{"id":179,"date":"2020-06-21T16:10:35","date_gmt":"2020-06-21T19:10:35","guid":{"rendered":"http:\/\/paineira.usp.br\/cje\/babel\/?p=179"},"modified":"2020-09-30T10:42:20","modified_gmt":"2020-09-30T13:42:20","slug":"emoji-uma-nova-e-antiga-forma-de-comunicar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/?p=179","title":{"rendered":"Emoji: uma nova (e antiga) forma de comunicar"},"content":{"rendered":"\n<p>Desde 2004, o dicion\u00e1rio oficial da Universidade de Oxford escolhe a \u201cpalavra do ano\u201d, tomando como base seu uso e interesse registrado ao longo dos \u00faltimos doze meses. Naquele ano, a escolhida foi \u201cchav\u201d \u2013 g\u00edria que nomeia uma tribo adolescente brit\u00e2nica, algo similar ao \u201cmano\u201d paulista. No long\u00ednquo 2015, a \u201cpalavra do ano\u201d foi esta: ????<\/p>\n\n\n\n<p>Figuras como esta est\u00e3o em todo o lugar, e desde 2015, cada vez mais pessoas utilizam-nas para se comunicar com amigos, parentes, estranhos nas redes sociais. A sua tia usa, seu priminho novo demais para ter um celular usa e, num dia de bom humor, talvez at\u00e9 seu chefe use.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas um emoji pode ser uma palavra? Para a doutora em lingu\u00edstica e professora titular da Faculdade de Letras da UFMG Vera Menezes, trata-se de um recurso visual e multimodal. Ela explica que, mesmo antes da comunica\u00e7\u00e3o digital, pessoas utilizavam ferramentas visuais para expressar o que o verbal n\u00e3o conseguia transmitir.<\/p>\n\n\n\n<p>Afinal, n\u00e3o \u00e9 estranho terminar um bilhetinho de amor com um s\u00edmbolo de cora\u00e7\u00e3o, ou entender que o tra\u00e7o acima de uma vogal significa um som mais agudo. \u201cAt\u00e9 quando eu falo com voc\u00ea\u201d, explica a professora Menezes, em um telefonema de S\u00e3o Paulo para Minas Gerais, \u201ceu me pego fazendo gestos com as m\u00e3os, apesar de voc\u00ea n\u00e3o estar me vendo\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Na era p\u00f3s-moderna, por\u00e9m, os s\u00edmbolos e desenhos est\u00e3o a um toque de dist\u00e2ncia, no mesmo teclado que encontramos um \u201cA\u201d ou um \u201c?\u201d. A facilidade de transmitir os emojis fez com que a comunica\u00e7\u00e3o visual explodisse na era do smartphone, cada vez mais incorporada \u00e0 linguagem escrita.<\/p>\n\n\n\n<p>Todavia, n\u00e3o \u00e9 porque usamos ???? que deixaremos de dizer \u201ceu te amo\u201d; seu amigo mais puritano pode respirar aliviado. Vera explica que \u201ca l\u00edngua n\u00e3o est\u00e1 sendo amea\u00e7ada por estes recursos\u201d. Pelo contr\u00e1rio: \u201celes s\u00f3 enriquecem a linguagem\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>UM S\u00cdMBOLO PARA CHAMAR DE SEU<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em seu acervo fixo, o Museu de Arte Moderna de Nova York, apelidado de MoMA, possui quase 200 mil trabalhos visuais que se estendem das tradicionais pinturas \u00e0 \u00f3leo a espa\u00e7osas instala\u00e7\u00f5es concretistas. O designer japon\u00eas Shigetaka Kurita tamb\u00e9m marca presen\u00e7a no museu, por\u00e9m com uma adi\u00e7\u00e3o incomum.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele \u00e9 o criador do primeiro conjunto de emojis, composto por 176 pictogramas desenvolvidos em 1999 para a empresa de telecomunica\u00e7\u00f5es NTT DoCoMo. Para a artista e professora da FAU-USP, Giselle Beiguelman, a presen\u00e7a destas figuras num dos mais cobi\u00e7ados espa\u00e7os da arte moderna global revela sua import\u00e2ncia como \u201cfatos culturais e reveladores dos processos comunicacionais na nossa \u00e9poca\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Nas min\u00fasculas figuras do teclado, a sociedade v\u00ea uma representa\u00e7\u00e3o de si mesma \u2013 de seus objetos, express\u00f5es e gestos. Mas e quando algu\u00e9m n\u00e3o se encontra entre os desenhos?