{"id":1177,"date":"2024-06-17T16:43:56","date_gmt":"2024-06-17T19:43:56","guid":{"rendered":"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/?p=1177"},"modified":"2024-12-04T18:45:39","modified_gmt":"2024-12-04T21:45:39","slug":"pontos-que-unem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/?p=1177","title":{"rendered":"Pontos que unem"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-weight: 400;\">Nas veias centen\u00e1rias da Am\u00e9rica Latina, a arte t\u00eaxtil e, em especial, o bordado costuram as hist\u00f3rias e mem\u00f3rias de parte das comunidades da regi\u00e3o. Para al\u00e9m de uma pr\u00e1tica artesanal, o bordado tamb\u00e9m \u00e9 um ponto da trama de resist\u00eancia contra opress\u00f5es, por exemplo, das ditaduras espalhadas pelos pa\u00edses do continente na d\u00e9cada de 70.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Pr\u00e1tica art\u00edstica que existe h\u00e1 s\u00e9culos, o bordado tem ra\u00edzes tanto na Europa quanto na Am\u00e9rica Latina. Na tradi\u00e7\u00e3o europeia, valores como fam\u00edlia, religi\u00e3o e lar s\u00e3o colocados nos temas do bordado, ainda muito associado \u00e0 vis\u00e3o de uma mulher d\u00f3cil e submissa, em uma l\u00f3gica social patriarcal.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Essa tradi\u00e7\u00e3o chega ao Brasil, e aos demais pa\u00edses que foram colonizados, com a introdu\u00e7\u00e3o de um tipo de pr\u00e1tica do bordado, aponta Cleci Eul\u00e1lia Favaro, doutora em Hist\u00f3ria pela Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica do Rio Grande do Sul (PUC-RS). A pesquisadora indica os bordados produzidos pelas primeiras gera\u00e7\u00f5es de imigrantes italianas do estado ga\u00facho como exemplo disso. As tem\u00e1ticas retratadas eram cotidianas e bordadas em panos de parede com pontos e linhas de baixo custo. \u201cOs objetos que as mulheres bordavam com ponto cruz e linha azul, que eram econ\u00f4micos, colaboravam com o refor\u00e7o de um imagin\u00e1rio e representa\u00e7\u00f5es da sociedade e das mulheres naquele tempo\u201d, explica.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Por\u00e9m, antes mesmo da chegada dessas tradi\u00e7\u00f5es coloniais, a arte t\u00eaxtil e o bordado j\u00e1 existiam na Am\u00e9rica Latina. Os povos origin\u00e1rios latino-americanos, sobretudo as mulheres ind\u00edgenas, faziam bordados como forma de ressaltar a autonomia e o cuidado. E isso n\u00e3o a partir de uma posi\u00e7\u00e3o de inferioridade, mas sim como aquelas que ocupam o papel de registrar a identidade e as narrativas de uma comunidade por meio do tecido. O bordado, nesse contexto, era um suporte da transmiss\u00e3o dos s\u00edmbolos e das hist\u00f3rias de seu povo apesar das tentativas de silenciamento dessa pr\u00e1tica, como tamb\u00e9m forma de resist\u00eancia aos dom\u00ednios coloniais.\u00a0<\/span><\/p>\n<h2><span style=\"font-size: 14pt; font-family: 'Noto Sans';\"><b>Fibras que atravessam eu e n\u00f3s<\/b><\/span><\/h2>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cA arte t\u00eaxtil, seja por um fio, por uma linha ou por uma palha, consiste no movimento de pegar um material e, a partir dele, fazer nascer um caminho, um bordado com s\u00edmbolos e elementos de narrativas diversas\u201d, diz Rosana Re\u00e1tegui, contadora de hist\u00f3rias e artista peruana que mora no Brasil h\u00e1 25 anos.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A artista veio ao Brasil pela primeira vez devido a um interc\u00e2mbio de gradua\u00e7\u00e3o em Artes C\u00eanicas na Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio). Na Universidade, em 1998, Re\u00e1tegui teve contato com Tarak Hammam, artista franco-argelino, que narrava e produzia hist\u00f3rias por meio de tapetes costurados. No mesmo ano, inspirada pelo trabalho dele, a artista fundou um grupo junto a colegas da Unirio chamado Tapetes Contadores. O grupo continua ativo e se prop\u00f5e a ir a teatros, museus, escolas e bibliotecas pelo Brasil e contar hist\u00f3rias com tapetes e outros elementos t\u00eaxteis costurados e bordados, que, a depender da proposta da pe\u00e7a t\u00eaxtil espec\u00edfica, pode ser inclusive manipulada pelo p\u00fablico.