{"id":2101,"date":"2025-11-11T22:06:05","date_gmt":"2025-11-12T01:06:05","guid":{"rendered":"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/?p=2101"},"modified":"2025-11-11T22:16:58","modified_gmt":"2025-11-12T01:16:58","slug":"tedio-sim-e-um-saco-mas-e-ai","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/?p=2101","title":{"rendered":"T\u00e9dio &#8211; sim, \u00e9 um saco, mas e a\u00ed?"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-size: 10pt;\">(Imagem: Montagem Canva\/J\u00falia Moreira)<\/span><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400;\">Esse sentimento t\u00e3o dif\u00edcil de descrever ganha protagonismo na adolesc\u00eancia e, ao refletir sobre ele, at\u00e9 a chatice parece interessante.<\/span><\/i><\/p>\n<p><strong>Por <\/strong><span style=\"font-weight: 400;\">J\u00falia Moreira<\/span><\/p>\n<p>Vers\u00e3o em \u00e1udio:<\/p>\n<p><iframe title=\"Spotify Embed: Audiodescri\u00e7\u00e3o - T\u00e9dio: sim, \u00e9 um saco, mas e a\u00ed?\" style=\"border-radius: 12px\" width=\"100%\" height=\"152\" frameborder=\"0\" allowfullscreen allow=\"autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/open.spotify.com\/embed\/episode\/6bVqrTJfYkHIOmojuiXinF?si=afdaed2606d44d7e&#038;utm_source=oembed\"><\/iframe><\/p>\n<p>Sabe quando \u00e9 domingo e bate aquela sensa\u00e7\u00e3o de \u201cn\u00e3o tem nada para fazer\u201d? Quando o algoritmo do feed n\u00e3o est\u00e1 mais entregando e as 06 horas jogando j\u00e1 n\u00e3o parecem o suficiente. C\u00e1 est\u00e1 o t\u00e9dio, um sentimento dif\u00edcil de entender e lidar, mas que muito tem a ver com quem estamos nos tornando.<\/p>\n<p>Ao ouvir essa palavra, pode ser que a primeira coisa que venha a sua mente seja o personagem roxo e emo de \u2018Divertidamente 2\u2019. \u00c9, aquele mesmo. Pesco\u00e7o ca\u00eddo, olhos baixos e a energia capaz de desanimar qualquer um.<\/p>\n<p>Embora o filme mostre esse sentimento de modo caricato e at\u00e9 deprimente, n\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que ele apare\u00e7a bem quando a personagem tem por volta de 13 anos. \u00c9 a partir dessa idade que o nosso c\u00e9rebro come\u00e7a a passar por mudan\u00e7as e, de repente, tudo come\u00e7a a ser menos \u201c\u00f3bvio\u201d, a ter menos prop\u00f3sito e a talvez, ser mais chato.<\/p>\n<h2>\u00c9 biol\u00f3gico e \u00e9 social<\/h2>\n<p>Por mais agoniante que seja, o t\u00e9dio \u00e9 natural e esperado, principalmente durante a adolesc\u00eancia. E j\u00e1 adianto, tem a ver tanto com o que ocorre dentro quanto fora da nossa mente.<\/p>\n<p>A psic\u00f3loga Roberta Senna, que atende adolescentes e fam\u00edlias h\u00e1 mais de 20 anos, diz que as mudan\u00e7as que o nosso pr\u00f3prio c\u00e9rebro est\u00e1 passando ficam mais evidentes. \u201cH\u00e1 uma \u2018poda neural\u2019 de recursos que o c\u00e9rebro infantil precisava e agora n\u00e3o. Como uma \u00e1rvore precisando podar alguns galhos para outros serem fortalecidos\u201d, explica.<\/p>\n<p>E a\u00ed voltamos para a refer\u00eancia de Divertidamente em que momentos, pensamentos e sensa\u00e7\u00f5es s\u00e3o colocados em diferentes ordens de prioridade e alguns s\u00e3o at\u00e9 descartados. A partir da\u00ed come\u00e7amos a entender o porqu\u00ea nossa percep\u00e7\u00e3o sobre as coisas mudam.