{"id":154,"date":"2020-06-21T15:42:43","date_gmt":"2020-06-21T18:42:43","guid":{"rendered":"http:\/\/paineira.usp.br\/cje\/babel\/?p=154"},"modified":"2020-06-21T15:45:52","modified_gmt":"2020-06-21T18:45:52","slug":"violencia-domestica-durante-a-pandemia-um-problema-de-todos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/?p=154","title":{"rendered":"Viol\u00eancia dom\u00e9stica durante a pandemia: um problema de todos"},"content":{"rendered":"\n<p>\u201cPaz n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 a aus\u00eancia de guerra. Muitas mulheres durante a quarentena da Covid-19 est\u00e3o encarando viol\u00eancia onde deveria estar seguras: nas suas pr\u00f3prias casas. Hoje, eu apelo por paz nas casas ao redor do mundo. Pe\u00e7o para todos os governantes colocarem a seguran\u00e7a das mulheres em primeiro lugar nas a\u00e7\u00f5es contra a pandemia\u201d, foi a fala de Ant\u00f3nio Guterres, chefe da ONU, no dia 5 de abril. A viol\u00eancia dom\u00e9stica n\u00e3o \u00e9 um problema novo. Pelo fato de nossa sociedade ter sido criado com base em uma cultura machista e patriarcal, a agress\u00e3o contra mulheres foi naturalizada e ignorada por muito tempo. Com as m\u00e1ximas \u201cem briga de homem e mulher n\u00e3o se mete a colher\u201d \u2014 dizer apoiado por 58,4% das pessoas entrevistadas na pesquisa \u201cToler\u00e2ncia social \u00e0 viol\u00eancia contra as mulheres\u201d conduzida pelo Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica Aplicada (IPEA) em 2014 \u2014, sempre foi incentivado que se deixasse casais se resolverem entre si. A resolu\u00e7\u00e3o, entretanto, s\u00e3o n\u00fameros exorbitantes de mulheres mortas e agredidas todos os anos. Conforme n\u00fameros do <a href=\"https:\/\/www12.senado.leg.br\/institucional\/omv\/pdfs\/violencia-domestica-em-tempos-de-covid-19\"><span class=\"has-inline-color has-vivid-cyan-blue-color\">Data Senado de 2019<\/span><\/a>, 41% dos casos de viol\u00eancia contra a mulher s\u00e3o causados pelos companheiros e 37% por ex-companheiros, explicitando que o chamado \u201ccrime passional\u201d v\u00eam vitimando mulheres ao longo dos anos.<\/p>\n\n\n\n<p>O cen\u00e1rio come\u00e7ou a mudar no Brasil em 22 de setembro de 2006, quando entrou em vigor a<span class=\"has-inline-color has-vivid-cyan-blue-color\"> <a href=\"http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/_ato2004-2006\/2006\/lei\/l11340.htm\">Lei n\u00ba 11.340<\/a><\/span>, famosa pelo nome \u201cLei Maria da Penha\u201d. V\u00edtima de duas tentativas de assassinato pelo marido, Penha se tornou um \u00edcone no pa\u00eds de luta contra a viol\u00eancia dom\u00e9stica e nomeou o decreto que oferece instrumentos legais \u00e0 mulheres v\u00edtimas de agress\u00f5es dentro da pr\u00f3pria casa. Vale ressaltar que, a todo momento que a palavra \u201cviol\u00eancia\u201d \u00e9 usada, se enquadram casos de \u201cqualquer a\u00e7\u00e3o ou omiss\u00e3o baseada no g\u00eanero que lhe cause morte, les\u00e3o, sofrimento f\u00edsico, sexual ou psicol\u00f3gico e dano moral ou patrimonial\u201d, segundo termos da pr\u00f3pria lei. Antes dela, os casos de agress\u00e3o contra mulher eram enquadrados em boletins de ocorr\u00eancia generalizados e os n\u00fameros n\u00e3o eram contabilizados.