{"id":1463,"date":"2024-12-06T17:00:13","date_gmt":"2024-12-06T20:00:13","guid":{"rendered":"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/?p=1463"},"modified":"2024-12-11T12:11:34","modified_gmt":"2024-12-11T15:11:34","slug":"oscar-2024-o-cinema-brasileiro-ainda-esta-aqui","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/?p=1463","title":{"rendered":"O cinema brasileiro Ainda Est\u00e1 Aqui?"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-weight: 400;\">Rebobina. O vestido, com duas faixas de brilhantes que se estendiam pelo peito, acobertado por um palet\u00f3 escuro, era preto. O smoking, desabotoado, acompanhado de uma gravata borboleta igualmente escura, tamb\u00e9m. Ela, Fernanda, era a primeira atriz latino-americana a entrar naquele teatro com outro prop\u00f3sito que n\u00e3o assistir \u00e0 cerim\u00f4nia. Ele, Walter, j\u00e1 era o quarto diretor brasileiro a concorrer a Melhor Filme Internacional \u2014 o terceiro em quatro anos. Por tr\u00e1s de Fernanda e Walter, a Sony Pictures Classics, que patrocinava a festa.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Corta. Agora o smoking \u00e9 abotoado. Ainda preto, ele deixa espa\u00e7o somente ao pesco\u00e7o e ao topo da cauda de uma gravata slim escura. O vestido tamb\u00e9m permanece preto. Mas, desta vez, com um grosso colar de brilhantes ao redor da gola \u2014 sem agasalho.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ele, Walter, quer pisar no teatro mais uma vez, ainda como o quarto brasileiro de sua qualidade \u2014 o primeiro em 25 anos. Ela, Fernanda, sonha em se tornar a oitava latino-americana, e segunda da fam\u00edlia, a fazer o mesmo. Por tr\u00e1s de Walter e Fernanda, a Sony Pictures Classics, que pretende patrocinar uma nova festa.<\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_1464\" aria-describedby=\"caption-attachment-1464\" style=\"width: 530px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-1464\" title=\"Oscar 1999: Vinicius de Oliveira, Fernanda Montenegro, Walter Salles\" src=\"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Central_do_Brasil_no_Oscar_1999-e1733457012408.jpeg\" alt=\"Oscar 1999: Vinicius de Oliveira, Fernanda Montenegro, Walter Salles\" width=\"530\" height=\"380\" srcset=\"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Central_do_Brasil_no_Oscar_1999-e1733457012408.jpeg 371w, https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Central_do_Brasil_no_Oscar_1999-e1733457012408-300x215.jpeg 300w, https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Central_do_Brasil_no_Oscar_1999-e1733457012408-120x85.jpeg 120w\" sizes=\"auto, (max-width: 530px) 100vw, 530px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-1464\" class=\"wp-caption-text\">Vin\u00edcius de Oliveira, Fernanda e Walter, com seus smokings e vestido pretos, no tapete vermelho do Oscar de 1999 (Foto: Wikimedia)<\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Durante o Governors Awards 2024, evento de gala que antecipa a pr\u00e9-sele\u00e7\u00e3o do Oscar, nem o vestido, muito menos Fernanda, aquela com brilhantes ao redor da gola, viraram not\u00edcia apenas no Brasil. Eles rodaram o mundo.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Com quase 3 milh\u00f5es de curtidas e mais de 800 mil coment\u00e1rios <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/p\/DChnVHMxyBD\/\">no Instagram<\/a>, a foto viralizou e expressou uma mensagem \u00e0 Academia, n\u00e3o s\u00f3 de Fernanda e Walter, como do p\u00fablico brasileiro: \u201cAinda Estou Aqui\u201d.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O lembrete ajuda a refrescar a mem\u00f3ria de quem, diferente de voc\u00ea, leitor, n\u00e3o pulou um quarto de s\u00e9culo de um par\u00e1grafo para o outro \u2014 e, pior, n\u00e3o tem Fernanda e Walter no imagin\u00e1rio. Isso porque, desde que <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Central do Brasil<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> recebeu sua indica\u00e7\u00e3o ao Oscar de Melhor Filme Internacional em 1999, o pa\u00eds entrou na geladeira. De l\u00e1 para c\u00e1, apareceu uma \u00fanica vez na pr\u00e9-lista, em 2008, com <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">O Ano em que Meus Pais Sa\u00edram de F\u00e9rias<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, de Cao Hamburguer.