{"id":2130,"date":"2025-11-11T22:10:10","date_gmt":"2025-11-12T01:10:10","guid":{"rendered":"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/?p=2130"},"modified":"2025-11-11T22:14:03","modified_gmt":"2025-11-12T01:14:03","slug":"qual-que-e-o-teu-corre","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/?p=2130","title":{"rendered":"\u2018Qual que \u00e9 o teu corre?&#8217;"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-size: 10pt;\">(Imagem: Montagem por Cec\u00edlia O. Freitas)<\/span><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400;\">Empreender \u00e9 cada vez mais comum entre adolescentes; mesmo sem amparo da lei, eles preferem a informalidade ao CLT e pagam para ver se empreender vale mesmo a pena<\/span><\/i><\/p>\n<p><b>Por <\/b>Tha\u00eds Moraes<\/p>\n<p>Vers\u00e3o em \u00e1udio:<\/p>\n<p><iframe title=\"Spotify Embed: Audiodescri\u00e7\u00e3o - \u2018Qual que \u00e9 o teu corre?\u2019\" style=\"border-radius: 12px\" width=\"100%\" height=\"152\" frameborder=\"0\" allowfullscreen allow=\"autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/open.spotify.com\/embed\/episode\/2fIKjyIC6jif1vERtOcmgT?si=cf49d8a6f55c4c70&#038;utm_source=oembed\"><\/iframe><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00c0 espera da irm\u00e3 voltar da faculdade, Ana J\u00falia de Ara\u00fajo, 17 anos, observa a rua onde mora em Cidade Tiradentes, Zona Leste de S\u00e3o Paulo. A rua tem uma fileira de casinhas simples, nem todas terminadas; algumas est\u00e3o assim h\u00e1 anos. L\u00e1 fora, as crian\u00e7as andam de bicicleta em c\u00edrculos, perseguindo umas \u00e0s outras aos risos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">J\u00e1 fazia algum tempo que a irm\u00e3, Tha\u00eds Inara de Ara\u00fajo, 25, voltava sempre de cara amarrada, porque o trampo na farm\u00e1cia ia bem mal. Todo dia a Tha\u00eds contava um absurdo diferente \u2013 um colega que foi humilhado pelo gerente, um coment\u00e1rio racista, uma situa\u00e7\u00e3o injusta que ferrou pro lado dela. At\u00e9 que, um dia dessa mesma semana, ela chegou em casa mais chateada do que o normal. Foi demitida.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Nos dias depois disso, uma pergunta pairou entre as duas: \u201cO que a gente faz agora?\u201d. Al\u00e9m de dar uma for\u00e7a nas contas da fam\u00edlia, era com o sal\u00e1rio da Tha\u00eds que elas sa\u00edam para se divertir um pouco, encontrar amigos, comprar um livro ou dois. Perder isso significava um longo per\u00edodo de contar moedinhas \u2013 e entregar curr\u00edculos em mais lugares do que \u00e9 poss\u00edvel contar.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Quando Tha\u00eds finalmente chega em casa, cumprimenta os pais desanimada e puxa uma cadeira para sentar-se perto de Ana, que lhe oferece um cigarro. As duas conversam brevemente sobre o dia, mas n\u00e3o demora muito para que a conversa volte ao mesmo lugar. Enquanto um outro emprego n\u00e3o chega\u2026 <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">o que a gente faz agora?<\/span><\/i><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Com o cigarro passando de uma para outra, as ideias v\u00e3o surgindo. Primeiro algumas ruins, outras meio complicadas, mas poss\u00edveis, at\u00e9 que Ana sugere a cozinha. A Tha\u00eds cozinha muito bem; \u00e9 um h\u00e1bito que vem de crian\u00e7a, j\u00e1 que a fam\u00edlia do pai tem um restaurante de comida brasileira (feijoada, virado \u00e0 paulista, cuscuz e muita pimenta). Na fam\u00edlia da m\u00e3e, tamb\u00e9m tem mais de uma boleira de m\u00e3o cheia. N\u00e3o \u00e9 algo que a Tha\u00eds ame fazer no tempo livre, mas n\u00e3o d\u00e1 para negar que ela manda muito bem \u2013 principalmente na torta salgada.