{"id":2088,"date":"2025-11-11T20:49:20","date_gmt":"2025-11-11T23:49:20","guid":{"rendered":"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/?p=2088"},"modified":"2025-11-14T20:07:24","modified_gmt":"2025-11-14T23:07:24","slug":"por-que-se-importar-com-o-clima","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/?p=2088","title":{"rendered":"Por que se importar com o clima?"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-size: 10pt;\">(Imagem: Montagem por Tha\u00eds Moraes)<\/span><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400;\">Especialistas e juventude refletem o envolvimento das novas gera\u00e7\u00f5es na constru\u00e7\u00e3o de caminhos para um futuro justo<\/span><\/i><\/p>\n<p><b>Por <\/b>Tulio Gonzaga<\/p>\n<p>Vers\u00e3o em \u00e1udio:<\/p>\n<p><iframe title=\"Spotify Embed: Audiodescri\u00e7\u00e3o - Por que se importar com o clima?\" style=\"border-radius: 12px\" width=\"100%\" height=\"152\" frameborder=\"0\" allowfullscreen allow=\"autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/open.spotify.com\/embed\/episode\/7ocB3JN0hvAzeC9clrReST?si=54ce319120424192&#038;utm_source=oembed\"><\/iframe><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Era uma ter\u00e7a-feira comum no extremo leste de S\u00e3o Paulo (SP), quando as primeiras chuvas de ver\u00e3o pegaram os moradores do Jardim Pantanal desprevenidos. Rapidamente, o p\u00e9 d&#8217;\u00e1gua transbordou o rio Tiet\u00ea e converteu-se numa inunda\u00e7\u00e3o que invadiu casas das comunidades da v\u00e1rzea e causou estragos sem precedentes. Uma dessas casas era a da fam\u00edlia de Jahzara, que tinha seis anos de idade na \u00e9poca da enchente, <\/span><a href=\"https:\/\/feeds.folha.uol.com.br\/fsp\/cotidian\/ff2912200911.htm\"><span style=\"font-weight: 400;\">em dezembro de 2009<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">. &#8220;Eu cresci achando que passar por enchente era normal&#8221;, confessa.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Dias depois da trag\u00e9dia, durante uma aula na escola, a professora perguntou \u00e0 Jahzara e \u00e0s demais crian\u00e7as se algu\u00e9m havia perdido alguma coisa na enchente ou tinha sido afetado. &#8220;S\u00f3 eu levantei a m\u00e3o da sala. E a\u00ed, eu falei para minha prima, que estudava comigo: &#8216;Levanta a m\u00e3o, a gente passou&#8221;, conta ela. Envergonhada, a prima n\u00e3o quis levantar a m\u00e3o. &#8220;Ali, caiu a ficha de que n\u00e3o \u00e9 normal mesmo, ningu\u00e9m passou por isso. Por que eu e minha prima perdemos brinquedos por conta disso?&#8221;, reflete.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Desde a d\u00e9cada de 1980, fam\u00edlias de moradores do Jardim Pantanal acostumaram-se a ficar desalojadas na temporada chuvosa, a ter de levantar os m\u00f3veis quando chove \u2014 e de ir para a escola com a \u00e1gua no joelho ou perder brinquedos, como Jahzara. Essa \u00e9 uma hist\u00f3ria de gera\u00e7\u00f5es. \u00c9 uma hist\u00f3ria de Jahzara. E de sua m\u00e3e, Maria. E de sua av\u00f3, Dona Sebastiana, que saiu de A\u00e7ail\u00e2ndia, no Maranh\u00e3o, com outras dezenas de fam\u00edlias para se estabelecer \u00e0s margens do rio Tiet\u00ea. E de milh\u00f5es de pessoas pa\u00eds afora.<\/span><\/p>\n<h2><b>Mudan\u00e7as clim\u00e1ticas<\/b><\/h2>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Em 2024, o Brasil registrou o maior n\u00famero de pessoas desabrigadas e desalojadas por desastres clim\u00e1ticos desde o in\u00edcio da s\u00e9rie hist\u00f3rica, em 1991. Segundo dados do <\/span><a href=\"https:\/\/atlasdigital.mdr.gov.br\/paginas\/graficos.xhtml#\"><span style=\"font-weight: 400;\">Atlas Digital de Desastres no Brasil<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, produzido pelo Minist\u00e9rio da Integra\u00e7\u00e3o e do Desenvolvimento Regional (MIDR), mais de 1,13 milh\u00e3o de brasileiros foram for\u00e7ados a abandonar suas casas em decorr\u00eancia de eventos clim\u00e1ticos extremos, como chuvas intensas, secas, inc\u00eandios, entre outros.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais), principal \u00f3rg\u00e3o respons\u00e1vel pela preven\u00e7\u00e3o e gerenciamento de desastres naturais no Brasil, emitiu um alerta no ano passado que j\u00e1 era testemunhado por comunidades em condi\u00e7\u00f5es de exposi\u00e7\u00e3o e vulnerabilidade de todo o pa\u00eds: <\/span><a href=\"https:\/\/www.gov.br\/mcti\/pt-br\/acompanhe-o-mcti\/noticias\/2025\/01\/201ca-era-dos-extremos-ja-chegou-ao-brasil201d-avalia-pesquisador-do-cemaden\/nota-tecnica-cemaden-sei_mcti-12567552-sumario-2024.pdf\"><span style=\"font-weight: 400;\">os eventos clim\u00e1ticos extremos se tornaram realidade<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">. O documento enumera epis\u00f3dios como em 2024, o ano mais quente da hist\u00f3ria e as recentes inunda\u00e7\u00f5es no Rio Grande do Sul, considerado o pior desastre clim\u00e1tico no Brasil, al\u00e9m das secas recordes na Amaz\u00f4nia e no Pantanal e as queimadas sem precedentes em todo o centro da Am\u00e9rica do Sul.<\/span><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-2119\" src=\"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/RS148348_53828339415_44ab9453b8_o_scr-1152x768.jpg\" alt=\"\" width=\"747\" height=\"498\" srcset=\"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/RS148348_53828339415_44ab9453b8_o_scr-1152x768.jpg 1152w, https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/RS148348_53828339415_44ab9453b8_o_scr-300x200.jpg 300w, https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/RS148348_53828339415_44ab9453b8_o_scr-768x512.jpg 768w, https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/RS148348_53828339415_44ab9453b8_o_scr.jpg 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 747px) 100vw, 747px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-weight: 400; font-size: 10pt;\">Imagens a\u00e9reas das \u00e1reas devastadas pelo fogo no Pantanal. Foto: Marcelo Camargo \/ Ag\u00eancia Brasil<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">&#8220;Foram os diversos desafios socioambientais que me impulsionaram a me tornar uma ativista clim\u00e1tica&#8221;, explica Jahzara On\u00e1, ativista clim\u00e1tica de 21 anos, moradora do Jardim Pantanal e estudante de Geoci\u00eancias na Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) e Governan\u00e7a Ambiental e Sustentabilidade na Funda\u00e7\u00e3o Get\u00falio Vargas (FGV). A jovem \u00e9 ex-integrante do Jovens Pelo Clima (Fridays For Future), movimento estudantil internacional de protesto contra a crise clim\u00e1tica e de cobran\u00e7a por a\u00e7\u00f5es pol\u00edticas mais eficazes, protagonizado pela sueca Greta Thumberg.