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Neste mesmo intervalo, o M\u00e9xico atendeu a cinco cerim\u00f4nias, faturando uma estatueta; os <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">hermanos<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> a quatro, levando uma para casa; o Chile apareceu em duas, com um t\u00edtulo na conta; a Col\u00f4mbia em outra; e at\u00e9 o Peru deu as caras, em 2010.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">De Fernanda a Fernanda, o que explica a aus\u00eancia dos brasileiros no tapete vermelho?\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Em busca da resposta, a Babel mergulhou na quest\u00e3o com quatro entendidos do assunto: um diretor, uma especialista em campanhas, um estudioso e um cr\u00edtico \u2014 que est\u00e1 aqui do lado, se chama <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/@dalenogarecriticas\">Waldemar Dalenogare<\/a> e sintetiza a resposta: \u201cN\u00e3o apenas qualidade ganha um Oscar, mas distribui\u00e7\u00e3o e investimento\u201d.<\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_1468\" aria-describedby=\"caption-attachment-1468\" style=\"width: 670px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-1468 \" title=\"Sulamericanos indicados ao Oscar de Melhor Filme Internacional\" src=\"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Oscar-America-Latina-1-e1733457174940.png\" alt=\"Sulamericanos indicados ao Oscar de Melhor Filme Internacional\" width=\"670\" height=\"348\" srcset=\"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Oscar-America-Latina-1-e1733457174940.png 962w, https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Oscar-America-Latina-1-e1733457174940-300x156.png 300w, https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Oscar-America-Latina-1-e1733457174940-768x399.png 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 670px) 100vw, 670px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-1468\" class=\"wp-caption-text\">Pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina indicados ao Oscar de Melhor Filme Internacional nos \u00faltimos 25 anos de \u201chiato\u201d brasileiro. (Arte: Flourish)<\/figcaption><\/figure>\n<h2><b>O processo de sele\u00e7\u00e3o<\/b><\/h2>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A virada do s\u00e9culo marcou a profissionaliza\u00e7\u00e3o das comiss\u00f5es de sele\u00e7\u00e3o de Melhor Filme Internacional em diversos pa\u00edses \u2014 com elei\u00e7\u00e3o de membros, delimita\u00e7\u00e3o de calend\u00e1rio, divis\u00e3o em etapas e defini\u00e7\u00e3o de m\u00e9todos de escolha. Mas, para Dalenogare, o Brasil n\u00e3o virou o s\u00e9culo. \u201cO que tem sido feito no Brasil desde ent\u00e3o <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">\u00e9 um processo que todo mundo fazia nos anos 1990\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">E era assim: at\u00e9 2017, a escolha do representante brasileiro no Oscar passou por diferentes \u00f3rg\u00e3os do governo, como o Minist\u00e9rio da Cultura e a Secretaria do Audiovisual. Mas, depois da quizila com <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Aquarius<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, em 2016 \u2014 que deixou de ser indicado ap\u00f3s o elenco se manifestar publicamente contra o governo no Festival de Cannes \u2014, o Estado demitiu a si pr\u00f3prio do cargo e a Academia Brasileira de Cinema e Artes Audiovisuais (ABCAA) assumiu o posto.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">No roteiro, era por um bom motivo \u2014 mas n\u00e3o foi bem adaptado. A mudan\u00e7a, chancelada pela Academia de Artes e Ci\u00eancias Cinematogr\u00e1ficas (Ampas), pretendia evitar interfer\u00eancias pol\u00edticas na sele\u00e7\u00e3o. Como foi, justamente, na murmurada escolha de <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Pequeno Segredo <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">em 2016 ante <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Aquarius<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, ou ent\u00e3o <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Lula, o Filho do Brasil<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> em 2009, que tecia loas ao governo da \u00e9poca.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">No entanto, n\u00e3o eram apenas as \u201ccartas marcadas\u201d que, segundo o cr\u00edtico, jogavam contra a sorte dos brasileiros. A tradi\u00e7\u00e3o nacional de deixar tudo para a \u00faltima hora tamb\u00e9m nunca ajudou \u2014 e continuou n\u00e3o ajudando.