<\/p>\n\n\n\n<p>Quando Rayouf Alhumedi, saudita de 16 anos, procurou um emoji para represent\u00e1-la no WhatsApp, ela n\u00e3o encontrou. Nenhum dos rostos trazia o seu len\u00e7o isl\u00e2mico, o hijab. Ent\u00e3o, ela enviou uma carta ao Unicode Consortium \u2013 entidade que administra o padr\u00e3o de reconhecimento de textos por computadores, e tamb\u00e9m aprova a cria\u00e7\u00e3o de novos emojis \u2013 argumentando por qu\u00ea aquele s\u00edmbolo era necess\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2017, o \u00edcone da \u201cgarota com v\u00e9u\u201d (que, no iPhone, lembra a apar\u00eancia da pr\u00f3pria Rayoud) entrou para o teclado de todos os usu\u00e1rios. Algum tempo depois, Janete Hammoud \u2013 brasileira de 42 anos, isl\u00e2mica e dona de uma loja de vestu\u00e1rio religioso \u2013 encontrou a pequena imagem no teclado de seu pr\u00f3prio celular.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cMe apaixonei\u201d, contou, \u201cporque me representa, tamb\u00e9m uso hijab\u201d. Durante nossa conversa, Janete usou emojis variados, e explicou que eles a auxiliam a se expressar. Fazem, para ela, o papel que teriam as v\u00edrgulas e pontos, dos quais n\u00e3o \u00e9 adepta, e ainda acrescenta uma dimens\u00e3o emotiva \u00e0 linguagem que transcende os sinais gr\u00e1ficos mais comuns.<\/p>\n\n\n\n<p>A demora para adicionar, entre centenas, um \u00fanico emoji que represente sua apar\u00eancia e a de suas clientes e amigas, \u00e9, segundo a vendedora, reflexo do vi\u00e9s que paira sobre sua religi\u00e3o. \u201cUma carinha legal de uma menina com len\u00e7o\u201d, como descreve Janete, n\u00e3o \u00e9 visto como normal e cotidiano, da forma que seria uma menina de cabelos loiros e compridos ou um homem de bon\u00e9. Da mesma maneira, sua religi\u00e3o e pessoas que a seguem n\u00e3o s\u00e3o vistos como normais.<\/p>\n\n\n\n<p>A Unicode Consortium e as empresas de telefonia est\u00e3o cientes da demanda que a era da diversidade trouxe para os emojis. Em mar\u00e7o de 2019, veio a not\u00edcia de casais interraciais seriam adicionados \u00e0 gama de s\u00edmbolos digitais, ap\u00f3s casais LGBT ganharem os pr\u00f3prios.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>NASCE UM EMOJI<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A vincula\u00e7\u00e3o de um emoji a uma causa ou um grupo social pode acelerar seu processo de cria\u00e7\u00e3o, sendo impulsionado pela opini\u00e3o p\u00fablica e mesmo servindo como capital n\u00e3o-financeiro para as empresas de telecomunica\u00e7\u00f5es. Mas e quando um emoji tem pouca ou nenhuma causa real por tr\u00e1s?<\/p>\n\n\n\n<p>O cartunista e designer<span class=\"has-inline-color has-vivid-cyan-blue-color\"> <a href=\"https:\/\/www.hongkonggong.com\/\">Jason Li<\/a> <\/span>\u00e9 o orgulhoso criador do emoji de lhama. Para ele, foi importante propor novas figuras para livrar a sele\u00e7\u00e3o pr\u00e9-existente do que ele chama de \u201cvi\u00e9s\u201d. Alguns grupos estavam sub-representados, enquanto outros tinham \u201crepresenta\u00e7\u00e3o em excesso\u201d (como camelos, ou facas).<\/p>\n\n\n\n<p>A lhama, seu animal favorito, foi sua primeira proposta. Como um assumido \u201cusu\u00e1rio \u00e1vido de emojis\u201d, ele descobriu atrav\u00e9s de uma colega designer, Jenny 8. Lee, que era poss\u00edvel criar seus pr\u00f3prios. Com a ajuda de uma plataforma de amantes de emojis, a Emojination, ele percorreu todo o processo de envio e an\u00e1lise pelo Unicode Consortium.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele descreve o desenvolvimento como \u201cbastante direto\u201d, embora haja ru\u00eddos no protocolo do cons\u00f3rcio sobre formato das imagens e nos exemplos fornecidos como modelo para as propostas. Li defende que a entidade est\u00e1 \u201ccontinuamente tentando melhorar e atualizar esse processo, o que talvez gere alguns problemas\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Podem levar meses at\u00e9 uma proposta de emoji sair do papel e entrar no teclado, e alguns est\u00e3o parados h\u00e1 anos. Existe, ainda, a possibilidade da proposta ser completamente descartada. Isto pode ocorrer por diversas raz\u00f5es: o s\u00edmbolo pode ser muito \u201cnichado\u201d, n\u00e3o prospectando um p\u00fablico suficiente, ou ser muito pr\u00f3ximo a um emoji j\u00e1 existente.