{"id":1169,"date":"2024-06-17T17:47:56","date_gmt":"2024-06-17T20:47:56","guid":{"rendered":"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/?p=1169"},"modified":"2024-06-19T22:07:15","modified_gmt":"2024-06-20T01:07:15","slug":"sabedoria-ancestral","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/?p=1169","title":{"rendered":"Sabedoria ancestral"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-weight: 400;\">O conceito de bioeconomia \u00e9 recente no Brasil, mas j\u00e1 \u00e9 <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">o<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"> foco de pesquisas e debates. Fluido e ainda em defini\u00e7\u00e3o, es<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">t<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">e termo se destaca no contexto das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, seguran\u00e7a alimentar e desenvolvimento econ\u00f4mico sustent\u00e1vel, mas ganha sentido tamb\u00e9m na viv\u00eancia de povos origin\u00e1rios. Apesar de ser um conceito que pode ser pouco conhecido por alguns ind\u00edgenas, a bioeconomia \u00e9 considerada uma forma de economia feita por eles h\u00e1 muito tempo. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Francisco Apurin\u00e3, ind\u00edgena, mestre em Desenvolvimento Sustent\u00e1vel e doutor em Antropologia Social pela Universidade de Bras\u00edlia (UnB), explica que a bioeconomia ind\u00edgena se refere a \u201ctudo aquilo que \u00e9 cultivado, produzido e comercializado a partir dos conhecimentos ancestrais dos povos origin\u00e1rios\u201d <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">\u2014<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"> perspectiva tamb\u00e9m abordada por Francisco junto da pesquisadora Braulina Baniwa no estudo <\/span><a href=\"https:\/\/concertacaoamazonia.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/Volume-3_Bioeconomia-indigena-1.pdf\"><i><span style=\"font-weight: 400;\">Bioeconomia ind\u00edgena: saberes ancestrais e tecnologias sociais<\/span><\/i><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, de 2024, produzido em colabora\u00e7\u00e3o com as organiza\u00e7\u00f5es Uma Concerta\u00e7\u00e3o pela Amaz\u00f4nia e WRI Brasil.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Segundo os autores, a economia ind\u00edgena se baseia em modos de produ\u00e7\u00e3o sustent\u00e1veis, que, al\u00e9m dos conhecimentos ancestrais, tamb\u00e9m empregam conhecimentos n\u00e3o ind\u00edgenas. As pr\u00e1ticas, costumes e t\u00e9cnicas de trabalho observadas na forma de lidar com a natureza e com o que ela oferece podem diferir ou convergir entre os mais de 260 povos ind\u00edgenas que vivem no Brasil, n\u00famero de acordo com levantamento do Instituto Socioambiental (ISA) de 2023.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Conforme o antrop\u00f3logo, a vis\u00e3o ind\u00edgena da bioeconomia est\u00e1 conectada \u00e0 rela\u00e7\u00e3o interdependente e de respeito dos povos origin\u00e1rios com o territ\u00f3rio, ecossistemas e seus habitantes \u2014 vis\u00edveis e invis\u00edveis. Nessa rela\u00e7\u00e3o, h\u00e1 a desconstru\u00e7\u00e3o da vis\u00e3o de posse do territ\u00f3rio e do que adv\u00e9m dele.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cAo olhar as castanheiras, as sama\u00famas e diversas outras \u00e1rvores, a gente n\u00e3o enxerga as notas de 100 ou de 50 reais, mas sim uma rela\u00e7\u00e3o de parentesco, de interdepend\u00eancia, porque aquela \u00e1rvore, aqueles animais ou aquele recurso aqu\u00e1tico t\u00eam uma fun\u00e7\u00e3o, uma responsabilidade naquele ecossistema\u201d, relata Francisco.\u00a0<\/span><\/p>\n<h2><span style=\"font-size: 14pt;\"><b>O mundo pela cosmologia ind\u00edgena<\/b><\/span><\/h2>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Pela perspectiva ind\u00edgena, a bioeconomia n\u00e3o pode ser compreendida apenas pelo produto ou servi\u00e7o gerado, mas tamb\u00e9m pelo processo, que reflete o modo como esses povos entendem o mundo. Para explic\u00e1-lo melhor, Francisco usa como exemplo a cosmologia apurin\u00e3, que parte da exist\u00eancia de tr\u00eas mundos que precisam estar em conex\u00e3o: o mundo de cima (ikyra thyxi), ocupado pelos seres celestes; o mundo do meio (ywa thyxi), ocupado pelos humanos e n\u00e3o humanos; e o mundo subterr\u00e2neo (ywa ypatape thixi), ocupado pelos seres encantados.