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Neste ano, por exemplo, o escolhido do Brasil, <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Ainda Estou Aqui<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, foi anunciado em 23 de setembro. Ou seja, apenas nove dias antes do prazo final de submiss\u00e3o para o Oscar, 2 de outubro \u2014 uma m\u00e9dia que acompanha a comiss\u00e3o na \u00faltima d\u00e9cada e \u201crefor\u00e7a o nosso jeitinho brasileiro\u201d, opina Dalenogare.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Por contraste, pa\u00edses como Fran\u00e7a, Argentina e Coreia do Sul iniciam o processo no primeiro semestre e enviam seus representantes, no mais tardar, at\u00e9 o final de agosto \u2014 com mais de um m\u00eas de anteced\u00eancia. Tempo suficiente para organizar um churrasco ou, quem sabe, concorrer ao pr\u00eamio.<\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_1470\" aria-describedby=\"caption-attachment-1470\" style=\"width: 670px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-1470 \" title=\"Data de envio do representante brasileiro ao Oscar de Melhor Filme Internacional\" src=\"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Anuncio-Festival.jpg\" alt=\"Data de envio do representante brasileiro ao Oscar de Melhor Filme Internacional\" width=\"670\" height=\"485\" srcset=\"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Anuncio-Festival.jpg 794w, https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Anuncio-Festival-300x217.jpg 300w, https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Anuncio-Festival-768x556.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 670px) 100vw, 670px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-1470\" class=\"wp-caption-text\">Datas de envio do representante brasileiro ao Oscar de Melhor Filme Internacional frente ao \u00faltimo dia do Festival de Veneza. (Arte: Flourish)<\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">E, quem diria, o Oscar ajuda quem cedo madruga. Para o especialista em cinema <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/felipehaurelhuk\/\">Felipe Haurelhuk<\/a>, o ganho de calend\u00e1rio faz toda a diferen\u00e7a porque possibilita utilizar festivais como Toronto (at\u00e9 5 de setembro) e Veneza (at\u00e9 7 de setembro) de vitrine das produ\u00e7\u00f5es. Algo que <\/span><b>n\u00e3o <\/b><span style=\"font-weight: 400;\">ocorreu com <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Ainda Estou Aqui<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">No formato atual, o comit\u00ea \u00e9 composto por 25 membros, que dedicam menos de dois meses para assistir, debater e escolher entre mais de 20 longas inscritos. \u201cCom um grupo t\u00e3o grande e em t\u00e3o pouco tempo, voc\u00ea dilui o processo, e a escolha frequentemente prioriza o &#8216;filme mais bonito&#8217; em vez do mais competitivo\u201d, explica.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Em vez de se programar, o Brasil prefere apostar nos seus 200 milh\u00f5es de habitantes que, nas m\u00e3os do acaso, s\u00e3o talvez-cineastas, talvez-atores e outros tantos \u201ctalvezes\u201d. Assim, faz de uma vaga \u2014 que apesar de incerta, \u00e9 alcan\u00e7\u00e1vel \u2014 loteria. Tal como em tudo-que-n\u00e3o-futebol, dependemos de exce\u00e7\u00f5es \u00e0 regra.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Exce\u00e7\u00f5es como Fernandas e Walters, menos plurais do que indicam os \u201c\u00e9sses\u201d em seus nomes, que por m\u00e9rito pr\u00f3prio internacionalizam seu cinema, chamam a aten\u00e7\u00e3o de Sonys \u2014 com \u201c\u00e9sse\u201d ainda mais raro. S\u00f3, ent\u00e3o, fruto do acaso, eles podem colocar seus ternos e vestidos para mostrar, uma vez a cada 25 anos, que ainda estamos aqui.<\/span><\/p>\n<h2><b>A import\u00e2ncia da distribui\u00e7\u00e3o: o filme precisa ser visto<\/b><\/h2>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00c9 de comum acordo que n\u00e3o chega ao Oscar quem n\u00e3o vai \u2014 e corre uma maratona com c\u00e2mera e microfone na m\u00e3o, at\u00e9 ser deportado \u2014 aos Estados Unidos. A especialista em campanhas <a href=\"https:\/\/www.sakaepr.com\/\">Juliana Sakae<\/a> explica que a distribui\u00e7\u00e3o no territ\u00f3rio americano \u00e9 quem tira o filme do anonimato e o faz ser conhecido pelos votantes. \u201c\u00c9 a diferen\u00e7a entre estar ou n\u00e3o na corrida para o Oscar. Significa competir\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Rebobina. De volta \u00e0 Fernanda \u2014 a Torres, aquela com brilhantes ao redor da gola. Sua foto e presen\u00e7a no Governors Awards cumprem parte deste papel. N\u00e3o h\u00e1 estatueta ganha, ou mesmo participa\u00e7\u00e3o garantida. Por\u00e9m, como diz Dalenogare, \u201cos votantes n\u00e3o s\u00e3o rob\u00f4s, nem ficam inertes\u201d. Agora ela \u00e9 conhecida, est\u00e1 em evid\u00eancia e pode ser vista por quem interessa.