{"id":1149,"date":"2024-06-17T15:23:24","date_gmt":"2024-06-17T18:23:24","guid":{"rendered":"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/?p=1149"},"modified":"2024-06-17T21:39:38","modified_gmt":"2024-06-18T00:39:38","slug":"geleia-geral","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/?p=1149","title":{"rendered":"Gel\u00e9ia geral"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cAcabou nosso carnaval\/ Ningu\u00e9m ouve cantar can\u00e7\u00f5es\/ Ningu\u00e9m passa mais brincando feliz\/ E nos cora\u00e7\u00f5es\/ Saudades e cinzas foi o que restou\u201d. Anterior ao regime militar, a letra de <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Marcha da Quarta-Feira de Cinzas<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, de Vinicius de Moraes, parece prever o momento vindouro. A esperan\u00e7a anunciada nos versos \u201cA tristeza que a gente tem\/ Qualquer dia vai se acabar\u201d, levaria 21 anos para se concretizar.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A can\u00e7\u00e3o fez parte do espet\u00e1culo Opini\u00e3o, primeira grande rea\u00e7\u00e3o, por meio da teatro ligado \u00e0 cultura de esquerda, ao golpe de 1964. Principal espa\u00e7o de sociabilidade da classe m\u00e9dia universit\u00e1ria, o teatro\u00a0 n\u00e3o precisou esperar a chegada do Ato Institucional N\u00ba 5 para conhecer a m\u00e3o cerceadora da ditadura.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Com estreia no Rio de Janeiro, a pe\u00e7a leva o nome do grupo que a organizou, uma trupe criada ap\u00f3s o golpe e colocada na ilegalidade,\u00a0 formada por artistas antes ligados ao Centro Popular de Cultura (CPC), da Uni\u00e3o Nacional de Estudantes (UNE). O espet\u00e1culo contou com a dire\u00e7\u00e3o de Augusto Boal, do paulistano e\u00a0 j\u00e1 consolidado Teatro de Arena.<\/span><\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-size: 18pt; font-family: 'Noto Sans';\"><em><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cAs nossas riquezas, as nossas carnes, as vidas, tudo! Voc\u00eas venderam tudo! As nossas esperan\u00e7as, o nosso cora\u00e7\u00e3o, o nosso amor, tudo! Voc\u00eas venderam tudo!\u201d<\/span><\/em><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><span style=\"font-size: 14pt; font-family: 'Noto Sans';\">\u201cTerra em Transe\u201d, de Glauber Rocha<\/span><\/strong><\/p>\n<\/blockquote>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O show, que iniciava a tradi\u00e7\u00e3o dos musicais de protesto, buscava encontrar uma resposta para o novo regime na uni\u00e3o de classes, pol\u00edtica defendida pelo Partido Comunista Brasileiro (PCB), com o qual o CPC era alinhado. Numa decis\u00e3o nada arbitr\u00e1ria, escolheu como protagonistas, nas primeiras encena\u00e7\u00f5es, Z\u00e9 K\u00e9ti, Jo\u00e3o do Valle e Nara Le\u00e3o \u2014 um sambista do morro, um campon\u00eas do norte e uma jovem da classe m\u00e9dia. O trio interpretava can\u00e7\u00f5es do repert\u00f3rio de Valle, m\u00fasicas da cultura popular e composi\u00e7\u00f5es dos bossanovistas \u2014 entre elas, a m\u00fasica de Vinicius de Moraes, com melodia feita por Carlos Lyra.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cNas mais diversas \u00e1reas da cultura, havia uma ideia de revolu\u00e7\u00e3o brasileira que passava tamb\u00e9m pela utopia de aproximar os artistas e intelectuais do povo\u201d, conta Marcelo Ridenti, professor do curso de Sociologia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). \u201cUsando a met\u00e1fora do Rio de Janeiro: aproximar a favela do asfalto\u201d, explica Ridenti.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Um ano depois, outro espet\u00e1culo, <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Arena Conta Zumb<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">i, sob a batuta do mesmo Boal, traria outra leitura do momento. A pe\u00e7a buscava, no Quilombo de Palmares e no l\u00edder do movimento, uma forma de dizer que as tentativas de alian\u00e7as de classe, que pautaram a pol\u00edtica do Partido Comunista Brasileiro at\u00e9 ent\u00e3o, abriram espa\u00e7o para o golpe militar. Ainda que com vis\u00f5es opostas, as duas pe\u00e7as ajudam a dar a largada para a resist\u00eancia cultural dos anos seguintes.