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cCom o coletivo, me vi aprendendo a linguagem do bordado e a narrar hist\u00f3rias de forma art\u00edstica\u201d, diz Re\u00e1tegui. No Peru, o t\u00eaxtil foi e continua sendo presente em elementos muito diversos da identidade hist\u00f3rica e cultural do pa\u00eds, como as vestimentas tradicionais. A artista passou a conhecer e pesquisar a produ\u00e7\u00e3o peruana entre 2004 e 2005. \u201cComecei a me perguntar sobre as hist\u00f3rias que trazia sobre a minha terra, identidade e cultura. Eu n\u00e3o narrava as hist\u00f3rias peruanas, sentia muita falta de ter esse repert\u00f3rio. Agora, elas me definem como artista migrante que se interessa pela tem\u00e1tica latino-americana.\u201d<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Para resgatar essas narrativas, em 2005, Re\u00e1tegui desenvolveu aqui no Brasil o <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Manos que Cuentan<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, uma s\u00e9rie de livros infantis bordados com algumas hist\u00f3rias peruanas da tradi\u00e7\u00e3o oral. As crian\u00e7as podem recontar e ressignificar as hist\u00f3rias por meio de personagens ou objetos remov\u00edveis e interativos que, tal como as p\u00e1ginas dos livros, tamb\u00e9m s\u00e3o bordados.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Nos \u00faltimos anos, a artista est\u00e1 envolvida na hist\u00f3ria do Rio Amazonas. \u201cUm lugar que \u00e9 um rio, m\u00e3e, que nasce no Peru e des\u00e1gua no Brasil. \u00c9 diverso nas cren\u00e7as e simbologias, canta em l\u00ednguas origin\u00e1rias e tamb\u00e9m em portugu\u00eas e espanhol, com hist\u00f3rias e lendas de figuras femininas como as Amazonas.\u201d Dessa forma, para Re\u00e1tegui, tornar-se contadora de hist\u00f3ria por meio do bordado vem sendo um processo de entender a si mesma em cada um dos momentos que j\u00e1 vivenciou na sua trajet\u00f3ria de artista, enquanto parte de uma comunidade e como indiv\u00edduo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Para Larissa Gasparin, psic\u00f3loga e pesquisadora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), os fios do bordado podem permitir uma conex\u00e3o com elementos da identidade de quem o faz, por conta do modo singular como a costura \u00e9 feita. \u201cQuando uma pessoa borda, ela coloca o corpo em cena\u201d, afirma a psic\u00f3loga. Como numa dan\u00e7a, a trama do bordado \u00e9 constru\u00edda aos poucos, cada ponto \u00e9 feito por um movimento original de quem borda, com uma velocidade e intensidade espec\u00edficas, que costura o tecido de um modo \u00fanico.\u00a0<\/span><\/p>\n<blockquote><p><strong><span style=\"font-size: 14pt;\"><span style=\"font-family: 'Noto Sans';\">Como numa dan\u00e7a, a trama do bordado \u00e9 constru\u00edda aos poucos, cada ponto \u00e9 feito por um movimento original de quem borda, com uma velocidade e intensidade espec\u00edficas, que costura o tecido de um modo \u00fanico.<\/span> <\/span><\/strong><\/p><\/blockquote>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cO bordado resgata algumas mem\u00f3rias seja pelo que se borda, seja pelo pr\u00f3prio ato de bordar, acessando at\u00e9 mesmo um inconsciente do sujeito e suas mem\u00f3rias n\u00e3o t\u00e3o pr\u00f3ximas\u201d, pontua Gasparin. Ao envolver toda essa entrega criativa, ele exige tempo para ser feito. Ent\u00e3o, \u201cquem v\u00ea [o bordado] tamb\u00e9m precisa de um tempo para se debru\u00e7ar diante dele. O desenho, a trama te obriga a parar para olhar, para respeit\u00e1-lo\u201d, comenta Re\u00e1tegui.<\/span><\/p>\n<h2><span style=\"font-family: 'Noto Sans'; font-size: 14pt;\"><b>Bordado como trabalho<\/b><\/span><\/h2>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A cidade de Passira, no agreste de Pernambuco, \u00e9 muito conhecida pelo bordado manual aplicado em artigos de cama e mesa. Apesar do bordado estar presente desde a origem do munic\u00edpio, assim como em outras comunidades artesanais do Brasil, h\u00e1 um processo de desvaloriza\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00f3 do bordado, como de toda pr\u00e1tica artesanal.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cQuando era mais nova, eu e minhas irm\u00e3s acompanh\u00e1vamos nossa m\u00e3e na venda dos tecidos e bordados. Depois que crescemos, passamos a vender sozinhas e perceber que os atravessadores n\u00e3o pagavam bem, era uma explora\u00e7\u00e3o, pagavam muito pouco.\u201d O relato \u00e9 de Maria L\u00facia Firmino, bordadeira de Passira, conhecida como Dona L\u00facia. A comercializa\u00e7\u00e3o dos bordados era marcada por dificuldades, os valores pagos n\u00e3o eram justos e as condi\u00e7\u00f5es de trabalho tamb\u00e9m n\u00e3o eram boas.