<\/p>\n\n\n\n<p>Por mais positivo que seja o decreto da lei no pa\u00eds, os n\u00fameros ainda s\u00e3o preocupantes e relevantes para o diagn\u00f3stico de como est\u00e1 sendo tratado o problema. Em dados do <a href=\"https:\/\/www.ipea.gov.br\/atlasviolencia\/download\/19\/atlas-da-violencia-2019\"><span class=\"has-inline-color has-vivid-cyan-blue-color\">Atlas da Viol\u00eancia de 2019<\/span><\/a>, produzido pelo IPEA, os n\u00fameros de 2017 mostram que 13 mulheres s\u00e3o v\u00edtimas de homic\u00eddio todos os dias no Brasil em per\u00edodos \u201ccomuns\u201d. Vale ressaltar, tamb\u00e9m, que os n\u00fameros refletem a diminui\u00e7\u00e3o da subnotifica\u00e7\u00e3o, providenciados pela maior sensibiliza\u00e7\u00e3o de mulheres pelo assunto e maior divulga\u00e7\u00e3o dos meios de comunica\u00e7\u00e3o para prestar queixa e pedir aux\u00edlio nesses casos.<\/p>\n\n\n\n<p>Os dados j\u00e1 eram preocupantes no pa\u00eds e se tornaram alarmantes durante a ado\u00e7\u00e3o da quarentena para tentar controlar os casos de Covid-19 no Brasil. Desde o dia 11 de mar\u00e7o de 2020, data marcada pela suspens\u00e3o de aulas e servi\u00e7os n\u00e3o essenciais, a popula\u00e7\u00e3o (ou uma fra\u00e7\u00e3o dela, que aderiu \u00e0s medidas) t\u00eam adotado normas de distanciamento social e quarentena, sendo incentivados a ficarem em casa se poss\u00edvel. Para quem n\u00e3o trabalha em servi\u00e7os essenciais, mar\u00e7o e os meses seguintes est\u00e3o sendo sin\u00f4nimos de passar a maior parte do tempo em casa, e, consequentemente, com quem divide o espa\u00e7o. Para muitas mulheres, o distanciamento t\u00eam sido dividir a casa com seu agressor, ou poss\u00edvel agressor.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O mundo todo tem tentado chamar aten\u00e7\u00e3o para o aumento dos casos de viol\u00eancia dom\u00e9stica no per\u00edodo da quarentena, em que a mulher se torna mais vulner\u00e1vel por n\u00e3o ter escapat\u00f3ria, com seu companheiro sempre \u00e0 espreita. As pesquisas mostram que o alvoro\u00e7o n\u00e3o \u00e9 em v\u00e3o. Na <a href=\"http:\/\/forumseguranca.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/violencia-domestica-covid-19-ed02-v5.pdf\"><span class=\"has-inline-color has-vivid-cyan-blue-color\">publica\u00e7\u00e3o extraordin\u00e1ria feita pelo F\u00f3rum Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica<\/span><\/a>, um retrato compara os n\u00fameros de mar\u00e7o e abril de 2020 com os dados do ano anterior. Eles mostram que, por mais que os registros de den\u00fancias de viol\u00eancia dom\u00e9stica nas delegacias tenha diminu\u00eddo em 25,5% \u2014 o que pode ser interpretado pela maior dificuldade ou medo de deixar a resid\u00eancia \u2014, os chamados para Pol\u00edcia Militar, no 190, registrando casos de viol\u00eancia dom\u00e9stica cresceu 44,9% no m\u00eas de mar\u00e7o, em compara\u00e7\u00e3o ao m\u00eas anterior, e as den\u00fancias no Ligue 180 \u2014 Central de Atendimento \u00e0 Mulher em Situa\u00e7\u00e3o de Viol\u00eancia \u2014 foi de 37,6% no per\u00edodo de isolamento social.<\/p>\n\n\n\n<p>A casa sempre foi o lugar mais perigoso para mulheres v\u00edtimas de viol\u00eancia. <a href=\"https:\/\/www.ipea.gov.br\/atlasviolencia\/download\/19\/atlas-da-violencia-2019\"><span class=\"has-inline-color has-vivid-cyan-blue-color\">Entre 2007 e 2017<\/span><\/a>, 39,2% dos homic\u00eddios \u2014 momento mais grave das agress\u00f5es \u2014 de mulheres no Brasil aconteceram dentro de casa. Entre os homens, o \u00edndice \u00e9 de 15,9%. No momento da pandemia, em que as pessoas est\u00e3o confinadas em casa e com a rela\u00e7\u00e3o restrita ao companheiro, os n\u00fameros tendem a piorar.