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Mas em praticamente qualquer um dos outros 25 anos entre <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Central do Brasil<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> e <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Ainda Estou Aqui<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, sem Fernanda, Walter e \u2014 ainda mais at\u00edpico \u2014 Sony Pictures Classics para atrair uma distribuidora e chegar aos Estados Unidos \u201c\u00e9 preciso se destacar entre mais de 80 longas, que miram uma shortlist de 15\u201d, lembra Haurelhuk.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ele se refere \u00e0 pr\u00e9-lista de Melhor Filme Internacional, que, neste ano, seleciona apenas 15 dos 85 filmes inscritos para uma segunda bateria de vota\u00e7\u00f5es. \u00c9 dela que saem os cinco finalistas que pisar\u00e3o na cerim\u00f4nia. Vale o post-it: para a shortlist, e somente nela, os votantes devem assistir a todos os longas selecionados. \u201cAntes disso, nada garante que voc\u00ea ser\u00e1 lembrado pelos membros\u201d, aponta Sakae.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">E, caso o processo de sele\u00e7\u00e3o da ABCAA<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"> n\u00e3o anuncie o representante antes da temporada de festivais, que come\u00e7a no in\u00edcio de setembro, \u201cas distribuidoras j\u00e1 ter\u00e3o escolhido suas apostas para o Oscar e, assim, voc\u00ea passa a brigar por uma vaga que n\u00e3o existe\u201d, complementa.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A partir da\u00ed, em vez de uma temporada de pr\u00eamios e exibi\u00e7\u00f5es, o filme \u00e9 fadado a uma temporada de negativas e frustra\u00e7\u00f5es. Sem uma ponte entre a produ\u00e7\u00e3o e as salas de cinema, o longa deixa de ser exibido em cidades estrat\u00e9gicas, como Los Angeles e Nova York, e se torna invis\u00edvel. \u201cScreenings [se\u00e7\u00f5es exclusivas] para votantes, ent\u00e3o, nem pensar\u201d, conta Sakae.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Tamb\u00e9m perde a chance de aparecer em ve\u00edculos como <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Variety<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Hollywood Reporter<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">IndieWire<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Deadline <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">e <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">New York Times<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">. \u201cIsso acontece, porque a imprensa se recusa a cobrir um filme que n\u00e3o esteja acess\u00edvel ao p\u00fablico local\u201d, justifica. Sem salas, sem reportagem.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Para as ag\u00eancias de rela\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, parte dois: o inimigo agora \u00e9 outro. Igualmente concorridas, a especialista conta que \u201cno come\u00e7o de setembro, os principais players do mercado j\u00e1 apadrinharam algu\u00e9m\u201d. Sua fun\u00e7\u00e3o \u00e9 pol\u00edtica: estabelecer la\u00e7os dentro da Academia, que possam conhecer o longa e divulg\u00e1-lo internamente.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Muitas vezes, os pr\u00f3prios agentes tamb\u00e9m s\u00e3o membros. \u201cE com 30 a 40 anos de mercado, s\u00e3o a ponte ideal para convidar outros votantes aos screenings e eventos promocionais\u201d, adiciona.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Contar com ambos \u2014 distribuidora e ag\u00eancia publicista \u2014 \u00e9 o conto de fadas que vive <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Ainda Estou Aqui<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">. Algo que apenas consegue ser reproduzido no Brasil, em 2024, pois h\u00e1 25 anos Walter estava de smoking preto, desabotoado, acompanhado de uma gravata borboleta igualmente escura, e outra Fernanda de vestido, tamb\u00e9m preto, com duas faixas de brilhantes que se estendiam pelo peito. S\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel, pois h\u00e1 25 anos e agora, a Sony Pictures Classics patrocina a festa.