{"id":1916,"date":"2025-06-24T16:54:39","date_gmt":"2025-06-24T19:54:39","guid":{"rendered":"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/?p=1916"},"modified":"2025-07-02T20:18:37","modified_gmt":"2025-07-02T23:18:37","slug":"na-corda-bamba-entre-arte-e-influencia-digital","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/?p=1916","title":{"rendered":"Na corda bamba entre arte e influ\u00eancia digital"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-size: 10pt;\">(Arte: Julia Magalh\u00e3es)<\/span><\/p>\n<p><strong>Por<\/strong> Gabriel Eid<\/p>\n<p><em><span style=\"font-weight: 400;\">Seguindo os efeitos do p\u00f3s-pandemia e das diversidades de plataformas surgindo, artistas buscam se equilibrar na vida digital para renovar as formas de se fazer arte; ao mesmo tempo, aqueles que preferem se manter distantes desses meios tamb\u00e9m buscam por seu espa\u00e7o<\/span><\/em><\/p>\n<p>Vers\u00e3o em \u00e1udio:<\/p>\n<p><iframe title=\"Spotify Embed: Audiodescri\u00e7\u00e3o - Na corda bamba entre arte e influ\u00eancia digital\" style=\"border-radius: 12px\" width=\"100%\" height=\"152\" frameborder=\"0\" allowfullscreen allow=\"autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/open.spotify.com\/embed\/episode\/6EQs2ESdtK5WzEWqAhT9yZ?si=UP7a7BI9QQOxLdx47KqpQw&#038;utm_source=oembed\"><\/iframe><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">As artes nascem da intera\u00e7\u00e3o e da troca presencial. Em um mundo onde as rela\u00e7\u00f5es virtuais, r\u00e1pidas e atraentes, prendem aten\u00e7\u00f5es e moldam maneiras de pensar, \u00e9 tentador que o trabalho art\u00edstico \u2013 com todas as suas car\u00eancias de investimentos e financiamentos \u2013 beba da fonte da influ\u00eancia virtual para conquistar o p\u00fablico.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Segundo pesquisa do <\/span><a href=\"https:\/\/www.infomoney.com.br\/consumo\/pos-pandemia-populacao-de-sp-volta-a-shows-e-cinema-mas-25-nao-tem-habito-cultural\/\"><span style=\"font-weight: 400;\">Sistema Estadual de An\u00e1lise de Dados (Seade)<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\"> com 14.556 respondentes, apenas em 2024 a audi\u00eancia dos teatros e casos de shows conseguiu recuperar o p\u00fablico de 2018. Antes disso, sofreu uma forte retra\u00e7\u00e3o durante a pandemia. Neste cen\u00e1rio de isolamento causado pelo Coronav\u00edrus, as redes sociais se tornaram ainda mais centrais e, consequentemente, atraentes para o cen\u00e1rio c\u00eanico, visual e audiovisual.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Maria Am\u00e9lia Bulh\u00f5es, professora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), pesquisa h\u00e1 anos as formas como o ecossistema digital vem se relacionando, coexistindo e impulsionando jovens artistas visuais que procuram um espa\u00e7o de trabalho.\u00a0 Para a professora, o per\u00edodo da pandemia foi justamente um divisor de \u00e1guas neste quesito e permitiu muitas mudan\u00e7as nas formas de produzir.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Com base em seus trabalhos acad\u00eamicos, produziu o livro <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Desafios: Arte e Internet no Brasil<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">. A professora vai na contram\u00e3o dos pessimistas e defende que a internet pode ser uma aliada dos artistas, se utilizada de forma correta. Ela indica que \u00e9 muito importante que estes profissionais estejam presentes no ambiente digital como uma forma de resist\u00eancia cultural.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cEu acho que a internet precisa dos artistas porque eles t\u00eam posi\u00e7\u00f5es cr\u00edticas e criativas que este meio precisa. No campo da arte voc\u00ea vai trabalhar para romper com aquilo [o <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">mainstream<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">] \u2013 extrapolando o papel da divulga\u00e7\u00e3o e da amplia\u00e7\u00e3o de p\u00fablico\u201d, afirmou.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><b>Of\u00edcios diferentes<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Em 2022, a novela Travessia, produzida pela Rede Globo, \u00e0 \u00e9poca a principal novela do cat\u00e1logo da emissora, trouxe pela primeira vez a influenciadora e ex-bbb Jade Picon para o papel de protagonista. A decis\u00e3o exp\u00f4s um dilema, j\u00e1 que Jade n\u00e3o tinha registro profissional, e provocou rea\u00e7\u00f5es de alguns segmentos da classe art\u00edstica.\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Na ocasi\u00e3o, em <\/span><a href=\"https:\/\/www.uol.com.br\/splash\/noticias\/2022\/05\/12\/sated-jade-picon.htm\"><span style=\"font-weight: 400;\">entrevista ao Splash UOL<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, o presidente do Sindicato dos Artistas e T\u00e9cnicos (Sated-RJ), Hugo Gross, sustentou a posi\u00e7\u00e3o do sindicato de exigir um registro profissional para atua\u00e7\u00f5es em produ\u00e7\u00f5es audiovisuais. O Registro da Delegacia Regional do Trabalho (DRT) \u00e9 um meio de ampliar direitos trabalhistas e garantir a valoriza\u00e7\u00e3o profissional.