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A preocupa\u00e7\u00e3o com a exposi\u00e7\u00e3o da sua comunidade \u00e0s chuvas motivou o engajamento com a\u00e7\u00f5es de educa\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica aos 15 anos, como rodas de conversa na escola que frequentava. Esses di\u00e1logos faziam parte do cotidiano dos estudantes, diz ela: &#8220;Eu tentava encaixar isso com a realidade minha e dos meus colegas, tipo: &#8216;Gente, sabe quando come\u00e7a a chover e a gente fica preocupado de ter que ir embora para casa por causa da chuva? Ou quando a gente tem que ir embora mais cedo da escola porque come\u00e7ou a chover?&#8217; Ent\u00e3o, s\u00e3o sinais de racismo ambiental&#8221;.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A crise clim\u00e1tica \u00e9 o desafio dos direitos humanos e das crian\u00e7as dessa gera\u00e7\u00e3o, e j\u00e1 est\u00e1 tendo um impacto devastador no bem-estar dos jovens ao redor do mundo, declara <\/span><a href=\"https:\/\/www.unicef.org\/reports\/climate-crisis-child-rights-crisis\"><span style=\"font-weight: 400;\">relat\u00f3rio<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\"> da UNICEF (Fundo das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Inf\u00e2ncia). A organiza\u00e7\u00e3o revela que, embora 85% dos jovens j\u00e1 tenham ouvido falar sobre mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, somente 50% sabem a defini\u00e7\u00e3o correta: um aumento nas temperaturas m\u00e9dias mundiais e eventos clim\u00e1ticos mais extremos resultantes de atividades humanas.<\/span><\/p>\n<table>\n<tbody>\n<tr>\n<td><b>Gloss\u00e1rio do Clima<\/b><\/p>\n<p><b>Adapta\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica:<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> medidas de ajuste de comunidades e territ\u00f3rios para reduzir a vulnerabilidade frente ao comportamento do clima no presente e no futuro e seus efeitos.<\/span><\/p>\n<p><b>Justi\u00e7a clim\u00e1tica:<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> abordagem \u00e9tica e pol\u00edtica que emerge como evolu\u00e7\u00e3o da justi\u00e7a ambiental, focando nas desigualdades sociais amplificadas pelas mudan\u00e7as clim\u00e1ticas.<\/span><\/p>\n<p><b>Mitiga\u00e7\u00e3o:<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> estrat\u00e9gia de resposta \u00e0 crise clim\u00e1tica, que consiste na interven\u00e7\u00e3o humana para reduzir as emiss\u00f5es por fontes de gases de efeito estufa e fortalecer as remo\u00e7\u00f5es por sumidouros de carbono, tais como florestas e oceanos.<\/span><\/p>\n<p><b>Mudan\u00e7as clim\u00e1ticas: <\/b><span style=\"font-weight: 400;\">altera\u00e7\u00f5es de fen\u00f4menos clim\u00e1ticos, que interferem e modificam as caracter\u00edsticas clim\u00e1ticas do planeta, e s\u00e3o resultantes de atividades humanas.<\/span><\/p>\n<p><b>Racismo ambiental:<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> tipo de injusti\u00e7a clim\u00e1tica que impacta negativamente e de forma desproporcional as popula\u00e7\u00f5es mais vulner\u00e1veis, como negras, ind\u00edgenas, quilombolas ou perif\u00e9ricas, em raz\u00e3o da discrimina\u00e7\u00e3o que essas pessoas historicamente s\u00e3o submetidas.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Fontes: <\/span><a href=\"https:\/\/infoamazonia.org\/\"><span style=\"font-weight: 400;\">InfoAmazonia<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, <\/span><a href=\"https:\/\/www.gov.br\/mma\/pt-br\/assuntos\/mudanca-do-clima\"><span style=\"font-weight: 400;\">Minist\u00e9rio do Meio Ambiente e Mudan\u00e7a do Clima (MMA)<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\"> e <\/span><a href=\"https:\/\/centrobrasilnoclima.org\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/Glossario-do-Clima.pdf\"><span style=\"font-weight: 400;\">Centro Brasil no Clima<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">.<\/span><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<h2><b>A gera\u00e7\u00e3o do futuro<\/b><\/h2>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Enquanto o mundo volta os holofotes para os diplomatas e representantes na <\/span><a href=\"https:\/\/cop30.br\/\"><span style=\"font-weight: 400;\">COP 30<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\"> \u2014 a 30\u00aa Confer\u00eancia das Partes das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Mudan\u00e7a do Clima, que acontece em Bel\u00e9m (PA) entre 10 e 21 de novembro \u2014 os futuros tomadores de decis\u00e3o encaminham-se para serem parte da gera\u00e7\u00e3o mais afetada pela crise do clima.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">&#8220;N\u00f3s estamos vulner\u00e1veis e sens\u00edveis aos efeitos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas&#8221;, afirma Jo\u00e3o Victor da Costa Silva, conhecido como <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/p\/DQMXh0DjlH2\/\">Jo\u00e3o do Clima<\/a>, uma refer\u00eancia de ativismo juvenil contra as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e pelas comunidades insulares na Ilha de Caratateua, localizada na regi\u00e3o insular do munic\u00edpio de Bel\u00e9m.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Aos 16 anos, o estudante sente esses impactos todos os dias: os inc\u00eandios pr\u00f3ximos de sua comunidade, a falta de disponibilidade de peixes e camar\u00f5es, o calor intenso na sala de aula, entre tantos outros.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Jo\u00e3o conta que foi uma crian\u00e7a curiosa e que questionou sua realidade desde sempre, mas que ter crescido em meio \u00e0 f\u00e9 protestante foi o primeiro passo na reflex\u00e3o sobre o seu papel no seu territ\u00f3rio e na sociedade que integra: &#8220;Quando sa\u00eda da igreja, eu via irm\u00e3os jogando pl\u00e1stico no ch\u00e3o, n\u00e3o cuidando da natureza. Era totalmente contradit\u00f3rio [porque] n\u00e3o era o que se pregava l\u00e1 dentro. E a\u00ed, eu fui come\u00e7ando a perceber que tem alguma coisa errada&#8221;, relembra.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O estopim para a transforma\u00e7\u00e3o da curiosidade em a\u00e7\u00e3o foi a presen\u00e7a de um lix\u00e3o na rua de sua casa. Junto da tia, aos 13 anos, Jo\u00e3o reuniu seus vizinhos, organizou uma manifesta\u00e7\u00e3o junto \u00e0 comunidade e bloqueou a rua com os lixos para atrair aten\u00e7\u00e3o das autoridades. Mesmo depois de retirado o dep\u00f3sito irregular, o jovem teve de fazer um trabalho de vigil\u00e2ncia para que moradores de outros bairros n\u00e3o voltassem a depositar seus descartes no local.