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Uma festa com pouca, ou quase nenhuma m\u00e3o, da Academia Brasileira de Cinema. Dalenogare gosta de lembrar que <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Ainda Estou Aqui<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> foi ao Festival de Veneza, realizado entre os dias 28 de agosto e 7 de setembro, j\u00e1 com distribui\u00e7\u00e3o nos Estados Unidos pela Sony, mas sem a indica\u00e7\u00e3o da ABCAA ao Oscar \u2014 o que restringiu sua repercuss\u00e3o internacional. \u201cEra uma escolha \u00f3bvia, e mesmo assim saiu atrasada\u201d.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Mas sem Walter Salles, Fernanda \u2014 Torres ou Montenegro \u2014 e Sony, temos o padr\u00e3o dos \u00faltimos 25 anos, parte deles enfrentados por Sakae. \u201cEm 2022, fiz parte da equipe que agenciou <i>Deserto Particular<\/i>, de Aly Muritiba, que conseguiu a Kino Lorber [distribuidora independente norte-americana] para a distribui\u00e7\u00e3o nos EUA\u201d<i>. <\/i>No ano seguinte, sem Sakae, <i>Marte Um<\/i>, de Gabriel Martins, fechou com a Magnolia Pictures (tamb\u00e9m independente)<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Por\u00e9m, sem presen\u00e7a na m\u00eddia, em screenings exclusivos e debates, os filmes n\u00e3o tiveram f\u00f4lego para competir com os grandes nomes do Oscar.\u00a0 Em 2020, ent\u00e3o, <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Babenco &#8211; Algu\u00e9m Tem Que Ouvir o Cora\u00e7\u00e3o e Dizer: Parou<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, de B\u00e1rbara Paz, mal conseguiu distribuidora internacional.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cO ideal seria, que imediatamente ap\u00f3s o an\u00fancio, o candidato fosse em todas as institui\u00e7\u00f5es que pudessem o ajudar financeiramente \u2014 como o Itamaraty, a Ancine, consulados internacionais e comiss\u00f5es f\u00edlmicas de suas cidades\u201d, aconselha Sakae. Logo em seguida, j\u00e1 deveria pular no pesco\u00e7o das ag\u00eancias publicistas e ir atr\u00e1s dos ex-concorrentes do Brasil \u201cpara tirar d\u00favidas e se fazer conex\u00f5es\u201d, complementa.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cMas o que, realmente, acontece?\u201d, pergunta de forma ret\u00f3rica. \u201cSem apoio ou mentoria, o candidato costuma chegar nessas fontes em dezembro\u201d. E agora, Jos\u00e9?<\/span><\/p>\n<h2><b>Quanto custa chegar ao Oscar?<\/b><\/h2>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Aqui, retornamos \u00e0 m\u00e1xima de Dalenogare: \u201cN\u00e3o apenas qualidade ganha um Oscar, mas distribui\u00e7\u00e3o e <\/span><b>investimento<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">\u201d. Sobre a quantia adequada, at\u00e9 \u00e9 poss\u00edvel delimitar um piso.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Segundo Sakae, uma campanha \u201csimples\u201d, que cumpra o checklist<\/span> <span style=\"font-weight: 400;\">de exibi\u00e7\u00f5es, apari\u00e7\u00e3o na m\u00eddia e eventos promocionais, n\u00e3o deve sair por menos de US$ 200 mil (e voc\u00ea acreditou que bastava uma c\u00e2mera na m\u00e3o e uma ideia na cabe\u00e7a). J\u00e1 o teto se vale da par\u00e1bola fundamental do cinema: o c\u00e9u \u00e9 o limite. Sen\u00e3o ele, o desespero por uma estatueta.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Rebobina. De volta a Walter e Fernanda, desta vez, Montenegro. Para a campanha de <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Central do Brasil<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, entre 1998 e 1999, a Sony Pictures Classics desembolsou U$ 250 mil (R$ 2,9 milh\u00f5es, convertidos pela infla\u00e7\u00e3o). Um valor j\u00e1 discrepante, se comparado aos R$ 200 mil investidos pela Ancine em <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Marte Um<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> em 2022 \u2014 quem sabe daqui a outros 25 anos valha alguma coisa.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Por\u00e9m, o principal concorrente daquela noite, <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">A Vida \u00c9 Bela<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, distribu\u00eddo pela Miramax (que, mais tarde, distribuiria <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Cidade de Deus<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">) subiu as cifras ao ponto de <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/fsp\/ilustrad\/fq22039903.htm#:~:text=Folha%20de%20S.,%22%20%2D%2022%2F03%2F99&amp;text=O%20filme%20concorria%20tamb%C3%A9m%20ao,1h45%20e%202h%20de%20hoje.