{"id":1704,"date":"2025-06-17T18:05:09","date_gmt":"2025-06-17T21:05:09","guid":{"rendered":"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/?p=1704"},"modified":"2025-07-02T20:20:51","modified_gmt":"2025-07-02T23:20:51","slug":"do-feed-ao-fitness","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/?p=1704","title":{"rendered":"Do Feed ao Fitness"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-size: 10pt;\">(Arte: Gabriele Mello)<\/span><\/p>\n<p><em><span style=\"font-weight: 400;\">Como o universo de exerc\u00edcios online molda comportamentos, refor\u00e7a padr\u00f5es e movimenta bilh\u00f5es fora das redes<\/span><\/em><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><strong>Por <\/strong>Mar\u00edlia Monitchele<\/span><\/p>\n<p>Vers\u00e3o em a\u00fadio:<\/p>\n<p><iframe title=\"Spotify Embed: Audiodescri\u00e7\u00e3o - Do Feed ao Fitness\" style=\"border-radius: 12px\" width=\"100%\" height=\"152\" frameborder=\"0\" allowfullscreen allow=\"autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/open.spotify.com\/embed\/episode\/62yRXzkmC1dnnrNb8266V6?si=MeL_bqwrRZeb1EK07fAoxw&#038;utm_source=oembed\"><\/iframe><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Em meados de 2020, enquanto navegava pelas redes sociais durante o isolamento social imposto pela pandemia de Covid-19, a dona de casa Ciane Mac\u00eado se deparou com um v\u00eddeo que chamou sua aten\u00e7\u00e3o. Era o clipe de uma influenciadora digital demonstrando um treino simples para se fazer em casa. Naquele ponto da quarentena, Ciane j\u00e1 havia recorrido a uma s\u00e9rie de atividades para ocupar o tempo e aliviar a ansiedade: assou bolos, resgatou a antiga m\u00e1quina de costura para consertar roupas, teceu pe\u00e7as de croch\u00ea, pintou panos de prato\u2026 A proposta dos v\u00eddeos de exerc\u00edcio surgiu como mais uma v\u00e1lvula de escape.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O que ela n\u00e3o sabia era que fazia parte de um movimento muito maior. Milhares de pessoas estavam impulsionando uma verdadeira &#8220;Era de Ouro&#8221; para os influenciadores fitness, os criadores de conte\u00fado voltados a pr\u00e1ticas de bem-estar e atividade f\u00edsica. No Brasil, segundo o portal de not\u00edcias Metr\u00f3poles, entre o in\u00edcio da pandemia e o final de mar\u00e7o de 2021, os aplicativos focados nesse universo saud\u00e1vel <\/span><a href=\"https:\/\/www.metropoles.com\/vida-e-estilo\/bem-estar\/com-isolamento-aplicativos-de-exercicios-crescem-226-no-brasil\"><span style=\"font-weight: 400;\">registraram um aumento<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\"> de 226% nas instala\u00e7\u00f5es n\u00e3o org\u00e2nicas e 116% nas instala\u00e7\u00f5es org\u00e2nicas (aquelas sem impulsionamento de publicidade).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">No mesmo per\u00edodo, um <\/span><a href=\"https:\/\/f5.folha.uol.com.br\/viva-bem\/2021\/06\/com-pandemia-brasileiros-voltam-a-malhar-em-casa-como-nos-anos-1980.shtml\"><span style=\"font-weight: 400;\">levantamento<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\"> feito pelo YouTube, a pedido da Folha de S\u00e3o Paulo, revelou que o Brasil estava entre os cinco primeiros pa\u00edses que buscaram por \u201catividades f\u00edsicas em casa\u201d na plataforma. E entre mar\u00e7o de 2020 e maio de 2021, um estudo feito pelo Google Trends mostrou que foram registradas mais de 370 milh\u00f5es de buscas de v\u00eddeos de exerc\u00edcios com os termos &#8220;casa&#8221; ou &#8220;sem equipamento&#8221; no t\u00edtulo. \u201cEsse tipo de conte\u00fado me dava \u2018conforto\u2019, uma sensa\u00e7\u00e3o de que eu tinha algum controle e podia fazer algo por mim, apesar de toda a inseguran\u00e7a ao redor\u201d, relembra Ciane.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Esse cen\u00e1rio foi estrategicamente capitalizado por influenciadores como a preparadora f\u00edsica <\/span><a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/@carolborba\"><span style=\"font-weight: 400;\">Carol Borba<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, que viu seu canal dobrar de tamanho durante o isolamento e hoje soma quase 7 milh\u00f5es de inscritos no YouTube. Outros nomes ultrapassaram a bolha digital e se tornaram celebridades nacionais, como o fisiculturista <\/span><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/renato_cariani\/?hl=pt-br\"><span style=\"font-weight: 400;\">Renato Cariani<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, com quase 10 milh\u00f5es de seguidores no Instagram, e <\/span><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/lapateam\/\"><span style=\"font-weight: 400;\">Ricardo Lapa<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, fundador da rede exclusivamente online Lapa Team (hoje rebatizada de Academia Foguete), que saltou de 8 mil alunos em 2019 para mais de 400 mil inscritos em cerca de 60 pa\u00edses.