{"id":165,"date":"2020-06-21T15:52:15","date_gmt":"2020-06-21T18:52:15","guid":{"rendered":"http:\/\/paineira.usp.br\/cje\/babel\/?p=165"},"modified":"2020-09-30T10:42:39","modified_gmt":"2020-09-30T13:42:39","slug":"em-alta-voz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/?p=165","title":{"rendered":"Em alta voz"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-medium-font-size\">Lidar com o preconceito lingu\u00edstico al\u00e9m do preconceito social \u00e9 a realidade de muitos nordestinos residentes na regi\u00e3o Sudeste do Brasil<\/p>\n\n\n\n<p>Pessoas se conectam pela comunica\u00e7\u00e3o. Todos estamos conectados por algum meio comunicativo, de modo que as mensagens podem ser passadas pelo uso das m\u00e3os, como gestos, por vezes pelos olhares, pode ocorrer por meio de pinturas ou m\u00fasicas, pela escrita, e tamb\u00e9m vale considerar as vezes uma comunica\u00e7\u00e3o ocorre at\u00e9 mesmo sem trocar palavra alguma. Ainda assim, quando se fala em comunica\u00e7\u00e3o, um dos meios que se pode associar com grande certeza \u00e9 a pr\u00f3pria fala. Usar a voz para se expressar, expor ideias, posicionamentos e opini\u00f5es \u00e9, inclusive, dito como direito em nossa sociedade, direito este que diante de palavras mal colocadas, da falta de instru\u00e7\u00e3o e da falta de respeito enraizada no preconceito, pode ser tirado, abafado, oprimido. Lidar com o preconceito lingu\u00edstico al\u00e9m do preconceito social \u00e9 a realidade de muitos nordestinos residentes na regi\u00e3o Sudeste do Brasil.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Gestos e olhares sempre falam muito sobre o que algu\u00e9m tem a dizer sem que o indiv\u00edduo pronuncie uma \u00fanica palavra. Ainda assim as palavras ditas com a inten\u00e7\u00e3o de calar o pr\u00f3ximo continuam exercendo grande poder no meio social. \u00c9 chamado de preconceito lingu\u00edstico o ato de julgar de forma negativa ou depreciativa a forma de falar de algum indiv\u00edduo, ato este realizado por pessoas que dominam um mesmo idioma. O Brasil, rico em cultura, em diversidade e misturas, tendo o Sudeste como uma de suas regi\u00f5es mais desenvolvidas, tem tamb\u00e9m nele concentradas marcas do preconceito que, quando n\u00e3o a diminui, tira a voz de muitos migrantes.<\/p>\n\n\n\n<p>Dados coletados pelo <em>Ipea<\/em> (Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica Aplicada) revelam que os maiores fluxos de migra\u00e7\u00e3o est\u00e3o, em primeiro lugar, entre os estados da Regi\u00e3o Sudeste, e em segundo lugar migra\u00e7\u00f5es que ocorrem de pessoas que deixam algum estado nordestino em dire\u00e7\u00e3o ao Sudeste. Segundo o t\u00e9cnico de Planejamento e Pesquisa do Ipea respons\u00e1vel por esses dados, Herton Ara\u00fajo, estes dois tipos de migra\u00e7\u00f5es se diferem pelo fator \u201cescolaridade\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O n\u00edvel de escolaridade tamb\u00e9m \u00e9 usado como par\u00e2metro entre as pessoas que praticam o preconceito lingu\u00edstico e, como comprova\u00e7\u00e3o deste fato, coment\u00e1rios pejorativos s\u00e3o facilmente encontrados em redes sociais quando brasileiros que se comunicam fora da norma padr\u00e3o, expressam-se atrav\u00e9s da fala. O \u201cdesvio\u201d da chamada norma culta, quando identificado por algu\u00e9m que julga o seu modo de falar superior ao de um outro indiv\u00edduo, gera coment\u00e1rios desagrad\u00e1veis que podem construir um preconceito dentro da pr\u00f3pria pessoa que o sofreu. Falando com migrantes do Nordeste para a cidade de S\u00e3o Paulo \u00e9 poss\u00edvel coletar informa\u00e7\u00f5es que comprove a afirma\u00e7\u00e3o no per\u00edodo anterior.