{"id":194,"date":"2020-06-21T17:04:36","date_gmt":"2020-06-21T20:04:36","guid":{"rendered":"http:\/\/paineira.usp.br\/cje\/babel\/?p=194"},"modified":"2020-09-30T10:41:44","modified_gmt":"2020-09-30T13:41:44","slug":"nao-amava-o-meu-bebe-quase-o-matei","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/?p=194","title":{"rendered":"\u201cN\u00e3o amava o meu beb\u00ea; quase o matei\u201d"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-medium-font-size\">O drama e a press\u00e3o sobre as mulheres que sofreram com a psicose p\u00f3s-parto<\/p>\n\n\n\n<p>Durante nove longos meses, gestantes guardam dentro de seus ventres o maior de seus tesouros: seu beb\u00ea, seu maior feito, sua mais honrosa conquista, seu maior motivo de orgulho. Entre noites em claro, enjoos e preocupa\u00e7\u00f5es, as quarenta semanas da gravidez podem parecer intermin\u00e1veis, sempre acompanhadas pela ansiedade de se ter, em breve, um nen\u00e9m em seus bra\u00e7os.<\/p>\n\n\n\n<p>Sob certos aspectos, a gesta\u00e7\u00e3o chega ao seu cl\u00edmax durante o parto. \u00c9 nesse momento que a expectativa e a felicidade, fi\u00e9is companheiras da gr\u00e1vida, d\u00e3o lugar \u00e0 dor, \u00e0 respira\u00e7\u00e3o ofegante, \u00e0 pressa. Uma vez finda essa parte do processo, costuma-se pensar que o que resta \u00e9 a alegria, as noites em claro que agora ser\u00e3o passadas na mais pura admira\u00e7\u00e3o do rec\u00e9m-nascido. Mas nem sempre \u00e9 assim.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Para algumas mulheres, o parto \u00e9 simplesmente a porta de entrada para a pior experi\u00eancia de suas vidas: a psicose puerperal, tamb\u00e9m conhecida como psicose p\u00f3s-parto.<\/p>\n\n\n\n<p>Trata-se de uma doen\u00e7a relativamente rara: apenas 1% ou 2% dos partos termina em psicose. O transtorno tende a se manifestar de repente, sem avisos ou pren\u00fancios. Embora mulheres que j\u00e1 apresentam outras doen\u00e7as mentais, como depress\u00e3o e ansiedade, devam ficar mais alerta quanto aos riscos de desenvolver a psicose, esta pode afetar qualquer gestante.<\/p>\n\n\n\n<p>Os sintomas costumam ser graves: mudan\u00e7as de humor abruptas, paran\u00f3ia, alucina\u00e7\u00f5es irritabilidade, priva\u00e7\u00e3o de sono, entre outros. A psicose pode se manifestar de diversas formas. \u00c9 poss\u00edvel, por exemplo que a m\u00e3e adote uma postura superprotetora em rela\u00e7\u00e3o ao nen\u00e9m. Outra op\u00e7\u00e3o \u00e9 que ela n\u00e3o sinta liga\u00e7\u00e3o afetiva alguma com o rec\u00e9m-nascido. Em casos extremos, a m\u00e3e pode at\u00e9 mesmo adotar um comportamento violento e considerar matar o seu nen\u00e9m.<\/p>\n\n\n\n<p>Comecemos aos poucos.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2009, A.I., fisioterapeuta residente de Curitiba, teve sua primeira filha. Mas a gesta\u00e7\u00e3o esteve longe de ser tranquila. \u201cEu passei por muito estresse. Meu marido na \u00e9poca, hoje ex-marido, me violentava f\u00edsica e verbalmente com frequ\u00eancia. Ele gritava, dizendo que j\u00e1 n\u00e3o queria aquela vida para ele, ainda que a tiv\u00e9ssemos planejado juntos.\u201d Desesperada frente \u00e0 possibilidade de ter que criar a nen\u00e9m sozinha, ela pediu que o ent\u00e3o marido esperasse o nascimento da beb\u00ea para decidir se continuaria com ela ou se optaria pela separa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cDepois que nossa filha nasceu, ele melhorou. Chegou a ficar legal e me tratar bem por uns dois meses. Mas n\u00e3o demorou para que come\u00e7asse a sair de madrugada, enquanto eu tentava fazer a nossa filha dormir, sozinha.