\">virar pol\u00eamica \u00e0 \u00e9poca<\/a>. A distribuidora investiu <\/span><b>trinta e sete vezes <\/b><span style=\"font-weight: 400;\">mais que a Sony: foram US$ 9,25 milh\u00f5es.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A matem\u00e1tica \u2014 e a consequente inconformidade com o resultado \u2014 fica por sua conta e risco, leitor. Apenas saiba que o valor seria suficiente para produzir <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Central do Brasil<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, do zero, outras tr\u00eas vezes. Quem sabe em uma delas Fernanda vencia Gwyneth Paltrow.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Mas, novamente, a discrep\u00e2ncia n\u00e3o \u00e9 novidade. Em 2016, <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">O Menino e o Mundo<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, de <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/aleabreu____\/\">Al\u00ea Abreu<\/a>, chegou ao Oscar com todos os pr\u00e9-requisitos para competir pela estatueta de Melhor Filme de Anima\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Largou com uma dupla vit\u00f3ria, de p\u00fablico e j\u00fari, no Festival de Annecy. Depois, j\u00e1 garantiu uma distribuidora americana, a GKIDS. Estruturado, exibiu o longa em Nova York e Los Angeles, e forneceu entrevistas \u00e0s principais revistas. O filme at\u00e9 foi indicado como o favorito do <a href=\"https:\/\/www.nytimes.com\/2015\/12\/11\/movies\/review-boy-and-the-world-a-colorful-and-stirring-animated-journey.html\">New York Times<\/a>, recebendo o apelido de \u201cOutside In\u201d, trocadilho infame \u2014 mas condizente \u00e0 reportagem \u2014 com o representante da Pixar, <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Divertida Mente <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">(<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Inside Out<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, no original).\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">No entanto, como conta Abreu, no dia de seu screening com os votantes, \u201ca distribuidora concorrente\u201d, disse sem citar nomes, anunciou uma exibi\u00e7\u00e3o para o mesmo hor\u00e1rio \u2014 mas com presen\u00e7as VIPs, coquet\u00e9is e outros atrativos.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cEnquanto isso, a de <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">O Menino e o Mundo<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> era somente o filme e uma entrevista comigo, ao final\u201d, relembra acompanhado de um breve suspiro, que n\u00e3o tirou o sorriso do rosto. Hoje, Abreu reconhece o jogo de poder e serve de exemplo como o Oscar \u00e9 jogado, tamb\u00e9m, nos bastidores.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">No Brasil, a Ancine oferece um programa de apoio financeiro com valores limitados, geralmente entre R$ 100 mil e R$ 200 mil \u2014 convertendo, s\u00e3o de US$ 18 mil a US$ 35 mil. Chamar de dinheiro de pinga \u00e9 exagero.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cUma sess\u00e3o exclusiva para membros da Academia, com coquetel, custa US$ 10 mil\u201d, diz Haurelhuk. \u201cUm an\u00fancio em uma revista como a <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">LA Times<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, outros US$ 9 mil a US$ 20 mil. Uma ag\u00eancia de rela\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, ent\u00e3o, pelo menos mais US$ 15 mil. A verba acaba na metade do processo\u201d.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O caso de <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Marte Um<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> ilustra bem essa realidade. Apesar de receber o teto de R$ 200 mil da Ancine, os produtores fizeram as contas e entenderam que para se lan\u00e7ar aos Estados Unidos, como diz Sakae, \u201ctem que ser criativo\u201d.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Foi preciso buscar apoio adicional em institui\u00e7\u00f5es, empresas privadas e at\u00e9 vaquinhas. No total, conseguiram arrecadar cerca de US$ 200 mil \u2014 o suficiente para uma divulga\u00e7\u00e3o simples do ponto de vista norte-americano, mas muito impactante comparado a outros candidatos brasileiros. Apesar dos esfor\u00e7os, o longa n\u00e3o chegou \u00e0 pr\u00e9-lista daquele ano.