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A irm\u00e3 mais velha parece gostar da ideia. Torta salgada \u00e9 algo pr\u00e1tico, todo mundo gosta. N\u00e3o \u00e9 uma receita dif\u00edcil, nem leva muitos ingredientes. Elas podem come\u00e7ar com um recheio s\u00f3 e depois ir aumentando o card\u00e1pio. A Ana pode come\u00e7ar vendendo na Etec onde estuda; assim que a Tha\u00eds arranjar outro trampo, pode vender por l\u00e1 tamb\u00e9m. As ideias chegam e se sobrep\u00f5em numa velocidade dif\u00edcil de acompanhar. Ana Julia liga o gravador do celular para n\u00e3o perder nenhum detalhe, e a conversa segue at\u00e9 bem depois das crian\u00e7as da rua irem dormir.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Na mesma semana, a <\/span><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/thatorta\/\"><span style=\"font-weight: 400;\">Tha, torta<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\"> j\u00e1 tinha nome, identidade visual e uma lista de ingredientes para come\u00e7ar. \u201cA gente pegou R$ 200 e comprou o nosso primeiro estoque,\u201d conta Ana Julia, &#8220;mas fizemos tudo errado.\u201d Compraram uma por\u00e7\u00e3o de ingredientes desnecess\u00e1rios, e o que precisavam mesmo ficou faltando; l\u00e1 foi Ana Julia correndo para a vendinha do bairro, pagar o dobro em uma caixa de leite ou um litro de \u00f3leo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Com as tortas prontas, o pr\u00f3ximo desafio foi apresentar o produto para a Etec. No come\u00e7o, Ana sentia vergonha de falar com quem n\u00e3o conhecia, principalmente porque as pessoas a procuravam querendo comprar bolos no pote, o que afundava as irm\u00e3s em frustra\u00e7\u00e3o. As primeiras vendas foram modestas. <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Com um pouco de esfor\u00e7o, os pedidos foram aumentando<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"> \u2013 e isso logo se tornou um problema.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cEu acho que [a gest\u00e3o de tempo] foi um dos nossos maiores desafios. Teve um dia que a gente precisava entregar uma encomenda \u00e0s 17h30, j\u00e1 era 16h e ainda tava no meio da produ\u00e7\u00e3o. Foi loucura, desespero, sensa\u00e7\u00f5es que eu nunca senti na vida. At\u00e9 porque a gente n\u00e3o faz s\u00f3 isso da vida, n\u00e9?\u201d<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Com um pedido atr\u00e1s do outro, era dif\u00edcil at\u00e9 arranjar lugar na geladeira da fam\u00edlia para tantos produtos. A solu\u00e7\u00e3o desse problema, em geral, \u00e9 preparar as tortas no mesmo dia da entrega. Na rotina da Tha\u00eds, isso significa ir ao mercado com a mesma frequ\u00eancia em que o dinheiro pinga na conta. &#8220;Muitas vezes n\u00e3o d\u00e1 tempo de reinvestir em outras coisas que a gente precisa pro neg\u00f3cio. \u00c9 uma quebra de padr\u00e3o de empreendedorismo de quem tem R$ 5 mil pra investir.\u201d<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Cinco anos depois, relembrando o dia em que a ideia surgiu, Tha\u00eds comenta: \u201cEu achava que eu ia chegar no primeiro dia de venda e todo mundo ia querer torta por obra do destino&#8221;, e elas riem juntas.<\/span><\/p>\n<h1><b>Corre nosso de cada dia<\/b><\/h1>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Alexandre Ribeiro sai de casa com frequ\u00eancia para uma volta de bike pela cidade. Os hor\u00e1rios variam bastante, mas ele sempre passa por uma por\u00e7\u00e3o de placas com palavras mais longas do que o normal. Nessa \u00e9poca do ano, o clima fica mais nublado e chuvoso, ent\u00e3o ele precisa de um casaco refor\u00e7ado. Quando vira a esquina perto demais de um pedestre, grita \u201c<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Achtung!