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 drama, tem ci\u00eancia nisso. Ap\u00f3s diversos estudos, sabe-se que leva alguns anos para o nosso c\u00f3rtex pr\u00e9 frontal, localizado na regi\u00e3o da testa, se formar completamente. \u00c9 nele que est\u00e3o nossas no\u00e7\u00f5es de organiza\u00e7\u00e3o, pr\u00f3s e contras, autorregula\u00e7\u00e3o emocional. E \u00e9 s\u00f3 depois dos 24 anos que ele amadurece.<\/p>\n<p>Enquanto isso, utilizamos recursos da am\u00edgdala cerebral, presente mais ao centro do c\u00e9rebro, relacionada aos impulsos. Ent\u00e3o \u00e9 como se voc\u00ea estivesse constantemente participando de um Passa ou Repassa, a resposta mais r\u00e1pida vale. A\u00ed surgem situa\u00e7\u00f5es como a prova ser amanh\u00e3 \u00e0 tarde, mas a preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 com a roupa da festa do pr\u00f3ximo m\u00eas. Tamb\u00e9m \u00e9 culpa do processo de amadurecimento. \u201cE n\u00e3o \u00e9 porque ele quer, \u00e9 o recurso que ele tem\u201d, afirma Roberta.<\/p>\n<p>Bom, agora que falamos dos fatores biol\u00f3gicos justificarem a falta de interesse em determinados assuntos, tamb\u00e9m \u00e9 preciso considerar as mudan\u00e7as que ocorrem ou ocorrer\u00e3o ao nosso redor.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-2106\" src=\"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/unnamed-1.png\" alt=\"Ilustra\u00e7\u00e3o\" width=\"512\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/unnamed-1.png 512w, https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/unnamed-1-300x176.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 512px) 100vw, 512px\" \/><\/p>\n<p><em>Localiza\u00e7\u00e3o da am\u00edgdala cerebral em compara\u00e7\u00e3o com o c\u00f3rtex pr\u00e9- frontal. Ilustra\u00e7\u00e3o (Gerada por IA) \u2014 J\u00falia Moreira \u2014 Babel USP<\/em><\/p>\n<p>Entre os 14 e 17 anos, h\u00e1 uma esp\u00e9cie de limbo entre o nosso antigo \u201ceu crian\u00e7a\u201d e nosso futuro \u201ceu adulto\u201d, que popularmente chamamos de adolesc\u00eancia. E \u00e9 imposs\u00edvel tratarmos disso sem mencionar os impactos da pandemia e das redes sociais, mas sem serm\u00e3o.<\/p>\n<p>Durante a pandemia, uma pesquisa feita pela Atlas Juventude mostrou que 7 entre 10 jovens disseram se sentirem mais ansiosos e com mais t\u00e9dio, e o motivo n\u00e3o era apenas a aula online. Era um cen\u00e1rio fora da realidade, isolamento e a apreens\u00e3o se algum dia as coisas voltariam ao normal. Somado a isso, veio a viraliza\u00e7\u00e3o das redes sociais, o boom do tiktok e o aprendizado de que muita coisa pode ser feita pela internet.<\/p>\n<p>Resultado disso, \u201cUm tempo de tela \u00f3timo, 12 horas por dia hahaha\u201d. Essa foi a rea\u00e7\u00e3o que tive de um aluno do 2\u00ba ano do Novotec Automa\u00e7\u00e3o \u2013 curso profissionalizante integrado com o ensino m\u00e9dio, comumente oferecido por institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, neste caso, pelo Centro Paula Souza \u2013 quando fui conversar com a sua turma.<\/p>\n<h2>E como aturar o tempo de aula?<\/h2>\n<p>Toda essa conversa surgiu da necessidade de entender melhor a rotina de quem est\u00e1 nessa idade e nada melhor do que mergulhar na sala de aula, literalmente. Ent\u00e3o mentaliza, quinta-feira \u00e0 tarde, quase 14 horas, calor, dia de visita\u00e7\u00e3o \u00e0 c\u00e2mara de vereadores e passeio ao Hopi Hari, ou seja, baixa ades\u00e3o de alunos.<\/p>\n<p>Mesmo assim, os que ficaram tinham muito a dizer. E entre um bocejo e outro, o t\u00e9dio virou assunto.