\u201d A situa\u00e7\u00e3o ficou insustent\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p>O nervosismo gerado pela instabilidade da rela\u00e7\u00e3o com o marido fez com que A.I. desenvolvesse gastrite e tivesse pesadelos recorrentes noite ap\u00f3s noite, entre muitos outros efeitos colaterais dos maus tratos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cOs sintomas mais n\u00edtidos foram a perda de cabelo e de concentra\u00e7\u00e3o. Eu n\u00e3o conseguia comer. Me olhava no espelho e n\u00e3o me reconhecia. Eu era uma pessoa muito triste. Sentia vontade de chorar compulsivamente, pensava obsessivamente sobre o que minha vida havia se tornado.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Quatro meses ap\u00f3s o nascimento da beb\u00ea, o casal enfim optou pela separa\u00e7\u00e3o. A.I. sentia-se sozinha, abandonada, perdida. Sabia que algo estava errado, mas n\u00e3o sabia como consertar. O desespero para mudar algo em sua vida era tamanho que a fisioterapeuta passou a considerar o suic\u00eddio e at\u00e9 mesmo a doa\u00e7\u00e3o da sua rec\u00e9m-nascida.<\/p>\n\n\n\n<p>Como consequ\u00eancia, ela passou a cuidar da filha de muito perto &#8212; perto at\u00e9 demais. A curitibana chegou a passar uma semana inteira em claro para n\u00e3o ter que tirar os olhos da menina, com medo de que algo ruim pudesse acontecer justo nos segundos em que ela desviasse a aten\u00e7\u00e3o. \u201cPara mim, a psicose se manifestou como cuidado excessivo, o que tamb\u00e9m \u00e9 um mau sinal. Psicose n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 viol\u00eancia\u201d, comenta. A. I. chegou a considerar disponibilizar a filha para ado\u00e7\u00e3o, tamanho o seu desespero.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com ela, o transtorno a fazia pensar em coisas em que nunca pensaria se estivesse saud\u00e1vel. Um exemplo \u00e9 o suic\u00eddio: ela chegou a contemplar tirar a pr\u00f3pria vida durante a manifesta\u00e7\u00e3o da psicose. Contudo, agora que ela se encontra em um estado mental melhor, essa op\u00e7\u00e3o parece nunca lhe ter ocorrido. \u201c\u00c9 bizarro. Voc\u00ea considera alternativas que parecem n\u00e3o vir da sua pr\u00f3pria mente, que n\u00e3o pertencem a voc\u00ea, n\u00e3o combinam com o que voc\u00ea quer.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Para A.I., a combina\u00e7\u00e3o de sess\u00f5es de terapia com os cuidados de algumas pessoas pr\u00f3ximas e a prescri\u00e7\u00e3o de rem\u00e9dios bastou para que ela recuperasse sua sa\u00fade mental. Atualmente, ela se encontra bem e totalmente apaixonada por sua filha, de quem tornou-se muito pr\u00f3xima.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas as consequ\u00eancias da psicose p\u00f3s-parto podem ser muito mais trai\u00e7oeiras e letais do que foram para a curitibana. No caso da jornalista de 27 anos Priscila Romalino, residente de Maring\u00e1, o transtorno trouxe a morte para muito perto.<\/p>\n\n\n\n<p>Priscila foi diagnosticada com psicose p\u00f3s-parto em 2017, aproximadamente dois meses depois do nascimento de sua segunda filha. Os primeiros dias depois do parto foram cheios de otimismo e alegria. Tudo parecia correr bem.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEu estava muito feliz, radiante. Parecia que estava vivendo em um comercial de margarina de t\u00e3o perfeita que estava a minha vida. Lembro de olhar para o meu marido e perguntar: \u2018Voc\u00ea est\u00e1 feliz? Eu estou muito feliz!\u2019 Era meio doentio, entende?