{"id":1453,"date":"2024-12-05T23:35:04","date_gmt":"2024-12-06T02:35:04","guid":{"rendered":"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/?p=1453"},"modified":"2024-12-23T13:39:35","modified_gmt":"2024-12-23T16:39:35","slug":"caotico-e-escondido-entre-as-ladeiras-do-butanta-bumba-meu-boi-do-morro-do-querosene-sobrevive-ha-37-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/?p=1453","title":{"rendered":"Escondido entre as ladeiras do Butant\u00e3, Bumba-meu-boi do Morro do Querosene sobrevive h\u00e1 37 anos"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-weight: 400;\"><em><span style=\"font-size: 10pt;\">Bumba-Meu-Boi de Pindar\u00e9. Foto tirada durante a grava\u00e7\u00e3o do programa Dan\u00e7as Brasileiras da TV Futura &#8211; Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\/Maria Eugenia Tita<\/span><\/em><\/span><\/p>\n<p>Em ruas de ladeira abarrotadas de gente, curiosos se movem em atropelo para chegar \u00e0 rotat\u00f3ria que d\u00e1 movimento \u00e0 Vila Pirajussara, bairro de S\u00e3o Paulo conhecido como Morro do Querosene, em novembro. Um foco de fuma\u00e7a paira entre as cabe\u00e7as afoitas, mas o som ainda n\u00e3o come\u00e7ou. Ao atravessar parte da multid\u00e3o, o primeiro vislumbre \u00e9 do pandeir\u00e3o, tambor circular revestido de couro que precisa ser aquecido na fogueira para afinar o som das batidas que vir\u00e3o.<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ao lado do instrumento, um cantador se prepara com o microfone. \u00c9 o m\u00fasico respons\u00e1vel pelas toadas do Bumba-meu-boi. Com o balan\u00e7o de seu marac\u00e1, um pequeno chocalho de metal, ele anuncia o in\u00edcio da festa ao entoar o Canto da Sereia, m\u00fasica original de seu repert\u00f3rio.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Uma grande roda se forma nas proximidades da Rua Dr. C\u00edcero de Alencar, 305, suficientemente grande para que qualquer um note o contraste entre os que observam, de roupas comuns, bebidas e celulares na m\u00e3o, e a atra\u00e7\u00e3o que vieram prestigiar: homens e mulheres com roupas bordadas com mi\u00e7anga e paet\u00ea, chap\u00e9us de fita, grandes cocares e saiotes de pena e, \u00e9 claro, a representa\u00e7\u00e3o colorida de um boi que espirala entre eles, uma grande carca\u00e7a movida por algu\u00e9m que quase n\u00e3o aparece, chamado de miolo, para dar \u00eanfase ao protagonista da festa.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Os olhares revelam que \u00e9 a primeira vez de muitos dos visitantes do Morro vendo uma manifesta\u00e7\u00e3o cultural tradicional. \u00c9 dif\u00edcil encontrar algo parecido em S\u00e3o Paulo. A brincadeira, como esse tipo de festa \u00e9 popularmente chamado, foi trazida para a capital paulistana em 1984 pelo musicista maranhense Ti\u00e3o Carvalho, que atua como coordenador cultural, mestre e amo-cantador do grupo. O amo \u00e9 quem comanda a festa com a m\u00fasica, e para isso \u00e9 preciso incorporar o personagem que \u00e9 dono do boi dan\u00e7ante.<br \/>\n<\/span><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Grupo Cupua\u00e7u - Canto da Sereia\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/rgMNUwwoky8?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Antes da aglomera\u00e7\u00e3o para ver a companhia dan\u00e7ar, h\u00e1 a parafern\u00e1lia da brincadeira de rua, com direito a crian\u00e7as arteiras correndo sem parar e viajantes chegando do Maranh\u00e3o, do Pernambuco e do Cear\u00e1 para comungar da festa com os moradores do bairro, muitos dos quais tamb\u00e9m vieram, h\u00e1 muito, de outros estados, principalmente do Nordeste.