{"id":185,"date":"2020-06-21T16:16:06","date_gmt":"2020-06-21T19:16:06","guid":{"rendered":"http:\/\/paineira.usp.br\/cje\/babel\/?p=185"},"modified":"2024-12-20T16:54:46","modified_gmt":"2024-12-20T19:54:46","slug":"a-doenca-da-duvida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/?p=185","title":{"rendered":"A doen\u00e7a da d\u00favida"},"content":{"rendered":"\r\n<p>\u201c- S\u00e3o tartarugas at\u00e9 l\u00e1 embaixo &#8211; repeti.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>&#8211; S\u00e3o s\u00f3 umas tartarugas rid\u00edculas at\u00e9 l\u00e1 embaixo, Holmes. Voc\u00ea est\u00e1 tentando encontrar a primeira tartaruga, mas n\u00e3o \u00e9 assim que funciona.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>&#8211; Porque s\u00e3o tartarugas at\u00e9 l\u00e1 embaixo &#8211; repito uma segunda vez, sentindo uma esp\u00e9cie de revela\u00e7\u00e3o espiritual\u201d<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>O trecho acima \u00e9 do livro <em>Tartarugas At\u00e9 L\u00e1 Embaixo<\/em>, do autor John Green. Essa \u00e9 uma das muitas defini\u00e7\u00f5es apresentadas pelo autor para o Transtorno Obsessivo-Compulsivo, o TOC, do qual ele tamb\u00e9m sofre, no decorrer da hist\u00f3ria de Aza Holmes, uma menina de 16 anos que entra numa busca por um milion\u00e1rio local com a sua melhor amiga.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Apesar de tratar desse mist\u00e9rio, o que chama a aten\u00e7\u00e3o na trama \u00e9 o realismo do sofrimento de Aza, algo dif\u00edcil de se ver na cultura pop, que costuma traduzir o TOC como mania de limpeza ou perfeccionismo. Green, como algu\u00e9m que sente na pele o que \u00e9 o transtorno, nunca quis que sua personagem fosse assim. Ela n\u00e3o \u00e9 o Sheldon (<em>The Big Bang Theory<\/em>) nem a Monica (<em>Friends<\/em>). Por estarmos dentro de sua cabe\u00e7a, vemos o porqu\u00ea de \u201cobsessivo\u201d vir antes de \u201ccompulsivo\u201d na alcunha da doen\u00e7a. O grande sofrimento de quem tem TOC s\u00e3o os pensamentos intrusivos. Essa espiral que vai ficando cada vez mais funda at\u00e9 voc\u00ea se perder de si mesmo e n\u00e3o saber mais o que \u00e9 real.\u00a0<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>O pr\u00f3prio autor conta em um v\u00eddeo no seu canal do Youtube que, para ele, \u00e9 como se \u201cpensamentos que v\u00eam de fora de mim sequestrassem a minha consci\u00eancia\u201d. Ou seja, o Transtorno Obsessivo-Compulsivo se manifesta em forma de pensamentos repetitivos e at\u00e9 il\u00f3gicos muitas vezes, dos quais voc\u00ea n\u00e3o consegue se livrar, em uma espiral sem fim. \u00c9 sempre uma tartaruga embaixo de outra.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>A met\u00e1fora que ele usa vem de uma anedota famosa no mundo cient\u00edfico, explicada no livro <em>Uma Breve Hist\u00f3ria do Tempo<\/em>, de Stephen Hawking. Em uma palestra sobre astronomia, um cientista estava explicando a origem dos planetas e do Universo at\u00e9 que uma senhora se levanta da plateia e diz: \u201cO que voc\u00ea disse \u00e9 besteira. Na verdade, o mundo \u00e9 um prato achatado apoiado no dorso de uma tartaruga gigante\u201d. Nisso, o cientista pergunta em que a tal tartaruga estaria apoiada e a senhora explica: \u201cEm outra tartaruga. Uma tartaruga abaixo da outra. H\u00e1 tartarugas at\u00e9 l\u00e1 embaixo\u201d.