{"id":148,"date":"2020-06-21T15:13:08","date_gmt":"2020-06-21T18:13:08","guid":{"rendered":"http:\/\/paineira.usp.br\/cje\/babel\/?p=148"},"modified":"2020-09-30T10:42:58","modified_gmt":"2020-09-30T13:42:58","slug":"o-xote-das-meninas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/?p=148","title":{"rendered":"O xote das meninas"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-medium-font-size\">Mulheres forrozeiras enfrentam machismo e desvaloriza\u00e7\u00e3o para conquistar seu espa\u00e7o no cen\u00e1rio musical<\/p>\n\n\n\n<p>Foi crian\u00e7a que Janayna Pereira teve contato com o forr\u00f3 pela primeira vez. Da vitrola, os discos de Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro e Dominguinhos arrancavam do fundo do peito de seu pai \u2013 baiano do Raso da Catarina, mas radicado em S\u00e3o Paulo \u2013 emotivas nostalgias ao mesmo tempo que embalavam a inf\u00e2ncia da menina, criando mem\u00f3rias afetivas jamais esquecidas. Ainda assim, o interesse mesmo s\u00f3 veio na adolesc\u00eancia. No curso de teatro, fascinada pelas m\u00e1scaras, Janayna voltou-se para aquelas da com\u00e9dia brasileira e da\u00ed partiu para os estudos da cultura popular nacional como um todo. Foi quando uma colega da Escola de Arte Dram\u00e1tica (EAD), da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), notando seu interesse, a convidou para conhecer o Galp\u00e3o 16, na Vila Madalena. \u201cEla me levou em um forr\u00f3. E eu cheguei l\u00e1 e me amarrei, porque antes eu ia em bailes de dan\u00e7a de sal\u00e3o, com bandas cujo repert\u00f3rio era muito vasto, tinha s\u00f3 um forr\u00f3zinho ou outro\u201d, recorda.<\/p>\n\n\n\n<p>Era o primeiro contato dela com o que, pouco depois, viria a se tornar o que hoje \u00e9 conhecido como <em>forr\u00f3 universit\u00e1rio<\/em>. Criado entre as d\u00e9cadas de 1990 e 2000, esta vertente do forr\u00f3 surgiu entre os jovens do Sudeste, que adaptaram o ritmo ao seus gostos, acrescentando instrumentos como viol\u00e3o e contrabaixo ao cl\u00e1ssico trio de zabumba, sanfona e tri\u00e2ngulo do p\u00e9-de-serra. Janayna conta que parte da explos\u00e3o do forr\u00f3 universit\u00e1rio se deu tamb\u00e9m a estrat\u00e9gias de marketing de gravadoras como a Paradoxx (hoje incorporada \u00e0 Universal Music), que buscavam atingir as classes A e B. \u201cPorque at\u00e9 ent\u00e3o o forr\u00f3 era tido como um ritmo popular, de classe C, D e E. Existia um grande preconceito em cima do movimento. J\u00e1 a galera universit\u00e1ria era mais vista como mais esclarecida\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Numa dessas idas ao Galp\u00e3o, Janayna topou com Miltinho Edilberto, cantor e compositor que ela j\u00e1 conhecia de seus trabalhos com cultura popular e que sabia de sua experi\u00eancia com teatro musical. \u201cEle j\u00e1 havia me feito o convite para cantar com ele, mas eu, muito t\u00edmida, achei que n\u00e3o tinha nada a ver. Eu era atriz, estava estudando para isso, n\u00e3o queria saber de ser cantora.\u201d Naquele dia, por\u00e9m, ela se deixou convencer pelas amigas e subiu no palco. \u201cA primeira m\u00fasica que eu cantei foi <em>Estrada do Canind\u00e9<\/em>, que era a m\u00fasica que mais emocionava meu pai porque era a rotina do meu av\u00f4 indo para a ro\u00e7a. Fazia ele chorar, o lembrava do tempo em que morava no sert\u00e3o e que tinha que andar 4 km a p\u00e9 para ir para a escola. Foi a m\u00fasica que me veio na hora\u201d, ela lembra.