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Os vizinhos, num falat\u00f3rio ansioso, costumam compartilhar comida entre si, e d\u00e1 para enxergar a arruma\u00e7\u00e3o das barracas de ambulantes que ir\u00e3o vender de \u2018\u2018um tudo\u2019\u2019, desde que feito \u00e0 m\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A morte do boi, esta \u00faltima etapa da festa que \u00e9 quadrimestral e dividida em tr\u00eas fases, \u00e9 uma cerim\u00f4nia religiosa que come\u00e7a de dia e continua noite adentro. O Grupo Cupua\u00e7u &#8211; Centro de Estudos de Dan\u00e7as Populares Brasileiras, comandado por Ti\u00e3o, \u00e9 quem organiza os preparativos desde 1987, quando o Bumba-meu-boi trazido do Maranh\u00e3o foi autorizado pela Prefeitura de S\u00e3o Paulo a fazer arrua\u00e7a at\u00e9 tarde da madrugada.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Quem v\u00ea o cen\u00e1rio como est\u00e1 posto, de uma festa alegre e descontra\u00edda, talvez n\u00e3o imagine que para cri\u00e1-lo houve um percal\u00e7o de viol\u00eancia vencido pela vontade de fazer cultura popular.<\/span><\/p>\n<p><b><br \/>\nO boi que aprendeu a cantar<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O folguedo que hoje conta com uma ades\u00e3o expressiva em S\u00e3o Paulo tem uma longa hist\u00f3ria, que remonta \u00e0s ra\u00edzes negras e ind\u00edgenas do Maranh\u00e3o, com um qu\u00ea de sincretismo com o catolicismo. Sua import\u00e2ncia \u00e9 tamanha que a festa chegou a ser reconhecida pela Unesco como <\/span><a href=\"https:\/\/www.unesco.org\/pt\/articles\/bumba-meu-boi-do-maranhao-agora-e-patrimonio-cultural-imaterial-da-humanidade#:~:text=O%20Complexo%20Cultural%20do%20Bumba,nesta%20semana%20em%20Bogot%C3%A1%2C%20Col%C3%B4mbia.\"><span style=\"font-weight: 400;\">patrim\u00f4nio cultural imaterial da humanidade<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">H\u00e1 manifesta\u00e7\u00f5es parecidas e de origem comum em todo o Brasil, mas que acabaram se modificando pelo contexto hist\u00f3rico-geogr\u00e1fico dos estados em que acontecem, como o Boi-bumb\u00e1, que comp\u00f5e o Festival Folcl\u00f3rico de Parintins, no Amazonas, o Boi Surubim, do Cear\u00e1, o Boi de Reis, do Rio Grande do Norte e outros.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Em todos os tipos, a festa gira em torno de uma encena\u00e7\u00e3o teatral, cantada e dan\u00e7ada, que narra a hist\u00f3ria de um boi especial, morto pelo empregado de uma fazenda, o Pai Francisco, para satisfazer a vontade de sua mulher gr\u00e1vida, Catirina. Nessa narrativa, aparecem in\u00fameros personagens, como o patr\u00e3o, os vaqueiros do fazendeiro, os caboclos guerreiros, o doutor e o paj\u00e9. Cada lugar em que a brincadeira acontece desenvolve o seu modo de faz\u00ea-la, alterando ou adicionando personagens, modificando a hist\u00f3ria e por a\u00ed vai.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">No Morro do Querosene n\u00e3o podia ser diferente. Ti\u00e3o Carvalho, quando chegou na capital paulistana para trabalhar com arte e se fixou na Vila Pirajussara, n\u00e3o pensava em fazer a festa do boi. At\u00e9 ent\u00e3o, era dan\u00e7arino e professor de dan\u00e7a, mas sempre esteve envolvido em brincadeiras de Bumba-meu-boi por conta da fam\u00edlia, que o inseriu nesse universo desde a inf\u00e2ncia.