasil\u201d.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cNos bailes, passaram a ser tocados n\u00e3o apenas os LPs importados dos Estados Unidos, mas tamb\u00e9m m\u00fasicas em portugu\u00eas cantadas e produzidas por MCs, DJs e produtores locais, que, aos poucos, foram lan\u00e7ando seus pr\u00f3prios \u00e1lbuns\u201d, diz o especialista em sua <\/span><a href=\"https:\/\/www.academia.edu\/43963063\/KondZilla_e_redes_de_m%C3%BAsica_pop_perif%C3%A9rica_est%C3%A9tica_mercado_e_sentidos_pol%C3%ADticos\"><span style=\"font-weight: 400;\">disserta\u00e7\u00e3o de mestrado<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ao longo dos anos, os artistas de S\u00e3o Paulo tamb\u00e9m ganharam destaque nacional. Mas, al\u00e9m do m\u00e9rito pr\u00f3prio, o que abriu espa\u00e7o para a cena paulista foi a \u201copress\u00e3o sistem\u00e1tica\u201d que o funk do Rio de Janeiro enfrentou.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Em seu trabalho, GG Albuquerque relembra que esse processo pol\u00edtico e jur\u00eddico de persegui\u00e7\u00e3o come\u00e7ou com uma Comiss\u00e3o de Inqu\u00e9rito Parlamentar criada pela Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro em 1999. A finalidade era &#8220;investigar os bailes funk com ind\u00edcios de viol\u00eancia, drogas e desvio de comportamento do p\u00fablico infanto-juvenil&#8221;.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Essa CPI resultou na cria\u00e7\u00e3o de uma lei que determinava a:<\/span><\/p>\n<ul>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><span style=\"font-weight: 400;\">Instala\u00e7\u00e3o obrigat\u00f3ria de detectores de metais nas portarias dos bailes;<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><span style=\"font-weight: 400;\">Presen\u00e7a de policiais militares durante todo o evento;<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><span style=\"font-weight: 400;\">Permiss\u00e3o escrita da pol\u00edcia para autoriza\u00e7\u00e3o da festa;<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><span style=\"font-weight: 400;\">Interdi\u00e7\u00e3o de locais onde se realizem &#8220;atos de viol\u00eancia incentivada, erotismo e pornografia;<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><span style=\"font-weight: 400;\">Proibi\u00e7\u00e3o da execu\u00e7\u00e3o de m\u00fasicas e procedimentos de apologia ao crime.<\/span><\/li>\n<\/ul>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Oito anos depois, essa legisla\u00e7\u00e3o deu lugar a uma ainda mais restritiva (mencionada no in\u00edcio desta reportagem). Mas em nenhum momento as interven\u00e7\u00f5es do Estado foram capazes de interromper por completo a ascens\u00e3o do funk, seja no RJ ou fora dele.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Desde o seu in\u00edcio, nos anos 90, o g\u00eanero s\u00f3 cresceu \u2014 tanto em popularidade quanto em diversidade.\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Nos bailes de S\u00e3o Paulo, por exemplo, temos tr\u00eas vertentes completamente diferentes tremendo nos pared\u00f5es: magr\u00e3o, ritmado e bruxaria.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Em Recife, um dos ritmos que n\u00e3o sai das paradas de sucesso \u00e9 o brega funk. O pesquisador pernambucano GG Albuquerque diz que \u201cele tem uma hist\u00f3ria muito pr\u00f3pria, com \u00eddolos e sons que v\u00e3o mudando ao longo de cada gera\u00e7\u00e3o\u201d.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">J\u00e1 no sul, o destaque \u00e9 o mega funk, que possui uma aproxima\u00e7\u00e3o com a <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">house music <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">e \u00e9 bastante popular em disputas de som automotivo.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">E o que est\u00e1 por vir nos pr\u00f3ximos anos? Apenas acompanhando para descobrir. Como afirma GG Albuquerque, \u201co funk tem uma intelig\u00eancia e imprevisibilidade que \u00e9 o que faz ele continuar existindo.\u201d<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Levantamento realizado pelo Spotify mostra que o funk \u00e9 o g\u00eanero musical brasileiro mais ouvido em outros paises; por aqui, parlamentares de direita amea\u00e7am restringi-lo nas periferias &#8211; por Leonardo Henrique do Carmo\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/?p=2206\"> <\/a>","protected":false},"author":138,"featured_media":2215,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[688],"tags":[195,700,324,332],"class_list":["post-2206","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-babel-2025-ed-novembro","tag-cultura","tag-entretenimento","tag-musica","tag-som"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v19.10 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>Enquanto sofre persegui\u00e7\u00f5es no Brasil, funk ganha cada vez mais destaque no exterior - Revista Babel<\/title>\n<meta name=\"description\" content=\"Levantamento realizado pelo Spotify mostra que o funk \u00e9 o g\u00eanero musical brasileiro mais ouvido em outros paises; 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