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Consciente da efetividade da organiza\u00e7\u00e3o popular, ele passou a participar de mais espa\u00e7os de debate p\u00fablico sobre temas locais, como a ocupa\u00e7\u00e3o urbana desordenada, que teve como consequ\u00eancia a redu\u00e7\u00e3o da cobertura vegetal e a falta de arboriza\u00e7\u00e3o adequada, a contamina\u00e7\u00e3o do solo e da \u00e1gua, e a eros\u00e3o costeira. Depois, come\u00e7ou a denunciar quest\u00f5es territoriais regionais, e enfim, a ampliar sua voz a n\u00edvel global.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Em 2023, participou dos <\/span><a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/playlist?list=PLhWY8l8K2BUMadDynE_2UIO5PtXGheXsh\"><span style=\"font-weight: 400;\">Di\u00e1logos Amaz\u00f4nicos<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, evento que levou propostas de pol\u00edticas p\u00fablicas sustent\u00e1veis para pa\u00edses com grandes reservas de floresta tropical no mundo na C\u00fapula da Amaz\u00f4nia. Hoje, ele \u00e9 coordenador da Juventude pelo <\/span><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/ForumDasIlhas\/?locale=pt_BR\"><span style=\"font-weight: 400;\">F\u00f3rum de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel das Ilhas<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, membro do Comit\u00ea Popular de Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas da Ilha e foi empossado como Conselheiro Jovem da UNICEF Brasil.\u00a0<\/span><\/p>\n<h2><b>Conhe\u00e7a a <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/reel\/DP7INZqD1A-\/\">luta de Jo\u00e3o do Clima<\/a><\/b><\/h2>\n<blockquote class=\"instagram-media\" style=\"background: #FFF; border: 0; border-radius: 3px; box-shadow: 0 0 1px 0 rgba(0,0,0,0.5),0 1px 10px 0 rgba(0,0,0,0.15); margin: 1px; max-width: 540px; min-width: 326px; padding: 0; width: calc(100% - 2px);\" data-instgrm-permalink=\"https:\/\/www.instagram.com\/reel\/DRDX2mrjxRY\/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading\" data-instgrm-version=\"14\">\n<div style=\"padding: 16px;\">\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div style=\"display: flex; flex-direction: row; align-items: center;\">\n<div style=\"background-color: #f4f4f4; border-radius: 50%; flex-grow: 0; height: 40px; margin-right: 14px; width: 40px;\"><\/div>\n<div style=\"display: flex; flex-direction: column; flex-grow: 1; justify-content: center;\">\n<div style=\"background-color: #f4f4f4; border-radius: 4px; flex-grow: 0; height: 14px; margin-bottom: 6px; width: 100px;\"><\/div>\n<div style=\"background-color: #f4f4f4; border-radius: 4px; flex-grow: 0; height: 14px; width: 60px;\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div style=\"padding: 19% 0;\"><\/div>\n<div style=\"display: block; height: 50px; margin: 0 auto 12px; width: 50px;\"><\/div>\n<div style=\"padding-top: 8px;\">\n<div style=\"color: #3897f0; font-family: Arial,sans-serif; font-size: 14px; font-style: normal; font-weight: 550; line-height: 18px;\">Ver essa foto no Instagram<\/div>\n<\/div>\n<div style=\"padding: 12.5% 0;\"><\/div>\n<div style=\"display: flex; flex-direction: row; margin-bottom: 14px; align-items: center;\">\n<div>\n<div style=\"background-color: #f4f4f4; border-radius: 50%; height: 12.5px; width: 12.5px; transform: translateX(0px) translateY(7px);\"><\/div>\n<div style=\"background-color: #f4f4f4; height: 12.5px; transform: rotate(-45deg) translateX(3px) translateY(1px); width: 12.5px; flex-grow: 0; margin-right: 14px; margin-left: 2px;\"><\/div>\n<div style=\"background-color: #f4f4f4; border-radius: 50%; height: 12.5px; width: 12.5px; transform: translateX(9px) translateY(-18px);\"><\/div>\n<\/div>\n<div style=\"margin-left: 8px;\">\n<div style=\"background-color: #f4f4f4; border-radius: 50%; flex-grow: 0; height: 20px; width: 20px;\"><\/div>\n<div style=\"width: 0; height: 0; border-top: 2px solid transparent; border-left: 6px solid #f4f4f4; border-bottom: 2px solid transparent; transform: translateX(16px) translateY(-4px) rotate(30deg);\"><\/div>\n<\/div>\n<div style=\"margin-left: auto;\">\n<div style=\"width: 0px; border-top: 8px solid #F4F4F4; border-right: 8px solid transparent; transform: translateY(16px);\"><\/div>\n<div style=\"background-color: #f4f4f4; flex-grow: 0; height: 12px; width: 16px; transform: translateY(-4px);\"><\/div>\n<div style=\"width: 0; height: 0; border-top: 8px solid #F4F4F4; border-left: 8px solid transparent; transform: translateY(-4px) translateX(8px);\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div style=\"display: flex; flex-direction: column; flex-grow: 1; justify-content: center; margin-bottom: 24px;\">\n<div style=\"background-color: #f4f4f4; border-radius: 4px; flex-grow: 0; height: 14px; margin-bottom: 6px; width: 224px;\"><\/div>\n<div style=\"background-color: #f4f4f4; border-radius: 4px; flex-grow: 0; height: 14px; width: 144px;\"><\/div>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"color: #c9c8cd; font-family: Arial,sans-serif; font-size: 14px; line-height: 17px; margin-bottom: 0; margin-top: 8px; overflow: hidden; padding: 8px 0 7px; text-align: center; text-overflow: ellipsis; white-space: nowrap;\"><a style=\"color: #c9c8cd; font-family: Arial,sans-serif; font-size: 14px; font-style: normal; font-weight: normal; line-height: 17px; text-decoration: none;\" href=\"https:\/\/www.instagram.com\/reel\/DRDX2mrjxRY\/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Uma publica\u00e7\u00e3o compartilhada por Jornal O Guajar\u00e1 (@oguajara)<\/a><\/p>\n<\/div>\n<\/blockquote>\n<p><script async src=\"\/\/www.instagram.com\/embed.js\"><\/script><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Apesar de morarem a cerca de 3 mil quil\u00f4metros de dist\u00e2ncia e enfrentarem desafios locais, Jahzara e Jo\u00e3o revelaram, durante as entrevistas, compartilharem de um mesmo sentimento: a ansiedade clim\u00e1tica.