<\/p>\n\n\n\n<p>Marleide Maia Santos, 46 anos, nascida no interior da Bahia e residente na cidade de S\u00e3o Paulo desde 1999, relata ter deixado sua cidade natal com seu marido e filha (na \u00e9poca com tr\u00eas anos de idade) para \u201ctentar a vida, passar seis meses e voltar\u201d. Terminou seus estudos em uma pequena cidade baiana chamada V\u00e1rzea Nova. L\u00e1, tornou-se professora, vendedora de cosm\u00e9ticos, cabeleireira dona de seu pr\u00f3prio sal\u00e3o, esposa e m\u00e3e.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s sua chegada em S\u00e3o Paulo, o retorno para a Bahia n\u00e3o aconteceu como o previsto e at\u00e9 os dias de hoje, ano de 2020, \u00e9 moradora na Zona Norte da cidade de S\u00e3o Paulo com a sua fam\u00edlia. O sotaque marcado que alguns dizem que pode \u201cse perder com o tempo\u201d n\u00e3o foi perdido em sua fala. Marleide, atualmente controladora de acessos de uma empresa de portaria remota, conta situa\u00e7\u00f5es do seu dia a dia, na empresa onde trabalha diretamente atendendo moradores de condom\u00ednios pelo telefone, nas quais se sentiu menosprezada e diminu\u00edda pelo seu modo de falar, chegando ela mesma a afirmar que \u201cfala errado\u201d e por isso costuma pedir ajuda para uma de suas duas filhas todas as vezes que vai fazer alguma publica\u00e7\u00e3o em redes sociais, para que elas \u201ccorrijam\u201d a sua escrita.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Inseguran\u00e7a, medo e at\u00e9 mesmo vergonha s\u00e3o sentimentos que se misturam nela diante do que j\u00e1 ouviu a respeito do seu jeito de falar. Colegas de trabalho que a imitam ap\u00f3s ela dizer palavras que, aos ouvidos deles, s\u00e3o ditas de forma \u201cerrada\u201d (quando na verdade a diferen\u00e7a est\u00e1 na entona\u00e7\u00e3o de algumas s\u00edlabas ou na intensidade colocada na voz) causam o desconforto dentro dela de modo a fazer crescerem os muros da inseguran\u00e7a que tomam conta de Marleide, fazendo com que as suas express\u00f5es de fala sejam cada vez menos frequentes no ambiente. Ela tamb\u00e9m cita momentos em que tenta for\u00e7ar sua dic\u00e7\u00e3o para que se pare\u00e7a um pouco mais com a dos seus colegas nascidos em S\u00e3o Paulo, como uma forma de, segundo ela, esconder o seu sotaque, evitar \u201cfalar errado\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Com o relato acima descrito, \u00e9 poss\u00edvel notar como o preconceito alcan\u00e7a dimens\u00f5es colocadas muitas vezes fora do seu curso comum, em vez de virem somente de a\u00e7\u00f5es externas, come\u00e7a a ter for\u00e7a dentro da pr\u00f3pria pessoa que o sofreu, fazendo com que ela mesma se prive, se cale e se diminua diante daqueles que com suas a\u00e7\u00f5es, olhares e palavras intitulam-se \u201cos que sabem falar\u201d. Prisioneiros dos pr\u00f3prios pensamentos despertados pelo preconceito externo, assim como Marleide, muitas outras pessoas sofrem diariamente pelo simples fato de ter a sua fala \u00e0s margens da norma culta institu\u00edda durante muitos anos numa sociedade que exclui mais do que abra\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Um segundo relato, registrado atrav\u00e9s de entrevista concedida pelo telefone, caminha numa m\u00e3o diferente da experi\u00eancia compartilhada por