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Nenhum deles, por\u00e9m, estava reinventando a roda. Nos anos 1980, a atriz americana Jane Fonda virou \u00edcone do fitness com seus v\u00eddeos de gin\u00e1stica em VHS que se tornaram febre mundial. E antes dela, ainda nos anos 1950, Jack LaLanne, o pai do exerc\u00edcio como espet\u00e1culo, usava a crescente popularidade da televis\u00e3o como palco para ensinar e vender sa\u00fade.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Naquele tempo, no entanto, a pr\u00e1tica de atividades f\u00edsicas ainda era vista como um interesse de nicho. Malhar estava longe de ser socialmente valorizado ou considerado uma forma leg\u00edtima de consumo aspiracional. Hoje, o palco \u00e9 global, a audi\u00eancia \u00e9 permanente e os algoritmos podem jogar a favor. Fonda e LaLanne n\u00e3o contaram com o alcance exponencial das redes sociais, tampouco com o impulso in\u00e9dito de uma pandemia.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Mesmo ap\u00f3s o fim do lockdown, com a reabertura de academias e est\u00fadios, os criadores de conte\u00fado fitness n\u00e3o abandonaram os holofotes. Eles apenas trocaram a sala de casa por espa\u00e7os p\u00fablicos, para onde levam suas c\u00e2meras. As redes seguem inundadas por v\u00eddeos de treinos, corridas, receitinhas emagrecedoras, looks de academia, suplementos, prints de aplicativos com metas batidas e pequenos desafios de performance: como queimar mais calorias, como correr mais longe ou como levantar mais peso. As telas s\u00e3o usadas para promover sa\u00fade e a pr\u00e1tica de exerc\u00edcios f\u00edsicos fora delas.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Esse universo esteticamente orientado chega a pessoas como o biom\u00e9dico Leonardo Cardozo e o professor de Hist\u00f3ria Vin\u00edcius Andrade. Leonardo n\u00e3o apenas consome desse, mas tamb\u00e9m se insere nele como produtor, mesmo que n\u00e3o seja um influenciador digital. Sempre que pode, ele registra suas idas \u00e0 academia com fotos e v\u00eddeos nos stories do Instagram, levando o que fez offline para o mundo das redes. \u201c\u00c9 uma forma de me manter motivado, comparar meus resultados e, quem sabe, inspirar algu\u00e9m que queira come\u00e7ar tamb\u00e9m\u201d, conta. No cotidiano, ele acompanha figuras como Renato Cariani e criadores que misturam lifestyle, moda e treino, como <\/span><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/guetorafael\/\"><span style=\"font-weight: 400;\">Rafael Boscolo<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\"> e <\/span><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/rafaaa_ribeiro\/\"><span style=\"font-weight: 400;\">Rafa Ribeiro<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">. \u201cEles t\u00eam um corpo que eu gostaria de alcan\u00e7ar e uma rotina parecida com o que imagino para mim um dia. De forma curiosa, acompanh\u00e1-los acalma minha mente\u201d, completa.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Vin\u00edcius, por sua vez, tem uma rela\u00e7\u00e3o mais silenciosa com esse tipo de conte\u00fado. Ele n\u00e3o costuma compartilhar fotos treinando, mas consome rotineiramente o que \u00e9 postado nas redes, sobretudo conte\u00fados sobre corrida e muscula\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m de seguir influenciadores que compartilham suas rotinas de treino, tamb\u00e9m aderiu a aplicativos pagos para acompanhar sua performance e evolu\u00e7\u00e3o atl\u00e9tica. Ele reconhece, no entanto, a ambival\u00eancia do consumo: \u201c\u00c0s vezes, sinto uma press\u00e3o est\u00e9tica. Mas n\u00e3o acho que isso venha s\u00f3 das redes sociais. A m\u00eddia, de forma geral, sempre produziu esse tipo de sentimento. As redes amplificam algo que j\u00e1 acontece fora delas\u201d.