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O que era para ser s\u00f3 uma canja se tornou meia hora. Emendando m\u00fasica ap\u00f3s m\u00fasica do repert\u00f3rio de sua mem\u00f3ria, Janayna se divertia, mal imaginando que aquela seria a primeira de muitas noites cantando forr\u00f3 em cima de um palco.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed-instagram wp-block-embed is-type-rich is-provider-instagram\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\nhttps:\/\/www.instagram.com\/p\/Bw0R75-H947\/\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p>Ao final da apresenta\u00e7\u00e3o, Miltinho repetiu o convite, dessa vez para que ela cantasse no KVA, uma casa noturna mais voltada para o forr\u00f3. Ela aceitou e foi, mas sem muita coragem, cantou duas m\u00fasicas por incentivo das amigas. Miltinho, por\u00e9m, n\u00e3o a deixou descer do palco, insistindo que ela ficasse fazendo a voz de apoio. \u201cNo final, ele me deu R$ 50 e eu perguntei \u2018Nossa, mas por que voc\u00ea est\u00e1 me dando essa dinheirama toda?\u2019. O sal\u00e1rio m\u00ednimo que eu recebia na \u00e9poca, como estagi\u00e1ria, era de R$ 123\u201d. Como resposta, Janayna recebeu a proposta de cantar nas quintas-feiras e s\u00e1bados, recebendo o dobro daquele valor por cada show. Com quatro apresenta\u00e7\u00f5es por m\u00eas, ela j\u00e1 conseguiria ganhar R$ 800, o que, no final da d\u00e9cada de 1990, poderia ser considerado uma pequena fortuna.<\/p>\n\n\n\n<p>Muito orgulhosa, Janayna logo foi contar a novidade para o pai, uma vez que, mesmo j\u00e1 tendo sa\u00eddo de casa, ela ainda recebia ajuda dele, pois seu sal\u00e1rio n\u00e3o dava conta de cobrir todas as despesas. \u201cLiguei para ele e falei \u2018Pai, voc\u00ea n\u00e3o precisa mais gastar, agora consigo me manter sozinha. Agora eu vou ser backing vocal do Miltinho da Viola, vou cantar forr\u00f3\u2019. Pense num homem que ficou orgulhoso!\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A vez&#8230;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Nem todas as mulheres que decidem trabalhar com o forr\u00f3 recebem este apoio familiar. No caso da recifense Anna Valkyria Nunes, a influ\u00eancia para se tornar musicista veio de casa, dos festejos ao som de sucessos de Gonzaga, Jorge de Altinho, Elba e Genival Lacerda. Aos 11 anos, ela passou a tocar teclado em uma banda da fam\u00edlia, depois integrou um grupo que se apresentava em mercados do interior. Bastou por\u00e9m que a menina manifestasse a vontade de fazer daquilo uma carreira, para sua fam\u00edlia ser a primeira a ir contra a ideia. \u201cEles achavam que eu tinha que estudar para ser advogada. Ent\u00e3o resolvi sair de casa e fiquei praticamente morando nos lugares onde trabalhava, ao mesmo tempo que continuava estudando\u201d, conta ela.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Muito cedo, Anna aprendeu que sua vontade de ocupar aqueles espa\u00e7os musicais era vista como uma ousadia, especialmente entre os mais velhos. Mesmo trabalhando com grandes nomes como Dominguinhos \u2013 de quem recebeu o conselho de adotar o nome art\u00edstico de Maria Ful\u00f4 \u2013, era por conta pr\u00f3pria que ela corria atr\u00e1s do que queria. \u201cPassei muito perrengue, fui humilhada, subestimada. Na \u00e9poca em que eu comecei a tocar sanfona, ouvi de um namorado que eu parecia um macho\u201d, relata.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Sozinha, ela teve que descobrir como vender a Maria Ful\u00f4. \u201cAprendi a produzir porque n\u00e3o tinha quem fizesse por mim e era caro. A gente vai aprendendo desde a fazer a arte do CD at\u00e9 a ser empres\u00e1ria.