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p><strong>Intrus\u00e3o de incertezas<\/strong><\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>De acordo com o psic\u00f3logo e professor do Instituto de Psicologia (IP) da USP, Paulo Beer, obsess\u00e3o \u00e9 o que se d\u00e1 no plano do pensamento e compuls\u00e3o \u00e9 a manifesta\u00e7\u00e3o f\u00edsica. Um exemplo bastante comum \u00e9 o de lavar as m\u00e3os. A obsess\u00e3o \u00e9 o pensamento de a pessoa poder estar infectada com algum v\u00edrus ou estar suja. Um pensamento intrusivo, sem controle, persistente. Nesse caso, a compuls\u00e3o recai em lavar as m\u00e3os.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>\u201cUma obsess\u00e3o seria uma ideia, um pensamento, alguma coisa que entra na cabe\u00e7a, que invade. Ela tem essa caracter\u00edstica de invas\u00e3o. Ela traz esse sentimento de descontrole, como se o sujeito n\u00e3o conseguisse controlar a perman\u00eancia e a apari\u00e7\u00e3o dessas ideias na cabe\u00e7a dele e, em geral, s\u00e3o ideias muito ruins,\u201d ressalta Beer.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>John Green diz no mesmo v\u00eddeo que suas compuls\u00f5es vem de uma necessidade de lidar com as obsess\u00f5es, ou seja, ele checa sua comida por envenenamento para mostrar a si mesmo que ela n\u00e3o est\u00e1 envenenada. S\u00e3o formas de aplacar a espiral de pensamentos. O problema \u00e9 que esses atos viram h\u00e1bitos para acalmar ideias constantes e perturbadoras, que prejudicam muito a vida de quem tem TOC.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>O jornalista Ricardo das Neves<strong>* <\/strong>relata que come\u00e7ou a perceber os primeiros sintomas em 1993, quando ainda estava na 5\u00aa s\u00e9rie da escola. \u201cUm dos meus primeiros sintomas foi o medo de ter subornado algu\u00e9m para passar de ano. Foi na \u00e9poca do esc\u00e2ndalo do Collor. Eu vi aquilo de corrup\u00e7\u00e3o e, por ter a autoestima muito baixa, comecei a me questionar se n\u00e3o tinha subornado algu\u00e9m\u201d, diz ele. \u201cO TOC \u00e9 a doen\u00e7a da d\u00favida. As d\u00favidas obsessivas causam um imenso mal estar e s\u00e3o repetitivas, voc\u00ea nunca consegue ter certeza.\u201d<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Por\u00e9m, com o tempo, seus sintomas mudaram e, hoje, seus pensamentos obsessivos giram em torno do seu cachorro de estima\u00e7\u00e3o. \u201cAtualmente meu TOC \u00e9 com o meu c\u00e3ozinho. Eu tenho muito medo de fazer algo com ele e esse pensamento invade minha mente contra a minha vontade. Por exemplo, eu tiro fotos do meu cachorro para ter certeza de que dei comida para ele,\u201d conta Ricardo.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>O jornalista ainda diz que o TOC atrapalhou muito seus relacionamentos amorosos. Ele ficava muito angustiado sobre a possibilidade de ter tra\u00eddo a namorada e ficava se questionando sobre isso.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>O mesmo acontece com Carla*. A desenvolvedora de sistemas relata que come\u00e7ou a tratar o que pensava ser ansiedade h\u00e1 4 anos, mas s\u00f3 h\u00e1 1 ano e 8 meses confirmou o diagn\u00f3stico de Transtorno Obsessivo-Compulsivo. \u201cEu senti que precisava ir atr\u00e1s de um diagn\u00f3stico quando os sintomas psicol\u00f3gicos se tornaram muito intensos a ponto de eu sentir que ia perder o controle. Eu achava que tinha alguma coisa errada com a minha cabe\u00e7a por pensar coisas t\u00e3o ruins.