{"id":2139,"date":"2025-11-11T21:11:24","date_gmt":"2025-11-12T00:11:24","guid":{"rendered":"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/?p=2139"},"modified":"2025-11-26T20:02:42","modified_gmt":"2025-11-26T23:02:42","slug":"adolescentes-trans-nao-sao-interrogacoes-sao-os-pontos-de-exclamacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/?p=2139","title":{"rendered":"Adolescentes trans n\u00e3o s\u00e3o interroga\u00e7\u00f5es, s\u00e3o os pontos de exclama\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-size: 10pt;\">(Imagem: Montagem por Cec\u00edlia O. Freitas)<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><i><span style=\"font-weight: 400;\">Considerados como \u2018incapazes de escolher\u2019, jovens transg\u00eaneres s\u00e3o a linha de frente da causa trans, com direitos cerceados \u2013 na maioria das vezes, por adultos.\u00a0<\/span><\/i><\/p>\n<p><b>Por <\/b>Cora Andrade<\/p>\n<p>Vers\u00e3o em \u00e1udio:<\/p>\n<p><iframe title=\"Spotify Embed: Audiodescri\u00e7\u00e3o - Adolescentes trans n\u00e3o s\u00e3o interroga\u00e7\u00f5es, s\u00e3o os pontos de exclama\u00e7\u00e3o\" style=\"border-radius: 12px\" width=\"100%\" height=\"152\" frameborder=\"0\" allowfullscreen allow=\"autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/open.spotify.com\/embed\/episode\/2IwWEWcHPkb4VfczbvFjOg?si=a9d4a36e09014bd6&#038;utm_source=oembed\"><\/iframe><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">N\u00e3o h\u00e1 velas indicando a comemora\u00e7\u00e3o, acesas, em cima de um bolo de chocolate, competindo espa\u00e7o com glac\u00ea e cerejas. O que se tem \u00e9 o escuro, duas pessoas, um aniversariante que completa onze anos, uma m\u00e3e e uma confiss\u00e3o. De fato, n\u00e3o \u00e9 o que se espera de uma celebra\u00e7\u00e3o de 11 voltas ao redor do sol. Na verdade, n\u00e3o \u00e9 o que <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">voc\u00ea <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">espera. Alguns demoram 11, 22, 33 anos a mais, para ter a mesma coragem de Leon. N\u00e3o foi um anivers\u00e1rio comum, ao contr\u00e1rio, foi um novo nascimento acontecendo.<\/span><\/p>\n<p><figure id=\"attachment_2143\" aria-describedby=\"caption-attachment-2143\" style=\"width: 576px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-large wp-image-2143\" src=\"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/IMG_8287-576x768.jpg\" alt=\"\" width=\"576\" height=\"768\" srcset=\"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/IMG_8287-576x768.jpg 576w, https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/IMG_8287-225x300.jpg 225w, https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/IMG_8287-768x1024.jpg 768w, https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/IMG_8287-1152x1536.jpg 1152w, https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/IMG_8287-1536x2048.jpg 1536w, https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/IMG_8287-scaled.jpg 1920w\" sizes=\"auto, (max-width: 576px) 100vw, 576px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-2143\" class=\"wp-caption-text\">Se acende a vela da d\u00favida. Ser\u00e1 que ela pode ser apagada? Quem a mant\u00e9m acesa? [foto: Cora Andrade]<\/figcaption><\/figure><span style=\"font-weight: 400;\">Leon diz \u00e0 m\u00e3e que precisa lhe contar uma coisa. Ele \u00e9 o Leon. Leon passar\u00e1 a nomear os novos \u2013 e a partir dali, os antigos tamb\u00e9m \u2013 cap\u00edtulos de sua vida. O passado n\u00e3o vai embora, n\u00e3o houve a perda de algo. Se ganhou um novo significado, que agora apresenta pap\u00e9is limpos e de outras cores, que esperam Leon, sua m\u00e3e, seu irm\u00e3o e o livro de sua vida \u2013 uma boa rela\u00e7\u00e3o com sua paix\u00e3o pela literatura.