<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">\u201d \u2013 e isso j\u00e1 virou rotina. Faz 7 anos que Alexandre vive na Alemanha, quando se mudou para fazer faculdade no Bard College Berlin com uma bolsa de estudos.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Uma oportunidade imperd\u00edvel \u2013 at\u00e9 a p\u00e1gina dois. Em 2019, Alexandre ainda era o \u201cAlezinho\u201d que morava com a m\u00e3e na Favela da Torre, em Diadema, onde estudava e fazia uns corres. Com 13, ele revendia bon\u00e9s da China para os amigos da escola (\u201cHoje isso chama dropshipping&#8221;), e com 15 j\u00e1 fazia bicos perto de casa. Uns anos depois, ele trabalhou como produtor na Laborat\u00f3rio Fantasma, a firma do Emicida \u2013 por l\u00e1, seu apelido era <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Alezinho Correria<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">. Muitas experi\u00eancias iradas, mas ainda nada que pagasse alugu\u00e9is em Berlim.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Al\u00e9m de uma vaquinha incentivada pelos amigos, a sa\u00edda para complementar a grana foi oferecer aulas de ingl\u00eas para os jovens da quebrada. Surgiram tantos alunos que foi preciso abrir um MEI; assim nasceu a <\/span><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/daquebradapromundo\/\"><span style=\"font-weight: 400;\">Da Quebrada pro Mundo<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Quem observa sua vida de fora percebe que Alexandre \u00e9 um empreendedor nato: o mesmo moleque que j\u00e1 vendeu CD e bon\u00e9 \u00e9 quem lidera uma startup grande, com funcion\u00e1rios e contas (gordas) a pagar. Na vis\u00e3o dele, <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">existe mais de um tipo de empreendedorismo, e o Brasil \u00e9 marcado por dois.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0\u201cO primeiro \u00e9 o mais cl\u00e1ssico, e infelizmente \u00e9 o que mais faz sucesso na internet. \u00c9 o empreendedorismo de um herdeiro que est\u00e1 fingindo ser uma pessoa trabalhadora. Do outro lado da moeda, tem umas pessoas empreendedoras que <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">nem pensam <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">nessa palavra. Na verdade, a palavra que \u00e9 falada na sala de aula \u00e9 o<\/span> <span style=\"font-weight: 400;\">corre. \u2018<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Qual que \u00e9 o teu corre?<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">\u2019&#8221;.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O corre \u00e9 t\u00e3o importante que j\u00e1 virou objeto de estudo. <\/span><a href=\"https:\/\/publications.iadb.org\/en\/youth-entrepreneurship-necessity-or-opportunity-first-exploration-household-and-new-enterprise\"><span style=\"font-weight: 400;\">Um mapeamento de 2006<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\"> para o Banco Interamericano de Desenvolvimento, conduzido por Juan Jos\u00e9 Llisterri, investigou o perfil dos jovens latinos que empreendem e identificou dois perfis mais frequentes. Tem quem empreenda depois de encontrar uma brecha de mercado, uma <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">oportunidade<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> \u2013 e tem aqueles que criam seu pr\u00f3prio nicho por <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">necessidade<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> de fazer grana, ou seja, quem faz seus corres.