Marleide. O registro agora \u00e9 de Genildo Medeiros, 44 anos, baiano da cidade de Jacobina, na Chapada Diamantina \u2013 Sert\u00e3o da Bahia. Genildo \u00e9 formado em magist\u00e9rio, em contabilidade, cursou seis semestres do curso de biologia na faculdade, onde descobriu n\u00e3o se identificar muito com a \u00e1rea, motivo pelo qual n\u00e3o concluiu, hoje \u00e9 aposentado como funcion\u00e1rio p\u00fablico. Trabalhou na \u00e1rea da educa\u00e7\u00e3o como professor, j\u00e1 foi diretor cultural e tamb\u00e9m atuou na \u00e1rea cont\u00e1bil. Trabalhou durante um per\u00edodo para uma ag\u00eancia banc\u00e1ria e foi tamb\u00e9m encarregado administrativo de uma empresa pela qual trabalhou em cinco estados diferentes, dizendo poder assim \u201cconhecer um pouco mais da riqu\u00edssima cultura nordestina e entender como \u00e9 a vida em v\u00e1rios estados do Nordeste\u201d. Atualmente mora com sua fam\u00edlia em Bruxelas, B\u00e9lgica.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Dentre suas v\u00e1rias experi\u00eancias em diferentes \u00e1reas profissionais, ele afirma que o r\u00e1dio sempre foi a sua grande paix\u00e3o, assim como, em suas palavras \u201co microfone e o poder que ele tem\u201d. Como locutor, radialista, apresentador e cerimonialista, descreve a a\u00e7\u00e3o de poder usar a sua fala para fazer o que ama como \u201cum dom\u201d. Sendo locutor no Nordeste afirma que sua forma de falar \u00e9 reconhecida por quem o ouve, afinal, no interior do nordestino, o seu p\u00fablico s\u00e3o pessoas que ali residem, de forma que n\u00e3o existe ent\u00e3o preconceito com a sua voz, com os termos que usa, com o seu sotaque ou linguajar.&nbsp; Genildo tamb\u00e9m ressalta que essa situa\u00e7\u00e3o \u00e9 diferente quando se trata de um locutor \u00e0 n\u00edvel nacional, quando se tem um padr\u00e3o estabelecido e em como essas quest\u00f5es ofuscam o brilho do locutor baiano, do cearense ou de qualquer outra regi\u00e3o do Nordeste. Citando como exemplo apresentadores de telejornais Genildo Medeiros aponta a fala de forma padronizada seguida por esses apresentadores, os quais \u201ctentam evitar ao m\u00e1ximo o sotaque, independentemente de qual regi\u00e3o eles sejam\u201d, argumento este que d\u00e1 margem para se pensar a respeito do preconceito que ocorreria com sotaques de forma geral, n\u00e3o somente como algo exclusivamente aplicado sobre a fala nordestina.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cSer nordestino \u00e9, principalmente, ser um forte\u201d, afirma Genildo. O radialista baiano ressalta caracter\u00edsticas que fazem do nordestino, diante das dificuldades, todos os dias provar a sua for\u00e7a, \u201clapidado no espinho do dia a dia\u201d, nas suas palavras, acrescenta que o linguajar arrastado e as vezes cantado faz parte da vida nordestina. Segundo ele, \u201ctermos t\u00e9cnicos e palavras mais bem colocadas nos seus lugares\u201d n\u00e3o s\u00e3o grandes preocupa\u00e7\u00f5es, sendo ent\u00e3o que o mais importante \u00e9, em suas palavras \u201cpassar a emo\u00e7\u00e3o\u201d, principalmente para ele em sua atua\u00e7\u00e3o como locutor, radialista e apresentador, demonstrando sua grande paix\u00e3o por essa \u00e1rea na qual pode usar de sua fala como maior instrumento para tocar o seu p\u00fablico.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ao falar de preconceito, Genildo o caracteriza como \u201calgo muito abrangente\u201d e que quando se sai do Nordeste para outras regi\u00f5es, o preconceito \u00e9 grande, ressaltando tamb\u00e9m que j\u00e1 foi maior, e, infelizmente, ainda existe.