\u201d Percebendo a falta de oportunidades para mulheres musicistas em Recife, ela decidiu montar uma banda inteiramente feminina. In\u00fameros ensaios depois, a empreitada chegou ao ponto de integrar 11 mulheres ao mesmo tempo, destoando completamente da realidade em que a \u00fanica presen\u00e7a feminina nas bandas costuma ser a da vocalista.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed-instagram wp-block-embed is-type-rich is-provider-instagram\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\nhttps:\/\/www.instagram.com\/p\/B9HYEeaD5lJ\/\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p>\u201cAs pessoas n\u00e3o est\u00e3o acostumadas a dar visibilidade para mulheres. Elas s\u00e3o menos convidadas para eventos, menos conhecidas, menos propagadas\u201d, explica o coletivo capixaba O Segundo Forr\u00f3, fundado em 2019, a partir da inquieta\u00e7\u00e3o de se discutir o ass\u00e9dio e o machismo neste meio musical. Suas integrantes contam que, uma vez que a domina\u00e7\u00e3o masculina est\u00e1 em todas as esferas da sociedade, isso n\u00e3o seria diferente com o forr\u00f3. \u201cO reconhecimento das produ\u00e7\u00f5es art\u00edsticas sempre pende para os homens e isso reverbera at\u00e9 os dias de hoje.\u201d&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Foi do inc\u00f4modo com essa invisibilidade que a cearense Jamille Queiroz teve a ideia de criar a banda Cabra \u00e9 F\u00eamea. Tamb\u00e9m entusiasta do ritmo desde a inf\u00e2ncia, a cantora e percussionista n\u00e3o se conformava que o lugar da mulher dentro do g\u00eanero fosse reduzido apenas ao de corpo que dan\u00e7a. \u201cQueria mostrar que a gente tem voz, vez e direito de tocar e de fazer um forr\u00f3 t\u00e3o lindo quanto o dos amigos homens.\u201d Com amigas, ela formou ent\u00e3o um grupo de forr\u00f3 de rabeca.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Fisicamente muito semelhante ao violino, mas de sonoridade bem distinta, o instrumento mel\u00f3dico foi um dos primeiros a ser tocado no forr\u00f3, muito antes da introdu\u00e7\u00e3o da sanfona, e at\u00e9 hoje \u00e9 parte das m\u00fasica nordestina, tradi\u00e7\u00e3o mantida especialmente pelos mestres rabequeiros. No caso da Cabra \u00e9 F\u00eamea, a rabeca entra em uma combina\u00e7\u00e3o do raiz com o contempor\u00e2neo, variando entre o p\u00e9-de-serra, o risca-faca e at\u00e9 o brega. \u201cGostamos dessa mistura boa de dan\u00e7ar e a partir da\u00ed vamos fazendo coco, forr\u00f3, xote, bai\u00e3o, xaxado&#8230;\u201d, explica Jamille.<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje, ao lado das colegas Naiara Perez (zabumba e voz) e Luana Caroline, mais conhecida como Pereirinha e que \u00e9 respons\u00e1vel pela rabeca e tamb\u00e9m a voz, Jamille faz o que chama de forr\u00f3 feminista. Suas principais influ\u00eancias, portanto, n\u00e3o poderiam ser outras que n\u00e3o grandes mulheres forrozeiras. \u201cEu me inspiro demais na Marin\u00eas. Ela foi uma das primeiras a subir no palco e cantar forr\u00f3 em uma \u00e9poca em que mulher n\u00e3o podia fazer isso. Tamb\u00e9m tem a Anast\u00e1cia, que escreveu a maioria das m\u00fasicas que a gente canta\u201d, diz, referindo-se \u00e0 pernambucana que, aos 80 anos de vida e 66 de carreira, carrega o t\u00edtulo de rainha do forr\u00f3. Esposa de Dominguinhos durante quase uma d\u00e9cada, Anast\u00e1cia comp\u00f4s somente com ele mais de 200 can\u00e7\u00f5es. Seu reconhecimento, por\u00e9m, poderia ser maior. \u201cMuitas vezes ouvimos uma m\u00fasica e falamos \u2018Ah, de Dominguinhos\u2019, esquecendo que quem deu a letra foi a Anast\u00e1cia.