\u201d<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Ela conta que o medo de ter tra\u00eddo a namorada quase acabou com o relacionamento, porque precisava externalizar os sentimentos, o que n\u00e3o foi f\u00e1cil. \u201cEu sa\u00eda sozinha para tomar um caf\u00e9 e voltava para casa. De repente, uma voz na minha cabe\u00e7a dizia: \u2018E se voc\u00ea puxou assunto com algu\u00e9m no caf\u00e9? Sua namorada n\u00e3o estava l\u00e1. E se voc\u00ea conheceu algu\u00e9m nesse tempo e a traiu?\u2019,\u201d exemplifica.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>\u201cO problema \u00e9 que esse di\u00e1logo interno podia durar horas e dias. Esse pensamento tentando me convencer de que, de alguma forma, eu teria feito alguma coisa errada. Com o passar das horas, minha pr\u00f3pria mem\u00f3ria ficava confusa e eu j\u00e1 n\u00e3o tinha certeza do que tinha feito. E n\u00e3o \u00e9 exatamente f\u00e1cil para a sua parceira ouvir \u2018eu n\u00e3o sei se te tra\u00ed\u2019.\u201d<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Carla explica que come\u00e7ou a desenvolver compuls\u00f5es para lidar com esse tipo de pensamento, como cronometrar o tempo de cada ato que fazia no tal caf\u00e9 para ver se condizia com o tempo que havia passado l\u00e1. \u201cEu sempre achava que estava fazendo coisas erradas e era como se uma voz na minha cabe\u00e7a refor\u00e7asse esses pensamentos at\u00e9 que eu mesma passasse a acreditar neles,\u201d diz ela.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Para Amanda Teixeira*, viver com o transtorno \u00e9 um sofrimento constante. \u201c\u00c9 a coisa mais horr\u00edvel que existe viver com TOC. Voc\u00ea ter pensamentos intrusivos, imaginar fazendo mal para algu\u00e9m e depois ficar na d\u00favida se foi apenas pensamento ou pode ter sido realidade. D\u00e1 um desespero, um sentimento de culpa muito grande\u201d, conta ela.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Sobre essa d\u00favida constante, o autor John Green traz um questionamento que o assusta quando entra nessas espirais de pensamentos obsessivos: \u201cSe eu n\u00e3o consigo controlar meus pensamentos e se eu sou, mesmo que em parte, o que penso, ser\u00e1 que eu realmente estou no comando desse navio que chamo de eu?\u201d<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p><strong>Rituais de compuls\u00e3o<\/strong><\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Muito do que se conhece do TOC pelo senso comum \u00e9 atribu\u00eddo \u00e0s compuls\u00f5es. Lavar as m\u00e3os v\u00e1rias vezes, contar antes de apagar a luz, verificar se desligou o fog\u00e3o etc. Existem milhares de compuls\u00f5es diferentes e elas variam muito de pessoa para pessoa, mas o ponto comum entre elas \u00e9 que atrapalham e muito a vida de quem tem TOC.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>A estudante Clara Ferreira*, de 17 anos, conta que j\u00e1 passou por diversas compuls\u00f5es diferentes desde que come\u00e7ou a desenvolver os sintomas aos 7 anos. \u201cEu tenho TOC desde a inf\u00e2ncia, quando eu lavava a m\u00e3o excessivamente. Depois, come\u00e7ou o que eu chamo de \u2018TOC do p\u00e9\u2019, em que eu precisava bater o p\u00e9 direito 9 vezes antes de dormir. Caso eu achasse que bati errado, eu ia para o pr\u00f3ximo m\u00faltiplo de 3\u201d, diz ela.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Clara diz que, no in\u00edcio, seus pais n\u00e3o entendiam e chegavam a ficar bravos com os comportamentos repetitivos. \u201cFicavam bravos comigo por eu encharcar a toalha. Algumas vezes, o meu pai ficou na porta do quarto fazendo eu ir deitar direito, eu n\u00e3o conseguia dormir e esperava ele dormir para poder bater o p\u00e9.