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Foram os seus alunos e amigos do bairro que o convenceram. \u2018\u2018Na \u00e9poca diziam que o bairro era muito perigoso, que tinha muita viol\u00eancia, ent\u00e3o eu n\u00e3o pensava em fazer a festa. Mas se voc\u00ea olhar hoje, mudou totalmente a cara da comunidade. Somos conhecidos como um polo cultural\u2019\u2019, lembra o musicista.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Como a brincadeira depende do lugar em que est\u00e1, ele precisou pensar em alternativas para fazer com que ela funcionasse, al\u00e9m de inserir os primeiros participantes no universo do Bumba-meu-boi &#8211; at\u00e9 ent\u00e3o, muitos dos interessados eram paulistanos com pouco ou nenhum contato com cultura tradicional maranhense.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">N\u00e3o foi f\u00e1cil. Fazer um festejo popular como a festa do boi exige certas caracter\u00edsticas. As roupas (ou indument\u00e1rias, como s\u00e3o chamadas) e a carca\u00e7a do boi s\u00e3o elementos centrais que precisam ser bordados \u00e0 m\u00e3o. S\u00e3o necess\u00e1rios instrumentos de percuss\u00e3o espec\u00edficos, como o pandeir\u00e3o de couro, matracas, zabumbas e outros, a depender do estilo de m\u00fasica utilizado.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A religiosidade \u00e9 de extrema import\u00e2ncia. \u00c9 comum encontrar altares de santos juninos cat\u00f3licos entre a multid\u00e3o durante as celebra\u00e7\u00f5es que antecedem as apresenta\u00e7\u00f5es. Tudo isso precisou ser ensinado e preparado ao longo dos anos.<br \/>\n<\/span><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Grupo Cupua\u00e7u - Santos do Morro\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/_INBw3J-K-E?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">As articula\u00e7\u00f5es com os \u00f3rg\u00e3os do Estado tamb\u00e9m tiveram que acontecer. Antes da regulamenta\u00e7\u00e3o, a festa no Morro do Querosene come\u00e7ou t\u00edmida e clandestina, tal qual ocorreu com os primeiros grupos maranhenses, que eram tidos como arruaceiros e frequentemente acossados pela pol\u00edcia.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">No in\u00edcio, moradores do bairro descontentes com o barulho dos instrumentos chegaram a denunciar o Grupo Cupua\u00e7u por atrapalhar a paz e o sossego. Ti\u00e3o diz que a preocupa\u00e7\u00e3o deles, na verdade, era que os brincantes estivessem praticando \u2018\u2018feiti\u00e7aria\u2019\u2019 ou \u2018\u2018macumba\u2019\u2019. Os embates foram frequentes para que a brincadeira fosse naturalizada no bairro, a contragosto dos que n\u00e3o viam valor nas heran\u00e7as culturais africanas e ind\u00edgenas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Com o tempo, o of\u00edcio para liberar a rua chegou \u00e0s m\u00e3os da Pol\u00edcia Militar e da Prefeitura de S\u00e3o Paulo. O grupo conseguiu banheiros qu\u00edmicos e a presen\u00e7a de bombeiros. Artes\u00e3os come\u00e7aram a aparecer para vender produtos e a comunidade se interessou pelas possibilidades positivas da festa. Era esse o intuito. \u2018\u2018A ancestralidade \u00e9 a nossa moeda de troca. \u00c9 a partir dela que as pessoas, com muita luta, percebem a magnitude da comunidade e do fazer popular\u2019\u2019, destaca Ti\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><b><br \/>\nA festa enquanto ritual e o olhar do turista<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Para poder participar da festa do boi no Morro do Querosene \u00e9 preciso estar esperto. O Grupo Cupua\u00e7u n\u00e3o a divulga em nenhum meio de comunica\u00e7\u00e3o, mas d\u00e1 abertura para que os interessados participem de ensaios abertos e conhe\u00e7am um pouco da