<\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_1471\" aria-describedby=\"caption-attachment-1471\" style=\"width: 550px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-1471 \" title=\"Vaquinha para campanha de Oscar\" src=\"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/vakinha.png\" alt=\"Vaquinha para campanha de Oscar\" width=\"550\" height=\"341\" srcset=\"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/vakinha.png 512w, https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/vakinha-300x186.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-1471\" class=\"wp-caption-text\">Defini\u00e7\u00e3o do que \u00e9 \u201cser criativo\u201d em uma campanha de Oscar. (Foto: Arquivo)<\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O caso evidencia o que Sakae trata como regra: \u201cUma distribui\u00e7\u00e3o internacional de sucesso deve ter, al\u00e9m da qualidade, tempo ou dinheiro. Pois se falta tempo, o dinheiro paga o dobro; e se falta dinheiro, usamos o tempo para encontr\u00e1-lo. O que n\u00e3o pode \u00e9 faltar os dois \u2014 mas falta\u201d.\u00a0<\/span><\/p>\n<h2><b>Existe filme \u2018para o Oscar\u2019?<\/b><\/h2>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Mas se houver tempo \u2014 de escolha, distribui\u00e7\u00e3o e exibi\u00e7\u00e3o \u2014 e dinheiro que financie suas etapas, devemos, tamb\u00e9m, olhar para a qualidade? Este atributo, que parece perseguir Fernandas e Walter, segue algum padr\u00e3o para atrair os olhos da Academia, que n\u00e3o os vestidos e smokings pretos? Segundo Dalenogare, \u00e9 poss\u00edvel que sim.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O cr\u00edtico defende a indica\u00e7\u00e3o de obras que versam temas universais \u2014 fugindo de narrativas centradas em personalidades internas (<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">2 Filhos de Francisco <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">que o diga). \u201cNem sempre o melhor filme local ser\u00e1 o melhor para o Oscar. \u00c9 o que o comit\u00ea da Alemanha adota h\u00e1 mais de uma d\u00e9cada e chama de filme de exporta\u00e7\u00e3o\u201d. O resultado \u00e9 vis\u00edvel: s\u00e3o dez indica\u00e7\u00f5es nos \u00faltimos 25 anos.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Votante na categoria de Melhor Filme Internacional desde 2017, Abreu confessa acreditar que os membros da comiss\u00e3o brasileira ainda n\u00e3o \u201centenderam o Oscar\u201d, e dobra a aposta. \u201cN\u00e3o vou dizer que a qualidade n\u00e3o importa. Pelo contr\u00e1rio, sem ela, n\u00e3o adianta jogar o longa na m\u00e1quina e esper\u00e1-la girar\u201d.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A \u201cm\u00e1quina\u201d, citada pelo diretor, n\u00e3o \u00e9 a que rodou as grava\u00e7\u00f5es de <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Ainda Estou Aqui<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, tampouco a que tirou a foto de Fernanda Torres e seu vestido durante o Governors Awards 2024. Mas sim o conjunto de regras e prefer\u00eancias escondido atr\u00e1s da Academia. Uma m\u00e1quina que considera tempo, dinheiro e, conforme Abreu, \u201ca linguagem e universalidade de um filme\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Sil\u00eancio no set \u2014 corte do diretor. N\u00e3o \u00e9 porque o processo de sele\u00e7\u00e3o \u00e9 matem\u00e1tico que o cineasta deve ser engenheiro. N\u00e3o, ele \u00e9 poeta. \u201cProduzir um longa \u2018para ganhar o Oscar\u2019 \u00e9 um tiro no p\u00e9 de qualquer artista. Nosso papel \u00e9 o contr\u00e1rio: escutar o filme enquanto o criamos\u201d. O mesmo vale para sua identidade. \u201cVoc\u00ea pode filmar em Marte, que ainda falar\u00e1 sobre o bairro. Isso \u00e9 ser universal\u201d.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">De volta \u00e0 cena \u2014\u00a0 c\u00e2mera rolando. Entrar na m\u00e1quina \u00e9, tamb\u00e9m, timing \u2014 algo raro \u00e0 pontualidade brit\u00e2nica \u00e0s avessas que temos por aqui. \u201cEm 2015, meu distribuidor cancelou o lan\u00e7amento de <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">O Menino e o Mundo <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">porque \u2018o ano n\u00e3o era para mim\u2019. A vaga em disputa j\u00e1 estava certa para o Studio Ghibli, com <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">O Conto da Princesa Kaguya<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">. Dito e feito. Esperamos 2016 e chegamos ao Oscar\u201d.