{"id":1486,"date":"2024-12-06T17:08:04","date_gmt":"2024-12-06T20:08:04","guid":{"rendered":"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/?p=1486"},"modified":"2024-12-06T17:12:59","modified_gmt":"2024-12-06T20:12:59","slug":"cinemas-porno-refletem-transformacoes-do-centro-de-sao-paulo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/?p=1486","title":{"rendered":"Cinemas porn\u00f4 refletem transforma\u00e7\u00f5es do Centro de S\u00e3o Paulo"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-weight: 400;\">Na Avenida S\u00e3o Jo\u00e3o, 1119, no Centro Hist\u00f3rico de S\u00e3o Paulo, tem um. Caminhando mais um pouco, at\u00e9 a Avenida Ipiranga, 808, tem outro. Mais uma pernada e chega-se ao mais f\u00e1cil de ser acessado pelo transporte p\u00fablico no n\u00famero 752. Para alcan\u00e7\u00e1-lo, depois de vencer os vag\u00f5es lotados da Linha 3-Vermelha e saltar na esta\u00e7\u00e3o Rep\u00fablica, basta subir as escadas rolantes, seguir pela direita e atravessar a Rua 24 de Maio.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Fica ao lado de um McDonald\u2019s e satisfaz fomes de outro tipo. A fachada completamente preta e o pequeno letreiro \u201cCine Rep\u00fablica\u201d s\u00e3o in\u00fateis: quanto mais discreto tenta ser, mais chama aten\u00e7\u00e3o pela tentativa de se camuflar na paisagem urbana. Na entrada, um sulfite impresso anuncia as novidades: \u201cNovos hor\u00e1rios: sess\u00f5es 10h e 22h. Estamos funcionando aos s\u00e1bados 24h\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A bilheteria tem uma catraca que s\u00f3 pode ser ultrapassada depois que os R$ 22 forem pagos &#8211; estudantes pagam meia. Site para comprar os ingressos? N\u00e3o tem. Possibilidade de escolher o filme? Esquece.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">L\u00e1 dentro, ainda antes de entrar no cinema de fato, um corredor barra a vis\u00e3o de quem est\u00e1 do lado de fora e protege os clientes do julgamento alheio enquanto abrem a carteira para comprar a entrada.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O sigilo \u00e9 parte do jogo. Entre espiadelas dos pedestres, a catraca n\u00e3o fica parada por muito tempo, alguns entram por curiosidade e outros s\u00e3o frequentadores ass\u00edduos. Nas paredes, cartazes de filmes com mulheres e homens nus, informativos do Governo Federal sobre a import\u00e2ncia do uso de preservativos e um alvar\u00e1 sanit\u00e1rio indicando que o espa\u00e7o est\u00e1 livre de insetos e ratos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Pouco do que se v\u00ea l\u00e1 dentro \u00e9 o que se espera de um cinema no senso comum. Afinal, entre uma sala de exibi\u00e7\u00e3o comercial e um cinema de pega\u00e7\u00e3o \u2013 o Rep\u00fablica \u00e9 assim \u2013, as \u00fanicas semelhan\u00e7as s\u00e3o as poltronas e telas. No t\u00e9rreo do estabelecimento da Avenida Ipiranga, h\u00e1 duas salas de filmes pornogr\u00e1ficos h\u00e9teros. No segundo andar, outra de filmes gays, um bar e dois dark rooms, que s\u00e3o ambientes ainda mais discretos e escuros para a pr\u00e1tica de atividades sexuais.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Em cinem\u00f5es, como s\u00e3o apelidados, os cheiros n\u00e3o s\u00e3o de manteiga de pipoca, mas sim \u00e1gua sanit\u00e1ria ou fluidos corporais que deixam o ch\u00e3o pegajoso, dependendo do momento do dia. No lugar dos milhos estourando, os sons v\u00eam de sussurros, conversas abafadas, gemidos e cusparadas.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Os olhos apertados demoram a se acostumar com a escurid\u00e3o intensa e o tato \u00e9 uma das formas de comunica\u00e7\u00e3o. Dos toques sugestivos ao sexo, h\u00e1 um leque de possibilidades a ser explorado.<\/span><\/p>\n<p><b>Quando as luzes se apagam<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cUm bicho alimentando os desejos carnais mais obscuros e animalescos\u201d, \u00e9 como Marcos*, 23, se sente nos cinem\u00f5es desde os 19 anos, quando foi pela primeira vez. \u201cD\u00e1 um pouco de nojo tamb\u00e9m, mas \u00e9 tipo um v\u00edcio, que sempre d\u00e1 vontade de repetir\u201d, comparou, antes de atender ao assobio de uma pessoa na fileira de cima.