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Janayna tamb\u00e9m sabe bem o que \u00e9 sentir-se tolhida. Por 18 anos, foi a voz do grupo Bicho de P\u00e9, mas sentia que n\u00e3o tinha voz dentro da banda. \u201cO cr\u00e9dito para a mulher ainda \u00e9 mais dif\u00edcil. Eu tenho que bradar aos sete ventos que todas as m\u00fasicas do Bicho de P\u00e9 s\u00e3o minhas. O pessoal acha que em banda que mulher canta, ela s\u00f3 faz isso. Que \u00e9 uma marionete\u201d, protesta. A falta de igualdade e o desejo por maior liberdade art\u00edstica a levaram a seguir carreira solo. \u201cEu trabalhava mais e ganhava igual. Gastava mais, porque mulher tem figurino, maquiagem, uma gama de coisas. Eles nunca me davam ouvidos, tudo que eu achava necess\u00e1rio fazer, eles n\u00e3o queriam. Chegou uma hora que cansei de ser contestada\u201d, ela desabafa.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u2026 e a voz delas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O apagamento feminino no forr\u00f3 n\u00e3o se d\u00e1 unicamente na exclus\u00e3o das mulheres da cena musical. De forma mais escancarada, ele tamb\u00e9m est\u00e1 presente nas letras, que reduzem a figura feminina a objeto, seja de idealiza\u00e7\u00e3o, desprezo ou sexualiza\u00e7\u00e3o. Se no forr\u00f3 tradicional a mulher costuma ser a \u201cmorena\u201d recatada e cortejada para o chamego no sal\u00e3o, na vertente eletr\u00f4nica (tamb\u00e9m conhecida como forr\u00f3 estilizado) ela \u00e9 muito mais explicitamente erotizada. Em ambos os casos, o que permanece \u00e9 uma domin\u00e2ncia da voz masculina.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Tomando cuidado para evitar anacronismos ao analisar can\u00e7\u00f5es mais antigas, o Coletivo aponta que muitas m\u00fasicas que fazem refer\u00eancia \u00e0 viol\u00eancia, \u00e0 misoginia e a todos os subprodutos do patriarcado, ainda hoje s\u00e3o tocadas e dan\u00e7adas nos bailes. \u201cO forr\u00f3 \u00e9 um recorte social. Todos os obst\u00e1culos impostos pelo patriarcado que encontramos em nossa sociedade tamb\u00e9m encontram espa\u00e7o para se manifestar no ambiente forrozeiro, afinal, ele n\u00e3o \u00e9 isento\u201d, explicam suas integrantes, refor\u00e7ando a import\u00e2ncia de um senso cr\u00edtico que n\u00e3o seja prescritivo.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed-instagram wp-block-embed is-type-rich is-provider-instagram\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\nhttps:\/\/www.instagram.com\/p\/B3cS1R4nnPp\/\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p>\u201cPor qu\u00ea eu virei compositora? Porque era muito dif\u00edcil encontrar m\u00fasicas com o eu-l\u00edrico feminino, que coubessem na boca de uma mulher. Para mim, isso fazia muita diferen\u00e7a. Eu j\u00e1 era feminista sem saber\u201d, explica Janayna. Tamb\u00e9m j\u00e1 n\u00e3o lhe satisfazia a ideia de s\u00f3 re-interpretar m\u00fasicas j\u00e1 existentes. \u201cEu n\u00e3o queria escrever que nem nordestino porque eu n\u00e3o vivia aquele contexto. Sempre entendi que a gente n\u00e3o tinha que copiar eles, mas sim que reinventar aquilo. Foi assim que eu comecei a escrever minhas m\u00fasicas.