<\/p>\n<p>\u201cEu uso bastante o celular, \u00e9 aquela dopamina barata. Tem professores que falam muito devagar e d\u00e3o sono, tem outros que falam muito r\u00e1pido e n\u00e3o d\u00e1 para acompanhar. Ent\u00e3o eu n\u00e3o entendo nada e, como vou ter que pesquisar quando chegar em casa, fico mexendo no celular\u201d, relata um dos alunos do segundo ano.<\/p>\n<p>A explica\u00e7\u00e3o \u00e9 que, para alguns, a rotina colabora para o cansa\u00e7o e nem h\u00e1 momentos de t\u00e9dio. O fluxo \u00e9 simples: acorda, se prepara para a escola, faz o trajeto, volta quando j\u00e1 est\u00e1 de noite, se prepara para dormir e o ciclo continua. Quando h\u00e1 um tempo, ele \u00e9 dedicado para as tarefas solicitadas pelos professores ou momentos de lazer. Ou seja, praticamente 100% do dia preenchido.<\/p>\n<p>E n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 isso, a obriga\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m pode contribuir para o t\u00e9dio. \u201cA escola deixou de ser uma necessidade e passou a ser uma obriga\u00e7\u00e3o. Logo, tudo que se pede, primeiro h\u00e1 uma reclama\u00e7\u00e3o, um \u2018ahhhhhhhhhh, professora\u2026\u2026..\u2019 e a certeza de que, \u2018o m\u00ednimo basta\u2019\u201d. Esse foi o relato da professora Roseli Faustina, que d\u00e1 aula de Literatura e Ingl\u00eas para turma com que conversei.<\/p>\n<p>Ela tamb\u00e9m conta que necessita de jogo de cintura durante as aulas. \u201cEu coloco uma peruca, entro no personagem, fa\u00e7o atividades, vou para fora da sala de aula. E caso, n\u00e3o seja no mesmo dia, no dia seguinte, eles voltam mais animados.\u201d<\/p>\n<p>Essa adapta\u00e7\u00e3o acabou se tornando necess\u00e1ria ao constatar que n\u00e3o \u00e9 apenas uma fase, mas uma nova realidade. \u201cEssa gera\u00e7\u00e3o est\u00e1 diferente. Ela precisa de mais est\u00edmulos mesmo. Aulas mais din\u00e2micas, quest\u00f5es pr\u00e1ticas, assuntos mais linkados entre si.\u201d, explica Roberta ao falar que 100% dos estudantes atendidos pontuam sobre a escola, seja do mais ao menos aplicado.\u201d\u00c9 massante, n\u00e3o faz mais sentido\u201d.<\/p>\n<p>Vale ressaltar que o engajamento varia de mat\u00e9ria para mat\u00e9ria e de professor para professor. A sensa\u00e7\u00e3o dos estudantes \u00e9 que falta prop\u00f3sito para alguns temas entediantes ou professores sem did\u00e1tica &#8211; neste caso, houve consenso.<\/p>\n<p>Um ponto importante \u00e9 que falar sobre o t\u00e9dio tamb\u00e9m pode ser entediante. Nem todos da sala participaram da conversa. Alguns preferiram conversar entre si, outros continuaram a mexer no celular e um observa o quadro e a estrutura da sala.<\/p>\n<p>At\u00e9 aqui, est\u00e1vamos em um recorte bem espec\u00edfico, alunos do per\u00edodo da tarde, em um curso profissionalizante e que consideram ter pouco tempo para o t\u00e9dio. Agora, vamos para outra perspectiva: algu\u00e9m que passou a ter mais tempo vago, menos aparatos que pudessem auxiliar com a sua rotina e menos companhia.<\/p>\n<h2>\u201cN\u00e3o era muito diferente de hoje, mas eu era mais feliz\u201d<\/h2>\n<p>Essa frase foi dita por Davi Tanaka quando perguntei como era a vida dele quando tinha 14 anos. Hoje, ele tem 17 (rec\u00e9m completados), est\u00e1 no 2\u00ba ano do ensino m\u00e9dio e relembra essa \u00e9poca como voltar de viagem. \u201cS\u00e3o altos e baixos. \u00c9 bom hoje, mas voc\u00ea sente saudade\u201d, ri ao dizer.