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Diante desse contexto, em 2008, as artes\u00e3s da regi\u00e3o perceberam a necessidade de se organizar em um coletivo com o objetivo de encontrar solu\u00e7\u00f5es para o bordado como atividade econ\u00f4mica. Fundaram a Associa\u00e7\u00e3o das Mulheres Artes\u00e3s de Passira (AMAP) e Dona L\u00facia foi uma das fundadoras e a primeira presidente.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Dois anos depois, as artes\u00e3s participaram do projeto governamental Pernambuco com Design, que aproximou as bordadeiras de profissionais do design e promoveu capacita\u00e7\u00f5es na \u00e1rea. As bordadeiras tiveram, inclusive, a oportunidade de produzir pe\u00e7as e bordados que participaram de desfiles na <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">S\u00e3o Paulo Fashion Week<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">. Nessa colabora\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m desenvolveram um novo tipo de ponto chamado \u201cdoidinho\u201d, mais livre e sem dire\u00e7\u00e3o fixa, feito para ocupar grandes espa\u00e7os de tecido.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Por\u00e9m, em 2011, o projeto governamental foi finalizado e as capacita\u00e7\u00f5es para as bordadeiras n\u00e3o tiveram continuidade. Foi nesse contexto que Ana Julia Melo Almeida, designer pela Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), conheceu as bordadeiras. Almeida j\u00e1 havia pesquisado uma comunidade de bordadeiras de seu estado natal, o Cear\u00e1, e decidiu acompanhar o trabalho das bordadeiras de Passira e transformar o estudo em seu mestrado, em 2012.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O mestrado teve desdobramentos pr\u00e1ticos, dentre eles, a idealiza\u00e7\u00e3o do projeto Bordados de Passira. A proposta foi desenvolver um projeto de financiamento coletivo, que viabilizasse capacita\u00e7\u00f5es de modelagem, design e venda dos produtos, sem nenhum custo para as bordadeiras. \u201cAs bordadeiras s\u00e3o uma m\u00e3o de obra muito qualificada, mas tratada como precarizada\u201d, pontua a designer. Em 2022, as mulheres no setor cultural, que inclui o artesanato, recebiam cerca de 23% a menos que os homens, segundo dados da pesquisa Sistema de Informa\u00e7\u00f5es e Indicadores Culturais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Dona L\u00facia relembra a import\u00e2ncia das capacita\u00e7\u00f5es, que ainda t\u00eam desdobramentos no trabalho atual das bordadeiras da regi\u00e3o. \u201cCada artes\u00e3 foi para a \u00e1rea que gostava e tinha mais habilidade. Eu achava que n\u00e3o era capaz de mudar as coisas, mas isso mudou, aprendemos muito e repassamos os saberes para as novas gera\u00e7\u00f5es\u201d. As bordadeiras de Passira continuam ativas e produzindo novas pe\u00e7as. As artes\u00e3s fazem as vendas via redes sociais, al\u00e9m de clientes fixos da regi\u00e3o produzindo roupas, sobretudo, para o p\u00fablico infantil, al\u00e9m das tradicionais pe\u00e7as de roupas e cama.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Hoje em dia, a AMAP conta com 40 associadas. Qualquer mulher da regi\u00e3o, desde que pratique o bordado, pode se associar. A organiza\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m promove cursos na zona rural de Passira para capacitar quem ainda n\u00e3o sabe bordar. \u201cH\u00e1 um car\u00e1ter pol\u00edtico e uma for\u00e7a em se organizar em um grupo de mulheres. Um coletivo que garante a sobreviv\u00eancia dessas mulheres e a comunidade delas, al\u00e9m de fortalecer o trabalho do bordado em rela\u00e7\u00e3o aos intermedi\u00e1rios\u201d, afirma Almeida.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">As rela\u00e7\u00f5es de g\u00eanero marcam a dimens\u00e3o do trabalho e ganham novas nuances quando se pensa na pr\u00e1tica artesanal do pa\u00eds. De acordo com o IBGE, em torno de 64% dos artes\u00e3os brasileiros eram mulheres. Essa realidade, por\u00e9m, n\u00e3o deve sugerir que o bordado \u00e9 uma atividade exclusiva das mulheres, como alerta Ana Julia. \u201cN\u00e3o podemos entender o bordado como um territ\u00f3rio essencialmente de mulheres, mas observar de quais maneiras ele foi utilizado por elas como espa\u00e7o de trabalho, experimenta\u00e7\u00e3o criativa e resist\u00eancia.