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Aos onze anos, para grande parte da sociedade, \u00e9 quase imposs\u00edvel ter certeza de algo sobre a vida. Mas, \u00e9 importante n\u00e3o nos enganarmos. Ao mesmo tempo, se espera dos jovens proveito dessa idade para que possam experimentar. \u00c9 a fase para isso. Por\u00e9m, quando falamos de g\u00eanero e adolescentes e suas experimenta\u00e7\u00f5es, o discurso muda bastante.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Leia com ironia: \u00e9 preocupante o contato desses jovens com os bloqueadores de puberdade, como demonstrou o Conselho Federal de Medicina (CFM) ao <\/span><a href=\"https:\/\/jornal.usp.br\/ciencias\/nova-resolucao-do-cfm-ameaca-saude-e-direitos-da-populacao-trans-alertam-especialistas\/\"><span style=\"font-weight: 400;\">proibir a utiliza\u00e7\u00e3o<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\"> desses medicamentos em menores de 18 anos, nesse ano de 2025. S\u00e3o adultos fazendo resolu\u00e7\u00f5es sobre jovens, seus corpos e suas vontades, quando tudo que a juventude trans deseja \u00e9 existir, sem medo. E, claro, com sa\u00fade \u2013 e \u00e9 por isso que, quando se opta por esses bloqueadores, um acompanhamento m\u00e9dico \u00e9 necess\u00e1rio. Vale frisar: quando se opta. A transi\u00e7\u00e3o de g\u00eanero n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 sobre rem\u00e9dios, cirurgias e mudan\u00e7as corporais. Isso \u00e9 o que as pessoas cis esperam.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">As fontes adolescentes aqui entrevistadas estavam com suas m\u00e3es, encontradas atrav\u00e9s do grupo <\/span><a href=\"https:\/\/minhacriancatrans.org\/\"><span style=\"font-weight: 400;\">Minha Crian\u00e7a Trans<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, ONG que trata exclusivamente da quest\u00e3o da inf\u00e2ncia e adolesc\u00eancia trans. Quando conversei com as m\u00e3es, todas essas preocupa\u00e7\u00f5es que as pessoas dizem ter sobre jovens trans, tornaram-se min\u00fasculas. No fim das contas, n\u00e3o s\u00e3o muito diferentes das dores de cabe\u00e7a que os respons\u00e1veis de jovens cis sentem, em rela\u00e7\u00e3o aos seus filhos. Como diz Lana, psic\u00f3loga e m\u00e3e do Levi, de 10 anos, \u201colha, t\u00eam quest\u00f5es. Na maior parte do tempo, eu estou muito mais preocupada com a nota de matem\u00e1tica dele\u201d. Precisamos entender que se preocupar de verdade com a adolesc\u00eancia trans \u00e9 providenciar perspectiva de futuro, e presente, que n\u00e3o os limite as suas identifica\u00e7\u00f5es de g\u00eanero, e as dificuldades que as marcam. E, para quando formos olhar para os obst\u00e1culos, vamos focar nos desafios gerados pelos verdadeiros vil\u00f5es da adolesc\u00eancia trans: os adultos e a transfobia.<\/span><\/p>\n<h2><b>super-jovens<\/b><\/h2>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">N\u00e3o queremos trazer um tom triste para a reportagem, mas, no decorrer da apura\u00e7\u00e3o, algumas l\u00e1grimas foram dif\u00edceis de serem contidas. A for\u00e7a desses jovens move montanhas e, inevitavelmente, o choro para fora dos olhos. \u201cM\u00e3e, n\u00e3o existe nenhuma outra crian\u00e7a igual a mim?\u201d. Essa foi uma das perguntas que o pequeno\/grande Levi fez \u00e0 Lana, ao entender-se como um menino trans, com 10 anos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00c9 solit\u00e1ria a trajet\u00f3ria desses jovens. Eles est\u00e3o abrindo caminho com as suas pr\u00f3prias m\u00e3os, que ainda nem terminaram de crescer. Com unhas compridas, ro\u00eddas, pintadas, ou n\u00e3o, eles deixam suas marcas nas escolas, aulas de ingl\u00eas, no futebol, em suas casas.