\u201d Ela conta que suas compuls\u00f5es provinham de um pensamento obsessivo de que, se ela n\u00e3o batesse o p\u00e9 ou lavasse as m\u00e3os, seus pais morreriam. \u201cEu achava que era o dem\u00f4nio que estava fazendo esse \u2018jogo\u2019 comigo, que, se n\u00e3o fizesse isso, ele ia matar meus pais\u201d, explica.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Algum tempo depois, em 2016, seu pai faleceu e seu TOC piorou muito. Clara relata que, quando ela e a m\u00e3e se mudaram para um novo apartamento, ela ficava \u201cregulando os passos\u201d, como se estivesse \u201candando errado\u201d. Al\u00e9m disso, ela sente a necessidade de encostar os calcanhares em locais espec\u00edficos da casa, como forma de aplacar a obsess\u00e3o.\u00a0<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>\u201cE ano passado minha vida se tornou um inferno. Eu tomava dois banhos por dia, cada um de 1h30. \u00c9 extremamente cansativo. Eu achava que tinha que estar limpa para estudar, ent\u00e3o eu raramente estudava, porque n\u00e3o me sentia limpa para tocar meu material escolar e porque eu passava boa parte do dia realizando rituais.\u201d<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>J\u00e1 Silvana Melo* explica que sente a necessidade de contar e repetir quase tudo o que faz. \u201cAl\u00e9m de repetir tudo o que fa\u00e7o, eu conto tamb\u00e9m o dia todo. Tudo que eu fa\u00e7o tenho que repetir por 4 vezes.\u201d Fora isso, ela tamb\u00e9m tem TOC com limpeza e precisa lavar as m\u00e3os constantemente e limpar a casa com \u00e1lcool. Tudo isso bem antes das recomenda\u00e7\u00f5es em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 pandemia do novo coronav\u00edrus.\u00a0<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>\u201cViver com TOC \u00e9 muito ruim. Eu deixo muitas coisas sem fazer por achar que, se eu fizer coisas bobas, algo ruim vai acontecer, como se algu\u00e9m que eu amo fosse morrer,\u201d conta ela.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Para Ana Paula Domingues, seus rituais s\u00e3o centrados na religi\u00e3o desde que tinha 10 anos. \u201cUm dos meus comportamentos de crian\u00e7a era orar um pai nosso cada vez que vinha um pensamento de que pudesse acontecer algo com a minha fam\u00edlia. Em seguida, precisava lavar as m\u00e3os,\u201d conta.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Ela diz que procurou diagn\u00f3stico quando seu filho nasceu, 17 anos atr\u00e1s, porque as pessoas em seu entorno n\u00e3o consideravam normal o fato de ela dar banho no beb\u00ea depois de cada visita. Foi ent\u00e3o que descobriu que tinha TOC e come\u00e7ou o tratamento. Al\u00e9m desse transtorno, ela tamb\u00e9m sofre de s\u00edndrome do p\u00e2nico. Ana Paula tamb\u00e9m conta que tem um ritual quando acorda que n\u00e3o pode ser interrompido. \u201cFa\u00e7o as mesmas coisas quando me levanto e, se algu\u00e9m me incomodar, me tirar desse ritual, passo o dia inteiro com medo de acontecer algo. Meu filho e meu marido j\u00e1 sabem, me deixam \u00e0 vontade.\u201d<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Apesar de ser casada atualmente, ela diz que o TOC j\u00e1 atrapalhou muito seus relacionamentos na adolesc\u00eancia, por conta da higiene e limpeza. \u201cMeu primeiro beijo foi aos 17 anos. Foi no estacionamento do shopping e eu n\u00e3o prestava aten\u00e7\u00e3o ou n\u00e3o curti o momento de prazer. Eu ficava tentando sentir o cheiro daquele rapaz e vinham os pensamentos: \u2018Ser\u00e1 que ele n\u00e3o tem HIV ou alguma outra doen\u00e7a?\u2019. Quando cheguei em casa, fui diretamente tomar banho e escovar os dentes\u201d, explica.