<\/span><\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: center;\"><em><span style=\"font-size: 18pt; font-family: 'Noto Sans';\"><b>\u201c<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">O monumento n\u00e3o tem porta\/ A entrada de uma rua antiga, estreita e torta\/ E no joelho uma crian\u00e7a sorridente, feia e morta\/ Estende a m\u00e3o\u201d<\/span><\/span><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-size: 14pt; font-family: 'Noto Sans';\"><strong>\u201cTropic\u00e1lia\u201d, de Caetano Veloso<\/strong><\/span><\/p>\n<\/blockquote>\n<h2><span style=\"font-family: 'Noto Sans'; font-size: 14pt;\"><b>A cultura toma a frente<\/b><\/span><\/h2>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Uma forma de entender o florescer cultural no in\u00edcio da ditadura militar \u00e9 pensar na arte e na intelectualidade como, a um s\u00f3 tempo, os espa\u00e7os que sobraram para a resist\u00eancia \u2014 uma vez que os movimentos oper\u00e1rios, camponeses e populares foram brutalmente combatidos desde os primeiros dias do regime \u2014 e o principal ambiente de uma an\u00e1lise de trajet\u00f3ria da esquerda vencida.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O governo de Jo\u00e3o Goulart representava uma guinada em dire\u00e7\u00e3o aos interesses desse grupo e, o interrompimento dessa virada, ainda mais com pouca resist\u00eancia do presidente, causou perplexidade. \u00c9 o que explica Marcos Napolitano, professor do curso de Hist\u00f3ria da Universidade de S\u00e3o Paulo, no livro <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Cora\u00e7\u00e3o Civil<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> (2017, Intermeios), que investiga a vida cultural brasileira no regime militar.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A obra, publicada originalmente em 2010, \u00e9 valiosa por destacar um aspecto por vezes ignorado da resist\u00eancia art\u00edstica da \u00e9poca: foi um per\u00edodo marcado por pluralidade, com diversos grupos e artistas propondo diferentes formas de responder ao terror instaurado.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Os primeiros anos da ditadura militar, que antecedem o decreto do AI-5, s\u00e3o marcados por uma censura mais desarticulada. A lei de janeiro de 1946, que previa o controle das divers\u00f5es p\u00fablicas e havia sido decretada no primeiro ano do governo Dutra, era o \u00fanico instrumento que o governo militar tinha \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o, numa \u00e9poca em que ainda se buscava ares de legalidade para o golpe.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A arte engajada desse per\u00edodo se dividia entre a tentativa de continuar os projetos anteriores ao golpe e de processar a derrota da intelectualidade de esquerda, explica Napolitano, em entrevista \u00e0 <\/span><b>Babel<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cO chamado \u2018nacional-popular\u2019 de esquerda dava o tom na m\u00fasica e no teatro, principalmente. Nestas duas \u00e1reas, o tema da resist\u00eancia era mais forte. No cinema, apesar das continuidades est\u00e9ticas do cinema autoral que marcou o movimento do cinema novo, o tema era a &#8220;derrota&#8221; e os impasses vividos pelos intelectuais\u201d, afirma Napolitano. \u201cNa literatura, idem. Nas Artes Visuais, o figurativismo e a Nova Objetividade tentam responder ao dilema de conciliar experimentalismo e cr\u00edtica \u00e0 ditadura \u00e0s novas realidades impostas pelos meios de comunica\u00e7\u00e3o de massa no campo cultural.\u201d<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O ecletismo e a busca de caminhos para a resist\u00eancia art\u00edstica pautaram a arte nacional engajada dos anos 1960. Na m\u00fasica, artistas como Geraldo Vandr\u00e9, defensores das can\u00e7\u00f5es mobilizadoras, se opunham \u00e0 contracultura tropicalista, que devorava elementos da cultura estrangeira e abra\u00e7ava o i\u00ea-i\u00ea-i\u00ea da Jovem Guarda, tida por muitos como alienada e pr\u00f3-situa\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Essas disputas invadiriam os festivais de m\u00fasica, organizados pelas emissoras Excelsior, na Record e Globo. O terceiro Festival de M\u00fasica Popular Brasileira da Record, de 1967, \u00e9 simb\u00f3lico dentre eles por ter tido em seu p\u00e1reo <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Ponteio<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, de Edu Lobo e Capinam, a can\u00e7\u00e3o vencedora, <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Domingo no Parque<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, de Gilberto Gil, <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Roda Viva<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, de Chico Buarque e <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Alegria, Alegria<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> de Caetano Veloso.