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Leon \u2013 que j\u00e1 viveu mais um anivers\u00e1rio com sua identidade mais aut\u00eantica \u2013 com seus doze anos, \u00e9 a primeira crian\u00e7a\/pr\u00e9-adolescente trans de sua escola. Sua m\u00e3e, a Joyce, conta que isso soa um pouco assustador e que muitos embates tiveram que ser travados para que seu filho tivesse seus direitos respeitados. \u201cEu sou muito feliz por proporcionar um lar seguro, um lar acolhedor, onde ele pode ser ele, onde ele pode se expressar do jeito que ele quer\u201d, comenta.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O orgulho que as m\u00e3es com quem conversei t\u00eam de seus filhos \u00e9 percept\u00edvel pelo carinho como falam deles. Na grande maioria, os jovens trans tendem a ser excelentes alunos e a darem m\u00ednimo trabalho. N\u00e3o podemos dizer que isso \u00e9 100% inerente a eles, mas sim que poucas op\u00e7\u00f5es sobram para que consigam menos \u2018r\u00f3tulos\u2019 em suas vidas. Levi, 10. Leon, 12. Rafa, 16.\u00a0 Erica, 17. Todos excelentes alunos, n\u00e3o h\u00e1 do que reclamar. Problemas na escola? Ainda assim, podemos ter. Quando estamos falando de juventude trans, como bem colocado por Joyce, a sociedade nunca est\u00e1 satisfeita.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Vin\u00edcius Mota, psic\u00f3logo e autor do livro <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Adolesc\u00eancias Trans: Narrativas de Diversidade, Acolhimento e Inclus\u00e3o<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, partilhou um pouco sobre as press\u00f5es que os jovens trans, que foram o escopo do seu estudo, lhe traziam nos encontros: \u201c<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">no grupo era un\u00e2nime, todos eles terem bom aproveitamento escolar\u201d. Uma das falas que o autor lembra com clareza \u00e9: &#8220;Vin\u00edcius, a gente tem que ser muito bom. Porque qualquer vacilo que a gente cometer, o dedo vai vir para a gente muito mais pesado. A m\u00e3o pesa muito mais porque: \u2018olha a\u00ed, \u00f3, t\u00e1 vendo?\u2019 \u00c9 porque ele \u00e9 trans\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cAs pessoas resumem uma mulher trans a ser uma mulher trans\u201d, diz Erica, de 17 anos, que parou de estudar pela transfobia. A adolescente \u00e9 definida pela m\u00e3e leoa, Helenilda, como uma \u201cmulher admir\u00e1vel\u201d e que sempre gostou de estudar, mas n\u00e3o tinha condi\u00e7\u00e3o psicol\u00f3gica de manter-se na escola com as tempestades transf\u00f3bicas geradas pelos detentores de maturidade: os adultos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">N\u00e3o respeitavam seu nome, retificado nas listas de chamada. N\u00e3o aceitavam\u00a0 entregar a ela um lanche na cantina, respeitando seu g\u00eanero. Banheiro? Somente o de uso comum dos funcion\u00e1rios. \u201cAs outras meninas n\u00e3o se importam que eu usasse o mesmo banheiro que elas, mas eles n\u00e3o deixavam\u201d, partilhou Erica. Bom, o resultado disso tudo: uma forte infec\u00e7\u00e3o urin\u00e1ria, adoecimento psicol\u00f3gico e uma pausa nos estudos. Mas, espera, \u00e9 a transi\u00e7\u00e3o de g\u00eanero que impede os jovens de se desenvolverem, correto?<\/span><\/p>\n<p><figure id=\"attachment_2144\" aria-describedby=\"caption-attachment-2144\" style=\"width: 576px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-large wp-image-2144\" src=\"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/protectthedoll-576x768.jpg\" alt=\"\" width=\"576\" height=\"768\" srcset=\"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/protectthedoll-576x768.jpg 576w, https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/protectthedoll-225x300.jpg 225w, https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/protectthedoll-768x1024.jpg 768w, https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/protectthedoll-1152x1536.jpg 