<\/p>\n\n\n\n<p>Todas as proposi\u00e7\u00f5es s\u00e3o submetidas a um processo de voto, que, em suas mais altas inst\u00e2ncias, tem como membros votantes representantes da Adobe, da Apple Inc., do Facebook, do Google, Huawei, Microsoft, Yahoo e a pr\u00f3pria Emojipedia, cuja comunidade ajudou a avan\u00e7ar o emoji de lhama de Jason Li.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo a p\u00e1gina oficial do cons\u00f3rcio, atualmente o subcomit\u00ea regulador de emojis da Unicode Inc. \u00e9 chefiado pela diretora criativa dos mesmos s\u00edmbolos na empresa Google, Jennifer Daniel. Os dois vices s\u00e3o Ned Holbrook, funcion\u00e1rio da Apple, e Jennifer 8. Lee (que inspirou Li a criar seu pr\u00f3prio emoji. \u00c9 um mundo pequeno).&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, a Unicode Consortium existe h\u00e1 muito tempo, e padroniza e administra emojis h\u00e1 muito menos. \u201cAcredito que eles est\u00e3o conseguindo compensar o tempo perdido, e est\u00e3o fazendo um grande, louv\u00e1vel esfor\u00e7o\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O EMOJI \u00c9 POL\u00cdTICO<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Se nossos emojis simbolizam mesmo o que pensamos como sociedade, n\u00e3o apenas a diversidade que est\u00e1 em pauta. A ideologia por tr\u00e1s de um emoji tamb\u00e9m.<\/p>\n\n\n\n<p>Na disputa eleitoral de 2018, figurinhas carimbadas da pol\u00edtica brasileira tiveram um embate sobre este s\u00edmbolo: ????. Ele foi relacionado \u00e0 imagem do ent\u00e3o candidato Jair Bolsonaro na campanha do advers\u00e1rio Geraldo Alckmin, que se valeu de recursos da Internet em sua propaganda televisiva.<\/p>\n\n\n\n<p>A defesa de Bolsonaro processou Alckmin, alegando que ele violou o C\u00f3digo Eleitoral ao atentar contra a imagem de Jair e \u201ccriar artificialmente estados mentais, emocionais ou passionais no eleitor\u201d. Perdeu, por unanimidade.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O relator do caso, ministro Carlos Horbach, caracterizou o emoji como uma \u201ccr\u00edtica forte e \u00e1cida, expressa n\u00e3o em palavras, mas por sinais gr\u00e1ficos\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Os s\u00edmbolos voltaram a posar como cr\u00edtica pol\u00edtica quando, numa manh\u00e3 de ter\u00e7a-feira, S\u00e3o Paulo amanheceu com dois emojis representando fezes, com 4 metros de altura cada, boiando no rio Pinheiros.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Cerca de 50 pol\u00edticos paulistanos tamb\u00e9m receberam a figurinha em forma de almofada em seus gabinetes, junto a um pedido de socorro. A a\u00e7\u00e3o foi realizada pelo publicit\u00e1rio Marcelo Reis, como parte de um movimento recupera\u00e7\u00e3o do rio: o #VoltaPinheiros.<\/p>\n\n\n\n<p>Mais do que expressar a emo\u00e7\u00e3o cotidiana, os recursos visuais que a tecnologia trouxe mostram que, na era do text\u00e3o, \u00e9 poss\u00edvel condensar par\u00e1grafos inteiros de cr\u00edtica em, simplesmente, ????.<\/p>\n\n\n\n<p>Pautas sociais e pol\u00edticas tamb\u00e9m podem n\u00e3o apenas apropriar-se de emojis para comunica\u00e7\u00e3o publicit\u00e1ria, mas tamb\u00e9m voltar-se contra eles. Um exemplo \u00e9 a campanha #DisarmTheIphone (em tradu\u00e7\u00e3o livre, Desarme o iPhone).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A premissa da hashtag, utilizada em 2015, era simples: pressionar o CEO da Apple, Tim Cook, a alterar o design do emoji de pistola, que, at\u00e9 ent\u00e3o, exibia um desenho realista de uma arma de fogo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Para os criadores do #DisarmTheIphone, estagi\u00e1rios num programa de treinamento em publicidade na ag\u00eancia BBH Barn, a a\u00e7\u00e3o era uma maneira de disseminar e pedir apoios corporativos \u00e0 restri\u00e7\u00e3o do porte de armas nos Estados Unidos.