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A atriz Fl\u00e1via Trapp defende que a quest\u00e3o por tr\u00e1s do uso de influenciadores em obras audiovisuais carrega algo mais profundo, que envolve a dificuldade das produ\u00e7\u00f5es em angariar investimentos e p\u00fablico em um ambiente hiper-plataformado.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Fl\u00e1via Trapp \u00e9 atriz formada pela USP e trabalha como preparadora de elenco. \u201cPessoalmente, eu encaro meu instagram h\u00e1 alguns anos como uma ferramenta de auto divulga\u00e7\u00e3o\u201d. Ela administra um perfil de casting que divulga oportunidades de trabalho para jovens atores em curtas-metragens universit\u00e1rios, realizados por estudantes de cinema. Apesar da presen\u00e7a profissional intensa nas redes, ela possui uma postura cr\u00edtica e aponta que \u00e9 fundamental esse trabalho de reflex\u00e3o.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cPara o p\u00fablico em geral, o acesso ao teatro \u00e9 muito pouco. E se eu te perguntar quantas vezes voc\u00ea acessa o instagram por semana voc\u00ea vai dizer todos os dias. Ent\u00e3o, eu entendo tamb\u00e9m ser uma jogada de marketing de certas produ\u00e7\u00f5es escolher um ator que na verdade tem um engajamento mais voltado para as redes sociais, porque \u00e9 uma forma de divulga\u00e7\u00e3o.\u201d<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Fl\u00e1via faz quest\u00e3o de diferenciar o trabalho do influenciador \u2013 que tem o seu valor comunicacional \u2013 com o do ator e, por isso, defende que \u00e9 muito importante ir atr\u00e1s de pesquisa e forma\u00e7\u00e3o para exercer o of\u00edcio. \u201c\u00c9 uma pessoa de outro trabalho da \u00e1rea de comunica\u00e7\u00e3o, mas que \u00e9 muito diferente de um trabalho de atua\u00e7\u00e3o, da constru\u00e7\u00e3o de personagens e da disponibilidade de jogo para a cena.\u201d<\/span><\/p>\n<p><b>Entre a plataforma e o conte\u00fado<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Fl\u00e1via observa que a presen\u00e7a de artistas nas redes sociais pode ser vantajosa em diversos aspectos, desde que realizada de uma forma cr\u00edtica. Ela conta que percebeu que, a partir da sua experi\u00eancia como preparadora de elenco, muitos dos estudantes t\u00eam dificuldade de apresentar seus trabalhos e experi\u00eancia profissional no ambiente virtual.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cSinto uma falta muito grande de forma\u00e7\u00e3o dos atores de auto divulga\u00e7\u00e3o. Porque falar de atua\u00e7\u00e3o \u00e9 falar de auto imagem. E muitas vezes, quando voc\u00ea est\u00e1 procurando algu\u00e9m, infelizmente \u00e0s vezes interessa mais o rosto dele do que qualquer outra coisa. E voc\u00ea recebe portf\u00f3lios que n\u00e3o consegue ver o rosto, ent\u00e3o o Instagram do ator \u00e9 a primeira coisa que voc\u00ea vai procurar. Querendo ou n\u00e3o, voc\u00ea ter um perfil digital apresent\u00e1vel faz diferen\u00e7a.\u201d<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Da mesma forma que a professora Maria Am\u00e9lia, Fl\u00e1via Trapp afirma que a tecnologia n\u00e3o pode ser abandonada, mas sim ressignificada pelos artistas para se aproximar do p\u00fablico. Diante do desinteresse crescente pelos meios tradicionais, ela reflete sobre as formas poss\u00edveis de ampliar a interlocu\u00e7\u00e3o entre diferentes plataformas. \u201cQuando a gente entra em um lugar de recusar isso cem por cento \u00e9 prejudicial. Porque \u00e9 muito mais interessante olhar e entender se quer estar ou n\u00e3o de forma cr\u00edtica.\u201d<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A artista defende que os limites entre o virtual e o art\u00edstico est\u00e3o em saber separar a forma\u00e7\u00e3o como ator do que \u00e9 pura e simplesmente autopromo\u00e7\u00e3o sem cuidado com o conte\u00fado. \u201cMais do que a qualidade t\u00e9cnica num lugar de forma\u00e7\u00e3o e de experi\u00eancia, estamos falando de um lugar de disposi\u00e7\u00e3o mesmo. Em dedicar a sua vida \u00e0 pesquisa para a atua\u00e7\u00e3o.\u201d<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Fl\u00e1via indica que os recursos virtuais dentro da profiss\u00e3o precisam ser utilizados com responsabilidade \u2013 como uma forma de divulga\u00e7\u00e3o do portf\u00f3lio e at\u00e9 como plataforma c\u00eanica, mas nunca substituindo as intera\u00e7\u00f5es tradicionais e presenciais.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O tamb\u00e9m ator Eduardo Martini, por sua vez, contou que sente falta de uma maior troca presencial, especialmente nos testes de elenco. \u201cEm um passado muito recente os diretores iam ao teatro ver seu trabalho. Os testes eram feitos presencialmente, as hist\u00f3rias eram feitas cara a cara.