<\/span><\/p>\n<h2><b>Mas o Brasil realmente quer o Oscar?\u00a0<\/b><\/h2>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Rebobina. O vestido, agora, era prateado, com uma not\u00e1vel barra rosada em sua extremidade. Tinha mangas compridas e um amplo decote, que deixava o busto \u00e0 mostra, abrindo espa\u00e7o para um colar de brilhantes. Apesar de longo, era arejado. Afinal, fazia calor \u2014 como \u00e9 costume no Rio de Janeiro.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Em p\u00e9, de frente a um p\u00falpito curvado, preto, como a cor dos vestidos de Fernandas ou dos smokings de Walter, ela: Renata Almeida Magalh\u00e3es, rec\u00e9m-eleita diretora presidente da Academia Brasileira de Cinema. Come\u00e7ava a 21\u00b0 edi\u00e7\u00e3o do Grande Pr\u00eamio do Cinema Brasileiro.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Para exaltar \u2014 de antem\u00e3o \u2014 todos aqueles que n\u00e3o sairiam da Cidade das Artes, na Barra da Tijuca, em festa, Renata <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/live\/epqvDs11pok?si=YA9LxbmZQykiG3rJ&amp;t=5674\">escolheu falar de Oscar<\/a>. Ou melhor, de n\u00e3o-Oscar. \u201cClaro que todo mundo quer ganhar pr\u00eamio. Por\u00e9m, devo lembrar que <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Cantando na Chuva <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">n\u00e3o levou o Oscar \u2014 sequer concorreu a Melhor Filme. Hitchcock tamb\u00e9m n\u00e3o, Godard tampouco, nem Orson Welles. Mas de quem lembramos agora?\u201d.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A provoca\u00e7\u00e3o, recebida em sil\u00eancio pelo p\u00fablico na Barra, passa uma mensagem de indiferen\u00e7a ao Oscar que n\u00e3o surpreende Dalenogare, Haurelhuk ou Sakae. Pelo contr\u00e1rio, at\u00e9 justifica o descaso da institui\u00e7\u00e3o em profissionalizar seu comit\u00ea de Melhor Filme Internacional.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Para Sakae, a Academia tem o direito de pensar o Oscar como bem quiser. \u201cMas, se realmente acredita que os mais maravilhosos filmes nunca ser\u00e3o reconhecidos, ent\u00e3o deveria abrir m\u00e3o de selecion\u00e1-los\u201d. No seu lugar, indica a especialista, \u201cexistem institui\u00e7\u00f5es prontas para construir uma rede de apoio e fazer acontecer\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Corta \u2014 agora para Dalenogare. \u201cSe depend\u00eassemos do m\u00e9todo de sele\u00e7\u00e3o do Brasil, <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Ainda Estou Aqui <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">estaria, agora, correndo atr\u00e1s de uma se\u00e7\u00e3o qualquer nos Estados Unidos. O fen\u00f4meno de Walter e Fernanda \u00e9 algo que acontece <\/span><b>apesar<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> da Academia Brasileira de Cinema\u201d.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">E se por profundo desinteresse, desleixo ou protesto, insistirmos nos mesmos erros de sempre, nosso cinema continuar\u00e1 tendo que relembrar o mundo, de Fernanda em Fernanda, que <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Ainda Estamos Aqui<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Porque entre olhares. O indiferente, desconsolado e ing\u00eanuo de uma ex-professora que ganha a vida transcrevendo cartas para analfabetos; e o vazio, n\u00e1ufrago sem ilha, de algu\u00e9m que lutou a vida inteira por algo que n\u00e3o lhe pertence mais: a mem\u00f3ria. Correram, sem lembran\u00e7as, 25 anos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Neste meio tempo, os smokings e vestidos \u2014 sejam eles pretos ou prateados \u2014 bastaram-se nos teatros do Rio de Janeiro. Porque, desde ent\u00e3o, o mais adequado t\u00edtulo de Marcelo Rubens Paiva ao cinema nacional n\u00e3o \u00e9 o tantas vezes repetido por esta e outras reportagens. Mas outro: <\/span><b><i>Feliz Ano Velho<\/i><\/b><span style=\"font-weight: 400;\">.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Investigamos o porqu\u00ea do Brasil enfrentar dificuldades para voltar ao Oscar e como a campanha de &#8220;Ainda Estou Aqui&#8221; \u00e9 uma exce\u00e7\u00e3o \u00e0 regra.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/?p=1463\"> 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