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>O mesmo acontece com a estudante Thain\u00e3 Rodrigues. Mesmo sem ter tido rela\u00e7\u00f5es sexuais, ela j\u00e1 realizou v\u00e1rios exames por conta de pensamentos obsessivos sobre doen\u00e7as sexualmente transmiss\u00edveis. \u201cEu comecei a fazer v\u00e1rios exames. Ginecologista, dentista, porque tudo que aparecia na minha boca eu achava que era DST. Testes r\u00e1pidos fiz in\u00fameros. Isso sem nunca ter transado. Eu cheguei a cogitar a ideia de que um amigo teria me estuprado e me passado a doen\u00e7a\u201d, conta.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Thain\u00e3 explica que seus sintomas come\u00e7aram a aparecer quando o pai e a amiga foram internados e ela passou a conviver com eles no hospital. No in\u00edcio, o medo era de que eles se contaminassem, mas isso foi transferido para ela, que come\u00e7ou a lavar muito as m\u00e3os e higienizar tudo a sua volta. Apesar de s\u00f3 perceber os sintomas com 19 anos, ela diz que j\u00e1 os apresentava de maneira mais branda desde a inf\u00e2ncia.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p><strong>Discord\u00e2ncia cient\u00edfica<\/strong><\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>De acordo com o Dr. Paulo Beer, n\u00e3o h\u00e1 consenso na \u00e1rea m\u00e9dica sobre o surgimento do Transtorno Obsessivo-Compulsivo. Ele conta que existem duas vertentes principais: a psican\u00e1lise, da qual faz parte, e a psiquiatria hegem\u00f4nica. Elas discordam em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 origem dos sintomas, \u00e0 abordagem e ao tratamento.\u00a0<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>\u201cO Transtorno Obsessivo-Compulsivo \u00e9 apresentado hoje em dia pela psiquiatria hegem\u00f4nica, que \u00e9 uma psiquiatria muito calcada no horizonte biol\u00f3gico, e tem algumas diferen\u00e7as em rela\u00e7\u00e3o ao modo que a psican\u00e1lise entende [o TOC],\u201d diz Beer.\u00a0<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Ele ainda ressalta que at\u00e9 o nome do transtorno foi cunhado para padronizar o diagn\u00f3stico a partir dos anos 80 e substituir a categoria de \u201cneurose obsessiva\u201d, que vinha da psican\u00e1lise. \u201c\u00c9 uma inscri\u00e7\u00e3o que, de alguma maneira, acaba trazendo uma s\u00e9rie de problemas, porque acaba naturalizando esses sintomas, como se eles, de fato, fossem iguais e n\u00e3o fossem determinados culturalmente,\u201d explica.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Para Paulo, essa padroniza\u00e7\u00e3o dos sintomas pela psiquiatria hegem\u00f4nica \u00e9 bastante prejudicial, porque tira de foco a origem e a causa deles. J\u00e1 a psican\u00e1lise enxerga que o indiv\u00edduo pode ter uma \u201cneurose obsessiva\u201d desde a inf\u00e2ncia, com sintomas brandos, mas que se desenvolvem para obsess\u00f5es e compuls\u00f5es durante a vida.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Essa vertente ainda defende que os fatores ambientes e as caracter\u00edsticas pessoais n\u00e3o podem ser dissociadas na hora de se investigar a origem dos sintomas. \u201cA psican\u00e1lise vai trabalhar com essa ideia de que as coisas nunca est\u00e3o separadas. Quer dizer, os fatores ambientais da hist\u00f3ria do sujeito, o lugar onde ele vive, as experi\u00eancias que ele tem. Elas fazem parte do desenvolvimento do que a gente chama de personalidade.