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O segundo \u00e9 sem d\u00favidas o mais comum. Quando empreende por necessidade, o jovem busca solu\u00e7\u00f5es criativas para levantar uma grana que ajuda em casa, traz lazer e integra\u00e7\u00e3o social \u2013 justamente numa fase em que pertencer \u00e9 t\u00e3o importante. Mesmo com bastante conhecimento na bagagem, Alexandre ainda se identifica com este segundo perfil por uma quest\u00e3o de princ\u00edpio. \u201cO meu empreendedorismo n\u00e3o vem numa planilha, num <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">business plan<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, aquelas coisas que voc\u00ea aprende quando vai fazer MBA. Ele vem como um primeiro espa\u00e7o de sobreviv\u00eancia.\u201d<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">De 2006 para c\u00e1, a Am\u00e9rica Latina de Llisterri mudou bastante. No Brasil, pelo menos duas crises econ\u00f4micas \u2013 uma em 2008 e outra em 2020, com a pandemia \u2013 contribu\u00edram para colocar empregos em xeque. Al\u00e9m disso, a pr\u00f3pria lei faz com que as empresas pensem duas vezes antes de contratarem empregados CLT, explica o pesquisador e ex-professor da FGV Sergio Bulgacov. \u201cVoc\u00ea tem um funcion\u00e1rio que ganha sal\u00e1rio m\u00ednimo, e os impostos s\u00e3o iguais ou at\u00e9 um pouco maiores do que o pr\u00f3prio sal\u00e1rio do trabalhador\u201d, afirma. \u201cO que as empresas est\u00e3o fazendo \u00e9 reduzir os sal\u00e1rios. Hoje voc\u00ea v\u00ea jovens muito competentes, muito inteligentes, brilhantes at\u00e9, ganhando s\u00f3 um sal\u00e1rio m\u00ednimo.\u201d<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cEu acho que o jovem est\u00e1 certo em procurar esse mundo [do empreendedorismo] para poder se aventurar profissionalmente, para atingir seu espa\u00e7o de trabalho. Eu acho que faz muito bem. Agora, por outro lado\u2026 para a economia, isso \u00e9 um desastre&#8221;. Sergio reserva um sorriso ir\u00f4nico no rosto, saboreando a ironia. \u201cOs adultos e idosos dependem da Previd\u00eancia Social, tanto por quest\u00f5es de sa\u00fade quanto para receber a aposentadoria. Se n\u00e3o tiver jovens suficientes [contribuindo], eu diria que quatro ou cinco jovens para cada aposentado\u2026 essa estrutura social n\u00e3o vai se manter.\u201d<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Nesse meio tempo, a internet tamb\u00e9m entrou na equa\u00e7\u00e3o. Com ela, criar um neg\u00f3cio digital ficou mais atrativo do que nunca \u2013 ao mesmo tempo em que a concorr\u00eancia cresce sem freios. A partir de 2015, plataformas de blog e redes sociais como o Youtube, Instagram e o TikTok, este mais recente, come\u00e7aram a moldar uma nova profiss\u00e3o: h\u00edbrido de celebridade e empres\u00e1rio, o influencer monetiza sua vida ao indicar produtos e servi\u00e7os a uma comunidade de seguidores.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Inspirados por <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">influencers<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, mais e mais jovens entendem que empreender nas redes pode ser alternativa ao CLT. \u201cDe alguma forma&#8221;, argumenta Sergio, \u201ctudo isso gera forte questionamento sobre o que \u00e9 sucesso, n\u00e9? O jovem est\u00e1 se perguntando: qual \u00e9 o trabalho que gera, de fato, resultado para minha vida?\u201d<\/span><\/p>\n<h2><b>Ter patr\u00e3o ou ser patr\u00e3o<\/b><\/h2>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Em poucos cliques no Google, a ideia de empreender vira dor de cabe\u00e7a. No Brasil, n\u00e3o d\u00e1 para ter um CNPJ para chamar de seu antes dos 18 anos (ou 16, com emancipa\u00e7\u00e3o dos pais). Ou seja: <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cvoc\u00ea n\u00e3o vai poder ter dinheiro, a n\u00e3o ser que aja de forma ilegal usando o nome de terceiros&#8221;, raciocina o pesquisador. \u201cO jovem fica submetido a chuvas e trovoadas quando ele depende de adultos para poder empreender.