<\/p>\n<p>Segundo ele, quando era mais novo, tinha mais tempo com a fam\u00edlia, viajava mais. \u201cMeus pais est\u00e3o ficando mais velhos e com menos energia agora, ent\u00e3o acabo passando mais tempo sozinho, e n\u00e3o \u00e9 que eu goste, mas eu me acostumei.\u201d, compartilha.<\/p>\n<p>Nessa busca por entender o t\u00e9dio, parece que para al\u00e9m das mudan\u00e7as biol\u00f3gicas e sociais na escola, outro fator que influencia \u00e9 a mudan\u00e7a dentro da pr\u00f3pria fam\u00edlia.<\/p>\n<p>Ele conta que tem uma boa rela\u00e7\u00e3o com todos, principalmente com os irm\u00e3os, mas que muita coisa mudou: \u201cQuando eu era crian\u00e7a eu vivia mais com eles, a gente vivia na mesma casa e era muito pr\u00f3ximo. Eu gostava muito disso. Agora eles t\u00eam a fam\u00edlia deles, trabalham&#8230;\u201d<\/p>\n<p>Davi conta que a sensa\u00e7\u00e3o de t\u00e9dio misturada com melancolia \u00e9 constante. Durante a escola, de manh\u00e3, a maior oportunidade para ele \u00e9 ver e conversar com os amigos. Em casa, o tempo \u00e9 dividido entre os estudos, jogos no computador e idas \u00e0 academia, o que considera ser fundamental para sa\u00fade mental. Mesmo assim, h\u00e1 t\u00e9dio, h\u00e1 monotonia.<\/p>\n<p>Quando o assunto \u00e9 a compreens\u00e3o deles sobre o momento que est\u00e3o vivendo, a resposta \u00e9 complexa e nem tudo \u00e9 entendido, at\u00e9 porque, n\u00e3o houve um ensinamento de como lidar com isso: \u201cNa pr\u00e1tica n\u00e3o fui ensinado, mas na teoria sempre foi: \u2018N\u00e3o tem nada pra fazer, vai ler um livro, vai correr\u2019, mas pra mim\u2026n\u00e3o sei, isso n\u00e3o adianta. A maior parte das vezes \u00e9 mais um estado de esp\u00edrito\u201d, diz.<\/p>\n<p>Apesar disso, ele compreende essa dificuldade: \u201cTalvez quando eu for da idade deles eu saiba julgar melhor, mas eu n\u00e3o teria essa vis\u00e3o de achar que o meu pensamento est\u00e1 mais certo\u201d.<\/p>\n<p>Ainda nessa rela\u00e7\u00e3o comum com os mais velhos, a turma com que conversei trouxe um novo ponto: a incompreens\u00e3o do cansa\u00e7o e da rotina, o famoso: \u201cMas voc\u00ea s\u00f3 estuda\u201d, normalmente usado para confrontar justificativas de cansa\u00e7o, des\u00e2nimo e t\u00e9dio.<\/p>\n<figure id=\"attachment_2120\" aria-describedby=\"caption-attachment-2120\" style=\"width: 512px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-2120\" src=\"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/unnamed-1-1.png\" alt=\"Ilustra\u00e7\u00e3o\" width=\"512\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/unnamed-1-1.png 512w, https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/unnamed-1-1-300x176.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 512px) 100vw, 512px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-2120\" class=\"wp-caption-text\">Ilustra\u00e7\u00e3o (Gerada por IA) \u2014 J\u00falia Moreira \u2014 Babel USP<\/figcaption><\/figure>\n<h2>T\u00e9dio vs \u00f3cio<\/h2>\n<p>Nas conversas com os entrevistados, foi poss\u00edvel perceber um ponto em comum: a cobran\u00e7a para estar sempre fazendo algo.<\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 uma exaust\u00e3o de sempre estar ocupado. \u00c9 o esporte, \u00e9 ingl\u00eas, \u00e9 a escola integral. Tem que estar produzindo\u201d, conta Roberta ao falarmos sobre a press\u00e3o imposta, \u00e0s vezes desde a inf\u00e2ncia, de estar fazendo algo \u00fatil.