\u201d<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>\u201cO ambiente \u00e9 insepar\u00e1vel do desenvolvimento do psiquismo em si. Ent\u00e3o \u00e9 sempre uma conjun\u00e7\u00e3o\u201d, completa ele. Isso \u00e9 facilmente percebido nas hist\u00f3rias contadas por quem tem TOC. Thain\u00e3 desenvolveu os sintomas quando o pai e amiga ficaram internados no hospital. Silvana come\u00e7ou a perceb\u00ea-los aos 12 anos com pensamentos intrusivos e manias de repeti\u00e7\u00e3o. Rafael Artigas, estudante de Letras, tem sua primeira lembran\u00e7a de TOC aos 10 anos, mas seus sintomas se tornaram mais severos por volta dos 16, com situa\u00e7\u00f5es de estresse intenso. Clara tem obsess\u00f5es e compuls\u00f5es desde crian\u00e7a, mas pioraram quando o pai faleceu em 2016. Os relatos continuam, quase todos associando a piora dos sintomas com situa\u00e7\u00f5es estressoras de gatilho emocional.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p><strong>Preconceito<\/strong><\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Apesar de ser uma doen\u00e7a mental s\u00e9ria, justamente por se manifestar na mente de quem vive com ela, \u00e9 bem comum que essas pessoas sofram preconceitos, constrangimentos e hostilidades. Ricardo conta que um de seus chefes j\u00e1 o discriminou por conta do transtorno. \u201cEu estava tomando ansiol\u00edtico direto, por isso falava mais devagar. A\u00ed meu chefe, que sabia que eu tinha TOC, pediu que minha psiquiatra me desse um atestado de sanidade mental\u201d, conta.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>E ele n\u00e3o \u00e9 o \u00fanico. Thain\u00e3 diz que tamb\u00e9m foi v\u00edtima de preconceito, mas na universidade. \u201cEu vivo ansiosa por causa do TOC e j\u00e1 cheguei a ter crises na faculdade. Ouvi coisas do tipo \u2018t\u00e1 fazendo isso para ganhar nota\u2019.\u201d Ela tamb\u00e9m conta uma situa\u00e7\u00e3o em que passou por uma dessas crises durante uma prova e foi liberada pelo professor para fazer uma atividade por email para compensar a nota. Por\u00e9m, uma de suas colegas entrou em contato com o professor e disse que Thain\u00e3 estava mentindo. Com isso, ela acabou indo para a\u00a0<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>recupera\u00e7\u00e3o.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Clara Ferreira tamb\u00e9m relata situa\u00e7\u00f5es de discrimina\u00e7\u00e3o em sala de aula em que as colegas riam e faziam piadas por ela lavar as m\u00e3os com frequ\u00eancia e n\u00e3o encostar nas ma\u00e7anetas das portas. Fora isso, era comum que outros alunos mexessem em seu material escolar para perturb\u00e1-la. Clara teve que mudar de sala por conta das a\u00e7\u00f5es discriminat\u00f3rias de seus colegas.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Para o estudante de Letras Rafael, essas situa\u00e7\u00f5es se devem muito \u00e0 representa\u00e7\u00e3o do Transtorno Obsessivo-Compulsivo pela m\u00eddia em filmes e s\u00e9ries. \u201cO que eu percebo \u00e9 a incompreens\u00e3o das pessoas do que realmente \u00e9 o TOC, aliada a uma imagem caricata disseminada na m\u00eddia. Tem um filme da Tat\u00e1 Werneck que passa uma imagem deplor\u00e1vel da doen\u00e7a, quase como se fosse legal ter TOC,\u201d explica.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>A desenvolvedora de sistemas Carla tamb\u00e9m cita a falta de conhecimento como um grande problema para que a popula\u00e7\u00e3o geral entenda o transtorno. \u201c\u00c9 f\u00e1cil se deparar na internet com fotos que exaltam a organiza\u00e7\u00e3o de uma mesa milimetricamente arrumada e com tons combinando com a legenda \u2018meu TOC agradece\u2019. As pessoas falam do TOC como se fosse um capricho de organiza\u00e7\u00e3o. Isso \u00e9 completamente distorcido.