&nbsp; Citando termos usados muitas vezes com o intuito de ridicularizar como o termo \u201cpara\u00edba\u201d, utilizado de forma pejorativa para se referir de forma geral a pessoas que deixaram a Regi\u00e3o Nordeste, ele expressa seus sentimentos a respeito dessa generaliza\u00e7\u00e3o do termo que passa a n\u00e3o ser bem aceito entre a comunidade nordestina. Neste momento Genildo tamb\u00e9m deixa claro a falta de conhecimento dessas pessoas que usam o termo \u201cpara\u00edba\u201d para generalizar e diminuir, uma vez que Para\u00edba \u00e9 um estado maravilhoso, e quem n\u00e3o o conhece, deveria conhec\u00ea-lo, exaltando as caracter\u00edsticas ligada ao termo, mostrando como ele n\u00e3o deveria ser usado jamais de forma preconceituosa.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp; \u201cAs pessoas t\u00eam um calor humano muito grande! Gostam de ser abra\u00e7ada, falam alto, gritam e xingam, mas transmitem verdades nas suas palavras, n\u00e3o se escondem atr\u00e1s de termos t\u00e9cnicos, palavras bonitas e at\u00e9 fogem um pouco do politicamente correto\u201d, diz Medeiros, falando um pouco sobre a vida e o povo do Nordeste. O nordestino e o dom de trazer alegria, para ele \u201cos maiores humoristas do mundo s\u00e3o nordestinos\u201d, e fala com tom de alegria not\u00e1vel em sua voz quando tamb\u00e9m diz que grandes humoristas s\u00e3o nordestinos, tendo eles o \u201cdom de fazer as pessoas sentirem emo\u00e7\u00e3o, de rir e at\u00e9 mesmo chorar\u201d pela express\u00e3o do sentimento que carregam em suas falas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A conversa e a exposi\u00e7\u00e3o de suas ideias a respeito do tema abriram espa\u00e7o para que outras varia\u00e7\u00f5es da l\u00edngua portuguesa falada no Brasil pudessem ser mencionadas: como a quest\u00e3o da fala do paulista ou do ga\u00facho, que para um nordestino tamb\u00e9m s\u00e3o dif\u00edceis de entender pelos termos usados que n\u00e3o fazem parte do seu cotidiano. Genildo cita os termos baianos \u201cbater um baba\u201d e as express\u00f5es \u201cbarril\u201d e \u201cbarril dobrado\u201d, explicando significado de cada uma delas, sendo a primeira um \u201cconvite, quando voc\u00ea chama algu\u00e9m para jogar bola\u201d, e a segunda usada para elogiar algo \u201cquando uma coisa \u00e9 muito boa\u201d, sendo o \u201cbarril dobrado\u201d para quando algo \u00e9 ainda melhor; termos utilizados no dia a dia do baiano n\u00e3o deixando de estar presentes nas locu\u00e7\u00f5es, nos programas de r\u00e1dio, fazendo parte do cotidiano de forma marcante. O encontro das varia\u00e7\u00f5es pode causar confus\u00f5es de interpreta\u00e7\u00e3o entre os falantes sem deixar de ser extremamente interessante e enriquecedor quando o olhar n\u00e3o \u00e9 guiado pelo preconceito e exclus\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Genildo caracteriza a vis\u00e3o que os \u201csulistas\u201d tem a respeito do nordestino como algo que foi conturbado por conta da televis\u00e3o, uma vez que muitos programas ao apresentar o dialeto nordestino o ridiculariza, colocando-o sempre como algo engra\u00e7ado e adicionando express\u00f5es que os pr\u00f3prios nordestinos n\u00e3o utilizam com tanta frequ\u00eancia como \u00e9 mostrado nas telas. Um exemplo destacado por ele \u00e9 o uso das express\u00f5es \u201cmeu rei\u201d, \u201cpainho\u201d, \u201cmainha\u201d, termos