\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Era a psicose. Como disse A.I., nem todos os efeitos do transtorno parecem imediatamente negativos ou violentos. Logo surgiram os primeiros sintomas, os quais Priscila chama de flashes de insanidade. Eram alucina\u00e7\u00f5es. Aos olhos da jornalista, os del\u00edrios confundiam-se perfeitamente com o real. Ficou imposs\u00edvel distinguir o que era verdade ou n\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEra como se algu\u00e9m estalasse os dedos e outra realidade se formasse diante dos meus olhos. Eu come\u00e7ava a procurar minha nen\u00e9m enlouquecidamente pelo quarto, mesmo sabendo que ela estava no colo de algu\u00e9m e pr\u00f3xima de mim.\u201d Era desesperador. E, t\u00e3o r\u00e1pido quanto chegavam, os flashes sumiam, deixando a paranaense confusa e exausta.<\/p>\n\n\n\n<p>Aos poucos, o comportamento de Priscila se tornava progressivamente agressivo. Conforme os flashes se tornavam mais frequentes, ela sentia como se estivesse passando cada vez mais tempo em sua realidade paralela. Quem sofria as maiores consequ\u00eancias era sua filha.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cUma noite, ela come\u00e7ou a chorar, e eu comecei a chacoalhar seu corpo com for\u00e7a \u2014 tanta for\u00e7a que meu marido teve que intervir. Colocamos a beb\u00ea no sof\u00e1, ao meu lado, mas seu choro n\u00e3o parava. Ent\u00e3o, veio um flash. Entrei na realidade alternativa. Nela, ouvi algo me dizendo para tapar o nariz e a boca da minha nen\u00e9m, pois isso faria com que ela parasse de chorar. Eu ouvia claramente uma voz na minha cabe\u00e7a me mandando silenciar a minha filha a qualquer custo. Ela tinha que parar de chorar.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Priscila encarou a nen\u00e9m, ponderando sobre o que fazer em seguida.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cTentei tapar sua respira\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o tive coragem. Alisei o narizinho dela por uns cinco minutos, mas n\u00e3o consegui continuar. Em um estalo, me dei conta do que tinha chegado perto de fazer e pedi para o meu marido tir\u00e1-la de perto de mim. Voltei, em um flash, \u00e0 realidade.\u201d N\u00e3o demorou para que Priscila entendesse o que tinha acabado de acontecer: ela havia chegado perto de tirar a vida da sua pr\u00f3pria nen\u00e9m. Vale destacar que o infantic\u00eddio (ou seja, o assassinato de crian\u00e7as ou rec\u00e9m-nascidos) \u00e9 resultado da psicose p\u00f3s-parto em 4% dos casos.<\/p>\n\n\n\n<p>Por duas semanas, a paranaense foi impedida de ficar sozinha com a filha. Embora n\u00e3o tenha sido internada, seu marido n\u00e3o dormia enquanto ela estava com a beb\u00ea, em uma tentativa de impedir que elas ficassem a s\u00f3s e prevenir o pior. Por seis meses, a jornalista foi a sess\u00f5es de terapia e fez um tratamento psiqui\u00e1trico com rem\u00e9dios.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Priscila, uma das maiores surpresas resultantes do tratamento n\u00e3o foi exatamente positiva, mas sim um cair da ficha: aquele cen\u00e1rio de comercial de margarina em que ela sentia figurar logo depois do parto tamb\u00e9m era falso, meramente sintom\u00e1tico da psicose. O transtorno a fez sentir diversos sentimentos e emo\u00e7\u00f5es intensas, nem sempre ruins. \u201cFoi um choque perceber que aquela vida perfeita que eu enxergava era falsa.