{"id":1122,"date":"2024-06-17T14:04:55","date_gmt":"2024-06-17T17:04:55","guid":{"rendered":"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/?p=1122"},"modified":"2024-06-17T15:27:32","modified_gmt":"2024-06-17T18:27:32","slug":"um-passado-que-nao-passa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/?p=1122","title":{"rendered":"Um passado que n\u00e3o passa"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cO capit\u00e3o Maur\u00edcio Lima disse: \u2018Agora voc\u00ea vai morrer, voc\u00ea j\u00e1 deu o que tinha que dar, agora voc\u00ea vai morrer.\u2019 Pensei: \u2018Gra\u00e7as a Deus\u2019. Realmente, ele achou que estava me dando uma m\u00e1 not\u00edcia, mas era uma \u00f3tima not\u00edcia\u201d. Este \u00e9 o relato de Carlos Russo J\u00fanior, ex-membro da A\u00e7\u00e3o Libertadora Nacional (ALN), sobre a intensa tortura que sofreu por agentes do Estado durante a Ditadura Militar do Brasil.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Passados 60 anos do golpe que ceifou a democracia no pa\u00eds por 21 anos, grupos da sociedade relativizam os horrores do per\u00edodo \u2014 e at\u00e9 pedem seu retorno. Diante de apagamentos e distor\u00e7\u00f5es, o Brasil ainda precisa enfrentar a mem\u00f3ria\u00a0 e responder a quest\u00f5es deste intervalo hist\u00f3rico t\u00e3o recente e violento, como o reconhecimento do papel do Estado nas mortes e desaparecimentos e as implica\u00e7\u00f5es da censura na vida pol\u00edtica do pa\u00eds.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Dos instrumentos p\u00fablicos para a preserva\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria, provavelmente o mais importante foi a Comiss\u00e3o Nacional da Verdade (CNV), institu\u00edda no governo Dilma Rousseff, em 2012. O dispositivo visava investigar as graves viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos praticadas por agentes p\u00fablicos ou pessoas a servi\u00e7o de institui\u00e7\u00f5es governamentais, com apoio ou interesse no Estado, entre <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">18 de setembro de 1946 e 5 de outubro de 1988. O relato de Russo foi um dos coletados no levantamento.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O \u00f3rg\u00e3o foi criado por lei e previa somente a exist\u00eancia, mas, em fun\u00e7\u00e3o das atividades, passaram a ser fundadas outras comiss\u00f5es em estados e munic\u00edpios. Seja por atos governamentais, legislativos, iniciativas de universidades ou da sociedade civil, diversos grupos emergiram em um esfor\u00e7o para documentar n\u00e3o apenas os dados, mas as hist\u00f3rias das v\u00edtimas e das respectivas fam\u00edlias.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A CNV reconhece 434 mortes e desaparecimentos pol\u00edticos durante o regime militar. Por\u00e9m, \u201cos n\u00fameros verdadeiros, certamente, s\u00e3o maiores\u201d, afirmou Pedro Dallari, coordenador e relator da comiss\u00e3o entre 2013 e 2014. \u201cEscrevemos isso no relat\u00f3rio final: que n\u00e3o era nem o come\u00e7o nem o fim das apura\u00e7\u00f5es\u201d, completou.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Na conclus\u00e3o, o colegiado prop\u00f4s 29 recomenda\u00e7\u00f5es para que n\u00e3o se repitam as crueldades registradas na \u00e9poca. No entanto, apesar de entend\u00ea-las como \u201crobustas e consistentes\u201d, Dallari reconhece que a maior parte n\u00e3o foi cumprida. Segundo dados do Instituto Vladimir Herzog, apenas 2 sugest\u00f5es foram colocadas em pr\u00e1tica e 6 parcialmente realizadas, somando aproximadamente 28% do total.<\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_1124\" aria-describedby=\"caption-attachment-1124\" style=\"width: 551px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-1124\" src=\"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/IMAGEM-1-300x169.png\" alt=\"\" width=\"551\" height=\"310\" srcset=\"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/IMAGEM-1-300x169.png 300w, https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/IMAGEM-1.png 594w\" sizes=\"auto, (max-width: 551px) 100vw, 551px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-1124\" class=\"wp-caption-text\">A Ditadura Militar brasileira tamb\u00e9m violou os direitos humanos de diversas crian\u00e7as, chegando a levar filhos para verem seus pais e m\u00e3es sendo torturados.