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">&#8220;Eu passo muito por isso&#8221;, contempla Jahzara. De acordo com a ativista, o tema \u00e9 abordado constantemente em seu cotidiano, desde os estudos em geoci\u00eancias at\u00e9 o trabalho com coopera\u00e7\u00e3o internacional no <\/span><a href=\"https:\/\/www.google.com\/aclk?sa=L&amp;pf=1&amp;ai=DChsSEwj_1NSRrNmQAxUatwMAHflyHl0YACICCAEQABoCb2E&amp;co=1&amp;ase=2&amp;gclid=Cj0KCQiA5abIBhCaARIsAM3-zFUFF5youq6RFc2T0cPva32dK0FzVsqY2UPhKRmgVZscUMfF2YPJt3caAin9EALw_wcB&amp;cid=CAASNuRomaiXmRUe31_K6EhaTn7GClxVoDri8H-WJq_-XmN27OESdNUrsIXhCWxxe0IhXCwrx5ocaw&amp;cce=2&amp;category=acrcp_v1_32&amp;sig=AOD64_1C3JYebPuLINk7XSLar-ah9udBdg&amp;q&amp;nis=4&amp;adurl=https:\/\/arapyau.org.br\/?gad_source%3D1%26gad_campaignid%3D21671619517%26gbraid%3D0AAAAAoayJtqrUe89FqwEHnAMQ4ALH5_aH%26gclid%3DCj0KCQiA5abIBhCaARIsAM3-zFUFF5youq6RFc2T0cPva32dK0FzVsqY2UPhKRmgVZscUMfF2YPJt3caAin9EALw_wcB&amp;ved=2ahUKEwjmws2RrNmQAxW14skDHYKjHi0Q0Qx6BAgMEAE\"><span style=\"font-weight: 400;\">Instituto Arapya\u00fa<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">. Durante toda a sua vida, a preocupa\u00e7\u00e3o com o impacto das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas sempre gerou ansiedade.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">&#8220;\u00c9 algo da nossa gera\u00e7\u00e3o, n\u00e9? A ecoansiedade vem de diferentes formas para roubar os sonhos da nossa gera\u00e7\u00e3o. Eu vejo que rouba os sonhos da minha irm\u00e3zinha, que j\u00e1 fala que n\u00e3o vai ter filho porque o mundo vai acabar&#8221;, relata. Em poucas palavras, ela resume sua opini\u00e3o: a ansiedade clim\u00e1tica coloca as pessoas numa posi\u00e7\u00e3o limitada sobre as possibilidades de viver a vida.<\/span><\/p>\n<table>\n<tbody>\n<tr>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">&#8220;Eu j\u00e1 nasci ativista, assim como as mulheres que vieram antes de mim tamb\u00e9m nasceram, por lutar pela pr\u00f3pria sobreviv\u00eancia&#8221;, diz Jahzara On\u00e1.<\/span><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">No ano passado, quando a Ilha de Caratateua enfrentou recorde de queimadas e inc\u00eandios criminosos, Jo\u00e3o recebeu uma liga\u00e7\u00e3o de um morador desesperado: &#8220;Olha, t\u00e1 tendo inc\u00eandio aqui no meu bairro, aqui do lado de casa. O que eu fa\u00e7o?&#8221;.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Era meia-noite e, ao inv\u00e9s de procurar o corpo de bombeiros, os moradores da ilha come\u00e7aram a relatar sobre o fogo para Jo\u00e3o. Ele recebeu as den\u00fancias, ligou para os bombeiros e at\u00e9 enviou pessoal da sua equipe \u2014 composta por familiares e colegas de turma \u2014 para tentar resolver as quest\u00f5es de inc\u00eandio criminoso. &#8220;Essa situa\u00e7\u00e3o me deixou muito frustrado e todo mundo da minha fam\u00edlia percebeu isso&#8221;, relembra, emotivo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Em outro momento, na \u00e9poca do vazamento de \u00f3leo na ilha, Jo\u00e3o recebeu em primeira m\u00e3o alguns v\u00eddeos de den\u00fancia enviados por moradores. Como j\u00e1 era madrugada, o seu av\u00f4 aconselhou que Jo\u00e3o dormisse, e no dia seguinte, alertasse as autoridades e entrasse em contato com parlamentares para avan\u00e7ar a den\u00fancia no Minist\u00e9rio P\u00fablico ou na Secretaria de Meio Ambiente.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O respiro durou pouco. Na manh\u00e3 seguinte, enquanto estava assistindo aula, Jo\u00e3o come\u00e7ou a receber liga\u00e7\u00f5es de ve\u00edculos de comunica\u00e7\u00e3o pedindo posicionamento do estudante sobre o caso. A insist\u00eancia foi tanta que ele decidiu sacrificar o momento de ensino para intervir no desastre ambiental: &#8220;N\u00e3o consegui estudar mais, pedi para o professor para sair de aula&#8221;.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Jahzara menciona que encontrou duas formas de encarar sua ansiedade clim\u00e1tica. A primeira \u00e9 de pensar nas hist\u00f3rias de sua m\u00e3e, de sua av\u00f3 e dela mesma. &#8220;Eu j\u00e1 nasci ativista, assim como as mulheres que vieram antes de mim tamb\u00e9m nasceram, por lutar pela pr\u00f3pria sobreviv\u00eancia&#8221;, diz. Sua motiva\u00e7\u00e3o em continuar engajada no ativismo socioambiental \u00e9 uma perspectiva de mudan\u00e7a na pr\u00f3xima gera\u00e7\u00e3o, a de sua irm\u00e3, que tem 10 anos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">&#8220;\u00c9 um olhar para tr\u00e1s para poder olhar para frente&#8221;. Na segunda maneira, Jahzara resgata a ancestralidade e os saberes adquiridos com as matriarcas da fam\u00edlia para dar sustento \u00e0s suas expectativas e motiva\u00e7\u00f5es.<\/span><\/p>\n<h2><b>Justi\u00e7a clim\u00e1tica<\/b><\/h2>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Em abril deste ano, comunidades de pescadores, ribeirinhos e ambientalistas <\/span><a href=\"https:\/\/revistacenarium.com.br\/moradores-denunciam-vazamento-de-oleo-em-ilha-de-belem\/\"><span style=\"font-weight: 400;\">denunciaram vazamentos de petr\u00f3leo no Terminal Portu\u00e1rio de Outeiro<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, na Ilha de Caratateua. O porto tem recebido navios de cruzeiro das delega\u00e7\u00f5es e organiza\u00e7\u00f5es que participam da COP 30, espa\u00e7o de discuss\u00e3o e negocia\u00e7\u00e3o sobre as mudan\u00e7as no clima e que deve debater, entre tantos temas, a justi\u00e7a clim\u00e1tica.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">N\u00e3o tem, ou n\u00e3o deveria ter, como enfrentar a crise clim\u00e1tica sem falar de justi\u00e7a clim\u00e1tica, diz Ciro Brito, analista de pol\u00edticas clim\u00e1ticas no <\/span><a href=\"https:\/\/socioambiental.org\/\"><span style=\"font-weight: 400;\">Instituto Socioambiental (ISA)<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\"> e coordenador do grupo tem\u00e1tico Amaz\u00f4nia na Latin American Climate Lawyers Initiative for Mobilizing Action (LACLIMA).\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">As mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e a profunda desigualdade s\u00e3o indissoci\u00e1veis, e s\u00e3o um dos maiores desafios da atualidade. De acordo com o especialista, o debate sobre justi\u00e7a clim\u00e1tica deve partir do combate \u00e0s injusti\u00e7as sociais, com a\u00e7\u00f5es voltadas \u00e0s popula\u00e7\u00f5es mais vulner\u00e1veis: &#8220;Justi\u00e7a clim\u00e1tica \u00e9 tamb\u00e9m uma pol\u00edtica de repara\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica aos p\u00fablicos desfavorecidos no Brasil, parcela que mais sente os efeitos da crise com maior intensidade: mulheres, crian\u00e7as, popula\u00e7\u00f5es perif\u00e9ricas, ind\u00edgenas&#8221;, descreve.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Para al\u00e9m das hist\u00f3rias de Jahzara e Jo\u00e3o, o caso dos povos ind\u00edgenas exemplifica essa injusti\u00e7a: <\/span><a href=\"https:\/\/alerta.mapbiomas.org\/2023\/06\/12\/terras-indigenas-permanecem-como-os-territorios-mais-preservados-do-brasil\/\"><span style=\"font-weight: 400;\">Terras Ind\u00edgenas s\u00e3o as \u00e1reas mais preservadas do Brasil<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, mostra estudo do MapBiomas, divulgado em 2023.