\u201d&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Contudo, para a paranaense, a parte mais dif\u00edcil n\u00e3o foi essa. \u201cLidar com a culpa de ter tentado algo contra minha filha, mesmo que de forma inconsciente, foi uma luta. Pouqu\u00edssimas pessoas sabem de tudo que aconteceu; eu n\u00e3o tive coragem de contar para meus sogros, cunhados ou irm\u00e3o. Me d\u00f3i quando dizem que uma m\u00e3e que machuca ou abandona seu filho merece a morte. Sei que nem todo caso se encaixa na psicose, mas h\u00e1 muitas mulheres que passam pelo que eu passei. N\u00e3o \u00e9 nossa culpa. \u00c9 uma doen\u00e7a.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje, Priscila est\u00e1 muito melhor: voltou a trabalhar e nunca mais apresentou sintomas de psicose. \u201cJ\u00e1 consigo falar de tudo que aconteceu sem chorar, o que \u00e9 um bom sinal. Estou orgulhosa de mim.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00e3o numerosos os casos de psicose p\u00f3s-parto espalhados pelo mundo, e nem todos s\u00e3o t\u00e3o passageiros quanto o de Priscila &#8212; especialmente quando n\u00e3o s\u00e3o tratados da forma adequada.<\/p>\n\n\n\n<p>Para a esteticista Juliana, recifense de 26 anos, a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 mais complexa, duradoura e muito mais recente. Em maio de 2019, dois meses depois de dar \u00e0 luz seu segundo filho, ela foi diagnosticada com psicose p\u00f3s-parto. E seus sintomas passaram longe de serem fracos ou passageiros.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEu escutava vozes que n\u00e3o existiam. Ouvia claramente meu beb\u00ea e meu marido me chamando de burra, dizendo que eu sou in\u00fatil.\u201d Atormentada, a recifense sentia-se sob ataque em sua pr\u00f3pria casa, como em um estado de constante paran\u00f3ia e desconfian\u00e7a. Eram os del\u00edrios, conhecidos sintomas do transtorno.<\/p>\n\n\n\n<p>Muito bem casada h\u00e1 oito anos com o pai de seus dois filhos (ela tamb\u00e9m tem uma menina de cinco anos), Juliana nunca havia tido problemas com a gravidez at\u00e9 engravidar no ano passado. \u201cTenho uma filha que amo muito. A gesta\u00e7\u00e3o dela, diferente da \u00faltima, foi planejada, uma alegria s\u00f3.\u201d&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, foi um choque quando, depois do nascimento de seu segundo filho, a m\u00e3e simplesmente n\u00e3o se sentiu pr\u00f3xima do nen\u00e9m. Era algo totalmente diferente do que ela havia experimentado com sua filha. Da segunda vez, conta a esteticista, n\u00e3o houve felicidade em momento algum da gesta\u00e7\u00e3o ou durante o per\u00edodo posterior ao parto.<\/p>\n\n\n\n<p>No come\u00e7o, Juliana acreditou tratar-se apenas de uma falta de aproxima\u00e7\u00e3o entre m\u00e3e e rec\u00e9m-nascido, algo que poderia ser consertado com o tempo e a conviv\u00eancia. No entanto, ela precisou recorrer a ajuda quando chegou perto de afogar seu nen\u00e9m quando ele tinha somente dois meses de idade.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEra a hora do banho matutino do beb\u00ea. Acabei soltando seu corpo dentro da banheira., Coloquei sua cabe\u00e7a debaixo d\u2019\u00e1gua e me afastei. Fiquei olhando seu corpo submerso por alguns instantes. Tudo o que eu conseguia pensar era o quanto eu queria que o meu sofrimento tivesse fim. Depois de algum tempo, retirei-o da banheira. Desisti da ideia.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Muitas vezes, como no caso de Juliana, a psicose p\u00f3s-parto se apresenta na forma de uma falta de conex\u00e3o entre a m\u00e3e e o rec\u00e9m-nascido. Assim, ela se torna praticamente insens\u00edvel ao instinto de amar e proteger seu beb\u00ea, t\u00e3o comum entre m\u00e3es das mais diversas esp\u00e9cies do reino animal.