<\/p>\n\n\n\n<p>No dia 20 de mar\u00e7o, o pa\u00eds se chocou com a <a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/sc\/santa-catarina\/noticia\/2020\/04\/20\/mulher-vitima-de-violencia-escreve-pedido-de-socorro-com-batom-em-toalha-e-joga-pela-varanda-em-sc.ghtml\"><span class=\"has-inline-color has-vivid-cyan-blue-color\">not\u00edcia<\/span><\/a> de que uma moradora de Chapec\u00f3, oeste de Santa Catarina, escreveu \u201cSOS AP 23\u201d com batom em uma toalha e jogou da janela. A v\u00edtima estava h\u00e1 sete horas em c\u00e1rcere privado sem as chaves do apartamento, sem celular e sendo v\u00edtima de diversas agress\u00f5es, f\u00edsicas e psicol\u00f3gicas, causadas pelo marido. Pelo mundo, mais outras not\u00edcias como essa se espalharam e v\u00eam mostrando o qu\u00e3o urgente o assunto \u00e9, principalmente na atual conjuntura.<\/p>\n\n\n\n<p>No resto do mundo, as not\u00edcias n\u00e3o vem sendo diferentes. Conforme n\u00fameros divulgados pelo Centro de Informa\u00e7\u00f5es Regionais das Na\u00e7\u00f5es Unidas, os pa\u00edses da regi\u00e3o da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade Europa registraram um aumento de 60% no n\u00famero de chamadas de emerg\u00eancia de mulheres v\u00edtimas de viol\u00eancia em compara\u00e7\u00e3o com abril de 2019.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Cada pa\u00eds vem tentando adotar estrat\u00e9gias para auxiliar as v\u00edtimas de viol\u00eancia dom\u00e9stica durante a quarentena. Na It\u00e1lia e na Fran\u00e7a, quartos de hot\u00e9is est\u00e3o sendo reservados para mulheres que precisam de abrigo longe de seus agressores; na Espanha, canais de conscientiza\u00e7\u00e3o para agressores foram criados com o intuito de ouvir, acompanhar e oferecer alternativas \u00e0 viol\u00eancia. Al\u00e9m da Europa, na \u00c1frica do Sul foi proibida a venda de bebida alco\u00f3lica, para evitar o agravamento de situa\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia como um todo, e na Argentina e no Chile, mulheres que pedem uma \u201cm\u00e1scara vermelha\u201d na farm\u00e1cia s\u00e3o socorridas pelos canais de den\u00fancia.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Presas no ciclo da viol\u00eancia<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>L.O., que ter\u00e1 o nome protegido nessa reportagem, conheceu seu namorado pela internet. Ela conta que desde o come\u00e7o ele se mostrava extremamente violento e possessivo, acusando-a de o enganar \u2014 o que fez com que a mulher n\u00e3o aceitasse visitas do namorado, j\u00e1 que morava com a m\u00e3e e a filha pequena e temia por elas. Com o tempo, ela adquiriu mais confian\u00e7a no rapaz e permitiu que ele se mudasse para a casa da sua m\u00e3e, passando a morar com as tr\u00eas mulheres. A hist\u00f3ria de amor acabou r\u00e1pido. L.O. conta que seu namorado usava muita droga e n\u00e3o trabalhava, dependendo dela para o sustento.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A primeira agress\u00e3o aconteceu quando a mulher discutiu com ele sobre a ida \u00e0 uma festa sem a companheira, e n\u00e3o parou mais. \u201cMinha vida se tornou esse ciclo: ele me agredia, eu perdoava. Ele me tratava como empregada dom\u00e9stica e quando queria transar n\u00e3o aceitava o meu n\u00e3o \u2014 hoje eu sei que isso era estupro.