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Por\u00e9m, o diagn\u00f3stico desses territ\u00f3rios, que est\u00e3o entre as mais conservadas do Brasil e fundamentais no combate \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, aponta para impactos diretos nos seus modos de vida: inseguran\u00e7a alimentar e desalojamentos causados por secas e grandes enchentes, mudan\u00e7as no fluxo dos rios gerados por obras de infraestrutura e ondas de calor, por exemplo.<\/span><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-2089 size-full\" src=\"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/unnamed-1.jpg\" alt=\"\" width=\"512\" height=\"341\" srcset=\"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/unnamed-1.jpg 512w, https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/unnamed-1-300x200.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 512px) 100vw, 512px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-weight: 400; font-size: 10pt;\">Ind\u00edgenas de v\u00e1rias etnias que participam do Acampamento Terra Livre 2024 marcham na Esplanada dos Minist\u00e9rios. Foto: Rafa Neddermeyer\/ Ag\u00eancia Brasil<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O desafio pode ser ainda maior para as novas gera\u00e7\u00f5es. Para Jo\u00e3o do Clima, as organiza\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas devem atentar-se a como ser\u00e1 a participa\u00e7\u00e3o da juventude nas mesas de di\u00e1logo e de tomadas de decis\u00e3o: &#8220;Como essas crian\u00e7as e adolescentes v\u00e3o se manter nesses espa\u00e7os, como eles v\u00e3o se relacionar e como eles v\u00e3o ter as vozes deles ouvidas?&#8221;, indaga.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">As discuss\u00f5es dos espa\u00e7os de tomada de decis\u00e3o interferem na abordagem da juventude ativista. Jo\u00e3o argumenta que essas mesas internacionais, como a COP 30 e a Rio 92, e nacionais, como o F\u00f3rum Brasileiro de Mudan\u00e7a do Clima, s\u00e3o pensadas para homens brancos e adultos do Norte Global \u2014 isto \u00e9, conjunto de pa\u00edses desenvolvidos, a maioria situada no hemisf\u00e9rio norte, caracterizados por economias avan\u00e7adas, altos n\u00edveis de renda per capita, e um significativo grau de influ\u00eancia nas institui\u00e7\u00f5es financeiras e pol\u00edticas internacionais, como os Estados Unidos, pa\u00edses da Europa Ocidental, o Jap\u00e3o e a Austr\u00e1lia.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O estudante sinaliza que, apesar das mesas de tomada de decis\u00e3o n\u00e3o serem abertas para ampla participa\u00e7\u00e3o popular, em particular das juventudes perif\u00e9ricas e em contexto de vulnerabilidade clim\u00e1tica, \u00e9 preciso organizar uma articula\u00e7\u00e3o e estrat\u00e9gia para ocupar o espa\u00e7o: &#8220;Somos adolescentes em meio a um monte de adultos de terno e gravata. Precisamos nos adaptar para ocupar esse espa\u00e7o, sen\u00e3o n\u00e3o conseguiremos reverter toda essa coloniza\u00e7\u00e3o que existe dentro da agenda clim\u00e1tica&#8221;.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Em outra perspectiva, Jo\u00e3o expressa que, \u00e0s vezes, prefere n\u00e3o receber not\u00edcias para n\u00e3o se frustrar na tentativa de resolver as ocorr\u00eancias. Ele decidiu colocar limites pessoais para n\u00e3o engatilhar a ansiedade clim\u00e1tica: &#8220;Eu n\u00e3o tenho poder para resolver essas situa\u00e7\u00f5es porque algumas est\u00e3o al\u00e9m do meu alcance. O que a gente pode fazer, a gente faz. Mas a gente n\u00e3o pode abra\u00e7ar o mundo, sabe?&#8221;.<\/span><\/p>\n<h2>Caminhos<\/h2>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Para Ciro Brito, a chave \u00e9 a comunica\u00e7\u00e3o. O especialista comenta que as preocupa\u00e7\u00f5es geracionais representam mudan\u00e7as nos seus respectivos modos de comunicar, como a linguagem utilizada, a presen\u00e7a nas redes sociais, o acesso \u00e0 internet, e principalmente, no potencial em ajudar a sociedade a se apropriar desses instrumentos de comunica\u00e7\u00e3o para enfrentar as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Um dos caminhos, sugerido por <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/p\/DNJrxPmtJZK\/\">Tha\u00eds Brianezi<\/a>, docente de Licenciatura em Educomunica\u00e7\u00e3o na Escola de Comunica\u00e7\u00f5es e Artes da USP, parte da abordagem do tema em sala de aula. Esse \u00e9 o ponto de partida do projeto <\/span><a href=\"https:\/\/www.monitoraea.org.br\/sobre\/educom_clima\"><i><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cComo a educomunica\u00e7\u00e3o pode ampliar e qualificar as pr\u00e1ticas de educa\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica na Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica no Brasil?\u201d<\/span><\/i><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, chamado de Educom &amp; Clima, apoiado pela Funda\u00e7\u00e3o de Amparo \u00e0 Pesquisa do Estado de S\u00e3o Paulo (Fapesp).<\/span><\/p>\n<blockquote class=\"instagram-media\" style=\"background: #FFF; border: 0; border-radius: 3px; box-shadow: 0 0 1px 0 rgba(0,0,0,0.5),0 1px 10px 0 rgba(0,0,0,0.15); margin: 1px; max-width: 540px; min-width: 326px; padding: 0; width: calc(100% - 2px);\" data-instgrm-permalink=\"https:\/\/www.instagram.com\/reel\/DNJrxPmtJZK\/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading\" data-instgrm-version=\"14\">\n<div style=\"padding: 16px;\">\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div style=\"display: flex; flex-direction: row; align-items: center;\">\n<div style=\"background-color: #f4f4f4; border-radius: 50%; flex-grow: 0; height: 40px; margin-right: 14px; width: 40px;\"><\/div>\n<div style=\"display: flex; flex-direction: column; flex-grow: 1; justify-content: center;\">\n<div style=\"background-color: #f4f4f4; border-radius: 4px; flex-grow: 0; height: 14px; margin-bottom: 6px; width: 100px;\"><\/div>\n<div style=\"background-color: #f4f4f4; border-radius: 4px; flex-grow: 0; height: 14px; width: 60px;\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div style=\"padding: 19% 0;\"><\/div>\n<div style=\"display: block; height: 50px; margin: 0 auto 12px; width: 50px;\"><\/div>\n<div style=\"padding-top: 8px;\">\n<div style=\"color: #3897f0; font-family: Arial,sans-serif; font-size: 14px; font-style: normal; font-weight: 550; line-height: 18px;\">Ver essa foto no Instagram<\/div>\n<\/div>\n<div style=\"padding: 12.5% 0;\"><\/div>\n<div style=\"display: flex; flex-direction: row; margin-bottom: 14px; align-items: center;\">\n<div>\n<div style=\"background-color: #f4f4f4; border-radius: 50%; height: 12.5px; width: 12.5px; transform: translateX(0px) translateY(7px);\"><\/div>\n<div style=\"background-color: #f4f4f4; height: 12.5px; transform: rotate(-45deg) translateX(3px) translateY(1px); width: 12.5px; flex-grow: 0; margin-right: 14px; margin-left: 2px;\"><\/div>\n<div style=\"background-color: #f4f4f4; border-radius: 50%; height: 12.5px; width: 12.5px; transform: translateX(9px) translateY(-18px);\"><\/div>\n<\/div>\n<div style=\"margin-left: 8px;\">\n<div style=\"background-color: #f4f4f4; border-radius: 50%; flex-grow: 0; height: 20px; width: 20px;\"><\/div>\n<div style=\"width: 0; height: 0; border-top: 2px solid transparent; border-left: 6px solid #f4f4f4; border-bottom: 2px solid transparent; transform: translateX(16px) translateY(-4px) rotate(30deg);\"><\/div>\n<\/div>\n<div style=\"margin-left: auto;\">\n<div style=\"width: 0px; border-top: 8px solid #F4F4F4; border-right: 8px solid transparent; transform: translateY(16px);\"><\/div>\n<div style=\"background-color: #f4f4f4; flex-grow: 0; height: 12px; width: 16px; transform: translateY(-4px);\"><\/div>\n<div style=\"width: 0; height: 0; border-top: 8px solid #F4F4F4; border-left: 8px solid transparent; transform: translateY(-4px) translateX(8px);\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div style=\"display: flex; flex-direction: column; flex-grow: 1; justify-content: center; margin-bottom: 24px;\">\n<div style=\"background-color: #f4f4f4; border-radius: 4px; flex-grow: 0; height: 14px; margin-bottom: 6px; width: 224px;\"><\/div>\n<div style=\"background-color: #f4f4f4; border-radius: 4px; flex-grow: 0; height: 14px; width: 144px;\"><\/div>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"color: #c9c8cd; font-family: Arial,sans-serif; font-size: 14px; line-height: 17px; margin-bottom: 0; margin-top: 8px; overflow: hidden; padding: 8px 0 7px; text-align: center; text-overflow: ellipsis; white-space: nowrap;\"><a style=\"color: #c9c8cd; font-family: Arial,sans-serif; font-size: 14px; font-style: normal; font-weight: normal; line-height: 17px; text-decoration: none;\" href=\"https:\/\/www.instagram.com\/reel\/DNJrxPmtJZK\/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Uma publica\u00e7\u00e3o compartilhada por Imprensa Teen Azanha (@imprensateenazanha)<\/a><\/p>\n<\/div>\n<\/blockquote>\n<p><script async src=\"\/\/www.instagram.com\/embed.js\"><\/script><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O objetivo da pesquisa \u00e9 mapear as principais organiza\u00e7\u00f5es de educa\u00e7\u00e3o e comunica\u00e7\u00e3o que trabalham a educa\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica nas escolas do Brasil, de forma que os alunos assimilem o conhecimento sobre emerg\u00eancia clim\u00e1tica e que ajam a partir desse ac\u00famulo te\u00f3rico promovendo a\u00e7\u00f5es locais para um enfrentamento ativo \u00e0s mudan\u00e7as do clima. O Educom &amp; Clima mapeou as iniciativas em diversos estados do pa\u00eds, registradas no <\/span><a href=\"https:\/\/www.monitoraea.org.br\/\"><span style=\"font-weight: 400;\">Sistema Brasileiro de Monitoramento e Avalia\u00e7\u00e3o da Educa\u00e7\u00e3o Ambiental<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A professora indica que o ambiente escolar pode incentivar a juventude a elaborar suas pr\u00f3prias mensagens para tentar enfrentar a emerg\u00eancia clim\u00e1tica: Os jovens com as suas estrat\u00e9gias e as suas vozes s\u00e3o mais potentes para falar para os pr\u00f3prios jovens, para construir as pr\u00f3prias narrativas, explica. Essa a\u00e7\u00e3o \u00e9 feita a partir de tr\u00eas pilares.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O primeiro diz respeito \u00e0 leitura cr\u00edtica das m\u00eddias, isto \u00e9, a habilidade de analisar e interpretar informa\u00e7\u00f5es com criticidade. Ou seja, os jovens devem saber identificar fontes confi\u00e1veis, reconhecer desinforma\u00e7\u00e3o, questionar as pretens\u00f5es da mensagem e procurar uma diversidade de perspectivas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Exemplo da relev\u00e2ncia desta compet\u00eancia \u00e9 vista diante dos perigos do negacionismo clim\u00e1tico \u2014 express\u00e3o usada para definir a manifesta\u00e7\u00e3o contr\u00e1ria ao fen\u00f4meno do aquecimento global provocado por atividades humanas e que recusa os resultados encontrados pela ci\u00eancia. Uma pesquisa realizada pelo Datafolha em abril deste ano revela que <\/span><a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ambiente\/2025\/05\/parcela-de-brasileiros-que-nega-risco-das-mudancas-climaticas-cresce-para-9-mostra-datafolha.shtml\"><span style=\"font-weight: 400;\">9% dos brasileiros negam os riscos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Em segundo lugar, a professora Brianezi recomenda que sejam realizadas a\u00e7\u00f5es colaborativas, que sejam conectadas com as viv\u00eancias e linguagens de cada territ\u00f3rio. &#8220;N\u00e3o d\u00e1 para falar da emerg\u00eancia clim\u00e1tica s\u00f3 falando do urso polar do Polo Norte&#8221;, adverte.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Curiosamente, a figura do urso polar tamb\u00e9m apareceu na entrevista com a Jahzara, como um s\u00edmbolo de uma falsa sensa\u00e7\u00e3o de distanciamento da crise clim\u00e1tica. Cerca de 35% dos entrevistados pela Folha de S. Paulo afirma que as mudan\u00e7as do clima n\u00e3o s\u00e3o um risco imediato.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">&#8220;\u00c9 preciso acompanhar jovens ativistas que falam sobre o assunto nas redes sociais, apoiar movimentos e organiza\u00e7\u00f5es que est\u00e3o fazendo press\u00e3o pol\u00edtica, que est\u00e3o fazendo um trabalho dentro da \u00e1rea, e se engajar com esses coletivos. E n\u00e3o olhar a crise clim\u00e1tica como algo que acontece s\u00f3 com o urso polar l\u00e1 longe, mas que acontece aqui e est\u00e1 acontecendo agora&#8221;, urge a ativista Jahzara, em recomenda\u00e7\u00f5es para que os jovens se engajem na pauta clim\u00e1tica.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Por fim, \u00e9 necess\u00e1ria uma gest\u00e3o compartilhada de iniciativas: a mobiliza\u00e7\u00e3o contra a crise clim\u00e1tica deve ser realizada de forma conjunta, com a uni\u00e3o de esfor\u00e7os por uma mesma causa, numa agenda de pol\u00edticas p\u00fablicas que contemplem os compromissos de comunica\u00e7\u00e3o e educa\u00e7\u00e3o e tamb\u00e9m de adapta\u00e7\u00e3o e mitiga\u00e7\u00e3o de efeitos.