<\/p>\n\n\n\n<p>Os efeitos do transtorno permanecem com a esteticista at\u00e9 hoje. \u201cSenti culpa pelo que fiz e sinto at\u00e9 hoje. Mesmo assim, sei que n\u00e3o amo o meu beb\u00ea. Amo minha filha mais velha muito mais do que amo meu filho. Mas \u00e9 claro que n\u00e3o conto isso a ningu\u00e9m.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Um aspecto que deve ser ressaltado \u00e9 o de que Juliana ainda n\u00e3o concluiu seu tratamento para psicose. Ela chegou a tomar rem\u00e9dios espec\u00edficos para a doen\u00e7a e foi a algumas sess\u00f5es de terapia, mas teve que mudar os planos por causa do nen\u00e9m. O aumento da dose do medicamento, necess\u00e1rio para seu bem-estar, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel no momento, uma vez que ela ainda amamenta seu filho e o rem\u00e9dio afetaria seu leite.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAinda me sinto muito mal. N\u00e3o s\u00e3o raros os dias em que ou\u00e7o vozes ou que me vejo em meio a del\u00edrios. Mas est\u00e1 mais tranquilo. Acho que acostumei com a situa\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 f\u00e1cil perceber que a culpa foi presente ao longo da dura\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a em todas as m\u00e3es que contaram suas hist\u00f3rias. Mesmo sabendo que se trata de um transtorno involunt\u00e1rio e incontrol\u00e1vel, a sensa\u00e7\u00e3o parece ser intr\u00ednseca \u00e0 psicose p\u00f3s-parto.<\/p>\n\n\n\n<p>Para a t\u00e9cnica de enfermagem Roberta Paix\u00e3o, carioca de 41<strong> <\/strong>anos, a psicose trouxe o sentimento de culpa ainda mais intensamente. Tudo aconteceu em 2012.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois de passar alguns dias com sua filha no hospital, ela mal podia esperar para finalmente peg\u00e1-la no colo &#8212; at\u00e9 ent\u00e3o, a nen\u00e9m estava sob cuidados m\u00e9dicos. Mas o primeiro contato com seu beb\u00ea n\u00e3o foi como ela esperava.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA doen\u00e7a se manifesta de forma muito controversa, \u00e9 tudo muito confuso. Quando a colocaram no meu colo, a primeira coisa em que pensei foi \u2018Joga ela pela janela. Se livra dessa crian\u00e7a\u2019\u201d, contou Roberta. \u201cAo mesmo tempo em que pensava em jogar a beb\u00ea no ch\u00e3o, tinha pensamentos do tipo \u2018E se ela se machucar?\u2019. Era uma bagun\u00e7a\u201d, contou.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois de certo tempo, a enfermeira foi \u00e0 obstetra, que a receitou um rem\u00e9dio e a aconselhou a fazer terapia. Mas, mesmo com ajuda, a situa\u00e7\u00e3o de Roberta era desesperadora. \u201cCheguei a pensar em tirar a minha vida. Os pensamentos ruins n\u00e3o paravam, era insuport\u00e1vel. N\u00e3o podia ficar sozinha com a minha filha. Era uma desgra\u00e7a\u201d, relembrou.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cFoi dif\u00edcil tamb\u00e9m sob o aspecto de que eu trabalho como animadora de festas\u201d, afirmou a enfermeira. \u201cTer que parecer feliz o tempo inteiro, mesmo estando muito longe disso, foi complicado.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Mas a pior parte da doen\u00e7a, de acordo com Roberta, n\u00e3o era a psicose em si. \u201cO que mais do\u00eda era o olhar dos outros. O julgamento, as perguntas de \u2018Por que voc\u00ea n\u00e3o quer ficar com a sua filha?\u2019. O pior, o mais dolorido que n\u00f3s temos que aguentar \u00e9 a cr\u00edtica\u201d, opinou.