\u201d L.O. tamb\u00e9m conta da vez que o namorado reclamou do servi\u00e7o dom\u00e9stico, que ela fazia sozinha, e ela tentou estabelecer um di\u00e1logo para resolver o conflito. \u201cMe coloquei na porta e disse vamos conversar. Ele puxou a porta e acertou meu rosto, que come\u00e7ou a sangrar na hora. N\u00e3o satisfeito, me jogou no ch\u00e3o e come\u00e7ou a me bater com um capacete com chutes. Liguei pra pol\u00edcia, fui pra porta do condom\u00ednio e, enquanto eu esperava a pol\u00edcia, ele saiu com uma arma, colocou na minha cabe\u00e7a e disse que se eu falasse algo ele ia me matar. Ent\u00e3o a viatura passou e eu fingi que n\u00e3o tinha chamado\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Na quarentena, tudo parece ter piorado. L.O. continua presa com seu agressor, que constantemente a amea\u00e7a de morte e a tortura psicologicamente, principalmente por estarem presos muito tempo juntos. A mulher conta j\u00e1 ter sa\u00eddo para registrar alguns boletins de ocorr\u00eancia antes desse per\u00edodo, mas que nada foi feito pela pol\u00edcia. \u201cHoje ainda estou viva, mas choro por saber que n\u00e3o \u00e9 a sorte de muitas\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Relatos chocantes como esse n\u00e3o s\u00e3o exce\u00e7\u00e3o entre as mulheres entrevistadas para essa mat\u00e9ria. Hist\u00f3rias de v\u00edtimas que ficam anos presas em ciclos de viol\u00eancia infelizmente populam grupos nas redes sociais e relatos na m\u00eddia. Um estudo conduzido pela psic\u00f3loga norte-americana Lenore Walker identificou que as agress\u00f5es cometidas em um contexto conjugal ocorrem dentro de um ciclo que \u00e9 constantemente repetido. Na primeira fase, chamada de \u201caumento da tens\u00e3o\u201d, o agressor mostra-se tenso e irritado por coisas insignificantes, chegando a ter acessos de raiva. Isso faz com que a v\u00edtima se sinta culpada, tente evitar condutas que possam provoc\u00e1-lo e n\u00e3o revele a situa\u00e7\u00e3o para ningu\u00e9m, achando que alguma atitude sua que est\u00e1 provocando essa rea\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A segunda fase corresponde \u00e0 explos\u00e3o do agressor, onde a falta de controle chega ao limite e leva ao ato violento. Toda a tens\u00e3o acumulada na Fase 1 se materializa em viol\u00eancia verbal, f\u00edsica, psicol\u00f3gica, moral ou patrimonial. Em geral, a mulher v\u00edtima das agress\u00f5es se sente paralisada e impossibilitada de reagir e sofre de uma tens\u00e3o psicol\u00f3gica severa, com sintomas como ins\u00f4nia, perda de peso, fadiga constante, ansiedade.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s isso, a terceira fase se caracteriza pela \u201clua de mel\u201d, quando o agressor se mostra arrependido e se torna am\u00e1vel para conseguir a reconcilia\u00e7\u00e3o. Como h\u00e1 a demonstra\u00e7\u00e3o de remorso, ela se sente respons\u00e1vel por ele, o que estreita a rela\u00e7\u00e3o de depend\u00eancia entre v\u00edtima e agressor. A mulher se sente confusa e pressionada a manter o seu relacionamento diante da sociedade, sobretudo quando o casal tem filhos. Por fim, a tens\u00e3o volta e, com ela, as agress\u00f5es da Fase 1.