\u201d\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O artista critica testes &#8211; muito comuns na atualidade &#8211; em que atores precisam filmar suas pr\u00f3prias performances de dentro de suas casas. Segundo ele, nada substitui um teste presencial conduzido por um preparador de elenco. \u201cA coisa humana no teatro, no cinema e na televis\u00e3o \u00e9 muito importante\u201d, completa.<\/span><\/p>\n<p><b>Mas e como ficam os \u2018low profile\u2019?<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Alexandre Dill \u00e9 ator e diretor no Grupo Jogo, que ficou marcado por ser pioneiro no uso dos meios digitais para amplificar, n\u00e3o s\u00f3 a divulga\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m o fazer teatral. O artista conta que, principalmente durante a pandemia, eles continuaram mantendo os espet\u00e1culos atrav\u00e9s de transmiss\u00f5es ao vivo no Instagram e garantindo uma intera\u00e7\u00e3o com o p\u00fablico atrav\u00e9s destes meios.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Alexandre indica que o trabalho do grupo nas redes est\u00e1 pautado principalmente na vontade de adaptar as redes para os espet\u00e1culos teatrais, e n\u00e3o o contr\u00e1rio \u2013 priorizando projetos mais experimentais do que as <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">trends<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> do momento. \u201cNos posicionamos na internet a partir do que a gente faz e n\u00e3o da moda\u201d, afirma.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Mesmo muito presente nas redes e se utilizando delas em benef\u00edcio do trabalho art\u00edstico, ele rejeita iniciativas que pressionem artistas a serem populares digitalmente. Ele conta que o Grupo Jogo descobriu um edital promovido por um banco do Rio Grande do Sul que exigia determinado n\u00famero de seguidores para a participa\u00e7\u00e3o. Contrariado, afirma que nem pensou em participar da seletiva.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cA gente n\u00e3o tem muita paci\u00eancia com esses editais por n\u00famero de seguidores. A gente n\u00e3o entra nessa disputa. Hoje em dia voc\u00ea recebe uma inscri\u00e7\u00e3o de um aluno para entrar em uma oficina e j\u00e1 pede o Instagram dele\u201d, critica.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Apesar de defender a integra\u00e7\u00e3o entre o mundo digital e as artes e fazer disso seu of\u00edcio no Grupo Jogo, Alexandre n\u00e3o concorda com as press\u00f5es que muitas vezes envolvem os artistas na necessidade de estar nas redes. \u201cO jeito das pessoas consumirem mudou. E tem muitos artistas que n\u00e3o conseguem acompanhar essas mudan\u00e7as t\u00e3o dr\u00e1sticas e r\u00e1pidas porque aquela pessoa pesquisa de um jeito e porque ela \u00e9 muito mais artesanal. \u00c0s vezes, o artista \u00e9 t\u00e3o bom que ele n\u00e3o cabe nesse lugar\u201d, afirma.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Fl\u00e1via Trapp vai no mesmo sentido e apresenta sua experi\u00eancia pessoal para indicar que a integra\u00e7\u00e3o com as redes precisa vir com uma proposta, sentido e criticidade, n\u00e3o como um fim por si s\u00f3. \u201cNo in\u00edcio eu tive uma fase de pensar que eu precisava me engajar nas redes sociais porque sem isso minha carreira n\u00e3o seria nada. E n\u00e3o \u00e9 sobre isso. \u00c9 sobre voc\u00ea saber se auto divulgar mas em um lugar saud\u00e1vel, sem se expor e sem perder seu tempo por uma coisa que talvez n\u00e3o d\u00ea tanto resultado\u201d, defende.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Seguindo os efeitos do p\u00f3s-pandemia e das diversidades de plataformas surgindo, artistas buscam se equilibrar na vida digital para renovar as formas de se fazer arte; ao mesmo tempo, aqueles que preferem se manter distantes desses meios tamb\u00e9m buscam por seu espa\u00e7o &#8211; por Gabriel Eid\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/?p=1916\"> <\/a>","protected":false},"author":138,"featured_media":1918,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[590],"tags":[106,648,195,650,649,647],"class_list":["post-1916","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-babel-2025-ed-junho","tag-arte","tag-artescenicas","tag-cultura","tag-lowprofile","tag-mercadodetrabalho","tag-redesocial"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v19.10 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>Na corda bamba entre arte e influ\u00eancia digital - Revista Babel<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/?p=1916\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Na corda bamba entre arte e influ\u00eancia digital - Revista Babel\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Seguindo os efeitos do p\u00f3s-pandemia e das diversidades de plataformas surgindo, artistas buscam se equilibrar na vida digital para renovar as formas de se fazer arte; 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