\u201d<\/span><\/p>\n<h2><span style=\"font-family: 'Noto Sans'; font-size: 14pt;\"><b>Bordar \u00e9 resistir<\/b><\/span><\/h2>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Al\u00e9m de ser uma ferramenta de resist\u00eancia contra as discrimina\u00e7\u00f5es por g\u00eanero, o bordado tamb\u00e9m \u00e9 usado para enfrentar viol\u00eancias pol\u00edticas. Nessa camada, destaca-se o pioneirismo das <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">arpilleras<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, t\u00e9cnica ancestral de bordado que surgiu em comunidades tradicionais no litoral do Chile. Os grupos de mulheres que bordavam, as <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">arpilleristas<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, utilizavam tecidos chamados <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">arpillera <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">(juta, no portugu\u00eas), que deram nome \u00e0 t\u00e9cnica.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cUma vez uma mulher que encontrei me disse uma coisa muito s\u00e1bia: \u2018Eu n\u00e3o sei ler e escrever. Mas preciso contar logo o que eu sinto. Eu sou uma b\u00edblia\u2019. Isso \u00e9 o que \u00e9 ser arpillera\u201d, relembra Susana Alegria, <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">arpillera<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> chilena que reside atualmente no Rio de Janeiro. Ela come\u00e7ou a bordar quando crian\u00e7a, quando ainda era comum as escolas chilenas terem aulas de bordado e, nas fam\u00edlias, as m\u00e3es ensinarem os filhos a bordar.<\/span><\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: center;\"><em><span style=\"font-weight: 400; font-family: 'Noto Sans'; font-size: 18pt;\">\u201cVioleta Parra deixou de bordar flores e borboletinhas para bordar resist\u00eancia, bordar como o povo sofria com o autoritarismo. Ela foi uma das primeiras mulheres latino-americanas a usar o bordado para contar disparidades.\u201d <\/span><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-size: 14pt;\"><strong><span style=\"font-family: 'Noto Sans';\">Susana Alegria, arpillera chilena<\/span><\/strong><\/span><\/p>\n<\/blockquote>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Violeta Parra foi uma das pioneiras na hist\u00f3ria das <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">arpilleristas<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">. Durante a d\u00e9cada de 60, Violeta passou a enxergar no bordado a potencialidade de um instrumento de den\u00fancia. \u201cVioleta Parra deixou de bordar flores e borboletinhas para bordar resist\u00eancia, bordar como o povo sofria com o autoritarismo. Ela foi uma das primeiras mulheres latino-americanas a usar o bordado para contar disparidades\u201d, ressalta Susana.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Dessa forma, durante a ditadura militar chilena, as <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">arpilleristas <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">bordavam a viol\u00eancia e os silenciamentos, movidas pelo legado de Violeta Parra. A maioria desses grupos era de mulheres, muitas vezes parentes de pessoas desaparecidas e torturadas pelo regime, ou ainda que buscavam denunciar essa realidade. \u201cO que \u00e9 mais violento do que n\u00e3o ter uma marca, um corpo, um registro?\u201d, questiona a psic\u00f3loga Larissa Gasparin. Como resposta a esse la\u00e7o social perdido, \u201cas <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">arpilleristas <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">registram as mem\u00f3rias daqueles violentados e, bordando, fazem uma marca no tecido e no tempo do que estava, at\u00e9 ent\u00e3o, ausente\u201d, afirma Gasparin.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Nos anos seguintes, ainda durante a ditadura, com o desuso da juta<\/span> <span style=\"font-weight: 400;\">e do custo alto de outros tecidos, as <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">arpilleristas <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">dessa nova fase, conhecidas como <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Arpilleras<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> da Resist\u00eancia, passaram a utilizar retalhos e tecidos de roupas. Parte dessas artes, inclusive, alcan\u00e7aram outros pa\u00edses nesse per\u00edodo por meio da exporta\u00e7\u00e3o de produtos ou roupas que continham esses materiais, em bolsos internos, colocados de modo sigiloso. O objetivo era escancarar parcela dos horrores dos por\u00f5es da ditadura e fomentar den\u00fancias.