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 importante contextualizar a gama de sentimentos e sensa\u00e7\u00f5es experimentados por essas mulheres no atual cen\u00e1rio social e hist\u00f3rico. Al\u00e9m da culpa individual que cada uma dessas m\u00e3es sente por causa daquilo que fizeram ou pensaram em fazer durante o desenvolvimento da psicose, existe ainda a for\u00e7a da press\u00e3o social colocada por uma sociedade que fixa nas mentes femininas a ideia de que ser m\u00e3e deve estar entre seus maiores objetivos de vida.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Dessa forma, as mulheres que desenvolveram psicose p\u00f3s-parto lidam ainda com o sentimento de frustra\u00e7\u00e3o frente \u00e0 incapacidade de cumprir o papel que uma cultura patriarcal e machista impos a elas. Afinal, elas podem ser vistas por olhos cr\u00edticos n\u00e3o apenas como m\u00e1s m\u00e3es, mas como pessoas cujo papel na sociedade n\u00e3o foi cumprido de acordo com as expectativas. As dificuldades por elas enfrentadas na luta contra a psicose empalidecem frente a julgamentos apressados de pessoas a quem s\u00f3 importa o simplista racioc\u00ednio de que mulheres foram feitas para engravidar.<\/p>\n\n\n\n<p>E a press\u00e3o est\u00e1 sobre todas n\u00f3s. N\u00e3o \u00e0 toa, estudos publicados em renomados peri\u00f3dicos cient\u00edficos, como a <em>Evolutionary Psychology (2009),<\/em> constatam a presen\u00e7a de sensa\u00e7\u00f5es de preocupa\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o a ser uma boa m\u00e3e e altos n\u00edveis de estresse ligados \u00e0 press\u00e3o da maternidade inclusive entre mulheres que n\u00e3o pretendem ter filhos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Com o fortalecimento de movimentos feministas, que resultaram na conquista do voto e de grande parte do mercado de trabalho pelas mulheres, a vis\u00e3o de que o sexo feminino \u00e9 apropriado apenas para a reprodu\u00e7\u00e3o ficou um pouco para tr\u00e1s. Ainda assim, n\u00e3o raramente espera-se das mulheres que trabalhem, sejam independentes, tenham filhos, cuidem da casa, e realizem outras diversas tarefas herc\u00faleas dia ap\u00f3s dia. Pouco importa, por exemplo, que m\u00e3es que trabalham fora de casa sintam aproximadamente 40% mais estresse do que as demais, de acordo com estudos recentes.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Somando-se a psicose p\u00f3s-parto a esse cen\u00e1rio altamente prejudicial para a sa\u00fade mental feminina, n\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil perceber que as mulheres que desenvolvem esse transtorno t\u00eam muito com o que lidar. Em falando-se delas, o importante \u00e9 manter em mente que elas s\u00e3o simplesmente v\u00edtimas de uma doen\u00e7a mental, e devem ser compreendidas como tais. Assim como indiv\u00edduos ansiosos ou deprimidos, essas pacientes precisam de tratamento para que retornem ao seu estado mental saud\u00e1vel. Estigmatiz\u00e1-las e retrat\u00e1-las como m\u00e1s m\u00e3es seria um desservi\u00e7o a elas e aos seus filhos, assim como a todos que possuem algum&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>tipo de transtorno mental.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Vale ressaltar ainda que a psicose p\u00f3s-parto \u00e9 apenas uma das situa\u00e7\u00f5es que podem acometer a mulher depois do nascimento de seu nen\u00e9m. Outro caso, muito mais comum, \u00e9 a depress\u00e3o puerperal, que afeta uma em cada cinco mulheres no Brasil. Os sintomas desse transtorno costumam ser a melancolia e o des\u00e2nimo profundos. No entanto, trata-se de um problema possivelmente evit\u00e1vel: estudos mostram que o acompanhamento terap\u00eautico pode reduzir em at\u00e9 39% a probabilidade de uma gestante apresentar depress\u00e3o p\u00f3s-parto.