\u201d<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p><strong>Vivendo com TOC<\/strong><\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Por ser uma doen\u00e7a mental cr\u00f4nica, o Transtorno Obsessivo-Compulsivo n\u00e3o tem cura, mas o psiquiatra Paulo Beer ressalta que existem diferentes formas de lidar com ele. \u201cA psiquiatria hegem\u00f4nica trabalha muito com rem\u00e9dios e, em geral, indica-se muito terapia que incide diretamente nos sintomas\u201d, explica. Por\u00e9m, ele comenta que existem problemas com essa abordagem. \u201cOs sintomas s\u00e3o como se fossem s\u00f3 a ponta do iceberg e o que a gente v\u00ea muitas vezes \u00e9 que, quando voc\u00ea s\u00f3 foca nos sintomas em si, eles se deslocam, outro tipo de sintoma aparece no lugar.\u201d<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Por isso, ele recomenda o tratamento da psican\u00e1lise, baseado na teoria de Sigmund Freud sobre como a mente humana \u00e9 intrinsecamente marcada por conflitos. \u201cO psiquismo como um todo \u00e9 sempre marcado por conflitos, independentemente da cultura, dos fatores ambientais. O tratamento psicanal\u00edtico passa por uma explora\u00e7\u00e3o dessa via, algo que v\u00e1 no sentido de trabalhar com a causa desses sintomas\u201d, ressalta. Para essa vertente, os pensamentos obsessivos e comportamentos compulsivos s\u00e3o maneiras de expressar outro conflito, sobre o qual o indiv\u00edduo n\u00e3o consegue falar por ser intenso demais.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>\u201cEnt\u00e3o, ele n\u00e3o \u00e9 um tratamento que foca diretamente nos sintomas, mas nessa dimens\u00e3o conflitiva como um todo e o que a gente v\u00ea \u00e9 que, tratando isso, abrindo essa via de poder falar sobre essas coisas, os sintomas perdem a for\u00e7a e \u00e0s vezes at\u00e9 somem, mas principalmente a rela\u00e7\u00e3o do sujeito com aqueles sintomas vai mudando no decorrer do tratamento,\u201d completa Beer.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>O TOC \u00e9 uma doen\u00e7a que consome muito do indiv\u00edduo e, por isso, \u00e9 t\u00e3o importante procurar ajuda e tratamento, seja ele atrav\u00e9s de medicamentos ou da via psicanal\u00edtica. Tamb\u00e9m \u00e9 essencial encontrar uma rede de apoio com pessoas de confian\u00e7a para ajudarem a tornar o cotidiano menos estressante. Al\u00e9m disso, se cercar de pessoas compreensivas e dispostas a ajudar pode evitar o surgimento de outras doen\u00e7as mentais, como ansiedade, depress\u00e3o e at\u00e9 diminuir o risco de suic\u00eddio.\u00a0<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Se voc\u00ea estiver sofrendo com Transtorno Obsessivo-Compulsivo ou quaisquer outros dist\u00farbios mentais, n\u00e3o hesite em ligar para o Centro de Valoriza\u00e7\u00e3o da Vida, no n\u00famero 188. \u00c9 poss\u00edvel conviver com uma doen\u00e7a mental. Sua vida importa.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>*Alguns nomes desta mat\u00e9ria foram alterados a pedido dos entrevistados.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p><em><strong>Por Maria Carolina Soares<\/strong><br \/>mcarolinasoares@usp.br<\/em><\/p>\r\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\u201c- S\u00e3o tartarugas at\u00e9 l\u00e1 embaixo &#8211; repeti. &#8211; S\u00e3o s\u00f3 umas tartarugas rid\u00edculas at\u00e9 l\u00e1 embaixo, Holmes. 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