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O mundo do meio se divide entre os ecossistemas a\u00e9reo, aqu\u00e1tico e terrestre \u2014 cada um com ag\u00eancias espirituais e guardi\u00f5es protetores. Os paj\u00e9s, como ag\u00eancias espirituais, s\u00e3o respons\u00e1veis por fazer a conex\u00e3o entre os mundos com diferentes ecossistemas e seus guardi\u00f5es<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">,<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"> para que exista equil\u00edbrio, manuten\u00e7\u00e3o e sustentabilidade entre eles.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cPara n\u00f3s, todos esses ecossistemas t\u00eam um chefe guardi\u00e3o. Para voc\u00ea tirar alguma coisa, sobretudo para comercializar, voc\u00ea precisa estabelecer uma rela\u00e7\u00e3o de negocia\u00e7\u00e3o\u201d, conta o pesquisador.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Antes de ca\u00e7ar, pescar e coletar recursos da natureza, o povo apurin\u00e3 precisa pedir licen\u00e7a aos protetores e negociar com os guardi\u00f5es em uma rela\u00e7\u00e3o de respeito. Nesse contexto, a perda da biodiversidade e as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas s\u00e3o exemplos de alguns dos sintomas das a\u00e7\u00f5es humanas em larga escala que, prejudiciais ao meio ambiente e ao equil\u00edbrio entre os ecossistemas, n\u00e3o seguem os princ\u00edpios ind\u00edgenas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cQuando esses recursos naturais s\u00e3o destru\u00eddos, como est\u00e3o sendo agora, esses guardi\u00f5es que protegem eu e voc\u00ea, toda a humanidade e os outros seres existentes na natureza, eles v\u00e3o embora, e com eles levam a ca\u00e7a, as frutas, a \u00e1gua, o peixe, tudo que n\u00f3s precisamos para viver bem e para continuar vivos\u201d, alerta Francisco.\u00a0<\/span><\/p>\n<blockquote><p><span style=\"font-size: 14pt; font-family: 'Noto Sans';\"><strong>Antes de ca\u00e7ar, pescar e coletar recursos da natureza, o povo apurin\u00e3 precisa pedir licen\u00e7a e negociar com os guardi\u00f5es em uma rela\u00e7\u00e3o de respeito.\u00a0<\/strong><\/span><\/p><\/blockquote>\n<h2><span style=\"font-size: 14pt;\"><b>Beneficiamento de produtos\u00a0<\/b><\/span><\/h2>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O estudo <\/span><a href=\"https:\/\/www.wribrasil.org.br\/sites\/default\/files\/2023-07\/NEA-Nova-Economia-Amazonia-Relatorio-Completo-portugues.pdf\"><i><span style=\"font-weight: 400;\">Nova Economia da Amaz\u00f4nia<\/span><\/i><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">,<\/span> <span style=\"font-weight: 400;\">com ind\u00edgenas do Acre, Amap\u00e1, Amazonas, Mato Grosso, Par\u00e1, Rond\u00f4nia, Roraima, Maranh\u00e3o e Tocantins, listou produtos das principais atividades econ\u00f4micas de povos ind\u00edgenas, como por exemplo o abacaxi, a\u00e7a\u00ed, caf\u00e9, cacau, castanha, cupua\u00e7u, murici e pimentas diversas.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Alguns desses produtos s\u00e3o usados para a subsist\u00eancia e trocas internas, mas tamb\u00e9m s\u00e3o comercializados e transformados em neg\u00f3cios. Francisco cita como exemplos o caf\u00e9 produzido pelo povo ind\u00edgena Paiter-Suru\u00ed de Rond\u00f4nia, as pimentas produzidas pelas mulheres baniwa do Amazonas e as roupas e acess\u00f3rios estampados com os grafismos do povo Yawanawa do Acre.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Em 2022, o cafeicultor ind\u00edgena Valdir Aru\u00e1, da aldeia S\u00e3o Luiz, Terra Ind\u00edgena Rio Branco, Rond\u00f4nia, foi o vencedor da 4\u00aa edi\u00e7\u00e3o do Projeto Tribos, idealizado pela 3 Cora\u00e7\u00f5es.