1152w, https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/protectthedoll.jpg 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 576px) 100vw, 576px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-2144\" class=\"wp-caption-text\">A frase \u2018protect the dolls\u2019 se originou da cultura ballroom nos EUA. O slogan ficou marcado como um grito de guerra para a prote\u00e7\u00e3o de meninas trans, jovens, adultas ou idosas. O recado da foto est\u00e1 marcado na lousa da viv\u00eancia da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da USP. [Foto: Cora Andrade]<\/figcaption><\/figure><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cQuando a crian\u00e7a vem, \u00e9 o que ela \u00e9\u201d, proclama com orgulho a m\u00e3e Helenilda. Sua grande virada de chave sobre a identidade de g\u00eanero da filha foi vesti-la com suas roupas, para o carnaval, e reconhecer a bravura e a beleza da t\u00e3o nova Erica. As duas se parecem muito, com os cabelos cacheados brilhando atrav\u00e9s da minha tela. Elas me contam que foi a transi\u00e7\u00e3o de g\u00eanero de Erica que as tornou melhores amigas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Hoje, a crian\u00e7a de 8 anos que disse \u00e0 m\u00e3e que achava que sua vida seria mais f\u00e1cil se fosse menina, com seus <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">sweet seventeen <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">vive seu conto de fadas com o seu amor, Pedro, que mora junto com ela e sua fam\u00edlia. Erica agora, ao inv\u00e9s de estar no caos da tempestade, pode dan\u00e7ar na chuva, com uma paix\u00e3o que a ama inteiramente, independentemente de sua identidade de g\u00eanero.<\/span><\/p>\n<h2><b>d\u00favida? de quem?<\/b><\/h2>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Marcelle B\u00e9nac, mestre em neuroci\u00eancias e professora, sentiu os primeiros est\u00e1gios de sua transi\u00e7\u00e3o de g\u00eanero na adolesc\u00eancia, ainda no ensino m\u00e9dio. Hoje, com toda sua bagagem existencial, ela estuda e afirma o fato de a biologia nunca ter negado os corpos trans. Biologia, ci\u00eancia, cromossomos. N\u00e3o \u00e9 uma aula de ci\u00eancias na escola, s\u00e3o os termos que usam para invalidar as exist\u00eancias de g\u00eaneros dissidentes.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ela \u00e9 de 1998, cresceu e passou por sua transi\u00e7\u00e3o no final de seu ensino m\u00e9dio, no Sergipe, sem muitas refer\u00eancias. Joyce e Lana comentam sobre uma curadoria que t\u00eam feito para que seus filhos, ainda sem o uso de uma rede social pr\u00f3pria, possam ver v\u00eddeos onde encontrem os membros de sua comunidade contando um pouco de suas experi\u00eancias.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Se espera que a adolesc\u00eancia seja a forma\u00e7\u00e3o da sinopse que ajudar\u00e1 na forma\u00e7\u00e3o do t\u00edtulo do livro da vida adulta. Por\u00e9m, muitas pessoas, como os jovens trans, n\u00e3o possuem caneta, computador, ou qualquer aux\u00edlio para escreverem o que vir\u00e3o a ser. \u201cEu sempre escutava esses coment\u00e1rios, vindo do meu pai, aquele homem do interior do nordeste, que \u2018daqui para os quinze anos daria para ver o que voc\u00ea vai virar\u2019\u201d, diz Marcelle. Foi um momento de confus\u00e3o que, com um apoio e uma rede, poderia ter muitas quest\u00f5es evitadas.