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar das cr\u00edticas \u00e0queles que consideraram o movimento \u201cin\u00fatil\u201d ou \u201cexagerado\u201d, a marca de fato substituiu o design do s\u00edmbolo, passando a adotar uma arminha infantil, carregada com \u00e1gua, no lugar da arma de fogo. Dois anos depois do fim da veicula\u00e7\u00e3o de materiais de campanha da #DisarmTheEmoji, o pictograma foi atualizado nos celulares iPhone por todo o mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>Quase que ao mesmo tempo, na R\u00fassia, outros emojis eram postos sob a mira de movimentos ideol\u00f3gicos. Amparado pela legisla\u00e7\u00e3o homof\u00f3bica do pa\u00eds, um senador russo prestou queixa p\u00fablica contra emojis que representavam a diversidade sexual.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Mikhail Marchenko, membro do partido de extrema-direita Liberal Democrata, pediu para que os mecanismos estatais de controle da comunica\u00e7\u00e3o extinguissem da linguagem digital russa s\u00edmbolos como o que mostra duas figuras femininas iniciando um beijo, com um cora\u00e7\u00e3o cor-de-rosa entre elas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Pela lei russa, \u00e9 pass\u00edvel de multa qualquer internauta que promover \u201crela\u00e7\u00f5es sexuais n\u00e3o tradicionais\u201d ou opor-se a \u201cvalores familiares\u201d em suas postagens. No entanto, bloquear um emoji totalmente \u00e9 mais dif\u00edcil do que alterar a representa\u00e7\u00e3o gr\u00e1fica dele, como feito na pistola da Apple: a padroniza\u00e7\u00e3o do Unicode Consortium garante que, apesar de utilizarem diferentes designs, todo teclado de qualquer sistema operacional tenha e reproduza os mesmos s\u00edmbolos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>UM EMOJI, V\u00c1RIOS SIGNIFICADOS<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A comunica\u00e7\u00e3o verbal n\u00e3o \u00e9 isenta de ru\u00eddos, e a sem\u00e2ntica prova que sua escolha de palavras pode gerar leituras diversas do interlocutor. Quando se escolhe um emoji, n\u00e3o \u00e9 diferente.<\/p>\n\n\n\n<p>Um exemplo corriqueiro \u00e9 o mesmo emoji escolhido como \u201cpalavra do ano\u201d por Oxford em 2015. Como, no teclado digital, temos acesso apenas a uma pequenina representa\u00e7\u00e3o gr\u00e1fica e n\u00e3o ao t\u00edtulo oficial dos s\u00edmbolos, o emoji que significa \u201cLOL\u201d, ou <em>\u201claughing out loud\u201d<\/em>, ou ainda \u201crindo \u00e0 be\u00e7a\u201d, \u00e9 visto por muitos como um choro.<\/p>\n\n\n\n<p>O ex-redator do Buzzfeed Rafael Capanema colheu exemplos desta confus\u00e3o numa<a href=\"https:\/\/www.buzzfeed.com\/br\/rafaelcapanema\/atencao-pais-o-chorrindo-nao-e-um-emoji-de-tristeza\"> lista<\/a> publicada em 2018, intitulada: \u201c<em>ATEN\u00c7\u00c3O, PAIS: o <\/em>????<em> n\u00e3o \u00e9 um emoji de tristeza<\/em>\u201d. Uma verdadeira aula de lingu\u00edstica, a publica\u00e7\u00e3o de humor tamb\u00e9m revela quem n\u00f3s esperamos que seja mais propenso a errar seus emojis: usu\u00e1rios mais velhos, menos adeptos \u00e0 tecnologia.<\/p>\n\n\n\n<p>Voltando \u00e0 campanha de 2018, a UOL Tecnologia levantou as carinhas mais utilizadas por eleitores de Fernando Haddad (PT) e Jair Bolsonaro (ent\u00e3o PSL), candidatos do segundo turno da elei\u00e7\u00e3o presidencial. As diferen\u00e7as de pauta e abordagem de cada base eleitoral se mostravam at\u00e9 pelos emojis preferidos, com cada um ganhando um significado especial, e at\u00e9 poder argumentativo<\/p>\n\n\n\n<p>Um simples gesto como este ???? poderia fazer algu\u00e9m que apenas queria apontar algo \u00e0 direita no texto ser visto como bolsonarista, por exemplo. No entanto, as diferen\u00e7as de significado para cada emoji v\u00e3o al\u00e9m da pol\u00edtica.<\/p>\n\n\n\n<p>A dra. Vera Menezes aponta que, como qualquer linguagem, h\u00e1 varia\u00e7\u00f5es culturais nos s\u00edmbolos. O mesmo s\u00edmbolo pode ser apropriado por diferentes grupos e ressignificado diversas vezes, como j\u00e1 acontecem com as palavras.