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Valendo-se de composi\u00e7\u00f5es pr\u00f3prias e tamb\u00e9m par\u00f3dias de forr\u00f3s cl\u00e1ssicos, a Cabra \u00e9 F\u00eamea exalta em suas can\u00e7\u00f5es a for\u00e7a da mulher. <em>Para\u00edba Masculina<\/em>, por exemplo, virou <em>Para\u00edba Feminista<\/em> nas vozes do trio. <em>Mulher Rendeira<\/em> passou a ser <em>Mulher Guerreira<\/em>. \u201cOlhando para as mulheres e para suas hist\u00f3rias, nos vem uma inspira\u00e7\u00e3o e tanto para que a gente suba no palco e tente fazer a diferen\u00e7a e mostrar para essa mulherada que estamos juntas na luta\u201d, afirma Jamille. Em <em>Jurema<\/em>, m\u00fasica escrita pela zabumbeira Naiara, a tem\u00e1tica \u00e9 o empoderamento feminino, dentro e fora do forr\u00f3. No quarto verso, o trio manda o recado, mais claro imposs\u00edvel:&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><em>Mo\u00e7o, me deixa falar um bocado<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Tenho sede de trabalho e n\u00e3o ligo pra suor<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Penso que posso fazer da minha vida tudo que eu puder e quiser<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Apresento minha for\u00e7a, me chamo mulher<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Ainda \u00e9 dif\u00edcil, por\u00e9m, que essas letras sejam bem recebidas entre a parcela masculina dos forrozeiros. \u201cAs simples palavras \u2018forr\u00f3 feminista\u2019 j\u00e1 assustam as casas de show\u201d, relata Jamille, contando que muitos produtores deixam de apoiar o trio por se sentirem amea\u00e7ados e que acaba por deix\u00e1-las de fora de muitos circuitos. \u201cAcham que \u00e9 \u2018mimimi\u2019 de mulher, que \u00e9 um desafio. E n\u00e3o queremos cantar s\u00f3 pra feministas, mas tamb\u00e9m para homens n\u00e3o t\u00eam contato com o movimento. Mas \u00e9 dif\u00edcil que eles fiquem no p\u00fablico e ou\u00e7am at\u00e9 o final o que temos a dizer.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Para Janayna, nos \u00faltimos anos o protagonismo feminino no forr\u00f3 de fato cresceu, mas, assim como outras conquistas do movimento feminista, a passos de tartaruga. Int\u00e9rpretes s\u00e3o sim muitas, mas ainda h\u00e1 escassez de compositoras, o que n\u00e3o \u00e9 um problema exclusivo do ritmo. \u201c\u00c9 algo que remonta do cl\u00e1ssico, a irm\u00e3 do Mendelssohn, Fanny, era compositora, mas a fam\u00edlia era contra. Aqui no Brasil, a primeira compositora foi a Chiquinha Gonzaga. Depois dela, muito poucas. Parece que a mulher ainda n\u00e3o criou confian\u00e7a, mas talvez porque essa confian\u00e7a n\u00e3o tenha sido dada a ela.\u201d&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Recordando o movimento sufragista do come\u00e7o do s\u00e9culo XX, ela v\u00ea que, no fundo, as lutas n\u00e3o mudaram muito de l\u00e1 para c\u00e1. \u201cN\u00f3s agora podemos trabalhar, mas ainda n\u00e3o temos equipara\u00e7\u00e3o salarial. Uma banda de homem ganhava R$ 800 no KVA. A minha, R$ 600. Por qu\u00ea? Eu sempre achei estranho, nunca me conformei. Sempre fui a primeira a bater o p\u00e9 e dizer que se n\u00e3o tivesse o mesmo sal\u00e1rio, eu parava de ir.\u201d&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Cultura de quem?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo com tantos anos de carreira, o maior desafio de Janayna, agora solo, ainda \u00e9 conquistar seu lugar de fala no meio enquanto mulher. Em festivais de forr\u00f3, para cada artista feminina convidada, existem outros dez masculinos, ela diz. Jamille completa: \u201cParece que a gente entra na cota, para eles poderem dizer \u2018A\u00ed, t\u00e1 vendo? Tamb\u00e9m apoiamos as mulheres\u2019. Mas a verdade \u00e9 que os homens ainda t\u00eam mais apoio e at\u00e9 mais p\u00fablico, porque muitas vezes as pr\u00f3prias mulheres n\u00e3o fortalecem nosso forr\u00f3.