<\/p>\n\n\n\n<p>M.S., com nome tamb\u00e9m ocultado por motivos de seguran\u00e7a, viu a agress\u00e3o se agravar depois do come\u00e7o da quarentena em casa com o marido. Em janeiro, a professora sofreu o primeiro epis\u00f3dio de viol\u00eancia f\u00edsica, foi \u00e0 delegacia e teve seu pedido de boletim de ocorr\u00eancia recusado, por ser s\u00e1bado \u00e0 noite. O agressor a seguiu e ela teve que voltar para casa acompanhado dele. Sem uma medida protetiva, M.S. n\u00e3o consegue afastar legalmente o marido e est\u00e1 presa em casa com ele por causa do home office. A v\u00edtima conseguiu alugar um segundo apartamento em seu nome, mas foi impossibilitada de mudar e sair do ciclo de viol\u00eancia por n\u00e3o conseguir fazer a mudan\u00e7a com o marido em casa. \u201cPreciso esperar um dia que ele saia por um longo tempo de casa, para eu levar o que \u00e9 meu\u201d, explicou M.S., que se v\u00ea dentro do ciclo de agress\u00e3o at\u00e9 o final da quarentena, quando seu marido, que tamb\u00e9m trabalha em escolas, voltar\u00e1 a ficar fora de casa.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Mudan\u00e7as no atendimento<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Visando se adaptar ao momento em que n\u00e3o \u00e9 recomend\u00e1vel sair de casa, a pol\u00edcia se modifica para continuar atendendo mulheres em situa\u00e7\u00e3o de viol\u00eancia dom\u00e9stica. Em S\u00e3o Paulo, por exemplo, os boletins de ocorr\u00eancia para denunciar esse tipo de agress\u00e3o podem ser feitos pela internet no per\u00edodo da pandemia. Os disque den\u00fancia continuam funcionando 24h pelos n\u00fameros 190 (central da pol\u00edcia), 180 (atendimento \u00e0 mulher em situa\u00e7\u00e3o de viol\u00eancia) e 0800 0234567 (cidadania e direitos humanos). Os Tribunais de Justi\u00e7a do Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e S\u00e3o Paulo est\u00e3o dando andamento apenas para casos de urg\u00eancia, como os de medida restritiva, que podem ser emitidas em at\u00e9 48 horas e os agressores est\u00e3o sendo notificados por e-mail e telefonemas.<\/p>\n\n\n\n<p>Por\u00e9m, por mais que essas adapta\u00e7\u00f5es estejam sendo feitas para facilitar a den\u00fancia com o distanciamento social, um agravante \u00e9 o fato de que em<span class=\"has-inline-color has-vivid-cyan-blue-color\"> <\/span><a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/direitos-humanos\/noticia\/2019-09\/em-917-das-cidades-do-pais-nao-ha-delegacia-de-atendimento-mulher\"><span class=\"has-inline-color has-vivid-cyan-blue-color\">91,7%<\/span><\/a><span class=\"has-inline-color has-vivid-cyan-blue-color\"> <\/span>dos munic\u00edpios brasileiros n\u00e3o existe nenhuma delegacia especializada no atendimento \u00e0 mulher (Deam), conforme n\u00fameros do \u00faltimo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE). Sem essa equipe especializada, o atendimento \u00e0 casos de viol\u00eancia contra a mulher ficam muito prejudicados, se misturando com outras ocorr\u00eancias e n\u00e3o recebendo o atendimento adequado.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse momento, fica vis\u00edvel o papel de Organiza\u00e7\u00f5es N\u00e3o Governamentais (ONGs) e associa\u00e7\u00f5es que criam alternativas para socorrer mulheres que n\u00e3o conseguem ajuda de canais oficiais e \u00f3rg\u00e3os do estado. Um exemplo \u00e9 o Instituto Maria da Penha, ONG que funciona a partir de doa\u00e7\u00f5es, financiamentos e parcerias, e vem h\u00e1 anos defendendo os direitos da mulher, al\u00e9m de promover iniciativas para combater a viol\u00eancia de g\u00eanero. Em per\u00edodos de normalidade, o Instituto proporciona workshops, consultorias, palestras e cursos de capacita\u00e7\u00e3o para o combate \u00e0 viol\u00eancia. Agora, no per\u00edodo de exce\u00e7\u00e3o, vem publicando conte\u00fados para chamar a aten\u00e7\u00e3o das autoridades e da sociedade para o problema, como o<span class=\"has-inline-color has-vivid-cyan-blue-color\"> <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=A6CslhHgTrA\">v\u00eddeo<\/a><\/span> ambientado na pandemia que viralizou nas redes sociais e denuncia o tipo de situa\u00e7\u00e3o que muitas mulheres podem estar vivendo dentro de suas casas.