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A hist\u00f3ria das <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">arpilleristas<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, no entanto, n\u00e3o se encerra na d\u00e9cada de 80. Elas continuam seja pelas artes de Susana Alegria e Rosana Re\u00e1tegui, seja pelo trabalho de coletivos contempor\u00e2neos, como o Linhas de Sampa. Parte do coletivo nacional Novelo de Linhas, o grupo de S\u00e3o Paulo conta com 40 integrantes ativos, sendo a maioria mulheres. Desde 2018, o grupo borda panfletos em ret\u00e2ngulos de tecido, justamente para colaborar com essa ressignifica\u00e7\u00e3o do bordado enquanto instrumento de luta, produzido coletivamente.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Com frases e imagens relacionadas \u00e0 luta por direitos, igualdade e democracia, os panfletos s\u00e3o feitos e expostos em varais em eventos realizados em lugares p\u00fablicos, como rodas de conversa e oficinas. Quem se interessar pode pegar um dos panfletos de gra\u00e7a. Rita de C\u00e1ssia Lima, uma das integrantes, ressalta o papel que o grupo se prop\u00f5e a ter: \u201co Linhas borda, grita e denuncia\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O coletivo esteve em diferentes momentos da hist\u00f3ria recente do pa\u00eds e dos movimentos sociais, como em eventos dos 40 anos do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), manifesta\u00e7\u00f5es por justi\u00e7a \u00e0 Marielle Franco e atos em mem\u00f3ria dos 60 anos da ditadura militar brasileira. \u201cA <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">arpillera<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> \u00e9 algo que est\u00e1 vivo e ultrapassa fronteiras, sendo trabalhada em diferentes lugares pelo seu valor testemunhal, que transforma os tecidos em dispositivos de mem\u00f3ria\u201d, diz Ana Barrientos, antrop\u00f3loga chilena da Universidade Federal Fluminense (UFF).\u00a0<\/span><\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-size: 18pt; font-family: 'Noto Sans';\"><em><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cA <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">arpillera<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"> \u00e9 algo que est\u00e1 vivo e ultrapassa fronteiras, sendo trabalhada em diferentes lugares pelo seu valor testemunhal, que transforma os tecidos em dispositivos de mem\u00f3ria\u201d <\/span><\/em><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-size: 14pt; font-family: 'Noto Sans';\"><strong>Ana Barrientos, antrop\u00f3loga chilena<\/strong><\/span><\/p>\n<\/blockquote>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Outro exemplo dessa difus\u00e3o, o ponto de partida para Barrientos pesquisar o tema<\/span> <span style=\"font-weight: 400;\">foi o conjunto de bordados <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Arpilleras, bordando a resist\u00eancia<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, feito pelo Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) a partir de 2014, e que deu origem a um document\u00e1rio em 2017. As artes denunciavam a realidade nas cinco regi\u00f5es do pa\u00eds de mulheres atingidas por barragens, que transformavam a dor em pontos no tecido.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Uma express\u00e3o art\u00edstica e forma de sustento para alguns grupos, o bordado nasce em grande parte pelas m\u00e3os de mulheres em suas diferentes subjetividades. Por meio da t\u00e9cnica da <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">arpillera <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">ou das demais t\u00e9cnicas do bordar, esse fazer possibilita marcar em um tempo e em um espa\u00e7o, a mem\u00f3ria, inclusive, daquelas e daqueles historicamente silenciados.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Nas veias centen\u00e1rias da Am\u00e9rica Latina, a arte t\u00eaxtil e, em especial, o bordado costuram as hist\u00f3rias e mem\u00f3rias de parte das comunidades \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/?p=1177\"> <\/a>","protected":false},"author":154,"featured_media":1182,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[284],"tags":[170,106,426,425,424,165,428,429,294,285,246,427],"class_list":["post-1177","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-babel-2024-ed-junho","tag-america-latina","tag-arte","tag-autoritarismo","tag-bordadeiras","tag-bordados","tag-chile","tag-costura","tag-expressao","tag-historia","tag-memoria","tag-resistencia","tag-textil"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v19.10 - 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