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Valdir<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">,<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"> que est\u00e1 envolvido com a produ\u00e7\u00e3o cafeeira desde 2004, considera gratificante saber que o seu esfor\u00e7o e trabalho est\u00e3o sendo reconhecidos a partir de sua participa\u00e7\u00e3o na iniciativa. Ele define sua produ\u00e7\u00e3o como \u201cum caf\u00e9 de qualidade produzido por ind\u00edgenas Aru\u00e1\u201d e conta que ele e sua fam\u00edlia t\u00eam como objetivos \u201cproduzir um caf\u00e9 de qualidade e ter um espa\u00e7o no mercado\u201d.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">No Sul do Brasil, a produ\u00e7\u00e3o que se destaca \u00e9 a da erva-mate. No territ\u00f3rio ind\u00edgena Kaingang de Mangueirinha, munic\u00edpio do Paran\u00e1, Jonatas Poxin, em entrevista \u00e0 <\/span><b>Babel<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> com media\u00e7\u00e3o da Kaingang Daniela Correia, conta que alguns moradores usam as folhas da erva-mate para fazer ch\u00e1 ou rem\u00e9dio e a maioria tamb\u00e9m as comercializa.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Jonatas conta que a colheita da erva-mate \u00e9 feita atrav\u00e9s do processo natural da planta, tendo cuidado e respeito no plantio e produ\u00e7\u00e3o. \u201cNossa erva-mate \u00e9 nativa, o que \u00e9 feito aqui respeita o processo da pr\u00f3pria natureza, pois aguardamos os per\u00edodos certos do ano para retir\u00e1-la.\u201d\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Joel Anastacio, tamb\u00e9m em entrevista feita com media\u00e7\u00e3o de Daniela, fala da import\u00e2ncia cultural, social, ambiental e econ\u00f4mica da erva-mate para os Kaingang. A erva \u00e9 considerada uma planta importante por suas caracter\u00edsticas medicinais e energ\u00e9ticas, e na cultura Kaingang est\u00e1 conectada \u00e0 cosmologia ind\u00edgena, em que h\u00e1 a prote\u00e7\u00e3o da erva por seus guardi\u00f5es.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cA erva-mate que \u00e9 conhecida como chimarr\u00e3o hoje em dia<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">,<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"> antigamente era um momento [de produ\u00e7\u00e3o] quando nossos ancestrais se reuniam para conversar com a comunidade\u201d, explica Joel. No contexto ambiental, ele aponta a erva-mate como uma planta nativa cujo crescimento tem influ\u00eancia no micro e macroclima da regi\u00e3o.\u00a0<\/span><\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-family: 'Noto Sans'; font-size: 18pt;\"><i><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cA bioeconomia est\u00e1 associada n\u00e3o s\u00f3 a produzir a partir de insumos renov\u00e1veis, mas tamb\u00e9m a usar recursos de forma mais eficiente.\u201d\u00a0<\/span><\/i><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-family: 'Noto Sans'; font-size: 14pt;\"><strong> Ge\u00f3rgia Jord\u00e3o, ge\u00f3grafa<\/strong><\/span><\/p>\n<\/blockquote>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">No cen\u00e1rio econ\u00f4mico, a erva-mate \u00e9 fonte de renda para os Kaingang e tamb\u00e9m para os Guarani \u2014 etnia muito envolvida com o processo de patrimonializa\u00e7\u00e3o da erva. Segundo Joel, essa \u00e9 uma planta cujas potencialidades farmac\u00eauticas e energ\u00e9ticas a tornam muito procurada por seus produtos e subprodutos.<\/span><\/p>\n<h2><span style=\"font-size: 14pt;\"><b>Protagonismo ind\u00edgena<\/b><\/span><\/h2>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ge<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">o<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">rgia Jord\u00e3o, ge\u00f3grafa pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), explica que a bioeconomia surge no contexto da tentativa de reduzir as emiss\u00f5es de combust\u00edveis f\u00f3sseis, principalmente no cen\u00e1rio da comunidade europeia de produzir sem emitir gases de efeito estufa e de otimizar o consumo em termos de energia e de \u00e1gua.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">De acordo com a especialista, a bioeconomia surge como uma perspectiva muito aderente no Brasil, baseada em produtos e atividades com impacto positivo para o meio ambiente e para as pessoas. \u201cQuando a gente fala [que s\u00e3o boas] para o meio ambiente, \u00e9 que essas atividades s\u00e3o produzidas sem gera\u00e7\u00e3o de gases de efeito estufa. Para as pessoas \u00e9 porque essas atividades podem gerar emprego e renda, promovendo a inclus\u00e3o social de grupos que s\u00e3o marginalizados da economia formal.