que, segundo ele, s\u00e3o colocados nas novelas quando se fala da regi\u00e3o e que, nas suas palavras \u201ccriam um estere\u00f3tipo que n\u00e3o \u00e9 a nossa realidade, n\u00e3o \u00e9 a nossa verdade\u201d, ele afirma sobre a varia\u00e7\u00e3o dentro do pr\u00f3prio estado da Bahia, sobre a presen\u00e7a de diferentes formas de falar entre as regi\u00f5es norte, sul, leste e oeste da sua Bahia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Comparando o Brasil e o pa\u00eds no qual Genildo Medeiros vive atualmente, ele fala sobre as quatro l\u00ednguas oficiais faladas na B\u00e9lgica (franc\u00eas, alem\u00e3o, ingl\u00eas e neerland\u00eas), sem contar a quantidade de pessoas de todo o mundo que comp\u00f5em a comunidade belga e que dentro dela se comunicam cada uma a sua maneira, demonstrando seu respeito as varia\u00e7\u00f5es dos povos. Ele tamb\u00e9m menciona o encontro entre brasileiros na B\u00e9lgica, que torna poss\u00edvel a identifica\u00e7\u00e3o que consegue fazer dos diferentes sotaques brasileiros, como o mineiro e o goiano, sabendo tamb\u00e9m que estes o identificam como baiano pelo seu modo de falar, o que mostra suas identidades, de onde s\u00e3o, suas origens, sem rotula\u00e7\u00f5es, sem preconceitos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Medeiros ressalta o preconceito como algo que est\u00e1 mais a n\u00edvel global e que em sua regi\u00e3o aqui no Brasil, onde viveu e trabalhou durante anos, o preconceito \u00e9 pouqu\u00edssimo, existindo, segundo ele, em casos de um locutor que n\u00e3o tenha muito estudo e use palavras erradas, as pessoas podem at\u00e9 criticar, mas compreendem a mensagem que ele quer passar e o entendem (no sentido de n\u00e3o aprofundarem as cr\u00edticas pelo seu modo de falar). \u201cFora isso, se compreende que o nordestino fala dessa forma. \u201c (Genildo Medeiros).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O baiano tamb\u00e9m menciona a globaliza\u00e7\u00e3o e a internet como fatores que, aos seus olhos, tornam os termos e express\u00f5es nordestinos mais conhecidos pela parte da popula\u00e7\u00e3o que n\u00e3o tenha esse conhecimento. Citou o humorista Whindersson Nunes, j\u00e1 muito conhecido e querido por grande parte do p\u00fablico brasileiro atrav\u00e9s das redes sociais. \u201cMuitos passam a entender mais e muitos acham at\u00e9 bonito! \u201d, diz Genildo referindo-se ao falar nordestino. Para ele, as diferen\u00e7as entre as falas nordestinas (baiana, pernambucana, alagoana, cearense, entre outras) s\u00e3o singulares, distintas em suas ess\u00eancias, \u201ccada um tem o seu jeito de falar\u201d e ainda assim todos conseguem passar suas informa\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias e se fazerem entendidos no final, entregando suas mensagens, tanto entre suas pr\u00f3prias regi\u00f5es nordestinas, quanto em todo o territ\u00f3rio brasileiro. Entender a mensagem passa a ser o mais importante.<\/p>\n\n\n\n<p>Compreens\u00e3o da mensagem. A situa\u00e7\u00e3o traz \u00e0 mem\u00f3ria um caso observado numa pequena escola da Zona Norte de S\u00e3o Paulo com uma turma de segundo ano de ensino fundamental e a professora de ingl\u00eas. Eles estavam prontos para descer as escadas para o momento do lanche das crian\u00e7as no p\u00e1tio, quando um dos alunos disse \u201cOlha, teacher! Eu <strong><em>trusse<\/em><\/strong> salgadinho e <strong><em>trusse<\/em><\/strong> suco! \u201d, depois disto a professora explicou que n\u00f3s n\u00e3o dizemos \u201ctrusse\u201d e que o modo correto de dizer essa palavra seria \u201ctrouxe\u201d, e ent\u00e3o o aluno disse em seguida \u201cAh t\u00e1! Ent\u00e3o: teacher, eu <strong>trooouxe<\/strong> salgadinho e <strong><em>trusse<\/em><\/strong> suco tamb\u00e9m\u201d.