<\/span><\/p>\n<h2><b>Tem solu\u00e7\u00e3o<\/b><\/h2>\n<p><a href=\"https:\/\/apublica.org\/2024\/02\/eles-salvaram-vidas-porque-aprenderam-sobre-mudancas-climaticas-na-escola\/\"><span style=\"font-weight: 400;\">Eles salvaram vidas porque aprenderam sobre mudan\u00e7as clim\u00e1ticas na escola<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">. Esse \u00e9 o t\u00edtulo de uma reportagem da Ag\u00eancia P\u00fablica que narra um caso emblem\u00e1tico de como o ensino sobre eventos extremos em sala de aula ajudou uma comunidade pernambucana a se proteger de fortes chuvas e evitar mortes, diferentemente da realidade em outros bairros de Jaboat\u00e3o dos Guararapes (PE), nas quais a \u00e1gua e a vulnerabilidade clim\u00e1tica vitimaram 64 pessoas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Em uma madrugada de maio de 2022, a chuva era incessante. Quando acordou, o estudante Al\u00e9xys Gabriel Ferreira, com 16 anos na \u00e9poca, percebeu que desenhava-se um cen\u00e1rio de risco para a comunidade de Retiro, onde morava. O indicador de alerta foi o pluvi\u00f4metro caseiro, constru\u00eddo durante treinamento do <\/span><a href=\"https:\/\/eaesp.fgv.br\/centros\/centro-estudos-administracao-publica-e-governo\/projetos\/dados-prova-dagua\"><span style=\"font-weight: 400;\">projeto Dados \u00e0 Prova D\u2019\u00c1gua<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, iniciativa idealizada pelo Cemaden, e desenvolvido em colabora\u00e7\u00e3o de outras institui\u00e7\u00f5es de ensino brasileiras e internacionais.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ent\u00e3o, o jovem decidiu seguir as recomenda\u00e7\u00f5es de preven\u00e7\u00e3o que aprendeu no projeto: pediu para que os moradores evacuassem suas casas, em articula\u00e7\u00e3o junto \u00e0 Defesa Civil. A a\u00e7\u00e3o surtiu efeito: vizinhos deixaram as \u00e1reas de risco e seguiram por rotas de fuga desenhadas para a preven\u00e7\u00e3o de riscos em casos de deslizamentos de terra, tra\u00e7adas pela turma de estudantes. Em tr\u00eas dias, cinco casas desabaram sem deixar mortos, uma resposta enf\u00e1tica do ensino como estrat\u00e9gia de adapta\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">&#8220;Por que mais crian\u00e7as e adolescentes est\u00e3o se tornando ativistas? Por que, em vez de estarem brincando, estudando ou se relacionando com os adolescentes, eles est\u00e3o ocupando espa\u00e7os que at\u00e9 ent\u00e3o n\u00e3o eram feitos para n\u00f3s?&#8221;, contesta Jo\u00e3o. O jovem afirma que, para al\u00e9m da alegria com os ativistas serem cada vez mais jovens, \u00e9 preciso olhar para esse cen\u00e1rio com preocupa\u00e7\u00e3o. Se crian\u00e7as e adolescentes est\u00e3o se tornando ativistas mais cedo, \u00e9 porque os tomadores de decis\u00e3o n\u00e3o est\u00e3o realmente tomando decis\u00f5es corretas e quem tem o poder nas m\u00e3os para mudar n\u00e3o est\u00e1 mudando.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A professora Brianezi refor\u00e7a que, embora a agenda de pol\u00edticas p\u00fablicas contra a crise clim\u00e1tica reforce a import\u00e2ncia da educa\u00e7\u00e3o no enfrentamento, essa responsabilidade n\u00e3o pode recair somente sobre as gera\u00e7\u00f5es futuras: &#8220;Os jovens s\u00e3o fundamentais, mas n\u00e3o suficientes&#8221;.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Segundo ela, essa pode ser uma oportunidade de n\u00e3o mais naturalizar e tolerar as injusti\u00e7as socioambientais e, ao mesmo tempo, de enfrentar as mudan\u00e7as do clima. &#8220;Jovem, a sua luta importa. A emerg\u00eancia clim\u00e1tica \u00e9 uma oportunidade da gente somar for\u00e7as&#8221;, conclui.<\/span><\/p>\n<h2><b>Por que se importar com o clima?<\/b><\/h2>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Durante a produ\u00e7\u00e3o da reportagem, a <\/span><b>Revista Babel<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> fez a seguinte pergunta aos entrevistados: <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">&#8220;Por que se importar com o clima?&#8221;<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">. Essas foram as respostas:<\/span><\/p>\n<p><b>Jahzara Ona: <\/b><span style=\"font-weight: 400;\">A primeira dica que eu daria \u00e9 que voc\u00ea n\u00e3o est\u00e1 sozinho. \u00c9 uma luta real, porque \u00e0s vezes a gente fala de clima e parece algo t\u00e3o constante, o que faz com que a juventude n\u00e3o queira se engajar. Mas \u00e9 algo que est\u00e1 muito perto e que tem muita gente nessa luta e que se soma com outras lutas tamb\u00e9m.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-2092\" src=\"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/WhatsApp-Image-2025-10-02-at-17.32.43-512x768.jpeg\" alt=\"\" width=\"512\" height=\"768\" srcset=\"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/WhatsApp-Image-2025-10-02-at-17.32.43-512x768.jpeg 512w, https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/WhatsApp-Image-2025-10-02-at-17.32.43-200x300.jpeg 200w, https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/WhatsApp-Image-2025-10-02-at-17.32.43-768x1153.jpeg 768w, https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/WhatsApp-Image-2025-10-02-at-17.32.43-1023x1536.jpeg 1023w, https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/WhatsApp-Image-2025-10-02-at-17.32.43.jpeg 1066w\" sizes=\"auto, (max-width: 512px) 100vw, 512px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-weight: 400; font-size: 10pt;\">Jahzara On\u00e1 \u00e9 uma das vozes emergentes no ativismo clim\u00e1tico. Foto: Acervo Pessoal.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Falar de clima tamb\u00e9m \u00e9 falar sobre meio ambiente, inseguran\u00e7a alimentar, viol\u00eancia policial, sa\u00fade, porque todas essas pautas est\u00e3o ligadas e o indiv\u00edduo que est\u00e1 vulner\u00e1vel a tudo isso tamb\u00e9m est\u00e1 vulner\u00e1vel \u00e0 crise clim\u00e1tica. \u00c9 importante falar sobre porque o clima se liga com todas as outras pautas e todas as outras quest\u00f5es sociais que a gente tem que resolver no mundo. N\u00e3o tem como falar de justi\u00e7a clim\u00e1tica sem falar de justi\u00e7a social e vice-versa.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00c9 importante se importar com o clima, porque se trata sobre vida, o futuro e o presente. \u00c9 simplesmente a coisa mais importante que a gente tem para tratar agora.