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Quebrar o sil\u00eancio \u00e9 um dos maiores ultrajes em um cinema convencional, mas essa regra n\u00e3o faz parte do c\u00f3digo de conduta dos cinem\u00f5es, movidos a intera\u00e7\u00f5es nada silenciosas entre os frequentadores, ainda que sejam discretas. O p\u00fablico vagueia a esmo pelas fileiras buscando algu\u00e9m que retribua um olhar ou gesto.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cEssa sociabilidade est\u00e1 muito relacionada com a possibilidade de homens nos anos 1960, 1970 e 1980 terem contatos er\u00f3ticos, afetivos e sexuais com outros homens\u201d, explica Eros Sester, doutor em Antropologia Social pela USP, sobre a din\u00e2mica dos cinem\u00f5es. As salas s\u00e3o majoritariamente frequentadas por um p\u00fablico masculino LGBTQIAP+ na faixa dos 40 anos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Entre os cinem\u00f5es, o Cine Rep\u00fablica \u00e9 um dos sobreviventes do Centro de S\u00e3o Paulo. Muitos fecharam desde a d\u00e9cada de 1990, quando os cinemas da regi\u00e3o ganharam infraestrutura especial, como funcionamento 24 horas, dark rooms e bares.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Tendo como base um <a href=\"https:\/\/journals.openedition.org\/pontourbe\/1785\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">mapeamento feito em 2008<\/a> por Alexandre Juliete Rosa e outros graduandos em Ci\u00eancias Sociais pela USP, que contabilizou 21 salas de pega\u00e7\u00e3o na cidade, a reportagem realizou outro levantamento, a partir de visitas presenciais e pesquisas no Google Maps, e<\/span> <span style=\"font-weight: 400;\">encontrou oito<\/span> <span style=\"font-weight: 400;\">endere\u00e7os ainda em atividade. O mapa abaixo detalha a localiza\u00e7\u00e3o:<\/span><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.google.com\/maps\/d\/u\/0\/embed?mid=1MwJ4CmKxGBeU_LDKb6-dVuZYuQdM7Ng&amp;ehbc=2E312F&amp;noprof=1\" width=\"640\" height=\"480\"><\/iframe><\/p>\n<p><b>Antes das luzes se apagarem<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Os cinemas de pega\u00e7\u00e3o se consolidaram como parte do circuito LGBTQIAP+ e s\u00e3o sugest\u00f5es de roteiros, como no <\/span><a href=\"https:\/\/www.guiagaysaopaulo.com.br\/roteiro\/cinemas-videos\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-weight: 400;\">site Guia Gay S\u00e3o Paulo<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">. Mas, se hoje a pornografia e o escuro do cinema s\u00e3o pretextos para encontros sexuais na sala, na d\u00e9cada de 1950, o cen\u00e1rio era outro.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00c0s 10h do dia 25 de dezembro de 1953, filas intermin\u00e1veis se estendiam em ambos os lados da entrada do Cine Rep\u00fablica para a exibi\u00e7\u00e3o do primeiro filme em 3D em S\u00e3o Paulo. No letreiro, lia-se &#8220;Veio do Espa\u00e7o&#8221;, filme de fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">J\u00e1 dentro do cinema, homens de black tie e mulheres com vestidos de gala pagavam 10 cruzeiros por um par de \u00f3culos importados &#8211; sem os quais n\u00e3o seria poss\u00edvel desfrutar da experi\u00eancia &#8211; e aguardavam ansiosamente a sess\u00e3o em uma das 2.350 poltronas da sala.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A inaugura\u00e7\u00e3o da terceira dimens\u00e3o no cinema foi descrita pelo seman\u00e1rio Cine Rep\u00f3rter, em 31 de outubro de 1953, como &#8220;uma cousa louca&#8221;. As filas se repetiram por dias e noites no Cine Rep\u00fablica, que esteve \u00e0 frente de outras inova\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas, como a inaugura\u00e7\u00e3o da maior tela do mundo, com 250 metros, em 1955.<\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_1555\" aria-describedby=\"caption-attachment-1555\" style=\"width: 518px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-1555 size-full\" src=\"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/image.png\" alt=\"Cine Rep\u00f3rter: Seman\u00e1rio Cinematogr\u00e1fico, edi\u00e7\u00e3o 928, de 1953\" width=\"518\" height=\"677\" srcset=\"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/image.png 518w, https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/image-230x300.png 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 518px) 100vw, 518px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-1555\" class=\"wp-caption-text\">Cine Rep\u00f3rter: Seman\u00e1rio Cinematogr\u00e1fico, edi\u00e7\u00e3o 928, de 1953<\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A sala constru\u00edda em 1922 replicava a arquitetura de um teatro, com um \u00fanico ambiente de exibi\u00e7\u00e3o e camarotes. Nas p\u00e1ginas do Cine Rep\u00f3rter, o Cine Rep\u00fablica foi descrito como &#8220;grandiosamente simples; suas instala\u00e7\u00f5es, perfeit\u00edssimas; decora\u00e7\u00f5es discretas, artisticamente entrela\u00e7ando o moderno e o cl\u00e1ssico. Tudo ali tem um ar de renova\u00e7\u00e3o, um perfume de progresso&#8221; em 16 de abril de 1952, ap\u00f3s uma reforma.