<\/figcaption><\/figure>\n<h2><span style=\"font-family: 'Noto Sans'; font-size: 14pt;\"><b>As ra\u00edzes do problema<\/b><\/span><\/h2>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00c9 praticamente unanimidade entre os estudiosos da Ditadura Militar que a impunidade daqueles ligados aos crimes cometidos no per\u00edodo \u00e9 a principal raiz da problem\u00e1tica envolvendo a mem\u00f3ria no Brasil. Em 1979, a Lei da Anistia foi aprovada, mas n\u00e3o serviu somente para os presos pol\u00edticos, exilados e todos que tiveram seus direitos suspensos, tamb\u00e9m contemplando os militares.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">No cen\u00e1rio internacional, a Corte Interamericana de Direitos Humanos declarou que a Lei da Anistia impedia investiga\u00e7\u00f5es e puni\u00e7\u00f5es contra as graves viola\u00e7\u00f5es do regime. Em 2010, o Supremo Tribunal Federal (STF) julgou e negou o pedido da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) por uma revis\u00e3o na legisla\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Em 2008, o Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal de SP ajuizou a primeira a\u00e7\u00e3o civil-p\u00fablica contra a Uni\u00e3o e dois militares acusados de assassinatos e torturas, o coronel Brilhante Ustra e o coronel Audir Maciel. No mesmo ano, Ustra foi apontado pela Justi\u00e7a como culpado por crimes de tortura e, em 2012, condenado a pagar indeniza\u00e7\u00f5es por danos morais.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O torturador nunca foi preso e faleceu aos 83 anos em decorr\u00eancia de problemas de sa\u00fade. Suas filhas recebem at\u00e9 hoje do Estado uma pens\u00e3o de mais de 15 mil reais cada. Estima-se que ele \u00e9 respons\u00e1vel por 60 mortes e 500 v\u00edtimas de tortura.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A exemplo de tamanha neglig\u00eancia processual, a primeira vez que a justi\u00e7a condenou penalmente um agente da ditadura pela participa\u00e7\u00e3o na repress\u00e3o foi em 2021. Carlos Alberto Augusto, delegado aposentado do Departamento de Ordem Pol\u00edtica e Social (DOPS) de S\u00e3o Paulo, foi condenado a dois anos e 11 meses de pris\u00e3o pelo sequestro e c\u00e1rcere privado de Edgar de Aquino Duarte, desaparecido desde 1971.<\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_1125\" aria-describedby=\"caption-attachment-1125\" style=\"width: 545px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-1125\" src=\"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/IMAGEM-2-300x155.jpg\" alt=\"\" width=\"545\" height=\"282\" srcset=\"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/IMAGEM-2-300x155.jpg 300w, https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/IMAGEM-2.jpg 350w\" sizes=\"auto, (max-width: 545px) 100vw, 545px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-1125\" class=\"wp-caption-text\">Em 2012, a Comiss\u00e3o Nacional da Verdade foi inaugurada em uma cerim\u00f4nia com a presen\u00e7a de todos os ex-Presidentes da Rep\u00fablica desde a redemocratiza\u00e7\u00e3o brasileira. Fonte: Wikimedia Commons<\/figcaption><\/figure>\n<h2><span style=\"font-family: 'Noto Sans'; font-size: 14pt;\"><b>Veias abertas<\/b><\/span><\/h2>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Em outros pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina, essa hist\u00f3ria foi diferente. No Chile, que viu o fim da ditadura sanguin\u00e1ria de Augusto Pinochet em 1990, a Suprema Corte decidiu, em 1998, que a Lei da Anistia n\u00e3o poderia ser aplicada aos casos de viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos. Durante seu governo, pelo menos 40 mil pessoas foram executadas, desaparecidas e torturadas pelo Estado por motivos pol\u00edticos, revelam dados do relat\u00f3rio da Comiss\u00e3o Valech.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">J\u00e1 a Argentina conseguiu condenar 500 agentes que participaram da ditadura e mataram 30 mil pessoas, relembrou C\u00e9sar Novelli, membro do N\u00facleo de Preserva\u00e7\u00e3o da Mem\u00f3ria Pol\u00edtica (NM).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">No caso dos argentinos, a historiadora Carla Teixeira aponta que o regime foi muito mais violento do que no Brasil. \u201cA ditadura brasileira manteve uma s\u00e9rie de institui\u00e7\u00f5es em funcionamento, o rasgo no tecido social na Argentina foi mais evidente. [Com a redemocratiza\u00e7\u00e3o] os generais foram presos, a popula\u00e7\u00e3o foi \u00e0s ruas pedindo para que fossem mortos\u201d, ela explicou. \u201cA nossa abertura lenta, gradual e segura. Garantiu um controle do processo de transi\u00e7\u00e3o para os militares\u201d, acrescentou a pesquisadora.