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Analisando esse di\u00e1logo entre aluno e professora, mesmo usando o verbo \u201ctrazer\u201d duas vezes na senten\u00e7a, a crian\u00e7a corrigiu, dando \u00eanfase, apenas na primeira vez que ele o usou, seguindo a frase, na segunda vez ele usou o verbo conjugado como \u201ctrusse\u201d; aqui h\u00e1 um detalhe interessante sobre a situa\u00e7\u00e3o citada: as outras crian\u00e7as n\u00e3o tentaram corrigi-lo novamente e nem mesmo riram dele, eles apenas entenderam a mensagem. Nos primeiros anos de escola \u00e9 comum ver esse tipo de corre\u00e7\u00e3o acontecer na rela\u00e7\u00e3o professor-estudante, e isto os prepara para \u201cfalarem corretamente\u201d. Muitas vezes, dentro de algumas pessoas, essas corre\u00e7\u00f5es fazem crescer nelas o medo de usar palavras, o receio de falar em p\u00fablico e de compartilhar em alta voz suas ideias.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A situa\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as em t\u00e3o pouca idade na escola \u00e9 inspiradora e reveladora dos seguintes aspectos: crian\u00e7as n\u00e3o ridicularizam ou distinguem pelo simples fato de que elas entendem a mensagem. Em um paralelo com o posicionamento de Genildo Medeiros a respeito da compreens\u00e3o que se pode haver apesar das diferen\u00e7as de fala, o preconceito lingu\u00edstico n\u00e3o teria o impacto negativo se a pessoa que o pratica vencesse a vontade de rebaixar o outro, de modo a n\u00e3o deixar que a sua ignor\u00e2ncia se torne t\u00e3o forte a ponto de atropelar a sua percep\u00e7\u00e3o e entendimento do crucial: a mensagem.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Preconceito que faz uma mulher que j\u00e1 lecionou um dia pensar que \u201cn\u00e3o sabe falar\u201d (caso exposto pela Marleide Maia Santos). Preconceito que \u201ctira o brilho\u201d dos nordestinos e do seu modo de falar (segundo Genildo Medeiros). Os relatos apresentados e a presen\u00e7a marcante dos seus sotaques e modo singular de expressar as situa\u00e7\u00f5es, regados por termos que enriquecem, emocionam e explicitam ainda mais a diversidade de palavras que o brasileiro de todos os cantos do pa\u00eds tem \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o para agregar ao seu vocabul\u00e1rio todos os dias. O preconceito bloqueia a aquisi\u00e7\u00e3o desta riqueza. A diferen\u00e7a vista como \u201cdefeito\u201d que faz algu\u00e9m que, se julga superior pelo seu modo de falar, \u201colhar torto\u201d muitas vezes para aquele senhor que veio do Nordeste e trabalha na constru\u00e7\u00e3o civil, na portaria do seu pr\u00e9dio, na limpeza, trabalhos que precisam ser feitos e s\u00e3o completamente dignos de respeito, por\u00e9m que tamb\u00e9m entram na longa conta a qual o preconceito tem a pagar.