\u201d\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ele entende que, a cada ano em que a lei n\u00e3o \u00e9 atualizada, o Estado falha com o jovem \u2013 em especial porque as consequ\u00eancias da informalidade se alongam para depois da adolesc\u00eancia. S<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">egundo o relat\u00f3rio <\/span><a href=\"https:\/\/sebraepr.com.br\/impulsiona\/empreendedorismo-jovem-no-brasil-2025-realidade-desafios-e-oportunidades\/?srsltid=AfmBOoqhv4_UHIEc43E2LtZg_maiyVcH3bzmHZuEr0G0EglOkqDAFmn4\"><span style=\"font-weight: 400;\">Empreendedorismo Jovem no Brasil<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, divulgado pelo Sebrae em mar\u00e7o deste ano, a maioria dos jovens empreendedores de 18 a 29 anos atua por conta pr\u00f3pria (92%); desses, quase 70% trabalha sem registro formal do neg\u00f3cio.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O relat\u00f3rio indica ainda que o rendimento desses jovens \u00e9 26% menor do que a m\u00e9dia das demais faixas et\u00e1rias; al\u00e9m disso, de todos os neg\u00f3cios que s\u00e3o iniciados no Brasil, um a cada cinco n\u00e3o sobrevivem ao seu primeiro ano, segundo o IBGE, uma taxa de fracasso alta demais e que pesa especialmente sobre quem n\u00e3o tem experi\u00eancia.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Mesmo assim, a fatia de adolescentes e jovens adultos donos de neg\u00f3cios aumenta a cada ano: desde 2012, o n\u00famero subiu em 25%. Dentre as raz\u00f5es que podem explicar o fen\u00f4meno, Sergio aponta a necessidade que muitos t\u00eam de fazer uma jornada dupla, alternando entre os estudos e o trabalho, seja ele formal ou informal \u2013 isso os afasta ainda mais do CLT, vencidos pela exaust\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Alexandre acrescenta mais uma raz\u00e3o. Ele at\u00e9 concorda que muitos fazem a tal jornada dupla, ou que se iludem achando que \u00e9 f\u00e1cil ganhar a vida na internet, mas para ele o motivo \u00e9 bem mais simples do que isso.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">&#8220;Quando voc\u00ea \u00e9 preto e favelado, chegam assim: \u2018Vai ter um trampo aqui para voc\u00eas. Voc\u00eas v\u00e3o trabalhar que nem uns filha da puta, das 8 \u00e0s 18. Vai carregar peso, t\u00e1 ligado? Vai ser humilhado pelo seu chefe, porque seu chefe tamb\u00e9m n\u00e3o gosta do trabalho dele. E voc\u00ea vai ganhar sabe o qu\u00ea? Um sal\u00e1rio m\u00ednimo\u2019\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A cada frase, seu tom de voz vai subindo para acompanhar a indigna\u00e7\u00e3o. No final, ele balan\u00e7a a cabe\u00e7a, gesto inconsciente de quem afasta energia ruim. \u201cOxe, o mano faz as conta, eu fiz as conta tamb\u00e9m. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">N\u00e3o compensa<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">.\u201d<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">***<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Refletindo sobre o trampo como balconista de farm\u00e1cia, Tha\u00eds n\u00e3o sente mesmo vontade de voltar pro CLT. Existe a oportunidade de crescer, \u00e9 verdade, e tem quem queira seguir carreira na empresa. \u201cMas nem todas as pessoas v\u00e3o conseguir espa\u00e7o para crescer no mercado de trabalho. Para pessoas negras, pessoas perif\u00e9ricas, LGBT, isso vai ser sempre muito mais dif\u00edcil, sabe? Ent\u00e3o, quando a gente fala \u2018ai, CLT \u00e9 poss\u00edvel\u2019&#8230; \u00e9 poss\u00edvel, mas para qual cargo? Para quais pessoas?