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Briga parecida percorria as outras artes. Pl\u00ednio Marcos, Oduvaldo Vianna Filho e Augusto Boal, nomes de peso do teatro nacional, discordavam em pontos essenciais, como na defesa da luta armada, mas se uniam na rejei\u00e7\u00e3o ao trabalho de Jos\u00e9 Celso Martinez Corr\u00eaa, o Z\u00e9 Celso, do Teatro Oficina, e as encena\u00e7\u00f5es agressivas, vistas por muitos como prejudiciais ao projeto de conquistar o p\u00fablico para as lutas de resist\u00eancia.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">No cinema, <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Terra em Transe<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> (1967), de Glauber Rocha; <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Vidas Secas<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> (1963), de Nelson Pereira dos Santos; e <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Os Fuzis<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> (1964), de Ruy Guerra foram marcos do Cinema Novo, e <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Bandido da Luz Vermelha<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> (1969), de Rog\u00e9rio Sganzerla, se tornaria um marco do Cinema Marginal. Os dois movimentos se opuseram, por\u00e9m ambos tinham atrito com um terceiro movimento, um cinema engajado mais tradicional, defendido por artistas ligados ao CPC da UNE.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cA partir de 1968, essa cr\u00edtica cultural se radicaliza, com o Tropicalismo, que coloca em xeque as bases da arte engajada de esquerda e a vis\u00e3o essencialista da cultura brasileira, tamb\u00e9m compartilhada pela direita. O ano de 1968 \u00e9 marcado por um grande debate sobre os rumos da arte engajada, tanto no plano dos temas e abordagens, como no plano\u00a0 est\u00e9tico\u201d, diz Napolitano.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Caetano Veloso, Gilberto Gil, Tom Z\u00e9 e Gal Costa, tropicalistas, e tamb\u00e9m Os Mutantes de Rita Lee e a bossanovista Nara Le\u00e3o lan\u00e7am, em julho do mesmo ano, <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Tropic\u00e1lia ou Panis Et Circenses<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, disco-manifesto do movimento de contracultura. O \u00e1lbum tomou seu nome da instala\u00e7\u00e3o de H\u00e9lio Oiticica, um dos nomes mais inventivos das artes pl\u00e1sticas da \u00e9poca, cujo projeto conversava com o dos m\u00fasicos.<\/span><\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: center;\"><em><span style=\"font-weight: 400; font-size: 18pt; font-family: 'Noto Sans';\">\u201cNum pa\u00eds medieval como nosso, quem se atreve a passar os umbrais da eternidade sem uma vela na m\u00e3o? Herdo um tost\u00e3o de cada morto nacional!\u201d<\/span><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><span style=\"font-size: 14pt; font-family: 'Noto Sans';\">\u201cRei da Vela\u201d, de Oswald de Andrade<\/span><\/strong><\/p>\n<\/blockquote>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Um ano antes, o Teatro Oficina, grande representante da contracultura e do tropicalismo nas artes c\u00eanicas, levava pela primeira vez ao palco <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">O Rei da Vela<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, pe\u00e7a irreverente escrita em 1933 por Oswald de Andrade. A encena\u00e7\u00e3o despertou o interesse da classe m\u00e9dia e incendiou a cena cultural, dividindo artistas e intelectuais entre os interessados na agressividade da trupe e os que a viam como leviana e alienada.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O restante da contracultura foi alvo de cr\u00edticas parecidas vindas da esquerda nacionalista, principalmente dos setores ligados ao Partido Comunista Brasileiro.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O ano de 1968, no entanto, foi marcado por outro grande acontecimento na hist\u00f3ria brasileira. No dia 13 de dezembro, o presidente Artur da Costa e Silva decretou o Ato Institucional N\u00famero 5, abrindo a era mais repressiva da ditadura militar.