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>ACESSIBILIDADE<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Tal multiplicidade de significados, no entanto, \u00e9 gravemente desidratada quando consideramos aqueles que n\u00e3o conseguem, de fato, v\u00ea-los. Consideremos pessoas com defici\u00eancias visuais: para ler emojis, assim como caracteres do alfabeto, este grupo frequentemente depende de teclados do modelo \u201ctext-to-speech\u201d, que leem em voz alta, mecanicamente, o que est\u00e1 escrito.<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo os emojis s\u00e3o transformados em fala. Para isso, a cada s\u00edmbolo, \u00e9 designado somente um nome, que representa o significado original do emoji.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Veronica Lewis, uma estudante de ci\u00eancia de dados moradora da Virginia, no sudeste dos Estados Unidos, compartilhou suas experi\u00eancias com emojis em um texto de 2018. Publicado na plataforma de aprendizado Perkins School for the Blind, o relato demonstra que ainda h\u00e1 muito a avan\u00e7ar na acessibilidade dos pequenos s\u00edmbolos.<\/p>\n\n\n\n<p>Lewis explica que, como portadora de baixa vis\u00e3o, ela pode escolher utilizar uma lupa eletr\u00f4nica ou lente de aumento para visualizar os emojis, ou traduzi-los para texto oral pelo teclado <em>text-to-speech<\/em>. \u201cPor exemplo, se um amigo me mandar uma mensagem com um ???? no final, meu leitor vai ler a mensagem e ent\u00e3o o emoji como \u2018cora\u00e7\u00e3o amarelo\u2019\u201d, diz. \u201cNum exemplo mais frustrante, se meu amigo me enviar cinco emojis de \u2018bolo\u2019, o leitor dever\u00e1 ler \u2018bolo bolo bolo bolo bolo\u2019.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>A estudante tamb\u00e9m pode mandar seus pr\u00f3prios emojis, por\u00e9m o processo n\u00e3o \u00e9 infal\u00edvel. Para selecionar um s\u00edmbolo, ela deve falar em voz alta o nome do emoji que deseja digitar. Por\u00e9m, nem sempre o teclado entende que deve substituir tal express\u00e3o pelo emoji; os amigos de Veronica podem receber, em vez de um ????, a frase \u201ccora\u00e7\u00e3o amarelo\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Caso ela visite uma rede social como o Twitter, onde \u00e9 poss\u00edvel adicionar emojis ao seu pr\u00f3prio nome de exibi\u00e7\u00e3o e enviar v\u00e1rios em sequ\u00eancia a cada tu\u00edte, a comunica\u00e7\u00e3o pode ser seriamente prejudicada. Experimente abrir sua linha do tempo e ler, em voz alta, tudo que aparece na tela \u2013 inclusive os emojis. Voc\u00ea poder\u00e1 sair do site com uma bela dor de cabe\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Para aqueles com amigos ou colegas com baixa ou nula vis\u00e3o, uma boa pedida \u00e9 ficar atento a como ele ou ela se comunica. Caso voc\u00ea n\u00e3o receba mensagens dele ou dela com emojis, talvez seja sinal de um certo desconforto com o recurso. O melhor \u00e9 praticar modera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>Por Juliana Santos<\/strong><\/em><br><em>jusantosgoncalves@gmail.com<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Desde 2004, o dicion\u00e1rio oficial da Universidade de Oxford escolhe a \u201cpalavra do ano\u201d, tomando como base seu uso e interesse registrado ao \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/?p=179\"> <\/a>","protected":false},"author":42,"featured_media":180,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-179","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-revista-babel-junho-2020"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v19.10 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>Emoji: uma nova (e antiga) forma de comunicar - Revista Babel<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/?p=179\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Emoji: uma nova (e antiga) forma de comunicar - 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