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><b>O corpo como vitrine, performance e consumo\u00a0<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Essa experi\u00eancia de consumo e exposi\u00e7\u00e3o &#8211; que pode parecer espont\u00e2nea &#8211; \u00e9, para o professor Bruno Gualano, da Faculdade de Medicina da USP, o reflexo de uma racionalidade neoliberal aplicada ao corpo. Gualano argumenta que o universo fitness contempor\u00e2neo opera sob valores como competitividade, autogerenciamento e privatiza\u00e7\u00e3o da responsabilidade pela sa\u00fade, transformando o cuidado de si em um dever moral e mercadol\u00f3gico. \u201cO sujeito passa a se ver como individualmente respons\u00e1vel por alcan\u00e7ar o corpo que lhe \u00e9 apresentado como o ideal. E esse corpo ideal nunca ser\u00e1 alcan\u00e7ado sem algum preju\u00edzo \u00e0 pr\u00f3pria sa\u00fade f\u00edsica ou mental, o que gera um paradoxo\u201d, sintetiza o professor.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Um levantamento recente feito com jovens universit\u00e1rios do Sul do Brasil identificou que o consumo de conte\u00fado de influenciadores digitais est\u00e1 diretamente relacionado \u00e0 insatisfa\u00e7\u00e3o corporal, especialmente quando esses perfis promovem uma est\u00e9tica magra e perform\u00e1tica. \u201cA compara\u00e7\u00e3o \u00e9 inevit\u00e1vel, e junto com ela, a frustra\u00e7\u00e3o e a insatisfa\u00e7\u00e3o\u201d, afirma a psic\u00f3loga e pesquisadora Karen Ang\u00e9lica Seitenfus, que entrevistou jovens de 18 a 25 anos. O estudo aponta que pessoas com IMC mais alto tendem a se sentir menos satisfeitas com o corpo, e que a busca por cirurgias pl\u00e1sticas e dietas est\u00e1 ligada principalmente ao consumo de conte\u00fado com foco est\u00e9tico, n\u00e3o \u00e0 sa\u00fade.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Estar em forma passa a ser visto como m\u00e9rito individual, enquanto o fracasso (engordar, adoecer, \u201cdesistir\u201d) \u00e9 entendido como pregui\u00e7a, indisciplina ou falta de empenho. Slogans como \u201cno pain, no gain\u201d, para Gualano, traduzem bem essa l\u00f3gica meritocr\u00e1tica e culpabilizante. Para Seitenfus, o conte\u00fado consumido nas redes n\u00e3o apenas refor\u00e7a padr\u00f5es j\u00e1 existentes, como tamb\u00e9m molda novas formas de rela\u00e7\u00e3o com o corpo: mais voltadas \u00e0 performance e \u00e0 valida\u00e7\u00e3o externa. \u201cO cuidado de si se intensifica quando voltado \u00e0 exposi\u00e7\u00e3o nas redes, mais do que em rela\u00e7\u00e3o ao pr\u00f3prio bem-estar\u201d, explica. A pr\u00e1tica do autocuidado, nesse contexto, se transforma em presta\u00e7\u00e3o de contas p\u00fablica, como simboliza a express\u00e3o popular nas redes: \u201ct\u00e1 pago\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Nesse contexto, a mercantiliza\u00e7\u00e3o do bem-estar \u00e9 um dos efeitos mais vis\u00edveis dessa racionalidade. Tudo \u00e9 pass\u00edvel de ser vendido: de treinos a suplementos, de leggings a aplicativos, de corpos a estilos de vida. \u201cNo mundo fitness, quando se tem dinheiro, tudo \u00e9 consum\u00edvel e adquir\u00edvel, inclusive o pr\u00f3prio corpo, com o aux\u00edlio de cirurgias e drogas que aumentam o desempenho\u201d, resume Gualano.\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O resultado \u00e9 uma <\/span><a href=\"https:\/\/blog.athletic.com.br\/pesquisa-aponta-que-o-brasil-e-o-pais-mais-fitness-do-planeta\/\"><span style=\"font-weight: 400;\">ind\u00fastria bilion\u00e1ria<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\"> que cresce \u00e0 base da promessa de performance, controle e supera\u00e7\u00e3o pessoal, mesmo que isso muitas vezes signifique desinforma\u00e7\u00e3o. Gualano lembra que boa parte dos principais influenciadores fitness brasileiros t\u00eam baixa qualifica\u00e7\u00e3o acad\u00eamica e publicam conte\u00fados com qualidade cient\u00edfica insatisfat\u00f3ria, refor\u00e7ando mitos e expectativas inalcan\u00e7\u00e1veis.