\u201d<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">L\u00edvia Menezes Pagotto, secret\u00e1ria executiva da iniciativa Uma Concerta\u00e7\u00e3o pela Amaz\u00f4nia, explica que a bioeconomia \u00e9 diversa e tem grande potencialidade no Brasil. Ela conta que o termo se estende desde o contexto dos biocombust\u00edveis e a trajet\u00f3ria brasileira no desenvolvimento de um combust\u00edvel renov\u00e1vel<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">,<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"> at\u00e9 as cadeias produtivas de diferentes produtos de comunidades tradicionais, dentro e fora da Amaz\u00f4nia.\u00a0<\/span><\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-size: 18pt; font-family: 'Noto Sans';\"><i><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cN\u00e3o existe hoje uma unidade administrativa adequada para os povos que vivem, principalmente, na Amaz\u00f4nia, e que atenda a produ\u00e7\u00e3o coletiva caracter\u00edstica das comunidades tradicionais.\u201d <\/span><\/i><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-weight: 400; font-size: 14pt; font-family: 'Noto Sans';\"><strong>Andr\u00e9 Fernando Baniwa, lideran\u00e7a ind\u00edgena<\/strong><\/span><\/p>\n<\/blockquote>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Nesse cen\u00e1rio, tanto Jord\u00e3o quanto Pagotto refor\u00e7am a ideia que h\u00e1 muito o que aprender com o conhecimento ind\u00edgena da bioeconomia. \u201cOs povos ind\u00edgenas nos ensinam muito sobre t\u00e9cnicas tradicionais de cultivo, sobre as formas de produ\u00e7\u00e3o, sobre o entendimento de fen\u00f4menos clim\u00e1ticos e regula\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas que v\u00eam sendo alteradas\u201d, pontua Pagotto.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cA bioeconomia precisa considerar os princ\u00edpios culturais dos ind\u00edgenas, de quilombolas, dos povos tradicionais como um todo\u201d, diz Andr\u00e9 Fernando Baniwa, l\u00edder ind\u00edgena e vice-presidente da Organiza\u00e7\u00e3o Ind\u00edgena da Bacia do I\u00e7ana (OIBI). Segundo ele, para tornar essas comunidades vis\u00edveis e protagonistas, a constru\u00e7\u00e3o de conceitos, como o de bioeconomia, precisa contar com suas perspectivas. Assim, al\u00e9m de estruturar o termo de maneira geral, os povos podem adequ\u00e1-lo conforme suas especificidades.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Para impulsionar o protagonismo de povos origin\u00e1rios na bioeconomia, \u00e9 ainda necess\u00e1rio desenvolver mercados, principalmente internos, para o beneficiamento dos produtos nativos, al\u00e9m de desenvolver pol\u00edticas p\u00fablicas que possibilitem a estrutura\u00e7\u00e3o das cadeias produtivas. \u201cN\u00e3o existe hoje uma unidade administrativa adequada para os povos que vivem, principalmente, na Amaz\u00f4nia, e que atenda a produ\u00e7\u00e3o coletiva caracter\u00edstica das comunidades tradicionais\u201d, relata Andr\u00e9.<\/span><\/p>\n<p><b>Colabora\u00e7\u00e3o<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">: Jacques Marcovitch, professor da USP e coordenador do projeto Bioeconomia &#8211; Estudo das cadeias de valor na Amaz\u00f4nia; Nat\u00e1lia Bristot Migon, bi\u00f3loga e doutoranda do Curso de Desenvolvimento Rural (PGDR\/UFRGS); Victor Xun\u00f9, vice-cacique da aldeia Guarani Ka\u2019a Mirindy.