\u201d<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Sentada ao seu lado, a irm\u00e3 Ana Julia acaricia Chico, o cachorro. Para ela, a experi\u00eancia de trabalho formal est\u00e1 sendo um pouco diferente. Com o Tha, torta dando certo, Ana decidiu fazer um est\u00e1gio de 6 horas semanais perto de casa. O ambiente \u00e9 melhor, ela conta, mas n\u00e3o o suficiente para sonhar com a efetiva\u00e7\u00e3o. Trabalhar com tortas salgadas \u00e9 o que permite a ela expressar sua personalidade <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">de verdade<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> \u2013 ter tatuagem, piercing, falar palavr\u00e3o e n\u00e3o se sentir menos por isso. Hoje ela se pergunta, inclusive, porque demoraram tanto para come\u00e7ar.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Tha\u00eds \u00e9 mais cautelosa. \u201cO contraponto que eu tenho&#8221;, diz, \u201c\u00e9 que o empreendedorismo n\u00e3o \u00e9 para gente fraca. N\u00e3o \u00e9 para quem t\u00e1 acostumado a ganhar tudo por causa de choro, entendeu? Chorar n\u00e3o vai resolver. \u00c9 sangrar no mar de tubar\u00e3o.\u201d<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Elas concordam que, seja empreendendo ou trampando CLT, sempre v\u00e3o existir dificuldades; ficar rico apenas com o trabalho \u00e9 irreal, e o conceito de \u201cganhar bem\u201d n\u00e3o \u00e9 o mesmo para todo mundo. \u201c\u2018Ai, vou ser CLT pra ganhar R$ 10 mil por m\u00eas\u2019. Mas R$ 10 mil \u00e9 grande s\u00f3 na mente de quem pensa pequeno. Para quem t\u00e1 l\u00e1 na onde a gente quer chegar, n\u00e3o t\u00e1 pensando em R$ 10 mil. T\u00e1 pensando em <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">milh\u00f5es<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, entendeu?\u201d<\/span><\/p>\n<h2><b>Quando a grana pinga na conta<\/b><\/h2>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">J\u00e1 \u00e9 bem tarde da noite quando o celular de Alexandre vibra com uma liga\u00e7\u00e3o. O n\u00famero \u00e9 do Brasil, onde o expediente do centro financeiro de S\u00e3o Paulo, a Faria Lima, ainda n\u00e3o acabou.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Uma amiga de Alexandre avisou que essa liga\u00e7\u00e3o poderia chegar. Ela \u00e9 diretora de uma ONG que sempre recebe doa\u00e7\u00f5es e investimentos de grandes empresas, e indicou Ale para uma conversa com um poss\u00edvel investidor.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Assim que ouve o primeiro \u201cal\u00f4\u201d, Alexandre imagina como deve ser o homem na vida real: um executivo de terno e gravata, que passa o dia todo falando dif\u00edcil em uma sala onde todo mundo \u00e9 branco (com aquele sotaque insuport\u00e1vel voc\u00ea-sabe-qual). A voz explicou que estava procurando um projeto social para investir junto da sua empresa, e que se atra\u00eda pela ideia de ensinar ingl\u00eas a jovens da periferia. Conversaram por umas duas horas. Quando desligou, Alexandre tinha no colo um contrato para injetar R$ 100 mil na sua startup.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Com essa grana, a Da Quebrada Pro Mundo deixou de ser um trabalho volunt\u00e1rio para virar uma empresa \u201cde verdade\u201d. A gama de clientes vai de iFood a Ambev e Farm, contando 1.300 alunos impactados desde a tacada inicial. Mas o caminho n\u00e3o foi nem um pouco linear: de l\u00e1 pra c\u00e1, a empresa atingiu seu auge, quebrou, se recuperou \u2013 e ainda tem muita \u00e1gua para rolar.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cSe voc\u00ea n\u00e3o tem grana [para o seu neg\u00f3cio], voc\u00ea vai precisar da grana de outras pessoas. Isso, no meu caso, tamb\u00e9m me fodeu. Meu investidor anjo \u00e9 um cara legal, mas n\u00e3o me deu a ajuda pr\u00e1tica que eu tava precisando. S\u00f3 colocou o dinheiro e depois ficou me cobrando: &#8220;E a\u00ed, mano? Cad\u00ea o resultado?