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O AI-5 permitiu que o presidente retirasse os direitos civis de quaisquer cidad\u00e3os, interviesse em estados e munic\u00edpios e cassasse mandatos do legislativo. Munida de novos poderes, a ditadura entrou num momento ainda mais agressivo de censura e cerceamento de liberdades.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cO AI-5 atinge todas as manifesta\u00e7\u00f5es e correntes engajadas, seja o campo nacional-popular, sejam as vanguardas mais radicais. A censura recair\u00e1 sobre todos. Ao mesmo tempo, se aprofunda a percep\u00e7\u00e3o dos impactos da moderniza\u00e7\u00e3o no campo cultural, com a televis\u00e3o e a ind\u00fastria cultural como um todo sendo o espa\u00e7o de atua\u00e7\u00e3o destes artistas, que j\u00e1 n\u00e3o podiam atuar em movimentos sociais ou sindicatos\u201d, diz Napolitano.<\/span><\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-size: 18pt; font-family: 'Noto Sans';\"><em><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cA gente quer ter voz ativa\/ No nosso destino mandar\/ Mas eis que chega a roda viva\/ E carrega o destino pr\u00e1 l\u00e1\u201d<\/span><\/em><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><span style=\"font-family: 'Noto Sans';\"><span style=\"font-size: 14pt;\">\u201cRoda Vida\u201d, de Chico Buarque<\/span><\/span><\/strong><\/p>\n<\/blockquote>\n<h2><span style=\"font-size: 14pt;\"><b>Novo cen\u00e1rio, novos caminhos<\/b><\/span><\/h2>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ap\u00f3s o decreto do AI-5, o experimentalismo radicaliza, com o Cinema Marginal, o Conceitualismo e outras vanguardas mais radicais. &#8220;Para estes, era preciso reinventar as formas e a fun\u00e7\u00e3o da arte na sociedade, ao mesmo tempo que se combatia o moralismo imposto pela ditadura\u201d, conta Napolitano.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cMuitos artistas tiveram que fugir do Brasil porque estavam sendo perseguidos. A repress\u00e3o que era forte se tornou quase insuport\u00e1vel, quebrando esse florescimento cultural que vinha desde o come\u00e7o dos anos 1960\u201d, complementa Ridenti.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ap\u00f3s o decreto, os artistas tiveram que encontrar respostas para o novo momento do pa\u00eds. No come\u00e7o dos anos 1970, rusgas entre criadores de tend\u00eancias diferentes atenuaram-se, ainda que nunca tenham sumido completamente. Nessa \u00e9poca, o artista engajado \u2014 e a arte que buscava representar o popular \u2014 precisam se adequar \u00e0 moderniza\u00e7\u00e3o que mudava a face do pa\u00eds, e o experimentalismo passa a ser mais aceito entre essa vertente.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cPor volta de 1972 o tema da frente cultural ganha espa\u00e7o, unificando todas as correntes, defendidas sobretudo pelo PCB. H\u00e1 uma volta ao teatro realista, \u00e0s can\u00e7\u00f5es de den\u00fancia, ainda que a partir de letras sutis e aleg\u00f3ricas, em muitos casos, e aos filmes com tem\u00e1tica sociol\u00f3gica, representando microcosmos autorit\u00e1rios\u201d, explica Napolitano.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Esse seria o cen\u00e1rio da arte at\u00e9 a abertura, a partir de 1979, momento em que a arte busca se aproveitar de uma maior liberdade rec\u00e9m conquistada, com o abrandamento da censura, para intensificar seu di\u00e1logo com as massas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Por outro lado, para Napolitano, \u201cexplode o caso das \u2018patrulhas ideol\u00f3gicas\u2019, \u00e0 medida que muitos artistas reclamam mais liberdade para criar, sem seguirem uma est\u00e9tica engajada moldada ainda nos anos 1960, como defendia a esquerda mais ortodoxa.\u201d<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cNeste momento, tamb\u00e9m temos a crise do campo \u2018nacional-popular\u2019 e a busca de novas bases conceituais e est\u00e9ticas para orientar a arte engajada, como as vanguardas, a contracultura, e a cultura popular fora do mercado\u201d, aponta Napolitano.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Rock, punk e black music entram em cena. O movimento oper\u00e1rio cresce, enquanto a hegemonia cultural da esquerda \u00e9 posta em cheque. Com a abertura pol\u00edtica, um novo cen\u00e1rio, com novos problemas e novas respostas, emerge.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\u201cAcabou nosso carnaval\/ Ningu\u00e9m ouve cantar can\u00e7\u00f5es\/ Ningu\u00e9m passa mais brincando feliz\/ E nos cora\u00e7\u00f5es\/ Saudades e cinzas foi o que restou\u201d. 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