tradi\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Essa preocupa\u00e7\u00e3o em n\u00e3o criar alarde em cima da brincadeira tem uma raz\u00e3o: n\u00e3o transform\u00e1-la em um espet\u00e1culo comum, em que \u00e9 poss\u00edvel acessar sem saber do que se trata. Ti\u00e3o refor\u00e7a que o grupo organizador precisa ter algum tipo de controle das pessoas que participam, mesmo que m\u00ednimo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A festa acontece quase que no boca a boca, e ainda assim consegue reunir, em m\u00e9dia, cerca de 3 mil participantes anualmente, de acordo com o <\/span><a href=\"https:\/\/www.al.sp.gov.br\/propositura\/?id=1000283697\"><span style=\"font-weight: 400;\">Projeto de lei n\u00ba 1038\/2019<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, cuja ementa declara como patrim\u00f4nio cultural imaterial do Estado de S\u00e3o Paulo a Festa do Ciclo do Bumba-Meu-Boi, em uma resolu\u00e7\u00e3o parecida com a da Unesco.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Para justificar a proposi\u00e7\u00e3o da qual \u00e9 autora, a cantora e deputada estadual Leci Brand\u00e3o (PCdoB\/SP), defensora das pr\u00e1ticas musicais tradicionais, argumenta que a brincadeira \u00e9 fonte de capital tur\u00edstico e atrai pessoas de todas as regi\u00f5es da cidade, do interior e de outros estados para exercitar a tradi\u00e7\u00e3o que acontece somente no bairro, al\u00e9m de difundir um modo de lazer sustent\u00e1vel.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Para al\u00e9m dos que somente visitam, o ciclo do boi re\u00fane atores, arquitetos, artistas pl\u00e1sticos, capoeiristas, dan\u00e7arinos, educadores, estudantes, m\u00fasicos e outros profissionais em seu quadro de participantes.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O p\u00fablico \u00e9 diferente do que frequenta a festa original. Jandir Gon\u00e7alves, pesquisador popular e chefe da Casa de Nhozinho, museu ludovicense de miudezas do povo comum do Maranh\u00e3o, explica que h\u00e1 uma diferen\u00e7a entre ser um brincante propriamente dito e somente prestigiar a festa, muito em raz\u00e3o dos rituais que precisam ser feitos e cumpridos.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u2018\u2018Para um artista, um intelectual, algu\u00e9m que vem de fora, \u00e9 muito f\u00e1cil enjoar da festa, pedir um uber e ir embora. Voc\u00ea n\u00e3o tem esse compromisso. Agora para quem faz promessa, para quem tem um voto, n\u00e3o interessa se tem que acordar 4 horas da manh\u00e3 e ficar at\u00e9 as 10 do outro dia. A pessoa vai ficar\u2019\u2019, complementa o pesquisador, que contribuiu como consultor do principal documento de cat\u00e1logo do Bumba-meu-boi do pa\u00eds, o <\/span><a href=\"https:\/\/bcr.iphan.gov.br\/wp-content\/uploads\/tainacan-items\/65968\/66595\/Complexo-Cultural-do-Bumba-Meu-Boi-do-Maranhao_de_Dossie-Bumba-meu-Boi_.pdf\"><span style=\"font-weight: 400;\">Complexo Cultural do Bumba-meu-boi do Maranh\u00e3o<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, do Instituto do Patrim\u00f4nio Hist\u00f3rico e Art\u00edstico Nacional (IPHAN).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O mestre e doutor em Artes pela Universidade de S\u00e3o Paulo, T\u00e1cito Borralho, que j\u00e1 participou da festa do boi na Vila Pirajussara, elabora de maneira similar: \u2018\u2018eu fui ao Morro do Querosene e vi que as pessoas iam brincar o boi, mas como participantes que se intrometem na brincadeira. L\u00e1, \u00e9 uma curti\u00e7\u00e3o muito grande, por\u00e9m sem o compromisso, mais como uma curiosidade frente ao que est\u00e1 sendo apresentado\u2019\u2019.