&#8221;\u201d<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Alexandre entendeu na pr\u00e1tica que mais grana significa mais problemas. Essa \u00e9 uma experi\u00eancia comum para os jovens de periferia, especialmente para quem n\u00e3o tem refer\u00eancia na fam\u00edlia sobre como ganhar, guardar e gastar dinheiro. \u201cA gente se acostuma a viver num ambiente onde as pessoas est\u00e3o sempre com a corda no pesco\u00e7o&#8221;, relata Ana Julia, referindo-se ao Tha, torta. Para dar conta de gerir o caixa, ela e a irm\u00e3 devoram cursos no <\/span><a href=\"https:\/\/sebrae.com.br\/sites\/PortalSebrae\"><span style=\"font-weight: 400;\">Sebrae<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, assistem aulas na internet e fazem at\u00e9 o ChatGPT de conselheiro. Por mais que a informa\u00e7\u00e3o exista aos montes na internet, elas sentem falta de conte\u00fados mais diretos e que falem com o jovem, principalmente sobre impostos e leis.<\/span><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/cndl.org.br\/politicaspublicas\/47-dos-jovens-da-geracao-z-nao-realizam-o-controle-das-financas-aponta-pesquisa-cndl-spc-brasil\/\"><span style=\"font-weight: 400;\">Uma pesquisa de 2019<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\"> realizada pela Confedera\u00e7\u00e3o Nacional dos Dirigentes Lojistas junto do SPC Brasil identificou que quase metade (47%) dos jovens da gera\u00e7\u00e3o Z entende pouco de finan\u00e7as e n\u00e3o controla seus pr\u00f3prios gastos. Uns por entender pouco do assunto (19%), outros por pregui\u00e7a (18%), ou mesmo por n\u00e3o ter h\u00e1bito e disciplina para a tarefa (18%), dentre outras raz\u00f5es. O que preocupa \u00e9 que 80% desses jovens j\u00e1 trabalha, 23% deles em seus pr\u00f3prios neg\u00f3cios, fazendo freelas ou trampando informalmente \u2013 e sem saber administrar a grana que pinga na conta.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cVoc\u00ea acha que vai ficar a vida inteira desorganizado. \u2018N\u00e3o vou pagar minha MEI na data, n\u00e3o vou nem abrir MEI\u2019&#8230; Demorou&#8221;, alerta Alexandre. \u201cAt\u00e9 o dia que a Receita Federal vai bater na sua porta com um bolet\u00e3o fodido pra voc\u00ea pagar.\u201d<\/span><\/p>\n<h2><b>Sonhando com o futuro<\/b><\/h2>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">&#8220;Tinha bastante gente que queria ajudar, que dava opini\u00e3o, mas opini\u00f5es baseadas s\u00f3 no achismo, entendeu?&#8221;, Ana Julia explica com um certo tom de frustra\u00e7\u00e3o. \u201cNingu\u00e9m que trabalhou na \u00e1rea, ningu\u00e9m que vendeu nada&#8221;.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Para ela, a maior dificuldade de empreender \u00e9 justamente o que muitas pessoas destacam como ponto positivo: a liberdade de \u201cfazer o que quiser\u201d. Sem um chefe ao p\u00e9 do ouvido, quem toca o pr\u00f3prio neg\u00f3cio t\u00eam o \u00f4nus de arcar com todas as decis\u00f5es do trampo \u2013 geralmente na base da tentativa e erro. Quando se \u00e9 adolescente, fazer as coisas do seu jeito pode ser tentador, mas vale lembrar que muitos est\u00e3o exercendo a independ\u00eancia pela primeira vez. \u00c9 o caso da Ana: \u201c<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Eu t\u00f4 acostumada a s\u00f3 fazer o que algu\u00e9m pede para mim, o que &#8220;mandam\u201d. \u00c9 frustrante \u00e0s vezes n\u00e3o ter ali um manual para voc\u00ea seguir quando d\u00e1 tudo errado.\u201d<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Na tentativa de conseguir conselhos e apoio de quem pensa parecido, empreender entre amigos parece ser o caminho certo a seguir. Eles pensam como n\u00f3s, entendem o que estamos passando e onde queremos chegar. Certo?