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"O conceito de bioeconomia \u00e9 recente no Brasil, mas j\u00e1 \u00e9 o foco de pesquisas e debates. Fluido e ainda em defini\u00e7\u00e3o, este \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/?p=1169\"> <\/a>","protected":false},"author":141,"featured_media":1214,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[284],"tags":[396,393,390,183,392,399,389,398,146,395,347,397,394,391,360],"class_list":["post-1169","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-babel-2024-ed-junho","tag-amazonia","tag-ancestralidade","tag-bioeconomia","tag-brasil","tag-consumo","tag-ecossistema","tag-indigena","tag-insumos","tag-meio-ambiente","tag-natureza","tag-povo","tag-produtos","tag-sabedoria","tag-sustentabilidade","tag-territorio"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v19.10 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>Sabedoria ancestral - Revista Babel<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/?p=1169\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Sabedoria ancestral - Revista Babel\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"O conceito de bioeconomia \u00e9 recente no Brasil, mas j\u00e1 \u00e9 o foco de pesquisas e debates. Fluido e ainda em defini\u00e7\u00e3o, este\" \/>\n<meta property=\"og:url\" content=\"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/?p=1169\" \/>\n<meta property=\"og:site_name\" content=\"Revista Babel\" \/>\n<meta property=\"article:published_time\" content=\"2024-06-17T20:47:56+00:00\" \/>\n<meta property=\"article:modified_time\" content=\"2024-06-20T01:07:15+00:00\" \/>\n<meta property=\"og:image\" content=\"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/pimenta1_capa-179167x99-1.jpg\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:width\" content=\"2362\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:height\" content=\"1305\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:type\" content=\"image\/jpeg\" \/>\n<meta name=\"author\" content=\"Rosiane Lopes\" \/>\n<meta name=\"twitter:card\" content=\"summary_large_image\" \/>\n<meta name=\"twitter:label1\" content=\"Written by\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data1\" content=\"Rosiane Lopes\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:label2\" content=\"Est. reading time\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data2\" content=\"9 minutos\" \/>\n<script type=\"application\/ld+json\" class=\"yoast-schema-graph\">{\"@context\":\"https:\/\/schema.org\",\"@graph\":[{\"@type\":\"WebPage\",\"@id\":\"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/?p=1169\",\"url\":\"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/?p=1169\",\"name\":\"Sabedoria ancestral - Revista Babel\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/#website\"},\"datePublished\":\"2024-06-17T20:47:56+00:00\",\"dateModified\":\"2024-06-20T01:07:15+00:00\",\"author\":{\"@id\":\"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/#\/schema\/person\/c4e7d92d3aa7e19103c6824d3e5e8b88\"},\"breadcrumb\":{\"@id\":\"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/?p=1169#breadcrumb\"},\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"ReadAction\",\"target\":[\"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/?p=1169\"]}]},{\"@type\":\"BreadcrumbList\",\"@id\":\"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/?p=1169#breadcrumb\",\"itemListElement\":[{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":1,\"name\":\"Home\",\"item\":\"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/\"},{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":2,\"name\":\"Sabedoria ancestral\"}]},{\"@type\":\"WebSite\",\"@id\":\"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/#website\",\"url\":\"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/\",\"name\":\"Revista Babel\",\"description\":\"\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"SearchAction\",\"target\":{\"@type\":\"EntryPoint\",\"urlTemplate\":\"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/?s={search_term_string}\"},\"query-input\":\"required name=search_term_string\"}],\"inLanguage\":\"pt-BR\"},{\"@type\":\"Person\",\"@id\":\"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/#\/schema\/person\/c4e7d92d3aa7e19103c6824d3e5e8b88\",\"name\":\"Rosiane Lopes\",\"image\":{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"@id\":\"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/#\/schema\/person\/image\/\",\"url\":\"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/6886271fcfe4469de39d831973067cfa688dce39bb7382bfdb98e21a60d4a56a?s=96&d=mm&r=g\",\"contentUrl\":\"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/6886271fcfe4469de39d831973067cfa688dce39bb7382bfdb98e21a60d4a56a?s=96&d=mm&r=g\",\"caption\":\"Rosiane Lopes\"},\"url\":\"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/?author=141\"}]}<\/script>\n<!