<\/p>\n<p>Entre os alunos do ensino m\u00e9dio, a preocupa\u00e7\u00e3o foi clara: a faculdade! Em minha conversa com a turma, apesar de estarem no segundo ano, foi percept\u00edvel o medo e ansiedade com o pr\u00f3ximo ano e com os vestibulares. Frases como: \u201cSempre tem uma press\u00e3o do que as pessoas esperam\u201d ou \u201cEu n\u00e3o queria decepcionar\u201d foram ditas ao falarmos sobre o assunto.<\/p>\n<p>Para Davi, essa press\u00e3o colabora para a sensa\u00e7\u00e3o de des\u00e2nimo. H\u00e1 d\u00favidas sobre qual carreira ou caminho seguir, e h\u00e1 a certeza de que o erro deve ser evitado ao m\u00e1ximo.<\/p>\n<p>\u201cEles falam para mim, voc\u00ea est\u00e1 confiando muito mais em n\u00f3s, do que n\u00f3s mesmos. Se eu fosse voc\u00ea, eu n\u00e3o colocaria tantas expectativas. Eu escuto isso quase todos os dias.\u201d conta a professora Roseli sobre a vis\u00e3o de futuro dos alunos.<\/p>\n<p>\u201cParece que n\u00e3o, mas h\u00e1 o receio de decepcionar os pais. O que se mant\u00e9m na vida adulta tamb\u00e9m, e eles precisam ter a certeza de acolhimento quando ele errar\u201d. Roberta tamb\u00e9m pontua que entender que essa \u00e9 a \u00faltima fase antes da vida adulta e que \u00e9 um per\u00edodo de testes e autoconhecimento para todo jovem \u00e9 fundamental para que ela seja levada com mais leveza.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 como se estiv\u00e9ssemos tentando se equilibrar entre duas canoas. Em um p\u00e9 est\u00e1 a inf\u00e2ncia e no outro a vida adulta\u201d, complementa.<\/p>\n<p>As mil faces do t\u00e9dio<\/p>\n<p>Ufa, depois de toda essa hist\u00f3ria e reflex\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel fazer uma lista dos termos que pude ouvir durante essas entrevistas relacionados ao t\u00e9dio:<\/p>\n<ul>\n<li>Aus\u00eancia<\/li>\n<li>N\u00e3o ter nada para fazer<\/li>\n<li>Falta de \u00e2nimo<\/li>\n<li>Falta de vontade<\/li>\n<li>Desinteresse<\/li>\n<li>Aborrecimento<\/li>\n<li>Sensa\u00e7\u00e3o de inatividade<\/li>\n<li>Improdutividade<\/li>\n<li>Repeti\u00e7\u00e3o<\/li>\n<li>Viver em looping<\/li>\n<li>Falta de prop\u00f3sito<\/li>\n<\/ul>\n<p>Ela seria \u00f3tima para reunirmos os \u201cmelhores sin\u00f4nimos de t\u00e9dio\u201d, mas onde tudo isso vai chegar? Durante essa esp\u00e9cie de investiga\u00e7\u00e3o, foi poss\u00edvel notar que ele pode vir mascarado ou associado a outros sentimentos como cansa\u00e7o, des\u00e2nimo, pregui\u00e7a, melancolia&#8230; seja pelas preocupa\u00e7\u00f5es ou pela obriga\u00e7\u00e3o da rotina ou da monotonia.<\/p>\n<p>O interessante \u00e9 que escritores, fil\u00f3sofos e estudiosos j\u00e1 fizeram diversas obras discutindo sobre o t\u00e9dio e como ele era presente em suas vidas. Falar deles nos permitir\u00e1 entrar em uma nova parte ainda mais reflexiva e de onde voc\u00ea poder\u00e1 tirar dois autores para citar durante sua conversa sobre tema e todos te acharem muito culto.<\/p>\n<p>Segundo Albert Camus, escritor de \u201cO estrageiro\u201d, a vida \u00e9 \u201cabsurda e filosoficamente\u201d, sendo a vida da humanidade caracterizada pela falta de sentido. A rotina que criamos, nos leva \u00e0 monotonia e isso nos faz perder o interesse pelo \u2018absurdo da vida\u2019.