<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Com o investimento que deu g\u00e1s na sua startup, Alexandre decidiu que n\u00e3o dava para continuar no amadorismo. Contratou um diretor audiovisual, diretor de vendas, gerente de atendimento \u2013 todas pessoas que ele conhecia, que sabiam a dificuldade de tocar a Da Quebrada Pro Mundo e que, de certa forma (ao menos em teoria), tamb\u00e9m compartilhavam o mesmo sonho. \u201cMeu maior erro foi misturar trabalho com amizade. Eu perdi amigos, perdi pessoas da minha favela que eu contratei querendo ajudar, porque infelizmente algumas n\u00e3o eram qualificadas.\u201d\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">N\u00e3o tem a ver com personalidade, esfor\u00e7o ou dedica\u00e7\u00e3o, mas simplesmente despreparo para empreender. Com frequ\u00eancia, Alexandre deixava a estrat\u00e9gia de lado para retomar tarefas b\u00e1sicas, \u201censinar as pessoas a fazerem o trabalho delas&#8221;. \u201cEu ficava nesse dilema entre, \u2018p\u00f4, eu sou um cara do cora\u00e7\u00e3o bom, eu quero fazer bem pro mundo, pra minha comunidade\u2019, e precisar contratar pessoas que realmente soubessem fazer o trabalho bem. Se eu puder dar s\u00f3 um conselho\u2026&#8221;. Ele formula a frase cuidadosamente e depois me pede para anotar. \u201cTrabalho \u00e9 trabalho, amizade \u00e9 amizade. N\u00e3o contrate amigos.\u201d\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Com a frase ainda no ar, ele balan\u00e7a a cabe\u00e7a em negativa; tem mais um conselho, ele acaba de se lembrar, talvez mais importante que o primeiro. \u00c9 uma esp\u00e9cie de mantra, uma regra que ele recita devagar para n\u00e3o errar nenhuma palavra. &#8220;T<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">enha a humildade de saber que por mais foda que voc\u00ea seja, voc\u00ea precisa de ajuda. \u00c9 um bom conselho.\u201d<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Nas salas de aula da Funda\u00e7\u00e3o Get\u00falio Vargas, Sergio Bulgacov costumava falar o mesmo aos seus alunos da Administra\u00e7\u00e3o. \u201c<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Uma das piores coisas que eu ouvia era jovens falando assim: \u2018Eu n\u00e3o vou falar das minhas ideias, algu\u00e9m vai roubar a minha ideia\u2019\u201d.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Esse medo tem pouco a ver com a realidade \u2013 na verdade, falar de uma ideia aumenta (e muito) as chances de que ela d\u00ea certo, na vis\u00e3o do professor. Afinal de contas, a receita de um neg\u00f3cio de sucesso come\u00e7a pela ideia, mas envolve muito mais: tem prot\u00f3tipo, fase de testes, capta\u00e7\u00e3o de investimento, tra\u00e7\u00e3o. E esse \u00e9 s\u00f3 o come\u00e7o.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">&#8220;Saiba conversar com as <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">pessoas certas<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> sobre o que voc\u00ea quer fazer e aonde voc\u00ea quer chegar. N\u00e3o tenha medo disso&#8221;.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Empreender \u00e9 cada vez mais comum entre adolescentes; mesmo sem amparo da lei, eles preferem a informalidade ao CLT e pagam para ver se empreender vale mesmo a pena &#8211; por Tha\u00eds Moraes\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/?p=2130\"> <\/a>","protected":false},"author":138,"featured_media":2207,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[688],"tags":[686,707,331,708,709],"class_list":["post-2130","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-babel-2025-ed-novembro","tag-educacao","tag-empreendedorismo","tag-juventude","tag-oportunidades","tag-trabalho-na-juventude"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v19.10 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>\u2018Qual que \u00e9 o teu corre?&#039; 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