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Esse olhar ex\u00f3tico sobre a cultura popular pode camuflar o que ela tem de mais importante, que \u00e9 a sua rela\u00e7\u00e3o sincr\u00e9tica com o dia a dia e a religiosidade do povo comum, a quem ela foi originalmente destinada e que v\u00ea na brincadeira a possibilidade de extravasar. O \u201cbrincar\u201d, nesse sentido, \u00e9 literal, e carregado de compromissos ritual\u00edsticos. Borralho n\u00e3o elimina a possibilidade de muitos brincantes no Morro do Querosene terem uma liga\u00e7\u00e3o com o boi que ultrapassa a curiosidade, mas elabora que boa parte dos que se envolvem \u201cno espet\u00e1culo\u201c n\u00e3o o fazem com a sacralidade que \u00e9 caracter\u00edstica \u00e0 festa, al\u00e9m de n\u00e3o entrarem no estado de suspens\u00e3o que \u00e9 necess\u00e1rio para fruir dela.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u2018\u2018Em S\u00e3o Paulo \u00e9 um pouco diferente. \u00c0s vezes a pessoa, mesmo o trabalhador bra\u00e7al, trabalha muito, e tem que pegar \u00f4nibus e metr\u00f4. N\u00e3o \u00e9 t\u00e3o f\u00e1cil ir brincar o boi. Ele pode ir e fazer por amor tamb\u00e9m, mas n\u00e3o \u00e9 a mesma coisa como no Maranh\u00e3o, em que o brincante n\u00e3o vai pescar, nem fazer carv\u00e3o, nem vender camar\u00e3o na rua nos dias de festa. Ele se dedica \u00e0 brincadeira. Em \u00e9poca de boi, ele s\u00f3 toma cacha\u00e7a. Gra\u00e7as a Deus\u2019\u2019, resume, falando a s\u00e9rio, o professor.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ti\u00e3o explica que o grupo mant\u00e9m toda a tradicionalidade necess\u00e1ria para evocar esse estado, como o ritual da fogueira para aquecer o pandeir\u00e3o; a sangria, isto \u00e9, beber o vinho que representa o sangue do boi que morre; os bordados com tem\u00e1tica religiosa; as ora\u00e7\u00f5es e pedidos de prote\u00e7\u00e3o; al\u00e9m de toda a cosmologia da festa que \u00e9 instaurada no bairro.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u2018\u2018\u00c9 claro que o boi, por n\u00e3o divulgarmos, tem esse ar misterioso que pode atrair pessoas de fora. Pessoas que n\u00e3o estejam por dentro da cultura e turistas. Mas, como eu disse, \u00e9 a nossa moeda de troca. \u00c9 o que faz com que a festa continue acontecendo, al\u00e9m do nosso pr\u00f3prio desejo de continuar brincando\u2019\u2019, diz.<br \/>\n<\/span><\/p>\n<p><b><br \/>\nSemente anticapitalista<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Nos anos 2000, um tiroteio durante a festa do boi fragilizou o Grupo Cupua\u00e7u. Mudar o imagin\u00e1rio do bairro, de lugar aparentemente perigoso para um polo cultural, estava sendo um trabalho lento, e aquele obst\u00e1culo, al\u00e9m de afetar os processos de seguran\u00e7a da brincadeira, poderia fazer soar um alarde entre os brincantes.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ti\u00e3o diz que apesar do acontecido, a solu\u00e7\u00e3o foi investir em arte e tradi\u00e7\u00e3o. \u2018\u2018Vamos incentivar a dan\u00e7a. Colocar o instrumento na m\u00e3o das crian\u00e7as para que elas possam tocar e se divertir. N\u00e3o vamos encorajar a viol\u00eancia, o nosso trabalho \u00e9 cultivar a nossa raiz\u2019\u2019, lembra ele.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Esse investimento andou junto \u00e0 uni\u00e3o da comunidade, que hoje tem participantes ass\u00edduos, e ao refor\u00e7o da n\u00e3o divulga\u00e7\u00e3o dos momentos de brincadeira, que acabaram sendo reservados aos mais curiosos. Eles podem ser os que vivenciam a cultura tradicional desde sempre, ou os que veem a brincadeira como uma das manifesta\u00e7\u00f5es alternativas de S\u00e3o Paulo.