<\/p>\n\n\n\n<p>Por isso, \u00e9 extremamente importante que a gestante tenha acompanhamento psicol\u00f3gico depois do nascimento do beb\u00ea &#8212; e, se poss\u00edvel, tamb\u00e9m durante a gravidez. Ter um terapeuta por perto pode ajudar a identificar sintomas de depress\u00e3o ou psicose p\u00f3s-parto o mais cedo poss\u00edvel e prevenir situa\u00e7\u00f5es perigosas como aquelas pelas quais passaram Priscila e Juliana. Mesmo que a mulher n\u00e3o apresente nenhum transtorno depois do nascimento do beb\u00ea, ter algu\u00e9m para conversar sobre todas as mudan\u00e7as que ocorrer\u00e3o nessa nova fase e toda a press\u00e3o envolvida em todo o processo \u00e9 fundamental. Nessa \u00e9poca de sensibilidade inevit\u00e1vel, apoio \u00e9 essencial.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Contudo, diferentemente da psicose, a depress\u00e3o p\u00f3s-parto n\u00e3o provoca um afastamento da realidade. Trata-se de uma neurose que afeta profundamente o humor e o cotidiano da mulher, mas n\u00e3o provoca del\u00edrios.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro ponto que precisa ser discutido \u00e9 o que acontece depois da psicose. \u00c9 claro que, para muitas m\u00e3es, o transtorno \u00e9 algo que pode ser deixado para tr\u00e1s, como um pesadelo que j\u00e1 terminou. Com o tratamento correto, quase todas as mulheres alcan\u00e7am a remiss\u00e3o total quanto \u00e0 psicose puerperal.<\/p>\n\n\n\n<p>Por\u00e9m, para muitas outras, o transtorno \u00e9 a porta de entrada para uma vida em que a sa\u00fade mental estar\u00e1 permanentemente abalada. \u00c9 comum, por exemplo, que as pessoas que passaram pela psicose p\u00f3s-parto desenvolvam outros transtornos afetivos ao longo da vida, mais provavelmente dentro do espectro da bipolaridade. O per\u00edodo p\u00f3s-parto est\u00e1, portanto, estreitamente relacionado \u00e0 sa\u00fade feminina, com implica\u00e7\u00f5es tanto mentais quanto f\u00edsicas.<\/p>\n\n\n\n<p>Como j\u00e1 foi mencionado, o desenvolvimento de transtornos puerperais \u00e9 um risco muito poss\u00edvel para mulheres que j\u00e1 apresentaram dificuldades em rela\u00e7\u00e3o \u00e1 manuten\u00e7\u00e3o de sua sa\u00fade mental. Por\u00e9m, at\u00e9 mesmo quem sempre teve um psicol\u00f3gico perfeitamente equilibrado pode ter dificuldades nesse per\u00edodo: mulheres sem hist\u00f3rico psiqui\u00e1trico algum t\u00eam 25% de chances de desenvolver algum transtorno nesse momento.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas por que tantos problemas podem surgir logo depois do parto?<\/p>\n\n\n\n<p>O que acontece \u00e9 que o puerp\u00e9rio \u00e9 um per\u00edodo extremamente delicado. Durante ele, a m\u00e3e passa por intensas sensa\u00e7\u00f5es de fragilidade f\u00edsica e mental ao mesmo tempo. O corpo, ainda inundado por horm\u00f4nios, come\u00e7a a se recuperar da gravidez, enquanto a mente tenta se adaptar \u00e0s diversas mudan\u00e7as provocadas pelo nascimento de um beb\u00ea.