<\/p>\n<p>Para representar isso, o personagem de seu livro se mostra indiferente a tudo, com a frase \u201ctanto faz\u201d sendo utilizada frequentemente. D\u00e1 at\u00e9 para imaginar o \u2018dar de ombros\u2019.<\/p>\n<p>Por falar em frequ\u00eancia, em sua obra \u201cO livro do desassossego\u201d, o poeta Fernando Pessoa, cita a palavra t\u00e9dio 146 vezes. Sim, fora outros termos usados de sin\u00f4nimo. Nele o autor mergulha na melancolia e na descren\u00e7a, rendendo trechos como: \u201cUm t\u00e9dio que inclui a antecipa\u00e7\u00e3o s\u00f3 de mais t\u00e9dio; a pena, j\u00e1, de amanh\u00e3 ter pena de ter tido pena hoje \u201c.<\/p>\n<p>Ou outros ainda mais densos como: \u201cUm profundo entendimento desd\u00e9m por todos quantos trabalham para a humanidade, por todos quantos se batem pela p\u00e1tria e d\u00e3o a sua vida para que a civiliza\u00e7\u00e3o continue&#8230; Um desd\u00e9m cheio de t\u00e9dio por eles, que desconhecem que a \u00fanica realidade para cada um \u00e9 a sua pr\u00f3pria alma, e o resto\u201d, mais uma cita\u00e7\u00e3o do poeta.<\/p>\n<p>N\u00e3o sei se deu para entender toda essa reflex\u00e3o, por\u00e9m vimos que n\u00e3o \u00e9 de hoje que o t\u00e9dio \u00e9 discutido, incompreendido e ainda confundido com outros sentimentos.S\u00f3 at\u00e9 aqui eu citei a palavra 25 vezes e n\u00e3o chegamos a uma defini\u00e7\u00e3o exata do que ele \u00e9. Mas, e quando n\u00e3o \u00e9 t\u00e9dio?<\/p>\n<h2>E quando n\u00e3o \u00e9 t\u00e9dio? Formas de lidar<\/h2>\n<p>A psic\u00f3loga Roberta sinaliza que, em casos de apatia quase cr\u00f4nica e perdas reais no dia a dia, \u00e9 preciso levantar um alerta. \u201cFalta de socializa\u00e7\u00e3o e de conversas, (para al\u00e9m da fam\u00edlia, mas no geral), isolamento, oscila\u00e7\u00f5es de humor, bem como mudan\u00e7as nos h\u00e1bitos alimentares e de higiene devem ser percebidos.\u201d<\/p>\n<p>Para esses casos, ela afirma que precisa ter aten\u00e7\u00e3o redobrada, pois s\u00e3o sintomas que podem indicar um quadro de depress\u00e3o. \u201cO t\u00e9dio \u00e9 diferente de uma tristeza que n\u00e3o sai do tom, est\u00e1 ali, persistente, causando alguma disfuncionalidade\u201d, explica.<\/p>\n<p>Entretanto, em condi\u00e7\u00f5es normais, Roberta fala que o t\u00e9dio \u00e9 fundamental para trabalhar quest\u00f5es relacionadas \u00e0 criatividade, reconhecimento de sentimentos, identidade, lidar com frustra\u00e7\u00f5es e que, a sociedade n\u00e3o normaliza os sentimentos ruins associados a ele.<\/p>\n<p>Assim, a principal quest\u00e3o talvez n\u00e3o seja o que \u00e9 t\u00e9dio, mas o que vem depois dele e como, apesar dele, seguimos, seja tendo uma boa ideia ou conversando sobre ele.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Esse sentimento t\u00e3o dif\u00edcil de descrever ganha protagonismo na adolesc\u00eancia e, ao refletir sobre ele, at\u00e9 a chatice parece interessante &#8211; por J\u00falia Moreira\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/?p=2101\"> <\/a>","protected":false},"author":138,"featured_media":2126,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[688],"tags":[629,385],"class_list":["post-2101","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-babel-2025-ed-novembro","tag-comportamento","tag-sociedade"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v19.10 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>T\u00e9dio - sim, \u00e9 um saco, mas e a\u00ed? 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