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>De quem \u00e9 a voz que cala? E a voz dos que consentem? Posicionamento a respeito do preconceito lingu\u00edstico torna-se de grande import\u00e2ncia a partir do momento no qual se percebe poder bloque\u00e1-lo e diminuir o seu poder destrutivo, para que os seus efeitos se tornem quase nulos na vida de quem tem a sua voz diminu\u00edda e, por vezes, colocada praticamente em mudo somente por ter caracter\u00edsticas diferentes daquilo que se tem definido como padr\u00e3o. A maneira como a m\u00eddia exp\u00f5e o nordestino e a sua fala, muitas vezes ridicularizando as varia\u00e7\u00f5es em busca de status ou fama entre uma popula\u00e7\u00e3o que tem problemas em distinguir o preconceito por ele j\u00e1, infelizmente, estar t\u00e3o arraigado em meio social. A generaliza\u00e7\u00e3o que incomoda quando o baiano se sente ofendido quando grande parte, por influ\u00eancias midi\u00e1ticas, pensa que a Bahia inteira tem o mesmo sotaque e dialeto de Salvador, rotulando quase sempre as varia\u00e7\u00f5es dele como \u201csotaque de gente do interior\u201d, \u201ccoisa de gente da ro\u00e7a\u201d, termos que n\u00e3o deveriam jamais ser empregados de forma negativa, afinal n\u00e3o \u00e9 defeito algu\u00e9m se encaixar em algum deles.<\/p>\n\n\n\n<p>Aceitar diferen\u00e7as \u00e9 algo que aos poucos vem ganhando mais notoriedade em meio social. Arrancar o sentido de \u201cdefeito\u201d para aquilo que \u00e9 diferente tem se tornado uma luta di\u00e1ria de muitas pessoas que despertaram e que querem dar um basta a qualquer forma de opress\u00e3o que pense em calar a sua voz. Aceitar sem grandes ren\u00fancias o \u201cb\u00e1\u201d dito pelo ga\u00facho e ridicularizar o \u201cmassa\u201d dito pelo baiano, sinais que comprovam que o preconceito lingu\u00edstico vem carregando na bagagem consigo o preconceito social, a divis\u00e3o de classes e a ignor\u00e2ncia sobre os diversos dialetos que comp\u00f5em a sociedade brasileira, somada \u00e0 enorme falta de respeito.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O medo de falar refor\u00e7ado pelo pensamento sobre o que os outros podem pensar e em como eles ir\u00e3o julgar a sua fala. Julgamento constru\u00eddo em cima de \u201cuma palavra dita errado\u201d, \u201cum verbo n\u00e3o conjugado corretamente de acordo com a norma culta, concordando em g\u00eanero, n\u00famero e grau com o restante da frase\u201d, constru\u00eddo diante do tom de voz usado pelo falante e por uma das marcas que o torna diferente: o seu sotaque. O medo de falar e dizer algo errado, de que ou\u00e7am o seu sotaque e digam que ele soa errado \u00e9 um problema a ser enfrentado no dia a dia de muitos migrantes das zonas norte e nordeste da na\u00e7\u00e3o brasileira.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o se pode fechar os olhos para o preconceito que ocorre entre as outras varia\u00e7\u00f5es e dialetos, por\u00e9m \u00e9 vis\u00edvel que os ataques geralmente ocorrem de forma mais forte na vida das pessoas vindas das duas regi\u00f5es que muitas vezes sofrem caladas diante da frase \u2018nordestino falam errado\u201d e tem o seu modo de falar e o seu sotaque ridicularizado por esse motivo. Argumentos claramente apoiados pelo preconceito, um preconceito causado pelo que se ouve de pessoa para pessoa, pelo que se ouve nas escolas, nas ruas, por pessoas que n\u00e3o pensam em como suas palavras possuem o poder de danificar ou bloquear o pensamento de algu\u00e9m, podendo inclusive alterar o seu julgamento sobre si mesmo. Al\u00e9m do preconceito social, ter que lidar com o preconceito lingu\u00edstico.