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Do estilo colonial mineiro do Cine Bandeirantes, no Largo do Paissandu, 138, ao m\u00e1rmore travertino do Cine Paissandu, no n\u00famero 60, e \u00e0 fonte luminosa do Cine Marrocos, na Rua Conselheiro Crispiniano, 397, percebe-se que a pompa era caracter\u00edstica comum aos cinemas que se instalaram nos corredores das Avenidas Ipiranga e S\u00e3o Jo\u00e3o naquela \u00e9poca.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Entre o Largo do Paissandu e a Pra\u00e7a J\u00falio de Mesquita, a Cinel\u00e2ndia paulistana brilhou na d\u00e9cada de 1940 e come\u00e7ou a se apagar nos anos 1960. Em 1945, seis das dez salas com maior p\u00fablico de S\u00e3o Paulo estavam localizadas na regi\u00e3o, de acordo com o Sistema Estadual de An\u00e1lise de Dados (Seade).\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ir ao cinema era uma das representa\u00e7\u00f5es m\u00e1ximas de lazer da classe m\u00e9dia e elite paulistanas. Nas telas, filmes hollywoodianos, chanchadas, neo-realismo italiano e produ\u00e7\u00f5es francesas. Mas a experi\u00eancia ia al\u00e9m dos filmes em si. O Cine Marrocos, por exemplo, apresentava recitais de piano antes das sess\u00f5es em uma plataforma m\u00f3vel que descia palco abaixo quando a pel\u00edcula come\u00e7ava a rodar.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O apogeu da Cinel\u00e2ndia coincidiu com o auge do Centro de S\u00e3o Paulo nos anos 1940, quando a regi\u00e3o fervilhava com outros tipos de arte e tinha uma vida cultural movimentada, como provam a Biblioteca M\u00e1rio de Andrade, o Theatro Municipal e as dezenas de galerias que promoviam exposi\u00e7\u00f5es.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">As quedas tamb\u00e9m foram simult\u00e2neas: a partir da d\u00e9cada de 1960, ocorreu o deslocamento do centro financeiro para a Avenida Paulista e a Faria Lima e a crise da Cinel\u00e2ndia.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O primeiro golpe baixo ocorreu com a populariza\u00e7\u00e3o dos televisores nas casas, porque a mesma classe m\u00e9dia que frequentava as salas de exibi\u00e7\u00e3o conseguiu comprar os aparelhos, explica Sester. A cria\u00e7\u00e3o de cinemas em shoppings centers tamb\u00e9m contribuiu para a Cinel\u00e2ndia ser preterida. O primeiro deles foi em 1968, no Shopping Iguatemi.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Nesse momento, os glamourosos pal\u00e1cios cinematogr\u00e1ficos come\u00e7aram a dividir suas salas \u00fanicas para promover sess\u00f5es simult\u00e2neas e tentar diminuir os preju\u00edzos financeiros. Sester adiciona que, no fim da Ditadura Militar, na d\u00e9cada de 1980, houve uma flexibiliza\u00e7\u00e3o sobre o que poderia passar nos cinemas, que come\u00e7aram a exibir pornochanchadas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O pesquisador ressalta que, antes mesmo do erotismo sugerido das chanchadas e do sexo escancarado da pornografia, os cinemas foram apropriados como lugares de pega\u00e7\u00e3o desde a populariza\u00e7\u00e3o dos televisores e a debandada da classe m\u00e9dia das salas. \u201cEram lugares de permissividade de encontro de pessoas an\u00f4nimas em um grande centro urbano\u201d, diz.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Entre os demais cinemas cl\u00e1ssicos, a maior parte fechou as portas e hoje faz as vezes de igrejas e estacionamentos. O Cine Olido, na Avenida S\u00e3o Jo\u00e3o, 473, foi recuperado pela Spcine, em 2016 e \u00e9 um endere\u00e7o que resistiu entre idas e vindas com sua programa\u00e7\u00e3o comercial. O Cine Marab\u00e1, na Avenida Ipiranga, 757, reformado em 2009 pela distribuidora Playarte, \u00e9 outro.