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">N\u00e3o pare de lutar, tenha sonhos, tenha esperan\u00e7a. N\u00e3o deixe que o clima roube seus sonhos, muito pelo contr\u00e1rio, fa\u00e7a dele uma motiva\u00e7\u00e3o para continuar lutando e movimentando a\u00ed esse mund\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">E espero que essa COP seja da juventude, porque a gente \u00e9 muito protagonista nessa pauta, tanto no Brasil quanto no mundo.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><b>Jo\u00e3o do Clima:<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> A juventude \u00e9 a gera\u00e7\u00e3o mais afetada pela crise clim\u00e1tica.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ent\u00e3o, j\u00e1 que os tomadores de decis\u00e3o n\u00e3o est\u00e3o tomando decis\u00e3o e quem tem o poder na m\u00e3o para mudar n\u00e3o est\u00e1 mudando nada, n\u00f3s \u2014 a gera\u00e7\u00e3o mais impactada por essa crise que o planeta est\u00e1 enfrentando, que \u00e9 a crise clim\u00e1tica \u2014 temos que come\u00e7ar a ocupar espa\u00e7os que n\u00e3o s\u00e3o pensados para n\u00f3s, que n\u00e3o s\u00e3o feitos para n\u00f3s, que n\u00e3o s\u00e3o feitos de n\u00f3s para n\u00f3s.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">E come\u00e7ar a falar, come\u00e7ar a denunciar quest\u00f5es e direitos que n\u00e3o est\u00e3o sendo garantidos em nossos territ\u00f3rios, em nossos lares, em nossas fam\u00edlias, com os nossos povos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">E pensar que a mudan\u00e7a do clima e a crise clim\u00e1tica s\u00e3o como uma tempestade. Todos est\u00e3o dentro dessa tempestade, mas nem todos est\u00e3o no mesmo barco. N\u00f3s temos pessoas em iates, em cruzeiros e outras em canoas e rabetas, que s\u00e3o n\u00f3s, os [que] menos poluem e somos os mais afetados. \u00c9 o racismo ambiental.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><b>Ciro Brito: <\/b><span style=\"font-weight: 400;\">O clima impacta a vida diretamente, e pode te impedir de fazer suas atividades, do que voc\u00ea mais gosta, seja por calor ou seja por chuvas que causam enchentes. O clima afeta diretamente a cadeia de produ\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Por exemplo: com a maior frequ\u00eancia de eventos clim\u00e1ticos extremos, a comida que voc\u00ea come pode ficar mais cara, e talvez por um per\u00edodo estar\u00e1 indispon\u00edvel; o colapso clim\u00e1tico pode gerar falta de acesso \u00e0 internet, uma vez que as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas refor\u00e7am a crise h\u00eddrica, que interfere na quantidade de \u00e1gua que abastece o sistema de resfriamento de servidores das big techs; espa\u00e7os que voc\u00ea gosta de frequentar podem n\u00e3o estar mais frequent\u00e1veis por enchentes ou secas; e at\u00e9 pessoas com quem voc\u00ea se relaciona e voc\u00ea mesmo s\u00e3o afetados.<\/span><\/p>\n<p><b>Tha\u00eds Brianezi:<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> O clima \u00e9 uma quest\u00e3o chave da nossa sobreviv\u00eancia hoje, enquanto esp\u00e9cie humana, mas tamb\u00e9m coloca em risco a sobreviv\u00eancia das demais esp\u00e9cies, n\u00e3o s\u00f3 animais, mas de plantas. O clima \u00e9 uma quest\u00e3o n\u00e3o de morte, mas de vida.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Jovens, o problema \u00e9 enorme, mas tem solu\u00e7\u00e3o. Tem solu\u00e7\u00e3o e n\u00e3o \u00e9 dentro da perspectiva capitalista, mas querem nos fazer crer que \u00e9 mais f\u00e1cil acabar o mundo com o capitalismo. Isso n\u00e3o \u00e9 verdade. E que bom que muitos jovens est\u00e3o percebendo que isso n\u00e3o \u00e9 verdade. Existem outros mundos poss\u00edveis, outras formas de consumir e produzir.<\/span><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-2093\" src=\"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/WhatsApp-Image-2025-11-06-at-13.10.17-1024x768.jpeg\" alt=\"\" width=\"747\" height=\"560\" srcset=\"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/WhatsApp-Image-2025-11-06-at-13.10.17-1024x768.jpeg 1024w, https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/WhatsApp-Image-2025-11-06-at-13.10.17-300x225.jpeg 300w, https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/WhatsApp-Image-2025-11-06-at-13.10.17-768x576.jpeg 768w, https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/WhatsApp-Image-2025-11-06-at-13.10.17.jpeg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 747px) 100vw, 747px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-weight: 400; font-size: 10pt;\">Tha\u00eds Brianezi \u00e9 coordenadora de projeto de pesquisa sobre educomunica\u00e7\u00e3o socioambiental. Foto: Acervo Pessoal.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Quem mais resistiu desde a coloniza\u00e7\u00e3o, por exemplo, no Brasil, as comunidades escravizadas, os quilombolas, os povos origin\u00e1rios ind\u00edgenas, sabem que a face mais vis\u00edvel do problema \u00e9 a mudan\u00e7a clim\u00e1tica, mas o problema come\u00e7a desde a coloniza\u00e7\u00e3o, pelo menos.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A emerg\u00eancia clim\u00e1tica pode ser uma oportunidade de n\u00e3o mais naturalizar, n\u00e3o mais tolerar [essas injusti\u00e7as] e por um outro lado, para enfrentar a emerg\u00eancia clim\u00e1tica. Jovem, a sua luta importa. Jovem, sindicalista, sem terra, sem teto. A emerg\u00eancia clim\u00e1tica \u00e9 uma oportunidade da gente somar for\u00e7as.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Se a gente acreditar que n\u00e3o tem jeito, a gente tem mais risco de ser explorado e manipulado. O que querem nos fazer crer, \u00e9 que n\u00e3o tem mais jeito, tem muito jeito sim.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Especialistas e juventude refletem o envolvimento das novas gera\u00e7\u00f5es na constru\u00e7\u00e3o de caminhos para um futuro justo &#8211; por Tulio Gonzaga\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/?p=2088\"> <\/a>","protected":false},"author":138,"featured_media":2116,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[688,282],"tags":[694,413,331,146,395],"class_list":["post-2088","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-babel-2025-ed-novembro","category-posts-principais","tag-ciencia-tecnologia","tag-futuro","tag-juventude","tag-meio-ambiente","tag-natureza"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v19.10 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>Por que se importar com o clima? 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