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o \u00e0 toa, \u00e9 muito comum que, imediatamente depois do parto, a mulher passe por mudan\u00e7as bruscas de humor e se sinta pressionada para ser uma m\u00e3e perfeita. Quando ela compara seu estado emocional sens\u00edvel \u00e0 imagem idealizada de um nascimento, &#8212; como aquela propagada por filmes, revistas e redes sociais, onde a m\u00e3e segura seu amado beb\u00ea com um lindo sorriso no rosto e um corpo impec\u00e1vel &#8212; ela se sente emocionalmente incapaz de ter e criar aquele beb\u00ea. Esse estado \u00e9 conhecido como baby blues, algo como \u201ctristeza do beb\u00ea\u201d, em tradu\u00e7\u00e3o livre. Embora muito comum, o baby blues tende a passar depois de alguns dias, quando o equil\u00edbrio hormonal e psicol\u00f3gico \u00e9 restabelecido. Caso contr\u00e1rio, a situa\u00e7\u00e3o pode se agravar e evoluir para uma depress\u00e3o ou psicose puerperal.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, dada a combina\u00e7\u00e3o de fatores hormonais e press\u00e3o social, n\u00e3o \u00e9 de se estranhar que seja durante a \u00e9poca p\u00f3s-parto que a mulher se encontra em um dos estados mais delicados pelos quais ir\u00e1 passar durante toda a vida. Afinal, evolutivamente falando, o sexo feminino est\u00e1 \u201ccondenado\u201d a ficar fragilizado depois do nascimento do nen\u00e9m.<\/p>\n\n\n\n<p>Tampouco essa fragilidade torna as mulheres menos fortes do que suas contrapartes masculinas. Afinal, \u00e9 preciso muita coragem para passar por nove meses de enjoos, desconfortos e mudan\u00e7as de humor incontrol\u00e1veis, enfrentar um parto que envolve infind\u00e1veis momentos de dor intensa e ent\u00e3o dar \u00e0 luz um ser que, seja f\u00edsica, financeira ou emocionalmente, depender\u00e1 para sempre de voc\u00ea. Ter um filho \u00e9 comprometer-se a um sacrif\u00edcio vital\u00edcio que muitas mulheres &#8212; inclusive aquelas cujas hist\u00f3rias foram contadas neste texto &#8212; t\u00eam o prazer de fazer.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Quando nem todas as partes desse processo funcionam da forma que se espera, n\u00e3o demora para que a sociedade torne seus olhos \u00e0s m\u00e3es imperfeitas e as julgue como p\u00e9ssimos esp\u00e9cimes do sexo feminino. Por isso, \u00e9 importante lembrar: ser mulher \u00e9 muito mais do que ser m\u00e3e. \u00c9 ser forte, \u00e9 sangrar todo m\u00eas e se manter de p\u00e9, \u00e9 enfrentar ass\u00e9dio e preconceito em absolutamente todo lugar, \u00e9 ser julgada pela roupa, pelo cabelo, pelo rosto, pela intelig\u00eancia, pela capacidade de cuidar de seus filhos. Refor\u00e7ar esse julgamento contribui apenas para que mulheres se sintam mais pressionadas e menos parte da sociedade.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse tipo de press\u00e3o \u00e9 t\u00e3o comum que todas as m\u00e3es que contribu\u00edram com este texto por meio de seus relatos afirmaram ter medo de compartilhar suas hist\u00f3rias com outras pessoas. Isso se deve justamente ao receio de serem mal vistas e incompreendidas. Como se n\u00e3o bastasse a culpa que atribuem a si mesmas, todas essas mulheres t\u00eam de viver com o fardo de n\u00e3o poderem desabafar com praticamente ningu\u00e9m.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>Por Sabrina Brito<\/strong><br>sabrinagabrieladebrito@gmail.com<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"O drama e a press\u00e3o sobre as mulheres que sofreram com a psicose p\u00f3s-parto Durante nove longos meses, gestantes guardam dentro de seus \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/?p=194\"> <\/a>","protected":false},"author":48,"featured_media":195,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-194","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-revista-babel-junho-2020"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v19.10 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>\u201cN\u00e3o amava o meu beb\u00ea; 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