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A confus\u00e3o sobre a exist\u00eancia \u00e9 universal. N\u00e3o \u00e9 algo restrito a jovens trans. \u00c9 comum lermos: \u201ccomo podemos deixar com que jovens escolham seus g\u00eaneros? Neles, n\u00e3o h\u00e1 maturidade para isso\u201d. \u00c9 claro que a ideia de \u201cescolha\u201d j\u00e1 caiu em desuso e, dever\u00edamos saber que g\u00eanero \u00e9 um construto social e sua performance n\u00e3o pode ser atribu\u00edda \u00e0 escolha, mas sim \u00e0 identifica\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Rafa, de 16 anos, comentou que, antes de se identificar como um homem trans, passou por um processo comum: o de entender a dissid\u00eancia ainda restrita \u00e0 sexualidade. Sentia atra\u00e7\u00e3o por meninas e, por certo momento, aquilo foi o primeiro passo para futuras mudan\u00e7as. Leon, passou por momentos semelhantes, entendendo-se como uma pessoa bissexual inicialmente. Quantas coisas: atra\u00e7\u00e3o f\u00edsica, apaixonar-se, desejar. Tudo isso se sente no corpo, e entender seu pr\u00f3prio corpo no meio desse processo \u00e9 um desafio.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Quando vamos para o \u00e2mbito da neuroci\u00eancia, atrav\u00e9s de Marcelle, entende-se que os jovens t\u00eam poder de escolha, mesmo esse poder ainda estando em estado de forma\u00e7\u00e3o. \u201cEstamos tendo um amadurecimento das estruturas que est\u00e3o relacionadas \u00e0 tomada de decis\u00e3o no nosso c\u00f3rtex pr\u00e9-frontal. Eles podem escolher, mas esse processo est\u00e1 em constru\u00e7\u00e3o, de acordo com a matura\u00e7\u00e3o do c\u00e9rebro\u201d, soma ela.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Joyce, sentada ao lado de Leon, os dois de cabelos curtos e camisetas pretas, comentou que a ideia de confus\u00e3o e arrependimento n\u00e3o deve ser o foco das pessoas no que tange aos adolescentes trans. \u201cMuitas pessoas ficam falando \u2018mas, ah, e se amanh\u00e3 ele mudar de ideia, ele desistir, ele achar que n\u00e3o \u00e9 mais isso e querer voltar?\u2019. O que mais fica para mim \u00e9 que se eu n\u00e3o tivesse respeitado ele hoje, n\u00e3o ia ter o amanh\u00e3 e depois. Meu filho estava indo embora. N\u00e3o ia ter futuro. N\u00e3o precisava nem ter chegado nesse estado se n\u00e3o fosse a transfobia que ele sofreu l\u00e1 fora\u201d, comentou.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Leon somou \u00e0 m\u00e3e, em suas palavras: \u201cse a gente n\u00e3o tentar, n\u00e3o experimentar, como a gente vai saber se \u00e9 isso que a gente quer ou n\u00e3o? Precisamos experimentar. Se n\u00e3o der certo, n\u00e3o deu. A gente tenta de novo\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A transi\u00e7\u00e3o de g\u00eanero pode ser a salva\u00e7\u00e3o e a for\u00e7a de que esses jovens precisam para um futuro \u00e0 vista. \u201cHoje, eu posso dizer com toda certeza como m\u00e3e, reconhecendo meu filho, que ele \u00e9 muito mais feliz do que h\u00e1 quinze anos atr\u00e1s\u201d, diz Fran, m\u00e3e do Rafa de 16 anos. A alegria no seu sorriso transcende, a sua paz interior se reflete e ele est\u00e1 mais livre.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Rafa teve ajuda de um amigo da escola para escolher o seu nome atual. O processo de escolha de nome \u00e9 muito significativo na vida de qualquer pessoa trans. O simbolismo do ambiente escolar ter sido tamb\u00e9m o espa\u00e7o onde outro adolescente o ajudou em um peda\u00e7o da transi\u00e7\u00e3o, \u00e9 como um afago nas diversas quest\u00f5es que surgem no in\u00edcio da vida trans.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Com os relatos dos adolescentes, pude perceber que os jovens lidam de uma maneira mais natural com identidades de g\u00eanero dissidentes do que os adultos. \u00c9 claro que n\u00e3o podemos generalizar, mas os convites de anivers\u00e1rio que n\u00e3o chegavam, os coment\u00e1rios transf\u00f3bicos em supermercados, a proibi\u00e7\u00e3o de se usar um banheiro espec\u00edfico, tudo isso veio de adultos. A reflex\u00e3o que provoco \u00e9 invertemos a l\u00f3gica enraizada e pensarmos: s\u00e3o realmente os adolescentes trans que atrapalham seu pr\u00f3prio desenvolvimento?