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Mas ambas reconhecem que a desvaloriza\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m se d\u00e1 de outras formas. \u201cA gente ganha mal, tudo \u00e9 feito com muito amor, mas pouca estrutura. Isso cansa. Eu fico puta porque acho que existe um certo desd\u00e9m com isso. Como \u00e9 que a m\u00fasica nordestina tradicional n\u00e3o tem valor?\u201d, indigna-se Janayna.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Para quem \u00e9 artista independente como a Cabra \u00e9 F\u00eamea, a estrada \u00e9 ainda mais espinhosa. Sem suporte de patrocinadores ou mesmo de uma produtora, as meninas contam com o suporte de amigos e tiram sempre do pr\u00f3prio bolso a grana para seus projetos. \u201cFazemos tudo na ra\u00e7a e caminhamos sozinhas, ent\u00e3o \u00e9 preciso muita for\u00e7a de vontade e coragem para prosseguir assim. Se n\u00e3o lutarmos, n\u00e3o conseguimos sobreviver.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-color has-very-dark-gray-color\">De uns tempos para c\u00e1, at\u00e9 o S\u00e3o Jo\u00e3o, indiscutivelmente \u00e9poca de forr\u00f3, tem sido disputado por artistas de outros segmentos. Em 2016, foi divulgado pelo <a href=\"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/noticia\/viver\/2016\/06\/de-r-200-a-r-575-mil-saiba-quanto-os-artistas-ganham-no-sao-joao-de.html\"><span class=\"has-inline-color has-vivid-cyan-blue-color\">Di\u00e1rio de Pernambuco<\/span><\/a> que Bell Marques, do ax\u00e9, recebia R$ 280 mil para se apresentar em festas juninas de Caruaru, enquanto nomes consolidados do forr\u00f3 como Jorge de Altinho e Adelm\u00e1rio Coelho ganhavam, respectivamente, R$ 85 mil e R$ 70 mil. Elba Ramalho, a mulher mais bem paga da lista, tinha o cach\u00ea de R$ 190 mil.<\/p>\n\n\n\n<p>C\u00e1 no Sudeste, n\u00e3o \u00e9 diferente. Em 2012, ano do Centen\u00e1rio de Luiz Gonzaga, a Virada Cultural n\u00e3o tinha um palco dedicado ao forr\u00f3, e o Bicho de P\u00e9 s\u00f3 conseguiu participar do evento por j\u00e1 ser uma banda de m\u00e9dio porte com contatos na Secretaria de Cultura. Mesmo assim, no meio do show, Janayna n\u00e3o se segurou e chamou aten\u00e7\u00e3o dos organizadores para a vergonha que era n\u00e3o ter um palco de forr\u00f3 em uma cidade com tantos nordestinos. \u201cFicaram tr\u00eas anos sem me chamar. Por causa de show eu n\u00e3o fa\u00e7o quest\u00e3o, mas me importa a visibilidade do movimento. Como \u00e9 que se tem um palco de m\u00fasica alternativa e n\u00e3o tem de forr\u00f3? Era s\u00f3 m\u00fasica de branco. N\u00e3o era cultural? Ent\u00e3o cad\u00ea a cultura? E cultura de quem? Do povo que voc\u00eas querem que a gente seja ou do povo que a gente \u00e9?\u201d<\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>Por Gabriela Teixeira<\/strong><br>gabrielatsaraujo@usp.br<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Mulheres forrozeiras enfrentam machismo e desvaloriza\u00e7\u00e3o para conquistar seu espa\u00e7o no cen\u00e1rio musical Foi crian\u00e7a que Janayna Pereira teve contato com o forr\u00f3 \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/?p=148\"> <\/a>","protected":false},"author":36,"featured_media":149,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-148","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-revista-babel-junho-2020"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v19.10 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>O xote das meninas - 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