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Um modo distinto de se pronunciar em uma l\u00edngua, especialmente associado a uma na\u00e7\u00e3o em particular, localidade ou classe social, pron\u00fancia caracter\u00edstica de um pa\u00eds, regi\u00e3o ou indiv\u00edduo. A lingu\u00edstica explica que a l\u00edngua \u00e9 produzida em sociedade e este mesmo ponto traz a reflex\u00e3o sobre o que faz pessoas pararem de compartilhar os seus pensamentos e ideias atrav\u00e9s do uso da linguagem, apenas por n\u00e3o estar dentro da norma padr\u00e3o. Pontos comprovando que uma sociedade que evolui em tecnologias e t\u00e9cnicas, regride quando se fala em diversidade. Diversidade esta que merece ser vista como um dos grandes dons recebidos pela humanidade, aquilo que nos permite pensar diferente, falar diferente, e isto n\u00e3o pode ser visto como um problema.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Pessoas que geralmente desconhecem o fato de que num pa\u00eds h\u00e1 diferentes dialetos, uma forma diferente da linguagem falada em uma parte espec\u00edfica de uma na\u00e7\u00e3o, contendo algumas palavras e gram\u00e1tica variantes, \u00fanicas, pr\u00f3prias. Todos os dias o brasileiro tem contato com algum outro que fala diferente dele mesmo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Virtudes que se tornam vaidades, em uma sociedade em que o status \u00e9 mais importante do que outros pontos, na qual at\u00e9 mesmo o falar pode excluir pessoas de um grupo. Jean Jacques Rousseau (1712) falou sobre aliena\u00e7\u00e3o e sociedade e como os costumes pol\u00edticos e interesses particulares mudam a humanidade. Existe uma vontade de ascender socialmente e de ser aceito nas classes mais altas que torna o modo como as classes pobres falam \u201cmenos importante\u201d, n\u00e3o padr\u00e3o, n\u00e3o aceito. Diferen\u00e7as e preconceitos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ningu\u00e9m tem o direito de dizer que existe uma maneira correta de falar; as pessoas n\u00e3o devem se assustar e muito menos se calarem diante de palavras de algu\u00e9m que usa uma varia\u00e7\u00e3o diferente de falar para ofend\u00ea-los, sufoc\u00e1-los; m\u00e1s experi\u00eancias causam efeitos e deixam marcas, todos somos livres para pensar, tamb\u00e9m somos livres para falar e precisamos descobrir isso todos os dias. Afinal, quem fala corretamente? Uma m\u00eddia manipuladora que imp\u00f5e um padr\u00e3o, um padr\u00e3o que exclui e coloca um acima do outro. A necessidade da reeduca\u00e7\u00e3o e a restaura\u00e7\u00e3o do respeito a falar com um outro ser humano, conhecer todas as teorias, dominar todas as t\u00e9cnicas, por\u00e9m ao tocar uma alma humana, ser apenas outra alma humana (Carl G. Jung &#8211; 1875 &#8211; 1961). O respeito deve ser uma das l\u00ednguas oficiais faladas por todos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>Por Ingridie Maia Santos<\/strong><br>ingridie.santos@usp.br<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Lidar com o preconceito lingu\u00edstico al\u00e9m do preconceito social \u00e9 a realidade de muitos nordestinos residentes na regi\u00e3o Sudeste do Brasil Pessoas se \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/?p=165\"> <\/a>","protected":false},"author":40,"featured_media":166,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-165","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-revista-babel-junho-2020"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v19.10 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>Em alta voz - Revista Babel<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/?p=165\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Em alta voz - 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