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A ideia de Ti\u00e3o bebe da vontade de universalizar o \u2018\u2018brincar\u2019\u2019, que foi esquecido, de acordo com ele, \u201cnas engrenagens do capital\u201d. Brincar por brincar, sem precisar pagar ou se sentir culpado pela falta de produtividade.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">H\u00e1 um certo orgulho do grupo em n\u00e3o procurar patrocinadores para ajud\u00e1-los. Preferem custear os gastos da tradi\u00e7\u00e3o com m\u00e9todos alternativos: apresenta\u00e7\u00f5es em escolas, em centros culturais e organiza\u00e7\u00f5es, como o Servi\u00e7o Social do Com\u00e9rcio (Sesc) e projetos de expans\u00e3o da cultura popular tradicional, com enfoque no Bumba-meu-boi, como a proposta de 2012 e 2013 \u201cDan\u00e7a, Morro do Querosene\u201d, a\u00e7\u00e3o promovida pelo Programa de Valoriza\u00e7\u00e3o de Iniciativas Culturais \u2013 VAI, da Secretaria Municipal de Cultura da Cidade de S\u00e3o Paulo.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Adeptos de uma economia circular, os integrantes do grupos incentivam e capacitam membros da comunidade a produzirem produtos artesanais e cozinharem alimenta\u00e7\u00e3o org\u00e2nica para vender no per\u00edodo da festa. Todo o dinheiro arrecadado vai para o caixa do boi.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Grupo Cupua\u00e7u - Bumba-meu-boi e o Morro do Querosene\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/pPEg5EBH5JE?start=87&#038;feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Em atividade fren\u00e9tica h\u00e1 37 anos, \u00e9 de se perguntar como uma iniciativa como essa consegue se manter de p\u00e9. Ti\u00e3o diz que a brincadeira \u00e9 feita como um presente \u00e0 comunidade, mas em especial \u00e0s crian\u00e7as, que ir\u00e3o passar adiante o que aprenderam e n\u00e3o v\u00e3o deix\u00e1-la morrer. Isso \u00e9 o que estimula o grupo a continuar brincando por todos esses anos, abra\u00e7ando certas contradi\u00e7\u00f5es caracter\u00edsticas da modernidade, mas sem renegar o sagrado e a tradicionalidade.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u2018\u2018Temos responsabilidade ao entender o presente que a gente recebeu dos nossos antepassados e temos que cuidar dele, repassando para outras pessoas. Inclusive a qualquer um que se interessar de verdade. A gente compartilha. Eu gosto de dizer que o que move o Bumba-meu-boi que a gente faz \u00e9 a f\u00e9. E a f\u00e9 n\u00e3o costuma falhar\u2019\u2019, finaliza.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"A festa, que j\u00e1 superou casos de tiroteio e den\u00fancias de barulho, perdura pela teimosia de seu criador em celebrar o brincar tradicional\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/?p=1453\"> <\/a>","protected":false},"author":172,"featured_media":1460,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[441],"tags":[498,497,500,501,499,502,503],"class_list":["post-1453","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-babel-2024-ed-dezembro","tag-boi-do-maranhao","tag-bumba-meu-boi","tag-cultura-popular","tag-festa-do-boi","tag-grupo-cupuacu","tag-sao-joao","tag-tradicao"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v19.10 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>Escondido entre as ladeiras do Butant\u00e3, Bumba-meu-boi do Morro do Querosene sobrevive h\u00e1 37 anos - 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