<\/p>\n\n\n\n<p>Nas redes sociais, campanhas como a #VizinhaVoc\u00eaN\u00e3oEst\u00e1Sozinha e #IsoladasSimSozinhasN\u00e3o v\u00eam ganhando espa\u00e7o e criando uma rede de apoio volunt\u00e1rio entre as mulheres para socorrerem as v\u00edtimas de viol\u00eancia dom\u00e9stica. Organiza\u00e7\u00f5es como a Agora \u00c9 Que S\u00e3o Elas, que nasceu de uma # de campanha nas redes e se tornou um<span class=\"has-inline-color has-vivid-cyan-blue-color\"> <a href=\"https:\/\/agoraequesaoelas.blogfolha.uol.com.br\/\">blog<\/a> <\/span>no portal da <em>Folha de S. Paulo<\/em>,\u00a0 vem <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=aqlUljKR0Qo\"><span class=\"has-inline-color has-vivid-cyan-blue-color\">incentivando<\/span><\/a> movimentos como amarrar la\u00e7os nas portas e janelas para demonstrar apoio e oferecer seguran\u00e7a para mulheres amea\u00e7adas de agress\u00e3o. Toda ajuda, no momento, se faz essencial para proteger as v\u00edtimas de viol\u00eancia dom\u00e9stica.<\/p>\n\n\n\n<p>Est\u00e1 se tornando comum tamb\u00e9m encontrar postagens nas redes sociais com dicas de como auxiliar as mulheres que est\u00e3o passando por agress\u00f5es ou amea\u00e7as de agress\u00f5es dentro de casa. Nem sempre as mulheres t\u00eam acesso ao celular ou conseguem fazer liga\u00e7\u00f5es por conta do relacionamento abusivo em que vivem. Se conseguir entrar em contato com uma v\u00edtima, especialistas sugerem esses conselhos: ter um plano de emerg\u00eancia (para onde vou, com quem falo, como vou); ter uma chave reserva escondida sem o agressor saber, para evitar ficar trancada dentro de casa; deixar seus documentos e dos filhos em um lugar de f\u00e1cil acesso, para o caso de precisar sair correndo; avisar vizinhas do risco para ficarem alertas \u00e0 qualquer sinal de viol\u00eancia; combinar uma palavra de emerg\u00eancia que possa acionar algu\u00e9m pr\u00f3ximo para prestar socorro. Em todos os casos, o mais indicado \u00e9 procurar o servi\u00e7o de policiamento, por telefone ou ir at\u00e9 uma delegacia (da mulher, se dispon\u00edvel) e pedir a medida protetiva contra o agressor. Como rede de apoio, \u00e9 importante se mostrar dispon\u00edvel para ajudar e n\u00e3o julgar a v\u00edtima, o que pode fazer com que ela se cale.<\/p>\n\n\n\n<p>A pandemia n\u00e3o d\u00e1 sinais de al\u00edvio t\u00e3o cedo e os brasileiros veem dia ap\u00f3s dia os n\u00fameros de casos e mortes por Covid-19 aumentarem \u2014 o que significa que cada dia mais mulheres est\u00e3o em perigo dentro de casa com seus agressores. Com todos em casa, os vizinhos ganham um papel importante nesta quarentena. Sempre que algu\u00e9m escutar barulhos suspeitos, deve ligar para o 190 ou 180. Todos podem ajudar a salvar vidas e tirar as mulheres do ciclo de viol\u00eancia que a agress\u00e3o naturalizada as coloca dentro h\u00e1 s\u00e9culos.<\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>Por Giovana Vernizi Christ<\/strong><\/em><br>giovanachrist@usp.br<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\u201cPaz n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 a aus\u00eancia de guerra. 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