<\/span><\/p>\n<h2><span style=\"font-size: 14pt;\"><b>De frente com nossos fantasmas<\/b><\/span><\/h2>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Com ra\u00edzes comprometidas, poucos espa\u00e7os de mem\u00f3ria floresceram no Brasil. O \u00fanico museu dedicado ao per\u00edodo \u00e9 o Memorial da Resist\u00eancia de S\u00e3o Paulo, sediado no lugar onde funcionou, entre 1940 e 1983, o DOPS de S\u00e3o Paulo, uma das pol\u00edcias mais truculentas do pa\u00eds.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Em compara\u00e7\u00e3o, a Argentina possui cerca de 36 lugares identificados como \u201cs\u00edtios de mem\u00f3ria\u201d e ligados \u00e0 \u00faltima ditadura c\u00edvico-militar. A maioria s\u00e3o ex-centros clandestinos de deten\u00e7\u00e3o que foram transformados em espa\u00e7os de cultura. Os visitantes podem at\u00e9 mesmo observar como funcionavam os centros de tortura.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Mas \u00e9 o Chile que possui um dos mais impressionantes museus de mem\u00f3ria do mundo: o Museu da Mem\u00f3ria e Direitos Humanos. L\u00e1 est\u00e3o mais de 140 mil documentos, 39 mil fotos, centenas de depoimentos em v\u00eddeo e objetos dos desaparecidos durante a ditadura militar chilena. Quem visita pode pesquisar desde as senten\u00e7as judiciais at\u00e9 os lugares de deten\u00e7\u00e3o e as v\u00edtimas.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">J\u00e1 no Uruguai, o Centro Cultural e Museu Mem\u00f3ria fica na capital e tem uma exposi\u00e7\u00e3o permanente com objetos, fotografias e documentos. As salas contam todo o processo ditatorial \u2014 desde a instaura\u00e7\u00e3o at\u00e9 a redemocratiza\u00e7\u00e3o \u2014 passando pela resist\u00eancia, pela repress\u00e3o e pelas hist\u00f3rias que at\u00e9 hoje n\u00e3o foram conclu\u00eddas.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">No Brasil, al\u00e9m da falta de espa\u00e7os de preserva\u00e7\u00e3o, as homenagens aos ditadores em nomes de ruas, avenidas e edifica\u00e7\u00f5es continuam numerosas. A Ponte Rio-Niter\u00f3i, que liga as duas cidades, \u00e9 popularmente conhecida assim, mas o nome oficial \u00e9 outro: Ponte Presidente Costa e Silva. Segundo dados do portal Ag\u00eancia P\u00fablica, s\u00e3o aproximadamente 160 km homenageando os que resistiram \u00e0 ditadura contra mais de 2000 km de vias que fazem refer\u00eancias aos algozes. Na Marginal Tiet\u00ea, em S\u00e3o Paulo, a Avenida Castelo Branco fica a menos de 500 metros da rua Vladimir Herzog, que homenageia o jornalista torturado e morto em 1975.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ainda que esfor\u00e7os como a mudan\u00e7a do nome do \u201cMinhoc\u00e3o\u201d de Elevado Costa e Silva para Elevado Presidente Jo\u00e3o Goulart tenham sido realizados, a estrada para se percorrer ainda \u00e9 longa.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Nesse sentido, em abril deste ano, a Comiss\u00e3o de Direitos Humanos do Senado aprovou uma proposta que impede o governo federal de batizar rodovias, edif\u00edcios e bens p\u00fablicos da Uni\u00e3o com nomes de agentes p\u00fablicos que violaram direitos humanos durante a ditadura militar. O texto tamb\u00e9m define que bens da Uni\u00e3o j\u00e1 batizados em homenagem a criminosos elencados pela CNV dever\u00e3o ter os nomes alterados em at\u00e9 seis meses. A proposta segue para discuss\u00e3o na Comiss\u00e3o de Educa\u00e7\u00e3o da Casa e depois vai diretamente para an\u00e1lise da C\u00e2mara dos Deputados.<\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_1126\" aria-describedby=\"caption-attachment-1126\" style=\"width: 548px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-1126\" src=\"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/IMAGEM-3-300x179.webp\" alt=\"\" width=\"548\" height=\"327\" srcset=\"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/IMAGEM-3-300x179.webp 300w, https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/IMAGEM-3-768x459.webp 768w, https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/IMAGEM-3.webp 1170w\" sizes=\"auto, (max-width: 548px) 100vw, 548px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-1126\" class=\"wp-caption-text\">\u201cQuando estivemos presos em Bras\u00edlia pela primeira vez, eles colocavam aquela \u2018Amada amante\u2019 quando torturavam algu\u00e9m. Portanto, eu n\u00e3o gosto do Roberto Carlos. Colocavam para tampar os gritos dos torturados\u201d, relatou Dirce Machado Silva para a CNV. Fonte: Ag\u00eancia Brasil<\/figcaption><\/figure>\n<h2><span style=\"font-family: 'Noto Sans'; font-size: 14pt;\"><b>Presente e futuro<\/b><\/span><\/h2>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O apagamento das mem\u00f3rias da repress\u00e3o nas d\u00e9cadas de 60, 70 e 80 tem efeitos mal\u00e9ficos para o hoje e o amanh\u00e3 do pa\u00eds. Dentre eles, a elei\u00e7\u00e3o de governos que flertam com o fascismo e a continuidade da tortura e das viola\u00e7\u00f5es aos direitos por alguns grupos de agentes p\u00fablicos em periferias, Novelli listou.