<\/span><\/p>\n<p><b>No anonimato do cinem\u00e3o<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Para Sester, \u201cmudan\u00e7as nas pr\u00e1ticas sexuais entre homens em grandes centros urbanos e pol\u00edticas de higieniza\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o culminam no fechamento desses estabelecimentos\u201d. Ainda assim, os cinem\u00f5es resistem porque tornam poss\u00edvel um afeto que n\u00e3o \u00e9 visto como pratic\u00e1vel em lugares afastados do centro, explica o antrop\u00f3logo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Os cinemas porn\u00f4 e outros espa\u00e7os de sociabilidade LGBTQIAP+ se concentram nas regi\u00f5es centrais, de modo que a livre express\u00e3o desse grupo social se mant\u00e9m confinada a determinados endere\u00e7os, detalha Bruna Quintero, mestra em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade S\u00e3o Judas Tadeu. A pesquisadora explica que h\u00e1 um apego hist\u00f3rico ao local, reconhecido como mais seguro.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A atmosfera de segredo colabora para essa sensa\u00e7\u00e3o e apareceu de forma recorrente no relato dos entrevistados como motivo para frequentar as salas, at\u00e9 porque depois da pega\u00e7\u00e3o fren\u00e9tica e do gozo, \u00e9 raro se encontrar com a mesma pessoa do lado de fora.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Paulo, 27, foi ao Cine Arouche pela primeira vez aos 19 anos, depois de se sentir inspirado pelo personagem de Robert De Niro, em <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Taxi Driver<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, de 1976, que marca um encontro em um cinema porn\u00f4. Oito anos mais tarde, continua indo aos estabelecimentos em busca de \u201csexo f\u00e1cil, r\u00e1pido e an\u00f4nimo\u201d.<\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_1488\" aria-describedby=\"caption-attachment-1488\" style=\"width: 752px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-1488 size-full\" src=\"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Cine-Arouche.jpg\" alt=\"Cine Arouche, Centro de S\u00e3o Paulo\" width=\"752\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Cine-Arouche.jpg 752w, https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Cine-Arouche-300x176.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 752px) 100vw, 752px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-1488\" class=\"wp-caption-text\">Al\u00e9m da sala de exibi\u00e7\u00e3o tradicional, o Cine Arouche tem cabines individuais &#8211; Foto: Arquivo pessoal<\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A pega\u00e7\u00e3o e os encontros em espa\u00e7os privados nos espa\u00e7os p\u00fablicos marcam a forma como homens gays se relacionam e como eles aprendem a viver sua sexualidade, diz Sester. Esse \u00e9 um dos motivos pelos quais o p\u00fablico dos cinemas de pega\u00e7\u00e3o \u00e9 predominantemente masculino.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O pesquisador explica que \u201ca forma como mulheres s\u00e3o socializadas ainda cria um contraste muito grande no que se refere \u00e0 busca por parceria sexual\u201d e os homens historicamente se sentem mais \u00e0 vontade para usufruir do espa\u00e7o p\u00fablico.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Em um contexto pr\u00e9-internet, quando n\u00e3o existiam aplicativos de relacionamento, os encontros dependiam do cara a cara. \u201cAs pessoas aprendiam no\u00e7\u00f5es de g\u00eanero e sexualidade a partir desses espa\u00e7os de sociabilidade de rua, tanto em lugares espec\u00edficos para esse p\u00fablico [LGBTQIAP+], como saunas, quanto em lugares com outras fun\u00e7\u00f5es que foram apropriados pela comunidade\u201d, diz Yuri Fraccaroli, mestre em Psicologia pela USP, sobre os cinem\u00f5es.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">No escuro que exige olhos apertados, na profus\u00e3o de odores corporais, na atmosfera abafada e na sinfonia incomum de sons, o Rep\u00fablica, uma testemunha e um agente das transforma\u00e7\u00f5es do Centro de S\u00e3o Paulo, formou um p\u00fablico cativo que encontra prazer em suas poltronas.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">*Nome fict\u00edcio para preservar a identidade da fonte<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Ao redor das Avenidas Ipiranga e S\u00e3o Jo\u00e3o, antigos pal\u00e1cios da Cinel\u00e2ndia mudaram sua programa\u00e7\u00e3o e p\u00fablico desde a d\u00e9cada de 1990\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/?p=1486\"> 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