-- \/ Yoast SEO plugin. -->","yoast_head_json":{"title":"Sabedoria ancestral - Revista Babel","robots":{"index":"index","follow":"follow","max-snippet":"max-snippet:-1","max-image-preview":"max-image-preview:large","max-video-preview":"max-video-preview:-1"},"canonical":"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/?p=1169","og_locale":"pt_BR","og_type":"article","og_title":"Sabedoria ancestral - Revista Babel","og_description":"O conceito de bioeconomia \u00e9 recente no Brasil, mas j\u00e1 \u00e9 o foco de pesquisas e debates. Fluido e ainda em defini\u00e7\u00e3o, este","og_url":"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/?p=1169","og_site_name":"Revista Babel","article_published_time":"2024-06-17T20:47:56+00:00","article_modified_time":"2024-06-20T01:07:15+00:00","og_image":[{"width":2362,"height":1305,"url":"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/pimenta1_capa-179167x99-1.jpg","type":"image\/jpeg"}],"author":"Rosiane Lopes","twitter_card":"summary_large_image","twitter_misc":{"Written by":"Rosiane Lopes","Est. reading time":"9 minutos"},"schema":{"@context":"https:\/\/schema.org","@graph":[{"@type":"WebPage","@id":"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/?p=1169","url":"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/?p=1169","name":"Sabedoria ancestral - Revista Babel","isPartOf":{"@id":"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/#website"},"datePublished":"2024-06-17T20:47:56+00:00","dateModified":"2024-06-20T01:07:15+00:00","author":{"@id":"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/#\/schema\/person\/c4e7d92d3aa7e19103c6824d3e5e8b88"},"breadcrumb":{"@id":"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/?p=1169#breadcrumb"},"inLanguage":"pt-BR","potentialAction":[{"@type":"ReadAction","target":["https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/?p=1169"]}]},{"@type":"BreadcrumbList","@id":"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/?p=1169#breadcrumb","itemListElement":[{"@type":"ListItem","position":1,"name":"Home","item":"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/"},{"@type":"ListItem","position":2,"name":"Sabedoria ancestral"}]},{"@type":"WebSite","@id":"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/#website","url":"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/","name":"Revista Babel","description":"","potentialAction":[{"@type":"SearchAction","target":{"@type":"EntryPoint","urlTemplate":"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/?s={search_term_string}"},"query-input":"required name=search_term_string"}],"inLanguage":"pt-BR"},{"@type":"Person","@id":"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/#\/schema\/person\/c4e7d92d3aa7e19103c6824d3e5e8b88","name":"Rosiane Lopes","image":{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-BR","@id":"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/#\/schema\/person\/image\/","url":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/6886271fcfe4469de39d831973067cfa688dce39bb7382bfdb98e21a60d4a56a?s=96&d=mm&r=g","contentUrl":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/6886271fcfe4469de39d831973067cfa688dce39bb7382bfdb98e21a60d4a56a?s=96&d=mm&r=g","caption":"Rosiane Lopes"},"url":"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/?author=141"}]}},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1169","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/141"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1169"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1169\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1181,"href":"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1169\/revisions\/1181"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/1214"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1169"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1169"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1169"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}