<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">As m\u00e3es com quem conversei relatam toda a pot\u00eancia de seus filhos. Elas sabem que o futuro reserva coisas brilhantes para eles. A m\u00e3e de Rafa demonstrou ansiedade em rela\u00e7\u00e3o ao futuro, entendendo que existe, de fato, falta de oportunidades e estigmas vividos por pessoas trans quando adultos, o que \u00e9 uma preocupa\u00e7\u00e3o comum. Perguntei se Rafa partilhava do mesmo sentimento. \u201cN\u00e3o d\u00e1 para evitar n\u00e3o pensar nisso. Eu sei que as oportunidades s\u00e3o muito menores. Mas eu tento n\u00e3o pensar nisso e continuar estudando\u201d, ele conclui.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A m\u00e3e da Erica, Helenilda, tamb\u00e9m olha com carinho para o futuro da filha e deseja que ela seja uma mulher independente. Para incentivar a filha a terminar o ensino m\u00e9dio e se preparar para o ENEM, Helenilda vai voltar a estudar tamb\u00e9m. \u201cO futuro dela \u00e9 o meu tamb\u00e9m!\u201d ela vibra. Erica quer fazer faculdade, quer casar, quer comprar uma casa, quer adotar um filho. Erica quer viver.<\/span><\/p>\n<p><figure id=\"attachment_2142\" aria-describedby=\"caption-attachment-2142\" style=\"width: 576px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-large wp-image-2142\" src=\"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/bolocomasvelas-576x768.png\" alt=\"\" width=\"576\" height=\"768\" srcset=\"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/bolocomasvelas-576x768.png 576w, https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/bolocomasvelas-225x300.png 225w, https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/bolocomasvelas-768x1024.png 768w, https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/bolocomasvelas-1152x1536.png 1152w, https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/bolocomasvelas.png 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 576px) 100vw, 576px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-2142\" class=\"wp-caption-text\">N\u00e3o s\u00e3o diferentes as ambi\u00e7\u00f5es de adolescentes trans se comparados com jovens cis. Eles almejam uma vida \u2018normal\u2019, com celebra\u00e7\u00f5es comuns vivendo suas identidades verdadeiramente e sem impedimentos. [Foto: Cora Andrade]<\/figcaption><\/figure><span style=\"font-weight: 400;\">N\u00e3o sei o que Leon teria desejado se tivesse realmente assoprado as velas do seu anivers\u00e1rio de 11 anos. O que sei, e sua m\u00e3e me contou, \u00e9 que no anivers\u00e1rio seguinte ele realizou o sonho de ter mais roupas pretas e masculinas no seu guarda-roupa. Foi um pequeno come\u00e7o, para um longo caminho que ainda percorrer\u00e1, e onde se perder\u00e1 e se encontrar\u00e1 de novo. \u00c9 s\u00f3 seguir o conselho de Helenilda: \u201cbota na sua cabe\u00e7a que voc\u00ea vai conseguir\u201d e assoprar as velas do outro anivers\u00e1rio com um pedido no cora\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Considerados como \u2018incapazes de escolher\u2019, jovens transg\u00eaneres s\u00e3o a linha de frente da causa trans, com direitos cerceados \u2013 na maioria das vezes, por adultos &#8211; por Cora Andrade \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/?p=2139\"> <\/a>","protected":false},"author":138,"featured_media":2148,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[688,283],"tags":[717,716,714,718,543,715,331,713],"class_list":["post-2139","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-babel-2025-ed-novembro","category-subcapa","tag-adolescentes-trans","tag-crescimento","tag-criancas-trans","tag-dissidencia-de-genero","tag-genero","tag-identidade-de-genero","tag-juventude","tag-sociedade-e-comportamento"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v19.10 - 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