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ainda assim, esse modelo encontra no Brasil um mercado estrat\u00e9gico: numeroso, engajado e altamente conectado. No <\/span><a href=\"https:\/\/www.em.com.br\/app\/noticia\/saude-e-bem-viver\/2023\/01\/18\/interna_bem_viver,1446196\/brasileiros-estao-em-2-no-ranking-mundial-dos-que-mais-vao-a-academias.shtml\"><span style=\"font-weight: 400;\">ranking mundial<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, o pa\u00eds aparece como o segundo que mais frequenta academias, com 21% da popula\u00e7\u00e3o, atr\u00e1s apenas da \u00cdndia (24%), segundo levantamento da plataforma CupomValido.com.br com dados do IBGE, da Numbeo e da Statista. A estrutura f\u00edsica acompanha a tend\u00eancia: o Brasil conta com mais de 34 mil academias, o segundo maior n\u00famero absoluto do mundo, atr\u00e1s apenas dos Estados Unidos (41.190 unidades). Segundo a Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Academias (ACAD Brasil), houve um aumento de 22% apenas nos \u00faltimos cinco anos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Os n\u00fameros impressionantes revelam o <\/span><a href=\"https:\/\/bpmoney.com.br\/noticias\/mercado-fitness-consumo-de-produtos-esta-em-tendencia-de-alta\/#:~:text=Impactos%20do%20mercado%20fitness%20na,o%20mesmo%20m%C3%AAs%20de%202024.\"><span style=\"font-weight: 400;\">potencial econ\u00f4mico<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\"> do setor. O mercado de academias movimenta anualmente cerca de R$12 bilh\u00f5es no pa\u00eds. O ramo de suplementos nutricionais n\u00e3o fica atr\u00e1s: alcan\u00e7ou R$10 bilh\u00f5es em 2024, com crescimento de 8% no comparativo com o ano anterior, de acordo com a Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Empresas de Produtos Nutricionais (Abenutri). A cadeia se completa com a moda fitness, cal\u00e7ados e acess\u00f3rios, que tiveram um aumento de 22% no faturamento em janeiro de 2025 em compara\u00e7\u00e3o ao mesmo m\u00eas de 2024, segundo a plataforma Technofit. Muito desse consumo \u00e9 alimentado pelo lucrativo mercado de \u201cpublis\u201d protagonizadas por influenciadores nas redes sociais.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ainda assim, o acesso ao exerc\u00edcio e \u00e0 sa\u00fade n\u00e3o \u00e9 equitativo. A <\/span><a href=\"https:\/\/www.camara.leg.br\/radio\/programas\/257177-pesquisa-do-ibge-revela-brasileiro-vai-mal-de-saude-mas-acredita-que-e-saudavel\/\"><span style=\"font-weight: 400;\">Pesquisa Nacional de Sa\u00fade (PNS)<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, do IBGE, mostra que 46% dos adultos brasileiros ainda n\u00e3o praticam atividade f\u00edsica suficiente. As disparidades de g\u00eanero tamb\u00e9m s\u00e3o evidentes: segundo o Vigitel, 41% dos homens se exercitam no tempo livre, contra apenas 27% das mulheres. A escolaridade \u00e9 outro fator que pesa: enquanto 45% dos brasileiros com mais de 12 anos de estudo praticam atividade f\u00edsica regularmente, entre os que t\u00eam at\u00e9 8 anos, esse n\u00famero despenca para 22%.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Mesmo com um ecossistema digital ativo e um mercado promissor, os indicadores de sa\u00fade seguem modestos. O Brasil aparece apenas na 76\u00aa posi\u00e7\u00e3o no ranking de sa\u00fade populacional, atr\u00e1s de vizinhos como Chile (33\u00ba), Uruguai (47\u00ba) e Argentina (54\u00ba). Isso mostra que, embora o discurso do fitness esteja amplamente difundido, ele n\u00e3o se traduz, necessariamente, em bem-estar coletivo fora das redes, embora haja um evidente interesse.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Al\u00e9m disso, o culto ao corpo promovido nas redes sociais gera tens\u00f5es emocionais que n\u00e3o podem ser desconsideradas. Leonardo e Vin\u00edcius relatam que, apesar de se sentirem motivados a movimentar o corpo e levar uma vida menos sedent\u00e1ria, tamb\u00e9m j\u00e1 se sentiram frustrados ao perceberem que os corpos e rotinas exibidos online s\u00e3o muitas vezes idealizados, filtrados e inating\u00edveis. A promessa de sa\u00fade e supera\u00e7\u00e3o pode facilmente se converter em cobran\u00e7a est\u00e9tica, ansiedade por desempenho e compara\u00e7\u00f5es nocivas. <\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Como o universo de exerc\u00edcios online molda comportamentos, refor\u00e7a padr\u00f5es e movimenta bilh\u00f5es fora das redes &#8211; por Mar\u00edlia Monitchele\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/?p=1704\"> <\/a>","protected":false},"author":138,"featured_media":1780,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[590],"tags":[127,637,638,625,30],"class_list":["post-1704","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-babel-2025-ed-junho","tag-esporte","tag-exercicios","tag-influencer","tag-online","tag-redes-sociais"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v19.10 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>Do Feed ao Fitness - 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