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A exalta\u00e7\u00e3o do regime se agravou durante a gest\u00e3o de Jair Bolsonaro. Antes de ser chefe do Executivo, o ex-presidente, na \u00e9poca deputado, chegou a proferir exalta\u00e7\u00f5es, em pleno Congresso, \u00e0 Ustra no julgamento do impeachment de Dilma Rousseff, que foi torturada pelo criminoso no in\u00edcio dos anos 1970. <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Ainda parlamentar, n\u00e3o sofreu nenhuma consequ\u00eancia legal. O pol\u00edtico j\u00e1 havia dito que \u201co erro da ditadura foi torturar em vez de matar\u201d. Mesmo assim, foi eleito com 55% dos votos em 2018.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O cen\u00e1rio despertou em muitas pessoas a d\u00favida se, realmente, h\u00e1 esperan\u00e7a por uma maior conscientiza\u00e7\u00e3o acerca da mem\u00f3ria do per\u00edodo. Entretanto, de acordo com pesquisa do Datafolha, 63% dos brasileiros acham que a data de anivers\u00e1rio do golpe deve ser desprezada, enquanto 28% acreditam que deveria ser comemorada. Entre as poss\u00edveis medidas a serem tomadas na atualidade, a principal demanda \u00e9 o restabelecimento da Comiss\u00e3o Especial de Mortos e Desaparecidos Pol\u00edticos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Institu\u00edda em 1995, no governo Fernando Henrique Cardoso, a Comiss\u00e3o foi encerrada por Bolsonaro em 2022. Sua retomada foi prometida pelo presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva durante as elei\u00e7\u00f5es, mas desde que assumiu o poder, em 2023, n\u00e3o deu andamento ao projeto.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201c\u00c9 algo que se o governo n\u00e3o fizer, ningu\u00e9m tem condi\u00e7\u00f5es jur\u00eddicas de fazer. \u00c9 restaurar os mecanismos que permitam a identifica\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es sobre o destino dado a esses mortos e desaparecidos pol\u00edticos cujos restos mortais se desconhecem\u201d, afirmou Dallari. \u201cOutro aspecto relevante \u00e9 a luta pelo cumprimento da promessa da campanha do Lula de criar o Museu da Democracia, que n\u00e3o saiu\u201d, lembrou Teixeira.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Mais um exemplo de atua\u00e7\u00e3o \u00e9 o N\u00facleo de Preserva\u00e7\u00e3o da Mem\u00f3ria Pol\u00edtica (NM). Criado por ex-presos pol\u00edticos em 2009, o instituto tem o objetivo de preservar a mem\u00f3ria daqueles 21 anos e dar visibilidade ao que foi o per\u00edodo. \u201cIsso acontece por meio de a\u00e7\u00f5es de educa\u00e7\u00e3o e direitos humanos, como visitas guiadas ao antigo DOI CODI de S\u00e3o Paulo, o projeto S\u00e1bado Resistente com o Memorial da Resist\u00eancia, os cursos e visitas a escolas e universidades\u201d, detalhou Novelli.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Al\u00e9m disso, o NM tamb\u00e9m busca a cria\u00e7\u00e3o de mais lugares de mem\u00f3ria. O grupo tem trabalhado na constru\u00e7\u00e3o do Memorial da Luta pela Justi\u00e7a Social no local onde funcionavam as antigas auditorias militares de S\u00e3o Paulo, que julgavam os presos pol\u00edticos acusados pela Lei de Seguran\u00e7a Nacional. \u201cEstamos trabalhando com a OAB para abrir em 2026, na Avenida Brigadeiro Lu\u00eds Ant\u00f4nio\u201d, revelou Novelli. O n\u00facleo tamb\u00e9m integra um grupo de trabalho que luta desde 2018 para construir um memorial no DOI CODI.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\u201cO capit\u00e3o Maur\u00edcio Lima disse: \u2018Agora voc\u00ea vai morrer, voc\u00ea j\u00e1 deu o que tinha que dar, agora voc\u00ea vai morrer.\u2019 Pensei: \u2018Gra\u00e7as \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/?p=1122\"> <\/a>","protected":false},"author":139,"featured_media":1128,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[284],"tags":[290,183,287,289,166,286,285,288],"class_list":["post-1122","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-babel-2024-ed-junho","tag-60-anos","tag-brasil","tag-comissao-nacional-da-verdade","tag-democracia","tag-ditadura","tag-golpe-militar","tag-memoria","tag-tortura"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v19.10 - 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